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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Da endometriose ao câncer: a consciência do risco e o risco do desconhecimento


27 de outubro de 2011

Não sei seu nome, nem detalhes de sua história. Transformada em relato médico, eles a identificam como a “Paciente do sexo feminino com 45 anos de idade”. Uma mulher portadora de endometriose profunda, que era mãe de dois filhos e sofria com um histórico de dismenorreia intensa (cólica menstrual).

De acordo com os médicos pesquisadores, ela foi internada no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP) após sentir dores abdominais durante duas semanas sem melhoras com o uso de analgésicos (Veja a pesquisa acadêmica com esse relato
). Por meio do ultrassom transvaginal, constataram aumento do volume do útero (190 cm3). O CA-125, marcador tumoral também utilizado para compor o diagnóstico de endometriose, estava alto: superior a 200 U/mL. A hipótese diagnóstica foi adenomiose/endometriose pélvica. Os médicos a submeteram a uma histerectomia (retirada do útero) “para tratamento da dismenorreia”. O exame laboratorial não identificou endometriose no útero.

Após a cirurgia, voltou para casa. Mas retornou várias vezes ao hospital para ser atendida no Pronto Socorro. Estava emagrecendo. As dores abdominais não cessaram. Por meio de uma ressonância magnética do abdômen, encontraram uma massa de 6,0 x 5,0 x 3,0 cm no peritônio (uma membrana que envolve a camada abdominal). Era endometriose. Os médicos optaram por uma ooforectomia bilateral terapêutica. Foram retirados os dois ovários.

Sem útero e sem os ovários, era de se esperar, ao menos, o fim da dor. Mas as dores continuaram, acompanhadas de náuseas e vômitos. Havia mais focos de endometriose. Por meio do ultrassom, identificaram uma “massa cística”, próxima à aorta, ao tronco celíaco e aos vasos mesentéricos. A aorta é a artéria mais importante do sistema circulatório. O cisto encontrado estava no abdômen, próximo à aorta abdominal (aorta descendente). Ela foi subtemida a uma laparotomia. Retiraram parte do tumor. O exame revelou cisto “endometriótico com hemorragia”.

Um ano se passou. Ela foi submetida a uma nova tomografia computadorizada que revelou uma “lesão residual retroperitoneal”. Esse cisto no peritônio foi investigado por meio de uma punção. Os médicos acreditavam que era endometriose, mas não excluíram a possibilidade de outro diagnóstico, conforme relatam: “porém devido à presença de muita necrose no material, não se excluía a possibilidade de neoplasia epitelial bem diferenciada.” A neoplasia é um crescimento desordenado da célula que pode ser maligna ou benigna. Pelo que o paper relata, a paciente foi mantida sob tratamento para controle da dor. Mais um ano se passou até um novo exame. Vejam o relato:

Mantida sob tratamento clínico com controle parcial da dor e das náuseas. Exame de controle por RM [Ressonância Magnética], após um ano, mostrou aumento das dimensões da massa retroperitoneal, descrita como lesão expansiva complexa (...).

Desde a abordagem cirúrgica da massa no peritônico, quatro anos se passaram. Em meio a operações e remédios, ela emagreceu mais, a dor piorou. Até que foi encontrado um tumor de 15 cm em seu abdômen. Vejam o relato:

Após 4 anos da primeira abordagem cirúrgica da massa retroperitoneal, a paciente apresentava-se emagrecida (I.M.C. = 17) com piora da dor, apresentando náuseas, vômitos e inapetência. O exame físico evidenciou massa endurecida, em topografia de
epigástrio, aderida a planos profundos.

Os médicos fizeram uma tentativa de retirar o tumor. Na cirurgia, cortaram parte do estômago, do baço, do pâncreas. Devido às características do tumor, não puderam extraí-lo. Após 45 dias, essa mulher morreu, por choque séptico. Na autópsia, constataram o câncer: “adenocarcinoma caracterizado pela proliferação neoplásica de padrão glandular predominantemente endometrióide.” Para os médicos, a endometriose se transformara em câncer.

Essa história foi relatada em um trabalho acadêmico repleto de termos técnicos, aceito para publicação no dia 30 de maio deste ano. Apesar de sua objetividade científica, há muito sofrimento nesse relato. Escrevi este texto sob uma tensão crescente, tentando descrever os sintomas, os achados, os exames, os resultados, as idas e vindas dessa mulher, o olhar médico e sua interpretação. A mulher que não conheci sofreu muito. Viveu o calvário. Por que ler isso? Por que trazer à tona essa história? Por que escrever sobre dor extrema? Se precisamos de força, a encontraremos nesse desfecho? Ainda que seja incomparavelmente mais difícil saber dessa história do que conhecer histórias de dor marcadas pela superação, ainda sim, prefiro conhecer todas as implicações possíveis dessa doença, para não subestimá-la, para dizer: não a subestimem.

Há tempos, li um artigo na BBC sobre o risco da endometriose se transformar em câncer (Veja). O artigo afirma que muitas mulheres poderiam não querer ouvir sobre isso. Quem deseja ouvir o pior? Mary Lou Ballweg, da Endometriosis Association, disse: “Há um perigo de médicos sentirem que as mulheres não querem saber sobre o risco de câncer. Mas o que é pior, sentir um pouco de medo e estar atenta para os sintomas ou morrer?” “As mulheres precisam procurar um especialista para garantir que elas estão recebendo a melhor ajuda possível”, afirma Ballweg. De acordo com a médica Joanna Owens, diretora do Cancer Research UK's: “pesquisas [...] sugerem que a endometriose pode aumentar o risco de câncer e são necessários mais estudos para explicar essa conexão. Nosso conselho para todas as mulheres é que conheçam seu corpo, contatem o seu médico imediatamente se detectar quaisquer mudanças e participem de triagem, quando convidadas.” (Veja
)

Ao descrever o caso em um paper, enviado para publicação na revista Autopsy and Case Reports
, da USP, os médicos pesquisadores mantêm uma linha investigativa central: a relação entre câncer e endometriose, com enfoque nas discussões sobre diagnóstico. “Estudos têm documentado a progressão da endometriose, como doença benigna, para o câncer”, afirmam os autores. Eles enumeram algumas questões centrais, com base na análise de outras pesquisas: 1. O mecanismo de transformação da endometriose para o câncer ainda é desconhecido; 2. Não existe um método unificado para o diagnóstico da transformação da endometriose em câncer. Nos trabalhos publicados esse método é variado; 3. A taxa de incidência de câncer de ovário é nove vezes maior em mulheres com endometrioma. Em mulheres acima dos 50 anos, é 13 vezes maior; 4. Muitas mulheres que desenvolveram câncer a partir de focos de endometriose fora do ovário estavam na menopausa e faziam reposição hormonal; 5. As neoplasias de ovário relacionadas à endometriose parecem apresentar um prognóstico mais favorável, com melhores taxas de sobrevida.

Quero destacar mais duas conclusões dos autores (Veja
):

1. Por sua vez, a Ressonância Magnética (RM) é o método de imagem mais usado para
avaliação da endometriose pélvica profunda, podendo ter sensibilidade superior a 90% na capacidade de predição de lesões malignas.Nesses casos, as imagens sugestivas de acometimento neoplásico são a presença de massa unilateral cística com focos de hemorragia e nódulos murais com realce ao contraste.

2. A transformação carcinomatosa da endometriose é evento relativamente raro, pouco compreendido e de ainda difícil diagnóstico pelos métodos atuais. Não há até o momento orientação para seguimento ou rastreamento da transformação maligna nos focos de endometriose.

Quando li esse paper, me fiz várias perguntas. Primeiro, a qual tratamento medicamentoso essa mulher foi submetida? Já que retiraram o útero e os ovários, provavelmente ela não estava utilizando remédios para conter o avanço da endometriose. Mas seguia um tratamento medicamentoso, conforme relatam. Qual? Justamente devido às cirurgias, será que não estava fazendo reposição hormonal? Os médicos não dão informações sobre o tratamento farmacológico. Apenas mencionam o aumento de casos de câncer, a partir da endometriose, em situações em que a mulher faz reposição hormonal, embora não especifiquem o tipo de reposição.

Além disso, de acordo com os médicos a Ressonância Magnética é o melhor exame para diagnosticar a transformação de endometriose profunda em câncer. Nunca fiz ressonância. Nunca encontrei um médico que quisesse pedi-la. Provavelmente, os planos de saúde os induzem a isso. Mas, com esse paper em mãos, vou pedir que meu médico requisite o exame. Fica claro que a associação entre câncer e endometriose não é bem conhecida. Embora tais casos sejam raros – apenas uma pequena porcentagem de mulheres com endometriose desenvolve câncer –, precisamos estar atentas aos sinais, principalmente se nos enquadramos nos grupos de riscos citados: endometriose profunda, endometriose intestinal (meu médico faz pesquisas nessa área. Disse que o risco de malignização é muito maior no intestino do que no ovário), reposição hormonal, mulheres na menopausa ou acima dos 50 anos, obesidade, emagrecimento sem outra causa.

Esse artigo discute métodos diagnósticos. Parece importante para que a ciência avance. Mas a discussão central deve ser: como prevenir? Como impedir que a endometriose se transforme em câncer? Como evitar o medo e, ao mesmo tempo, tomar atitudes que nos protejam, nos fortaleçam (pois o medo apenas nos enfraquece)? Discutir as causas dessa transformação da doença é importante. Se as pesquisas médicas estão dizendo que reposição hormonal aumenta os riscos, devo fazê-la? O que mais aumentaria os riscos? No artigo publicado na BBC, a médica Anna-Sofia Melin, do Instituto Karolinska, na Suécia, afirma que a endometriose pode se transformar em câncer devido a defeitos no sistema imunológico das mulheres. Outra hipótese considerada por Melin é:

“Talvez o tratamento da endometriose possa influenciar o desenvolvimento do câncer. Nós não sabemos ainda.” (“Maybe the treatment of endometriosis can influence cancer development. We do not know yet.”) (Veja
).

Essa é uma afirmação corajosa e incomum, partindo de uma médica. Será que o tipo de tratamento que estamos fazendo está fortalecendo ou debilitando nosso sistema imunológico? Se está fortalecendo, você deve estar se sentindo melhor, com o organismo mais forte. É preciso olhar para o corpo e reconhecer os sinais. É preciso procurar bons tratamentos, bons médicos e fazer os exames corretos. Tomar as decisões necessárias.

Apesar de muito triste, o relato dessa mulher anônima fala a todas nós. Serve de um alerta. Não deve nos levar ao desespero nem à tristeza. Como disse, o índice de mulheres com câncer desenvolvido a partir da endometriose é pequeno. Por isso, com a mudança de estilo de vida, com um tratamento eficaz, podemos superar essa doença, ter qualidade de vida, tornar nosso organismo ainda mais forte, de modo que além de controlar/superar a endometriose sejamos capazes de evitar outras doenças, por conta da atenção e cuidado que temos com nós mesmas. A endometriose pode ser também um caminho para nos fortalecer ainda mais. De fato, com as mudanças que fiz por causa da endometriose, estou muito melhor. Sentia dores fortes, não sinto mais. A endometriose é profunda, mas os focos diminuíram de tamanho. Há mais vida em mim do que antes. Paradoxalmente, endometriose pode também significar isso – buscar vida, em sua plenitude.


Veja como superei a endometriose:






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21 comentários:

  1. Eu que sofro mensalmente com as dores horríveis provocadas pelos focos de endometriose olho com lágrimas nos olhos este seu post, por tudo o que esta senhora viveu... Tantos conflitos interiores que teve de suportar e, por fim, imagino que a vontade dela era ver-se apenas livre das dores, coisa que infelizmente não aconteceu.
    Este seu post mostra a importância de continuarmos atentas mesmo que melhorando aos poucos e irmos avaliando sempre o progresso ou não da doença.
    Obrigada pela partilha

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  2. Querida Ângela,

    Dois anos antes de descobrir a endometriose, tive um episódio de dor que me fez desmaiar. Ao descobrir a endometriose, tive um episódio de dor muito forte justamente quando meu marido saiu para uma viagem. Estava sozinha. Liguei para o médico, que me atendeu prontamente. Tudo o que ele tinha a me dizer, e disse de imediato foi: você vai ter que ser operada. Não consegui nem pensar direito no que ele me falou. A dor me atordoava, calando minha resposta. No consultório, já havíamos conversado sobre a cirurgia. Eu estava resistente. Ao telefone, eu só queria saber se sobreviveria ou não. Apenas perguntei se algo dentro de mim estaria se rompendo. Ele disse que provavelmente não. Era apenas a endometriose. Endometriose latejando, queimando feito um câncer, mas sem ser câncer. A dor é tão forte que pode nos levar a crer que aqui dentro não há doença benigna. Como algo benigno pode doer tão malignamente? Mas pode. A dor é férrea, mas a doença é benigna e não mata, na imensa maioria dos casos. Eu sobreviveria, nós vamos sobreviver. Mas o ponto é: em que condições estamos vivendo? Após ficar no chão, sem saber se teria forças para telefonar novamente, consegui ligar para meus sogros, pedindo ajuda. Eles vieram me buscar em casa. Tive outros episódios de dor, mas não como esse, ao qual classifico como a verdadeira dor da endometriose. Depois disso, nenhuma dor me assustaria tanto. Minha situação estava piorando. Sentia também dores durante a evacuação, pois tenho endometriose no intestino. Dores que não cessavam com o fim do período menstrual. Estavam se tornando contínuas. A dor ameaçava se estabelecer, eliminar as tréguas. Nunca me enquadrei na sintomatologia clássica da endometriose, por não apresentar um histórico de cólicas menstruais intensas desde a adolescência. Por isso, se comparada a outras mulheres, costumo que dizer que não tinha dores, mesmo com endometriose profunda. Mas sei o que significa a dor da endometriose. Eu gostaria muito, de todo o meu coração, que todas as mulheres soubessem que é possível vencer essa doença, sim. Não sinto mais dores. Significa que a inflamação diminuiu. Essa realidade começou com minha mudança no estilo de vida. Com a alimentação, exercícios físicos, mudanças no trabalho, confiança em Deus. As respostas vieram, apesar do estado de debilidade em que me encontrava. Estava emagrecendo, com queda de cabelo, fraqueza geral, um aspecto de abatimento constante. Agora estou recuperada. Não podemos subestimar a endometriose. Precisamos estar atentas aos sinais, como você disse.

    A história dessa mulher é imensamente triste. Mas a forma como termina é uma exceção. Contudo, a dor incapacitante é uma realidade para muitas mulheres. Mais do que evitar outras doenças, é preciso também superar a dor. Substituir uma vida de dor por uma vida de paz. Mas a dor não se apaga com analgésicos. Nem mesmo cirurgias radicais são necessariamente soluções definitivas, como a experiência dessa mulher demonstra. Pela minha experiência, pelos relatos que tenho lido, o organismo responde a um tratamento certo de combate à inflamação. Não é uma solução mágica pois exige muitas mudanças. Mudança no estilo de vida combate a dor. Que nossa força seja renovada nesse caminho. Mais do que a consciência dos riscos, temos a consciência da cura. Vamos vencer.

    Obrigada por escrever, compartilhar de suas impressões, de sua experiência. Deus está cuidando de você.

    Carinho,

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  3. Estou sentindo dor há uma semana na altura do ovário direito. A dor lateja e queima, mal tenho conseguido dormir. Insisti em não tomar analgésicos para poder saber se a dor passava naturalmente. Como isso não ocorreu, acabei recorrendo a um ultrassom de urgência. Estava mto preocupada e preferi pagar pelo exame a esperar pelo agendamento do plano de saúde. Fiz o ultrassom com Doppler hoje, sábado. A notícia não foi nenhuma novidade. Era endometriose. Luto contra ela há 6 anos. A expressão que o médico usou me deixou chocada: "aspecto de 'pelve congelada'". Meus ovários e intestino estão aderidos ao útero. Fiquei decepcionada. Há 2 anos resolvi agir por conta própria. Pedi a minha ginecologista "um tempo" para cuidar da minha saúde no geral. Estava anêmica, desanimada, com queda de cabelo, e extremamente triste. Deixei o meu trabalho estressante e fui me dedicar ao artesanato. A minha condição financeira me permitia isso e achei q assim teria tempo para me dedicar a minha saúde. Mas como uma workaholic é sempre uma workaholic, o artesanato cresceu e se tornou um trabalho sério! Mais uma vez deixei minha saúde de lado... Sumi do consultório da minha médica e parei de seguir o tratamento natural ao qual estava me submentendo. Essa foi a consequência. Foram encontrados 3 focos de endometriose no meu intestino, coisa q eu não tinha há 2 anos. Subestimei a endometriose. Achei q só a força do pensamento resolveria. Mas essa doença parece querer mais atenção. Pela minha experiência e histórico, creio que "o buraco é mais embaixo". Creio tratar-se de algo não apenas físico. Sempre fui uma pessoa estressada, nervosa, viciada em trabalho. Sempre me deixo para segundo plano. O trabalho, o meu marido, a família, os problemas dos outros sempre estão em primeiro lugar. Sei que existe algo nesse sentido, que preciso aprender. Para mim, essa doença sem causa, pode encontrar alguma razão nas minhas atitudes. O prognóstico do médico q fez o ultrassom foi que eu terei q me submeter a uma cirurgia para "limpar" as aderências e iniciar um tratamento de bloqueio da menstruação, até decidir querer engravidar. Estou mto triste, com medo desse tratamento. Já ouvi dizer q ele "imita" os sintomas da menopausa. Lendo seu post, vou pedir a minha médica um pedido de ressonância. No período menstrual sinto dores terríveis para engolir. Apesar de sempre relatar isso, nenhum médico me dá atenção nesse sentido. Tenho medo de ter focos em outros órgãos. Acho q quando o assunto é endometriose temos q nos informar e argumentar com os médicos, questioná-los, sugerir. Tenho 35 anos. Ainda me acho tão jovem, com tanto pra viver, e essa doença simplesmente me azucrina, toma meu tempo. Com a vida tão corrida hj em dia a gente acaba descuidando de nós mesmos. Tenho que aprender q minha vida é o bem mais preciso q Deus me deu. Preciso cuidar bem dela. Querida amiga, dona do site (precisamos achar um nome pra você!) gostaria de saber se vc faz tratamento de bloqueio menstrual. E sobre as aderências? Já ouvi dizer q conseguimos diminuir o tamanho dos focos com tratamento, mas as aderências, só com cirurgia mesmo. O que vc acha disso? Um bjo a todas e fooooorça meninas! Não desanimem!!!

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  4. Daniella:
    Como você, também decidir cuidar de minha saúde. Para isso, também deixei um emprego, me dedicando a atividades mais tranquilas. Mas até agora tem sido uma luta manter o trabalho no seu devido lugar. Você é tão competente no que faz, faz tudo com tanta dedicação, que acaba sendo requisitada além do que havia planejado. Por um lado, é bom. Por outro, a saúde cobra seu preço. Mas esse preço não é um preço definitivo. Não tenha medo. Não permita que o resultado do último exame abale sua força de vontade. Também me encontrei nesse estado de dor, com o avanço rápido da endometriose no ovário que me resta, no intestino e em outros lugares do abdômen.
    Embora a ressonância seja uma boa dica dada por esses médicos pesquisadores, do artigo que citei, acho que você não deveria se preocupar com isso agora. O mais importante você já tem: um diagnóstico muito bem feito. O ultrassom com Doppler é muito preciso também. Agora você precisa buscar o tratamento. Você perguntou sobre qual tratamento eu fiz. Quando a endometriose estava avançando e a dor se tornou insuportável (nunca usei analgésico), meu médico sugeriu a retirada de um segmento do intestino, além da limpeza de outros focos e o uso do Mirena. Decidi que tentaria outros tratamentos, antes de aceitar ser operada novamente. Procurei outros médicos. Eu não queria usar remédios nem fazer a cirurgia. Encontrei um médico que me apoiou. Ele disse que eu conseguiria reverter a situação apenas com mudanças no estilo de vida. Embora tenha dado poucas orientações nutricionais, essa consulta me ajudou muito. Comecei a fazer as mudanças gradativamente. No início, a endometriose ainda avançava um pouco. Com um tempo, estabilizou. As dores desapareceram. Após o tratamento fitoterápico, a endometriose diminuiu. Mas pessoalmente eu acho que não fazer as cirurgias e deixar de usar remédios ou anticoncepcional, como eu fiz, pode ser muito perigoso. Embora eu veja muitas mulheres sofrendo com os efeitos colaterais desses remédios e fazendo muitas cirurgias ou laparoscopias, considero que seguir o protocolo da medicina ainda pode ser o caminho mais seguro para essas mulheres. Precisamos ir às consultas, fazer os exames e seguir os tratamentos propostos. Mas se uma mulher tiver possibilidade de mudar seu estilo de vida completamente, tiver acesso a esse conhecimento e buscar o tratamento alternativo com acompanhamento médico, eu posso dizer por minha própria experiência: funciona de modo maravilhoso e incomparável. O foco de endometriose em mim também estava ligando a parede do útero com o intestino. Mas esses focos de aderência regrediram, pois a inflamação diminuiu. Essa é minha experiência. Os resultados são muito, muito superiores ao que a medicina tradicional propõe atualmente.

    No texto “Gramáticas da nossa vida”, coloquei em linhas gerais o que fiz para mudar meu estilo de vida. Minha sugestão é que se você puder, fique uns 15 dias em uma clínica de saúde das que indiquei no texto “Clínicas de saúde”. Como disse, não é barato. Mas ali há orientações positivas na área da saúde física, com atenção aos aspectos emocionais.

    O ideal é que você procure orientação de um médico consciente, um nutricionista ou nutrólogo vegetariano. Se você puder ir, vá a uma das clínicas. São lugares muito bonitos (principalmente a Clínica de São Roque), com um tratamento natural. Pode uma mulher com endometriose profunda não tomar remédio algum, menstruando todo mês, estar com a endometriose sob controle e sem dor? Sim, esse é o meu caso. Mas as mudanças que eu fiz foram grandes. Eu precisei de auxílio médico para fazê-las. Eu creio que sem esse acompanhamento médico, a mudança pode representar um risco.
    Querida amiga, se você quiser, envie-me seu e-mail. Não vou publicá-lo, mas podemos conversar por e-mail.

    Acima de tudo, confie em Deus. Ele está dirigindo sua vida, pois mesmo com o resultado desse exame você transmite força e ânimo, nos animando a continuarmos firmes!

    Carinho,

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  5. Recomendo:
    Ricardo Mendes Alves Pereira
    (Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva)
    ->Endometriose Avançada, Reconstrução Pélvica, Oncológica e Histerectomia.

    Materclin (Clínica de Ginecologia e Obstetrícia)
    Rua Senador Souza Naves, 1044 - Sala 502
    Centro - Londrina (Paraná)
    CEP: 86010-160
    Telefone(s): (43)33234439

    Rua Visconde de Pirajá, 550 - Sala 2211
    Ipanema - Rio de Janeiro (Rio de Janeiro)
    CEP: 22410-001
    Telefone(s): (21)25296598


    Albert Einstein
    Av. Albert Einstein, 627/701, Bloco A-1 - Sala 101
    Hospital - São Paulo (São Paulo)
    CEP: 05652-000
    Telefone(s): (11)21519205

    *Consultei-me com Dr. Ricardo Mendes Alves Pereira em Londrina e agora vou fazer um exame com Dr. Manoel Orlando em São Paulo. Quem sabe depois desse exame terei um diagnostico e não só uma suspeita de Endometriose.

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  6. Também recomendo o Dr Ricardo Mendes Alves Pereira. Operei com ele há cerca de 1 ano e hoje a minha vida é outra!!! Agradeço todos os dias por ter tido a oportunidade de conhecê-lo. Além de excelente profissional possui um lado humano que infelizmente falta a muitos profissionais da área da saúde.

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  7. Fiz minha cirurgia de endometriose com o Dr. Ricardo Pereira há mais ou menos 4 anos e ele foi o anjo que devolveu a minha vida. Alé de um excelente profissional é extremamente humano e além de me livrar das muitas dores que sentia antes da cirurgia ele me deu a coisa que mais amo nessa vida, minha linda filha que hoje tem 1 ano e 8 meses e que não existiria se não fosse por ele e sua equipe, pois muitos médicos, inclusive de renome, me desenganaram, só ele aceitou me operar. Foi uma cirurgia dif[icil, durou 9 horas e cinco dias de recuperação no hospital, mais 30 dias em casa, mas hoje me sinto ótima. Também busquei uma grande mudança em meu estilo de vida e em meu psicológico, e acho que isso contribuiu muito para o sucesso da cura alcançada.

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    1. Obrigada por escrever! Seu comentário está no texto Respostas aos Comentários – II (http://www.endometrioma.blogspot.com.br/2012/07/respostas-aos-comentarios-ii.html).
      Abraços.

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  8. Fui operada pelo Dr. Ricardo Pereira e equipe no mês de junho deste ano e fiquei muito satisfeita com o tratamento.. é evidente a dedicação deste profissional com seu excelente trabalho.. Concordo com os comentários acima, principalmente em relação ao lado humano, tão singelo e relevante que apenas sendo paciente p/ realmente entender o peso de sua importância.

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  9. Recomendo MUITO Dr. Ricardo Pereira. Ele é o melhor médico que já conheci. Além de dedicadíssimo, é um ser humano ímpar. Apenas quem o conhece pode dimensionar o seu trabalho e o seu carinho. Tive uma infeccção violentíssima em decorrência da endometrioce, precisei me operar 3 vezes só para tratar dela neste ano. Ele foi incrivel!! Agradeço a Deus todos os dias por tê-lo colocado na minha vida. Em novembro farei a cirurgia para retirar a endometrioce com ele obviamente.

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  10. Anonimo 28 de Fevereiro de 2013
    Fui operada pelo Dr. Ricardo Pereira e sua equipe no mês de Agosto de 2010 e fiquei muito satisfeita com o tratamento..ja voltei duas vezes ao Brazil -para revisao e estava tudo bem , embora apresentar alguns focos de endomnetriose nos ovarios. hoje passo muito mal , cheia de dore no baixo ventre e no lado direito, fui ao genecologista no meu Pais ANGOLA em Luanda, o diagnostico foi quisto nos ovarios , agora vou fazer uma bateria de exames e resonancia magnetica para um diagnostico mais preciso, gostaria muito de entrar em contacto com o dr Ricardo Mendes Alves Pereira para ele me ilucidar mais sobre o assunto, estou muito preocupada. nao sei se terei de operar mais.

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    1. Olá,

      Tenho uma amiga que foi operada por ele. Vou perguntar a ela. Tão loga eu tenha o contato, colocarei aqui no blog.

      Abraços.

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    2. Olá,

      Sou a editora do blog. Envie-me seu e-mail pelo blog, não vou publicá-lo. Tenho os contatos do médico Ricardo Pereira.

      Abraços,

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  11. Fui diagnostica e operada pela primeira vez pelo Dr. Ricardo em 1991.
    Ele é realmente uma pessoa incrível e eu e meu marido e todos os meus familiares sempre sentimos plena confiança nele, desde a primeira consulta. Foi o primeiro médico que me deu atenção e ouviu minhas queixas, fez meu diagnóstico e todas as minhas cirurgias porque tive endometriose de grau IV. Agradeço a Deus todos os dias pela sua vida e dedicação profissional e humana. Gostaria que todas as mulheres que sofrem desta doença tivessem a oportunidade de conhecer um profissional como ele para cuidar dela. Recomendo como profissional e amigo, depois de tantos anos me acompanhando. Serei eternamente grata!

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  12. Olá á todas, gostaria aqui de relatar a minha história, bem tenho 44 anos e sou portadora de endometriose, exato um ano descobri que tenho endometriose profunda grau 4 e múltiplas aderências (pelve congelada).
    Deste muito tempo sofria de muitas cólicas menstruais e não conseguia engravidar do meu segundo filho, mais sempre ia ao medico e estava tudo bem comigo relatava meu medico, na verdade nem sabia direito sobre essa doença endometriose, passou vários anos e desisti de engravidar devido a minha idade, não sentia mais cólicas fortes e entrei na menopausa precoce.
    A um ano atrás comecei a sentir muitas dores no abdome, até um dia que fui parar no pronto socorro de um hospital, fazendo uma ultrassom foi diagnosticado um grande cisto no ovário esquerdo e no outro um menor, e pra piorar meu útero estava muito grande com endometriose, procurei meu médico e cirurgia pois não tinha muito o que fazer, pois bem na cirurgia o inesperado, meu útero está grudado no intestino, na bexiga,na uretra e em outros órgão,muitas aderências, o meu medico só conseguiu tirar o ovário esquerdo devido cisto ser muito grande, disse que tirou o foco da endometriose e que está muito feio o meu abdome que minha endometriose é de muito tempo e se tirasse o útero precisaria tirar um pedaço do meu intestino, optou por deixar o útero e o outro ovário e fazer o tratamento com o ALLURENE. Ai começou a minha tortura minhas dores abdominais são muito fortes, não estou trabalhando a um ano e não consigo fazer meus afazeres de casa, pois não posso pegar peso.Não tenho mais vida social, estou deprimida, meu medico diz que preciso de repouso e paciência.Depois que muitas pessoas da família sugerirem para que eu procurasse outro medico especialista em endometriose. Fui em outro medico e esse disse que existe sim um chance pro meu caso, pediu um série de exame e marcou uma outra cirurgia que estou esperando a autorização do plano de saúde. Bem, o medico vai tirar meu útero e o ovário e as minhas aderências, pode ser que precise usar a bolsa de vezes por um tempo, estou com muito medo, outra cirurgia, mais sei que vai dar tudo certo tenho fé em DEUS, acho que melhor do que está hoje vai ficar, pois não consigo dormir á noite pois cada vez que me viro acordo com muita dor e é uma dor insuportável. Sabe preciso minha vida de volta se ficar com estou não sei se vou conseguir viver mais é muito triste.

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    1. Olá, querida amiga:

      A peregrinação da mulher em muitas consultas é algo comum, embora não devesse ser. Uma doença tão presente nos corpos, mas ainda invisível ao olhar de quem diagnostica, por vezes. Essa invisibilidade nos custa muito. Mas que bom que você agora tem o diagnóstico, um mapa inicial que lhe dá condições de pensar sobre as alternativas de tratamento, que bom que você está aqui neste blog com sua escrita compartilhada. Tenha certeza de que ao falar, você nos ajuda a trilhar esse caminho difícil, em busca dos escapes possíveis. Acredito que há sim, por mais difícil que seja, a possibilidade da melhora. Precisamos buscá-la, alertadas da seriedade dessa doença mutiladora, mas sem perder a esperança, a força de luta para vencê-la, esteja ela do tamanho que for. Somos sempre um caso possível e o tempo nos mostrará, em função de nossas decisões, o que poderá acontecer de melhor, mas o melhor acontecerá se buscarmos as mudanças.

      Você estava na menopausa. Em algum momento, você fez reposição hormonal? A reposição hormonal pode reativar os focos de endometriose (Veja neste texto: http://endometrioma.blogspot.com.br/2010/01/endometriose-cancer-e-reposicao.html).

      Quando mudei meu estilo de vida, eu não sabia bem a que direção isso me levaria, mas sempre acreditei que haveria boas coisas a encontrar. Primeiro, almejava superar a dor. Depois, controlar os focos, mesmo que não pudesse eliminá-los. Não sabia se seria possível que eles diminuíssem, afinal eu estava menstruando todo mês, sem o uso de qualquer medicamento. Mas com o tempo, os focos começaram a diminuir. E diminuíram significativamente.

      O corpo responde à mudança de estilo de vida. Não foi fácil, pois eu estava fraca fisicamente, eu tinha dores incapacitantes. Como ter força de vontade para cozinhar e caminhar e não suar remédios, em meio às dores? Encontrei-a em Deus, em Cristo, no Médico dos médicos. Sabia que o caminho era sério demais para eu desistir dessa mudança de vida, para seguir sozinha. Precisava seguir em frente, munida com a troca de palavras. Fiz todas as mudanças, que conto neste blog, com acompanhamento dos exames médicos. Jamais deveríamos temer a verdade revelada pelos exames. Precisamos ter consciência de nosso estado e da eficácia de nosso tratamento. Assim como você agiu ao procurar o diagnóstico correto e lutar por ele. Agora, há mais um caminho a percorrer e você encontrará forças para superar este momento difícil, pois é possível sim vencer a endometriose. Não tenha medo.

      Por último, eu não imaginava que pudesse engravidar naturalmente e tão rápido, mas aconteceu. Por todas essas experiências, posso lhe dizer: as mudanças no estilo de vida (alimentação, exercícios, sol, respiração...) são verdadeiros remédios, que no meu caso recuperaram o irrecuperável, na visão dos médicos. Eu não poderia, mas agora posso. Tudo posso naquilo que me fortalece (as opções saudáveis) e nAquele que nos conhece. Não tenha medo. Não deixe que as dores digam a você que não há mais nada a se fazer. Sei o quanto essas dores gritam e nos condenam ao desânimo, nos confinando. Mas as dores não são mais fortes do que as mudanças.

      É muito triste, mas a tristeza se transformará em alegria. Estarei orando por sua recuperação. Você pode sim superar todas essas coisas e ter a saúde restabelecida.

      Com grande carinho,

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  13. Meninas, boa tarde

    Que luta constante é essa! Estou me sentindo literalmente cansada. Não possuo plano de saúde e para meu desespero meu CA 125: 131,9. Como não posso depender do SUS pra nada, infelizmente demorado DEMAIS! Tenho corrido atrás de médicos, hospitais e conhecidos pra tentar minha cirurgia URGENTE, conforme minha médica encaminhou. Peço encarecidamente a ajuda de vcs, preciso de uma consulta com cirurgião URGENTE. Alguém pode me indicar algum? Estou sem direção, não sei pra q lado corro, qdo consigo, pq as dores me impossibilitam. Por favor, alguém pode me ajudar? Muito muito obrigada..

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    1. Oi, Renata. Onde você mora? Mande-me um e-mail; endometrioma.blog@gmail.com. Abraços,

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  14. Boa noite fui diagonosticada com quisto no ovario esquerdo e utero com edometriose e estou a tomar pilulas para o quisto e alguns comprimidos para a dor mais o meu medico não entrou muito em detalhes acerca a endometriose estou preocupada com a gravidade da doênça e as complicações ,não tenho filhos e gostaria de ter algum dia , ja tive dores piores que me encomodavão sempre fui uma pessoa bastante activa agora sinto-me cançada por tudo e por nada acordo cansada e estou a perder o interece de ter relações com meu esposo não sei o que faser estou bastante assustada gostaria que me ajudasem por favor

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    1. Olá! Eu não me submeti aos tratamentos com drogas hormonais. Eu optei por mudar meu estilo de vida. A endometriose diminuiu, nunca mais senti dores e engravidei naturalmente. Mas essa opção - a opção de mudar os hábitos de vida - precisa ser levada a sério, pois a endometriose é uma doença perigosa.

      Neste link, eu descrevo meu tratamento: http://endometrioma.blogspot.com.br/2014/01/meu-tratamento-contra-endometriose.html

      Se tiver alguma dúvida, é só escrever.

      Com carinho,

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    2. Olá! Eu não me submeti aos tratamentos com drogas hormonais. Eu optei por mudar meu estilo de vida. A endometriose diminuiu, nunca mais senti dores e engravidei naturalmente. Mas essa opção - a opção de mudar os hábitos de vida - precisa ser levada a sério, pois a endometriose é uma doença perigosa.

      Neste link, eu descrevo meu tratamento: http://endometrioma.blogspot.com.br/2014/01/meu-tratamento-contra-endometriose.html

      Se tiver alguma dúvida, é só escrever.

      Com carinho,

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