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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Após o nascimento de João


25 de dezembro de 2014

Após superar a endometriose grau IV por meio de uma mudança de estilo de vida (Veja aqui), engravidar naturalmente, ter o João (O nascimento de João) e conseguir amamentá-lo (O renascimento de João), refiz todos meus exames no dia 19 de dezembro de 2014.

Os exames de sangue estão normais. O FAN (fator antinuclear), indicador de doença autoimune, que havia baixado para índices normais (até 30), mas ainda era positivo, negativou totalmente. Algo incomum, mas que pode acontecer. Nenhum sinal de doença autoimune. E pensar que eu tinha ido a um médico obstetra da cidade onde eu residia que insistiu em “me tratar” da doença autoimune (por causa do FAN), com remédios fortíssimos, para evitar um aborto... Talvez se eu tivesse feito o que ele impôs teria justamente acontecido o que ele falou... Procuramos outro médico imediatamente.

Voltei a menstruar no quinto mês após o parto, por isso estava preocupada com o retorno da endometriose. Embora continue com uma alimentação absolutamente natural, não estou conseguindo fazer exercícios físicos. Mas os exames constataram que o foco de endometriose no intestino continua do mesmo tamanho. O foco no ovário esquerdo, de acordo com o médico, desapareceu. Ele disse que viu um cisto hemorrágico normal que o próprio organismo deve assimilar nos próximos meses, sem qualquer necessidade de tratamento. Perguntei a ele se poderia ser um endometrioma hemorrágico. Ele disse que talvez sim. E que se fosse, seu tamanho era pequeno. Pessoalmente, acredito que se trata do endometrioma que eu já tinha, mas como disse ao médico que esse endometrioma diminuiu de 6 cm para menos de 3 cm, ele concluiu que deveria se tratar de um cisto... Quem consegue acreditar que um endometrioma pode diminuir significativamente de tamanho com a mudança de estilo de vida? De qualquer forma, havia sido ele mesmo que anos atrás me diagnosticara com um endometrioma. Diagnóstico confirmado por ele e outros dois médicos de sua equipe, em mais três ou quatro exames que fiz. Este último exame de ultrassom com preparo intestinal fiz com esse excelente médico, um especialista precursor deste tipo de exame voltado à investigação da endometriose. O melhor médico dessa especialidade que já conheci. Queríamos ter a certeza de que estava tudo bem.

Em resumo: os focos de endometriose permanecem do mesmo tamanho que antes da gravidez. Os quase sete centímetros de endometriose que diminuíram não voltaram. Continuo sem qualquer sintoma, sem nenhuma dor.

Eu estava muito preocupada, pois minha barriga continua grande, após a gravidez. Ele disse que, com a gravidez, a musculatura do abdômen se rompeu, projetando a barriga para frente... Nada grave. A questão é, sobretudo, estética. Conversar com um ou outro que, em vez de olhar para meus olhos, olha para minha barriga, é um detalhe menor...

Tive também, durante a amamentação, carência de vitamina B12 e vitamina D. Durante a amamentação, a demanda por nutrientes aumenta muito, mais do que na gestação. Eu não estava preparada para enfrentar esses desafios nutricionais. Precisava alimentar o bebê, precisava me alimentar, precisava de alimentos nutritivos em todas as refeições, mas não saía da poltrona da amamentação... Por causa dessas carências nutricionais, tive dores nos ossos (devido ao início de uma osteopenia), dores no músculo (por causa da carência de B12) e distonia cervical (provavelmente por causa da carência dessas duas vitaminas). Senti dificuldades para andar. Compramos vitaminas importadas sem açúcar ou conservantes (Vitamina D - Baby Ddrops® 400 IU 90 drops; Vitamina B12 Pure Advantage B-12 Methylcobalamin Spray).

Agora estou bem, sem qualquer dor ou outro sintoma. Quantos idosos têm carência dessas vitaminas e não são adequadamente diagnosticados ou tratados... Quantas pessoas têm a mesma carência nutricional e pensam que estão com doenças graves... Sofrem dores – são por vezes rotuladas de “fibromiálgicas”, “depressivas”, “estressadas”, “teimosas”, “mentirosas” – enquanto poderiam ter uma vida sem dor, caso fossem corretamente diagnosticadas e tratadas. Precisamos buscar o conhecimento, precisamos nos amar mais para colocar o conhecimento em prática, precisamos acreditar na dor do outro, independentemente da sua idade ou cor de pele ou condição, e acreditar que a dor é curável sem a necessidade de um espiral de remédios que se sobrepõe para combater os efeitos colaterais uns dos outros, desencadeando uma comunicação química caótica, com danos imprevisíveis nas células de um organismo supermedicado, mas subdiagnosticado e maltratado. Assim não há como existir cura.

Devido à distonia cervical, a neurologista sugeriu que eu fizesse ressonância e usasse remédios, além de toxina botulínica... Ao usar as vitaminas, tudo voltou absolutamente ao normal sem a necessidade de qualquer droga. Eu procuro evitar suplementos vitamínicos, mas há ocasiões que são absolutamente necessários. Por exemplo, não usei suplementos de ferro durante a gravidez nem depois, visto que estão associados ao câncer e diabetes (mas fiz uso de ora-pro-nobis, entre outros alimentos); não usei cálcio (mas fiz uso de moringa oleífera, entre outros nutrientes). No caso da vitamina D, eu precisaria ter tomado sol, mas não consegui. Então, usei a vitamina sintética. No caso da B12, por um tempo controlei com o uso de ovos preparados de maneira especial, mas durante a amamentação foi preciso fazer a reposição. Contudo, utilizei a metilcobalamina para vegans, o que não se demonstrou agressiva à minha saúde como a cianocobalamina vendida no Brasil.

Também tive um calázio fechado na pálpebra e outro aberto, com inflamação. Fui a uma oftalmologista que recomendou uma rápida cirurgia. Disse que em alguns casos o calázio diminui espontaneamente. Eu já estava parecendo um pouco com Nestor Cerveró... Mas decidi não fazer a cirurgia por causa dos remédios (antibiótico ou corticoide), e da anestesia local. Minha prioridade é amamentar, evitando o quanto for possível o uso de medicamentos. Consultei uma nutricionista vegetariana que amamentou seus dois filhos. Durante a amamentação ela também teve calázios. Explicou que o consumo de vitamina A, pelo organismo, é alto nesse período. Ela disse que seria importante que eu aumentasse a ingestão de vitamina A por meio da alimentação. Fiz isso. O calázio inflamatório sumiu. O calázio fechado está bem pequeno, quase imperceptível. Por que alguns calázios regridem naturalmente e outros não? Talvez a resposta esteja simplesmente na vitamina. Por que um médico não tenta primeiro resolver a questão por meio de tratamentos ou mudanças de estilo de vida antes de propor cirurgias invasivas ainda que rápidas e pequenas?

Esses dois anos me ensinaram muito mais em termos de saúde, doença e nutrição do que qualquer fase de minha vida. Eu senti na pele. Também vi e senti a pele curada após mudanças simples na minha alimentação. Ciência da comida, ciência da vida.

O ano de 2014 foi o mais feliz e também o mais difícil de nossa vida. Enfrentamos inúmeras dificuldades. Tivemos que percorrer o caminho estreito, sinuoso, contraindicado; tivemos que abrir o caminho, por vezes. Quando se decide fazer o que é certo, surgem oposições de todo tipo. Somente em Deus, fomos capazes de resisti-las. Mas, no final da história, o presente que recebemos é incomparável, como um bebê completamente saudável, inteligente e querido, amamentado no peito; ou um corpo livre de endometriose sem o uso de qualquer remédio ou cirurgia, após estar à beira do colapso.

Sim, é possível. Você pode vencer a endometriose, pode ter um filho, pode fazer o melhor por ele, dando-lhe uma alimentação saudável, apesar de toda oposição e dos desafios intransponíveis. Eu não sei se você conseguirá fazer isso sem Deus. Eu apenas sei que sem Ele, sem a Sua lei e Sua palavra (na Bíblia e também em livros inspirados, como os da autora Ellen White), eu não teria conseguido. Isso é diferente de religião apenas.

O caminho certo é caminho de solidão. Transformamo-nos em raiz de terra seca, sem beleza, sem atrativos, desprezados e rejeitados até pelos mais bem intencionados. Tornamo-nos experimentados no sofrimento, mas o sol volta a brilhar. Cristo toma sobre si nossa enfermidade, leva nossas doenças e cura nossas feridas, ainda que nesta Terra tenhamos que enfrentar as perdas irreparáveis, tanto físicas quanto emocionais. Só quem derramou Sua vida até a morte pode nos dar a vida plena, cujo significado ultrapassa conquistas na saúde ou qualquer outro tipo de sucesso. Nesta vida, os desfechos são inesperados. O sentido da existência está apenas em Cristo, no bebê-Deus, descendente de Davi, no homem-Deus experimentado em dores, Deus ressurreto.

Jesus Cristo. Jesus Cristo. Jesus Cristo.
A Ele meu louvor.


PS.: Peço desculpas por não ter respondido a muitos e-mails e comentários. Vou tentar fazê-lo aos poucos. Este ano foi um período de dedicação integral ao João. Acho que por muito tempo será assim. Escolhi ser mãe em tempo integral até que esse bebê tenha condições de voar sozinho, como os pequenos pássaros que nasceram nas pilastras de nossa casa (Veja aqui o texto Passaridade), cujos pais os aqueceram, os nutriram, os envolveram. Então, eles voaram.





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