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domingo, 6 de março de 2011

Vitória possível



Fiz o exame tão esperado. Depois de mudanças no meu estilo de vida, refiz o ultrassom para detecção da endometriose profunda. Havia dois focos preocupantes: um endometrioma com mais de 90 m3 de volume no ovário restante e um foco no intestino, com comprometimento da serosa ou invasão da submucosa. No primeiro caso, o aumento do endometioma significaria um risco considerável para o meu ovário esquerdo, já que há mais de dois anos perdi o direito, por causa da endometriose. Sobre a endometriose intestinal, o médico foi claro: eu precisaria passar por uma cirurgia para remoção de um segmento do intestino. O alto custo da cirurgia – à época, 30 mil reais – e os detalhes do procedimento cirúrgico me causaram angústia. Não tenho sintomas, não tenho dor, mas o médico alertou para o risco maior de cancerização em focos de endometriose intestinal se comparado à endometriose em outros órgãos (Há um artigo que fala sobre isso: “Endometriose intestinal: doença benigna? Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ramb/v55n5/29.pdf. O título é um tanto sugestivo. Embora haja mais casos, em números gerais, de cancerização de focos de endometriose no ovário; a chance de um foco de endometriose no intestino se malignizar é muito maior).

Pouco se fala sobre a transformação maligna da endometriose. Creio que essa seja uma preocupação dos médicos pesquisadores, principalmente. No entanto, como já disse, isso não deve ser motivo de ansiedade. O acesso a essa informação precisa se revestir de outro significado: mudança do estilo de vida. Para mim, confesso: foi um balde de água fria. Senti medo, ansiedade, preocupação. Mas passado o susto inicial, decidi buscar mudanças. O resultado chegou nesse exame.

O foco de endometriose intestinal tinha em torno de 2 cm de profundidade. Em termos médicos, destacava-se um espessamento da serosa que se estendia por aproximadamente 2 cm logo abaixo da lesão de retossigmóide. Agora, o foco de endometriose não está mais invadindo a submucosa. Isso é uma ótima notícia. Significa que, caso a cirurgia fosse feita hoje, no máximo seria retirado o foco superficial e não mais um segmento do intestino. Quanto ao ovário, o volume do endometrioma diminui de mais de 90 m3 para 49 m3. Em medidas, no total, perdi quase 7 cm de endometriose, tendo em vista a diminuição de focos na região retrocervical (o maior media 2,4 cm e agora mede milímetros).

Sim, é a alimentação, são os exercícios físicos. É a busca do controle das emoções e o cultivo da fé, a confiança em Deus. Mas a fé não é algo místico, mágico, inculto. A fé precisa ter forte base racional, em respeito às leis da natureza, em conexão à verdadeira ciência. Tenho lido livros de medicina, artigos científicos, relatos que comprovam, estatisticamente, os benefícios da mudança do estilo de vida. Qualquer um que buscar essas mudanças, tendo fé ou não, vai sentir melhoras significativas. Foram mais de dois anos de luta, e agora essa notícia maravilhosa!

Sobre a alimentação, algo fez muita diferença: os gliconutrientes. Li a história do neurocirurgião norte-americano Ben Carson, um médico cristão, premiado internacionalmente por revolucionar a medicina em sua especialidade. Atualmente, ele é diretor do Departamento de Neurocirugia Pediátrica do Hospital Johns Hopkins (Há um filme muito bem produzido sobre sua história, com Cuba Gooding Jr.: “Mãos Talentosas.” Pode ser encontrado em locadoras). No livro “Take the Risk”, ainda não publicado no Brasil, Ben Carson conta que enfrentou, e venceu, o câncer por duas vezes. Além dos tratamentos usuais, ele fez uso de gliconutrientes. Disse que em uma semana de uso, os sintomas do câncer na próstata haviam desaparecido. O livro não é um compêndio médico sobre gliconutrientes, mas a reunião de relatos incríveis sobre um médico pouco conhecido no Brasil que tem uma história de vida extraordinária (Assistam ao filme! Leiam o livro: http://www.amazon.com/Take-Risk-Learning-Identify-Acceptable/dp/0310259738). A partir dessa leitura, pesquisei muito sobre gliconutrientes. Eles estão presentes em vários alimentos. Fiz uso deles, e a melhora foi incrível.

Neste sábado, dia 5 de março de 2011, depois de dois anos e sete meses de pesquisas, mudanças e confiança em Deus, posso dizer: tenho endometriose profunda, não tenho dor e a endometriose diminuiu consideravelmente. Nesse caso, estar curada depende, a cada momento, de vigilância constante. Não existe pílula mágica, o caminho é difícil, mas o resultado compensa: sim, a cura da endometriose é possível. Acredite.

PS.: Embora se autointitule Diário da Endometriose, esse blog não é atualizado com frequência. Mas vou colocar detalhes de como tem sido minha alimentação e meu estilo de vida. Não será com a atualização que gostaria, e por isso peço desculpas a quem lê. Mas farei o possível.

2 comentários:

  1. Oi. Qual exame vc fez para constatar endometriose no intestino? Pela ultrassom abdominal dá pra saber? Obrigada pela atenção.
    Renata.

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  2. Oi, Renata

    A resposta está no blog, no texto do dia 15/03. Obrigada por escrever. Boa sorte!

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