domingo, 30 de junho de 2013

Palavras de esperança



30 de junho de 2013

Tenho 30 anos e em 11/ 11/11 descobri que tinha endometriose.

Fiz um ultrassom específico demorado e ouvia o médico passando vários números em tom de voz baixo para a secretária, achei estranho. No final do exame, percebi que a secretaria tentou me agradar, tratou-me com um carinho diferente. Depois descobri o porquê.

Ao receber o laudo de duas páginas não me preocupei porque não entendi uma palavra. Ao levar o exame ao médico eu tive a consulta mais marcante da minha vida. Uma cirurgia de 8 horas ou mais, muito delicada, com retirada de parte do intestino, apêndice, seria necessária. O médico não pintou a pílula de dourado. Foi direto ao ponto.

Eu tremia o queixo, as pernas, quase desmaiei. Sou uma pessoa tranquila, controlada, não exagero nas reações. Na hora, senti que começava uma longa caminhada, mas, como sempre, não demonstrei.

Passei a noite em claro. Bem cedo sentei na internet e comecei a pesquisar. A primeira coisa que li foi “portadoras de endometriose”. Já tive uma má impressão, pois se você “porta” uma doença quer dizer que não há remédio ou cirurgia que cure. Como as pessoas portadoras de diabetes.

Num mar de informações, perdida, tentando filtrar conteúdos, suplicando por algum que me tocasse eu, enfim, achei o endometrioma.blogspot.com.br. É difícil falar sobre esse momento. Eu fui tocada de maneira tão inexplicável pelo conteúdo, pelo sentimento da editora do Blog que eu não sei mensurar.

Li todos os posts do Blog em um único dia. Sentia como se eu não tivesse mais doença. Saí para tomar sol, caminhei, amassei um dente de alho e comi com água e limão espremido.

Meu marido chegou em casa à noite e encontrou outra mulher. Amo meu marido, e esse amor se agiganta principalmente porque ele me ouve, presta atenção em mim, temos qualidade de tempo juntos, por mais que ele tenha mil problemas também. Ele doa seu tempo. Ele ouviu naquela noite eu falar do endometrioma.blogspot.com.br por um longo tempo.

E assim comecei minha jornada de reeducar meu paladar, perceber meu corpo, minhas dores, minhas tristezas, alegrias. Autoconhecimento que eu nunca tinha experimentado. Talvez seja uma característica comum das mulheres com endometriose a doação ao outro.

Um post muitíssimo interessante do blog é Mulheres em Pote de Vidro. De fato, ouvimos muito por aí que a tal da endometriose é a doença da mulher moderna, trabalhadora, multitarefas, estressada, pilar da casa, que não sabe dizer não (eu ouvi tudo isso de médicos muito renomados).

Isso significa o quê? A culpa é minha? A minha amiga que não se preocupa com a dor do outro, não se coloca no lugar de ninguém, só pensa em si mesma, não tem endometriose?


Quantas perguntas tolas para frases que não deveriam ser ditas. Mas eu disse tudo isso, porque eu raramente prestava atenção em mim, no meu corpo, nas minhas dores. Até ouvi outro médico me dizer que o meu “limiar de dor” era bastante alto. Mas mal ele sabia que o meu limiar de esperança também era bastante alto.



Talvez a minha preocupação com o problema do meu pai, da minha mãe, do meu marido, da minha irmã não me deixavam parar para notar a minha dor. Eu não percebia essa situação, apenas vivia no piloto automático.

O fato é que quis de todo o coração me aproximar da mulher por trás do blog. Eu mandei um e-mail a ela abrindo o meu coração e pedindo ajuda. Queria me contagiar com a sua força, ouvir suas histórias.

Foi assim que começou uma grande amizade. É incrível como um acontecimento ruim (a descoberta de uma doença) pode lhe trazer coisas incrivelmente boas.

Esses dias fiquei pensando: “imagine se a editora do blog tivesse tido a ideia de criar esse canal de comunicação, mas nunca tivesse tirado do papel. Quantas coisas nós idealizamos, mas não fazemos. O primeiro passo nunca é dado".

Esse foi um grande exemplo para mim. Faça. Escreva. O paradoxo é que a solidão do momento de escrever sozinha é logo compensada pela pulverização da ideia aos quatro ventos. Quantas brasileiras na Europa, na Ásia, na África, na América.

Assim como eu, depois de ser golpeada com a notícia quantas mulheres procuram ajuda na internet? Encontramos médicos se autopromovendo, blogs querendo atrair leitoras para ganhar anúncios, notícias trágicas.


E eu encontro alguém tentando gritar para o mundo: “ei, existe uma saída. A saída está aí dentro de você. É sua vontade de mudar. Olhe para a natureza. A água, o sol, o mar, a terra, a respiração, o vento no rosto durante a caminhada”.

Alguém me ensinou que eu posso trocar o círculo vicioso da vida moderna com suas consequências pelo círculo virtuoso VIDA. A realidade é que a vida moderna com tantas informações, tecnologias e chamarizes em 3 D  nos cegam para a beleza das coisas simples. O pássaro perto da janela, as cores do pôr do sol, o cheiro da chuva.

Eu agradeço a Deus pelo blog e pela vida por trás do blog. Quisera eu imaginar que um dia eu iria agradecer a Deus por ser portadora de endometriose.

E muita dessa gratidão a Deus decorre do meu encontro com o blog. Ele me ajudou a dar outro enfoque à doença. Não combater os efeitos, mas buscar as causas. Por causa disso tudo, eu MUDEI. Mudei o meu olhar sobre o mundo, sobre o trabalho, sobre a família, sobre eu mesma.

Confesso que não é simples assim. Hábitos arraigados, vida agitada, trânsito, poluição. Gatilhos que te puxam como areia movediça.

Quem disse que seria fácil?

Nisso consiste a beleza da vida. O aprendizado constante. Avanços e retrocessos. Desfrutar as alegrias, chorar as tristezas. Receber o desprezo de uma amiga ao lado. Encontrar um ombro amigo numa terra nunca imaginada ("Em todo tempo ama o amigo e na angústia nasce o irmão” Prov. 17:17).

Hoje, especialmente, me senti inspirada a expor meus sentimentos. Alguns ficaram ainda recônditos, outros não consegui expressar. Que essas palavras sirvam para te alegrar e principalmente te inspirar a continuar. Exercitar o seu dom de escrever e nos tocar.

Uma coisa posso dizer com todo o coração: Enquanto houver vida, haverá esperança.

Com muito carinho


domingo, 23 de junho de 2013

Resposta aos Comentários


23 de junho de 2013



Fico muito feliz em saber que corre tudo bem com você. Continue com a sua poesia, sempre. Bjos. Postado por Jenni no texto Na sala de espera , em 1 de junho de 2013
Assisti a dois filmes nesta semana. Fazia tempo que não admirava a força da arte e da poesia para falar da essência da vida, para nos ajudar a enfrentar as durezas da vida. Assisti ao filme Crônicas de Nárnia, inspirado nos livros de C.S.Lewis. Parece apenas um filme infantil, com uma mensagem boba. Mas ele tem a maior de todas as verdades. Assisti também ao belíssimo Miss Potter. Em meio ao caos e a descrença, quanta poesia e delicadeza. Ela não teve filhos, mas quantas crianças essa mulher extraordinária acarinhou com a beleza da vida. Somos autoras de nosso pequeno livro e podemos, a despeito das dores, desenhá-lo com toques suaves e vivos. Obrigada pelas palavras Jenni, elas compõem o meu livro. Bjos.         

Descobri há pouco tempo ter a doença. Dia 28/05/2013 fiz a láparo e minha médica disse que o grau está bem avançado. Estou arrasada... Engravidar será só um sonho? Eu me pergunto... Que bom ter com quem dividir essa dor, que não é só física, mas principalmente emocional. Parabéns pelo blog! Postado por Gabriela no texto Na sala de espera, em 1 de junho de 2013
Olá, querida Gabriela. Recentemente, esses dias, precisei muito de palavras de força. Recebi as palavras mais lindas pelo e-mail. Não pude responder na hora, mas elas ficaram me fortalecendo, me ajudando, me amparando. Como você disse, precisamos dividir nossas dores. Nem sempre há um ombro amigo, mas sempre eu oro, converso com Deus como se conversa com um amigo. Gabriela, em 2008, eu também recebi a notícia de que minha endometriose estava alastrada, grau IV. Os médicos chegaram a me dar o diagnóstico de câncer, mas era endometriose profunda, infiltrativa. Hoje, passado quase cinco anos, estou sem dor, os focos diminuíram muito e minha saúde está renovada, tudo por meio da mudança de estilo de vida, sobre a qual eu conto neste blog. “Engravidar será só um sonho?”, você pergunta. Não é só um sonho. É possível, sim, engravidar naturalmente tendo endometriose. É possível que esse nosso mundo tomado de endometriose fique grávido de outro mundo, então a gravidez se torna uma possibilidade real. Em breve, escreverei sobre uma mulher que engravidou naturalmente, mesmo tendo sido aconselhada a fazer FIV ou desistir desse sonho. O que não podemos é desistir de nós mesmas e a fertilidade poderá vir na forma de uma saúde restaurada, mesmo sem filhos; com filhos naturais ou adotados, com uma nova vida ressignificada. Estou melhor agora do que antes. O caminho foi difícil, mas o que seria de mim se eu não tivesse dado ao meu próprio corpo a chance de se recuperar? Por mais difícil que pareça, a mudança de estilo de vida é um fardo leve, um jugo suave. Há cura. Escreva sempre. Com carinho,

Querida amiga! Que bom saber que você está bem e que está cada dia mais combatendo essa doença de forma, simples, natural, saudável e efetiva. Quem bom que encontrei você para abrir minha visão. Deus é bom! Tenho tido cada vez menos dores e creio que esse é o caminho correto e certeiro para a vencermos a endometriose. Às vezes, árduo, difícil mas que traz resultados. Lágrimas e choros fazem parte da vida, mas nos ensinam a sermos mais fortes. E ainda mais, nos fazem persistir e lutar para que um dia, ao invés de tristeza e dor, se tornem lágrimas de alegria! Um grande abraço com carinho. Postado por Gabriela no texto Na sala de espera, em 2 de junho de 2013
Olá, Gaby! Fico muito feliz em saber de suas conquistas por meio de um caminho “simples, natural, saudável e efetivo”. Você o descreve muito bem. Embora a endometriose pareça uma doença complexa e invencível, a cura para ela pode ser simples, natural, saudável e permanente. Que bom que Aquele em que cremos tem transformado nosso olhar e nos dado forças para trilhar um caminho de mudanças, pois mudar é uma tarefa árdua. Como conseguir alterar nossos hábitos apenas com a mais intensa autodisciplina? As dores diminuem, os focos diminuem, a endometriose desaparece, com a mudança de estilo de vida. Sim, é real. É maravilhoso saber que suas dores estão diminuindo a cada dia! Não deixe de acompanhar com exames para medir os focos, pelo menos a cada seis meses, agora no início. “Um dia, a terra será bela, e o mal não existirá”, fala a canção. Esse dia não está distante. Com muito carinho!

Minha querida cortadora de pedras,
Que muitas mulheres tenham a chance de ouvir suas palavras e a felicidade de seguir os seus ensinamentos, matemática que o corpo obedece e agradece com satisfação. Tenha uma ótima semana, minha amiga! Um abraço carinhoso. Postado por Michele no texto Na sala de espera, em 3 de junho de 2013
 Essa matemática vem de gênesis. No princípio, havia um jardim, onde se comia dele, daquilo que a terra dava, a partir do cultivo de um solo produtivo, com atividade física sem hora marcada, em meio ao sol, ao ar e água preservados, em uma interação confortadora. A vida era movimento. A matemática das origens. No final do livro Cândido, depois de tantas violências e planos e ambições e andanças por pensamentos e vivências, a terra em transe, Voltaire faz profundas reflexões sobre os desejos que temos, sobre o sentido da vida, e encerra, após meditar sobre o fim de tantos conquistadores e ambições, sobre um senhor que ele encontrou cultivando a terra junto de suas crianças: “Está certo, disse Pangloss, pois, quando o homem foi colocado no jardim do Éden, aí foi posto ut operaretur eum, para que trabalhasse, o que prova que o homem não foi feito para o repouso”[...] “Está bem dito, respondeu Cândido, mas é preciso cultivar nosso jardim.” Nos envolvemos em tantas astúcias, mas talvez, medita Voltaire, não deveríamos ter saído daquele jardim, lugar para onde Rousseau queria tanto voltar, numa espécie de restauração do paraíso dentro do não paraíso, impossibilidade que o enlouqueceu. É filosofia? É poesia? É fantasia de que se trata? Tem tantos outros significados? Para mim, é prova. Se é real, então funciona. Ao seguir a matemática das origens, não um relato, mas um acontecimento, constatei as mudanças no meu corpo pelos exames. Ainda que muito distante desse jardim perfeito, o corpo ainda responde à lógica do início, crendo ou não, aceitando a filosofia que sustenta essa escolha ou não. Incrível que responda à mudança de estilo de vida em meio a tanta destruição nessa reta final, mas responde. Não há árvore da vida aqui, nem alquimia da perenidade, nem a transparência total almejada por Rousseau, estamos fora do jardim porque escolhemos estar, mas podemos olhar para ele e entender, podemos acompanhar até as últimas linhas e descobrir que o corpo exige cultivo, o terreno onde se mora pode se tornar terra produtiva, os sonhos por conquistas são legítimos, a saúde não é fim em si mesma porque um dia iremos partir, mas há algo mais. Há, além da superfície, uma pedra de grande preço. A pedra que, por vezes, eu mesma rejeito. Ah, minha querida amiga abençoada, que eu me volte a esta pedra.  

Olá gostaria de Saber se alguém já realizou o USG doppler com preparo do intestino na clínica Pacaembu em São Paulo com Dr. João Frederico. Postado por Anônimo no texto Exame para detecção de endometriose profunda em 3 de junho de 2013
Eu não o conheço. Se alguma leitora o conhece, peço que envie um e-mail . Na escolha de um médico é sempre importante saber se ele tem de fato a formação específica para fazer o exame de endometriose profunda. Ele tem que ter feito um treinamento com médicos credenciados. É muito importante que o exame seja feito por profissionais treinados para que o diagnóstico seja confiável.

Há mais de quinze anos, convivo com desequilíbrios hormonais fortes, que me causam problemas como ovários policísticos e endometriose. Os tratamentos foram inúmeros ao longo de todo esse tempo, incluindo videolaparoscopia e cauterizacao/remocao de tecidos, porém sem resultados definitivos e duradouros. Por acaso, comecei a fazer uma dieta de baixo teor de carboidratos, apenas com o objetivo de perder alguns poucos quilinhos. Incrível foi perceber que, conforme meu organismo se adaptava à minha nova alimentação, meus hormônios foram se regularizando naturalmente! Dessa maneira, descobri que possuo uma condição de resistência à insulina, que uma vez normalizada pelo baixo consumo de carboidratos, fez com que minhas dores, causadas pela endometriose e cistos ovarianos, praticamente desaparecessem, pois meus hormonios que eram super desregulados, com alta producao de estrogeno, cortisol e androgenicos, ficaram super regulados pela primeira vez em minha vida! E sem medicacao! Para que eu continue com os efeitos positivos causados pela dieta Low Carb em minha saúde, a restrição aos carboidratos deverá ser permanente. Só que chega uma hora em que fica muito difícil ter criatividade para inovar no cardápio e se segurar para não cair na tentação dos doces. Esse é o principal objetivo desse site: disponibilizar receitas fáceis, saborosas, criativas, testadas e adaptadas por mim, sempre de acordo com o estilo de vida LowCarbing. Postado por LowCarbing LifeStyle no texto Dieta antiestrogênica 
Agradeço o envio de seu relato de superação. Uma dieta com menos carboidratos é realmente importante. Eu não eliminei os carboidratos, mas diminuí o consumo. Parabéns pelo seu projeto e pela sua persistência em adquirir novos hábitos. A resistência à insulina, o desequilíbrio hormonal e as doenças de forma geral podem ser combatidos com uma nova alimentação, que considere não só retirar ingredientes, mas principalmente incluir novos sabores e nutrientes.  Não é um caminho meramente restritivo, mas uma ampliação das possibilidades gastronômicas, sem deixar de lado o sabor. Uma nova saúde inclui exercícios físicos, atividade, luz solar, a respiração, o descanso, as interações sociais, compartilhamento. Assim, não precisaremos recorrer aos hormônios sintéticos para simular uma tentativa de restauração provisória. Obrigada por compartilhar seus ideais. Um grande abraço,

Adorei seu blog. Eu tenho endometriose há 2 anos e já retirei o útero e as trompas e continuo com dores mas depois de ver seus relatos e ideias fiquei mas fortalecida e motivada a mudar meus hábitos e procurar viver sem dores muito obrigada você é ótima muita saúde e paz pra você... Postado por Janinne no texto Dieta antiestrogênica
Olá, querida Janine! Adorei suas palavras também, sua motivação. Que você fique cada vez mais fortalecida para mudar os seus hábitos e alcançar a saúde sem dores, porque eu posso lhe dizer: é possível sim. É um caminho de descobertas, renúncias, novidades naturais deliciosas, desafios, mas é, sobretudo, um caminho de liberdade e cura. Depois do que passei, de todas as dores e falta de esperança, agora me sinto normal, sem a doença me definindo. Isso é maravilhoso! Busque informações, busque forças em Deus, pois a mudança de hábitos mexe com a gente, mas vale a pena. É a melhor escolha. Você vai vencer essas dores e terá muita saúde e paz.

Nossa! Como me identifiquei com seu texto... Maravilha!!! Gostaria muito de poder não somente pensar assim, mas, também, agir desta forma!! Isso caiu como uma luva para um ponta pé inicial, quem sabe? Um estímulo talvez... uma esperança maior... Obrigada!! Postado por Charlene Almeida no texto Endometriose e crise financeira em 10 de junho de 2013
Olá, querida Charlene. Seu e-mail tem tanta alegria, motivação, força! Ele me faz bem. Você é uma pessoa alegre e, especialmente em dias como hoje, gelados e acinzentados pelo inverno, é um prazer ler suas palavras! Minha amiga, siga esse caminho, pois eu posso lhe dizer com toda certeza, eu sarei. Emociono-me em dizer: eu sarei. Vale a pena. Conte comigo para o que precisar. Carinho,

Querida amiga! Há muitos dias queria lhe escrever... Seu texto nos faz parar e refletir. Dizemos que o estilo de vida saudável e uma boa alimentação custa caro. Mas quanto gastamos com analgésicos e anti-inflamatórios para amenizar as dores causadas pela endo? Quanto gastamos com medicamentos para "reduzir" ou "estabilizar" a endometriose, que além de serem caros causam diversos efeitos colaterais? Quanto gastamos na compra de medicamentos para combater esse efeitos colaterais? Quanto gastamos com consultas, exames e médicos especialistas que não atendem convênios e com cirurgias que não resolvem o problema? Sem falar no que podemos ou poderíamos gastar com tratamentos para fertilidade e FIVs... Se colocarmos na ponta do lápis, a alimentação saudável é muito mais econômica e nos proporciona qualidade de vida. Nos proporciona saúde e vida. No mesmo dia em que li seu texto, meu marido colocou em um filme/ documentário chamado Food Matters (segue o link: http://www.foodmatters.tv), onde especialistas falam sobre a extrema importância de se alimentar saudavelmente. Doenças como o câncer têm sido tratadas de forma natural e com a ingestão do que eles chamam de super alimentos e super dosagem de vitaminas. Os resultados tem sido excelentes! Vale muito a pensa assistir o documentário. Uma frase que uma das médicas disse me chamou a atenção: "Nosso próprio corpo é a fonte da nossa cura." E isso é real. O corpo humano é a mais perfeita máquina criada pelo Grande Arquiteto, o Grande Deus. Ele nos fez saudáveis e nos deu as ferramentas para nos mantermos assim e vivermos bem. Basta querermos. É uma escolha. Não é uma escolha fácil e nem o caminho fácil de trilhar. Não é fácil abrir mão de tantas delicias e praticidade que nos é exposta a cada prateleira, em cada freezer, em cada vitrine de padarias e docerias... É uma escolha árdua, porém prazerosa, pois surte resultados, é efetiva. Viver com muito menos dor é incrível! Ainda sinto um pouco e tenho que recorrer a medicamentos, mas sei que isso tudo é reflexo daquilo que como ou deixo de comer, daquilo que eu faço ou deixo de fazer... mas nada se compara ao que eu sentia antes. E isso não tem preço! Agora posso afirmar que a frase tão conhecida "você é aquilo que você come" é verdadeira. Faz sentido pra mim e pra minha vida. Desejo continuar aprendendo e seguindo o caminho estreito (rsrs), pois é ele que me levará onde quero chegar. Um grande beijo com carinho. Postado por Gabriela no texto Endometriose e crise financeira em 21 de junho de 2013
Querida Gabriela, como você diz, é real! As mudanças são efetivas e relativamente rápidas. “Relativamente” porque há um caminho a percorrer. Precisamos considerar que o corpo, por muito tempo, pode ter ficado exposto a remédios, hormônios, efeitos colaterais de FIVs e indutores, cirurgias e maus hábitos. Sempre me recordo de uma pesquisa sobre os efeitos colaterais de um antibiótico. Leva, por exemplo, dois anos para a flora intestinal se recompor. Nossa flora intestinal é super importante para imunidade, além de produzir vitaminas essenciais, como B12, entre outras. O que dizer dos efeitos das drogas receitadas para endometriose? O organismo tem de aprender a funcionar sozinho de novo, sem sintéticos. Onde encontrar a força para vencer a doença e seguir em frente? Novos hábitos. Alimentação, exercícios, sol, água pura, refeições em horários corretos, para dar descanso ao sistema digestório, não ingestão de líquido com a comida, respiração correta, novas emoções. Às vezes, é necessário a ajuda de um fitoterápico, como foi meu caso. Confiança. Esse processo de mudança requer convicção. Se o encararmos como um acessório, como um detalhe a mais para ajudar a tecnologia médica avançada, pode não dar certo. Essa decisão é séria. Encaro como um tratamento médico, acompanhado por exames médicos. A primeira coisa que superei foi a dor, mas os focos ainda cresciam um pouco. Não se pode viver com o focos avançando, então fui aperfeiçoando o tratamento, até que os focos estabilizaram. Depois, começaram a diminuir. Se de um mês ao outro, os focos não cresceram, mantiveram o tamanho, mesmo menstruando, isso já é incrível. Mas se eles diminuem, isso é realmente fantástico. Não podemos desanimar se os resultados não aparecerem tão rápido, precisamos revisar os hábitos, buscar mais informações, corrigir trajetórias, acreditar que precisamos fazer nossa parte. A cura não é mágica, a mudança de estilo de vida não é uma versão hippie ou exotérica da pílula farmacêutica, a fé precisa ser racional. No meu último exame, feito no dia 29 de maio, o endometrioma que estava com mais de 6 cm está ainda menor. As novas medidas são: 2.9 x 2.2 x 3.3. Então, é real. E também é muito econômico. Economiza dinheiro e economiza o corpo. Como é maravilhoso viver sem revoluções hormonais danosas. Viver normalmente. Uma mulher com endometriose profunda, que já enfrentou dores aterrorizantes, pode viver normalmente? Sim, eu vivo. Doces? Frituras? Inatividade?... Leite moça com chocolate em pó?... Tudo parece muito pequeno diante da liberdade de viver.

Gaby, suas palavras nos ajudam, são estímulo e força. E isso “não tem preço!”.


PS.: Os vídeos do excelente documentário Food Matters estão no meu blog.  Fiz um pequeno comentário. Para quem deseja assistir, o link é: http://endometrioma.blogspot.com.br/2012/02/food-matters-endometriose-e-nutricao.html