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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Quantas vezes ao dia devo comer? Isso é realmente importante?


9 de setembro de 2013


É comum ouvirmos de profissionais de saúde que temos que nos alimentar de três em três horas, o que daria mais ou menos umas seis refeições por dia.

Neste blog, conto a minha experiência de superação da endometriose que inclui uma mudança de estilo de vida. Não apenas o que comemos, mas a forma e a frequência com que nos alimentamos são importantes para recuperação ou preservação da saúde. Sendo assim, quantas vezes ao dia devo comer?

Com as mudanças que fiz, a endometriose profunda diminuiu de maneira significativa, conforme os exames médicos comprovam. Não tenho dores e agora engravidei naturalmente. A endometriose profunda se tornou endometriose sob controle, sem remédios hormonais ou cirurgias.

Entre os novos hábitos que adquiri estão aqueles relacionados à frequência das refeições. Contrariando a recomendação médica, eu faço três refeições diárias, sem comer nada nos intervalos, apenas bebo água pura. O intervalo entre as refeições dura de 5 horas a 6 horas.

Tomo o café da manhã por voltas das 7h. É a refeição mais reforçada. Por volta do meio-dia, eu almoço. E entre 17h e 18h, eu faço a última refeição, geralmente um lanche mais leve. Esse lanche, que substitui a janta, mesmo que seja um pouco mais tarde, eu tomo duas horas antes de dormir. Esses hábitos realmente têm importância na luta contra a endometriose?

Minha resposta pessoal é sim, a frequência das refeições é muito importante. Comer mais, de manhã, e bem menos no final do dia também é essencial. Mas quais são as evidências de que esse hábito, tão contrário à orientação médica predominante e ao nosso próprio desejo de nos alimentar com mais frequência, está correto?


1. Primeiro, foi dessa forma que eu superei a endometriose. As mudanças que fiz incluíram a frequência das refeições: três refeições diárias, comendo bem, de manhã, e muito pouco no final do dia, tomando apenas água pura (e não sucos de frutas naturais ou industrializados) nos intervalos das refeições (30 minutos antes das refeições e duas horas depois).


2. Outro fator que me fez tomar essa decisão foi a leitura dos livros sobre saúde de Ellen G. White, uma escritora norte-americana. Ela teve de enfrentar a doença em sua própria experiência pessoal. Ela fez essas mudanças e ficou curada. Orientou outras pessoas que também tiveram a saúde restabelecida. Ellen White escreveu que devemos nos alimentar preferencialmente duas vezes ao dia, com intervalos de 5 horas a 6 horas. Se as atividades diárias exigiram mais, é adequado fazer uma terceira refeição, porém leve. No entanto, ela escreveu essas orientações no século 19 e no início do século 20. Além disso, não era médica. Qual é a validade dessas informações? Alguns médicos de outros países e mesmo no Brasil seguem essa orientação, mas são poucos. Eu simplesmente acredito que ela está certa, pois comprovei em meu próprio organismo os benefícios dessa mudança. Mas há alguma evidência científica sobre as afirmações que ela faz?


3. A ciência apresenta evidências a favor de poucas refeições. Não precisei da ciência para tomar essa decisão, mas acho fundamental que estejamos atentos aos seus resultados. Em 2012, pesquisadores da Clinical and Experimental Medicine de Praga, República Checa, concluíram que duas refeições são preferíveis a seis refeições. Eles realizaram a pesquisa com portadores de diabetes tipo 2. Não foi alterado o conteúdo calórico e de micronutrientes, mas apenas a frequência das refeições. As pessoas pesquisadas comeram a mesma quantidade de alimento, mas em duas refeições em vez de seis. O estudo foi comparativo. Outro grupo se alimentou seis vezes ao dia. Quem fez as duas refeições diárias teve maior redução do peso corporal, da glicemia em jejum e de C-peptídio no plasma, em comparação ao outro grupo. Os pesquisadores concluíram: “Os nossos dados sugerem que pode ser mais benéfico para pacientes com diabetes tipo 2 distribuir uma dieta em menos refeições maiores do que em pequenas refeições durante o dia.” (Veja aqui) O Washington Post destaca a importância do estudo pioneiro. Em entrevista ao jornal Hana Kahleova, uma das pesquisadoras afirmou: “Nossos resultados apoiam o antigo provérbio: ‘Tome café da manhã como um rei, almoce como um príncipe e jante como um mendigo.’” (Veja aqui).


4. Há outra evidência científica, relacionada com o funcionamento das células, para que adotemos duas ou três refeições. Diariamente, as células recebem nutrientes e partículas para o seu funcionamento. Como resultado de seu trabalho contínuo, produzem subprodutos, resíduos ou lixos. Nosso organismo é produtor de resíduos diversos que se acumulados dentro das células causam problemas que podem desencadear doenças. Para eliminar esses resíduos, as células fazem a autofagia, a atividade de se auto-comer. Um processo de destruição e reciclagem de componentes tóxicos e de estruturas da própria célula. A autofagia é muito importante, pois nos “protege contra várias doenças como câncer, doenças neurodegenerativas, infecções, doenças inflamatórias e resistência à insulina”, afirma Mayana Zatz, que aponta os exercícios físicos e o hábito de comer menos como aliados importantes da autofagia nas células (Veja aqui). A autofagia também nos protege contra a endometriose, de maneira direta e indireta, pois elimina toxinas nas células e combate a resistência à insulina, uma condição presente em mulheres com a afecção (Veja também: The Role ofAutophagy in Human Endometrium).  Pesquisadores do The Scripps Research Institute, Molecular and Integrative Neurosciences de São Diego, Califórnia, estavam procurando uma forma de aumentar a autofagia nas células dos neurônios como uma condição essencial para se ter saúde. Embora houvesse um entendimento científico contrário, eles descobriram que o jejum de curto prazo aumenta a autofagia em neurônios. “Nossos dados nos levam a especular que o jejum esporádico pode representar uma forma simples, segura e barata de promover essa resposta neuronal potencialmente terapêutica”, afirmam os pesquisadores (Veja aqui).  De acordo com Mayana Zatz, as células-tronco, por exemplo, “gostam de passar fome”. A restrição alimentar pode estender a vida. Com base em evidências científicas, Zatz afirma: “Depois de ler mais esse trabalho decidi que ao invés de jantar, só vou comer uma frutinha. Pelo menos hoje.” (Veja aqui). Há inúmeras pesquisas que fazem essa constatação. 

Tendo em vista a importância desses resultados científicos, concluo que os intervalos maiores sem comer – um jejum entre as refeições – é fundamental para promover a autofagia diária, combatendo doenças graves como o câncer e a endometriose. Não encontrei uma pesquisa que relacione a frequência das refeições com a autofagia, mas a associação me parece direta. Se nos alimentamos de três em três horas nossos órgãos digestivos não têm descanso, prejudicando esse processo de limpeza interna. Vive melhor quem vive mais leve, se nutre adequadamente e come menos, dando descanso aos órgãos e às células para que possam se renovar e combater as toxinas. Nutrição adequada, redução calórica e frequência das refeições são aspectos centrais.

Uma decisão de saúde pode ser tomada em função apenas de uma pesquisa científica cuja amostragem é pequena? Ou em função de hipóteses ou especulações? Outras pesquisas científicas, cuja validade se deve analisar, sugerem resultados opostos. Portanto, essa questão não tem consenso científico nem médico. Na prática, nossos desejos por comida apenas facilitam a prescrição médica de comer com frequência. Mas nossos desejos não são um argumento consistente para estabelecer hábitos saudáveis. Não somos deuses, nem os desejos devem ser endeusados. O melhor indicador é a saúde. Se não estamos bem, precisamos refletir sobre os hábitos, analisar cuidadosamente a força dos argumentos, estudar e entender a fisiologia do corpo, avaliar as evidências, mesmo que a amostragem seja de um corpo só, o seu corpo.

Quantas vezes ao dia eu me alimento é uma questão central para o tratamento da endometriose, não um ponto periférico das mudanças necessárias. Para que as três refeições sejam satisfatórias tendo em vista as necessidades calóricas e nutricionais do organismo e seu biorritmo, é essencial começar o dia com um café da manhã fortificado, almoçar bem na hora certa e comer bem pouco no final do dia, sem o acompanhamento de líquidos (sucos, água ou refrigerantes). O intervalo entre as refeições deve ser de 5 horas a 6 horas. Entre as refeições, o ideal é tomar água pura, em temperatura ambiente, 30 minutos antes das refeições e duas horas depois para não atrapalhar o processo de digestão. Tenho feito dessa forma há cinco anos.

Nem sempre me sinto feliz em não comer entre as refeições, mas ao persistir com esse hábito minha saúde tem sido renovada diariamente, sem a necessidade de um tratamento caro, complexo e com efeitos colaterais indesejados. 
Como dizem os pesquisadores, estabelecer hábitos corretos é uma forma simples, segura e barata de promover a saúde. 

12 comentários:

  1. Olá, minha amiga!

    Seu método é muito corajoso e revolucionário. Obrigada por compartilhar esse seu precioso conhecimento. Com algumas adaptações de principiante, venho implementando esse novo estilo em minha vida.

    Um beijo agradecido!
    Michele.

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    1. Olá, Michele! Obrigada por escrever. O conhecimento surge também da experiência e da interação. Suas reflexões e palavras de carinho são muito importantes para mim. Admiro muito você, minha amiga! Um grande abraço de nós dois.

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  2. Ola, é um grande alivio descobrir esse blog, tenho endometriose profunda, dois focos relativamente grandes, um no inicio da vagina e outro no intestino.. não foi facil ouvir do médico que eu terei que me submeter a cirurgia com alto risco, tirar um pedaço do intestino, e ainda tem o risco de fistula e de nunca mais poder urinar sem sonda.. tenho apenas 32 anos.. mas venho mudando de atitude mental desde que descobri a doença, há dois anos.. lendo tudo isso, vejo q já iniciei a jornada de cura, mas ainda tenho muito pela frente, estou fazendo yoga há alguns meses, e meu corpo vem pedindo mudanças na alimentacao.. vou reavaliar várias coisas, incluindo o uso de mirena, que coloquei ha tres anos.. tomei pilula muitos anos e quando parei quase MORRI de dor.. dai coloque o mirena logo em seguida.. mas vou repensar.. tomei a decisao de não me operar, já inicie tratamento homeopático, fé não me falta, vou lutar.. agradeco pela iniciativa do blog.. muito obrigada

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  3. PARTE 1

    Com 31 anos, eu ouvi algo semelhante dos médicos. Como você diz, o caminho da cura é uma jornada. Hoje, tenho 36 anos, e estou grávida naturalmente. Em 2011, pela primeira vez, os exames mostraram que os focos diminuíram significativamente. O corpo fala, ele pede mudanças, nossos órgãos dependem de nós, são alimentados pela nossa mente, pelos alimentos que escolhemos, pelo nosso movimento.

    Ontem, assisti à entrevista de um médico nutrólogo que dizia não ser a favor de radicalismos na alimentação. O que é ser radical? Face à endometriose profunda, à realidade de uma cirurgia de grande porte que pode deixar sequelas, à dor incapacitante, o que é ser radical? A doença é o pior dos radicalismos. Mudar o estilo de vida, aderindo com seriedade, estudo e compromisso cada um de seus aspectos é uma experiência libertadora, prazerosa, que requer disciplina e a consciência de que não temos opção. Ou mudamos de verdade, sem exceções, sem demora, ou a doença nos muda por dentro (nos colocando e nos imobilizando) e por fora, coibindo nossos passos, desintegrando nosso lugar do mundo.

    Mas toda essa nova composição de vida não aprisiona, liberta. Quem está diante da endometriose profunda precisa buscar, com todas as forças e com uma força maior que a nossa, a liberdade ampla: movimentar-se sem demora, mudar a alimentação sem demora, pegar sol, tomar muita água, respirar profundamente, deixar substâncias agressivas, buscar informação, entregar-se para vencer, assumir também a responsabilidade. O tempo urge. A endometriose é progressiva e progride rápido. Por ser crônica, a mudança é para sempre. Um contínuo muito bem-vindo, uma novidade de vida, uma delícia de descobertas.

    Fiz as mudanças e as fiz com acompanhamento de exames médicos. Se por um acaso eu estivesse correndo algum risco de vida (por exemplo, obstrução do intestino, rompimento de um endometrioma etc) ou essa mudança de estilo de vida não estivesse surtindo resultado, eu aceitaria a cirurgia. Converse com seu médico para saber quais riscos você corre se não fizer a cirurgia. Procure mais de uma avaliação médica. No meu caso, a primeira cirurgia, embora tenha sido desnecessariamente extensa (poderiam ter preservado parte do ovário, mas ele foi inteiramente retirado), foi necessária, pois o endometrioma estava com 15 cm, prestes a se romper. Se isso acontecesse, eu poderia ter morrido. No entanto, não houve nenhuma "limpeza de focos" da endometriose. Nunca cheguei a ser submetida a uma laparoscopia.

    A mudança de estilo de vida não é um escape da cirurgia, não pode ser vista dessa forma. Ela precisa ser avaliada com exames médicos, com consultas. A endometriose é uma doença séria que requer muita atenção. Precisamos ter consciência de nosso estado, buscar o diagnóstico, fazer acompanhamento com exames médicos.

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  4. PARTE 2

    Perguntei a vários médicos se havia risco de obstrução do intestino, no meu caso. Eles disseram que não. Um grande especialista me disse que havia um risco aumentado para a cancerização do foco de endometriose no intestino. Uma informação alarmante! Mas isso só me fez ter a convicção de que o caminho era mudar meu estilo de vida, comprometendo-me o máximo que eu pudesse. Pois a cirurgia apenas retira os focos, mas não impede que eles reapareçam.

    A mudança de estilo de vida não é um escape da cirurgia, não pode ser vista dessa forma. Ela precisa ser avaliada com exames médicos, com consultas. A endometriose é uma doença séria que requer muita atenção. Precisamos ter consciência de nosso estado, buscar o diagnóstico, fazer acompanhamento com exames médicos.

    Diante da avaliação médica e das informações que obtive, não fiz a cirurgia para retirar o segmento do intestino ou "limpar" os focos. Com a mudança do estilo de vida, todos os focos tiveram redução de tamanho.

    Mudei meu estilo de vida sempre colocando o tratamento à prova. A melhor prova vem por meio dos exames, embora a diminuição ou superação da dor, por exemplo, sejam evidências de que a saúde está melhorando. Além de fazer os exames, precisamos aderir a esse novo estilo de vida. Talvez, alguém que esteja bem de saúde pode se dar ao luxo de abrir muitas exceções e assumir o ato subversivo de tomar uma lata inteira de leite moça com chocolate em pó. Fiz isso muitas vezes, antes de adoecer. A verdadeira subversão é a liberdade. Diante de uma doença séria, precisamos tomar medidas sérias. O melhor seria que essa seriedade estivesse presente antes da doença para que a saúde fosse festejada sempre. Mas se a saúde já foi comprometida, pela pretensa liberdade que nossos hábitos equivocados nos trouxeram, ainda há tempo.

    Não fiz yoga, nem acupuntura nem utilizei remédios homeopáticos. Mas valorizo a respiração correto (diafragmática), pois a oxigenação do corpo é um remédio muito importante, tão importante quanto a alimentação. Valorizo os exercícios físicos, a fitoterapia e uma visão integral ou holística sobre o organismo. Por isso, busco a visão cristã-judaica para ter forças nesse caminho que exige entrega e persistência.

    Tenho endometriose profunda, mas ela está sob controle. Considero-me curada não porque fiquei grávida naturalmente (a gravidez não é sinônimo de cura para a endometriose, mas no meu caso foi evidência da renovação que um organismo muito abatido pode experimentar). Mas essa cura dura o tempo que meu compromisso com essa nova vida continuar. Podemos vencer a endometriose sim. O organismo tem uma incrível habilidade de se refazer. Nossos órgãos respondem à atenção que damos a ele, ao carinho que nos olhamos, vendo cada parte de nós mesmos como um todo dependente de nós.

    Não desanime, siga em frente. Se falhar, persista. Faça sempre o acompanhamento com exames médicos. Apesar da realidade da doença, essa é uma boa luta. Mais do que a superação da doença, encontramos um mundo muito melhor durante essa jornada de grandes descobertas e de experiências prazerosas. Nunca pensei que diria isso, mas minha vida está muito melhor do que antes. Fico feliz minha amiga, porque “não lhe falta fé”. Que lindas palavras!

    Um grande abraço,

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  5. Querida amiga,

    Que resposta motivadora a sua! Estava mesmo precisando renovar os meus votos. Apesar de estar firme e forte nessa nova vida, a minha falta de criatividade reina absoluta. Bitolei-me em um cardápio, e sei que isso também não é o correto. Por isso, estou em busca de opções dentro do que é permitido. Aceito sugestões, meninas!

    Tenho descoberto muitas coisas com os efeitos da alimentação em meu corpo. Coisas que eu nem imaginava. Por exemplo, eu não sabia que a alface, em quantidades significativas, me daria TPM e aumentaria os coágulos na menstruação. Assim como desconhecia os mesmos efeitos provocados pela Aveia em flocos. Incrível. Uma simples alface, uma aveia inocente! Agora, estou de olho no efeito de outros alimentos.


    Ultimamente, para dar uma ajuda ao organismo, tenho me valido muito da fitoterapia. Infelizmente ainda não encontrei meios de introduzir a babosa. Por isso, optei pelas cápsulas de unha de gato, vitex, e o chá uxi amarelo. Na falta de ter algo mais certeiro para introduzir, eles foram o que me restaram. E, como preciso de muita concentração nos meus estudos, optei pelas cápsulas de Ginkgo Biloba da Herbarium. Andei pesquisando sobre o Ginkgo e li informações que me intrigaram. Uma aponta para o possível efeito estrogênico que ele pode ter (fiquei preocupada, mas realmente estou precisando de reforço para melhorar o meu desempenho intelectual). A outra informação, diz respeito a pesquisas que apontam ser o Ginkgo o responsável pela prevenção de câncer de ovário. Parecem conflitantes, não? Não é o estrogênio que alimenta o câncer de ovário? Ó vida! Ó céus! Como diz o outro, a rapadura é doce, mas não é mole.

    Bem, amiga, mês que vem vou fazer alguns exames. Não sei se terei respostas. Mas, vamos lá!

    Obrigada por tudo viu!
    Um beijo carinhoso,
    Michele.

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    1. Parte 1

      Olá, amiga querida!

      Esse é um caminho de descobertas, de crescente conhecimento, da percepção do organismo. E também de erros e acertos. Fazer exames médicos é importante para acompanhar os resultados.
      Quanto à alimentação, acho importante ter um mapa geral, ainda que cada organismo seja único. Minha experiência me deu esse mapa. Esse mapa também surgiu a partir de leituras, da experiência de outras pessoas. Pretendo publicar um texto mais objetivo com meu cardápio, por exemplo.

      Quando estava me sentindo muito fraca, usei suplementos. Mas naquele período, os focos de endometriose cresceram. Não uso mais suplementos. Muitos deles, mesmo que o rótulo não informe, contêm soja. Além disso, pode ocorrer uma interação vitamínica não benéfica ao organismo. Há muitas razões pelas quais não os utilizo. Por isso, minha busca é por nutrientes na alimentação, principalmente. Mas minha mãe, por exemplo, utiliza vitamina B12. No caso dela, é essencial.

      Uma dica é o uso de levedo de cerveja. Tomo levedo de cerveja em pó com água, mas pode ser tomado em comprimido. Ele “afina” o sangue e nos dá vitaminas do complexo B (ótimas para os estudos).

      A fitoterapia é um recurso importante, mas eu não tenho utilizo fitoterápicos industrializados. Minha experiência com o uxi-amarelo e unha de gato, em chá, não foi muito positiva. Comecei a me sentir muito mal, e parei de usar. Mas podem ser positivos, apesar de essa não ter sido minha experiência com os chás, ao menos com o uso de longo prazo que fiz (ou talvez pela forma que os tenha utilizado). Há um médico que os utiliza com sucesso no tratamento da endo. Conversei com outro médico, de Manaus, que foi entrevistado pela Globo. Ele usa os chás com muito sucesso para a diminuição dos miomas, mas não obteve resultados com a endometriose.

      Precisamos nos observar e considerar essas experiências clínicas. Além disso, é importante acompanhar com exames médicos. Fitoterápicos, dependendo da forma como usamos e do tempo de uso, podem atacar os rins (será que eles têm exercido algum efeito nesse sentido?) e o fígado, por exemplo. Costumo fazer exames para ver como estou nesse aspecto. Nenhum fitoterápico é completamente inofensivo. São remédios também, mas podem apresentar vantagens infinitamente maiores do que os alopáticos. Em muitos casos, não há comparação possível. Fitoterápicos podem ser incomparavelmente melhores.

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    2. Parte 2

      Praticamente não como alface, pois não gosto muito. Obrigada pela informação! Você tem razão em estar atenta. Acho que cada alimento merece um tópico de pesquisas, um olhar de ciência, um olhar como o seu. Vou comentar superficialmente sobre a aveia, pois não tenho conhecimento suficiente sobre esse alimento, tenho apenas uma experiência pessoal. A aveia também contém glúten. Excesso de glúten não nos faz bem. Não parei de usar aveia, assim como não parei de usar pão. Mas há períodos em que diminuo o uso. Isso se dá por conta de uma regra que estabeleci – variação dos alimentos consumidos.

      Esse é um princípio fundamental: variar o consumo de alimentos. Não na mesma refeição, pois elas podem ser bastante simples. Talvez, as refeições devam ser bastante simples. Ao menos, tem funcionado comigo. No almoço, por exemplo, como arroz integral, lentilha e duas ou três variedades de legumes. Tudo temperado com muito alho e cebola, preparados na hora, sem óleo ou fritura. Um almoço muito simples, mas nutritivo. No dia seguinte, faço a variação dos legumes ou da leguminosa (embora, uma das mais nutritivas seja mesmo a lentilha). A variação se dá de uma refeição para outra, de um dia para o outro. Na medida do possível, sigo esse princípio. Assim, alimentos saudáveis, mas que em excesso podem ser contraindicados, são reequilibrados nesse cardápio multivariável. Mas eu não usaria essa mesma lógica para o açúcar, por exemplo.

      Para enfrentar a doença, o corpo precisa de diferentes vitaminas, de nutrição. A nutrição não vem, necessariamente, de um regime dito vegetariano, embora eu não use carne. A nutrição vem também da variação de alimentos. Outra dica é buscar frutas, legumes e verduras de espécies diferentes. Experimentar. A agroecologia, por exemplo, tem uma proposta fantástica. Famílias envolvidas com essa proposta mantém um pedaço pequeno de terra com dezenas de espécies diferentes, cultivadas de maneira orgânica. Às vezes, um canteiro no quintal pode nos dar uma experiência interessante com essa variedade de alimentos naturais. Isso é nutrição, é saúde. É lógico que essa opção não existe para a maioria das pessoas. A boa notícia é que mesmo buscando essa variação nutricional em produtos vendidos no hortifrúti do supermercado, apesar de não orgânicos, traz muitos benefícios também. Por enquanto, o hortifrúti do supermercado é minha principal fonte de nutrição. E tem surtido resultado. Mas tenho consciência de que preciso avançar muito nesse aspecto.

      Por conta de todos esses desafios e dúvidas, a mudança de estilo de vida não se resume, nem deve se resumir, à alimentação. A prática diária de exercícios físicos elimina tóxicos e regula o equilíbrio do corpo. Suar a camisa é um dos mais importantes remédios. Também nos dá mais fôlego para seguir a vida com alegria. Respirar adequadamente e buscar ar puro são outras fontes importantíssimas de saúde, assim como a água, o sol... A fé nos dá calma, confiança para seguir em frente... São multifatores.

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    3. Parte 3

      Essa jornada de mudanças nos coloca diante do desafio de pesquisar, desconfiar de nossas certezas e, ao mesmo tempo, saborear as descobertas, como você tem feito. Salomão diz que quem aumenta ciência, aumenta tristeza; e que na muita sabedoria, há muito enfado. "Oh, céus!" rs. Ele que era conhecido pelo seu talento de pesquisa; nesse dia, acho que estava desolado com alguma informação. Talvez estivesse falando desse labirinto que é o conhecimento humano, das contradições e disparidades da ciência, de seu valor finito, apesar de central para a vida. Desolado ou não, seguiu com sua busca por conhecimento. A reflexão, ainda que desnorteadora por vezes, não o fez abandonar a reflexão. Ele seguia em frente, sobretudo, devido à ciência das ciências, sua única certeza.

      Perceber o organismo é essencial. Além de perceber o corpo, é preciso mantê-lo mapeado. Os exames médicos são essenciais nesse sentido.

      Boa sorte com os exames, minha amiga. Obrigada por compartilhar sua experiência, sua pesquisa aplicada, sua coragem. Essa troca é essencial para nos apoiarmos nesse caminho, unirmos nosso conhecimento e percepções. A interação é fonte de cura.

      Com muito carinho!

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  6. Sim, minha amiga, a interação é fonte de cura. Eu bem sei disso. Se eu cheguei até aqui, foi porque você interagiu, guiou-me os passos, iluminou-me as ideias, plantou-me a esperança e a coragem. Sua infinita busca pelo autoconhecimento, pela tradução da linguagem do corpo trouxe ganhos para todas nós. Há tanto o que aprender nas entrelinhas.

    Obrigada mais uma vez pelas dicas, por ter analisado com tanto respeito as minhas colocações, por repisar conceitos imprescindíveis de forma tão carinhosa e cuidadosa. Sabe, minha amiga, você é uma médica e tanto, do corpo, da alma. Genuinamente, uma médica. Por honoris causa.

    Gostei muito do que você falou sobre a aveia, foi um alerta para mim. Mas, confesso, fiquei boba de você não gostar muito de alface. Eu gosto tanto rs. Como com limão, azeite, azeitonas, tomate, tahine. Eu afogo a alface no limão rs e depois a coloco dentro da tapioca. Vou à loucura!rs Na verdade, eu gosto de comer de tudo. A única coisa realmente mais difícil para mim é o ovo. Eu só consigo comer ovo cozido com purê de batatas, mas como reduzi muito o consumo de batata, comer só o ovo cozido com a comida (feijão, arroz integral, legumes) é um pouco complicado. Há vezes que nem consigo olhar com carinho para o ovinho. Mas, eu como mesmo assim. Opto pelos caipiras e, quando dá, pelos orgânicos, que torço para que sejam orgânicos mesmo.

    Bem, minha amiga, assim que eu tiver algo mais concreto sobre como vai a minha saúde, aparecerei por aqui. Por agora, sigo com as mudanças.

    Tenha uma boa noite e dê o meu beijinho no bebezinho.
    Fique com Deus!
    Michele.

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  7. Primeiramente parabéns pelo seu bebê, que Deus continue lhe abençoando ricamente!
    Acompanho seu blog já tem um certo tempo, e por causa das suas colocações sobre como poderia melhorar da endometriose mudando alguns hábitos, parti para a mudança.
    Mas pra ser bem sincera estou totalmente perdida e muitas vezes desanimada em continuar essa mudança. Já li muita coisa (artigos, teses, trabalhos) bem como já fui em diversos médicos, no fim hoje estou com o Mirena, tomo Allurene e tento mudar minha alimentação. Fazer exercícios todos os dias já consegui, porém está tudo muito confuso....até porque os médicos na grande maioria não concordam com a questão da alimentação como sendo uma ajuda no processo. Bem realmente isso não me incomoda, pois acho que a melhora pode sim vir através da alimentação e mudança de hábitos, só não sei como.
    Até fiz uma listagem de alimentos negativos e positivos, mas tenho muitas dúvidas. Sei que a busca deve ser constante, mas se pudesse nos dar umas dicas práticas, seria bem legal.

    Abçs Derlane

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    1. Olá, Derlane:

      Agradeço todo seu carinho! O caminho da mudança é gradativo. Exige uma decisão firme, convicção, disciplina, mas ao mesmo tempo exige paciência com nossos erros e acertos. Não encontrei em um único livro ou em uma única consulta tudo que poderia fazer. Fui aprendendo com um médico, com uma leitura, com as experiências e avaliando os resultados com exames médicos. Fico feliz em saber de sua grande força de vontade. Fazer exercícios físicos todos os dias, como um hábito, exige uma mudança enorme em nossa vida. Mas também lhe dará muitos ganhos, pois o exercício aeróbico (eu escolhi a caminhada, duas vezes ao dia, 40 minutos em média, com intensidade) ajuda a revitalizar o corpo, diminuir a glicemia, combater o estrógeno, eliminar toxinas... É fundamental. Tento colocar no blog todo meu tratamento ou meu novo estilo de vida. Pretendo publicar um texto mais objetivo, com um roteiro prático, conforme você sugeriu. Envie-me seu e-mail. Não vou publicá-lo. Posso lhe mandar esse texto que fiz. Obrigada por escrever!

      Um grande abraço!

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