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domingo, 7 de agosto de 2011

Endometriose: um tratamento revolucionário

7 de agosto de 2011

Para os portadores de câncer, uma excelente notícia: a quimioterapia associada à metformina, remédio usado no tratamento do diabetes 2, diminui significativamente o tumor. Com o uso do remédio quimioterápico sem a metformina, o tumor fica o dobro do tamanho. A pesquisa realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que investigou os cânceres de mama e de pulmão, recebeu um prêmio do jornal Folha de S. Paulo (FSP). Na edição de sexta-feira (5/08), a FSP fez uma menção rápida à pesquisa, sem revelar o “pulo do gato”. Afinal, por que a metformina pode combater o câncer tão eficazmente? Acredito que a resposta para essa pergunta é essencial para a superação não apenas do câncer mas, inclusive, da endometriose.

Com amparo do jargão médico e procurando entender por que a metformina diminui o tamanho do tumor, arrisquei minha resposta: o padrão hiperglicêmico acelera o crescimento de células tumorais, sejam malignas ou benignas. Em outras palavras: o açúcar alimenta o câncer e sua “prima”, a endometriose. Certa vez, um médico muito bem-humorado, que fez seu doutorado sobre endometriose, me falou da semelhança desta doença com o câncer. “São primos”, disse, sem perceber o quanto sua afirmação, embora fruto de pesquisa séria, me deixou angustiada. Mas o mal-estar da informação pode ser canalizado para descobertas eficazes. Se a endometriose funciona como o câncer, e eventualmente pode se transformar nele, tudo que se fala sobre a superação do câncer também poderia, em tese e na prática, ser aplicado à endometriose. Tanto que remédios utilizados para o tratamento de câncer também são indicados para endometriose, basta considerar o zoladex, receitado para tratar câncer de mama e indicado para endometriose (Veja a bula e os efeitos colaterais do remédio). Dessa temida associação endo/câncer, não surge apenas angústia, mas respostas – respostas eficientes e questionáveis, econômicas e caras, responsáveis e terceirizadas, naturais e farmacêuticas.

Pois bem, se metformina combate o câncer, nas condições apontadas pelo estudo, também poderia combater a endometriose. Mas pessoalmente não é a metformina que me atrai a atenção, mesmo porque esse remédio tem uma lista de efeitos colaterais indesejáveis e nem todos ainda muito bem conhecidos (Veja a bula). Eu não tomaria metformina para tratar endometriose. Segundo pesquisa da própria Unicamp, determinadas quantidades de metformina levam à grave falência cardíaca ou ao infarto (Veja um importante estudo da Unicamp). Aliás, o tratamento de câncer tem predisposto os pacientes a doenças cardíacas irreversíveis. A metformina também interfere na absorção de B12 (Veja aqui), uma vitamina indispensável para o funcionamento do organismo, cuja carência pode levar à morte. Dessa forma, compensa tomar um remédio que resolve uma coisa e destrói outra? Pode compensar, sim. É um meio de ganhar tempo, mais tempo de vida, de transferir o problema para o futuro, outro lugar, outro órgão, outro especialista médico, que receitará outros remédios. Mas talvez seja necessário nos perguntar se certas decisões no campo da saúde não são também uma espécie de terceirização da doença. Saímos para que o outro tome conta. Para que a pílula mágica ou o túnel do tempo resolva tudo, enquanto o processo nos priva daquilo que somos, nos reduz ao tempo migalhado, ainda que estendido, e aniquila o que se poderia, individualmente, construir com coragem, a partir da consciência e renovação do estilo de vida. Estamos em busca de vias de escape milagrosas ou de construções conscientes que ofereçam um fundamento sólido para a vida de modo que não sejamos surpreendidos no caminho pelos terríveis efeitos colaterais da terceirização do conhecimento, da saúde e da doença? Há sabedoria no outro. Mas deveríamos delegar, por completo, o entendimento do organismo, aceitando de olhos vendados a solução oferecida e desconectada completamente de uma mudança de estilo de vida, de um novo modo de reordenar a existência? Somos mais do que a pílula pode nos destinar a ser. Quem sabe é o momento de retomar o controle do corpo, respeitando-o em sua interação, a partir do acesso consciente a informações-chave e interações significativas, nos deixando motivar, acreditando no poder da mudança, participando ativamente da própria cura. Sim, há superação diante da endometriose.

Quis conhecer mais da associação entre metformina/quimioterápico para colocar à prova a validade de minha resposta. Haveria na pesquisa médica qualquer respaldo para meu raciocínio quase leigo: diminuir o excesso de açúcar circulante combate ou evita o câncer ou a endometriose? Essa resposta eu já tenho para a minha vida, em meu corpo. Como disse, eliminei o açúcar de minha dieta e tenho diminuído tudo que aumenta a glicemia. Ao mesmo tempo, tenho feito uso de alimentos, produtos e práticas seguras que reduzem, de fato, a glicemia no corpo. Considero esse um dos principais aspectos do meu tratamento contra a endometriose. O resultado eu já relatei no blog: o endometrioma no ovário diminuiu pela metade, sem zoladex.

De acordo com matéria publicada pelo Jornal da Unicamp, o interesse dos pesquisadores para estudar a ação do remédio metformina surgiu ao constatar que pacientes diabéticos apresentam menos tumores. Isso poderia ser devido ao menor índice de obesidade e outros fatores induzidos pela metformina. Mas e a glicose, o açúcar? Quase no final do artigo, lá está a resposta esperada, entre termos médicos. Tanto a metformina quanto o remédio quimioterápico considerado, o paclitaxel, atuam numa proteína-chave presente em nossa célula, a AMPK, que age no metabolismo da glicose e dos lipídios (Leia o artigo aqui). Em outras palavras: o benefício do combate à taxa de açúcar no corpo é uma das mais importantes respostas desse estudo.

O uso da metformina contra o câncer é descrito como um tratamento “eficiente e quase de graça” (Veja aqui). Sim, parece ser muito eficiente, mas tem o seu preço: os efeitos colaterais da metformina são preocupantes, ainda que represente aparantemente uma terapêutica alternativa a tratamentos caros e remédios inacessíveis. Mudar a forma de se alimentar, tirar o açúcar da dieta, acreditar que a redução de glicose no organismo é indispensável também não sai de graça. Exige muito, especialmente para pessoas que trocam refeições por doces, como eu fazia. É um apego emocional arraigado. É um vício não admitido como vício perigoso. Um prazer aparentemente inofensivo, atrativamente decorado, perfumadamente irresistível para, às vezes, compensar emoções em frangalhos. Uma dieta antiaçúcar exige mais: a diminuição do consumo de tudo aquilo que se transforma em glicose no sangue, incluindo massas. São mudanças que exigem um acompanhamento médico nutricional consciente, uma busca ininterrupta por conhecimento e a decisão de abraçar uma nova vida, com novos ideais, para inclusive poder ajudar outros que precisam de nós.



PS.: Recentemente, foi publicada na FSP (jornal que faz um importante trabalho na área da comunicação e saúde) uma entrevista muito interessante com um médico norte-americano sobre o açúcar. Devido a importância desse assunto para a endometriose, segue a entrevista no post anterior: Para combater a endometriose, menos açúcar.


Leia o texto:
O poder da vontade.

6 comentários:

  1. Oi boa tarde, li seus posts, também sou portadora da endometriose há 20 anos e gostaria de saber se posso usar o mel no lugar do açúcar ?

    Antonia

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    1. Oi, Antonia:

      Sim, eu uso o mel, em pequenas quantidades. Não uso nem mesmo o açúcar mascavo ou adoçantes, que fazem mal. Procure comprar um mel certificado, pois se a procedência não for confiável, ele pode ter sido feito à base do açúcar.

      Desejo muito sucesso em seu tratamento. Não importa o tempo que temos endometriose nem se ela é profunda, nosso organismo tem uma capacidade incrível de se recuperar, quando combatemos a causa da doença, não apenas os sintomas. O açúcar é um causador de doenças. A mudança de estilo de vida, de forma mais ampla, nos proporciona uma nova vida.

      Desejo muito sucesso em seu tratamento. Qualquer dúvida, é só falar.

      Um grande abraço. Carinho!

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  2. Oi boa tarde gostaria de saber também quais exames vc faz para saber que sua endometriose está controlada.

    Abraços

    Antonia

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    1. Olá, Antonia:

      Eu faço o ultrassom com preparo intestinal, com médico especializado em endometriose. Para avaliar o ovário, no último exame, foi feito um ultrassom. Veja o texto sobre o exame: http://endometrioma.blogspot.com.br/2011/03/exame-para-deteccao-de-endometriose.html

      Veja o resultado de exames que fiz:


      1. Data: 28/08/2010. Medidas do endometrioma: 6.19 x 4.66 x 5.97 cm Veja os exames aqui: http://exames1.wordpress.com/

      2. Data: 26/02/2011. Medidas do endometrioma: 4.30 x 3.11 x 3.98 cm .Veja os exames aqui: http://exames2.wordpress.com/

      3. Data: 05/10/2012. Medidas do endometrioma: 3.47 x 2.87 x 3.47 cm. Veja os exames aqui: http://exames3.wordpress.com/

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  3. ola gostaria de saber se o Metformina é indicado para quem tem endometriose?

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    1. Olá, Jaqueline. Mulheres com endometriose podem apresentar resistência insulínica. A endometriose está associada com o aumento da glicose no organismo. Sendo assim, a metformina poderia ser indicada sim. A droga tem sido indicada para tratar ovários policísticos e estimular a ovulação.

      Contudo, como escrevi, a metformina apresenta muitos efeitos colaterais. Como escrevi, “Eu não tomaria metformina para tratar endometriose”. Se há mudança de estilo de vida, de alimentação, não é necessário utilizar um remédio. Tirar o açúcar da dieta, fazer exercícios, colocar em prática as demais mudanças faz com que o organismo volte a funcionar adequadamente.

      Ao mudar meu estilo de vida, não tive mais dor, os focos de endometriose diminuíram e engravidei naturalmente, sem remédios, sem cirurgias. Aqui está um resumo das mudanças que fiz: http://endometrioma.blogspot.com.br/2014/01/meu-tratamento-contra-endometriose.html

      Desejo sucesso em seu tratamento. Carinho,

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