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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A gravidez de Carol

9 de janeiro de 2014

Hoje, em um momento tão delicado de minha vida, recebi a mensagem sublime de Carol. O João está para nascer, mas à espera dele fui contemplada com o milagre da vida. Deixarei que suas palavras, tão belas e inspiradas, transformadoras e fortes, alcancem a quem precisam alcançar, levem esperança e certeza a quem procura pelo caminho não só de superação da endometriose, mas de renovação do próprio sentido da existência. Obrigada, Carol, por compartilhar, por voltar aqui, neste momento. Suas palavras são como incenso, ouro e mirra enviados do alto para suavizar a alma e preparar o corpo para o nascimento de um bebê muito desejado. Envie seu e-mail. Não vou publicá-lo. Gostaria de conversar com você.  


Olá! Apesar de não saber seu nome, te considero uma amiga e até confidente. Essa sensação de intimidade que se deu assim, unilateralmente, veio depois que descobri o seu blog, há cerca de 4 meses. Neste dia tão feliz, eu havia determinado para mim mesma que acharia uma outra saída. Havia saído do consultório de um médico muito bem conceituado dias antes com a palavra “cirurgia” pulsando na minha mente. Me senti deprimida e sem esperanças. Vamos por partes. Anos atrás, totalmente “por acaso”, descobri que tinha endometriose. 

Sempre tive os sintomas de fortes dores menstruais, desde sempre, mas nunca passei por um médico competente o bastante para sugerir essa doença. Assim, segui meu destino de dor, acreditando que era simplesmente uma merecedora deste infortúnio. Quando eu estava com cerca de 28 anos, me consultei com uma médica holística muito especial que me pediu, dentre muitos outros, um exame do marcador CA-125, por conta de histórico de câncer na família. No meio de tantos exames, eu não fazia ideia do que significava esse marcador até o resultado sair alterado, eu ir até o google e me desesperar achando que tinha câncer de ovário. Liguei para a médica em pânico, e ela ma acalmou: “pode ser um mioma, uma endometriose... Procure um ginecologista.” Ufa! Não sendo câncer, tudo está bem! Foi o que pensei. 

Mas o que seria endometriose? Fui numa ginecologista do meu convênio médico. Pela primeira vez na vida, alguém me pediu um ultrassom transvaginal. Eu tinha 28 anos, e mesmo indo anualmente ao ginecologista, nunca algum me fez esse pedido. Inacreditável. Fiz o exame, que deu alguma alteração não muito precisa. A médica: devem ser alguns endometriomas (oi?), tome esta pílula anticoncepcional. Não explicou mais nada, e eu saí de lá e não tomei pílula nenhuma. 

De fato, não conhecia a gravidade do meu problema, não fui devidamente alertada e não segui a recomendação médica por achar que o atendimento havia sido superficial demais. Não sou a favor de tomar remédios e hormônios sem necessidade. Sou semi-vegetariana há mais de 10 anos (como peixe eventualmente, e só). Cozinho meu próprio alimento e dou preferência para os orgânicos. Quase não como fora de casa. Construí minha rotina de forma que eu pudesse trabalhar como autônoma, e assim ter tempo para cozinhar para mim e para meu marido. Tenho consciência do que como, evito industrializados, frituras, alimentos sem vida. Minha dieta não é perfeita, mas faço o possível. Nem sempre foi assim. 

Já trabalhei em empresas e tinha um estilo de vida frenético que me fez parar e refletir. Mudei tudo, e isso aconteceu lá pelos 28 anos também, um pouco antes dessa questão da endometriose surgir. Além da minha dieta, busco me auto-conhecer. Frequento grupos de estudos de aprimoramento pessoal, e também tenho a minha fé e religião, muitíssimo presentes em minha vida. Ou seja, a endometriose foi se instalando apesar dos meus esforços e de acreditar que o que eu fazia me tornava invulnerável. Acho que talvez por isso, decidi ignorar a médica. Me recusava a aceitar. 

Segui a minha vida com as minhas dores menstruais, até que eu decidi engravidar, cerca de 1 ano atrás. Num momento bastante estável da minha vida e de meu relacionamento, ambos concordamos que era um bom momento e nos animamos com a ideia. Porém, mês após mês, a decepção. A menstruação chegava e com ela um profundo desânimo. Após 8 meses de tentativas sem êxito, caí na real: precisava me informar melhor. Logo descobri a gigantesca quantidade de informação que se acha na internet sobre endometriose, todas muito desanimadoras. Os fóruns de mulheres que se apoiam estão na verdade cheios de tristeza e impotência. Tudo o que encontrei foi “infertilidade”, “indutores de ovulação”, “FIV”, “cirurgias”. 

Não era possível! Não há nada que possamos fazer? Somos assim tão impotentes perante nosso corpo? Deprimida, procurei um médico especialista. Seu currículo era um brilho só, professor da faculdade de medicina da USP e tudo o mais.

Claro que não era barato, mas eu queria respostas. Ele me examinou, pediu exames complementares. O veredito: cirurgia. Sem a cirurgia, provavelmente não engravidaria. Com a cirurgia, investimentozinho de 20 mil reais, no mês seguinte ele me daria uma "forcinha" (leia-se “indutores de ovulação”) e eu certamente engravidaria. Uau! Que médico poderoso, não? Apesar de ele ter dito tudo isso animado, eu só me sentia desprezível. Meu corpo era imperfeito, e precisava ser corrigido por um super-herói médico.

Foi neste ponto em que eu decidi agir de verdade, achar uma outra solução. Haveria de existir, dentre todas aquelas mulheres resignadas e infelizes que encontrei nos fóruns, alguma que teria um caso de sucesso. E então eu encontrei o seu blog, que veio iluminar as minhas esperanças. Em cerca de 1 semana, li todos os seus posts. Adotei quase tudo que você sugeriu.

Eliminei açúcar por completo, laticínios e cafeína. Passei a me exercitar com mais freqüência. Fiz reajustes nos meus períodos de descanso. Inseri muito alho, cebola, limão e levedo de cerveja na minha alimentação. 

Orei mais. Passei a pedir que Deus guiasse meu caminho nesse assunto. Fiz terapia, confrontei meus medos. Me abri com amigas, chorei. Procurei terapias alternativas, uma delas foi a terapia neural, que considero ter feito uma diferença positiva significativa no meu caso. Confiei que encontraria uma saída não cirúrgica, mas em paralelo fui me preparando emocionalmente para passar por ela, caso fosse necessário. Se assim fosse, ela seria feita nesse mês, Janeiro de 2014.

Mas no final de Outubro, um milagre aconteceu, e na metade de Novembro me descobri grávida naturalmente. Sem “forcinha”, sem hormônios artificiais, sem cirurgia. 

A minha alegria precisa ser compartilhada. Quero que outras mulheres que tem endometriose conheçam o meu caso e acreditem, mas além de acreditar, que ajam! Que mudem seus hábitos! Que revejam seus comportamentos anti-saúde! 

O nosso corpo nos pertence, está em nossas mãos cuidar bem dele. As doenças são sim criações nossas, não de Deus, não de fora de nós. Sim, devemos assumir a responsabilidade pela nossa cura, pois isso nos liberta! 

Querida amiga dona deste blog, gostaria de agradecer-lhe profundamente por seu trabalho de compartilhar a sua experiência e toda a sua pesquisa. O que você fez por mim, certamente faz para outras mulheres. Que Deus te abençoe muito e à sua família. Seus relatos trouxeram muita luz para minha vida. Eles fizeram o que nenhum médico conseguiu fazer. 

Finalizando, a endometriose continua aqui. Tenho um endometrioma de 6cm no ovário esquerdo. Minha luta continua. Hoje, consigo até agradecer a endometriose, pois ela me trouxe muita consciência. De onde eu estava, de como me cuidava, do quanto não honrava ou valorizava meu ser mulher. Hoje me dou mais valor e carinho. Sou mais grata ao que tenho. Tenho mais fé do que nunca. Fiquem com Deus, todas as mulheres que enfrentam a endometriose. Estamos juntas!

OBS: de forma alguma sou contra a medicina. Seus remédios e cirurgias aliviam agonias e salvam vidas todos os dias. Mas não acredito no sistema médico atual, em que a cura está inteiramente nas mãos do “doutor”. Deixamos de ser protagonistas de nossas vidas e confiamos nossa saúde a estranhos. Nos tratamos com drogas que geram outras doenças. Por isso, hoje procuro ouvir mais o meu corpo e buscar soluções mais naturais.




7 comentários:

  1. Olá, Carol

    Seu relato é muito tocante. Ele me faz pensar que há pessoas que vivem à espera de um milagre e por não vê-lo duvidam. Outros veem que a vida e suas muitas possibilidades é um maravilhoso milagre. Assim, crendo na dádiva já recebida encontram o caminho, a verdadeira cura. Acredito que quem se aventurar pela vida com essa mesma atitude e disposição para agir também terá conquistas tão lindas como a sua. Parabéns pelo bebê e fique com Deus!

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  2. Obrigada pelo depoimento. Ele me deu esperanças.
    Tenho lido muito artigo a respeito, mas sempre depoimentos tristes e desesperançosos, tenho muito fé que tudo dará certo. Infelizmente, terei que fazer a cirurgia, devido a obstrução das trompas e a infiltração que tenho no canal do reto e que está indo em direção ao intestino. Segunda, a médica nada grave e que não é preciso pressa para operar, pois nunca tive sintomas da doença. Nem sei o que é cólica. Espero que em, breve eu possa vir a se mãe, tem algo dentro de mim, que me diz estar muito perto... Oro todos os dias para que este dia chegue bem rápido.
    Obrigada!

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    1. Olá, Keké:

      Obrigada por escrever! Desejo muito sucesso em seu tratamento. Que ao lado de Deus, você prossiga com fé e esperança na realização de seus sonhos. Um grande abraço. Carinho,

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  3. Fico feliz em ver depoimentos como este! tantas e tantas pesquisas e nada! apenas conformismo e remédios que nos fazem mau...
    Obrigada por toda ajuda tenho endometriose e encontrei aqui um caminho bem possível a todos nós.
    Paz e Bem.

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  4. Carol, emocionante seu depoimento!
    Amanhã completa 1 semana da minha cirurgia...talvez fosse inevitável pois tinha nódulos no intestino e bexiga!
    Pesquisando hoje, encontrei esse maravilhoso blog que, tenho certeza, ajudará muito no processo de conscientização da minha alimentação! Tenho fé que vai dar certo!
    Obrigada e que Deus nos abençoe!

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  5. Olá querida escritora! Há tempos acompanho seu blog e estou tentando mudar minha vida para melhor inspirada em você. Li recentemente na internet que batata-doce não seria recomendável para quem tem endometriose. Segue o link: http://www.api.adm.br/smf4/index.php?topic=898.0;wap2

    Você sabe algo a respeito? Amo batata doce e, com tantas limitações e adaptações, não queria abrir mão dela.

    Obrigada

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    1. Obrigada pelo carinho! Também gosto muito de batata doce, de batatas... Mas, de fato, em minha nova dieta, eu reduzi bastante o consumo de batatas. Às vezes, faço uso de uma bata orgânica (pois batata tem muito agrotóxico). ou quando não há muitas opções em restaurantes, como um pouco. Mas é bem raro.

      Faça um teste. Diminua um pouco e tente avaliar como está se sentindo. Se com as demais mudanças, os resultados em sua saúde forem positivos, talvez vc possa manter a batata doce em sua dieta. Por isso, é importante sempre acompanhar com exames médicos para avaliar a eficácia das mudanças, a necessidade de novas mudanças...

      No link que vc cita, há recomendação para não comer trigo integral. Eu diminuí o consumo de trigo, mas se tenho que usar é, principalmente, o trigo integral. Muito melhor para saúde. Além disso, em relação às frutas cítricas, eu utilizo todos os dias o limão, entre outras.

      Busque principalmente incluir novos sabores saudáveis, novas receitas, novas fontes alimentares que sejam prazerosas. Buscar o novo que transforma é sempre uma opção melhor. Só assim será possível manter esse novo estilo de vida, conciliando necessidade, prazer e saúde. Apesar de ser um tratamento, que exige sim restrições de alimentos gostosos e prejudiciais, é também um caminho de delícias, de sabores saudáveis. Assim, o que deveria ser um tratamento se transforma em um hábito, em um caminho de descobertas e novos prazeres.

      Carinho,

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