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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Cura da endometriose


14 de dezembro de 2011


Recentemente, foi publicada uma notícia animadora sobre perspectivas de tratamento da endometriose por meio de aplicação de aspirina diretamente nos focos da doença. O pesquisador Rogério Saad Hossne, professor de cirurgia da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), em Botucatu, aplicou uma injeção com aspirina (ácido acetilsalicílico 10%) diretamente nos focos de endometriose implantados em coelhas. O composto provocou a necrose dos focos. Destruiu a endometriose. Os resultados da pesquisa foram apresentados em setembro, em Montpellier, na França. De acordo com a última edição do Jornal da Faculdade de Medicina de Botucatu (Veja aqui, na p.12), a próxima etapa da pesquisa será realizada no Hospital Sírio Libanês. A aspirina será aplicada nos focos de endometriose implantados em suínos, por meio de ultrassonografia. Nada de cortes ou cirurgias.

Antes de testar a aspirina nos focos de endometriose, Saad Hossne testou a aplicação de aspirina em focos de câncer, com pesquisas desenvolvidas desde 1996. As duas doenças, de funcionamento semelhante, respondem também a tratamentos semelhantes.
Após a fase de testes em animais, o pesquisador pretende aplicar o medicamento em mulheres com endometriose. Saad afirma:

Dependendo do tamanho, da extensão da lesão, bem como da sua localização, poderá ser possível destruir os focos de endometriose ou pelo menos reduzir seu tamanho, facilitando assim a eventual abordagem cirúrgica subsequente, sendo esta uma nova alternativa para o tratamento.

A pesquisa é muito promissora. A boa notícia é que além de barato, o procedimento com aspirina poderá reduzir o número de cirurgias e, quem sabe, substituir remédios caríssimos. Resta saber se a indústria farmacêutica e os médicos que realizam dezenas de laparoscopias, cirurgias e exames diagnósticos de alto preço têm interesse em perder esse mercado lucrativo para um procedimento tão simples e eficaz quanto a aplicação de aspirina diretamente nos focos. Acho que deveríamos acompanhar essa pesquisa em específico, numa espécie de Observatório da Endometriose – um movimento de conscientização e trocas de conhecimento promovido na internet por milhares de portadoras de endometriose preocupadas não só com a própria cura, mas com todas as mulheres que sofrem com essa doença. Para sabermos sobre o andamento de pesquisa, podemos acompanhar a carreira do médico responsável por meio de seu currículo lattes, na página do CNPq (Veja o currículo aqui).

Não sabemos quando ou se as autoridades médicas vão aprovar a aplicação local de aspirina diretamente na endometriose. Sendo assim, poderíamos tomar o remédio para o combate da endometriose? Tomar aspirina poderia combater a endometriose? A aspirina age também na regulação de prostaglandinas, relacionadas também com o aumento da dor ao desencadear inflamações no organismo. Quando um tecido é danificado, a prostaglandina estimula a produção de plaquetas para a coagulação, entre outras funções. Como falei no texto anterior, quanto maior o processo de coagulação maior a chance de crescimento da endometriose. Por isso, o combate à coagulação exerce efeito positivo no controle ou diminuição da endometriose. A aspirina, a exemplo do alho, diminuiu o processo de coagulação. Mas diferentemente do alho, a aspirina tem efeitos colaterais que devem ser atentamente considerados.

Quando se anunciou o benefício da aspirina para prevenção de ataques cardíacos, muitas pessoas começaram a se automedicar. Mas poucos sabiam que estavam se expondo aos numerosos efeitos colaterais do remédio. O uso de aspirina aumenta em 70% a chance de problemas relacionados a hemorragias (Veja). Além disso, aumenta o risco de gastrite, úlcera, hemorragia digestiva, dengue hemorrágica, púrpura trombocitopênica (diminuição de plaquetas), edema cerebral, insuficiência hepática fulminante, piora da função renal (Veja). Assim, a “inocente” aspirina passou a ser recomendada apenas para pacientes com alto risco de doenças cardíacas.

Mesmo que supostamente a ingestão de aspirina combata a endometriose, os efeitos colaterais provocados por esse remédio não compensam o risco de uma solução hipotética. Quanto à pesquisa do médico, com aplicação local do ácido nos focos, as conclusões podem ser diferentes. Como disse, parece ser um tratamento medicamentoso barato, eficaz e, provavelmente, com menos efeitos colaterais do que Lectrum (Injeção que custa por volta de 450 reais e nem sempre está disponível na rede pública
. A injeção pode ser receitada por seis meses, o que daria um total de 2.700 reais. Veja a bula), o Zoladex (o 3,6 mg está por volta de 700 reais. De 10,8 mg, o preço é 2.100 reais. Seis meses de tratamento com Zoladex equivalem a mais ou menos 4.200 reais. Esses valores foram divulgados em 2010 por uma portadora de endometriose. Veja), o Danazol (De 100 mg, com 50 cápsulas custa por volta de 130 reais. Se for recomendada a dosagem máxima, 8 comprimidos por dia por seis meses, a mulher vai gastar por volta de 4.000 reais!!! Veja bula) (No passado, já gastei, por exemplo, em uma única consulta particular e um exame, cerca de 2.000 reais.)

De qualquer forma, barato ou caro, todos esses tratamentos resolvem ou prometem resolver os sintomas. Interrompido o uso, tudo pode voltar a ser com antes, a despeito dos terríveis efeitos colaterais, milhares de reais gastos e das esperanças por uma vida melhor. Além disso, talvez o uso de aspirina no combate da endometriose não vise à substituição de remédios caros e danosos ou de cirurgias complexas. Talvez essa resposta simples seja basicamente acomodada num sistema lucrativo já estabelecido por protocolos e diretrizes terapêuticas que seguem revestidas do aval científico. Ainda não sabemos se estamos diante de uma solução revolucionária ou afeita à ordem conhecida. O extraordinário é o que transforma o complicado em algo barato, acessível, eficaz, que toca e cura a raiz.

Quem sabe, diante das incertezas do futuro e das respostas insatisfatórias do presente, não deveríamos procurar remédios que não agridam o organismo ou que tenham efeitos colaterais mais controlados? Há fitoterápicos com ácido salicílico (o princípio ativo da aspirina que explica toda sua eficiência e foi retirado da planta Salgueiro e transformado quimicamente em ácido acetilsalicílico). Mais importante do que isso: há um grande poder curativo na mudança de estilo de vida. Alimentação natural e equilibrada. Muito exercício físico. Novo estilo de vida. Uma nova maneira de compreender a vida. Esse caminho não só pode combater os sintomas quanto destruir o princípio da doença nos libertando para uma vida sem dor. Mas a liberdade tem um preço que para muitas pessoas soa como uma restrição. Para quem coloca a esperança nesse caminho, seguida de ações, mesmo em meio a tropeços, os resultados compensam. São reais. Tenho endometriose profunda, não tenho mais dor, os focos diminuíram, sem efeitos colaterais. Sim, é possível. Como atesta o médico Saad, a resposta pode ser mais simples do que o sistema nos obriga a acreditar.

Um tratamento caro
não pode se estender pelo tempo, por limitações de dinheiro e de resistência corporal. Mas há cura no tratamento que envolve o corpo naturalmente, com delicadeza, se achega à pele a cada um de nossos dias. É receber a ducha de bálsamo comum, diária, cotidiana, fortificante para não só curar feridas, mas impedi-las que voltem ou se multipliquem. Uma decisão aromática e acolhedora, umbilicalmente junto do corpo. A alimentação correta, os exercícios, o cultivo do amor fazem isso pela gente.

Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:
Um caminho, entre tantos

Gramáticas da nossa vida




Leia sobre a
Gratidão pela Saúde

4 comentários:

  1. Tenho acompanhado seu blog e vi uma noticia e lembrei de vc. Talvez seja interessante buscar mais sobre o assunto,segue:
    http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/efe/2011/12/16/tomar-cafe-reduz-risco-de-cancer-endometrial-diz-estudo.jhtm

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  2. Olá! Fiz um texto sobre esse assunto: Endometriose e cafeína (19 de dezembro). Agradeço muito a questão colocada!

    Abraços,

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  3. Gostaria de saber como você substituiu o carboidrato?

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  4. Olá!

    Obrigada por escrever. Vou fazer um texto especificamente sobre isso. Pretendo publicá-lo em janeiro. Abraços!!

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