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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Acreditar


6 de janeiro de 2016

No ano passado, encontrei na internet, por acaso, uma história de persistência e vitória. Uma leitora de Portugal, que tem endometriose profunda, entrou neste blog, mudou seu estilo de vida e engravidou naturalmente. Fiquei emocionada com o lindo texto que ela escreveu, com sua força de vontade e fé. Não importa a minha identidade, nem importa a identidade desta leitora. O que realmente é importante é que a mensagem de saúde, por meio de uma mudança de estilo de vida, existe e funciona. Não sou a autora disso. Ter uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos, valorizar a natureza (ar, água etc.), interagir, buscar a espiritualidade, fazer uma prece, avançar mais e mais no conhecimento, é o que Deus deseja para todas nós. Tão simples e tão poderoso. Basta acreditar.


 Acreditar...
por Ângela Costa em Qua Abr 09, 2014 

Tenho endometriose grau IV e fui até à data em que fui tratada pelo Dr. Setúbal o único caso que não conseguiu resolver totalmente. Se deixasse a pílula, a endo iria desenvolver-se rapidamente porque ainda existiam focos por remover.

Para além disso, todo o meu aparelho reprodutor está comprometido, os ovários atrofiados, o útero cheio de adenomiose, só uma trompa permeável...

Gravidez natural seria praticamente impossível, deu-me uma hipótese de talvez 1% e, se tentássemos a FIV, achava que iríamos apenas gastar dinheiro.

Desde que descobri que tenho endo há 3 anos atrás, comecei a ler este blogue:

E segui os conselhos desta senhora, tentei mudar o meu estilo de vida, muito gradualmente, pois se não o stress ainda seria maior. 

Comecei alterações na alimentação, muito lentamente. Alimentos importantes e crus: alho, cebola, limão.

Reduzi drasticamente o consumo de laticínios, mas não aboli.

Chás com cafeína e café retirei. Doces de pastelaria não como, faço os meus próprios doces com açúcar amarelo ou mascavo, e com 1/3 do recomendado na receita. Não significa que não prove se me oferecerem. 

Mas houve alturas em que abusei nos doces e no dia a seguir perdi sangue...

Acho importantíssimo regular o intestino e limpar o organismo. Tomei durante 4 meses sumos detox, chá quente às refeições e água com limão. Há também uma água no Eclerc - Hépar que é muito boa para quem tem prisão de ventre. Já não faço isto há mais de 2 meses, o intestino não está completamente regulado, mas vou ao WC todos os dias ou pelo menos dia sim dia não. 

Faço exercício físico que acelere o ritmo cardíaco ou caminhada e yoga, pelo menos 3 vezes por semana.

Vitamina D, tenho carência, já tomei suplementos e tento apanhar sol sempre que posso, mas no Inverno voltou a descer para níveis insuficientes.

Tomei suplementos, nestes últimos anos: unha de gato, onagra, multi vitaminas, vitamina B6 e Vitamina D.

Quando deixei a pílula para regular a menstruação e ovular tomei Vitex Agnus Castus, não sei se foi ou não deste suplemento, mas logo na 1ª menstruação ovulei, coisa que o Dr. Setúbal achava que nunca mais iria acontecer.

Ovulei sempre em todas as menstruações que tive. 
Desde Setembro que estamos a tentar engravidar naturalmente, contra as indicações do Doutor, achava que eu iria apenas prejudicar a minha saúde com a minha teimosia. Mas eu tinha de tentar.

Nas 1ªs 4 menstruações as dores foram aumentando, estive para desistir pois numa eco que fiz já tinha um novo tumor com 2 cm e o CA125 a 184. 

Deus fez-me não desistir e surpreendentemente na menstruação seguinte as dores reduziram drasticamente, ora mesmo que não conseguisse engravidar, pelo menos dava-me esperança para não ter que tomar a pílula até esta me fazer outros males. 

E as dores continuaram a diminuir... o CA125 veio para 77.

Fiz acupuntura alguns meses desde que tento engravidar e descobri o Xarope de Aloé [composto de babosa] perto da menstruação mais dolorosa.

Tomei eu e o meu marido, terá sido o Xarope de Aloé que reduziu o tumor e as dores???
Rezei muito, pedi ao Pai do Céu, Acreditei e tive um grande suporte e apoio que foi o meu marido e o milagre aconteceu.

Engravidei naturalmente em 6 meses. Dei a melhor prenda de aniversário que o meu marido podia receber, e ele mais do que eu o merece.

Estamos muito, mas muito felizes. Vamos fazer a primeira eco na sexta para ver se está tudo bem e rezar para que se estiver tudo bem, o nosso bebé seja saudável e perfeito.
Enquanto houver 1% de probabilidades há 99% de esperança.

Desculpem o texto longo, mas pode ajudar alguém. Se quiserem mais informações do que fiz, receitas, etc podem "chatear-me", com todo gosto e dever partilharei convosco a minha experiência.

Re: Acreditar...
por Ângela Costa em Ter Fev 24, 2015 
O nosso presente de Deus chegou no dia 18 de Dezembro. É a nossa maior riqueza.
Às vezes de noite quando estou à espera que arrote abraço-o e penso que é mesmo verdade, está aqui nos meus braços...
Estamos apaixonados, ver o seu desenvolvimento é magnífico.
Espero que quem ainda não conseguiu, consiga também um dia viver este sentimento e dádiva maravilhosa.

Esse texto foi publicado no seguinte endereço: http://forum.mulherendo.pt/t518-acreditar?highlight=acreditar







sábado, 2 de janeiro de 2016

Os Céus

video

2016

Estou morando no alto de uma montanha. Ganhamos o João. Vendemos o que tínhamos e compramos um sítio na cuesta, nos altos da terra. João está com 1 ano e 11 meses.

A endometriose é apenas um gigante adormecido. Tanto quanto subimos, mais distante ela parece estar. Subir é tocar o Céu e se deixar modificar por ele. Há tantas coisas que só o olhar para cima pode me ensinar. Não precisamos de uma montanha para fazer isso. O Céu está sobre todos.

Desejo um 2016 de esperança e força.

Acima, um vídeo que fiz do João aqui em nosso sítio. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Um bebê


23 de dezembro de 2014

“Ao ponderar sobre a encarnação de Cristo na humanidade, ficamos estupefatos diante de um mistério insondável, que a mente humana não pode compreender. Quanto mais meditamos nele, mais estupendo parece ser. Quão amplo é o contraste entre a divindade de Cristo e o indefeso bebê na manjedoura de Belém! Como podemos transpor a distância entre o poderoso Deus e uma criança indefesa? E, no entanto, o Criador dos mundos, Aquele em quem habitava corporalmente a plenitude da Divindade, Se manifestou no indefeso bebê na manjedoura. Muito mais elevado do que qualquer dos anjos, igual ao Pai em dignidade e glória, e, contudo, revestido da humanidade! A divindade e a humanidade combinaram-se misteriosamente, e o homem e Deus tornaram-se um. É nessa união que encontramos a esperança de nossa raça decaída” (Ellen G. White. Signs of the Times, 30 de julho de 1896).


João, aos cinco meses, em cerimônia de dedicação a Deus.




Após o nascimento de João


25 de dezembro de 2014

Após superar a endometriose grau IV por meio de uma mudança de estilo de vida (Veja aqui), engravidar naturalmente, ter o João (O nascimento de João) e conseguir amamentá-lo (O renascimento de João), refiz todos meus exames no dia 19 de dezembro de 2014.

Os exames de sangue estão normais. O FAN (fator antinuclear), indicador de doença autoimune, que havia baixado para índices normais (até 30), mas ainda era positivo, negativou totalmente. Algo incomum, mas que pode acontecer. Nenhum sinal de doença autoimune. E pensar que eu tinha ido a um médico obstetra da cidade onde eu residia que insistiu em “me tratar” da doença autoimune (por causa do FAN), com remédios fortíssimos, para evitar um aborto... Talvez se eu tivesse feito o que ele impôs teria justamente acontecido o que ele falou... Procuramos outro médico imediatamente.

Voltei a menstruar no quinto mês após o parto, por isso estava preocupada com o retorno da endometriose. Embora continue com uma alimentação absolutamente natural, não estou conseguindo fazer exercícios físicos. Mas os exames constataram que o foco de endometriose no intestino continua do mesmo tamanho. O foco no ovário esquerdo, de acordo com o médico, desapareceu. Ele disse que viu um cisto hemorrágico normal que o próprio organismo deve assimilar nos próximos meses, sem qualquer necessidade de tratamento. Perguntei a ele se poderia ser um endometrioma hemorrágico. Ele disse que talvez sim. E que se fosse, seu tamanho era pequeno. Pessoalmente, acredito que se trata do endometrioma que eu já tinha, mas como disse ao médico que esse endometrioma diminuiu de 6 cm para menos de 3 cm, ele concluiu que deveria se tratar de um cisto... Quem consegue acreditar que um endometrioma pode diminuir significativamente de tamanho com a mudança de estilo de vida? De qualquer forma, havia sido ele mesmo que anos atrás me diagnosticara com um endometrioma. Diagnóstico confirmado por ele e outros dois médicos de sua equipe, em mais três ou quatro exames que fiz. Este último exame de ultrassom com preparo intestinal fiz com esse excelente médico, um especialista precursor deste tipo de exame voltado à investigação da endometriose. O melhor médico dessa especialidade que já conheci. Queríamos ter a certeza de que estava tudo bem.

Em resumo: os focos de endometriose permanecem do mesmo tamanho que antes da gravidez. Os quase sete centímetros de endometriose que diminuíram não voltaram. Continuo sem qualquer sintoma, sem nenhuma dor.

Eu estava muito preocupada, pois minha barriga continua grande, após a gravidez. Ele disse que, com a gravidez, a musculatura do abdômen se rompeu, projetando a barriga para frente... Nada grave. A questão é, sobretudo, estética. Conversar com um ou outro que, em vez de olhar para meus olhos, olha para minha barriga, é um detalhe menor...

Tive também, durante a amamentação, carência de vitamina B12 e vitamina D. Durante a amamentação, a demanda por nutrientes aumenta muito, mais do que na gestação. Eu não estava preparada para enfrentar esses desafios nutricionais. Precisava alimentar o bebê, precisava me alimentar, precisava de alimentos nutritivos em todas as refeições, mas não saía da poltrona da amamentação... Por causa dessas carências nutricionais, tive dores nos ossos (devido ao início de uma osteopenia), dores no músculo (por causa da carência de B12) e distonia cervical (provavelmente por causa da carência dessas duas vitaminas). Senti dificuldades para andar. Compramos vitaminas importadas sem açúcar ou conservantes (Vitamina D - Baby Ddrops® 400 IU 90 drops; Vitamina B12 Pure Advantage B-12 Methylcobalamin Spray).

Agora estou bem, sem qualquer dor ou outro sintoma. Quantos idosos têm carência dessas vitaminas e não são adequadamente diagnosticados ou tratados... Quantas pessoas têm a mesma carência nutricional e pensam que estão com doenças graves... Sofrem dores – são por vezes rotuladas de “fibromiálgicas”, “depressivas”, “estressadas”, “teimosas”, “mentirosas” – enquanto poderiam ter uma vida sem dor, caso fossem corretamente diagnosticadas e tratadas. Precisamos buscar o conhecimento, precisamos nos amar mais para colocar o conhecimento em prática, precisamos acreditar na dor do outro, independentemente da sua idade ou cor de pele ou condição, e acreditar que a dor é curável sem a necessidade de um espiral de remédios que se sobrepõe para combater os efeitos colaterais uns dos outros, desencadeando uma comunicação química caótica, com danos imprevisíveis nas células de um organismo supermedicado, mas subdiagnosticado e maltratado. Assim não há como existir cura.

Devido à distonia cervical, a neurologista sugeriu que eu fizesse ressonância e usasse remédios, além de toxina botulínica... Ao usar as vitaminas, tudo voltou absolutamente ao normal sem a necessidade de qualquer droga. Eu procuro evitar suplementos vitamínicos, mas há ocasiões que são absolutamente necessários. Por exemplo, não usei suplementos de ferro durante a gravidez nem depois, visto que estão associados ao câncer e diabetes (mas fiz uso de ora-pro-nobis, entre outros alimentos); não usei cálcio (mas fiz uso de moringa oleífera, entre outros nutrientes). No caso da vitamina D, eu precisaria ter tomado sol, mas não consegui. Então, usei a vitamina sintética. No caso da B12, por um tempo controlei com o uso de ovos preparados de maneira especial, mas durante a amamentação foi preciso fazer a reposição. Contudo, utilizei a metilcobalamina para vegans, o que não se demonstrou agressiva à minha saúde como a cianocobalamina vendida no Brasil.

Também tive um calázio fechado na pálpebra e outro aberto, com inflamação. Fui a uma oftalmologista que recomendou uma rápida cirurgia. Disse que em alguns casos o calázio diminui espontaneamente. Eu já estava parecendo um pouco com Nestor Cerveró... Mas decidi não fazer a cirurgia por causa dos remédios (antibiótico ou corticoide), e da anestesia local. Minha prioridade é amamentar, evitando o quanto for possível o uso de medicamentos. Consultei uma nutricionista vegetariana que amamentou seus dois filhos. Durante a amamentação ela também teve calázios. Explicou que o consumo de vitamina A, pelo organismo, é alto nesse período. Ela disse que seria importante que eu aumentasse a ingestão de vitamina A por meio da alimentação. Fiz isso. O calázio inflamatório sumiu. O calázio fechado está bem pequeno, quase imperceptível. Por que alguns calázios regridem naturalmente e outros não? Talvez a resposta esteja simplesmente na vitamina. Por que um médico não tenta primeiro resolver a questão por meio de tratamentos ou mudanças de estilo de vida antes de propor cirurgias invasivas ainda que rápidas e pequenas?

Esses dois anos me ensinaram muito mais em termos de saúde, doença e nutrição do que qualquer fase de minha vida. Eu senti na pele. Também vi e senti a pele curada após mudanças simples na minha alimentação. Ciência da comida, ciência da vida.

O ano de 2014 foi o mais feliz e também o mais difícil de nossa vida. Enfrentamos inúmeras dificuldades. Tivemos que percorrer o caminho estreito, sinuoso, contraindicado; tivemos que abrir o caminho, por vezes. Quando se decide fazer o que é certo, surgem oposições de todo tipo. Somente em Deus, fomos capazes de resisti-las. Mas, no final da história, o presente que recebemos é incomparável, como um bebê completamente saudável, inteligente e querido, amamentado no peito; ou um corpo livre de endometriose sem o uso de qualquer remédio ou cirurgia, após estar à beira do colapso.

Sim, é possível. Você pode vencer a endometriose, pode ter um filho, pode fazer o melhor por ele, dando-lhe uma alimentação saudável, apesar de toda oposição e dos desafios intransponíveis. Eu não sei se você conseguirá fazer isso sem Deus. Eu apenas sei que sem Ele, sem a Sua lei e Sua palavra (na Bíblia e também em livros inspirados, como os da autora Ellen White), eu não teria conseguido. Isso é diferente de religião apenas.

O caminho certo é caminho de solidão. Transformamo-nos em raiz de terra seca, sem beleza, sem atrativos, desprezados e rejeitados até pelos mais bem intencionados. Tornamo-nos experimentados no sofrimento, mas o sol volta a brilhar. Cristo toma sobre si nossa enfermidade, leva nossas doenças e cura nossas feridas, ainda que nesta Terra tenhamos que enfrentar as perdas irreparáveis, tanto físicas quanto emocionais. Só quem derramou Sua vida até a morte pode nos dar a vida plena, cujo significado ultrapassa conquistas na saúde ou qualquer outro tipo de sucesso. Nesta vida, os desfechos são inesperados. O sentido da existência está apenas em Cristo, no bebê-Deus, descendente de Davi, no homem-Deus experimentado em dores, Deus ressurreto.

Jesus Cristo. Jesus Cristo. Jesus Cristo.
A Ele meu louvor.


PS.: Peço desculpas por não ter respondido a muitos e-mails e comentários. Vou tentar fazê-lo aos poucos. Este ano foi um período de dedicação integral ao João. Acho que por muito tempo será assim. Escolhi ser mãe em tempo integral até que esse bebê tenha condições de voar sozinho, como os pequenos pássaros que nasceram nas pilastras de nossa casa (Veja aqui o texto Passaridade), cujos pais os aqueceram, os nutriram, os envolveram. Então, eles voaram.





O renascimento de João


25 de dezembro de 2014
Tenho endometriose profunda. Superei a dor. Os focos diminuíram. Engravidei naturalmente. Não usei remédios hormonais. Para superar a endometriose e engravidar, mudei meu estilo de vida. Adotei hábitos saudáveis (Veja aqui http://endometrioma.blogspot.com.br/2014/01/meu-tratamento-contra-endometriose.html). O bebê nasceu perfeito e saudável, apesar de um parto traumático (O nascimento de João).

Superei boa parte das dores do parto por meio da superação da minha incapacidade de amamentar. A amamentação exclusiva foi o maior desafio de minha vida. Desafio maior do que superar a endometriose. Como vencer a dor? Como ter leite suficiente? Como seria possível nutrir meu bebê apenas com o leite do peito? Como se proteger das palavras de crítica e ataques diante de nossa decisão de insistir na amamentação mesmo quando tudo parecia falhar? Eu sou responsável pela vida mais importante do mundo, pela vida, o crescimento, o bem-estar de meu filho, de um frágil bebê.

Amamentar João foi um grande desafio. Meu leite demorou uns 20 dias para descer. O colostro também demorou para descer. A médica pediatra disse que as circunstâncias do parto comprometeram a amamentação.

Além da falta de leite, outros desafios surgiram. O pior deles foi a maceração que atinge 1 a 2% das mulheres. Algo bem pior que fissuras. Meus seios ficaram em carne viva o que provocou uma dor excruciante, a ponto de me levar a surtos de dor. A pegada do bebê no seio estava correta, mas como, no início, o leite demorou para descer (havia, apenas um pouco de colostro), ele mamava por muito tempo em cada peito, e com muita força. Mesmo com a dor, eu prosseguia amamentando. E a situação ficava, a cada dia, pior.

Consultei médicos, enfermeira especialista em amamentação, doula..., mas parecia não haver respostas. Parar de amamentar significaria ter que dar a fórmula, um leite industrializado repleto de suplementos artificiais e carregado de açúcar (maltodextrina). A fórmula é uma das causas de tantas doenças infantis que se vê hoje em dia, como quadros de alergia, diabetes e obesidade. Além disso, segundo pesquisa publicada no New York Times, bebês alimentados com fórmulas terão bem mais dificuldade de aceitar alimentos saudáveis. Bebês alimentados com fórmula dormem menos ou mal à noite. A fórmula tem inúmeras e graves implicações para a saúde a médio e longo prazo. A fórmula, com suas supervitaminas sintéticas e seu doce atrativo facilitador, é um veneno que a indústria, com o aval da maioria dos médicos, oferece aos bebês e crianças.

Em nove anos, nos EUA, segundo pesquisa publicada no NYT, o diabetes tipo 1 em crianças aumentou mais de 20%; e o diabetes tipo 2, 30%. Os especialistas estão atônitos. Não sabem exatamente o motivo, se é devido aos fatores ambientais ou genéticos. Evidentemente, os hábitos de vida, o fim da comida caseira, a invasão de industrializados, o sedentarismo de crianças, pais doentes, a medicalização precoce etc. contribuem com esse quadro alarmante. Mas dar um leite industrializado repleto de açúcar para bebês recém-nascidos certamente altera negativamente o metabolismo desses pequenos, que acabaram de chegar ao mundo. Precisamos refletir sobre as “facilidades” que a indústria oferece, sobre as prescrições médicas. Leite com açúcar pode até engordar o bebê, mas não fará dele um bebê saudável.

Devido à dor dilacerante, eu estava prestes a desmamar João. Ele também não estava ganhando muito peso. Por causa disso, fui acusada de não estar “alimentando” meu filho. Doía horrivelmente meu seio, doía horrivelmente meu peito. No início do processo de amamentação, é normal que a mãe e o bebê enfrentem percalços, que o bebê não engorde tanto quanto muitos desejariam. Mas a vida real é bem diferente das propagandas com bebês pampers. Meu filho não estava gordo, mas estava ganhando peso gradativamente. Em apenas um mês, ele cresceu mais de 5 cm. Mas são em momentos como esse, em que a fragilidade extrema se expõe, que conhecemos as pessoas. Foi preciso nos isolar para conseguir alimentar o bebê. Com tantas observações ferinas, feitas como se nada estivesse acontecendo, não seria possível. O isolamento social que, às vezes, ainda se faz necessário também foi duramente criticado. A vida do meu filho está em primeiro lugar. Eu sentia que precisava tentar de tudo antes de pensar em desistir de amamentá-lo.

Em um dia de dor extrema, cheguei a amamentar João apenas uma vez. Para não dar a fórmula, meu marido aprendeu a preparar um leite indicado para bebês. Um casal muito inteligente e cristão que adotara uma linda bebê havia pesquisado e experimentado, com sucesso, o uso dessa fórmula natural. Quando eu não conseguia amamentar, dávamos esse leite especial, feito com amêndoa e água de coco (Esse leite não possui vitamina B12 nem vitamina D, entre outras. Vitaminas essenciais que o leite materno tem. Portanto, não substitui o leite materno, mas pode ser um substituto aceitável com a administração de outras vitaminas). O preparo do leite, em dias alternados, levava cerca de duas horas. Dávamos em uma sonda, com um apoio de uma seringa, para não acostumar o bebê com mamadeira, segundo a orientação de uma especialista em lactação. Dávamos o leite também após ele mamar no peito. Todo o processo levava um bom tempo.

Mas a dor nos seios só aumentava. Foi quando cheguei a ter surtos de dor. Prestes a desmamar o João, uma médica me disse para usar a bomba elétrica. Em um domingo, decidi procurar uma médica de Botucatu que aluga bombas elétricas. Liguei para um professor da universidade. Ele não tinha o número de telefone dela, mas me indicou o Banco de Leite da Unesp. Minha experiência no banco de leite da Maternidade de Campinas, onde João nasceu, havia sido terrível. Neste lugar, após insistir muito para ser atendida, fui tratada com rispidez, e machucaram muito meus seios. Violência. Apesar da experiência negativa com um banco de leite, que me deixara receosa, como estava em uma situação limite, decidi ligar para o Banco de Leite da Unesp. Uma funcionária muito atenciosa, chamada Thaiane, me atendeu. Ela disse que se eu chegasse na parte da manhã, naquele domingo, ela me receberia, embora o atendimento ao público geral fosse feito durante a semana.

Conseguimos chegar a tempo. Fui atendia por uma profissional incrível. Competente e bondosa, ela me viu, me ouviu, me ensinou, me animou, me compreendeu. Eu estava tão carente de alguém que me acolhesse. Ela me falou, ao ver meus seios: “Você é muita corajosa. Outra pessoa já teria desistido há muito tempo. Seus seios estão muito machucados.” Após contar que amamentou o filho por mais de dois anos, depois de enfrentar muitos desafios, ela me animou e disse: “Você vai conseguir amamentar seu filho.” Essas palavras não saem de minha mente. Naquele dia, eu recebi o amor que foi capaz de me manter firme até aqui. Além de meu marido, encontrei nessa profissional competente e amorosa as palavras que precisava ouvir para superar palavras que jamais deveriam ter sido dirigidas a mim. Agredir uma mulher no puerpério vai além da maldade.

Coloquei em prática o que ela recomendou. Aquele domingo foi determinante para que eu não desistisse. Houve uma melhora significativa na amamentação, mas os seios ainda estavam muito machucados e doíam terrivelmente. Por sugestão de uma amiga, meu marido ligou para uma enfermeira, professora universitária, especialista em amamentação e explicou minha situação. Sem nos conhecer, ela foi atenciosa e, mesmo por telefone, passou instruções importantes. Disse que, provavelmente, eu estava com uma infecção nos seios, por isso as feridas não fechavam e a dor era fortíssima. Recomendou que eu utilizasse alho cru. Passei a ingerir alho cru esmagado com óleo de coco três vezes ao dia, além de ingerir “água de alho” (água deixada por três horas com dentes de alho esmagados). Em poucos dias, a dor começou a diminuir. Em um mês, a infecção estava sob controle. Logo, as feridas começaram cicatrizar. Ao todo, desde o início da amamentação, tive dores durante quatro meses. Mas as feridas, finalmente, cicatrizaram.

Provavelmente, eu tinha uma infecção provocada por fungos. Mesmo remédios muito fortes, por vezes, não são capazes de combater infecções fúngicas. Mas o alho foi medicinal. Mais uma vez o alho, que utilizei para vencer a endometriose e usei durante a gestação, ajudou-me a restaurar minha saúde.

Ainda havia um último desafio, o leite. Desceu leite, mas nem sempre eu tinha leite na quantidade necessária. Certo dia, meu marido foi comprar ovos em um sítio e comentou que eu estava amamentando. A mulher disse que a nora também estava, mas não tinha leite suficiente. Foi ao médico, que prescreveu Equilid. Depois que começou a usar o remédio, teve leite em abundância. Solução perfeita se não fosse um detalhe: esse remédio é um remédio psiquiátrico! Quais efeitos colaterais trarão para essa mulher, a despeito do médico afirmar que é “seguro”? Qual o impacto que terá na saúde do bebê?

Se para ter leite fosse necessário tomar uma droga psiquiátrica, eu não teria leite. Se para ter um filho, fosse necessário fazer uma série de intervenções hormonais, eu optaria por adotar um filho. Mas não foi preciso tomar antidepressivos nem usar hormônios. Com a mudança de estilo de vida, engravidei. Com a alimentação correta, passei a produzir leite em abundância. A impossibilidade se tornou possível. Seja o seu alimento o seu remédio. A vida é uma ciência. A ciência da fé ilumina a ciência dos homens.

Além do desafio de produzir leite, eu ainda estava dependente da bomba elétrica. Dava meu leite na sonda, depois de tirá-lo com a bomba. À noite, acordava de hora em hora para fazer a ordenha. Dia e noite, sem parar. Acabava de fazer a ordenha, esterilizava tudo, dava o leite no peito, o leite da ordenha e, às vezes, quando o bebê se mostrava insatisfeito, dava o complemento, o leite de amêndoa... E começava tudo novamente, sem tréguas. Já me sentia vitoriosa por não ter que usar fórmula, mas meu desejo era a amamentação exclusiva. Quando o bebê recebe outro leite ou é acostumado com outras técnicas de amamentação é um grande desafio conseguir a amamentação exclusiva. Era praticamente impossível. Ele já estava com dois meses. Orei a Deus.

Tentei, algumas vezes, deixar João apenas no peito, mas ele chorava muito. Todas as tentativas foram muito difíceis e frustrantes. Ele havia se acostumado com a sonda, com o leite de amêndoa... Mas não parei de orar. Certa tarde, ao amamentar no peito, desceu tanto leite, que o leite jorrava. João mamou tanto que dormiu nos meus braços. Algo que nunca havia acontecido. No dia seguinte, decidi tentar novamente a amamentação exclusiva. Após um dia exaustivo, de muito choro do João, eu estava prestes a desistir, quando orei a Deus e pedi que, se fosse da vontade dEle que eu insistisse na amamentação exclusiva, João estivesse pesando 4030 Kg no final do dia (Ele havia pesado 3920 Kg de manhã).

Era um sábado. Havia dado de mamar no peito o dia todo, mas com muita dificuldade. No final do dia, decidi que daria o leite pela sonda novamente. Mas ao pesar João, ele estava com exatos 4030 Kg!! Foi algo tão inusitado, que eu não poderia desistir depois disso. Não poderia desistir como havia feito no momento do parto. Continuei. Confiei. É sempre tempo de voltar a confiar.

Em meio às dores da amamentação, sem saber ao certo se conseguiria amamentar meu bebê, abri a Bíblia e li o seguinte verso: “E o Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam” (Isaías 58:11).

Eu decidi confiar nessas palavras. Todo aquele que confia inteiramente em Deus jamais será decepcionado. Deus me fez manancial para meu filho.

Agora, João mama exclusivamente no peito. Cresce e ganha peso normalmente. Neste primeiro ano, cresceu 26 cm e atingiu a meta de três vezes o peso do nascimento. Não teve nenhuma doença ou mal-estar comuns a bebês, nem mesmo uma leve gripe.

Amamentar o João foi o maior de todos os presentes que recebi de Cristo! O maná. O pão da vida. O leite enviado por Deus.

A oração é minha força. Por meio dela, busquei informações, orientações de profissionais, caminhos de superação. Adotei protocolos (dezenas deles), técnicas (bomba manual, bomba elétrica, sonda tec.), conversei com especialistas (enfermeiras, médicas, técnicas...), fiz muitas leituras, adotei a alimentação necessária, busquei superar as experiências ruins, resisti à pressão social. Não foi nada fácil.

João está prestes a completar um ano de vida. Estou produzindo leite em boa quantidade. Todo o leite que ele precisa. O bebê mama feliz. No sexto mês, começaram as papinhas. João é um bebê ovolactovegetariano, cuja alimentação é composta por vegetais, legumes, frutas e alimentos integrais, além do meu leite. Nada de açúcar, de gorduras prejudiciais, de industrializados. Todos os exames de sangue mostram que sua saúde está excelente. Uma médica pediatra havia nos falado que seria impossível mantê-lo saudável com a dieta vegetariana. Quanta desinformação, quanto preconceito!

Por vezes, chorei porque parecia que havia pouco leite, e orei. Como disse, para superar essa situação, adotei uma nova dieta a fim de estimular a lactação: comida exclusivamente vegetariana, sucos (especialmente de melancia e melão. Li que a melancia aumenta o leite. De fato, senti esse efeito), muita água (no mínimo 5 litros), folhas verdes (moringa oleífera e ora-pro-nobis), alho (encontrei um paper de pesquisadores norte-americanos que indicam a ingestão de alho cru para aumentar o leite), água de coco, coco fresco em mingais, chá de camomila, frutas, legumes, pão integral, canjica com leite de girassol, castanhas ou amêndoas (especialmente indicada para lactação. De fato, aumenta o leite. Quando passei a comer canjica, de manhã e à tarde, meu leite aumentou e não tive mais episódios de baixa de produção. A canjica é rica em ferro, proteínas e vitaminas do complexo B).

Nesse período de lutas, meu marido foi tudo para mim. Um homem maravilhoso que se compadeceu de minha dor e me ajudou o tempo todo. Sem ele, eu não teria conseguido. Sem apoio, penso que nenhuma mulher conseguiria. É preciso ter alguém ao lado. As mãos de Deus nas mãos humanas.

Em meio a essas experiências, compreendi que para ter leite, eu precisava de muito líquido e muito alimento de boa qualidade. Nem o emocional, nem os traumas do parto, nem a dor teriam impacto decisivo na amamentação se eu estivesse bem nutrida e hidratada. Uma experiência muito semelhante a que vivenciei com a endometriose, mas com a adaptação dos alimentos indicados para lactação. Os que alegam (muitos são da ala naturalista e/ou mística) que uma mulher não amamenta por causa de seu “emocional”, culpabilizando-a mais uma vez, estão errados. O problema da dita “medicina alternativa” é que ela se tornou excessivamente emocional.

O que aconteceu me ajudou a compreender melhor o significado grandioso do novo nascimento. Eu não posso fazer o João nascer de novo. O tempo não volta. Mas Cristo promete o renascimento, entende e transforma minha dor. Ao vencer, a cada dia, o desafio da amamentação, por meio de hábitos saudáveis, e sustentar o pequeno com o leite que sai de mim, sinto que das mãos de Cristo me foi concedida a dádiva de ver João nascendo de novo, envolto em meus braços após tantas separações.




O nascimento de João


23 de dezembro de 2014

João, meu querido filho, nasceu em janeiro deste ano.

Era sábado. As primeiras contrações vieram de madrugada. Durante nove meses, sem pensar na dor, construí certas imagens esparsas dessa chegada. Mas jamais imaginei que passaria por dores além das dores do parto.

Escolhemos um médico precursor em parto humanizado em Campinas. Pagamos adiantado por um parto normal. Mas sofri todo tipo de violência. Durante todo o processo, ele forçou uma cesárea, a qual acabei sendo submetida. Para impor a cesárea, ele disse que meu bebê era grande demais para o parto normal e estava com 4 Kg (o bebê nasceu com um pouco menos de 3 Kg, o que o ultrassom já apontava); disse que os movimentos do bebê estavam reduzidos (sugeriu que ele não tinha forças para um parto normal. Fiquei arrasada antes do parto, pensando que meu bebê não estava bem, mas o ultrassom em uma clínica particular mostrou que era um bebê forte, e saudável, o que ficou comprovado após o nascimento); me deixou com contrações vários dias sem atendimento (foi viajar para praia); disse que eu não tinha dilatação suficiente (eu estava com dilatação, o que outra médica comprovou); furou a bolsa para evitar que o processo se estendesse; quando eu estava em trabalho de parto, com contrações de 1 em 1 min., falou que se eu insistisse, “o bebê não aguentaria”, pois seu coração já não estava batendo bem (apenas uma fala inconsequente e absurda, sem a fundamentação de qualquer exame médico. O bebê tem a saúde perfeita. Até hoje não teve sequer uma febre leve, gripe ou virose). Esse último argumento, feito em meio às fortes contrações que sentia, fez-me aceitar a cesárea.

No sábado das primeiras contrações, o médico não estava na cidade. Decidira passar o fim de semana na praia. Eu dizia, com medo, ao João: “Não nasça ainda, seu médico não está.” Repeti essa frase no domingo e na segunda, entre dores, quando as contrações intensas chegavam de 3 em 3 minutos, 2 em 2 minutos e, então, se tornaram seguidas. Sempre à noite. João encaixado, colo do útero fino, contrações regulares, dilatação de 4 cm, avançando rapidamente. Então, em meio às dores finais, na terça, insistimos que o médico viesse até o apartamento. Ele disse que seria cesárea. Após tanto abandono, aceitei a cesárea.

Outro médico aplicou a anestesia raquidiana, enquanto eu sentia contrações intensas. Durante o procedimento médico para realização da cesárea, uma artéria se rompeu e tive uma hemorragia, controlada a tempo. O médico que fez a anestesia ficou nervoso, disse ao obstetra que ele era o responsável, pois tinha me deixado em trabalho de parto por horas seguidas... Corri risco de morte.

Em alguns minutos, João nasceu, mas não pude tê-lo em meus braços. O mesmo médico que havia propagandeado um parto normal, humanizado, em ambiente hospitalar..., abandonou-me em um canto qualquer daquele hospital, separada de meu filho, numa noite chuvosa. Fomos separados em salas de recuperação diferentes. Fiquei sozinha, com o corpo paralisado pela anestesia, em uma maca jogada ao lado, sem qualquer assistência. João ficou só numa maca pequena sem o calor de sua mãe. Acabara de nascer e estava só. Após três horas, pude finalmente ter João nos braços.

Depois do parto, fomos obrigados a dar fórmula ao bebê. Ele nasceu bem, com toda vitalidade. Mas souberam que eu era “naturalista” (alguém nos rotulou e as enfermeiras repetiam o rótulo que eu mesma não defini para mim), e então deduziram que o bebê precisava de reforço. Resultado: ele não quis o peito. Amamentar se tornou um imenso desafio, do qual eu não desistiria jamais.

Fomos a uma consulta com uma pediatra da Unicamp. Ela disse que o médico que eu havia escolhido, realmente, no passado, havia realizado muitos partos humanizados, normais, na água..., mas que agora, transformara-se em “outra pessoa”. Desumanizou-se. A médica me disse: “Ele inventou que seu filho não tinha os batimentos cardíacos normais.” Esse médico, participa de programas de TV, vende um ideal na internet, em seu site, mas não vive esse ideal. Engana as mulheres, recebe seu dinheiro e, após promessas de um parto normal, faz, na maioria das vezes, cesárea, embora mantenha um site ilusório, com histórias que retratam um médico que ele, decididamente, não é, se é que realmente um dia foi.

A violência que implode nas ruas, expondo a falência de um país, está transbordando em pessoas, sejam próximas, da família, intelectualizadas, bem conceituadas, endinheiradas ou não. O amor está se esfriando de quase todos, e a iniquidade cresce como nunca antes. Meu filho nasceu em tempos de guerra. Caímos nas mãos do mundo, mas não fomos vencidos por ele.

O nascimento do bebê João é o acontecimento mais feliz de minha vida. Mas estou relatando as dificuldades pelas quais passei porque essa experiência tem a ver também com a experiência de milhares de mulheres, inclusive das que têm endometriose e procuram por um médico, um tratamento. Inúmeras vezes, se querem seguir um caminho alternativo, são desacreditadas, humilhadas e julgadas. São expostas a todo tipo de violência, entre cirurgias e consultas. Se seguem o tratamento padrão, por vezes, descobrem que não houve resultado. A saúde piorou, parece não haver saída. E o profissional médico que tanto insistira em uma direção acaba também se ausentando, se eximindo. Onde encontrar forças? Onde encontrar abrigo em meio a esse temporal avassalador? Qual é o caminho certo?

Não é fácil se responsabilizar pela própria saúde. No meu tratamento contra a endometriose, eu tenho conseguido. Nenhuma palavra tem sido capaz de me desanimar e me fazer desistir desse caminho. Não tenho medo de dizer “não” aos hormônios e cirurgias (em determinados casos, a cirurgia pode ser necessária) e “sim” a uma mudança completa de estilo de vida, sem vacilar, sem titubear, sem abrir exceções. Não me deixo intimidar quando um profissional médico fala contra a alimentação natural ou recursos fitoterápicos ou contra a fé, desacreditando por completo ou parcialmente a opção de mudança de estilo de vida. Por isso, os resultados positivos vieram. Venci a endometriose. Continuarei neste caminho.

Mas no meu momento extremo, em dor excruciante, no momento do parto, eu não consegui seguir o caminho certo. Eu orei e Deus me deu a certeza de que o menino nasceria de parto normal. Mas eu não confiei nEle. Achei que ter superado a endometriose e ter engravidado naturalmente já era tudo que eu podia esperar. Racionalizei. O bebê estava nascendo de parto normal, eu tinha contrações, sentia ele nascendo, mas recuei. A palavra de um médico desumanizado e violento prevaleceu. Como eu poderia saber que seria seguro ir em frente, insistir no parto normal, se o médico colocara, de modo irresponsável e inverídico, o argumento de que meu filho não aguentaria? Eu sabia apenas por meio da oração.

Por que eu deveria confiar em uma oração? Confiar em versos bíblicos? Confiar em Deus? Tive o bebê à meia-noite. O médico havia acabado de chegar da praia. Queria descansar...
Por causa das circunstâncias do parto, meu leite demorou para descer. Iniciou-se uma luta enorme para amamentar. Também tive de superar as dores físicas e psicológicas de múltiplas violências obstétricas. Violências que não conseguiria descrever aqui. Nesse processo, a amamentação foi bastante prejudicada. Esse obstetra que fez a cesárea chegou a dizer, após o parto, que “leite é sangue” e que “meu sangue não produziria leite...” Insanidade. Alguém como ele deveria ser afastado do exercício da Medicina, no mínimo.

Já no segundo mês após o parto, passei a produzir mais de 800 ml de leite por dia, em meio a muita luta. Produzir leite e amamentar, tanto quanto superar a endometriose, é uma ciência. Em atitude de oração, encontramos o caminho. Deus tem me dado forças, pois a dor foi indescritível.

João, meu filho amado, mama agora exclusivamente no peito, sem qualquer outro leite como complemento. Continua saudável, forte, assim como no momento do nascimento. Até agora, não teve sequer uma cólica ou resfriado. Ele não teve nenhuma doença comum aos bebês ou qualquer indisposição.

O nascimento de João se enquadra dentro de um contexto maior, sobre o qual é necessário refletir. Estamos nos desumanizando. Relações familiares, profissionais, médico-paciente etc., estão se fragmentando, carregando-se de violências. Não há diferença entre o que o médico fez para mim e o que tem acontecido em crimes bárbaros relatados pelos jornais.

Tanto no processo de nascer quanto no enfrentamento de uma doença, deparamo-nos com situações que minam a resistência. Eu não vejo saída a não ser manter-se firme para que o amor não se esfrie de nosso próprio coração. Manter-se confiante na existência e atuação de Deus para que Sua voz não se apague de nosso coração. Ouvir a voz do Pai não é um privilégio que damos a Ele, mas uma conquista que eu preciso priorizar em minha vida.

Perdi um momento que era meu. O parto normal implica em várias questões. Pesquisas indicam que a gravidez não é a cura para a endometriose, mas o parto normal poderia ser. O parto normal define, em grande parcela, a saúde do bebê, além de beneficiar a mãe. O parto normal é um presente de Deus para a mãe e o bebê que, em vez de serem separados imediatamente após se conhecerem, ficam juntos. O bebê, ao chegar ao mundo, vai para os braços de quem mais o ama. Eu e João ficamos sós naquela noite chuvosa. Ele chegou ao mundo e não teve sequer os meus braços acariciando-o, dizendo a ele o quanto era amado.

Mas é preciso enfrentar as perdas. Não está sendo fácil ainda, mas preciso fazer isso pelo João. Preciso ressignificar. Para amamentar, eu precisava ser forte, mas estava tão frágil. Na minha fragilidade, Deus me fortaleceu. Cada lágrima, cada choro incontido, toda dor, Ele transformou, continua transformando. Minha força está NEle.

Cheguei ao sexto mês de vida do João com a amamentação exclusiva. É um bebê saudável e querido! Amamentar foi para mim o renascimento de João. Hoje, João está com 11 meses, logo fará um ano. Meu leite continua sendo seu alimento, sua vida.





sábado, 10 de maio de 2014

Ela está grávida



10 de maio de 2014

Meu filho nasceu em janeiro. Ele é um bebê saudável e querido.Vou escrever sobre o nascimento e o renascimento de João. Mas neste Dia das Mães, quero compartilhar a mensagem que recebi pelo blog, enviada para o texto Endometriose e fitoterapia: minha experiência com a babosa. Assim como Carol (A gravidez de Carol) e Alessandra (Oração de Lorenzo), ela tem endometriose, era quase impossível que engravidasse, mas engravidou naturalmente. Eu não fiz uso de acupuntura nem homeopatia, mas nossos tratamento tem semelhanças, pois está fundamentado na mudança de estilo de vida. Embora o objetivo de ter hábitos saudáveis não seja, necessariamente, engravidar, o fato é que ao fazer essas mudanças, aumentam as chances de uma gravidez. Não podemos perder a esperança, ao mesmo tempo em que podemos aceitar novos caminhos, além daqueles que desejamos muito. A fertilidade é amplidão.



Já nasceu o seu menino? Correu tudo bem? Agora o tempo é dirigido ao seu bem mais precioso :)

Eu não desisti apesar da 4ª menstruação ter sido muito dolorosa e já ter um novo tumor de 2 cm. O meu marido com amor por mim sugeriu que eu não continuasse a tentar pois era a minha saúde que estava a ser comprometida, mas Deus lá interviu e incrivelmente as dores diminuíram nas 2 menstruações seguintes e não houve mais... fiquei grávida :)

Engravidei naturalmente apesar do meu médico achar que isso seria praticamente impossível... devo ao meu marido que sempre me apoiou, devo muito a si, segui muitos dos seus conselhos, deve-se à acupunctura e ao xarope de aloé.
Deus pôs a mão em mim, sou muito abençoada. 
Em breve farei uma eco para saber se está tudo direitinho e agora é rezar para que a gravidez vá até ao fim :)

Muito obrigada e muitas felicidades. 




quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A gravidez de Carol

9 de janeiro de 2014

Hoje, em um momento tão delicado de minha vida, recebi a mensagem sublime de Carol. O João está para nascer, mas à espera dele fui contemplada com o milagre da vida. Deixarei que suas palavras, tão belas e inspiradas, transformadoras e fortes, alcancem a quem precisam alcançar, levem esperança e certeza a quem procura pelo caminho não só de superação da endometriose, mas de renovação do próprio sentido da existência. Obrigada, Carol, por compartilhar, por voltar aqui, neste momento. Suas palavras são como incenso, ouro e mirra enviados do alto para suavizar a alma e preparar o corpo para o nascimento de um bebê muito desejado. Envie seu e-mail. Não vou publicá-lo. Gostaria de conversar com você.  


Olá! Apesar de não saber seu nome, te considero uma amiga e até confidente. Essa sensação de intimidade que se deu assim, unilateralmente, veio depois que descobri o seu blog, há cerca de 4 meses. Neste dia tão feliz, eu havia determinado para mim mesma que acharia uma outra saída. Havia saído do consultório de um médico muito bem conceituado dias antes com a palavra “cirurgia” pulsando na minha mente. Me senti deprimida e sem esperanças. Vamos por partes. Anos atrás, totalmente “por acaso”, descobri que tinha endometriose. 

Sempre tive os sintomas de fortes dores menstruais, desde sempre, mas nunca passei por um médico competente o bastante para sugerir essa doença. Assim, segui meu destino de dor, acreditando que era simplesmente uma merecedora deste infortúnio. Quando eu estava com cerca de 28 anos, me consultei com uma médica holística muito especial que me pediu, dentre muitos outros, um exame do marcador CA-125, por conta de histórico de câncer na família. No meio de tantos exames, eu não fazia ideia do que significava esse marcador até o resultado sair alterado, eu ir até o google e me desesperar achando que tinha câncer de ovário. Liguei para a médica em pânico, e ela ma acalmou: “pode ser um mioma, uma endometriose... Procure um ginecologista.” Ufa! Não sendo câncer, tudo está bem! Foi o que pensei. 

Mas o que seria endometriose? Fui numa ginecologista do meu convênio médico. Pela primeira vez na vida, alguém me pediu um ultrassom transvaginal. Eu tinha 28 anos, e mesmo indo anualmente ao ginecologista, nunca algum me fez esse pedido. Inacreditável. Fiz o exame, que deu alguma alteração não muito precisa. A médica: devem ser alguns endometriomas (oi?), tome esta pílula anticoncepcional. Não explicou mais nada, e eu saí de lá e não tomei pílula nenhuma. 

De fato, não conhecia a gravidade do meu problema, não fui devidamente alertada e não segui a recomendação médica por achar que o atendimento havia sido superficial demais. Não sou a favor de tomar remédios e hormônios sem necessidade. Sou semi-vegetariana há mais de 10 anos (como peixe eventualmente, e só). Cozinho meu próprio alimento e dou preferência para os orgânicos. Quase não como fora de casa. Construí minha rotina de forma que eu pudesse trabalhar como autônoma, e assim ter tempo para cozinhar para mim e para meu marido. Tenho consciência do que como, evito industrializados, frituras, alimentos sem vida. Minha dieta não é perfeita, mas faço o possível. Nem sempre foi assim. 

Já trabalhei em empresas e tinha um estilo de vida frenético que me fez parar e refletir. Mudei tudo, e isso aconteceu lá pelos 28 anos também, um pouco antes dessa questão da endometriose surgir. Além da minha dieta, busco me auto-conhecer. Frequento grupos de estudos de aprimoramento pessoal, e também tenho a minha fé e religião, muitíssimo presentes em minha vida. Ou seja, a endometriose foi se instalando apesar dos meus esforços e de acreditar que o que eu fazia me tornava invulnerável. Acho que talvez por isso, decidi ignorar a médica. Me recusava a aceitar. 

Segui a minha vida com as minhas dores menstruais, até que eu decidi engravidar, cerca de 1 ano atrás. Num momento bastante estável da minha vida e de meu relacionamento, ambos concordamos que era um bom momento e nos animamos com a ideia. Porém, mês após mês, a decepção. A menstruação chegava e com ela um profundo desânimo. Após 8 meses de tentativas sem êxito, caí na real: precisava me informar melhor. Logo descobri a gigantesca quantidade de informação que se acha na internet sobre endometriose, todas muito desanimadoras. Os fóruns de mulheres que se apoiam estão na verdade cheios de tristeza e impotência. Tudo o que encontrei foi “infertilidade”, “indutores de ovulação”, “FIV”, “cirurgias”. 

Não era possível! Não há nada que possamos fazer? Somos assim tão impotentes perante nosso corpo? Deprimida, procurei um médico especialista. Seu currículo era um brilho só, professor da faculdade de medicina da USP e tudo o mais.

Claro que não era barato, mas eu queria respostas. Ele me examinou, pediu exames complementares. O veredito: cirurgia. Sem a cirurgia, provavelmente não engravidaria. Com a cirurgia, investimentozinho de 20 mil reais, no mês seguinte ele me daria uma "forcinha" (leia-se “indutores de ovulação”) e eu certamente engravidaria. Uau! Que médico poderoso, não? Apesar de ele ter dito tudo isso animado, eu só me sentia desprezível. Meu corpo era imperfeito, e precisava ser corrigido por um super-herói médico.

Foi neste ponto em que eu decidi agir de verdade, achar uma outra solução. Haveria de existir, dentre todas aquelas mulheres resignadas e infelizes que encontrei nos fóruns, alguma que teria um caso de sucesso. E então eu encontrei o seu blog, que veio iluminar as minhas esperanças. Em cerca de 1 semana, li todos os seus posts. Adotei quase tudo que você sugeriu.

Eliminei açúcar por completo, laticínios e cafeína. Passei a me exercitar com mais freqüência. Fiz reajustes nos meus períodos de descanso. Inseri muito alho, cebola, limão e levedo de cerveja na minha alimentação. 

Orei mais. Passei a pedir que Deus guiasse meu caminho nesse assunto. Fiz terapia, confrontei meus medos. Me abri com amigas, chorei. Procurei terapias alternativas, uma delas foi a terapia neural, que considero ter feito uma diferença positiva significativa no meu caso. Confiei que encontraria uma saída não cirúrgica, mas em paralelo fui me preparando emocionalmente para passar por ela, caso fosse necessário. Se assim fosse, ela seria feita nesse mês, Janeiro de 2014.

Mas no final de Outubro, um milagre aconteceu, e na metade de Novembro me descobri grávida naturalmente. Sem “forcinha”, sem hormônios artificiais, sem cirurgia. 

A minha alegria precisa ser compartilhada. Quero que outras mulheres que tem endometriose conheçam o meu caso e acreditem, mas além de acreditar, que ajam! Que mudem seus hábitos! Que revejam seus comportamentos anti-saúde! 

O nosso corpo nos pertence, está em nossas mãos cuidar bem dele. As doenças são sim criações nossas, não de Deus, não de fora de nós. Sim, devemos assumir a responsabilidade pela nossa cura, pois isso nos liberta! 

Querida amiga dona deste blog, gostaria de agradecer-lhe profundamente por seu trabalho de compartilhar a sua experiência e toda a sua pesquisa. O que você fez por mim, certamente faz para outras mulheres. Que Deus te abençoe muito e à sua família. Seus relatos trouxeram muita luz para minha vida. Eles fizeram o que nenhum médico conseguiu fazer. 

Finalizando, a endometriose continua aqui. Tenho um endometrioma de 6cm no ovário esquerdo. Minha luta continua. Hoje, consigo até agradecer a endometriose, pois ela me trouxe muita consciência. De onde eu estava, de como me cuidava, do quanto não honrava ou valorizava meu ser mulher. Hoje me dou mais valor e carinho. Sou mais grata ao que tenho. Tenho mais fé do que nunca. Fiquem com Deus, todas as mulheres que enfrentam a endometriose. Estamos juntas!

OBS: de forma alguma sou contra a medicina. Seus remédios e cirurgias aliviam agonias e salvam vidas todos os dias. Mas não acredito no sistema médico atual, em que a cura está inteiramente nas mãos do “doutor”. Deixamos de ser protagonistas de nossas vidas e confiamos nossa saúde a estranhos. Nos tratamos com drogas que geram outras doenças. Por isso, hoje procuro ouvir mais o meu corpo e buscar soluções mais naturais.




sábado, 4 de janeiro de 2014

Meu tratamento contra a endometriose


4 de janeiro de 2014

Há cinco anos, recebi o diagnóstico de câncer. Era endometriose profunda, infiltrativa, grau IV, espalhada por toda cavidade abdominal. Perdi meu ovário direito, tive crises de dores terríveis, emagreci, tornei-me infértil, adoeci gravemente. A fraqueza do meu corpo, meu abatimento e dores eram visíveis. Haveria algum tratamento capaz de recuperar um organismo tão abatido pela doença? Decidi mudar meu estilo de vida. Encontrei um novo caminho. Os focos de endometriose diminuíram, a dor desapareceu, a saúde voltou, como se jamais eu tivesse ficado tão doente. Por fim, em 2013, engravidei naturalmente.

Conto minha história neste blog. Neste texto, coloquei em tópicos todo o meu tratamento, meu novo modo de viver. Há links para textos que escrevi no blog. Além desse resumo geral, há no blog inúmeros textos e experiências de outras leitoras que compõe uma história de cinco anos de lutas, desafios e recompensas. Estou curada da endometriose, mas essa cura existe tanto quanto persisto neste caminho de mudanças e novos conhecimentos. Saúde, em seus diversos aspectos, é o que desejo para todas nós diante das inúmeras lutas que precisamos enfrentar. É possível, sim, vencer a endometriose.


I
- Um dos princípios centrais de meu tratamento contra a endometriose é a nutrição (Escrevi este texto).

- Mais importante do que os alimentos que tiramos da dieta (e realmente é preciso mudar o cardápio), são os alimentos nutritivos que inserimos, pois precisamos de variedade de nutrientes para as necessidades do organismo. Mais do que se pautar pela restrição, busque conhecer e introduzir alimentos saudáveis. Busque novos sabores. Há uma variedade deles (Escrevi este texto).

- Avalio se estou ingerindo os nutrientes necessários, tais como cálcio, ferro, vitaminas do complexo B (principalmente vitamina B12), outras vitaminas e minerais. É preciso encontrar fontes alimentares saudáveis desses nutrientes.

- Evito alimentos industrializados.

- Não uso açúcar (branco, demerara, mascavo) ou adoçantes artificiais. Uso mel com moderação (Escrevi estes textos: 1, 2).

- Minha dieta é composta por variedades de frutas, legumes e alimentos integrais.

- Não como carne vermelha ou de frango, mas, às vezes, como peixe. (Doso sempre a quantidade de vitamina B12, por meio de um exame de sangue). Mas ser vegetariano não é sinônimo de ser saudável (Escrevi estes textos: 1 , 2).

- Praticamente não faço uso de laticínios. Minha fonte de cálcio é de origem vegetal.

- Faço uso de limão, alho e cebola crus, de variadas formas. São essenciais.

-Em cada refeição, faço uso de poucas variedades de alimento. Como em pouca quantidade. A variação de alimentos é de uma refeição para outra, de um dia para o outro. O ideal é variar o máximo possível no decorrer dos dias, mas ter refeições bem simples e comer com moderação.

- Não uso álcool (Escrevi este texto), cigarro, cafeína (Escrevi este texto), chocolate, soja (Escrevi este texto) e refrigerantes.

- Prefiro alimentos orgânicos e integrais, mas se não for possível consumir os orgânicos, faço uso dos que estão disponíveis.

- Faço três refeições diárias, com intervalo de 5 a 6 horas entre elas. Não como nada nos intervalos, apenas tomo água pura (30 minutos antes e duas horas depois das refeições) (Escrevi teste texto).

- Raramente, tomo suco de fruta ou uso geleias (às vezes, suco ou geleia natural. Nunca os industrializados). Prefiro a fruta.

- Procuro fazer eu mesma minha comida. Aprender a cozinhar é fundamental (Veja meu blog sobre alimentos e culinária saudável Sabor com Saúde) .

- Quando possível, vou a restaurantes vegetarianos ou orgânicos. Conhecer restaurantes, fazer aulas de culinária natural, procurar receitas saudáveis ajudam a descobrir novos sabores, sem que sintamos falta da comida que prejudica a saúde (Veja no meu blog Sabor com Saúde dicas sobre site de receitas).


II
- Tomo Sol diariamente, sem protetor solar, de 15 a 30 minutos, ou mais. Doso sempre a vitamina D no sangue (fundamental). Durante o dia, procuro ficar em ambientes mais iluminados (Escrevi este texto).

- Bebo bastante água (essa deve ser a principal bebida). Procuro beber água mineral filtrada. Nunca água do encanamento filtrada (Escrevi este texto).

- Mantenho uma atividade física diária (caminhadas de 40 minutos, com intensidade, duas vezes ao dia, de manhã e à tarde. Portanto, duas vezes ao dia). Também procuro me exercitar, manter-me ativa, durante o dia (Escrevi estes textos: 1, 2).

- Valorizo a qualidade do ar e a respiração (Escrevi este texto).

- Procuro respirar profundamente e manter a postura correta, sem me dobrar sob o abdômen quando estou sentada (muito importante). O correto é a respiração diafragmática, não a torácica (Escrevi teste texto).

 - Durmo bem (Em geral, vou dormir antes das 21, 22h e acordo antes das 6h) (Escrevi teste texto).

- Valorizo o descanso. Uma vez por semana, no sábado, paro com minhas atividades habituais e dedico meu tempo para um maior o contato com amigos, pessoas que necessitam de algo, passeios na natureza e frequência na igreja.

- Passei a valorizar o contato com a natureza. Mudamo-nos para um condomínio de chácara. Se não for possível fazer uma mudança maior, valorize os passeios pela natureza. Assista a vídeos sobre a importância da natureza para a manutenção ou recuperação da saúde (Veja as excelentes reportagens feitas pelo Globo Repórter sobre a relação entre a natureza e a saúde: 1, 2, 3).


III
- Faço uso de recursos fitoterápicos, entre eles o composto de babosa (Escrevi este texto). Também uso alho e cebola crus.

- Não uso remédios, anti-inflamatórios, remédios para combater a dor, nem qualquer remédio antidepressivo, pois eles além de pouco eficazes podem desencadear dependência psíquica, entre outros efeitos colaterais.

- Não uso qualquer medicação hormonal (Escrevi este texto).

- Não uso suplementos vitamínicos.

- Não aceitei métodos artificiais de concepção, tais como hormônios para estimular ovulação, inseminação ou fertilização in vitro (FVI) (Escrevi este texto: O livro da vida).

- Evito produtos químicos de limpeza e cosméticos convencionais. Por exemplo, não guardo comida em vasilhas de plásticos, principalmente se o alimento está quente; procuro evitar produtos de limpeza e cremes estéticos com parabeno e outros componentes prejudiciais. Uso produtos de limpeza caseiros ou orgânicos.

- Faço os seguintes exames de sangue para avaliar meu estado nutricional: ferro, ferritina, 25-OH (vitamina D), vitamina B12 (Escrevi este texto), homocisteína. Exame para detectar a endometriose: Ultrassom do abdômen total com doppler colorido com preparo intestinal (Escrevi teste texto). Exames adicionais: CA-125, FAN, exames para avaliar a tireoide. Além desses, faço os exames para avaliar o fígado e os rins. Obter o diagnóstico correto é imprescindível. Acompanhar a eficácia do tratamento com exames médicos é fundamental. O tratamento que faço tem acompanhamento médico.

- Fiz todas as mudanças com acompanhamento de exames médicos periódicos. Avaliar a eficácia do tratamento, com acompanhamento especializado, é essencial (Escrevi este texto).

- Considero importante obter informações sobre a endometriose e refletir sobre o tratamento escolhido, assumindo a responsabilidade pela própria saúde. Para ter saúde, precisamos estar ativos na construção de nossa própria receita (Escrevi este texto: Pensar demais na endometriose faz mal?).

- Levo a sério meu tratamento. Se falho em algo, não me culpo; mas renovo diariamente meu compromisso em prosseguir.


IV
- Valorizo a saúde financeira. Diminuímos nossos gastos, para não entrar em dívidas. Priorizamos um estilo de vida mais tranquilo e simples, com menos trabalho, correria e consumo desnecessário. Nossa renda diminuiu, mas não temos dívidas. A saúde melhorou (Escrevi este texto).

- Analiso meus relacionamentos. Estava empregada em trabalhos abusivos (salário, chefia etc.). Mesmo diminuindo minha renda, após fazer planos, pedi demissão. Isso foi essencial para minha recuperação. Avalie suas relações e busque um planejamento para mudanças, caso haja situações abusivas nesses relacionamentos, sejam elas no âmbito profissional, familiar ou conjugal. Nem sempre é preciso romper um relacionamento, mas deve haver uma decisão para modificá-lo. No entanto, se for necessário rompê-lo, busque formas de fazê-lo. Relações abusivas adoecem.

- O tópico acima vale também para o tratamento médico. Analiso meu tratamento médico. Se o profissional que lhe atende não lhe dá o tratamento eficaz, não permite que você expresse sua opinião ou participe das decisões de seu tratamento, não lhe respeita ou escuta, converse com ele. Se não resolver, procure outro profissional. Não desanime, há bons profissionais.

- Valorizo a realização pessoal por meio de ações criativas, oportunidades para se expressar e criar novos projetos sejam eles familiares, comunitários ou profissionais. Manter ou despertar a criatividade é essencial para a saúde.

- Procuro conciliar geração de renda com criatividade. Se não é possível, procuro inserir a criatividade mesmo que além do âmbito profissional.

- Passei a valorizar mais a interação social. Estabelecer conexões sociais sadias que nos sentimos inseridos e aceitos é muito importante para a saúde. Envolver-se em causas sociais, de ajuda ao próximo, é essencial.

- Procuro ser feliz, sem negar minhas emoções (muito importante!). Escrever é uma parte importante do meu tratamento.

- Procuro ter consciência de minhas limitações, falhas, insuficiências. Não existe perfeição. Não acredito que uma força que vem de nós mesmos seja capaz de resolver nossos dilemas, embora o exercício da força de vontade seja essencial para fazer as mudanças. Acredito na existência de uma força externa a nós mesmos. Ao contrário do que se fala, a força para renovar os propósitos e ter uma vida com significado não está dentro de mim.


V
- Além de mudanças físicas e emocionais, valorizo a espiritualidade (Escrevi este texto: 1, 2).

- Procuro estar aberta para caminhos inesperados.

- Aceitei um grau maior de vulnerabilidade. Mesmo sabendo que teria dificuldades físicas para engravidar, sentia receio de ser mãe devido a tantas implicações que fogem do meu controle. Abri mão do controle e da previsibilidade. Entreguei minha vida nas mãos de Deus. Se fosse para ser mãe, aceitaria as felicidades e riscos que essa decisão envolve; se fosse para não ter um filho gerado por mim, aceitaria as felicidades e riscos que outros caminhos, tão férteis quanto à maternidade, oferecem. Não há respostas únicas. A vida é bela. A fertilidade é amplidão.

- Hoje, é o aniversário de dez anos de meu casamento. Como disse meu marido, nosso presente ainda está embrulhado, o bebê João. O amor desse homem me deu vida (Veja o texto que ele escreveu: Endometriose, uma notícia que me fez feliz). Como diz o apóstolo Paulo, em Coríntios 13, nenhuma linguagem, nenhuma ação, nada é maior do que o amor. “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor” (1 Coríntios 13:13).

Deus é amor. Confio em Deus. O aspecto que considero mais importante em meu tratamento é a confiança em Deus (Escrevi este texto).  



Veja meu Cardápio, com detalhes, para superação da endometriose no meu blog  Sabor com Saúde.