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sábado, 16 de abril de 2011

Mais poderoso que o Zoladex? Mais eficiente que o Mirena?



16 de abril de 2011

No texto Remédio de Liláceas, falei mais sobre a cebola. Apesar de haver outra espécie da família das liláceas mais efetiva e surpreendentemente eficaz sobre a qual planejo falar, agora vou escrever sobre uma terceira lilácea: o alho. Em plena era da tecnologia e dos mais sofisticados laboratórios farmacêuticos, quem se dedicaria a falar de temperos que curam? De plantas capazes de alterar a química intracelular e renovar a vitalidade das células, beneficiando o organismo como um todo e aniquilando doenças? Para muitos, isso é conversa de curandeiro. Vendido a preço irrisório e impossível de ser patenteado, que cientista defenderia o poder medicinal do alho? Que acadêmico teria a coragem de provar que o alho é tão poderoso quanto um dos mais eficientes antibióticos?

No início do mês, um pesquisador de uma das mais importantes universidades do Brasil tornou público o resultado de sua investigação científica com duas espécies de alho. Paulo César Venâncio, professor de química do Colégio Técnico de Campinas (Cotil) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pesquisou as atividades antimicrobianas do alho comparando-o com o antibiótico amoxicilina. Em tempos de bactérias resistentes, quem é mais efetivo no combate a uma infecção – o alho ou o antibiótico? Em sua tese de doutorado defendida na Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Unicamp e orientada pelo professor Francisco Carlos Groppo, Venâncio chegou a seguinte conclusão:

Os resultados mostraram que, depois de 24 horas, os dois alhos levaram a resultados muito parecidos aos da amoxicilina. [...] Os dois alhos, além da atividade direta sobre os microorganismos, ativariam o sistema imunológico. [...]

Para Venâncio, os médicos podem receitar o alho, mesmo que ainda queiram manter a prescrição do antibiótico para dimensionar os resultados. Diante das infecções hospitalares e resistências cada vez maiores ao antibiótico, o alho é apontado como um remédio barato e comprovadamente eficaz. E o mais importante: ativa o sistema imunológico e não tem os efeitos colaterais do antibiótico. Basta acrescentar que depois que se usa o antibiótico, mesmo por pouco tempo, a flora intestinal leva anos para se recompor, segundo pesquisa conduzida no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de Nova York (Link) e outra feita na Suécia, publicada na revista Microbiology (Link).


Ainda não encontrei pesquisas que relacionam o alho à endometriose. Mas eu uso o alho para diminuir a inflamação, afastar a dor e fortalecer meu sistema imunológico. Funciona. Como disse, uma das hipóteses é que a endometriose seja resultado de uma falha do sistema imunológico. Não estou dizendo que o alho substitui o remédio convencional para endometriose. Mas que a pesquisa científica voltada à mulher deve buscar mais caminhos de investigação. Quem sabe um dia surgirá um cientista como esses da Unicamp para comprovar cientificamente que o alho (e um conjunto de mudanças no estilo de vida) é igual ao Zoladex, ou mais potente que o Mirena, mas sem seus terríveis efeitos colaterais.

Talvez a vida seja simples, mas talvez não estejamos mais prontos para aceitá-la na sua simplicidade. Isso exigiria muito de nós. Estamos tomados pela cegueira branca tecnologizada ou pelo autismo tecnicista, como bem nos alertou José Saramago e como nos adverte Jesús Martin-Barbero na sua proposta de uma cartografia libertadora. Quem escreverá no seu consultório essa nova cartografia da saúde? Acostumado com o mundo das pílulas mágicas, que paciente construirá um diálogo ativo com a vida, seu médico, a ciência e a fé para encontrar os caminhos que o levarão à cura? Caminhos, no plural.

Enquanto não há pesquisas científicas sobre alho e endometriose, não custa, com entusiasmo, acrescentar no cardápio um “suquinho” sugerido pelo doutor Venâncio:

Entusiasmado com os efeitos benéficos do alho, o autor enfatiza que qualquer pessoa pode fazer um extrato de alho, como inclusive mostra o site da Anvisa. Basta pegar um dente de alho que pesa cerca de 500mg (meio grama) triturá-lo, colocar a massa macerada em meia xícara de água e deixar por 20 minutos. Segundo ele, ao tomar o suco nas refeições, a pessoa está ingerindo um excelente antimicrobiano. “Fizemos um estudo que pudesse resultar em algo útil e com resultados práticos que podem prontamente ser utilizados pela população”, concluiu.

6 comentários:

  1. vc usa algo para endometriose? Mirena ou algo assim? eu fiz videolaparoscopia, uso mirena ha 04 anos, e preciso troca-lo... mas nao gostaria de colocar novamente, pq engordei 8 kilos... e nao consigo perder com NADA.
    Há alguma outra ideia para eu tentar?
    Grata!
    bjs

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    1. Oi, Debora:

      Eu não uso Mirena, nem qualquer remédio hormonal. Antes de descobrir a endometriose, usei anticoncepcional (Yasmin), o que eu considero que provocou um desequilíbrio hormonal em meu corpo (Veja meu texto "Anticoncepcional e endometriose": http://endometrioma.blogspot.com.br/2013/02/anticoncepcional-e-endometriose_1625.html). É muito comum ouvir relatos sobre os efeitos colaterais de "tratamentos" hormonais para a endometriose. Veja a história de Marli:http://endometrioma.blogspot.com.br/2011/04/luta-de-marli.html. Recentemente, Marli me escreveu e disse que estava usando o Evra, mas teve de interromper o uso pois ficou pré-diabética e teve um início de hepatite, devido à droga.

      O médico especialista com quem consultei receitou-me Evra, e depois Mirena. Mas não usei os remédios, pois eles não combatem a causa da doença, mas os sintomas, gerando muitos efeitos colaterias. Por isso, acabam se tornando a cuasa de outras doenças.

      Mas como você, eu me perguntei: se não usar esses medicamentos, o que devo usar? Primeiro, fiz uma mudança no meu estilo de vida. Mudei minha alimentação, passei a fazer exercícios físicos, beber água mineral em vez de refrigerantes ou sucos, tomar sol, dormir adequadamente, cuidar de minhas emoções, confiando em Deus.

      Considero essas mudanças suficientes para combater a endometriose. Veja a história de Jennifer aqui no blog: http://endometrioma.blogspot.com.br/2013/01/livre-da-endometriose-cura-de-jeniffer.html

      Ela se curou da endometriose após fazer uma mudança em seu estilo de vida. Além disso, esse estilo de vida ajuda a emagrecer naturalmente. Mas tirar os remédios e não fazer essa mudança de estilo de vida, com acompanhamento médico, não é indicado.


      Quando a endometriose está profunda e o estado de saúde é crítico, além da mudança de estilo de vida, pode-se tentar a fitoterapia. Eu utilizo o alho, a cebola e outros recursos fitoterápicos. Veja uma forma de como se utilizar o alho: http://endometrioma.blogspot.com.br/2011/08/endometriose-um-tratamento.html Uso alho e cebolas crus na comida. Outra dica importante é o uso do limão. Tomo todos os dias limão puro de manhã. Ele torna o organismo alcalino e fortalece o sistema imunológico.

      Os recursos fitoterápicos que uso não são remédios, mas alimentos. Também utilizo um composto de uma planta. Se quiser mais informações, posso lhe enviar por e-mail (Envie seu e-mail, não irei publicá-lo).

      Acompanhei todas as mudanças com exames médicos. A endometriose diminuiu muito. Não tenho dores. Por isso, posso lhe dizer: é possível sim controlar e mesmo vencer a endometriose com as mudanças de estilo de vida. Mas isso exige muita determinação e força de vontade, pois o tratamento não mais dependerá de um remédio, mas de uma mudança completa de nossos hábitos. Por exemplo, eu comia muito açúcar. Hoje, não uso mais açúcar. Eu comia muito queijo. Mas agora não uso mais queijo. Gostava de frituras e gordura, mas mudei. Não fazia exercícios físicos diários. Agora, faço. Com essas mudanças, descobri novos sabores, novas receitas. Deliciosas, mas saudáveis. Também tive que aprender a cozinhar e separar um tempo para cuidar de mim. Mas tem sido recompensador. Sem essas mudanças, nenhum remédio faz efeito, nem mesmo um fitoterápico.

      Mas onde encontrar forças para mudar meus hábitos de vida? Acho que é possível mudar por meio da autodisciplina, mas eu pessoalmente peço forças a Deus. A amizade com pessoas que têm o mesmo ideal também ajuda muito.

      Minha querida amiga, desejo sucesso em seu tratamento. Um grande abraço! Carinho.






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  2. Olá,
    Estou me recuperando de uma cirurgia para retirada de um mioma endometriótico e o médico logo me avisou do Zoladex. Quando falei se havia algo que pudesse substituí-lo ele me falou do Mirena. Estou confusa pq ele disse que preciso tomar alguma coisa, senão a endometriose pode voltar. Não sei o que fazer nesse momento. Pois não tinha vida sedentária e sempre me preocupei com a alimentação. Gostaria de saber qual o passo que devo tomar agora....
    Obrigada
    Valéria

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    1. Olá, Valéria:

      A endometriose é uma doença complexa, perigosa. O tratamento precisa de um acompanhamento médico, com a realização periódica de exames. Se não for tratada, ela volta sim. Minha escolha pessoal foi não usar métodos hormonais e mudar completamente meu estilo de vida, que inclui não apenas a alimentação (que é bem específica) e exercícios físicos, mas outros fatores, conforme descrevo no blog. Envie-me seu e-mail, não vou publicá-lo. Abraços.

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  3. Tenho 31 anos irei fazer a 2ª cirurgia de endometriose na parede abdominal,uso ladogal me ajude o que devo fazer

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    1. Se você quiser, envie-me seu e-mail. Não vou publicá-lo. Podemos conversar. Desejo-lhe sucesso em seu tratamento. Abraços.

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