31/03/2013
Sei que
existem casos que fogem às pesquisas. Talvez meu caso seja um, pois tive
endometriose profunda no intestino e ovários, fiz a cirurgia e foram removidos
todos os focos de endometriose. Dois anos depois, descobri que a doença havia
voltado no intestino, ovários e terminações nervosas que vão para perna. Sou
vegetariana, tenho uma alimentação a base de frutas, legumes, verduras e muita
fibra e todos os médicos dizem que não posso ser submetida a mais nenhuma
cirurgia, pois seria muito arriscado. Anônima.
Cheguei a um ponto crucial: ou aceitava a cirurgia (para retirada do segmento do intestino e limpeza do ovário) ou a endo tomaria conta. Sim, porque sem tratamento, a endo se espalha e se aprofunda, mesmo que não provoque dores. Ela pode agir silenciosamente também. Sabemos que com tratamento médico isso muitas vezes ocorre, por isso a medicina diz que não há cura para a doença, apenas controle. Por vezes, o controle custa caro, causa efeitos colaterais indesejáveis ou simplesmente não controla. Eu teria que seguir por esse caminho mesmo?
Um médico disse: endo é como grama, corta e cresce, às vezes, cresce tão rápido quanto se corta. Minha primeira cirurgia, para a retirada de um endometrioma de 15 cm, foi necessária. Mas a endo continuou crescendo. Quantas cirurgias mais seriam necessárias para vencê-la? Será que se eu pagasse os 30 mil da época (que hoje deve estar beirando os 100 mil), finalmente compraria minha cura? Mas a cura não pode ser vendida, pois quem vende o tratamento diz, com razão, que cura não tem. Não tem no SUS, mas não teria com a equipe médica de multiespecialistas doutorados em endo? E se eu fosse operada pelos médicos certos? E seu pagasse o preço? Com razão e sinceridade, mesmo os especialistas dizem: não tem cura. Tem controle? Mas o que está controlado não está curado? Se tem controle então tem cura, mas se não tem cura, pode-se falar em controle?
Diante desse
dilema que envolvia minha vida e minhas dores, eu orei. Pedi a Deus. Eu e meu
marido lemos vários livros, repensamos, decidimos fazer mais uma tentativa. Eu
era vegetariana, mas meu conceito de vegetarianismo estava errado. Não adianta
tirar a carne se comemos açúcar, gordura e carboidratos em excesso. Se
tiramos a carne, sentimos mais fome, o que nos leva a precisar do açúcar e das
massas. O mais importante não é o que tiramos, embora comprovadamente a carne
vermelha e suína estejam relacionadas a casos de endo (Veja esta pesquisa),
mas é o que acrescentamos à alimentação. Ellen White, escritora que admiro, diz
que se a dieta vegetariana é à base de massas e açúcar, melhor seria comer
carne.
Não adianta
nem mesmo banir o açúcar branco para sempre se não há nutrição. Por que tirar o
açúcar branco? Uma das razões é que para o açúcar ser digerido o organismo
retira cálcio dos ossos. O açúcar branco não tem nutriente e rouba o que temos.
Mas apenas tirar o açúcar não resolve.
O ponto é:
precisamos de nutrição, de nutrientes. Eles são os nossos remédios. No texto
anterior, eu falo da noz-pecã que tem o aminoácido tirosina, um dos
responsáveis pela produção do hormônio tiroxina na tireoide, tão importante
para o funcionamento do corpo. Esse é apenas um exemplo do quanto o nutriente
nos constitui. Se ele falta, adoecemos. Devido ao modo de produção industrial
do alimento, geralmente o que compramos embalado atrativamente tem tanto
nutriente quanto um papel, não importa se é uma lata de milho verde.
Como nos
nutrir? Comer legumes, frutas, cereais, vitaminas A, B, C, D, E, aminoácidos...
encontrados em alimentos, não em suplementos. Adianta ser vegano, não tomar
leite, e ficar sem cálcio? Por isso, se alguém não tem certeza que está ingerindo
a quantidade certa de cálcio em sua dieta vegana, será que não é melhor tomar
leite, mesmo que não seja o orgânico? Um suco com duas folhas de couve pode
fornecer no máximo de 5 a 10% de cálcio de que precisamos diariamente. E o resto,
de onde vem? Se não há cálcio no corpo, adianta tomar Sol para ter vitamina D?
Se a dieta tem cálcio suficiente, mas eu não tomo Sol, como vou sintetizar esse
cálcio?
Adianta ser
vegetariano e usar soja, castanhas e pão em excesso, além de adoçante na
sobremesa? O vegetarianismo hoje está colado à moda da soja e do glúten, além
do excesso de castanhas concentradas em receitas vistosas, que podem fazer
muito mal para a mulher com endometriose. Eu era uma vegetariana a base de pão
e soja.
Além disso,
para não comer errado, muitas vezes deixei de me alimentar bem. Almoçar é
sempre melhor que lanchar. Se você pode comer arroz, feijão e peixe em vez de
um lanche de queijo, melhor a primeira opção. Precisamos fazer o melhor
possível, e o melhor possível pode ser comer carne. Não recomendo que comamos
carne, eu não como. Eu prefiro obter informações e avaliar os alimentos que
suprem adequadamente a proteína, as vitaminas do complexo B (principalmente a
vitamina B12), os nutrientes que preciso para não sentir falta da carne. Se
faltar nutriente, a falta não será emocional, mas física. O corpo pede por
comida. Mas se no lugar da carne lhe damos pão com queijo, ele não rejeita, mas
adoece. Se for para ficar sem a nutrição adequada, melhor é comer carne, mas buscando
as alternativas mais saudáveis.
Além de
incorporar nutrientes, eu passei a fazer exercícios físicos diários. A comer em
intervalos de 5 a 6 horas, tomar água pura (não sucos ou refrigerantes),
respirar mais profundamente para oxigenar o corpo, cuidar melhor das emoções, buscar interações sociais que fortaleçam minhas escolhas,
diminuir o ritmo do trabalho, dormir as horas certas, comer bem de manhã e
jantar uma refeição leve, buscar a Deus em minha vida. Para mim, o último
aspecto não é o último item, mas meu início. No entanto, com fé ou sem fé,
celebrando ou não o real sentido da Páscoa, o corpo responde positivamente
diante das mudanças que o favorecem.
Mais
importante do que ser vegetariano ou vegano é adotar um estilo de vida natural
possível. O problema é quando os significados sucumbem diante dos rótulos ou os
nomes subvertem as ações. Alguém pode ser vegetariano e estar desnutrido. Pode
ser vegetariano, e estar usando remédios que provocam efeitos colaterais
indesejáveis e de longa duração, mesmo quando se deixa de tomá-los (Veja este texto).
Pode ser vegetariano e estar estressado e sobrecarregado com as emoções. Além
disso, pode ter um estilo de vida mais natural possível, mas não tem como
evitar um mundo em que a contaminação ambiental atingiu índices incontroláveis.
Mesmo os legumes e frutas, quando repletos de pesticidas e venenos de toda
espécie, estão cada vez mais pobres em nutrientes. Mas como dizia o médico
David Servan-Scheiber, melhor comer vegetais convencionais do que não comê-los.
Não ficamos doentes por nós mesmas, pelo que fazemos com nosso corpo apenas,
mas pelo que é externo também, por ação daquilo que não temos condições plenas de
controlar. O meio ambiente está estrogênico, isso provoca endometriose e outras
doenças. Mas para enfrentar as agressões externas, temos a opção de fortalecer
nosso sistema imunológico.
Podemos ser
vegetarianos, comer os alimentos certos, mas submetê-los a tanto cozimento e
invenções culinárias que boa parte dos nutrientes não resistem. A regra é ser
simples. Descomplicar. Cozinhar arroz integral, com lentilha ou feijões,
acrescentar o tempero cru depois, legumes e ovos orgânicos. Reinventar as
papilas gustativas. Apresentar a elas os frutos da terra, os sabores como eles
são. E ter paciência, até que o simples se faça essencial, com gosto. Sem
tempero pronto, sem depender do tempero com gastronomia de formas, ainda que
pretensamente natural.
As mudanças
de estilo de vida são suficientes para deter a endometriose na maioria das mulheres,
como foi o caso de Jennifer (Veja aqui).
Mas no meu caso, assim como no seu caso, eu estava muito mal. Magra, com dores
terríveis, abatida, desfalecida, com a endometriose aprofundada. A doença já
tinha ido longe demais. Melhor é prevenir, é curar o que está leve, mas o que
fazer com uma doença que se enraíza por todos os lados? Só quem tem
endometriose sabe do que estou falando. Procurei fazer todas essas mudanças, mudei minha
própria forma de ser vegetariana, mas precisava de algo que suprisse mais
rapidamente os nutrientes que faltavam, de alimentos que combatessem com força
a inflamação instaurada no corpo. Foi nesse contexto que modifiquei meu estilo
de vida e utilizei a fitoterapia: uma planta muito nutritiva da qual falarei em
breve, além do alho e da cebola crus. A endometriose parou de crescer, os focos
começaram a diminuir. Ela está sob controle, embora esteja aqui. Se há controle,
há cura. Mas a cura da qual falo é tão perene quanto eu mesma permito que ela
seja.
Minha
querida amiga, em seu caso específico, feche os ouvidos ao que os médicos lhe
disseram, desacredite e creia. Sim, é possível controlar a endometriose, mesmo
em casos como o seu, mesmo em casos semelhantes ao meu. Não desista.
Escreva-me,
se precisar.
Diante da
alegria da libertação, da Páscoa que se deu em minha vida, eu não poderia
deixar de falar. Estamos juntas.





