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sábado, 20 de setembro de 2008

Mulheres famosas e a endometriose




Estatísticas são frias. Sei que há milhões de mulheres com endometriose, mas me sentia a única. Sentimento contra-indicado. A doença, por si só, já tem seu peso cultural, social. Por que você, exatamente você, ficou doente? De que modo minha identidade é modificada pela descoberta de um tumor benigno (o endometrioma é um tumor, ainda que benigno)?

Hoje, li sobre mulheres com endometriose. A revista Veja revelou o drama da jornalista Ana Paula Padrão na sua luta contra a infertilidade provocada pela endometriose (
http://veja.abril.com.br/vejasp/170805/perfil.html). Malu Mader também enfrentou a doença (entrevistada por Rosane Queiroz para a revista Marie Claire, de fevereiro de 2002). Para quem deseja engravidar, uma boa notícia: ela conseguiu - teve dois filhos. Dizem também que Marilyn Monroe sofria com a endometriose. Usava drogas para fugir das dores. Morreu de overdose.

Outra mulher histórica chama a atenção. Sofrendo de um fluxo de sangue durante anos, ela pagou aos médicos tudo que possuía. Provavelmente estava abatida, com anemia. Talvez enfrentasse dores incapacitantes. Quem sabe acalentava o desejo de ter um filho. A história não conta o nome da mulher nem revela sua doença. Mas registra o drama: “Ela havia gastado com os médicos tudo o que tinha, mas ninguém havia conseguido curá-la” (Lucas 8: 43). Vivendo nos primeiros anos da era cristã, ela sofria com os preconceitos de uma sociedade machista, que rotulava de “impuras” as mulheres em seu período menstrual. Além das dores físicas, a mulher da história carregava pesos emocionais insuportáveis – o fluxo contínuo de sangue a tornava irremediavelmente impura. Sofria intensa rejeição.

A endometriose faz isso com as mulheres. Provoca dores, embora algumas não sintam. Acarreta rejeição, embora haja maridos compreensivos. Causa problemas sociais, devido à dor que interfere no desempenho profissional e oscilações hormonais que desencadeiam quadros depressivos. Impõe rótulos. Atualmente, para enfrentar a endometriose, a medicina oferece diferentes tratamentos; a psicologia, alívio emocional; a tecnologia, canais de comunicação. Não há respostas definitivas, mas há lenitivos eficientes. Há quase dois mil anos, não restavam muitas opções. Hoje, a maioria das mulheres brasileiras, sem dinheiro para consultas e remédios, vive o mesmo drama. Falta-lhes o básico: conhecimento.

Mas àquela mulher da história chegou uma notícia animadora. As esperanças reviveram. Com ousadia, decidiu investigar. Empurrada por uma multidão de pessoas, ela reuniu forças, enfrentou a depressão, esqueceu as dores e estendeu o braço, tocando-o. Achava que se, ao menos, tocasse aquele homem estaria salva. Mulher de fé. “Quem foi que me tocou?”, perguntou Jesus. Muitos o tocavam, o buscavam aleatoriamente, sem compromisso, como acontece hoje, mas ele reconheceu a diferença daquele toque. Acolheu o toque da fé, sua seriedade. Identificou um profundo desejo de mudança, reconstrução total da vida. A mulher deu um passo à frente, contou seus sofrimentos e revelou: o fluxo doentio de sangue cessou quando estendeu a mão ao Médico dos médicos. “Minha filha”, disse Jesus carinhosamente, “você sarou porque teve fé! Vá em paz!” (Lucas 8: 50).

Acesse:
http://www.avidadejesus.blogspot.com
http://www.dezmandamentos.blogspot.com

2 comentários:

  1. A mais de 20 anos ela me torturou.Me vejo em cada palavra sua. Quantas vezes ouvi esta passagem da Biblia e me vi neste milagre.Hoje me sinto bem.

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  2. Olá, querida amiga:

    Que bom é ouvir você e suas palavras sobre superação. Quando quiser conte de sua luta e de suas vitórias. O e-mail do blog é endometrioma.blog@gmail.com. Sua experiência representa força para mim e para outras mulheres. Obrigada por escrever! Fico muito feliz por saber que você está bem. Deus cuidou e tem cuidado de você.

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