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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Pensar demais na endometriose faz mal?

 
10 de fevereiro de 2013

No entra-e-sai de consultas médicas, uma fala comum: “Pare de pensar na endometriose.” Quando a recomendação médica parte de um profissional que desconhece a gravidade da doença, eu a desconsidero. Mas se quem fala é um especialista, ele poderia estar certo? Pensar demais na doença provocaria ansiedade desnecessária? Quanto mais endometriose na mente mais endometriose no corpo?

Em janeiro, li no New York Times o obituário de Susan Nolen-Hoerksema, professora de psicologia da Universidade Yale, morta aos 53 anos. Para Nolen, mulheres overthinking adoecem mais (Veja). Em outras palavras, mulheres que pensam demais vivem menos.

Tenho um blog sobre endometriose, no qual escrevo não apenas sobre a possibilidade de cura, mas também sobre as ameaças de uma doença traiçoeira. Sou assumidamente uma mulher overthinking. Sendo assim, o blog, como representação máxima desse pensamento, estaria me fazendo mal? Estaria fazendo mal a você que, contrariando aqueles que dizem “pare de ler sobre isso”, entrou nessa página anônima mais uma vez? Talvez você tenha decidido que tirar a endo da mente é um passo essencial para tirá-la do corpo. Talvez, tenhamos ouvido isso, após fazer uma pergunta sobre a qual a medicina não tem resposta; após expor uma dor para quem, simplesmente, por mais que nos ame, não sabe o que fazer com ela. Se dói, melhor não mexer. Se a resposta constrange ou desafia, combatam-se as perguntas. Mas se a dor beira o insuportável, esquecer é possível?
A endometriose é barulho. Em que silêncio há refúgio quando a dor avança?
Entrei no Estante Virtual e comprei, com pitadas de esperança e desconfiança, o livro de Nolen: “Mulheres que pensam demais” (Editora Alegro, 2003). Morei durante três anos na casa de uma família em que o marido era psicólogo. Eu folheava de tempo em tempo um livro da estante. O enredo se repetia convenientemente, socraticamente à necessidade do mercado: muita descrição da doença, e onde estavam as respostas? Lembranças e mais lembranças numa fala sofrida por anos a fio, e o silêncio-outro me resgata? As páginas finais eram melancolia.
O que Nolen me diria? O que haveria em seu olhar de pesquisadora sênior? O livro azul royal de capa estilizada em cima da minha mesa deve ter saído de uma banca promocional empoeirada do sebo paulista. Para quem acha que ciência boa é ciência que não se comunica, a capa ilustrada soa de antemão como livro de autoajuda de quinta categoria. Por vezes, me surpreendo: quanto tesouro escondido nossa visão inimiza.
É um livro benjamin button, que subverte o relógio livreiro da ciência da mente. Popular sim, e de palavra essencial. Vamos ao quarto capítulo da obra, tópico 11: “Pensamentos tóxicos – Pensando demais nos problemas de saúde.”
Se a doença põe a vida em risco, o pensamento excessivo é inevitável. O mesmo vale para a doença não mortal, mas que invalida, deforma, dói, desemprega, exige procedimentos médicos invasivos. Como não pensar sobre isso? Nolen nos ensina em como pensar sobre isso, diante de médicos que “não se comunicam bem”, diante de “opiniões conflitantes de médicos diferentes”, diante de um “serviço de saúde cheio de gente rude e atolada de trabalho, que não dá a menor bola para nossa dignidade e bem-estar”. Ela começa bem.
Nolen fala de Michelle, 33 anos, casada, redatora em uma revista feminina, diagnosticada com câncer de mama. A doença matara duas de suas tias, atingira sua mãe, havia chegado a ela. Antes do diagnóstico definitivo, ela ruminou sobre a doença, sobre a morte, a deformação, a dor, sem parar, sem tréguas. O livro relata pesquisas que demonstram que o pensamento excessivo leva ao pessimismo, à desesperança, ao sentimento de desamparo e pode fazer com que a mulher cuide menos de si mesma. Ciente disso, Michelle procurou controlar seus pensamentos.
Mas depois do resultado positivo da mamografia, ela ficou muito ansiosa, seus pensamentos a atordoavam. Ela então pediu que a médica saísse por um momento, após o exame. A contragosto, a médica saiu da sala. Nesse tempo, Michelle se acalmou e anotou uma lista de perguntas que queria fazer.
Quando a médica retornou, Michelle fez todas as perguntas e ouviu as respostas atentamente. Ela não estava convencida da decisão da médica em relação a uma cirurgia e pediu um encaminhamento para outro médico a fim de ter uma segunda opinião. “Isso incomodou a médica enormemente, e Michelle sentiu um surto de culpa e constrangimento. Mas, então, deu um passo para trás mentalmente e ralhou consigo mesma por se sentir culpada por cuidar de si mesma. Ela fincou pé”, e a médica lhe deu a indicação requisitada.
Nolen diz que o pensamento excessivo de Michelle quase a impediu de fazer as perguntas necessárias e de enfrentar a postura equivocada da médica. Quando a médica se mostrou contrariada, Michelle começou a ter pensamentos de culpa. “Tal culpa infelizmente é comum em mulheres – não suportamos o pensamento de chatear alguém, sobretudo um médico importante [...]”. Se não fazemos o que temos que fazer, isso se torna motivo de mais pensamento excessivo.
Antes da nova consulta, Michelle continuou tendo pensamentos excessivos. Acordava à noite, não conseguia dormir. Pensava em como a doença afetaria seu casamento, seu pequeno filho, pensava na questão financeira, fazia várias projeções mentais de desfechos hipotéticos. A insônia prejudicou seu desempenho no trabalho. “A fadiga nutriu uma crescente depressão pela preocupação com a saúde”.
“Um dia, quando estava com o olhar fixo na tela do computador, ruminando morbidamente se Jason ainda a acharia atraente depois da cirurgia de mama, ela gritou 'Pare!' alto o bastante [...]. Michelle respirou fundo algumas vezes e, então, disse a si mesma: ‘Isso está me despedaçando. Não quero viver na desgraça. Não vou deixar que isso tome conta da minha vida.’ Ela levantou-se [...], saiu do prédio para dar uma caminhada revigorante em volta da quadra. Quando chegou a uma pracinha perto do escritório, sentou-se em um banco e começou a rezar a Deus por ajuda para fazer frente a suas preocupações. Ela juntou as mãos em concha literalmente e simbolicamente estendeu suas lágrimas para que Deus pegasse. Uma mulher [...] passou pelo bancou de Michelle e olhou-a de um jeito estranho, mas Michelle sentiu uma onda de alívio arrebatando-a.”
Michelle acreditava em Deus. A fé em Deus a confortou ao “longo dessa experiência cruciante, mas suas crenças religiosas também foram testadas pela experiência”. Michelle se perguntava qual era o propósito dessa experiência, qual era a força de sua fé. Por que Deus permitira a doença? Seu questionamento significava que a fé era insuficiente? Segundo Nole, as questões relacionadas à fé podem levar aos pensamentos excessivos mais perturbadores. A mais terrível culpa por questionar a Deus ou a religião. O que aconteceria depois da morte? Se Deus é amor, por que existe o sofrimento? “Michelle finalmente chegou a uma conclusão sobre suas perguntas.”
Diante de outras inquietações, Michelle tinha dificuldades de se concentrar no trabalho. Então, passou a anotar rapidamente seus sentimentos e esperar um momento mais tranquilo para voltar a eles e buscar respostas.
Quando soube que teria de fazer a cirurgia, Michelle estava acompanhada do marido. “E suas lágrimas correram. Jason segurou-a firmemente enquanto ela soluçava.” Ela respirou fundo, foi até a pia, lavou o rosto e pediu que Jason a acompanhasse em uma caminhada ao redor de um lago. Enquanto caminhavam, ela expôs todos os seus medos – medo de morrer, medo de que ele não a achasse mais atraente... Jason a escutou e a confortou. Seus pais também a escutaram e a confortaram. Ela contou para os amigos e colegas de trabalho. Muitos foram solidários, alguns ficaram em silêncio, uma colega a desanimou. Então, uma amiga a ajudou a lidar com aqueles sentimentos.
Mesmo sem um marido, mesmo sem uma família, é preciso procurar escuta. Alguém com quem dividir a dor é essencial.
Michelle decidiu fazer uma reportagem para a revista sobre câncer de mama. Ela “sentiu-se melhor ao escrever tudo. Enquanto digitava no computador, lágrimas escorriam por seu rosto. Ainda assim, sentiu um tremendo alívio da tensão enquanto vertia os detalhes de suas experiências e pensamentos em palavras.”
Escrever nos faz bem. Revelar as inquietações é importante. Interagir é terapêutico.
Depois da cirurgia, Michelle vez ou outra se via diante dos pensamentos excessivos. Será que a doença voltaria? Então, pouco a pouco, ela foi reforçando estratégias e adotando outras. Fez outras reportagens, decidiu sair uma hora mais cedo do trabalho para ficar com o filho, resolveu praticar exercícios físicos com frequência, melhorou sua dieta saudável, “acrescentaria um vegetal extra em cada jantar para aumentar a ingestão de alimentos anticancerígenos”.
Ela também buscava informações de qualidade para responder a seus anseios e melhorar sua relação com os médicos (se por um lado, a informação pode melhorar nossa relação com os médicos; por outro, pode piorar a relação de alguns médicos com a paciente. Se acontecer, nada de culpa); anotava os temas do pensamento excessivo e voltava a eles em um momento mais calmo; além de escrever sobre o assunto e fazer palestras públicas sobre a conscientização do câncer.
Dizia a si mesma, quando perguntava qual era o propósito daquela doença: “Só Deus sabe por que estou passando por isso; quero apenas aprender a viver de modo positivo com isso; cresci muitíssimo como pessoa.” Além disso, quando os pensamentos tóxicos voltavam, ela admitia a si mesma: “Isso é natural. Tenho o direito de me sentir assim.” Mas adotava estratégias para não deixar que esses pensamentos a dominassem. “Ela tentava escutar os pensamentos, talvez escrevendo.”
“Algumas pessoas acusaram Michelle de soar como Pollyanna quando falava sobre o que tinha aprendido e o quanto havia crescido em sua luta contra o câncer. De início, isso abalou Michelle, mas depois, ela percebeu que o otimismo e o foco no aspecto positivo eram o que ela precisava fazer, e não podia deixar que os outros lhe roubassem isso.[...] O otimismo de Michelle não supunha que a cura iria cair do céu ou que tudo ia ficar bem – formas de negação que algumas pessoas utilizam para encarar doença e privação. Michelle sabia que estava em apuros e que o histórico familiar de câncer de mama e sua pouca idade não contribuíam para um prognóstico cor-de-rosa. Mas ela optou por permanecer esperançosa e conservar o espírito de luta. Também optou por assumir o controle de seu tratamento médico e de sua vida tanto quanto possível, em vez de sucumbir a sensações de desemparo [...].”  
Quanto mais escrevo, quanto mais falo, quanto mais interajo, quanto mais oro, quanto mais me exercito e cuido de minha alimentação, quanto mais leio e descubro realidades incríveis, quanto mais penso na endometriose, menor ela fica.

6 comentários:

  1. Parte I

    Olá, minha amiga! Que texto bem-vindo o seu. A sua indagação é extremamente pertinente, já que não são poucas as vezes que nos encontramos diante deste dilema: pensar ou não pensar muito naquilo que nos atormenta?

    De alguma forma, para encontrar o seu blog, fui movida pelo pensamento incessante na endometriose. Naquela época, realmente eu estava atormentada, perdida. Os caminhos que me eram propostos não eram os que eu gostaria de seguir, por isso tantas inquietações. Se logo de pronto eu houvesse encontrado alguém que me orientasse a seguir o caminho que hoje estou, certamente a endometriose não teria me perturbado tanto. Sim, naquele momento ela me perturbava muito, me envelhecia, me sugava as energias. O pensamento focado nela era quase destrutivo. E pensar muito em algo destrutivo não pode ser bom para ninguém. Não havia saídas, não havia solução, não havia esperança. Mas tão somente uma sentença seca. Pensar na endometriose era castrador. Tornava-me totalmente infértil.

    Mas, e agora? Por que pensar na endometriose me faz quase feliz? Por que ela deixou de ser um pensamento perturbador, mas não incessante? Por que pensar nela agora não me reduz, não mais me aprisiona? Porque o problema maior não estava com a endometriose, mas sim com a forma como eu ia enfrentá-la. O que atormentava os meus pensamentos incessantes em torno da endo era a falta de saída, era a falta de ter em que me agarrar, era a condição de me ver submetida a tratamentos indesejados, agressivos. Claro que saber que tenho a endometriose e que tenho que conviver com os sintomas não é o ideal, mas tampouco é a cruz que eu estava carregando. Tanto é assim, que uma vez encontrado um caminho, desejado por mim, para o controle dela, tudo passou a ser mais fácil. Pensar e não me atormentar. Hoje eu penso, talvez mais do que antes, na endo, mas não mais me atormento. Meus pensamentos se transformaram em ações curativas, frutíferas. O desespero de me livrar da endometriose transformou-se na liberdade de me cuidar. Tantos caminhos se abriram, tantas possibilidades se apresentaram. E eu penso neles o tempo todo. Quando eu, nas tardes ensolaradas, não aceito o sorvete artesanal delicioso de tapioca (mas, cheio de açúcar rs) ou quando eu evito esbarrar com uma empadinha ou com uma coxinha, meus xodós de outrora, é o meu pensamento curativo que me comanda. Eu não fico triste por ter que recusar esses “mimos”, eu fico motivada por saber que eu tenho um propósito cuja manutenção tem que ser feita todos os dias. Todos os dias eu trabalho em cima da tese que escolhi para defender. E para isso eu tenho que pensar. Um pensamento bom, que me aquece, que me conforta, que me recria, que ilumina os meus caminhos e que me dá paz. Seja o que for, estou tomada pela esperança e os meus pensamentos são semeados por ela.

    A história da Michelle é a história de quase todas as pessoas que se encontram, em um dado momento da vida, reféns da vontade do próprio corpo. Poxa, como nos sentimos perdidos diante de uma doença! Principalmente quando é um câncer. E é por isso que, em um momento como esse, nossos pensamentos são capazes de nos derrubar mais do que a própria doença, daí a tendência de acharmos que pensar muito no problema que temos pode nos destruir. Mas não é o problema que nos destrói nem o fato de pensarmos nesse problema. O que de fato nos põe a nocaute é forma com que vamos lidar com o problema. Se para o problema encontrarmos um caminho produtivo que nos tranquilize e nos encha de paz, é certo que pensar nele, ainda que o tempo todo, será uma bênção para nós. Com ou sem a cura, vamos poder caminhar melhor.
    A complicação toda é que é muito difícil caminharmos sempre para um pensamento seguro, produtivo. São tantas as armadilhas que nos cercam, vez por outra nos perdemos. Pensar passa a ser um suplício, passa a nos enfraquecer, a nos tornar vulneráveis e, por conseguinte, mais susceptíveis até mesmo à morte, ainda que não houvesse chegado a nossa hora.

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  2. Parte II

    A força dos nossos pensamentos é algo poderoso, divino. É a força motriz do nosso ser. Com ela, existimos. Sem ela, nada somos. Pensar muito no que precisamos naquele momento talvez não seja o problema. Mas, por certo, a forma com que pensamos fará grande diferença.

    As mulheres que pensam muito não são “punidas” com uma morte precoce por isso. Pelas minhas experiências, é o tom que damos aos nossos pensamentos o responsável por esse injusto desfecho.

    Minha querida amiga, obrigada por mais esse lindo presente! Pela oportunidade de refletir sobre algo tão importante. Depois que você clareou o meu caminho, tenho tido um bom desempenho em relação à forma de pensar a respeito da endometriose. Preciso, agora, levar essa lição para outros departamentos. Hoje iniciarei as minhas preciosas leituras. Valeu!

    Um beijo carinhoso!
    Michele.

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    1. Parte I

      Olá, querida amiga Michele:

      Seu texto clareia meus pensamentos, de modo que consigo entender melhor aquilo que pretendo mostrar, para mim e para quem lê, como essencial. Somos a força motriz, para o bem ou para o mal. Na maioria das vezes, se nos deixamos por nós mesmos, sem que ocorra uma decisão firme de mudança, somos a força que nos paralisa e nos prejudica de tantas formas. Não podemos ficar presos ao passado. É necessário tomar uma decisão. Agir para controlar os pensamentos auto-destrutivos, pois eles podem impedir que façamos as mudanças necessárias para nossa saúde.

      Gostei muito do livro porque ele desperta, de maneira objetiva e prática, a consciência para a importância de uma vida emocional saudável. Diferentemente de muitos outros enfoques, não coloca a ênfase no passado, na ruminação dos traumas, mas nos ajuda a assumir a própria responsabilidade pelo tempo de hoje, nos leva à ação. A terapia não consiste em falar sobre nós mesmos indefinidamente, desenterrando sem parar possíveis eventos traumáticos do passado. Nos primeiros capítulos, o livro apresenta tópicos interessantes para superar a tendência de ruminação, relacionada a momentos traumáticos da vida, como um abuso físico ou emocional, entre outras coisas. Em vez da dependência de remédios para alterar a química do cérebro ou de refúgios como o álcool, Nolen nos mostra uma caminho simples, mas que exige vontade decidida.

      Nolen sugere, por exemplo: 1. Adquirir consciência de que o pensamento excessivo nos faz muito mal; 2. Desenvolver novas atividades, como praticar exercícios físicos, se envolver em um projeto de ajuda ao próximo (o blog tem me ajudado muito. Agora, vou começar também um cursinho pré-vestibular para jovens carentes. Estou muito animada com o projeto. Compreendo, cada vez mais, que essa interação é essencial para a saúde), ler um livro (Desejo uma ótima leitura!); 3. Anotar o pensamento para voltar a ele depois, em um momento mais apropriado; 4. Quando o pensamento de algo ruim se tornar muito forte, saia da cama e leia alguma coisa, caso seja à noite; ou caminhe um pouco, se for no trabalho ou durante o dia; 5. Conte a um amigo que lide bem com estresse e conte seus sentimentos, busque ajuda; 6. Escreva. Mantenha um diário de seus pensamentos excessivos; 7. Entregue. “Peça ajuda a Deus a respeito de suas inquietações”. 8. Busque atividades prazerosas, como fazer uma massagem, tocar uma música, ver um filme divertido...

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    2. Parte II

      A autora diz que é necessário: 1. Ajustar o foco – Decidir ativamente controlar os pensamentos. Filtrar observações ou experiências inquietantes. Limitar o pensamento excessivo para um determinado momento do dia. Tomar firme decisão de assumir responsabilidade pelas decisões e ações.
      2. Sentir a dor e depois seguir em frente. Aceitar as emoções, mas tomar medidas para lidar com elas;
      3. Não se comparar com os outros. Estar feliz com a própria identidade, se valorizar;
      4. Para de esperar para ser salva. Ela diz: Esperar para ser salva da “infelicidade é garantia para prolongar a infelicidade. Basicamente, existem duas escolhas: aprender a gostar das circunstâncias atuais ou mudá-las. Se você está me uma situação opressiva – em particular, em um relacionamento abusivo – é crucial fazer uma mudança.” Pode ser necessário buscar ajuda. “Se você está em circunstâncias menos terríveis, é provável que haja várias opções. Aprender a gostar de nossa situação atual talvez seja a opção mais madura. Estamos tão acostumados a soluções rápidas que é fácil acreditar que uma mudança imediata na situação – um novo emprego, um novo amante, ficar grávida de novo – é sempre o rumo a seguir.[...] Talvez encontrar meios de ficar satisfeita com o que tem agora, ou fazer mudanças para melhorar as coisas me vez de grandes mudanças seja o caminho mais apropriado de crescimento pessoal”. Ver o que poderia mudar no próprio emprego; examinar o próprio comportamento na relação amorosa e buscar meios de torná-lo mais interessante; enriquecer a vida familiar, aproximar a família...
      5. Vá em frente – Não ficar relutante quanto a uma decisão. Tomar a decisão e ir em frente, sem pensar demais em todas as questões relacionadas (Finalmente, estou fazendo isso. Tomei minha decisão e coloquei meus planos em ação. Acho que é preferível errar do que ficar pensando em como evitar todos os erros);
      6. Reduzir as expectativas – Ter metas realistas. E se perguntar: “Quem deseja que eu faça isso”. Às vezes, podemos estar em busca de algo que a família internalizou, ou porque o meio social aprova... Refletir sobre os condicionamentos familiares e sociais.
      7. Perdoe e siga em frente – Perdoe os outros e, se necessário, a si mesma. Aprender mais sobre o que significa perdoar...

      Acho que estou tentando resumir o livro todo em tópicos, o que pode acabar simplificando demais ou deturpando as intenções da autora. Há capítulos sobre família, maternidade, carreira profissional, traumas do passado... Mas espero ter compartilhado um pouco das lições que eu mesma estou aprendendo.

      Michele, sua amizade é muito importante pra mim; sua visão de vida, um grande aprendizado.

      Abraços, minha querida amiga. Você transforma este blog.

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  3. Minha amiga

    O esquema de tópicos que você se utilizou para resumir o livro, destacando pontos relevantes, é um método que adoto muito em meus estudos. Possibilita-me olhar o conteúdo em seu todo, extraindo a seiva desses preciosos ensinamentos. Gostei muito. Esses ensinamentos têm tudo a ver com que eu preciso e necessito. Lembraram-me da lição de autores que já li, Gloria Steinem, Dalai Lama, Kushner, Jill Bolte Taylor, Leonardo Boff, entre tantos outros. De uma forma ou de outra, todos enfatizam a necessidade de nos conectarmos com o nosso interior (enfrentar quem somos, nossos medos, inseguranças, complexos e mudá-los se quisermos) para que assim haja uma libertação interna, capaz de nos tornar mais fortes e leves ao mesmo tempo. Leves, não porque ficamos banais, inertes, mas, sim, porque aprendemos com os trancos da vida e com as nossas reflexões em torno deles. E por isso, já não vamos valorizar mais situações e condições que, de certa forma, seriam capazes de nos paralisar ou nos minimizar.

    O livro da Nolen vem a corroborar essas lições acrescentando pontos muito importantes pertinentes às mulheres, além de trazer métodos bastante interessantes para conquistar o equilíbrio. Com certeza, será a minha próxima aquisição (viu? o seu método foi bastante eficaz, não simplificou o livro, muito menos deturpou as intenções da autora, pelo contrário, despertou em mim a vontade de lê-lo agora, ou melhor, daqui a pouco, afinal já estou envolvida com outra leitura rs).

    Esses pensamentos negativos incessantes, que são abordados pela Nolen e que tanto por vezes me assolam caso eu não tome as precauções defendidas pela autora, podem ter a ver com a endometriose, afinal, se esta pode ser causada por uma falha no nosso sistema imunológico, é bem provável que em um corpo cuja mente esteja enfraquecida e cansada, a endometriose encontre ambiente favorável para se sentir em casa. Inclusive isso já foi abordado por você em textos anteriores.

    Não é fácil, minha amiga, apesar de já ter lido muito sobre o tema, de vez em quando “escorrego na banana” e passo a ser a protagonista do livro mencionado (aliás, o nome já é igual rs). Por isso, escutar esse livro será para mim a reafirmação do que preciso fazer. Tal qual quando estudo português, direito, economia, sempre há uma lacuna a ser preenchida, um ponto a ser revisto e repensado, um caminho a ser descoberto.

    De qualquer forma, as suas colocações bastam. Por si sós já trazem a essência do que devemos fazer. A leitura do livro só virá me remeter ao prazer de folhear às suas páginas e de ter o contato direto com a escrita da autora em mais detalhes.

    Amiga, adorei saber da sua iniciativa de entrar neste projeto do pré-vestibular para o grupo de adolescentes. Vi que você afastou obstáculos que a impediam de seguir em frente nesse projeto e que, agora, você se encontra na expectativa dos acontecimentos. Uma coisa é certa, a felicidade e o envolvimento positivo que a iniciativa lhe trouxe já operaram milagres em você. Que Deus ilumine esses alunos e que eles aproveitem cada minuto desta importante experiência. Bom trabalho, minha amiga!

    Fique com Deus! E obrigada por me proporcionar leituras tão fascinantes!
    Com carinho,

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    1. Michele:

      O livro apresenta tópicos, mas selecionei alguns, fiz uma releitura de outros. A leitura é fácil, pois a intenção da escritora era popularizar seus conceitos. Achei bem interessante. Por vezes, nosso olhar inimiza, combate, aquilo que é diferente ou simples ou popular ou religioso. Mas há lições essenciais em lugares improváveis.

      Como você muito bem expressou a mente cansada e enfraquecida pode abrir espaço para que a doença se aloje. Além disso, para fazer todas as mudanças o nosso modo de pensar é determinante. Eu também tenho tendência de pensar demais naquilo que não deveria. Creio que a autora, por entender tão bem essa questão, provavelmente sentiu na pele esse drama. Para mudar é preciso ter vontade decidida, decisão acirrada. Reconhecer a necessidade de mudanças, querer mudar e mudar. Uma missão para a vida toda, uma decisão para o dia de hoje. Uma transformação que requer um poder maior do que o nosso, que nos eleve o olhar.

      Começo o cursinho no próximo domingo. Estou bem animada, até uma menina e um senhor pediram para se inscrever. Ao responder, na ficha de inscrição, por que deseja fazer o cursinho, uma moça de 22 anos que mora numa casinha perdida em uma estrada de terra, respondeu: “quero ter um bom desenvolvimento nas provas” e “[quero] me familiarizar com as pessoas”. Quando li, lembrei-me dela, sempre tão quieta e isolada. Senti uma comoção.

      Michele, como é bom ouvi-la. Obrigada, amiga, pelas boas palavras.

      Feliz semana!

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