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sábado, 3 de agosto de 2013

Estou grávida


3 de agosto de 2013

Estou grávida. Em 2008, recebi o falso diagnóstico de câncer, mas era endometriose profunda, infiltrativa, grau IV. Após uma ooforectomia de urgência, perdi meu ovário direito, que estava com um endometrioma de 15 cm. Posteriormente, fui diagnosticada com aderências, focos espalhados pela cavidade abdominal, endometriose no intestino, no ovário esquerdo (endometrioma), na parede do útero (adenomiose), na região septo retocervical, entre outros locais. À época, também fui diagnosticada com marcadores de autoimunidade reagentes (dois padrões reagentes de FAN-Fator antinuclear), CA-125 alto e vitamina D muito baixa. Tive crises de dores que me fizeram desmaiar.

Primeiro, superei a dor. Depois, os focos pararam de crescer. Então, começaram a diminuir. Agora, estou grávida, com 36 anos.

Estou na 18ª semana da gestação, no quarto mês. Tive muitos enjoos, vomitei bastante, minha pressão baixou, mas o bebezinho está muito bem. A cada exame, uma boa notícia.

Há cinco anos, em 8/8/2008, fui operada; em setembro do mesmo ano, iniciei este blog anônimo. Esta é a 97ª postagem. Foi a maneira que encontrei de dizer a mim mesma que superaria essa doença. Consultei-me com médicos especialistas que me indicaram, primeiramente, o uso de medicamentos hormonais e depois a cirurgia para retirada de focos e de um segmento do intestino, já que eu tinha dores na evacuação e estava visivelmente com a saúde comprometida. Um médico de referência me disse que o risco de cancerização de focos de endometriose no intestino é muito alto, por isso ele recomendava que eu fizesse a cirurgia. Além de muito cara (30 mil reais, valor que seria cobrado na época por uma equipe multidisciplinar liderada por um grande especialista), a cirurgia implicava na possibilidade de colostomia provisória ou permanente (bolsa externa para coleta de fezes), além dos riscos inerentes a um procedimento cirúrgico de grande porte. Nessas idas e vindas a consultas, também me ofereceram por inúmeras vezes a fertilização in vitro (FVI), muitas vezes, como forma de vencer a endometriose. Com a saúde debilitada, emagrecida, desfalecida, eu jamais cogitei essa possibilidade.

Mesmo com esse arsenal, os médicos com muita honestidade me disseram que não havia garantia de que eu não necessitasse novamente de novas intervenções cirúrgicas. “Não há cura, há controle”, diziam. A partir dessa informação e da leitura de experiência de dezenas de mulheres que compartilham sua história na internet, decidi não fazer a cirurgia nem usar hormônios ou qualquer outro medicamento. Conversei com meu marido, e tomei a decisão de mudar meu estilo de vida. Se algo estava muito errado, mais errado que a própria doença, era a forma como eu vivia, minha alimentação, meu sedentarismo, minha alienação em relação aos hábitos saudáveis.

Há cinco anos comecei, timidamente, a mudança no estilo de vida, com enfoque basicamente em dez áreas: alimentação, exercícios físicos, água pura, respiração, eliminação de produtos estimulantes, sol, fitoterapia, interação social (o blog também é meu remédio), emoções e confiança em Deus. Esses itens têm vários desdobramentos e implicações, que procurei entender por meio de leituras de livros (fundamentalmente, li os escritos de Ellen White), pesquisas científicas, consultas médicas, trocas de experiências. O principal dos dez aspectos citados é o que enumerei por último – confiança em Deus e em Seu Filho, Cristo. Por mim mesma, com a minha força de vontade apenas, eu não teria conseguido. Mas penso que esse caminho de mudanças é para todos, para os que têm fé em Deus, para os que não a têm. Se mudarmos nosso estilo de vida, o corpo responderá positivamente. É ciência, a mais perfeita ciência. Ciência que, em minha história, é marcada por Ele, Aquele que aplainou as subidas impossíveis, apontou o caminho e aliviou o peso da madeira sobre meus ombros.

Depois de muitos altos e baixos, erros e ajustes, em 2011, os exames constataram que os focos de endometriose diminuíram consideravelmente. Como acompanhei todo o tratamento por meio de exames médicos, eu estava disposta a aceitar a cirurgia caso essas mudanças não resultassem em manutenção do tamanho ou diminuição dos focos, a meta que defini. Mas os focos diminuíram significativamente, o FAN baixou (de 320 para 80), o CA-125 baixou (de 150 para 30), a vitamina D aumentou (de 14 para 38), a vida voltou. Tenho relatado essa experiência no blog.

Antes da grande surpresa, já me considerava curada, pois meu conceito de cura é controle que controla, pois o tratamento é eficaz e permanente. Os dez aspectos de mudança que mencionei não formam uma pílula que se toma por alguns meses, não é um regime provisório e flexível, não é um acessório encarado sem seriedade e entrega, um pedido por milagre, é um tratar-se seriamente que se estende pelo tempo da vida, o continuum saudável. A cada exame, recebia no decorrer dos meses a boa notícia de que os focos diminuíam. No ovário, por exemplo, o endometrioma estava com mais de 6 cm. Hoje, tem menos de 3 cm. No intestino, e por toda parte, os focos diminuíram. Os exames atestam.

Então, a vida surgiu. Eu não estava tentando engravidar agora. A médica havia falado que minhas chances eram remotas. No ano passado, tentamos engravidar, mas tivemos decepções. Meu marido e eu havíamos decidido não fazer qualquer tratamento hormonal para engravidar, pois eles podem inclusive provocar ou agravar a endometriose, entre outros efeitos indesejáveis e implicações diversas (Veja este artigo que escrevi O livro da vida). Decidimos que iríamos adotar uma criança, ainda pensamos nessa possibilidade para o futuro. Mas embora minha alimentação já estivesse minimamente corrigida, decidimos que faríamos novas tentativas de engravidar no início do próximo ano para que eu tivesse tempo suficiente para corrigir melhor meu estado nutricional, com outras fontes saudáveis de nutrientes e vitaminas.

No dia 21 de abril, no entanto, senti algo diferente. Tive certeza de que estava ovulando. Nunca fui de ler sobre sinais de ovulação ou tentar detectar meus dias férteis. Havia apenas feito poucas leituras superficiais sobre o assunto. O dia estava ensolarado e meu marido trabalhava no jardim, podando a árvore de jambolão que ameaçava eclipsar a luz do sol que entra pela janela do nosso quarto. O dia estava lindo, um domingo azul. Eu o chamei, disse o que sentia, nos aconchegamos. Não tentamos outra vez. Naquele dia de sol, eu fiquei grávida.

Neste sábado azul, quero dizer que estou grávida naturalmente. Tenho endometriose profunda, os focos diminuíram, superei a dor, engravidei. A vida voltou, a vida surgiu, estou à espera da vida que nasce. Orem por nós.

Não posso mais guardar isso para mim, eu não tenho mais dúvida alguma do que essas mudanças fizeram pela minha vida. Moro no Estado de São Paulo e me coloco à disposição para contar pessoalmente minha história, mostrar meus exames e compartilhar o que recebi de graça, pela graça de um Amigo. Este é o meu e-mail: endometrioma.blog@gmail.com.


PS.: 1. Agradeço imensamente as mulheres anônimas que entraram neste blog e me enviaram palavras de força e carinho, mesmo tendo que suportar a própria dor. Agradeço especialmente a quatro amigas que me dão força, alegria, fé e me transmitem o amor de Cristo – Daniella, Débora, Iranete e Michele, minhas amigas queridas. O que teria sido de mim sem as suas palavras, sem as suas ações? Em muitos momentos de cansaço, dor e fragilidade, vocês me salvaram de mim mesma.


PS.: 2. Além desses dez aspectos, há mais um que devo informar. Durante esses cinco anos, eu não utilizei qualquer medicamento, nem para combater a dor, nem para tratar a endometriose por métodos hormonais. Menstruei por todo esse tempo, pois há mais de cinco anos eu parei de usar o anticoncepcional, por motivos que já escrevi neste blog (Veja o texto que escrevi: Anticocepcional e endometriose). Para combater uma gripe, por exemplo, eu fiz uso de meios naturais, como alho e cebola, entre outros recursos que não apresentam os efeitos colaterais dos remédios.

16 comentários:

  1. Querida Amiga, Parabéns! Que felicidade enorme saber que você está gerando uma nova vida, superando o que parecia impossível para muitos. Saiba que você é uma grande inspiração, um exemplo de ser humano, pela delicadeza, pela suavidade, pela flexibilidade e confiança com que encara a vida. Que toda a sua família seja abençoada e que você possa desrutar com alegria e serenidade essa nova fase! Beijos e Abraços

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    1. Olá, querida amiga!

      Que alegria receber sua mensagem de amor e carinho neste momento tão importante para mim. Saiba que suas palavras nos fizeram muito bem. Eu me alegro, meu bebezinho também. Desejo bênçãos em sua vida! Beijos, carinho.

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  2. Parabéns! que Deus abençõe muito você, sua família e seu bebê.
    Eu fico muito muito feliz de ter participado de um pedacinho dessa história.
    Contemplar a obra de Deus nos enche de fé.
    Você doa o seu tempo, compartilha sua fé, seu amor e agora terá ainda muito mais amor para dar a nova vida que gera.
    Muitos beijos e saudades

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    1. Que lindas as suas palavras, minha querida amiga. "Contemplar as obras de Deus nos enche de fé". Esse amor perfeito realiza e realizará mais por todas nós do que podemos imaginar. O amor divino se renova a cada dia e nos conduz, promove encontros, sempre com um propósito abençoado, ainda que existam muitos desafios. Obrigada por compartilhar sua amizade e ser uma expressão do amor divino em minha vida. Com muito carinho,

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  3. Que feliz notícia :)
    Parabéns, conseguiram melhorar a sua qualidade de vida e atingir um sonho, fico mesmo feliz.
    Não foi um caminho fácil, quem me dera ter essa força de vontade, apesar de tentar seguir muito dos seus conselhos, às vezes com a correria do dia a dia esqueço-me :(
    Teve um grande suporte, o seu marido, que o admiro sem conhecer. Vocês merecem esta recompensa de Deus.

    Só nos dá força para seguir o seu caminho...
    Muitas felicidades

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    1. Olá, querida Ângela!

      Que felicidade receber suas palavras carinhosas neste momento tão especial. Esse caminho é um caminho de resultados maravilhosos, mas há mesmo um mundo todo para enfrentar. A mudança pode ser gradativa, com paciência com nós mesmas, mas firme. No início, talvez um aspecto de cada vez. É uma sugestão. Primeiro, quem sabe, os exercícios físicos (simples caminhadas já são suficientes se as fizermos em um ritmo mais intenso, com subidas e descidas, duas vezes ao dia, pelo menos 30 minutos). Depois, quem sabe, decidir tirar o açúcar, as frituras. Em outro dia, acrescentar uma fruta, tomar um café da manhã reforçado e jantar um lanche leve... tomar sol...

      No início, meu marido insistiu que eu tomasse os remédios e ficou preocupado com a minha decisão. Eu também estava preocupada comigo mesma. Mas com o tempo, ao ver os resultados, ele começou a me apoiar e a mudar seu próprio estilo de vida, o que me ajudou bastante. Fomos nos fortalecendo juntos. Esse amor me moveu.

      Essa força de vontade não é natural para mim, mas podemos encontrar forças para seguir o nosso caminho. Não foi um caminho perfeito e nunca será, ainda há muito o que corrigir, mas sempre pensei nas palavras de Paulo: esquecendo-me do que deixei de fazer ou não fiz bem, prossigo para o alvo... A certeza do amor de Deus, as orações diárias pedindo por motivação e força me sustentaram.

      Querida Ângela, desejo muita força em meio a tantos desafios que temos que enfrentar. Com muito carinho e grata por suas palavras de amor,

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  4. Querida amiga, desde a primeira vez que acessei o seu blog, eu imaginei que, cedo ou tarde, esse texto aconteceria. Era uma espécie de futuro-presente, ou melhor, de um resultado muito provável diante de tantas transformações. Não que esse resultado fosse obrigatório, afinal, como já disse o outro, viver não é preciso, apenas faria todo sentido se acontecesse. Como o fez. Um resultado que hoje fala alto ao coração, que nos toca. E tudo que nos toca, tudo que nos cala, nos faz pensar, repensar, recriar, recomeçar.
    Sua gravidez não gera apenas a vida de um ser, gera a esperança, gera a crença em nós mesmas. De certa forma, nos diz: ei, você aí, o comando do corpo também é seu, não só seu, mas também seu. E não é pouco. Mas, como qualquer comandante, você vai ter que ser disciplinado, atencioso e, muitas vezes, rigoroso. Com você. Lembre-se de que em suas mãos - quando ainda se tem tempo ou possibilidade-, estão órgãos, tecidos, sistemas complexos, emoções que precisam entrar em harmonia, que precisam ser comandadas, ordenadas. A desordem nos põe à deriva no nosso próprio corpo. E isso nos enfraquece a alma, afinal, um corpo não saudável mexe com as nossas emoções, sentimentos mais profundos, questionamentos existenciais, além de, muitas vezes, empatar a nossa liberdade de ir e vir. É verdade, existem males que escapam ao nosso toque, que nascem conosco e que têm um propósito que transcende o nosso entendimento, mas para uma grande parcela de males, existe a cura, o controle ou a prevenção. E tudo isso se torna particularmente especial quando assumimos esse controle da forma natural como você, minha amiga, teve a imensa coragem de assumir. Daí esse desfecho ser tão importante. Ele sinaliza que o comando, para muitas coisas, também está em nossas mãos, e o melhor, de uma forma natural.
    Esse bebezinho abençoado é o grande milagre da vida, a resposta e o agradecimento de um corpo valorizado, entendido. Poderia ter sido uma resposta diferente? Claro que sim. E você sempre foi muito terna e digna neste sentido. Mesmo nos momentos em que a vinda do bebê era apenas um sentimento, você não se desesperou, não se maltratou, não dramatizou. Pelo contrário, você curtiu a sua vida, procurou salvar os seus órgãos e nos acalentou com a tranquilidade de quem aceitava numa boa o destino. Foi logo tratando de ser feliz com o que fosse possível. Só que o quase impossível resolveu ser possível, e como a boa anfitriã que você é, o destino a incumbiu de uma ilustríssima tarefa: receber o seu filho.
    Amiga, parabéns! Pela dignidade, pela coragem, pelo amor, por tudo...
    Obrigada!
    Um beijo grande!
    Michele.

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  5. Obrigada pelas suas palavras no blog.
    Sofro de endometriose há já 9 anos. Em 2005 fui operada e tirei um ovário e trompas. Fiz imensas Fiv´s e nem sinal de gravidez...nunca engravidei.
    Estou inscrita para adopção, mas o processo demora imenso...
    Enfim, é viver um dia de cada vez, acreditando que Deus tudo pode.

    Desejo-te as maiores felicidades para a tua gravidez:) Vai correr tudo bem, tenho a certeza.

    Beijinhos de Portugal

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  6. Acompanho o blog há alguns meses e estou imensamente feliz por você e seu marido. Que Deus continue abençoando vocês!!!

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    1. Obrigada pelo carinhos! Estamos muito felizes. Fique com Deus. Um grande abraço!

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  7. Querida Amiga!

    Que notícia maravilhosa que me deixou extremamente feliz!!! Feliz de pular de alegria!

    Deus realmente faz "tudo formoso a Seu tempo". E como você me disse uma vez, com Seu desfecho!
    Continuarei orando por vocês, e agora por mais essa vidinha linda que se iniciou!
    Um grande beijo!

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    1. Olá, querida Gabriela!

      Obrigada pelas palavras de alegria e fé. Você faz parte dessa história! É um menininho e o último ultrassom mostrou que está tudo bem com ele. Estamos muito, muito felizes. Peço que continue orando por nós. Escreva sempre. Deus está dirigindo seu caminho! Muito carinho,

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  8. Sua visão a respeito da endometriose me parece bem acertada. Estou gostando de tudo o que leio aqui e seguirei seu blog com afinco.Sou portadora de endometriose, mas não tenho me dado bem com os anticoncepcionais que me são receitados. Estou realmente tentada a para com eles e tentar engravidar antes de tentar usar o Allurene, Zoladez ou fazer a cirurgia, então ler o seu blog tem me deixado mais segura a respeito dessa decisão, além de bem informada a respeito das consequências. Obrigada, mais uma vez.

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    1. Obrigada pela mensagem! A mudança de estilo de vida é o melhor caminho. A endometriose é uma doença séria, que avança rápido, infelizmente. Por isso, eu procurei fazer todas as mudanças possíveis, não apenas na alimentação, conforme descrevo no blog. Vou escrever também sobre meu tratamento fitoterápico. São mudanças amplas de estilo de vida, com acompanhamento constante de exames médicos para avaliar os resultados. Não deixe de fazer os exames. Qualquer dúvida, escreva. Desejo sucesso em seu tratamento! Um grande abraço,

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  9. Olá, gostaria de saber quais sintomas você sentiu após a fecundação?
    Também tenho endometriose, parei de tomar anticoncepcionais para tentar engravidar naturalmente, sempre sinto muitas dores antes mesmo de menstruar, porém neste mês não obtive fluxo menstrual e nem dores, só alguns sangramentos fora de hora leves ao limpar, fiz o teste de gravidez mas deu negativo, não quero me iludir alguns dizem que foi cedo para fazer o teste, gostaria muito de engravidar!
    Desejo a você muita felicidade e parabéns por receber essa dádiva em sua vida!
    um grande abraço.

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  10. Já nas primeiras semanas, antes mesmo do exame, senti que estava grávida. Senti o seio diferente, a boca amarga... Antes do atraso menstrual, o resultado do beta hcg foi positivo e alto (1888). Mas na primeira vez que pensei que estava grávida (em 2012), o resultado foi negativo. Tive atraso menstrual, mas o beta foi negativo. Mesmo com o resultado negativo, passei as semanas seguintes ainda com esperança de que estivesse grávida. Não engravidei em 2012, mas em 2013 aconteceu. Por isso, se você não estiver grávida, não desanime, não se entristeça. É possível engravidar, mesmo tendo endometriose profunda. Agora, meu filho fará três meses. Um grande presente de Deus. Desejo sucesso em seu tratamento. Não perca a fé.

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