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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Leitura de férias: ela teve endometriose?



Estamos no litoral, eu e meu marido. Na metade dos dez dias de férias. Do quarto do hotel, vejo o mar. Toda a extensão da orla. São 5h horas da manhã e o Sol já brilha, mas ainda há luzes nas casas e hotéis que circundam a via costeira.

Para fugir do Sol forte, temos nos refugiado nos shoppings. Mais precisamente nas livrarias. Enfurnados entre livros, numa megastore, com algumas poltronas dispersas, poderíamos estar em qualquer lugar, em São Paulo ou no Nordeste. Mas com livro em mãos, as férias se deslocam de maneira imprevista. Não há paredes, nem lugar fixo. O livro é contrafluxo para o não-lugar, para o não-cotidiano, para as férias sem destino único.

Encontrei dois livros, escritos por dois médicos. O primeiro, apesar do título apelativo – “Como não morrer” –, contém lições impressionantes da morte para a preservação da vida. Para quem lida bem com cenas médicas – e isso inclui alguns termos técnicos da necropsia, além das cores e cheiros impregnados a essa atividade médica que ameaçam pular do papel para o imaginário do leitor –, esse livro vale à pena, do começo ao fim. Sua autora, a médica Jan Caravaglia, dirige um serviço de Medicina Legal nos Estados Unidos.

Apesar dos pesares – a necropsia ou autópsia é um tema pesado –, na escrita há delicadeza, respeito, inteligência e informações estratégicas. Ao descrever mortes e seus enigmas, Caravaglia faz um alerta central: muitos morrem por causas evitáveis. Em cada capítulo há relatos de vidas que se perderam – um rapaz, uma moça, um menino de dez anos, uma mãe de dois filhos, um mulher sozinha.... De maneira temática e interessante, ela enumera e comenta com estatísticas, dicas e informações-chave, as principais causas de mortes que podem, na maioria das vezes, ser evitadas: cigarro, obesidade, depressão, álcool, irresponsabilidades no trânsito, erros médicos, drogas. Ao falar sobre erros médicos, ressalta a importância da medicina – não tenha medo dos médicos, faça consultas e exames periódicos. Mas dá dicas de como escolher o seu médico, quais os cuidados que se deve ter ao fazer uma cirurgia, como escolher um hospital etc.

Por exemplo, ela informa: depois de um procedimento cirúrgico, seja ele qual for, o paciente está sujeito à pneumonia. Por isso, deve fazer exercícios respiratórios específicos. Há, inclusive, um aparelho indicado: o espirômetro. Após ter sido submetida a uma cirurgia de urgência para a retirada de meu ovário direito, devido à endometriose, tive início de pneumonia. Foi um mês de muito sofrimento e limitações. O antibiótico não fazia efeito. Foi pior do que a cirurgia em si. Mas nem antes, nem depois, um médico me disse sobre a importância de exercícios respiratórios. Se limitaram a aconselhar vagamente que eu caminhasse um pouco para ativar a circulação.

O livro oferece dicas valiosas que, em geral, não são passadas pelos médicos. E, por fim, deixa lições de otimismo: ame a vida, seja grato, compartilhe as boas coisas, sorria, busque a paz. As dicas se revestem de importância maior devido a história pessoal da médica. Por duas vezes, ela recebeu um falso diagnóstico de câncer. Em uma delas, estava com os dois ovários aumentados. O médico suspeitou de câncer. Ela teve de ser submetida a uma cirurgia. Era causa benigna. Para completar, ela não conseguia ficar grávida. Mas após oito anos, teve seu filho.

Caravaglia não fala qual é a doença que acometeu seus ovários. Provavelmente, se falasse, só isso daria uma história que muitas de nós conhecemos. Meu marido disse que pela descrição que ela faz, o problema era endometriose. Se era, ela venceu a doença. Com certeza, sua personalidade e modo de encarar a vida fizeram toda a diferença.

Esse livro nos faz o convite para uma vida melhor por meio de um caminho estranho. Nele, a morte é chave de redenção.

Acesse:
http://www.avidadejesus.blogspot.com
http://www.dezmandamentos.blogspot.com

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