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sábado, 4 de outubro de 2008

A consulta – II




Há duas semanas, fiz o ultrassom. Resultado: endometriose atrás do útero, que alcançou o intestino, comprometendo-o “mediamente” – palavras do médico. Também tenho um nódulo de dois centímetros no reto. O CA 125 II deu 80 u/ml. Os resultados dos demais exames, já mencionados, estão normais. O ultrassom foi bem detalhado e durou quase uma hora. O especialista, que já examinou milhares de mulheres com endometriose, soube distinguir os focos, precisar sua extensão. E deu explicações interessantes. A endometriose se parecesse com uma cicatriz.

Num exame que fiz há dois anos, um ultrassom transvaginal, o médico monossílabo abriu a boca apenas para fazer uma pergunta intrigante, após olhar fixamente para a imagem de meu ovário: “você já fez alguma cirurgia?” Não, não havia feito. Fiquei preocupada. Ele viu a cicatriz, mas não soube dar a interpretação. Era a endometriose crescendo lentamente. Caso esse médico tivesse pesquisado mais, caso se interessasse realmente pela profissão, eu, agora, não estaria com uma cicatriz de uma cesariana sem filhos. Foi esse mesmo médico, um bruto silencioso, que em agosto sugeriu que eu estava com câncer após finalmente ver um cisto de 14 cm em mim. Viu o cisto, mas, para não variar, errou na sentença.

Agora, o meu médico, em que confio e vejo nitidamente amor pela profissão, sugeriu que não devo ir para cirurgia que serviria para remover parte do intestino comprometido. Concordei. Em fevereiro de 2009, vou repetir os exames. A endometriose não é um câncer, mas se comporta como se fosse. Não mata, mas avança pelo organismo provocando incômodos, intervenções cirúrgicas, dores. Durante o exame, o médico revelou que já encontrou endometriose no diafragma, no sistema nervoso... Brincou: “a endometriose é a irmã do câncer.” Mas não se assustem, é possível controlá-la, e acredito: é possível vencê-la. A gravidade da doença não deve atemorizar, precisa provocar mudanças. Tomei a decisão. Novo hábito alimentar, mais exercícios, reestrutura emocional. Tem sido ótimo. Aos poucos quero contar o que tenho feito. Em fevereiro, quero dizer: “está controlada!” E quem sabe, contrariando estatísticas científicas, revelar: “está controlada e também diminuiu!”

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