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domingo, 16 de outubro de 2011

Endometriose, obesidade e reposição hormonal




16 de outubro de 2011

A combinação obesidade/endometriose pode levar a doenças mais sérias. Peso ideal não é sinônimo de saúde, mas estar acima do peso representa um risco aumentado para o desenvolvimento de várias doenças. Minha mãe e minhas irmãs sempre tiveram tendência para engordar. Eu nunca estive acima do peso normal, mas também não era muito magra. Devido à endometriose e doença co-relacionadas, emagreci bastante. Após mudar meu estilo de vida, recuperei os quilos perdidos e estou muito bem, nem magra nem gorda. Minha menstruação é normal. Sem dores, sem sangramentos intensos. Apesar da endometriose profunda (grau IV), meu organismo segue equilibrado. Mas nem sempre foi assim. Como já disse, devo isso a uma mudança completa em meu estilo de vida. No entanto, uma de minhas irmãs não tem a mesma história. Sem qualquer preocupação com comida saudável ou exercícios físicos, ela engordou até se tornar obesa. Antes de atingir uma obesidade preocupante, recorreu aos remédios de emagrecer por “orientação” médica. Começou um efeito sanfona incontrolável, com alterações emocionais. Após anos de dependência farmacológica, seu organismo ficou completamente desregulado. Resultado: ela deixou de ser uma bonita mulher gordinha e passou a enfrentar a obesidade quase mórbida. Se antes não havia força de vontade alguma para mudar o estilo de vida; com a obesidade, ela se entregou a soluções ainda mais radicais e agressivas. Decidiu pela cirurgia bariátrica. Lembro-me dela saindo do centro cirúrgico semiacordada. A cirurgia para redução de estômago correra bem, mas sua vida jamais seria a mesma.

Quando minha irmã fez a cirurgia, uma mulher morreu um mês após o mesmo procedimento cirúrgico. Recentemente, um tio de meu marido morreu no preparo para essa cirurgia, durante a anestesia. Mas minha irmã passou bem por todas essas fases. Emagreceu, sem ficar muito magra, como imaginava. Embora não tenha sido por laparoscopia, ela se recuperou relativamente rápido. Mas agora todo o organismo sofre com as consequências da cirurgia. Primeiro, teve de retirar a vesícula. Recentemente, descobriu que está com cistos e pedras nos dois rins, além de outras complicações. A cirurgia de redução de estômago aumenta significativamente a probabilidade de pedras nos rins. É como se minha irmã tivesse aberto a caixa de pandora com essa decisão. De modo muito rápido, o organismo está se debilitando. Um a um os órgãos vão apresentando falhas. Dependente de suplementos vitamínicos e comidinhas reguladas, incapaz de beber um copo cheio de água, ela também sente dores. Embora tenha acompanhamento médico constante e siga a risca as “orientações” artificiais dos médicos, agora ela vive para apagar incêndios no seu corpo. A decisão que parecia apontar o caminho mais fácil tem se mostrado, na realidade, um trajeto dolorido. Mas será que poderia ter sido diferente? É possível emagrecer sem remédios e sem cirurgia bariátrica?

Vocês já devem adivinhar minha resposta: sim. Eu acredito no poder da mudança do estilo de vida. Tenho como comprovar. No caso da endometriose, tenho como comprovar devido a minha própria experiência e a algumas histórias de vida que tenho encontrado e compartilhado aqui. No que se refere à obesidade, não enfrentei esse problema. Sinto na pele apenas o efeito negativo das decisões de alguém que amo. Mas conheço duas histórias bem-sucedidas relatadas por duas pessoas muito diferentes, mas igualmente admiráveis: Paulo Farber, médico com doutorado em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e Karina, alguém que conta sua história em um blog pessoal. Tanto Farber quanto Karina relatam sua incrível experiência na internet. Para quem não precisa emagrecer, mas está enfrentando a endometriose, a história dessas duas pessoas também é uma fonte de conhecimento segura e funcional. Um oásis sobre recuperação e manutenção da saúde.

Farber conta sua história no Blog da Saúde
. Com base em pesquisas científicas, ele fala da importância da vitamina D (pessoas com baixo índice dessa vitamina têm mais dificuldades para emagrecer. Além disso, há mais dois textos super importantes no blog sobre essa vitamina), da ameaça do açúcar e dos carboidratos que desencadeiam a resistência à insulina e tem provocado uma epidemia de diabéticos, a importância dos exercícios físicos, o fator emocional, o uso de terapias alternativas. Em três meses, Farber emagreceu 25 kilos, sem perda muscular. “Hoje estou bem mais feliz, porque estou mais magro, e também porque me libertei da prisão que é a ‘refeição por prazer’. É uma liberdade que nunca soube que existia”, afirma (Veja). Além desse relato, o blog tem outros textos que apresentam uma medicina comprometida com a saúde, embora eu particularmente discorde de algumas posições centrais, incluindo o uso de carne e de homeopatia. Exemplos de ótimos textos: benefícios da fitoterapia, malefícios dos remédios (O texto “Um dia esse remédio faz bem, em outro esse mesmo remédio faz mal” aborda a questão da reposição hormonal), uso de corticoides, o perigo de medicamentos para o estômago, o funcionamento da medicina. Há um inconveniente no blog: ele está sem atualização desde março.

Karina emagreceu 13 kilos em seis meses. Enquanto Farber recorreu à medicina chinesa, Karina tem uma experiência com a dieta vegetariana e um componente a mais – sua fé pessoal no poder da oração (Veja
). No site em que narra sua história, há muitos textos sobre estilo de vida saudável, além de receitas deliciosas (Veja). Além de filosofia de vida, há orientações abrangentes e muitas dicas práticas. No texto em que Karina relata como emagreceu, os créditos são dados a Cristo. Segundo seu relato, foi por meio da oração que ela exerceu sua força de vontade – mediante sua fé surgiu “tanto o querer quanto o efetuar” (Filipenses 2:13). Concordo com Karina nesse aspecto: mudar o estilo de vida requer uma tremenda força de vontade. De onde vem essa força? Cada pessoa busca numa fonte. Nem todas as fontes são capazes de impulsionar e manter a mudança. Precisamos experimentar aquilo que promete nos fortalecer, ter uma experiência individual. Provar se funciona, sem preconceitos. Falar das melhoras, sem receios.

Por que essas experiências são importantes para quem tem endometriose? Mesmos estando com o peso ideal – e muitas mulheres com endometriose são magras – é preciso buscar a nutrição ideal. Pode-se estar magro ou acima do peso e, ao mesmo tempo, desnutrido e com toxinas no corpo. As experiências de Farber e Karina vão além do mero emagrecimento. São receitas de saúde completas. Mas quem está acima do peso e tem endometriose tem um motivo muito importante para emagrecer: a obesidade ou sobrepeso desencadeia e piora a doença. De acordo com pesquisadores da Faculdade de Medicina do ABC, há 80% a mais de chances da endometriose se transformar em câncer em mulheres obesas que usam o hormônio estrógeno para reposição hormonal (Veja
). A afirmação está baseada no estudo de médicos da Mayo Clinic, em Minnesota, Estados Unidos (Veja o abstract). De acordo com o artigo, a obesidade pode desencadear o hiperestrogenismo, que causa a endometriose. Além disso, a reposição hormonal com estrógenos após histerectomia pode levar a transformação da endometriose em câncer. Os pesquisadores afirmam:

Hyperestrogenism, either endogenous or exogenous, is a significant risk factor for the development of cancer from endometriosis. The prevalences of endometriosis, obesity, and use of hormonal replacement therapy in women in developed countries are increasing, and this trend justifies the assumption that cancer developing in endometriosis might become more common in the future. (Hiperestrogenismo, seja endógeno ou exógeno, é um fator de risco significativo para o desenvolvimento do câncer a partir da endometriose. A prevalência de endometriose, obesidade e uso de terapia de reposição hormonal em mulheres de países desenvolvidos está aumentando, e essa tendência justifica a suposição de que o câncer desenvolvido a partir da endometriose pode se tornar mais comum no futuro.)

Embora os médicos pouco falem disso nos consultórios, pesquisas acadêmicas sérias nos alertam para a necessidade de uma mudança de estilo de vida. Vimos que o Dr. Farber preferiu trocar “o prazer de comer” por uma comida saudável. Evidentemente, ele está falando sobre “o prazer de comer as coisas erradas”. Essa espécie de prazer não compensa. Cobra uma conta alta. Como já escrevi neste blog, encontrei o prazer de comer alimentos saudáveis e também deliciosos. Sem açúcar, mas saborosos. Sem gorduras prejudiciais, mas apetitosos. Mudar o estilo de vida requer força de vontade, mas compensa. Ganha-se uma vida com saúde, redimensiona-se o prazer.


PS.: 1. Recebi uma dica super importante de uma leitora deste blog. Ela sugere a leitura de livros de Dean Ornish. Vou procurar saber mais sobre os livros. Há um vídeo muito interessante com Ornish no TED, com legenda em português: http://www.ted.com/talks/lang/por_br/dean_ornish_on_the_world_s_killer_diet.html. Não deixem de assistir ao vídeo. Tem 3min.22 seg.

2. Escrevi sobre os riscos da reposição hormonal no texto "Endometriose, câncer e reposição hormonal".


Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:
Um caminho, entre tantos

Gramáticas da nossa vida



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Para alcançar a cura

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