segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Caminhos da superação


No texto “Açúcar e endometriose”, falei de David Servan-Schreiber. Ele teve câncer com 31 anos. Venceu a doença. Anos depois, o câncer voltou. Foi quando a Veja o entrevistou. O médico falou da importância da alimentação para a sobrevivência e do potencial agressivo da alimentação errada para o crescimento do câncer.

Hoje, ao telefone, ao explicar para minha mãe que tenho endometriose no intestino, ela comentou sobre David Servan-Schreiber. Eu falava de uma pesquisa, de números. De um total de 1.600 mulheres com endometriose, apenas 85 foram diagnosticada com endometriose no intestino. E que embora a estatística da malignização seja baixa; no que se refere à endometriose no intestino, as constatações científicas não são animadoras. Então, minha mãe falou do médico.

Servan-Schreiber venceu o câncer novamente. Ele revela o segredo. Acreditar na Medicina, que salva vidas, e fortalecer o organismo com novos hábitos, novo jeito de ser e de pensar. Em entrevista ao Globo Repórter, em relação ao açúcar e à gordura, o médico alerta: “agem como fermento para as células cancerosas. Justamente aqueles alimentos que são tão saborosos, tão difíceis de resistir. [...] As sobremesas, por exemplo, devem ser substituídas por frutas.” Não há nada, absolutamente nada, de bom no açúcar. É caloria vazia, e perigosa – açúcar é alimento de câncer.

O médico fala também algo tão necessário, que preciso aprender e reaprender:

“O que ele recomenda é que cada um fortaleça o seu corpo para estimular a sua capacidade de resistir à doença. É uma luta diária, que deve fazer parte da nossa rotina. É uma mudança que passa também pela maneira de ver a vida. Fortalecer as relações de amizade, os laços de família. Não guardar ressentimentos. Se livrar da tristeza, do medo, da solidão. Fazer exercícios diariamente.”

Para quem deseja assistir ao vídeo, este é o link:
http://www.youtube.com/watch?v=Ng4_0v1j8Iw

Para ler a reportagem, o link é:
http://g1.globo.com/globoreporter/0,,MUL1176207-16619,00-OS+SEGREDOS+DE+SAUDE+DOS+VINHOS+DA+BORGONHA.html

domingo, 17 de janeiro de 2010

Endometriose, câncer e reposição hormonal




Acesse neste blog: Qual é o melhor remédio para endometriose?

A endometriose é considerada uma doença benigna. Sim, ela é benigna, na maioria das vezes. Mas existe uma porcentagem de casos em que há transformação maligna. Isso significa que a endometriose pode, sim, se transformar em câncer.

De acordo com pesquisadores japoneses, em um estudo intitulado Endometrioid Adenocarcinoma Arising from Endometriosis of the Mesenterium of the Sigmoid Colon, a transformação maligna da endometriose ocorre em cerca de 1% dos casos, na maioria das vezes no ovário (78,7%). Já 5% dos casos estão relacionados à endometriose intestinal. Se a estatísticas estão corretas, a transformação maligna é remota. Entre 100 pacientes com endometriose, ocorre câncer em uma. No artigo, está escrito “ocorre câncer”. E não, “pode ocorrer”. Parece que necessariamente 1% das mulheres são atingidas. Veja a frase em inglês: “Malignant transformation of endometriosis occurs in 0.7–1% of patients with endometriosis, with 78.7% of the cases occurring in the ovary” (grifo meu). Em mil pacientes, dez terão câncer.

Provavelmente, pela estatística acima, oito terão no ovário e uma tem a probabilidade de ter no intestino. Cálculos matemáticos óbvios. Os autores chegam a conclusão dos 1% com base em outro estudo conduzido em 1990 por Heaps e Nieberg (Heaps JM, Nieberg RK, Berek JS. Malignant neoplasms arising in endometriosis. Obstet Gynecol 1990;75:1023–8). Portanto, a estatística do 1% é de 1990. Esse índice se mantém? Talvez sim. Além da dor, da infertilidade, do inchaço abdominal e outros sintomas, por que adicionar mais uma preocupação? A pior de todas as preocupações? A palavra câncer é assustadora. Não li relatos que oferecem detalhes sobre o câncer proveniente da endometriose. Não sei como avança, qual é o prognóstico. De qualquer forma, simples não é. Não podemos deixar de considerar a seriedade da doença e suas implicações, sem perder o compromisso com o otimismo.

Escrevo sobre esse tema para alertar sobre uma informação que considerei muito relevante. Nas mulheres em que a endometriose se transformou em câncer havia relação direta com reposição hormonal. Veja o que a pesquisa diz: Hyperestrogenism has been implicated as a risk factor for the development of cancer from endometriosis. The patient had been receiving high-dose unopposed estrogens for 14 years after a total abdominal hysterectomy and bilateral salpingo-oophorectomy [...]It is important to recognize the possibility of tumors arising from endometriosis when evaluating intestinal […]even in the patient who has previously undergone total abdominal hysterectomy and bilateral salpingo-oophorectomy, particularly if the patient has a history of endometriosis and has received hormone replacement therapy. (Tradução: "O hiperestrogenismo tem sido relacionado como um fator de risco para o desenvolvimento do câncer da endometriose. A paciente havia recebido alta dose de estrógenos durante 14 anos após uma histerectomia total abdominal e salpingo-ooforectomia bilateral [...]. É importante reconhecer a possibilidade de tumores resultantes da endometriose intestinal [...] mesmo em pacientes que já se submeteram a histerectomia total e salpingo-ooforectomia bilateral, particularmente se o paciente tem uma história de endometriose e tem recebido a terapia de reposição hormonal."

Estatisticamente, a possibilidade de ter câncer é mínima. Mas como o artigo diz é importante ver a relação entre transformação maligna da endometriose e reposição hormonal. Esse artigo não é único. Há outras pesquisas que apontam para essa relação. Para quem deseja conversar com seu médico sobre o assunto, aqui está o link do artigo: http://jjco.oxfordjournals.org/cgi/reprint/35/3/154.pdf (Endometrioid Adenocarcinoma Arising from Endometriosis of the Mesenterium of the Sigmoid Colon). Glossário: Hiperestrogenismo: excesso de estrógeno, que pode ser provocado por reposição hormonal. Histerectomia: cirurgia para retirada do útero. Ooforectomia: retirada do ovário.