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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Endometriose: uma notícia que me fez feliz

31 de janeiro de 2013

Hoje, meu marido me surpreendeu com um texto que ele escreveu sobre nossa luta para superar a endometriose. Ele tem sido uma força constante em minha vida.

“Sua esposa tem endometriose.” Essas foram as palavras que me fizeram chorar de alegria. Sim, é isso mesmo. Elas me trouxeram felicidade e alívio diante do que até então havia sido indicado como câncer no ovário de minha esposa. Apresentado à endometriose nesse contexto, tomei-a como boa-nova e agradeci a Deus. 
Depois da cirurgia de retirada de seu cisto ovariano (poderia até chamá-lo de cesto, tendo em vista suas dimensões nas mãos da médica), voltamos para o conforto do lar. Poderíamos retornar para as guloseimas da geladeira e para o sedentarismo entrecortado de caminhadas ocasionais em meio à fumaça dos automóveis. Teríamos nossa vida de volta.
A recuperação de minha esposa foi rápida. Na terceira semana, reunindo coragem e teimosia, ela tomou o ônibus para São Paulo para seus compromissos profissionais. Sua coragem e determinação sempre me impressionaram. Infelizmente, o resultado foi uma gripe que parecia incurável. Ela se sarou mais pela vontade aguerrida do que por qualquer outro remédio. Como diz o adágio espanhol, tratava-se de “imponer-si o morir”.
Passados alguns meses, em que vi minha esposa enfraquecer em um emprego que parecia bom para quem o via de fora, motivei-a a pedir as contas. Relutante, ela aceitou meu conselho. Determinada, falou com a chefia. Ela precisava se cuidar. Eu não tinha minha esposa de volta para vê-la morrendo aos poucos.
Para saber de suas reais condições de saúde precisávamos de um especialista. Não queríamos passar novamente pelo trauma de um diagnóstico errado. Na cidade em que moramos, o médico do ultrassom que a examinou talvez tivesse dificuldade para discernir a diferença entre o coração e a vesícula. Em outra paciente, chegou a confundir gravidez com mioma. De fato, precisávamos de alguém que nos desse segurança. Não importava o preço. Nessas horas, fazer economia é o pior negócio. Se fosse para tentar adivinhar o problema, poderíamos consultar a mãe Dináh... 
O especialista nos mostrou exatamente qual era a realidade. Focos de endometriose alastrados, do ovário que restara ao intestino, aderências, ou seja, uma nova cirurgia seria necessária. O tratamento com remédios era indispensável.
Ela sempre foi resistente a tomar remédios. Mas eu insisti para que ela os tomasse. Não tinha o que fazer! Porém, diante do beco sem saída, ela concluiu que a coisa certa a fazer era cavar um túnel. Ela jamais se satisfez com o caminho mais fácil. Deveria existir alguma coisa na natureza que de fato traria os benefícios necessários, sem os terríveis efeitos colaterais dos remédios. O Bom Pai haveria de lhe ajudar. Cético, eu queria ver para crer. Então, comecei a ver...
A mudança do estilo de vida da minha esposa lhe trouxe nova vida. Renovou suas energias e despertou novos sonhos. De forma inacreditável, a endometriose regrediu. Inicialmente, minha parte, além de acompanhá-la nos exames e consultas, limitava-se a não atrapalhar seu tratamento natural. Parei de levar as guloseimas para casa. Comecei a devorá-las sozinho, no carro mesmo, logo que saía do supermercado.
Com o tempo, ela foi ganhando vitalidade. Enquanto isso, eu ganhava uma bela pança. Em nosso sexto ano de casamento, estava 16 quilos mais pesado. Meu fôlego estava ficando mais curto, e a sensação de cansaço só aumentava. Então, percebi que quem precisava de tratamento era eu. Resolvi seguir, dentro do possível, a dieta da minha esposa. Nos unimos para lutar contra o sedentarismo e fomos em busca de um lugar com Sol e jardim para viver.
De forma lenta e gradual, fui me aproximando do peso ideal (ainda chego lá). Ganhei mais fôlego e bem mais disposição. A busca por um lugar melhor para viver nos tomou muito tempo e energia. Mas conseguimos trocar, com um pequeno lucro financeiro, uma casa pequena, insalubre, em um terreno apertado, por uma casinha simples, mas cheia de Sol em um terreno bem maior.
Talvez, se você olhasse para mim não veria grande demonstração de vitalidade. Se conhecesse minha nova casinha, talvez risse de minha empolgação. Mas o convido a não olhar para o que é aparente e limitar-se simplesmente a conclusões tiradas de uma observação desapaixonada. Eu convido você a experimentar o estilo de vida que é proposto neste blog. Ele pode ajudar em muito a mulher que vive a experiência de buscar solução para a endometriose. Mas ele não se limita a isso. Este blog fala do intenso desejo de uma pessoa em ser melhor amanhã do que foi hoje. Minha esposa me mostrou que atrás de cada descoberta ainda existem milhares de outras descobertas que nos aguardam na próxima curva da estrada. Buscar a cura é pouco, quando podemos lutar pela excelência. Nunca teremos saúde perfeita, nem qualquer tipo de perfeição. Mas se temos em vista um ideal elevado, se queremos agarrar a pérola de grande preço, não sentiremos dó ao lançar fora as moedinhas que ocupam nossas mãos.
Se você estiver tentando mudar, não se lamente pelo que você deixou de fazer ou comer. Alegre-se pelo que ainda virá. Não se deixe sofrer pelo que lhe rouba saúde e vitalidade. Ame tudo o que lhe traz vida e, ao amar a vida, você receberá de volta esse amor. É isso que minha esposa tem me ensinado.
 

5 comentários:

  1. Quando estava com aquela gripe terrível, após ter perdido meu ovário, você chegou em casa de repente. Deixara o trabalho para me ver no meio do dia. Eu estava na cama sem conseguir respirar. Não me esqueço daquele momento. Hoje, você brinca, e diz que eu fui a contaminada número 1 da H1N1. Acho que sim. Que gripe foi aquela?

    Fico rindo das vezes que saímos para caminhar com um guarda-chuva. Rimos mais do que caminhamos. O que já foi um bom exercício.

    Sim, você chorou sozinho, às vezes. Eu não o compreendi. Também chorei sozinha. Quantos desafios a endometriose apresenta para um casal... “Você tem que vir comigo Em meu caminho E talvez o meu caminho Seja triste pra você”. Mas hoje estamos mais próximos. A superação da doença, pela via natural, tratou do meu corpo, do seu corpo, tratou de nós dois.

    “Meu poeta eu hoje estou contente
    Todo mundo de repente ficou lindo
    Ficou lindo de morrer
    Eu hoje estou me rindo
    Nem eu mesma sei de que
    Porque eu recebi
    Uma cartinhazinha de você”

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  2. Olá, minha querida amiga e marido da minha querida amiga!

    O texto é belo, assim como é bela a escrita de todos aqueles que amam. Se há amor no que se sente, os obstáculos transformam-se em caminhos alternativos para celebrar a alegria de estar junto de quem se ama. O que poderia ruir a relação consolida a união de pessoas dispostas a transformar um espaço seu para que o outro se faça inteiro. Não são metades que se completam, mas pessoas inteiras que se afirmam e que crescem juntas. Pessoas de valores, que se reinventam, se superam, se solidarizam, se respeitam, se amam, agindo com louvor.

    É diante de histórias assim que encontramos um bom mundo para viver. Não há mistérios, não há truques, mas uma alta dose de almas nobres envolvidas. Só que aí, nesse caso, talvez os mistérios e os truques sejam até pouco, perto do que é a confecção de uma alma nobre.

    A perfeição pode-se até não atingir, mas o caminho e o esforço de vocês são perfeitos!

    Obrigada pelo convite, ouvir a sua esposa é o meu melhor tratamento! E ouvir o seu relato me dá um grande entusiasmo.

    Um abração!
    Michele.

    Ps. Se os cidadãos fossem legitimados para propor uma Emenda Constitucional (PEC), eu iria hoje mesmo entrar com a minha proposta: Incluir um inciso no art.5º da CF 88 que assegurasse a todas as mulheres a obrigação do Estado de nos dar um maridão assim. Muito justa essa minha PEC, hein! hehehe

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    1. Minha querida amiga Michele:

      Sou muito apaixonada por esse homem que agora está no escritório me ajudando com um trabalho. Da sala, o vejo diante do computador. Ele escuta pela segunda vez “posso até chorar, mas a alegria vem pela manhã”... “minha esperança está...” ... cantarola um pouco, digita, olha fixamente a tela.

      De manhã, li seu comentário pra ele. Ele sorriu, e sorriu tão lindo com os olhos.

      Acabou de me descobrir aqui, na sala. Olhou pra trás, imitou o que canta, bateria ao ar... um palhaço. O jeito é rir da vida. E se é uma coisa que ele me ensina é rir, e muito. Amor de risos sérios, amor de risos leves.

      Agora, o escritório e a sala se ligam pela música. São pouco mais de 10h. O ânimo é piano. Por hora, pausa ao fortíssimo. Ele desligou o som, ficou a canção do tamoio. Eu, aqui estou, depois do show de bateria ao ar, me lembrando de quando ele recitava, hora ou outra, Gonçalves Dias.

      Pesada ou querida, viver é lutar a luta renhida. Não se foge da vida para se curar da vida. Às armas. Tapir, condor ou endometriose; às armas, ao amor.

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  3. Que lindo minha amiga!

    E que bênção é termos maridos companheiros e amigos que nos apoiam, nos compreendem, cuidam de nós e decidem não só através de palavras mas de atitudes, fazer realmente parte da nossa vida e daquilo que estamos vivendo.

    Que Deus continue abençoando a você e ao seu querido marido. Que Ele conceda os desejos do seu coração segundo Salmos 37.

    Um grande beijo.

    Gabi

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    1. Oi, Gabi:

      Pelos seus comentários, percebo sempre a presença de seu marido em sua vida. Que grande bênção de Deus! Que Ele dirija sempre seu casamento, fortalecendo os laços de companheirismo e amor.

      Nem sempre temos um marido-amigo, mas as Escrituras hebraicas dizem:

      “Não temas [...] porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; Ele é chamado o Deus de toda a terra. Porque o Senhor a chamou como a mulher desemparada e de espírito abatido [...]. Eis que eu assentarei as tuas pedras com argamassa colorida e te fundarei sobre safiras [...]. Todos os seus filhos serão ensinados do Senhor; e será grande a paz de teus filhos” Isaías 54:4,56, 11,13.

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