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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Ser mãe


31 de julho de 2012

Chegamos em casa e nos abraçamos. Queríamos um filho? Sem habituais listas de racionalizações e desobrigados, consentimos.

Tinha-me por infértil. Jamais pensei que nasci também para ser mãe. De certa forma, ainda sou a endometriose. Eu me imponho determinada contra o seu avanço, sem permitir que domine meu corpo. Mas quanto à ausência de uma filha ou filho, ela se agiganta, eu me resigno. Sonho um pouco, às vezes, como quando escrevi o texto sobre o dia do nascimento de Cristo (A Canção das Crianças) ou sobre a Terra Prometida.
 
No dia de Corpus Christis, desatenta a qualquer tradição, senti uma felicidade incontrolável. Nos dias que se sucederam, uma felicidade incontida. Meus seios estavam sensíveis. O inchaço abdominal começou a diminuir, como nunca havia ocorrido antes. A endometriose parecia retroceder sem eu ter que lutar titanicamente. Ela estaria se afastando? Assim como tem sido meu tratamento, o último golpe não viria por meio da incisão ou da química agressiva dos remédios, mas pelo maior de todos os milagres – um bebê que cresce e se forma dentro de mim? O espaço meu, agora seria dele?

Não, não estava grávida. A tentativa, um único não, dor intensa. Eu chorei. Recuperada do abalo à esperança, escrevo exatamente porque estou entregue a ela. É possível superar a endometriose. É possível ser mãe. Uma querida amiga me enviou uma matéria, escrita pela jornalista Cláudia Collucci, publicada no jornal Folha de S. Paulo, sobre a gravidez de uma mulher que tinha endometriose profunda, falência ovariana, aderências, aderências na trompa. Depois de muitas tentativas, engravidou. A segunda gravidez foi natural (Assinantes). “Quem dá a vida é Deus [...]. Tenho tido casos [de casais inférteis] tão esdrúxulos que engravidam e casos tão claros de que medicina vai resolver e não resolve, que cada vez mais acredito nisso”, diz o ginecologista Artur Dzik, diretor do Serviço de Esterilidade Conjugal do Hospital Pérola Byington. (Assinantes)

Sim, uma mulher com endometriose profunda pode gerar uma criança. Há duas semanas, fui a uma igreja num sábado. Encontrei uma amiga de 39 anos que tentou engravidar durante cinco anos. Agora está grávida de quatro meses. Ela tem miomas e ovário policístico. Ela me falou de Rose, que frequenta a mesma igreja. Ela tem endometriose profunda, trompas obstruídas. Há três meses, engravidou. Ela mora nesta cidade, é amiga de meus amigos, tem endometriose em estágio avançado e engravidou naturalmente.

Lembrei-me de dois casos interessantes. Duas professoras de importantes universidades públicas, inférteis devido à endometriose, engravidaram. Uma delas, eu conheço bem. A outra professora, conheci no intervalo de uma palestra há uns quatro meses. De maneira inusitada, a conversa tomou um rumo muito próximo para duas desconhecidas. Contei que tenho endometriose; ela me contou que teve também endometriose no intestino. Essas duas mulheres não se conhecem, apesar das semelhanças no nome, na carreira, na luta contra a endometriose, na superação da infertilidade, no número de filhos que tiveram (dois filhos), na personalidade – são mulheres determinadas. Por não haver rostos ou nomes e ser inusitado, o relato dessa história parece improvável. Mas, é real. A vida reserva surpresas, como disse minha amiga Michele. Histórias, com formas anônimas, que se conectam sem que suas protagonistas agraciadas sequer imaginem a amplitude do que as envolveu. Imensidade.  (Parágrafo inserido no dia 6 de agosto).

Superei a endometriose. Poderia superar a infertilidade, o terreno arenoso que ameaça me definir internamente? Na semana passada, a jornalista Ana Paula Padrão, que tem endometriose, deu uma entrevista e falou sobre suas tentativas para engravidar (Veja). Fez quatro fertilizações in vitro (FIV). Engravidou e perdeu o bebê com três meses de gestação. Posso imaginar um pouco dessa dor. Apesar de ter decidido com meu marido não recorrer à FIV, eu senti a dor de um desejo maternal não concretizado, e foi quase intolerável. Ninguém sabe ao certo o que pode acarretar a expectativa sucessiva e frustrada por uma gravidez, a dor da interrupção, a vida fragilizada nas mãos de mercadores da saúde, a esperança jogada num tabuleiro médico qualquer, a troca inacreditável entre dinheiro e um filho. Quanto custa para implantar um filho? Quanto custa para desimplantar a dor?

Não há desfechos felizes se felicidade significa apenas ter um filho. Mas certamente há felicidade nos enredos que fogem à definição única. É amplo e sem divisas, vai além dos vínculos de sangue. Recentemente, Ana Paula Padrão reuniu mulheres de todo mundo em um palco de relatos com desdobramentos imprevisíveis e libertários. Dezenas de mulheres contaram histórias até então silenciadas ou pouco conhecidas. Essas histórias encontraram outras escritas. Ampla luminosidade riscando a escuridão.

Em meio a atividades profissionais, conheci a história de Norma Nashed, uma palestina, cidadã do mundo. O pai morreu quando ela estava com oito anos. Para cuidar dos sete filhos, a mãe passou a costurar à noite. Ficou cega. Ela foi adotada por missionários. Estudou, formou-se e conseguiu um bom emprego. Trocou seu emprego por um trabalho em uma organização humanitária religiosa. Teve um câncer. Sem marido, sem filhos, na luta contra o câncer, decidiu abraçar um ideal. Largou novamente o emprego e, sem muitos recursos, fundou a Restore a Child. Hoje, a ONG atende a crianças em 13 países, com projetos de moradia, educação, saúde, agricultura e sustentabilidade ambiental. Em uma entrevista, ao lhe perguntarem onde encontra forças para fazer seu trabalho, Norma respondeu:

“Quando tive câncer e estava em tratamento, todos ao meu redor me perguntavam: ‘Como você pode estar tão feliz?’ Um ano antes, havia reconsagrado minha vida a Deus, e Ele me dera paz. O câncer acabou sendo uma bênção, porque me aproximou ainda mais de Deus. Coloquei minha confiança nEle. Eu não questionei a Deus ou chorei, nem mesmo uma vez. Sabia que se Ele estivesse comigo, tudo o que Ele havia posto em meu caminho seria para cumprir Seu plano. Eu não fazia ideia de qual era o propósito, mas agora sei: foi este ministério. Concentrei-me nestas crianças, e não em mim, e Deus me deu forças. A paz e a alegria que tenho é interna. Eu não posso expressá-la. Você tem que ter esse relacionamento com Deus para experimentá-la. Eu realmente acredito que ‘todas as coisas cooperam para o bem’”.

Sei que posso superar a endometriose, sei que você pode superar a endometriose. Sei que você pode ficar grávida, a despeito das sentenças médicas. Sei que eu poderia ficar grávida, mas não posso dizer que ficarei. Não posso afirmar que você realizará esse sonho. Há mulheres que não engravidam. Podemos e devemos fazer tudo que está ao nosso alcance para conquistar um sonho cuidadosamente projetado, mas o resultado final não deve nos fazer menores ou mais especiais aos olhos de ninguém. Principalmente, aos nossos olhos. Não é o que conquistamos que nos torna especiais, mas é a celebração da vida que nos diferencia, independentemente do que ela nos oferece.

A fertilidade é amplidão.


PS.: Este é o meu último texto para os próximos meses. Preciso finalizar um projeto profissional. Espero voltar a escrever o quanto antes.


Assista ao vídeo abaixo com definição superior no Vimeo: http://vimeo.com/40802206

video



Meu tratamento contra a endometriose, em linhas gerais:








15 comentários:

  1. Sim, a fertilidade é a amplidão. Mas fertilidade de quê? Um coração fértil me vale muito mais do que um útero capaz de gerar. Se não fosse assim, o que seriam as freirinhas? "Maquininhas" de rezar? As freiras tb são mulheres, têm o corpo completo de uma mulher e não geram pq seu propósito de vida não é procriar. Pq nós, mulheres casadas, precisamos nos obrigar a gerar ou nos sentirmos frustradas se não conseguimos? A família que eu construí, no momento, é composta por mim, meu marido e nosso apto recém comprado. Por ele estamos enamorados! Cada etapa de decoração, cada quadro pendurado na parede, a escolha das cores das almofadas... Quero fazer uma segunda faculdade. Planejamos uma viagem para a Europa, uma casa de campo com cachorros. Me inscrevi como voluntária num abrigo para animais... No futuro quero construir um asilo para idosos com Alzheimer... Enfim, minha vida está tão recheada de anseios e de sonhos que não incluem filhos... Eu penso: “E se eu não tivesse endometriose, me sentiria obrigada a ter filhos agora?” Talvez não... Na verdade a resposta é mesmo "não". Não planejamos filhos agora, e pode ser q eu não consiga tê-los por causa da doença. Mas me sinto mulher, feliz, atarefada, e com a alma fértil e ampla! Que Deus conforte o coração das que desejam muito ser mães e não conseguem. E que elas nunca percam as esperanças! Vejamos a história de Sant'Ana e São Joaquim, que geraram uma filha quando a infertilidade parecia consumada. E se quando eu decidir ter filhos já for tarde, me realizarei de outra forma. Talvez adotando... Um filho q Deus reservou para mim!

    Querida, um bom trabalho para vc!Finalize seu projeto com maestria e volte logo! Somos como suas filhas, não conseguimos ficar longe de vc e vc nos "deve" cuidados!!!!

    Ps.: qdo comecei a ler seu post, achei q vc estava grávida. Fiquei extremamente feliz q minhas vistas embaralharam na pressa de ler logo o final. Deus tem um propósito para vc e vc sabe disso! Sua trajetória aqui na terra está sendo mto linda, e vai ser mais linda ainda! Vc vai realizar seus sonhos!

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    1. Oi, minha amiga Daniella:

      Quando achei que estava grávida, escrevi um texto. Eu não poderia mantê-lo intacto, esperando pela nova chance de engravidar. Embora eu tenha me apegado ao primeiro texto assim como me apeguei ao desejo da maternidade, eu não poderia mantê-lo guardado, como prova de uma dor. Decidi reescrevê-lo, mas vejo que um pouco dele ficou. O início do novo texto, principalmente, é um fragmento do primeiro texto, daquele sobre a gravidez. Acho que esse processo de escrita me ajuda a fazer planos e a refazê-los, caso as coisas não saiam como o planejado.

      No entanto, mais terapêutico do que escrever um texto, é receber um comentário! Fico à espera de ouvir, aprender, me consolar. Daniella, sua maneira de viver e seus planos para agora e para o futuro traduzem “a fertilidade como amplidão”. Além disso, você nos lembrou da possibilidade do milagre da gravidez. E me lembrou dos planos de Deus para minha vida... Que mais mulheres leiam suas palavras!

      Parabéns pelo novo lar! Esse momento da decoração é muito bom. Me vi nas suas palavras! Também nos mudaremos daqui a alguns meses. Estou super animada com a nova casa. Quando vejo um quadro, vou logo imaginando ele na casa... Mas como estou envolvida com o trabalho, ainda não me permiti curtir muito esse momento. Que vocês sejam muito felizes em seu novo lar!!!

      Que Deus dirija seus caminhos, projetos, a segunda faculdade (gosto muito dessa ideia)... Obrigada pela força e por compartilhar tanto carinho, minha querida amiga! Isso é muito importante para mim.

      Com carinho e admiração!

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  2. Olá, minha querida amiga!

    Seu texto é cheio de sentimento, é cheio de vontade, é cheio de querer. É difícil para mim analisar algo desse porte. Não sou mãe, nem sequer faz parte dos meus planos ser, por isso, quando senti o seu querer tão imenso e poderoso, percebi que estava diante de algo muito maior, grandioso, lindo de se ver.

    Tudo me faz pensar em como não seriam felizes todas as crianças se pudessem ter uma mãe como você. Uma mãe que quer ser mãe. Apenas isso. Sem vaidade. Sem displicência. Sem intenções que exorbitam da esfera maternal.

    Sua vontade me encantou, sua luta e coragem mais. Não é para qualquer uma. A sua lição é certa. Temos que buscar o que queremos, cedendo sempre espaço para os múltiplos resultados dessa busca. Assim, teremos a chance de arcar e de ser feliz com o que quer que nos aconteça.

    Por isso, o mais importante é que semeemos bons grãos no terreno da nossa vida. A fé, a compreensão, a generosidade, a gratidão, a união e a coragem serão os frutos que alimentarão o nosso espírito e que sempre nos conduzirão ao caminho da felicidade.

    Tem uma frase de que gosto muito: Um bicho conhece a sua floresta; e mesmo que se perca - perder-se também é caminho.

    Só uma coisa: acredite muito na vida. Ela, às vezes, nos traz grandes surpresas!

    Um abraço carinhoso!
    Michele.

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  3. Michele, minha querida amiga:

    No domingo, bem de manhã, li sua mensagem. Meu marido estava do lado. Tínhamos acabado de pensar e falar mais uma vez sobre um plano muito especial: comprar uma terra. Essa procura tem sido exaustiva. De alguma forma, esse plano está relacionado a ter um filho. Um desejo de nos voltar à criança, à terra, ao cultivo de algo que ainda não conseguimos precisar exatamente. Há algum tempo, começamos a descobrir projetos e trajetórias de vida que nos impressionam. Uma profusão de vida que antes nos escapava, que ainda nos escapa. Um Yosemite tão perto e tão longe. Quero escrever mais sobre essas descobertas, esses lugares. Você vai gostar de saber.

    Então, chega você, com seu dom especial, e nos diz: “semeemos bons grãos no terreno da nossa vida [...] Um bicho conhece a sua floresta; e mesmo que se perca – perder-se também é caminho.” Em toda sua escrita, você falou bem perto de nós, talvez não imagine o quanto. Michele, sua amizade é um grande presente, uma preciosa surpresa que a vida me trouxe.

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  4. Olá, minha amiga!

    Falei bem perto de vocês porque, talvez, não tenha sido eu que tenha falado. Antes de começar a lhe escrever, fiz um pedido a Deus, uma prece. Queria lhe escrever algo que realmente fosse útil, que realmente você precisasse e gostasse de ouvir (sim, porque quem lê ouve). Então, peguei o meu pequeno Santo Evangelho, meu livrinho da minha Primeira Comunhão, fechei os meus olhos e pensei: o que é importante para a minha amiga ouvir? Eis que abri a página num texto intitulado As Parábolas (Mc 4, 1-20). Li e extrai aquilo que os sentidos me conduziram a escolher. Foi com base nesse texto que fiz o meu para você.

    Fiquei imensamente emocionada ao saber que o meu pedido foi atendido. Consegui encontrar as palavras que lhe trariam significados importantes. Isso de alguma forma me leva a refletir agora sobre algo muito mais grandioso para mim. Será que Deus atendeu ao meu pedido ou fui eu quem atendeu ao dEle? Na certa, Ele também queria lhe falar.

    Sua amizade também é um grande presente para mim. Sinto em você uma poderosa força.

    Sem dúvida, adorarei conhecer as suas descobertas. No seu texto, embarcarei de primeira classe. E, com certeza, aumentarei a minha bagagem de conhecimento. Aguardarei ansiosa por essa viagem.

    Minha amiga, boa sorte nos seus projetos profissionais e familiares! E que bons ventos a tragam, brevemente, de volta ao blog.

    Um abraço carinhoso!
    Michele.

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    1. Minha querida amiga Michele:

      Acabo de ouvir o que escreveu. É solene.

      Poderia buscar a estética do texto para expressar os sentimentos. Mas vou falar da estética da vida, da vida como ela tem sido, neste momento, pra mim. Seu comentário chegou, no momento, em que estou diante de um grande dilema. Recebi de um amigo, na última segunda, o edital de um concurso único. Na minha área, na minha cidade, com todos os itens me favorecendo, diante de uma instituição que está à procura de um perfil profissional semelhante ao meu. Um excelente salário. Mas um emprego regido pelo art.62 (CLT). Não são apenas 40h. Eles querem comprar a vida inteira do profissional selecionado. É um novo oceano de atuação, sem possibilidade de conexão com outras águas. Embora eu seja absolutamente apaixonada pela atividade desse emprego, tenho consciência de que estarei sendo desapropriada em nome dele.

      Li Marcos 4: 1-40. Entendi que você havia falado 1-40, e estendi a leitura por mais 20 versos. Como pode haver uma mensagem tão próxima daquilo que preciso ouvir? No domingo, quando lemos seu primeiro comentário, sentimos isso. Agora, sei o porquê. Novamente, leio me impressionando, surpreendendo-me. O primeiro verso fala do barco - longe da praia o suficiente para poder contemplar a multidão; próximo da praia o suficiente para poder ser ouvido e falar. Depois, Cristo enfrenta a tempestade (versos 35 a 40) e não permite que o vento os leve para qualquer lugar. Porque é necessário que a gente não se afaste do encantamento da vida, porque é necessário que os “bons ventos nos aproxime”.

      Sou quem escreve, mas também sou quem ouve. Sou quem semeia palavras, mas também sou quem é semeada por elas. Somos sementes e semeadores. Lembro-me de Padre Vieira... Nessa navegação on-line, falamos e, de forma solene, recebemos. Não posso escrever aqui se minha vida já tiver tomado outro rumo. Escreve-se o que se vive. O que estarei vivendo? E para alcançar o quê? Não tenho sido a "beira do caminho" nem o terreno rochoso, porque eu creio. Mas, por vezes, fico abaixo dos espinhos. Eles crescem visivelmente, sorrateiramente. E têm uma diversidade genética “in-mapeável”... Precisamos sonhar, sim. Precisamos ir em frente. A questão não é temer o trabalho, as 40h, o inconstitucional art.62... A questão é: em qual barco Ele quer que entremos? De qual barco não deveríamos sair? Em que barco deveríamos lutar contra ventos de distanciamento? É uma questão de escolha, também é uma questão de fé. Navegamos com um propósito. E se é verdade que não temos o controle, também é verdade que podemos escolher confiar nEle. Não temos mapas definitivos, mas não ficamos a esmo.

      Minha amiga Michele, amiga semeadora, que se coloca suspensa na água para falar à multidão que sou eu, nesse ambiente em rede cujas conexões absolutamente desconhecemos. As possibilidades da internet são apenas sombra fraca diante da conexão que você estabeleceu ou que com você foi estabelecida. Ele tem um plano para sua vida. Um propósito. Quanto a isso, fico sem palavras. Ponho-me como ouvinte. Como foi bom, hoje, ouvir a sua vida. Uma canção mais forte do que os trinados que, literalmente, vêm deste concurso.

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  5. Minha querida amiga!

    Todos os seus caminhos só têm um destino: o melhor. Por quê? Porque o segredo não está na escolha, mas em quem a escolhe.

    Há pessoas que transformam suas escolhas. Há aquelas que são transformadas por elas. Há os dois efeitos ainda. Se há honestidade, juízo e bom coração em tudo isso, só há ganhos. Porque por mais difícil que seja o caminho sempre haverá disposição para adaptá-lo a nosso favor.

    O que eu pretendo dizer com isso? Que seja o que for que você escolha, vai dar certo. Porque você tem vontade suficiente para que dê certo. Essa vontade vai estar aqui ou lá. Ela é inata. Sua característica.

    O certo é que não são as coisas mais fáceis, às vezes, que nos trazem felicidade. Nem as que não exigem sacrifício. Claro que tudo tem que ser analisado sob a ótica da razoabilidade. Da sua razoabilidade. Quais as perdas? Quais os ganhos? Quando as perdas ou os ganhos são muito claros, fica mais fácil decidir. O problema é quando os dois se equilibram. O que escolher?

    Tempo atrás, li um livro sobre o Dalai-Lama em que ele abordava a diferença entre o prazer e a felicidade. A história centrava-se no dilema de uma moça que gostaria, imensamente, de saber qual emprego escolher: o seu atual ou um novo? O atual era numa cidade tumultuada, um tanto quanto perigosa, estressante, cansativa, calorenta, mas de cujo trabalho gostava muito; Já o novo, na cidade dos seus sonhos, tranquila, bucólica, saudável, familiar, mas de cuja atividade profissional ela não gostava tanto. Nesta, ela teria tempo até para escrever um livro; naquela, mal teria tempo para respirar.

    Após passar por, talvez, um dos maiores dilemas da sua vida, ela conseguiu perceber que o novo emprego lhe traria muito prazer, afinal, moraria na cidade dos seus sonhos; mas, só o seu atual, num lugar mais “pancada”, porém conectado com o trabalho de que realmente gostava, lhe traria felicidade, apesar de todos os percalços envolvidos. Feita a sua escolha, a cidade que optou por trabalhar e morar continuou a ser tumultuada, estressante, calorenta, só que de uma forma diferente. Agora ela sabia o que era a felicidade. Sabia que para tê-la teria que ceder e se adaptar. Na escolha dela, o que mais pesou foi a atividade profissional. Cada um de nós tem sempre algo que pesa mais. Além disso, cada um tem o seu contexto, a sua história.

    Para o Dalai, o simples lembrete de que o que estamos procurando na vida é a felicidade já é suficiente para nortear as nossas escolhas. Desde as mais simples (comer ou não aquele terceiro pedaço de bolo, por exemplo) às escolhas mais complexas. Será que esta escolha me trará felicidade ou prazer? “A felicidade é estável e persistente, e apesar dos altos e baixos da vida e das flutuações normais do humor, permanece como parte da própria matriz do nosso ser”. E conclui dizendo que a partir dessa perspectiva é mais fácil tomarmos a “decisão acertada” porque estamos agindo para dar algo a nós mesmos, não para nos negar ou nos recusar algo – uma atitude de movimento na direção de algo, não de afastamento.

    Fiquei feliz em saber que você tem escolhas tão edificantes para fazer. Eu sei que todas as suas possibilidades são belas; por isso, a escolha é árdua. O medo de arriscar algo valioso, o que já se tem ou o que ser quer buscar, é enorme e assustador. Mas, como diz Dalai, aja para dar algo a si mesma, não para negar. E, como eu digo, seja qual for a sua decisão ela há de dar certo, porque a sua pessoa é muito guerreira.

    Fiquei feliz mais uma vez com tudo o que disse para mim. Com o prosseguimento que deu aos versos das Parábolas. Com a ideia de que trago algo mais. Nunca fui tão longe! Mas, há algo inspirador. O seu amor pela vida e pelas pessoas. Isso é muito grande. Seu blog revela isso com clareza. Dalai, certamente, precisava conhecê-la.

    Um abraço carinhoso!
    Michele.

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    1. Oi, Michele:

      Pensei muito no que escreveu. Creio que não só eu, mais muitas mulheres com endometriose, passam pelo dilema da carreira profissional. Por isso, o que você escreveu tem um significado amplo para dilemas que se estendem. O que fazer? O que se tornar? O que sou agora, quando a identidade orgânica está sob novas condições e desencadeia tantos sentimentos e sinais físicos?

      A mulher, na história de Dalai-Lama, pode ilustrar o dilema entre o corpo e a mente. Uma tensão entre a carne e o espírito. Para ter o prazer físico das sensações de um bom lugar, ela sacrificaria a felicidade. Se não fosse feliz, o lugar seria belo? Se não é possível optar pelo meio-termo, o que escolher? Há algo que concilie essa tensão mesmo entre as tensões inerentes a este mundo? A razão ilumina. A razão é a liberdade que o humano recebeu. A razão também transtorna no seu percurso iluminista predador, conforme as nações têm sentido na pele. Salomão recebeu todo o conhecimento, e falhou. Chegou a adorar a um deus ao qual os povos idólatras sacrificavam seus próprios filhos. O que acontecera ao homem- símbolo de todo conhecimento no Primeiro Testamento? Parecia não ser um dilema estético, de configurações paisagísticas das escolhas feitas. Era um sério dilema ético.

      Quem quiser salvar sua vida a perderá; quem perder sua vida, a achará. O que Jesus diz com isso? Ele estaria dizendo que há uma tensão entre prazer físico e felicidade espiritual? Com base nessas lições, como devo fazer minhas escolhas mundanas? No último texto deste ano, ao acompanhar o nascimento dos pássaros, eu me lembrei do que Jesus disse sobre não estar ansioso por coisa alguma e buscar, antes de tudo, o reino dos Céus, a justiça divina, confiantes de que todas as outras coisas serão acrescentadas, como em uma dádiva em mosaico (Dos cacos à casa, das ideias às realizações, da palavras à carne, do cálice da dor ao cálice da salvação, da morte à vida, do finito ao eterno, uma atitude movimento, como você escreveu). Esse reino é espiritual e terreno, dialógico e racional, como nenhum outro o faz; entrelaça a mente ao corpo, é dissenso e síntese, é o reino da cruz – a ligação horizontal que nos liga como filhos de Deus, a ligação vertical que nos coloca como indivíduos, sozinhos, frente ao amorável Pai, como diz Kierkegaard. Ele nos salva de nosso desespero humano em todos os nossos caminhos e seus fragmentos ávidos de paz. Que Deus me ajude a entender Seu amor e torná-lo vivo em minhas decisões, pois a felicidade não estaria, irremediavelmente, entrelaçada à respiração? Sinto que está, sinto em seu texto que está.

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  6. Olá, Michele:

    Recebi seu comentário! Você coloca questões muito importantes. Quero responder com atenção, aqui no espaço do blog.

    Gostaria também de saber se você pode me mandar seu e-mail pessoal por esse espaço de comentários. Não vou publicá-lo. Gostaria muito de conversar com você.

    Uma ótima semana!

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  7. Minha querida amiga, que texto mais belo o seu. Depois, eu sou a escritora aqui, né? rs Não, não, não. Eu não tenho tanta propriedade. Confesso que fico perplexa com os seus textos. Leio, releio, leio, releio. Leio de novo. Não há como não ir atrás das linhas que escapam, das linhas que, de tão bem encaixadas, fluem como a música perfeita que cria cenários, que mexe com a emoção, que intriga e que desperta sentimentos quietos, calados.
    Seu desejo também é o meu. Que Deus esteja presente nas minhas decisões e que elas se pautem, acima de tudo, pela harmonia e pela paz. Porque, como você tão bem trouxe à baila, a razão, que tanto clareia também cega, por vezes, aqueles que, em busca de um só objetivo, se esquecem de analisar todo o resto. Não é à toa que a nossa História é a legítima testemunha de tantos atos desumanos.
    É certo que as nossas decisões não impactarão no destino da humanidade, mas, por certo, impactarão no destino daqueles que, próximos a nós, torcem pelo nosso melhor. Afinal, eles sofrem se nós sofremos, e se alegram se nós nos alegramos.
    A vida é um conjunto, minha amiga, e você tão bem me mostrou isso. Um conjunto não só de pessoas que estão envolvidas, mas de crenças, propósitos, metas, fé. Por isso, uma decisão para ser tomada precisa alinhar tudo isso. Precisa estar em compasso com os valores e sentimentos que nos são caros. Precisa atender aos nossos anseios, às nossas necessidades orgânicas, às nossas urgências da alma. Mas como conjugar tudo isso e não passar por cima do que realmente é nobre? Do que realmente vale aos olhos de Deus? Como satisfazer o ser na necessidade realmente real sem se deixar levar pela correnteza da vaidade, da soberba, do egoísmo, do individualismo? Como salvar sem perder, como perder para achar? Meu pai querido clareou-me isso nas ações que teve aqui na minha casa. No amor que depositou em nós, no valor que sempre nos deu, nas abdicações que fez para que tivéssemos o melhor. Suas decisões, certamente, foram pautadas na generosidade, na abertura de espaço, na coragem, na iniciativa. Com isso, as soluções para os contratempos decorrentes de uma decisão tomada vinham num piscar de olhos, brotavam num passe de mágica, porque as escolhas dele eram escolhas sagradas, humanas, repletas de amor. Estes eram os acertos dele. Amar e Respeitar.
    Ah, minha amiga, como é bom ler suas linhas e ver que as inquietações não são apenas minhas, mas de todos aqueles que querem trilhar um caminho de escolhas honesto no qual haverá ponderação, meditação, humanização. E, por conseguinte, erros e tropeços abençoados, que não nos envergonharão, mas sim reiterarão o nosso compromisso com o entendimento do amor de Deus.
    Seguindo o caminho do meu pai, encontro um norte. Sei que tropeços cometo e cometerei, mas já sei que direção seguir. Quando escolhemos algo verdadeiro, com toda a nobreza do nosso coração, quando fazemos o mais digno ao nosso alcance por nós e pelos outros, quando pensamos naqueles que estão conosco, e naqueles que poderiam estar, as chances de tomar uma decisão próxima de Deus aumentam muito.
    Minha querida amiga, muito obrigada pelo seu carinho, viu?
    Admiro a coragem das suas decisões, o olhar generoso e maduro que tem dos acontecimentos, a postura de não vítima, mas de lutadora, de semeadora, de professora, de aluna. E me inspiro na dedicação que tem à saúde do seu corpo e à da sua mente. Resiliência é a sua qualidade. Compartilhar é o seu verbo.
    Feliz Natal, minha amiga!!!
    Michele.

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    1. Michele, quero lhe escrever sobre o que escreveu, e me tocou. Eu tomei uma decisão, minha querida amiga.

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    2. Oi, Michele:

      É bonito ouvir você falar sobre seu pai. Que privilégio ser beneficiada por esses laços familiares que a fazem ser o que é. Sua escrita é marcada pela narrativa-condutora, o círculo que a protegeu, sua herança mais nobre, aquela que lhe trouxe à vida, clareou os caminhos, ensinou o amor e se entregou para que tivessem o melhor. Sou grata porque esse círculo me alcança também. Michele, você construiu um espaço humano, repleto de amor, neste blog.

      Suas palavras sobre como nos conduzir nesta vida me fizeram lembrar do livro que li no verão de 2011. Tolstói, em seu livro “Ressurreição”, escreveu:

      “Os vinicultores imaginavam que o jardim para onde foram enviados a fim de trabalharem para o proprietário era propriedade deles; que tudo que havia no jardim tinha sido feito para eles e que sua tarefa era apenas gozar sua vida naquele jardim, esquecidos do proprietário e matando quem os recordasse do proprietário e das suas obrigações com ele.

      “’Nós fazemos o mesmo’, pensou Nekhliúdov, ‘vivemos na convicção absurda de que nós somos o proprietário de nossa vida, que ela nos foi dada para o nosso deleite. E afinal isso é obviamente um absurdo. Pois, se fomos enviados para cá, foi pela vontade de alguma coisa, e para alguma coisa. Só que nós decidimos que vivemos unicamente para nossa alegria e está claro que ficamos mal, assim como ficará mal o trabalhador que não cumprir a vontade do proprietário. A vontade do proprietário está expressa nesses mandamentos. Basta que as pessoas cumpram tais mandamentos e na terra vai se instaurar o Reino de Deus e as pessoas receberão o maior bem acessível a elas’.

      “‘Procurai o Reino de Deus e a sua verdade, que o resto vos será acrescentado. Mas nos procuramos o resto e, pelo visto, não o encontramos’.

      “‘Pois bem, aí está a tarefa da minha vida. Mal termina uma, outra se inicia’.

      “A partir daquela noite, teve início para Nekhliúdov uma vida inteiramente nova, não só porque ingressou em novas condições de vida, mas também porque tudo o que lhe aconteceu dali em diante ganhou para ele um significado inteiramente distinto do anterior. Como terminará essa nova fase de sua vida, o futuro mostrará.” (p.426).

      Michele, você diz: “Ah, minha amiga, como é bom ler suas linhas e ver que as inquietações não são apenas minhas, mas de todos aqueles que querem trilhar um caminho de escolhas honesto no qual haverá ponderação, meditação, humanização. E, por conseguinte, erros e tropeços abençoados, que não nos envergonharão, mas sim reiterarão o nosso compromisso com o entendimento do amor de Deus.”

      Ah, sim, Nekhliúdov inquietava-se dessa forma, desejava compreender o amor de Deus, porque seu criador, Tolstói, assim quis também, e assim o fez, deixando não apenas o melhor romance de todos os tempos, mas um legado de vida em busca de transformação, um ressurgir para o sentido das coisas, após seu encontro com o Escritor e Seu Sagrado Livro.

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    3. Olá, minha amiga!

      Nunca pensei que um texto meu pudesse ser analisado sob a ótica de Tolstói. Mas, como você não é fácil e vive dando asas para a formiga que eu sou, deu nisso rs. Fiquei encantada! Vibro com os textos que você escreve. Aprendo com o seu olhar proficiente sobre os mais diversos assuntos. Com a sua escolha perspicaz sobre como tratar daquilo que estamos sentindo. Com a sua capacidade de nos associar a histórias vividas há tanto tempo e sob os mais diferentes contextos. Porque tudo isso facilita o entendimento acerca de nós mesmas e do mundo que vivemos.
      Minha amiga, você é um presente! Valeu pelo belo texto e por me apresentar os ensinamentos de Tolstói!

      Com enorme carinho!
      Michele.

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  8. olá, meu nome é Ana e fui diagnosticada com endometriose ovariana aos 36 anos, hoje tenho 41. Na época não sofri muito ao saber da dificuldade em ter filhos, pois não me considerava apta para tamãnha responsabilidade devido ao meu quadro emocional de depressão. A minha vida na infância não foi muito boa, por isso resolvi ainda na adolecencia que não colocaria um ser no mundo para sofrer. As incertezas eram certas... Passei por essa vida tentando tirar as pedras dos caminhos dos outros...o flagelo alheio me comovia! Com o tempo me esqueci de mim e me perdi, já não sabia o caminho de volta, se é que eu queria voltar! Estava sem lugar nesse mundão de meu Deus, me quetionando o tempo todo; o que que to fazendo aqui? Resolvi sobreviver a vida, confesso que achava sem sentido e muito confusa, o que me fazia acordar todas as manhãs era presenciar a felicidade das outras pessoas e pensava comigo que quem sabe um dia eu poderia ver a vida de outra maneira, com mais alegria e satisfação, entendia que o problema não era a vida mas sim a maneira como eu a via. E por mais que eu me esforçasse para senti-la de uma maneira mais bela eu não conseguia...me achava uma ingrata e pensava na possibilidade de DEUS me castigar por ser tão mal agradecida. Ainda assim procurava ser útil de alguma forma, orientava sobre os cuidados redobrados que devemos ter com as nossas crianças pois algo que me doia e rasgava minhas entranhas era saber casos de pedofilia.Pois é! sofri abuso na infância; abuso sexual, abuso moral, abusos diversos. Eu era o saco de pancadas das frustrações e perverções dos adultos com os quais morava(tios e tias). Só depois de adulta aos 38 anos não aguentando mais o peso desse sofrimento após uma crise de pânico recorri a uma psiquiatra e psicólogo. Sofri por me expor, pois sentia muita vergonha e raiva de mim mesma...cruel e doloroso! Consegui com as conversas com a psiquiatra e psicologo a entender que o vilão não era eu e sim aquelas pessoas com suas deformações. A caminhada foi árdua...Hoje melhor e ainda com muitos questionamentos sobre a vida, resolvi questionar a minha fé e fé em quem? Existir DEUS sei que existi, mas esse modelo que conhecemos para mim até o momento não consegui entender!Não tenho medo de ser castigada por "DEUS", POIS O DEUS que busco não castigaria a um filho por buscar a verdade! Ou será que castigaria? Resolvi assumir minha maneira de pensar, pesquisei sobre várias religiões, não para escolher uma, mas para entender melhor essa relação com A ou As DIVINDADES. A única conclusão que cheguei até o momento é que as religiões infelismente manipulam muito o ser humano. Sei que existe o lado bom também, pois muitas pessoas encontram sentido e direcionamento para suas vidas, isso é fato incontestável. Por hora resolvi acreditar em seres SUPREMOS, DIVINOS sem associa-los a religião alguma. Agradeço todas as manhãs e ao deitar, ainda me confundo, pois acostumada estava em pedir orientação e proteção a santos, anjos a JESUS, A MARIA...Acredito neles e reconheço o exemplo de vida que deixaram ao passar por aqui, mas agradeço também a BUDA E TANTOS OUTROS EXEMPLOS. Pessoal diante de tantos questionamentos, dúvidas, transição... Só não imaginava que iria receber aos 41 anos de idade a seguinte notícia;VOCÊ ESTA GRÁVIDA! ISSO MESMO PESSOAL, FIQUEI SABENDO NO DIA 24 DE DEZEMBRO DE 2012 APOS PASSAR MAL E PROCURAR UM PRONTO ATENDIMENTO HOSPITALAR. UMA COISA É CERTA! EU SEMPRE FUI A INCERTEZA EM PESSOA, MAS SEMPRE ACREDITEI EM MILAGRES!TALVEZ POR ACORDAR TODOS OS DIAS MESMO TRISTE E DESMOTIVADA EU SEMPRE TINHA A CERTEZA ABSOLUTA QUE IRIA ENCONTRAR ALGUÉM FELIZ NO CAMINHO! UM BEIJO NO CORAÇÃO DE VOCÊS. E NÃO ME PERGUNTEM QUE LIÇÃO SE PODE TIRAR DESSA HISTÓRIA, POIS A RESPOSTA VCS JÁ SABEM! N Ã O S E I...

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  9. Olá, querida Ana:

    Publiquei seu texto no blog (http://endometrioma.blogspot.com.br/2012/12/ana.html). O último texto do ano, para que recebamos 2013 com a esperança da vida, com a certeza de que a vida ressurge com força e milagres. No comentário, do seu texto publicado, coloco minha resposta, querida amiga. Obrigada por compartilhar suas experiências, seus importantes e vitais questionamentos, a mais bela de todas as notícias: o incrível e incomparável milagre da vida. Bendita é você entre as mulheres. Ao voltar-se para o outro, em proteção e cuidado, você tem se voltado, durante todos esses anos, à essência da maternidade. Você escolheu a maternidade antes de ser escolhida por ela. Isso é amplidão. Você é uma mãe maravilhosa.

    Um abraço emocionado.
    Feliz Ano-Novo.

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