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sábado, 24 de dezembro de 2011

A canção das crianças


24 de dezembro de 2011

Esta época do ano é especial. Independentemente da fé ou da ausência dela, é um momento de reencontros. Quero desejar a todas as mulheres que acompanharam este blog reencontros felizes neste Natal e no Ano Novo. Agradeço muito os comentários, as sugestões, as palavras carinhosas que me deram força, ampliaram as reflexões e me motivaram a continuar escrevendo. Desejo o caminho da cura e da superação da endometriose às mulheres que já tiveram o diagnóstico há mais tempo e às mulheres que acabaram de ser diagnosticadas, reafirmando minha experiência: é possível, sim, superar a dor e vencer a endometriose. Que o próximo ano traga mais relatos de vitória.

Nestes últimos meses, tive um desejo despertado. Por ter vivido na correria profissional e ter endometriose profunda, não pensava nisso. Mas em 2012, vou tentar ser mãe. Este ano foi muito especial, pois superei definitivamente a dor e a endometriose profunda diminuiu com a mudança de estilo de vida. Quem sabe seja possível segurar uma criança minha nos braços? Não sei.

Ao pensar na beleza das crianças, escrevi o texto abaixo. Para os que não creem, pode ser lido como um símbolo com raízes na tradição judaica. Para os que creem, como uma história viva capaz de se repetir indefinidamente. Para mim, é um texto de esperança.

Carinho,

A CANÇÃO DAS CRIANÇAS

Quem era capaz de reconhecê-Lo? Muitos dos que desejava salvar não queriam ser amados. Ele se sentia só.

Em um sábado, ao entrar no templo, viu apenas comércio. Numa rara cena em que a intensidade das emoções imprime força entristecida em Seu rosto sereno, Ele derruba a mesa dos cambistas. A casa de oração havia se transformado em covil de ladrões.

Naquele momento, a igreja encontra o edifício vivo. Edificado, restabelecido, limpo, o lugar se transforma. Finalmente, os que não ousavam entrar na catedral dos santos dominada por uma elite gananciosa se aproximam. Em meio à fúria de coragem e convicção sobre-humana, reconhecem o amor. Ninguém havia ousado deter Jesus. Ninguém poderia impedi-los de ir até Ele. Com a expulsão dos negociadores corruptos; passo a passo, cabisbaixos pelo sofrimento e opressão, os excluídos entraram.

Os cegos e os mancos aproximaram-se dEle. Foram curados. Sim, Ele os curou. Você pode imaginar aqueles momentos? Pense que alguém está à busca de um lugar de paz, mas não o encontra. Por todos os lados tudo parece corrompido e destituído de significado. A vida está imersa em dor. Então, Ele chega. Restitui nessa pessoa um lugar de oração. Transforma os desejos, afasta as ambições, limpa as angústias, coloca espontaneidade, alegria, leveza infantil, lhe dá uma missão – estender as mãos aos que sofrem. Começamos a presentear sem data marcada.

Algo muito diferente, grave e importante acontecia ali naquele dia aparentemente normal. Mas poucos puderam ver. Por instantes, contudo, Cristo teve sua solidão quebrada. Vejo lágrimas solenes em Seus olhos. Uma serenidade alegre incontida. Aquela igreja foi marcada por um acontecimento profundamente tocante. Impressionadas pelo que viram e sensíveis ao amor de Jesus, os meninos e meninas que estavam na igreja tiveram uma reação inusitada. Eles se uniram e cantaram com intensidade: “Hosana ao filho de Davi.” A canção ecoou pelas paredes do templo com a singeleza da voz infantil.

“Dos lábios das crianças e dos recém-nascidos suscitaste louvor” (Mateus 21:12-16; Salmo 8:2), disse Jesus. A canção infantil era o sinal mais forte de que ali, naquele instante, o sentido da existência havia renascido. O toque de Deus se fez presente na voz das crianças.


PS.: No vídeo abaixo, a linda canção Pie Jesu é interpretada em latim por meninas e meninos do grupo britânico Angelis. Veja em: http://www.youtube.com/watch?v=qfN8j9r-jGQ

video

Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:

Um caminho, entre tantos
Gramáticas da nossa vida

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