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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Endometriose intestinal, diagnóstico e radiação

26 de maio de 2011

Ontem, fui a mais uma consulta, com uma gastroenterologista de uma universidade pública. Meu intestino funciona regularmente, não tenho dores, mas um sintoma persiste: inchaço abdominal constante, independentemente do ciclo menstrual. Alguém tem esse mesmo sintoma?

Mostrei os exames. Contei da indicação do médico especialista para retirada de um segmento do meu intestino acometido pela endometriose, devido ao risco de malignização. A médica concordou comigo: fiz bem em não aceitar a cirurgia. Acrescentou que ginecologistas estão fazendo avaliações que somente gastroenterologistas deveriam fazer. Argumentei que o médico que indicou a cirurgia é um dos mais importantes especialistas em endometriose. Na opinião da médica, o exame de ultrassonografia não serve para dimensionar a extensão da endometriose no intestino. Contou, inclusive, que já chegou a participar de uma cirurgia para retirada da endometriose intestinal diagnosticada por um exame de ultrassom. Quando abriu a paciente, não havia endometriose alguma.

Ela disse que o inchaço abdominal pode ser devido à endometriose, síndrome de intestino irritável ou ainda a outra causa. Indicou endoscopia, colonoscopia e tomografia do abdômen total. Para ela, o resultado desses exames trará a resposta final, pois o ultrassom é inespecífico nesses casos. Cada médico, uma leitura. A medicina não é, nem de longe, uma ciência exata. No final da consulta, ela disse que ajo corretamente ao procurar a opinião de diferentes médicos.

Vou tentar reunir coragem para fazer a endo e a colonoscopia. Considero exames bastante invasivos, mas, às vezes, muito necessários. Não farei a tomografia. O nível de radiação do exame é altíssimo e predispõe o corpo a outras doenças (Veja aqui). Além disso, a radiação (raios X, tomografia, com radiação ionizante) é um fator desencadeador de endometriose (Veja aqui). Em 2008, fui submetida a uma tomografia. Então, já passei da minha cota. Precisamos acreditar nos médicos, mas também devemos ter mais cuidado com o nosso corpo. Na próxima consulta, vou conversar sobre alternativas a esse exame.

Dessa última consulta, tiro uma conclusão principal: a endometriose intestinal deve ser também investigada por um gastroenterologista cirurgião que integra equipes multidisciplinares para tratar a endometriose. Além disso, quem tem endometriose deve considerar os riscos da radiação em exames diagnósticos: 1) Evite tomografia computadorizada (TC), pois o próprio método diagnóstico é um estimulador da doença; 2) Em outros países, mulheres com endometriose estão sendo tratadas com radiação (Veja aqui). Alegam que os efeitos da endometriose diminuem, mas aumentam os riscos de câncer. Compensa?

PS.: Penso que no Brasil ainda não se usa a radiação para tratar endometriose. Mas o tratamento pode estar disponível em algum momento, já que a endometriose é uma fonte de lucro para a medicina. De qualquer forma, conhecer mais sobre os efeitos da radiação em nosso corpo é importante, devido os exames diagnósticos, por vezes, paradoxais – exames usados para detectar endometriose podem, também, provocar a doença. Há uma série de reportagens especiais, sobre os perigos da radiação de modo geral, publicada pelo jornal New York Times: The Radiation Boom). Em maio, meu marido conheceu um hospital nos Estados Unidos que tem se especializado em física médica, com tratamentos que usam radiação destinada a eliminar apenas as células cancerígenas, sem atingir as células saudáveis. No NYT, a outra face da moeda: radiações que matam as pessoas devido a erros em softwares, falhas de treinamento, descaso médico. As histórias são bem impactantes. A física médica está em pleno desenvolvimento, estimulada pelo marketing médico. As reportagens do NYT ajudam a entender os riscos dessa tecnologia médica cada vez mais criativa, e também potencialmente perigosa.

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