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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Soja e endometriose


13 de junho

Antes de descobrir a endometriose, usei muita soja: grãos, tofú, lei em pó industrializado. Logo após a cirurgia de urgência, a qual fui submetida para retirar o endometrioma de quase 15 cm, quando perdi meu ovário direito, bebia muito leite em pó de soja (Marcas Soy), enriquecido com vitamina B12. Eu usava porque parecia uma oferta muito saudável, tamanho o marketing que a indústria alimentícia faz do produto. Na época, não me preocupava com minha alimentação. Não pensava que o alimento tivesse influência tão grande na minha saúde ou no surgimento de doenças. Usava a soja porque parecia ser uma oferta saudável e fácil. Nutrição instantânea.  

Mas eu mudei. Isso aconteceu, principalmente, quando percebi que não haveria respostas fáceis para a endometriose. Após passar por várias consultas com médicos de referência, aceitei que estou diante de uma doença enigmática, dolorida e cara. Apesar do preço das consultas particulares, não havia promessas certas de cura. Eu precisava encontrar um caminho que tratasse a causa da doença e não apenas seus sintomas. Embora possa ser necessário, cortar o tecido doente de endometriose não impede que ela continue crescendo. Eu precisava reequilibrar meu organismo.

A ciência, no entanto, diz que a causa da endometriose é indefinida. Os médicos lidam com hipóteses, mas o tratamento parece estar direcionado aos sintomas e a uma regulação artificial dos hormônios, além da eliminação de focos por diferentes técnicas cirúrgicas. Sem remédios, o corpo se desestrutura. Com remédios, ele avança, mas a que custo e por quanto tempo?

Decidi mudar meu estilo de vida. Entre as mudanças que fiz, retirei a soja de minha alimentação, mesmo contrariando a recomendação de alguns médicos. Concluí que se ela fosse tão boa assim para o meu organismo, a endometriose não deveria ter avançado tanto, pois eu usava soja diariamente. Após retirar a soja e fazer muitas outras mudanças, os focos de endometriose diminuíram. Apenas tirar a soja não fará os focos diminuírem, mas colocá-la na alimentação poderá fazer os focos de endometriose crescerem. A soja não é a única vilã responsável pelo crescimento dos focos, nem tê-la tirado do cardápio é a razão pela qual os focos diminuíram, mas pela minha experiência, acredito que ela tem um papel importante no avanço da endometriose e de outras doenças. Alguns cientistas também acham a mesma coisa, conforme indicam as pesquisas a seguir:

1.         NOEL, Jean-Christophe et al. Ureteral mullerian carcinosarcoma (mixed mullerian tumor) associated with endometriosis occurring in a patient with a concentrated soy isoflavones supplementation. 
O artigo relata o caso de uma mulher de 75 anos, com endometriose. A endometriose se transformou em câncer, após o uso de suplementação de soja concentrada. A transformação maligna dos focos foi associada ao uso da soja, nas condições apontadas.

2.         CHANDRAREDDY, Ashadeep et al. Adverse effects of phytoestrogens on reproductive health: a report of three cases. 
Sangramento uterino anormal com patologia endometrial em três mulheres foi relacionado a uma alta ingestão de produtos de soja. A primeira mulher tinha sangramento pós-menopausa com pólipo uterino, endométrio proliferativo e um mioma. A segunda mulher apresentou dismenorréia severa, sangramento uterino anormal, endometriose sem responder ao tratamento. A terceira mulher com dismenorréia severa, sangramento uterino anormal, endometriose e miomas uterinos com infertilidade secundária. Todas as três mulheres melhoraram após a retirada da soja da dieta.

3.         MENDES, J.J. Amaral. The endocrine disrupters: a major medical challenge (2002). In: Food and Chemical Toxicology.
O artigo fala sobre os desreguladores endócrinos (DE) que são responsáveis por efeitos patológicos no sistema reprodutor masculino e feminino, função da tireóide, sistema nervoso central e fertilidade. Entre esses DÊS, está a soja, apontada como um alimento que aumenta o estrógeno no organismo.

4.         ALLRED, Clinton D. et al. Soy diets containing varying amounts of genistein stimulate growth of estrogen-dependent (MCF-7) tumors in a dose-dependent manner. Disponível em: http://cancerres.aacrjournals.org/content/61/13/5045.full
A pesquisa considera os pontos controversos, mostrando efeitos positivos e negativos do uso da soja. Contudo, alerta para os riscos da utilização de soja por mulheres com câncer.

5.         MODARESI, Mehrdad et al. Effect of soybean on male reproductive physiology in mice. Disponível em: http://www.ipcbee.com/vol3/5-L014.pdf
Embora realizada em uma instituição de pesquisa sem representatividade, a pesquisa traz resultados desfavoráveis sobre o uso da soja pelos homens, com impactos negativos no seu sistema reprodutivo.

6. HSIEH, Ching-Yi et al. Estrogenic effects of genistein on the growth of estrogen receptor-positive human breast cancer (MCF-7) cells in vitro and in vivo. Disponível em: http://cancerres.aacrjournals.org/content/58/17/3833.full.pdf
Muito interessante. Fala da associação da genisteína (encontrada na soja) com o câncer.

7. RIMOLDI, Guillermo et al. Effects of chronic genistein treatment in mammary gland, uterus, and vagina. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2174401/

A maioria das pesquisas sobre o assunto defende o uso da soja, inclusive para o tratamento da endometriose. Mas há algumas pesquisas que apontam para os riscos relacionados também ao câncer (como sabemos, a endometriose é muito semelhante ao câncer). Ao ler as pesquisas mais recentes, tenho me convencido dos riscos da soja. Um de seus efeitos é elevar os níveis de estrógeno no corpo (O estrógeno alto aumenta a endometriose). Uma hipótese: talvez esses riscos tenham a ver com a soja transgênica e/ou produtos industrializados, e não com o uso moderado de grãos orgânicos, que pode ser saudável para mulheres que fazem reposição hormonal e não têm endometriose, por exemplo.

Sem dúvida, são necessárias mais pesquisas, com a discussão sobre os resultados de diferentes investigações acadêmicas sobre o assunto, para avaliar os possíveis benefícios e riscos envolvidos com o uso desses produtos, mesmo entre as pessoas consideradas saudáveis. De qualquer forma, eu não utilizo mais leite de soja em pó, suplementos que levam soja, creme de leite de soja, leite condensado de soja etc. Pode agradar o paladar, ser doce, semelhante aos produtos com leite, cada vez mais similares às guloseimas do mercado, destaque de matérias jornalísticas, acima de qualquer suspeita, embalados pelo marketing da vida saudável e pela promessa promocional de um corpo com saúde, mas esses produtos industrializados à base de soja não me fizeram bem.

A alimentação correta transforma o organismo. A alimentação errada traz doenças. Para uma parcela de cientistas, a soja não é tão inocente quanto parece ser.


PS.: Na produção de soja transgênica, estão utilizando o herbicida 2,4-D, um dos componentes do agente laranja, além do glifosato, por exemplo. Produtos químicos altamente prejudiciais à saúde.

Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:






4 comentários:

  1. Bom dia!

    Adorei seu texto sobre endometriose e soja. Eu também tirei a soja totalmente de minha alimentação. Ainda tenho dúvidas em relação ao leite (lactose, proteína). Ele também faz mal para quem tem esse problema?
    Espero que estejas bem.

    Abraço.

    Rosalyn.

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  2. Obrigada, Rosalyn. Sim, o leite faz muito mal. Nem mesmo o orgânico é recomendado. atualmente, tirei totalmente os produtos lácteos, são inflamatórios, são cancerígenos.

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    1. Mas o problema é a proteína do leite ou a lactose? Não sei como retirar o leite da minha alimentação. Gosto demais! Vai ser bem complicado.
      Obrigada pela atenção.

      Abraço.

      Rosalyn.

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    2. Pesquisas apontam a caseína, proteína do leite, como altamente cancerígena e a causa de doenças crônicas, como diabetes e doenças autoimunes. Veja os estudos de T. Colin Campbell. Sugestão de site: http://nutritionstudies.org/

      A intolerância à lactose decorre da ausência da enzima lactase. Mais de 70% dos brasileiros têm algum grau de intolerância à lactose. Outro grave problema.

      Outro problema do leite é o modo de produção atual. Animais doentes, supermedicados, que se alimentam de insumos contaminados (glifosato, transgênicos, cama de frango com hormônios etc. etc.). Moro numa região produtora de leite. A situação dos animais é um problema real. Além disso, quando o leite chega ao laticínio recebe água e, em muitos casos, aditivos proibidos. O leite é pasteurizado e torna-se pobre em nutrientes.

      Portanto, nem mesmo o leite orgânico é indicado. O queijo é ainda pior e mais agressivo à saúde. Há muitos substitutos para o leite. Pesquise e encontrará informações interessantes. Receitas saborosas.

      É preciso considerar que o cálcio está presente em produtos vegetais. E não é preciso uma grande ingestão de cálcio, mas a busca por um organismo mais alcalino, evitando assim a perda desse importante mineral.

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