domingo, 31 de março de 2013

Mulheres vegetarianas realmente estão protegidas da endometriose?

31/03/2013
Sei que existem casos que fogem às pesquisas. Talvez meu caso seja um, pois tive endometriose profunda no intestino e ovários, fiz a cirurgia e foram removidos todos os focos de endometriose. Dois anos depois, descobri que a doença havia voltado no intestino, ovários e terminações nervosas que vão para perna. Sou vegetariana, tenho uma alimentação a base de frutas, legumes, verduras e muita fibra e todos os médicos dizem que não posso ser submetida a mais nenhuma cirurgia, pois seria muito arriscado. Anônima.
 Obrigada por escrever. Sua mensagem é muito importante. Desde a infância, eu me considerava vegetariana na maior parte do tempo, mas ocasionalmente deixava de ser, e comia carne. Ainda hoje, às vezes, como peixe, embora esteja realmente pensado em não mais comer. Quando descobri a endometriose, decidi levar mais a sério meu regime vegetariano, mas os focos não diminuíam. A cada exame, estavam um pouco maiores. Eu comia um pouco de frutas, legumes, não comia carne. O que havia de errado?
Cheguei a um ponto crucial: ou aceitava a cirurgia (para retirada do segmento do intestino e limpeza do ovário) ou a endo tomaria conta. Sim, porque sem tratamento, a endo se espalha e se aprofunda, mesmo que não provoque dores. Ela pode agir silenciosamente também. Sabemos que com tratamento médico isso muitas vezes ocorre, por isso a medicina diz que não há cura para a doença, apenas controle. Por vezes, o controle custa caro, causa efeitos colaterais indesejáveis ou simplesmente não controla. Eu teria que seguir por esse caminho mesmo?
Um médico disse: endo é como grama, corta e cresce, às vezes, cresce tão rápido quanto se corta. Minha primeira cirurgia, para a retirada de um endometrioma de 15 cm, foi necessária. Mas a endo continuou crescendo. Quantas cirurgias mais seriam necessárias para vencê-la? Será que se eu pagasse os 30 mil da época (que hoje deve estar beirando os 100 mil), finalmente compraria minha cura? Mas a cura não pode ser vendida, pois quem vende o tratamento diz, com razão, que cura não tem. Não tem no SUS, mas não teria com a equipe médica de multiespecialistas doutorados em endo? E se eu fosse operada pelos médicos certos? E seu pagasse o preço? Com razão e sinceridade, mesmo os especialistas dizem: não tem cura. Tem controle? Mas o que está controlado não está curado? Se tem controle então tem cura, mas se não tem cura, pode-se falar em controle?
Diante desse dilema que envolvia minha vida e minhas dores, eu orei. Pedi a Deus. Eu e meu marido lemos vários livros, repensamos, decidimos fazer mais uma tentativa. Eu era vegetariana, mas meu conceito de vegetarianismo estava errado. Não adianta tirar a carne se comemos açúcar, gordura e carboidratos em excesso. Se tiramos a carne, sentimos mais fome, o que nos leva a precisar do açúcar e das massas. O mais importante não é o que tiramos, embora comprovadamente a carne vermelha e suína estejam relacionadas a casos de endo (Veja esta pesquisa), mas é o que acrescentamos à alimentação. Ellen White, escritora que admiro, diz que se a dieta vegetariana é à base de massas e açúcar, melhor seria comer carne.
Não adianta nem mesmo banir o açúcar branco para sempre se não há nutrição. Por que tirar o açúcar branco? Uma das razões é que para o açúcar ser digerido o organismo retira cálcio dos ossos. O açúcar branco não tem nutriente e rouba o que temos. Mas apenas tirar o açúcar não resolve.
O ponto é: precisamos de nutrição, de nutrientes. Eles são os nossos remédios. No texto anterior, eu falo da noz-pecã que tem o aminoácido tirosina, um dos responsáveis pela produção do hormônio tiroxina na tireoide, tão importante para o funcionamento do corpo. Esse é apenas um exemplo do quanto o nutriente nos constitui. Se ele falta, adoecemos. Devido ao modo de produção industrial do alimento, geralmente o que compramos embalado atrativamente tem tanto nutriente quanto um papel, não importa se é uma lata de milho verde.
Como nos nutrir? Comer legumes, frutas, cereais, vitaminas A, B, C, D, E, aminoácidos... encontrados em alimentos, não em suplementos. Adianta ser vegano, não tomar leite, e ficar sem cálcio? Por isso, se alguém não tem certeza que está ingerindo a quantidade certa de cálcio em sua dieta vegana, será que não é melhor tomar leite, mesmo que não seja o orgânico? Um suco com duas folhas de couve pode fornecer no máximo de 5 a 10% de cálcio de que precisamos diariamente. E o resto, de onde vem? Se não há cálcio no corpo, adianta tomar Sol para ter vitamina D? Se a dieta tem cálcio suficiente, mas eu não tomo Sol, como vou sintetizar esse cálcio?
Adianta ser vegetariano e usar soja, castanhas e pão em excesso, além de adoçante na sobremesa? O vegetarianismo hoje está colado à moda da soja e do glúten, além do excesso de castanhas concentradas em receitas vistosas, que podem fazer muito mal para a mulher com endometriose. Eu era uma vegetariana a base de pão e soja.
Além disso, para não comer errado, muitas vezes deixei de me alimentar bem. Almoçar é sempre melhor que lanchar. Se você pode comer arroz, feijão e peixe em vez de um lanche de queijo, melhor a primeira opção. Precisamos fazer o melhor possível, e o melhor possível pode ser comer carne. Não recomendo que comamos carne, eu não como. Eu prefiro obter informações e avaliar os alimentos que suprem adequadamente a proteína, as vitaminas do complexo B (principalmente a vitamina B12), os nutrientes que preciso para não sentir falta da carne. Se faltar nutriente, a falta não será emocional, mas física. O corpo pede por comida. Mas se no lugar da carne lhe damos pão com queijo, ele não rejeita, mas adoece. Se for para ficar sem a nutrição adequada, melhor é comer carne, mas buscando as alternativas mais saudáveis.
Além de incorporar nutrientes, eu passei a fazer exercícios físicos diários. A comer em intervalos de 5 a 6 horas, tomar água pura (não sucos ou refrigerantes), respirar mais profundamente para oxigenar o corpo, cuidar melhor das emoções, buscar interações sociais que fortaleçam minhas escolhas, diminuir o ritmo do trabalho, dormir as horas certas, comer bem de manhã e jantar uma refeição leve, buscar a Deus em minha vida. Para mim, o último aspecto não é o último item, mas meu início. No entanto, com fé ou sem fé, celebrando ou não o real sentido da Páscoa, o corpo responde positivamente diante das mudanças que o favorecem.
Mais importante do que ser vegetariano ou vegano é adotar um estilo de vida natural possível. O problema é quando os significados sucumbem diante dos rótulos ou os nomes subvertem as ações. Alguém pode ser vegetariano e estar desnutrido. Pode ser vegetariano, e estar usando remédios que provocam efeitos colaterais indesejáveis e de longa duração, mesmo quando se deixa de tomá-los (Veja este texto). Pode ser vegetariano e estar estressado e sobrecarregado com as emoções. Além disso, pode ter um estilo de vida mais natural possível, mas não tem como evitar um mundo em que a contaminação ambiental atingiu índices incontroláveis. Mesmo os legumes e frutas, quando repletos de pesticidas e venenos de toda espécie, estão cada vez mais pobres em nutrientes. Mas como dizia o médico David Servan-Scheiber, melhor comer vegetais convencionais do que não comê-los. Não ficamos doentes por nós mesmas, pelo que fazemos com nosso corpo apenas, mas pelo que é externo também, por ação daquilo que não temos condições plenas de controlar. O meio ambiente está estrogênico, isso provoca endometriose e outras doenças. Mas para enfrentar as agressões externas, temos a opção de fortalecer nosso sistema imunológico.
Podemos ser vegetarianos, comer os alimentos certos, mas submetê-los a tanto cozimento e invenções culinárias que boa parte dos nutrientes não resistem. A regra é ser simples. Descomplicar. Cozinhar arroz integral, com lentilha ou feijões, acrescentar o tempero cru depois, legumes e ovos orgânicos. Reinventar as papilas gustativas. Apresentar a elas os frutos da terra, os sabores como eles são. E ter paciência, até que o simples se faça essencial, com gosto. Sem tempero pronto, sem depender do tempero com gastronomia de formas, ainda que pretensamente natural.
As mudanças de estilo de vida são suficientes para deter a endometriose na maioria das mulheres, como foi o caso de Jennifer (Veja aqui). Mas no meu caso, assim como no seu caso, eu estava muito mal. Magra, com dores terríveis, abatida, desfalecida, com a endometriose aprofundada. A doença já tinha ido longe demais. Melhor é prevenir, é curar o que está leve, mas o que fazer com uma doença que se enraíza por todos os lados? Só quem tem endometriose sabe do que estou falando. Procurei fazer todas essas mudanças, mudei minha própria forma de ser vegetariana, mas precisava de algo que suprisse mais rapidamente os nutrientes que faltavam, de alimentos que combatessem com força a inflamação instaurada no corpo. Foi nesse contexto que modifiquei meu estilo de vida e utilizei a fitoterapia: uma planta muito nutritiva da qual falarei em breve, além do alho e da cebola crus. A endometriose parou de crescer, os focos começaram a diminuir. Ela está sob controle, embora esteja aqui. Se há controle, há cura. Mas a cura da qual falo é tão perene quanto eu mesma permito que ela seja.
Minha querida amiga, em seu caso específico, feche os ouvidos ao que os médicos lhe disseram, desacredite e creia. Sim, é possível controlar a endometriose, mesmo em casos como o seu, mesmo em casos semelhantes ao meu. Não desista.
Escreva-me, se precisar.
Diante da alegria da libertação, da Páscoa que se deu em minha vida, eu não poderia deixar de falar. Estamos juntas.
Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.

Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.

Noz de outono

31/03/2013
Anteontem, na caminhada, tivemos uma feliz surpresa: encontrei uma noz no chão. Pelo condomínio, há enormes árvores de nogueira, mas tinham nos falado que elas não frutificam mais, que a noz-pecã não se desenvolve, deixando a casca oca. Isso é verdade para boa parte das nogueiras, por motivo que desconheço, mas encontramos quatro grandes árvores carregadas de nozes e maritacas. Onde há maritacas fazendo a festa, há nogueiras produzindo. O som estrondoso nos leva à proteína em cápsula viva. Fui até os galhos mais baixos de uma árvore e colhi nozes do pé. A páscoa de sexta teve nozes recém-colhidas.
A noz-pecã tem, entre tantos nutrientes, o aminoácido tirosina. A tirosina é matéria-prima para a produção de tiroglobulina que, por sua vez, produz tiroxina, o hormônio da tireoide. A tireoide regula todo o funcionamento do corpo, seu metabolismo, os carboidratos, gorduras e proteínas, a dança complexa e bela dos hormônios, relacionando-se com a saúde reprodutiva. Ao pedir exames para avaliar minha tireoide, um médico especialista me explicou que há indícios de relação entre a endometriose e a glândula (Veja este estudo).
 
A essência da pequena noz saborosa atrai o bando de aves com seu canto selvagem, acaricia meus desejos por sabores, une-se à glândula regente no comando da orquestra que levamos por dentro. Que as nozes continuem caindo vivas do céu, como dádivas, após o alvoroço guloso das pequenas e nervosas aves verdes.

 





 

domingo, 24 de março de 2013

A saúde e o mar


24 de março de 2013

As conchas do mar nos ensinam sobre nossa saúde.
Cheguei da praia ontem e liguei para meus pais para saber como estão. Ao telefone, praia pra cá, praia pra lá, minha mãe contou que uma amiga disse que viajaria para o litoral. Brincando, minha mãe pediu: “Me traz uma conchinha.” A amiga levou a sério o pedido, mas não encontrou conchas. Perguntou ao dono do bar o que estava acontecendo. Ele disse que não era época de conchas como se conchas dessem em galhos. Abriu a gaveta, vasculhou as moedas e tirou uma conchinha antiga. Deu-a à mulher como se estivesse se desculpando pela infertilidade do mar. Para quem ensinou as três meninas a admirar as mais impressionantes formas e cores que cobriam o caminho da areia, a concha única da gaveta do bar assustou. “Onde estão as conchas do mar?”, perguntou minha mãe.
Não as encontrei. Há 30 anos, eu caminhava naquelas areias ao lado do caminho das conchas. O mar era tanto a água quanto seus brinquedos de cálcio multicoloridos. Agora, nem infância, nem brinquedos, nem meus pais puderam ir, nem as conchas estavam lá, a praia é ausência. Todas as coisas passaram e o mar que eu conhecia não mais existe. Dizem que o calcário oceânico é retirado para ser usado em ração animal e para ser usado no agronegócio no combate à acidez do solo. A casa dos moluscos virou moeda de pinga.
A ausência das conchas diz muito do tempo em que estamos vivendo. Na praia mesmo, compramos uma edição especial da National Geographic sobre a Água (abril, 2011). De acordo com a revista, o sumiço das conchas também está relacionado à acidificação da água do mar. Embora alcalina, a água do mar está 30% mais ácida. Se o mar fica ácido, diminui a quantidade de cálcio nas águas. Sem cálcio, os animais marinhos não podem secretar seu esqueleto. É como se o mar perdesse a sua viga, seu esqueleto móvel, sua proteção e sustentação. Uma espécie de osteoporose marinha, a insustentabilidade do ambiente oceânico. Uma grave doença ambiental. Na p.77, há um gráfico intitulado: “Como se dissolvem conchas e ossos.” Caramujos, cracas, ouriços-do-mar, corais estão em risco. Depois de 30 anos, as águas da infância se tornaram um caldo ácido que dissolve até as conchas mais fortes (Leia mais sobre a acidificação dos oceanos neste relatório da Unesco).
Assim, como as águas do mar, para funcionar bem, nosso organismo precisa ter um meio interno alcalino. Quanto mais acidificado, maior a probabilidade de doenças. Assim como não dá para combater a acidez do oceano apenas jogando litros e litros de uma substância alcalina nas águas do mar, também não dá para resolver a acidez no organismo tomando remédio. É preciso investigar as causas da contaminação ambiental ou da doença no corpo. A acidificação do mar tem sido provocada pela emissão de C02 (o dióxido de carbono atmosférico reage com íons de hidrogênio que aumentam a acidez da água). E o que tem causado a acidificação do organismo?
Gorduras, frituras, industrializados com conservantes, açúcares, inatividade física, emoções estressantes, substâncias farmacológicas agressivas, falta de sono, poluição ambiental.
Como evitar a acidificação do organismo?
Mudança de estilo de vida. Conscientização. Para o açúcar branco ser digerido, o organismo retira o cálcio dos ossos. Quando usamos açúcar branco, estamos nos descalcificando.  Como nos curar? Tomando comprimidos de cálcio? Combatendo a acidez por meio de pílulas? É como jogar comprimidos em alto-mar na esperança de ter as conchas de volta.
Meu caminho tem sido combater as causas da doença por meio de um estilo de vida mais natural. Tenho a opção de continuar comendo açúcar e para minimizar seus efeitos nos ossos usar suplementos de cálcio ou posso escolher parar de comer açúcar, reeducar meu paladar, encontrar novos sabores e transformar meu olhar sobre o mundo. Somos livres, mas há liberdades aprisionantes. Quais escolhas estamos fazendo?
Não é tirando apenas o açúcar que vou resolver a endometriose ou a osteoporose. Assim, como não é apenas usando uma pílula que vou me curar das doenças. É uma mudança integral. Não é apenas deixando de usar calcário em rações para porcos que vamos resolver a questão dos oceanos. Em macroescala, não vejo soluções. Mas em microescala, no que diz respeito ao nosso corpo, embora ele sofra as agressões de um mundo em rápida transformação, é possível mudar. Eu mudei, a endometriose diminuiu, não tenho dores, estou bem. Ainda tenho focos no ovário e intestino, mas a cada exame estão menores. Despoluir o corpo é um processo gradativo. Lento, mas possível. Desafiador, mas gratificante. Não se despolui, poluindo mais.
 
Comer na praia – Embora minha intenção fosse levar meus congelados à praia, pois alugamos um apartamento, eu não consegui fazer isso. Também não queria cozinhar. Em Natal, ficamos na Ponta Negra, e almoçamos em um restaurante fantástico, o Green´s. Os donos tiravam dinheiro do bolso para mantê-lo. O mundo desconhece os sabores que curam.
Em Ubatuba, nessa última viagem, encontramos uma opção interessante, o Integrale. Os pães são deliciosos, feitos de farinha integral, sem ovos, leite ou conservantes. Há pães sem glúten, de variados sabores. O pão de oliva, com sabor de azeite e quantidade generosa de azeitonas, é delicioso. Os patês, incríveis. O patê de berinjela defumada servido antes do almoço com pão mediterrâneo, uma tentação. No almoço, há lentilhas, feijão branco, feijões diferentes... peixes locais (estou evitando peixe, mas às vezes ainda como), bolinho de quinoa, salada com vegetais orgânicos... Os lanches são deliciosos. Pães de ervas e azeitonas. Não recomendo os doces, pois são com açúcar. Só estranhei um pouco a comida devido à quantidade de condimentos, pois há pimenta em algumas receitas, e não uso pimenta. O preço é justo. Como é maravilhoso encontrar um lugar em que se faz um negócio com amor, onde a comida é servida em meio a um jardim pequeno, mas que abriga até avelós. Em Sorocaba, por exemplo, tinha um restaurante com lanchonete que cobrava preços abusivos por uma quantidade mínima de comida natural. O fruto mal amadureceu, e acabou de falir. Por que os “empresários orgânicos” fazem questão de tornar inacessível o valor de seus produtos? O Integrale prova que é possível cobrar o preço justo pela comida saudável, que é possível ir para a praia e comer bem. As férias foram curtas para experimentar tudo o que oferecem.




 

domingo, 17 de março de 2013

Dieta antiestrogênica

17 de março de 2013



Quando estava com a endometriose se espalhando, fiz os exames de ultrassom com preparo intestinal, além de um Papanicolau em uma clínica especializada. Diferentemente de outras clínicas, quando recebi o resultado do Papanicolau, além das informações de costume, havia uma palavra que resumia muito bem minha condição: padrão hiperestrogênico. Este é o padrão da mulher com endometriose: mulheres hiperestrogênicas.

O hormônio feminino estrógeno em excesso é a causa de muitas doenças, entre elas a endometriose e cânceres ginecológicos. Mas qual é a causa do excesso de estrógeno no corpo? Será que a melhor forma de combater o estrógeno é lançando progesterona sintética ou a combinação de hormônios artificiais no corpo? Após esse controle forçado, via pílula ou outro método hormonal, como ficará nosso corpo? Medicação hormonal combate a causa da doença ou se torna ela mesma a causa de outros males que agridem o organismo?
Eu sabia que precisava combater o estrógeno em excesso. Mas combater as causas desse desequilíbrio está cada vez mais difícil. A Organização das Nações Unidas (ONU) publicou recentemente um relatório sobre o risco dos contaminantes químicos para a saúde hormonal e para a fertilidade (Vale a pena ler. Veja a matéria “ONU lança alerta sobre impactos dos produtos químicos do dia a dia”, publicada na BBC). Entre eles, estão os produtos de limpeza, cosmésticos, os agrotóxicos, os remédios, o plástico (vasilhas de plásticos liberam bisfenol que está entre os causadores de endo)... São todos desreguladores endócrinos, que provocam não só endometriose, mas outras doenças (Veja pesquisas aqui).
A poluição de nossa indústria tecnologicamente avançada está provocando um grave desequilíbrio ambiental, com o crescimento rápido de distúrbios hormonais, disfunção da tireoide, doenças autoimunes, esterilidade, cânceres, entre outras doenças. Um jornalista da Unicamp, que acompanha bem a questão da poluição ambiental, certa vez me disse: não estamos doentes, somos doentes.
Há como fugir dessa situação? Não. Conscientes ou não, estamos todos sujeitos à mesma realidade ambiental. Não há ninguém imune, por mais equilibrado emocionalmente que aparente ser, por mais naturalista que tenha conseguido se tornar. Por isso deveríamos viver sem buscar o melhor? De uma forma ou outra, dependendo da propensão genética, estamos sujeitos a uma doença ou outra, desencadeada por esse cenário de degradação do meio em que vivemos. Por isso, desistiríamos de um caminho de cura? A degradação do corpo reflete a degradação do ambiente. O padrão hiperestrogênico do corpo é reflexo da contaminação ambiental. A degradação está dentro e nos circunda. Mas apesar dos pesares, podemos buscar e conquistar a saúde. A meta é a cura, com seus significados diversos.
A mudança de estilo de vida esbarra em uma questão muito simples: como ser natural em um mundo antinatural? Se o ar é importante para a saúde, deveríamos respirar ar puro sempre. Mas se você mora em uma grande cidade, como muitas de nós moramos, sabe que isso é impossível. A qualidade do ar que respiramos é tão importante quanto o alimento que comemos. Por isso, se for possível, faça planos de se mudar para um lugar menos poluído. Se não for, mude o que pode ser mudado. Se for possível, compre água mineral para beber e fazer seus alimentos. Se não for, busque o melhor dentro das possibilidades. Precisamos viver a arte do possível. Mas a vida em arte é uma batalha ferrenha.
A vida em arte também reserva encontros únicos. Nesse percurso de luta contra a endometriose, conheci uma amiga chamada Débora. Ela me deu alguns livros. Entre eles, o livro “The Anti-Estrogenic Diet”, de Ori Hofmekler. O livro apresenta um verdadeiro arsenal para enfrentar um mundo cada vez mais estrogênico. Não é um livro de diagnósticos, é um livro de soluções. Por meio da alimentação e de mudanças de hábitos de vida, é possível diminuir a quantidade de estrógeno no corpo. A escolha está entre atitudes e alimentos que promovem o estrógeno e os que inibem o estrógeno.
De acordo com Hofmekler, os promotores de estrógeno são:
1.     Contaminantes ambientais – derivados de petróleo, plástico, medicamentos, produtos e subprodutos da sociedade industrializada. Essa realidade dificilmente conseguiremos alterar.
2.     A soja – Esse grão contém fitoestrógeno, a isoflavona, com estrutura e função similar ao hormônio humano estradiol. Apenas uma pequena quantidade de isoflavona da soja por dia pode contribuir para aumentar o estrógeno e nos predispor ao câncer. O autor não recomenda soja nem mesmo para quem faz reposição hormonal. É preciso tomar cuidado também com suplementos vitamínicos, pois muitos contêm soja. Embora alguns médicos naturalistas digam o contrário, a soja não me fez bem. Antes de descobrir a endometriose eu usava leite de soja em grande quantidade. Veja aqui os motivos pelos quais não utilizo soja.
3.     Álcool – Bebidas alcoolicas aumentam o estrógeno no corpo. “Apesar da sensação de relaxamento ou satisfação, o álcool não apresenta um efeito positivo real para o corpo. O baixo consumo de álcool altera o metabolismo e causa toxicidade por etanol, incluindo alta dos triglicérides, resistência à insulina e aumento da pressão arterial. O álcool, promove o aumento de estrógeno no corpo” (p. 82,83). O autor sugere a diminuição do consumo do álcool ou o uso de bebidas menos prejudiciais. Eu pessoalmente optei pela abstinência total.
4.     Açúcar e óleo de soja promovem o estrógeno no corpo – Eu não utilizo mais açúcar, nem mesmo o mascavo ou adoçantes. Utilizo um pouco de mel. O autor sugere a substituição do óleo pelo azeite de oliva. Faço minha comida sem óleo e depois coloco azeite. Não como frituras e evito produtos industrializados.
5.     Plantas que promovem o estrógeno – Além da soja, ele cita alcaçuz, lúpulo, trevo, damiana, verbena, dong gui, leonurus cardiaca (motherwort), lúpulo, black cohosh (Cimicifuga racemosa).
6.     O autor recomenda a abstenção temporária de alimentos de origem animal, grãos processados e carne. Eu não como mais carne.  
O livro dá ênfase especial ao que devemos utilizar para diminuir o estrógeno. Vamos às sugestões:
1.     Plantas que combatem o estrógeno – certas plantas têm a capacidade de antagonizar os receptores de estrógeno ou inibir o estrógeno no corpo. São elas: frutas vermelhas (amora, cereja, uva etc... Estou plantando árvore de Goji, em casa. Uma fruta vermelha incrível), camomila, mandrágora, zimbro ou junípero, mistetoe ou erva-de-passarinho (Struthanthus marginatus), dente-de-leão (taraxacum), cardo mariano (Silybum marianum), shilajit, centela asiática (gotukola), Emblica officinalis Gaertn, .
2.     Alho e cebola – Alho e cebola contêm polifenois e quercetinas. São antiestrógeno. Eu utilizo cebolas e alhos crus. São ótimos alimentos, são ótimos remédios. Combatem a endometriose com sucesso. O autor afirma: “Dois outros importantes alimentos antiestrogênicos são a cebola e o alho. Em ambos, o ingrediente ativo é o flavonoide quercetina antioxidante. Conhecida por suas propriedades imunoestimulantes e desintoxicante hepático, a quercetina também mostrou a capacidade de inibir as enzimas que sintetizam estrogénio quando aplicadas em concentrações elevadas. Além disso, a quercetina funciona em sinergia com outros estrogénios [...] para acelerar o seu efeito antiestrogénico em geral no corpo” (p.42).
3.     Especiarias – Orégano, cúrcuma, tomilho, alecrim. “Tomilho e orégano são usados desde os tempos bíblicos como especiarias e remédios. [São] antivirais, antibacterianos, têm propriedades desintoxicantes”. Todos inibem o estrógeno e são anticancerígenos. A cúrcuma inibe o efeito de pesticidas. Vou começar um canteiro de temperos e ervas medicinais em casa. Mesmo morando em apartamento, é possível fazer o mesmo. Quero escrever sobre sugestões de hortas urbanas e pequenos canteiros. Minha sogra fez um incrível.
4.     Alimentos antiestrógenos – Vegetais (brócolis, couve-flor, couve-de-bruxelas, repolho), frutas cítricas (eu uso limão todos os dias, sem falhar), alimentos orgânicos, maracujá, abacaxi (uso muito abacaxi), abacate (uso bastante também), óleo de germe de arroz, óleo de germe de trigo, nozes, castanhas, sementes, tahine (tenho usado com frequência. Excelente).
5.     O autor recomenda o uso de ovos caipiras ou orgânicos. Eu utilizo ovos. Uso no máximo três, cozidos ou na frigideira, sem óleo. Quando passei a utilizá-los com mais frequência, refiz os exames e a endometriose continua diminuindo.   
6.     Exercícios físicos – “Uma parte crítica de ser proativo na guerra contra o excesso de estrógenos é o exercício. Sabe-se agora que o exercício reduz os níveis de estrogênio em mulheres e homens. Os pesquisadores descobriram que o exercício e perda de gordura são, na verdade, antiestrogênicos. Segundo o Dr. Mark Mattson (2005), professor de neurociência na Universidade Johns Hopkins, mulheres que perdem gordura tendem a ser mais ativas fisicamente [...]. Devido ao aumento da atividade física, elas também mostram uma diminuição dramática nos níveis de estrogênio. [...] Aparentemente, nutrição e exercício que mais baixos de estrogênio e de gordura corporal queimada também estão associados com maiores capacidades de sobrevivência.”
A poluição ambiental é uma condição permanente. Os alimentos e substâncias que promovem o estrógeno estão disseminados. Mas, nem por isso, precisamos nos fazer reféns deles. Para encontrar a cura, não basta uma dieta ocasional. Por isso, a dieta antiestrógeno não é uma pílula que substitui outra pílula, um remédio amargo necessário, uma moda alimentar de estação. Se for, é dieta do autoengano.
A dieta antiestrógeno é um estilo de vida. Uma decisão tão permanente quanto permanente são as ameaças à saúde. Um caminho de leituras, descobertas, experimentações, preces, sabores. Ao paladar mais exigente e refinado, essa é a dieta que cura e alimenta continuamente, até a restauração de nosso corpo. A escolha diz respeito à vida que queremos ter. Se desejamos nos render, se preferimos acreditar sem refletir, se aceitamos refletir e mudar, se resistimos aos percalços em um caminho que não vem pronto. É um novo nascimento. A chance que se renova a cada manhã.
PS.: Não deixem de ler o artigo “Açúcar, sal e gordura: as engrenagens da ‘junk food’”, de Eliane Brum, publicado há duas semanas na revista Época. Veja aqui. É o melhor artigo que já li sobre o assunto.

Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.


Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.

Pássaros

 
Um casal de aves migratórias apareceu na chácara. Gostam do telhado branco. Ficam também nas chácaras ao lado, onde posso vê-los do quarto ou da cozinha. Meu marido me chamou. A cena foi única. O penacho da cabeça levantado, olhos arregalados, uma dança especial e um blues.