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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Bianca


21 de agosto de 2013

Olá, me chamo Bianca. Achei maravilhoso o que escreveu, mas sou uma mulher cercada de pessoas e sozinha, entregue a meus problemas. Sou casada há 4 anos, tenho pais vivos e doentes, mãe com alzheimer e pai com problemas da idade. Irmãos com suas vidas sem tempo. Mas com Deus sempre comigo, minha companhia. Me sinto em um melodrama, mudança radical na minha vida. Sei que preciso disso, tenho endometriose profunda, ainda investigando. Diversos problemas, pessoas, que talvez o dinheiro ajudaria a resolver boa parte deles. A começar por uma terapia, academia, terminar meus estudos, meu marido com doenças sérias da obesidade, emagrecer e diversos outros problemas. Quero e preciso pensar em mim e ver seu texto me ajudou a ver uma luz no fim do túnel. São 04:04 da manhã e eu lendo sobre o assunto, desabafando, pensando no amanhã, por onde começar. Amanhã vou conversar com um cirurgião, já conversei com Ginecologista. Para mim, o maior desafio é a alimentação. Hoje tenho queda de cabelo, picos de sistema nervoso, e não posso perder meu emprego, preciso manter estes problemas em off, pois meu esposo é desempregado por causa da doença dele, e já tem uma idade de 47 anos, fora do mercado. Queria acabar minha faculdade para abrir uma papelaria, mas não consigo, financeiramente principalmente. Várias situações envolvem minha vida que me preocupam e a endometriose é mais uma... desabafos de uma simples mortal.

Olá, querida Bianca:

Ontem, antes de dormir, decidi dedicar o dia de hoje para responder os comentários enviados por e-mail e pelo blog. Hoje, encontrei sua mensagem que toca o coração porque reflete desafios que muitas de nós enfrentamos, muitos desafios que enfrentei e com os quais também me deparo ainda. Com suas palavras corajosas, eu olhei para mim, para minha história.

Meus pais se casaram e se mudaram para uma cidade do interior paulista. Meu pai era empresário e tínhamos uma vida tranquila financeiramente. No final de minha adolescência, a situação mudou. Meu pai descobriu que estava sendo roubado pelo sócio, seu próprio irmão. Teve muitos problemas financeiros desencadeados também por essa grande decepção. Acabamos praticamente sem nada. Todos os caminhos pareciam fechados. Apesar de ter muitos parentes e amigos, eles desapareceram bem rápido. Ficamos sós. Mas uma porta se abriu para mim. Prestei vestibular, passei em uma faculdade pública em outro estado. Por razões financeiras e também pessoais, desisti da faculdade. Voltei pra casa e comecei a trabalhar.

A situação em casa era desesperadora. Meu pai chegou a sumir, sem dar notícias. Em um daqueles dias de espera, eu desci para o andar térreo de minha casa, e levei um livro devocional. Entre lágrimas, abri em uma história, era sobre um menino e sua mãe, Hagar e seu filho (Gênesis 21:8-21). O menino estava desesperado, sozinho com a mãe no deserto, sob o sol causticante, não havia água nem comida. Um anjo apareceu e disse que Deus cuidaria deles. Eu entendi que mesmo imersa naquele drama familiar, eu precisava subir as escadas e voltar. Estar com minha mãe e irmãs, ser forte, pois Deus estaria ao nosso lado. Meu pai retornou para casa depois que encontrou um homem na rodoviária que havia abandonado a família por desespero, sem deixar notícias. No ímpeto de ajudar o homem com conselhos, meu pai compreendeu seu próprio estado. Ele havia deixado o carro na Marginal Tietê e pegado um ônibus para uma cidade litorânea no Rio de Janeiro. Fez o caminho de volta e encontrou o carro no mesmo local, embaixo de um viaduto, depois de uma semana. Voltou para casa e nunca mais nos deixou.

Hoje, meu pai vende pães, bolos e salgados integrais que minha mãe faz, de porta em porta. São mais de dez anos de muitas lutas, mas ele se tornou um homem incrível, o homem que admiro. Ele sempre foi um bom pai. É a terceira geração de uma família religiosa e me educou na igreja. Quando começou a perder tudo, eu lhe disse confiante as palavras que ele mesmo havia me ensinado: “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros, e vosso Pai celestial as alimenta; não valeis vós muito mais do que elas?” Eu acreditava inteiramente nessas palavras. Meu pai ficou nervoso e respondeu que aquilo não se aplicava à vida. Mal podia acreditar no que estava ouvindo. Mas meu pai, em meio a tantos sofrimentos, foi se transformando. Algumas das pessoas com quem conviveu perderam o dinheiro e se entregaram à bebida e aos vícios. Outro homem, dono de um supermercado, recentemente, se suicidou, deixando dois filhos pequenos e a esposa. Estava sendo pressionado por agiotas e credores. Não aguentou a pressão. Meu pai, que chegou ao extremo de sua resistência emocional, continua percorrendo aquelas cidades turísticas, que um dia ajudou a enriquecer, com um sorriso no rosto, carregando seus pães na bicicleta vermelha, levando comida saudável, falando sobre saúde e contando a quem deseja ouvir sobre Quem lhe dá forças. Gosta do que faz.

Eu amo meu pai. Ele é um homem persistente, indignado com as injustiças, um grande admirador da natureza, um atleta com muito senso de humor, um homem de fé que atravessou o mar vermelho, um homem sem mágoas, um vendedor de pães sagrados. O homem mais rico do mundo. Volta e meia, meu pai pega uma carona com algum empresário conhecido do seu tempo e ouve os dramas de quem mantém o dinheiro, mas não tem paz. Um deles está com a doença conhecida como fogo selvagem (pênfigo), um filho internado por causa das drogas, e a família desfeita, em meio a traições e adultério. O dinheiro é necessário, mas não resolve as dores deste mundo.

Nesses anos todos, eu lutei para conquistar estabilidade financeira com o objetivo de “salvar” minha família. Quando voltei da faculdade, aprendi a manejar uma overlock barulhenta. Passava o dia costurando roupas para uma empresa, somava os centavos.

 Em um sábado, no final do culto, em uma igreja, um casal de idosos perguntou o que eu fazia. Contei a eles e, sem me conhecer, eles prometeram me ajudar a estudar. Por intermédio deles, ganhei uma bolsa de estudos em outra faculdade. Trabalhei como empregada doméstica, sem registro, para pagar a moradia e a comida na casa em que trabalhava. Nas férias, vendia livros de porta em porta. Depois de terminar a faculdade, me casei. No início do casamento, minha mãe adoeceu gravemente (Conto um pouco desse momento no texto Vitamina B12). Mas agora ela está bem.

Ingressei no mestrado e recebi uma bolsa de estudos. Com o dinheiro, ajudava meus pais. Não me formei no mestrado, pois fui indicada para o doutorado direto (minha dissertação foi transformada em uma tese de doutorado, com a concessão de uma nova bolsa de pesquisas). Tudo parecia incrível, depois de tantas lutas. Mas após iniciar o doutorado, a bolsa não chegou. Descobrimos que 80 alunos de toda a pós-graduação daquela universidade tinham perdido a bolsa devido a um entrave judicial da instituição com o governo. Se eu não recebesse a bolsa, teria que pagar os custos da pesquisa. Se tivesse que pagar, teria que abandonar o curso, pois não possuía qualquer condição de arcar com os valores cobrados. Como não tinha o diploma de mestrado, ficaria, depois de três anos de pesquisa, sem qualquer certificado. Orei e decidi assumir a vaga de representante discente. Reuni os demais representantes e, no final de cada reunião, nós cinco fazíamos uma oração. Foi assim até nas reuniões com a reitoria. Sempre fazíamos uma prece. Mas a situação parecia ficar cada vez pior. Muitos pesquisadores ridicularizavam o fato de aquela situação ser gerenciada também com orações. Oramos, fizemos requisições, acompanhamos a demanda judicial com intervenções, agíamos sem trégua junto à reitoria. Depois de dez meses e de um revés judicial, houve uma decisão judicial em Brasília que determinou o pagamento das bolsas, com valores retroativos.

Em meio àqueles momentos de tensão, um dos pesquisadores que dependia financeiramente do dinheiro para cuidar da família, me perguntou, após uma prece: “você acha que Deus escuta mesmo? Ele existe?” Anos mais tarde, esse mesmo pesquisador, me contatou por e-mail. Estava com câncer e precisava conversar. Hoje, ele superou o linfoma, após várias recaídas e dá aulas em uma faculdade pública na área de exatas. Há pouco espaço para Deus onde ele atua, mas ele sabe, como eu sei, como meu pai sabe, e muitas outras pessoas experimentaram: Deus existe sim e nos conhece pessoalmente. Se Deus existe, então por que há tanto sofrimento? Por que, muitas vezes, aquilo que desejamos não acontece? A Bíblia tem a resposta para essas questões. Eu acredito nessas respostas, eu as busco, e desejo vivenciá-las face aos desafios, mas sei que nem sempre estou pronta para compreendê-las diante dos desfechos adversos.

Há tanto para falar, tantos caminhos absolutamente fechados que encontrei, tantas orações que fiz, e a visível atuação de Cristo em situações diversas. Após essas lutas, descobri a endometriose profunda depois de um falso diagnóstico de câncer e uma cirurgia de urgência. Tive dores insuportáveis, emagrecimento, queda de cabelo... sintomas pelos quais muitas de nós passamos. Às vezes, a doença é consequência de uma vida de lutas e problemas que nos fazem esquecer de que precisamos olhar para o corpo, cuidar de nós mesmas.

À época do diagnóstico, já estava morando nesta cidade em que resido agora, uma cidade sem quaisquer condições profissionais para mim. Comecei a trabalhar em uma empresa religiosa onde recebia um pouco mais de mil reais para dar conta do meu trabalho e de parte do trabalho de quem me chefiava, em um ambiente bastante hostil. Eu precisava muito do dinheiro, embora fosse pouco. Mas meu marido me incentivou a pedir demissão. Eu já não tinha condições físicas e emocionais de continuar. Um mês após a demissão, fui aceita para fazer uma pesquisa de pós-doutorado com financiamento – um contrato de trabalho temporário, mas que surgiu em boa hora, na hora exata.

Aos poucos, a endometriose foi sendo superada, como conto neste blog. Entendi que precisava cuidar de mim, me alimentar bem, fazer exercícios, mudar meu estilo de vida na medida do possível, para poder cuidar de quem amo. Precisava confiar que Deus está cuidando deles. Em minhas orações, expresso meus sentimentos, eu peço, eu agradeço. Sei que por meio da mudança de estilo de vida é possível sim vencer a endometriose, crendo ou não em Deus. Mas também sei que foi Ele quem me mostrou o caminho e me deu forças necessárias para prosseguir até aqui. Creio que Cristo me fez, me salvou e está no controle da história de cada um, caso permitam, e da história deste mundo. Há uma ciência da salvação. “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4:12).

Sobre meus pais, eu acreditava que o dinheiro resolveria muito de nossos desafios, mas aos poucos ainda estou aprendendo o que a Escritura diz sobre a ansiosa solicitude pela vida: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o Seu reino e a Sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33). Meus pais são as pessoas mais felizes e queridas que conheço, mesmo depois dessa crise financeira que repercute em muitos aspectos. A fé não garante nenhuma riqueza, mas transforma totalmente a realidade. Hoje, meus pais são mais felizes do que antes. Sim, preocupo-me com a velhice deles. Estamos nos planejando para fazer o melhor. Quero estar preparada, quero dar a eles tudo que precisarem e, às vezes, ainda me angustio muito com o futuro. A confiança em Deus não anula de maneira alguma a necessidade de ações efetivas, pelo contrário. O verso diz “buscai a justiça de Deus”. A prática da justiça é a prática do bem, não uma vida de devoção mágica. É nEle que temos encontrado forças para ultrapassar desafios intransponíveis. Deus abre a visão, mostra as saídas, nos salva do desespero, mesmo quando o desfecho não é aquele que esperávamos. Ele nos ajuda a transformar o desejo de justiça em justiça efetiva, transforma a religião em uma ação real, interligada, movida pelo Amor que nos faz amar o outro enquanto amamos a nós mesmos.

Eu tinha alguns medos relacionados à gravidez, mas nunca fui tão feliz em minha vida. Contudo, continuo acreditando que nem a gravidez nem o dinheiro nem mesmo a superação das dores da endometriose, e muito menos títulos acadêmicos, são a garantia para uma vida sem dor. Não é o dinheiro que resolve. Não é um bebê que resolve. Não é uma profissão ou a adoção de uma criança – a expressão máxima do amor – que nos salva deste mundo. Neste mundo, teremos muitas aflições, aflições inúmeras, mas tende bom ânimo, diz Cristo. Há algo mais.

Ainda não venci o mundo, mas creio nAquele que venceu. Eu o reconheço em meus caminhos e quando olho pra trás percebo claramente que Ele me tirou, como diz Davi, de um “tremedal de lama”, do qual eu jamais sairia sozinha. Ele me tirou das madrugadas frias e me fez forte, ainda que a dor da doença estivesse presente e o dinheiro ainda faltasse. O grande desafio é olhar para o presente e para o futuro, e continuar confiando. Quantas vezes eu acordei de madrugada em meio às preocupações, e provavelmente terei muitas madrugadas insones pela frente... Mas não posso me esquecer dessas palavras que me têm conduzido: “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nEle, e Ele tudo fará” (Salmo 37:5).

Querida Bianca, você confia nEle e graças a Deus seus pais e sua família tem você na vida deles. Eu me reconheço em você – uma pessoa responsável pelos seus pais, esposa, a mulher que tem que batalhar muito na vida para conseguir o sustento de todos. Sei que há muitos outros desafios.

Hoje de manhã, depois que li sua mensagem, fui ler a Bíblia, como de costume. Li Daniel 10, um livro muito lido e estudado por Isaac Newton, o pai da ciência, embora muitas historiografias da ciência deixem de mencionar que Newton pesquisou mais sobre o livro hebraico de Daniel e suas implicações para o futuro da humanidade do que sobre Física (Isaac Newton é autor do livro “As profecias de Daniel e o Apocalipse”). Nesse capítulo, Daniel faz uma oração, uma súplica. Ele se apresenta a Deus, repetindo a expressão: “coro de vergonha.” Eu coro de vergonha diante das falhas que há em mim. Sou como você disse, uma simples mortal, que se desesperou e ainda se desespera muitas vezes, que falha, que teme, mas que insiste em orar – a Comunicação, minha ligação com a palavra, com o verbo. Em resposta à oração de Daniel, um anjo é enviado e responde inicialmente: “és muito amado.”

Bianca, você é muito amada por Deus. Ele lhe dará forças e lhe mostrará os meios para vencer os desafios, ainda que se mostrem intransponíveis. Ele lhe dará forças para realizar seus sonhos, ter novos sonhos, forças e meios para cuidar de seus queridos.


Com carinho,

3 comentários:

  1. Querida amiga,

    Uma pessoa com tanta determinação e valentia para lidar com a endometriose tinha mesmo que ter um histórico de vida tão surpreendente. É inegável que a sua fortaleza foi construída, tijolo a tijolo, ao longo de todo esse tempo. Os contratempos que permearam a sua vida sedimentaram a sua coragem, cimentaram a sua opção pela felicidade - silenciosa, branda, mas intensa e profunda.


    Só quem vive uma vida pode contá-la. Isso é certo. O enredo, os personagens, o cenário, o tempo. Tudo se liga para que uma história possa ser vivida e possa ser contada. As histórias de vida são interessantes porque nelas, muitas vezes, nos identificamos ou, apenas, nos espelhamos. Seja o motivo que for, o universo é feito de histórias, pessoais ou universais, que mantêm o movimento rumo à evolução do ser.


    Não é de hoje que vivemos dramas pessoais, conflitos existenciais, que sobrecarregam as nossas emoções, que desequilibram o equilíbrio, que nos colocam à prova todos os dias. É difícil renovar votos de felicidade diante de tantas armadilhas. Mas, você os renovou e continua os renovando. E hoje, vem aqui, mais uma vez, confortar almas cuja chama da vida só precisa de uma chance para ser acesa.


    A chance, que para algumas de nós parece ter se perdido em algum momento da vida ou que para outras de nós ainda não surgiu, é um enigma e uma solução ao mesmo tempo. Mas, você desvendou o enigma e encontrou a solução. Buscou dentro de si, em meio a achados e perdidos, um plano de vida. Não estéril e estático, mas fecundo e dinâmico. Fez da fé o seu alimento, nutriu sua alma, pois sabe que só uma alma nutrida é capaz de enfrentar as adversidades que nos acertam implacavelmente.


    Por mais caminhos que tenhamos, sem fé não seremos capazes de enxergá-los, não seremos capazes de nos acalmarmos para que o que tiver que aparecer apareça. Dificilmente, temos uma resposta automática para os nossos impasses. A resposta, geralmente, vem aos poucos, à medida que damos brecha para que ela chegue até nós. É como se estivéssemos atravessando uma floresta imensa e muito cerrada e, de repente, abrindo pequenas passagens, pudéssemos percorrê-la por completo, até o seu final. Com certeza, o que nos motivou a continuar a abrir pequenas brechas foi a fé de seguir em frente, com determinação e coragem. Com a fé, chegaremos a algum lugar. Sem a fé, não vamos a lugar nenhum.


    Minha amiga, querida e amada, seu relato é um tesouro valioso. É um brinde à vida. É a celebração da esperança. É a ratificação do que um coração com fé é capaz. Espelhemo-nos, mais uma vez, nos seus ensinamentos, que curam, que salvam, que confortam. Todas nós.


    Um beijo grande!

    Com carinho,
    Michele.

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    1. Querida Michele, amiga do coração:

      A alma nutrida, a nutrição da alma, são conceitos-vida que você nos oferece com sua escrita e seu olhar precisos e sensíveis, minha amiga escritora, da qual recebo palavras, palavras à mão cheia, que fazem a gente pensar, como diz Castro Alves. Verdadeiros livros que caem n'alma – um todo indivisível, um holo, sem dualismos.

      A alma é o fôlego de vida somado ao corpo, um todo integrado inserido no mundo, diz a Escritura. Criado em sua unicidade para uma vivência repleta de aprendizados, oportunidades, desafios, dores, felicidades... Destinada à salvação, se nos fizermos adotados pelo amor, se nos entregarmos à adoção. Uma existência com sentido. História inserida no tempo, uma vida de um tempo único, mas com inúmeras oportunidades de se refazer, de se recriar, de nascer de novo, de vencer a desafiadora floresta do Jordão (há um verso muito interessante dos hebreus ao qual lembrei quando você se referiu à travessia da "floresta imensa e muito cerrada") até que tudo esteja decidido. Um percurso acariciado por amizades ímpares. Não estamos sós. A amizade é a face de Deus.

      A fé pode nutrir ou desnutrir. Por vezes, vejo-me apegada ao que desnutre, então o corpo também sofre. Houve uma fonte que me fortaleceu para as vias pavimentadas e descalçadas deste mundo, uma fonte inesgotável e acessível que me conduz a amizades que alegram, ensinam. Sua amizade é "chuva - que faz o mar!" Bendita a que semeia palavras no coração. Você me ensina, querida amiga. A sua amizade, querida Michele, é a face de Cristo. Fonte externa que reordena o caos interno. Eletricidade que não está, não a tenho, mas é dada pela graça infinita, chuva serôdia. Centelha.

      Carinho, carinho,

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  2. Amiga querida, obrigada pelas lindas palavras, pelos importantes elogios, pelo belo texto!

    Se você reconhece em mim uma boa pessoa, é porque desperta o nosso melhor. Somos energia e trocamos constantemente sentimentos, sensações. Com você, também aprendo muito! Todos os dias! Mais e mais.

    Fique com Deus, minha amiga!

    Um beijo grande!

    Michele.

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