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sábado, 29 de dezembro de 2012

Ana



29/12/2012

Antes que 2013 nos alcance, antes que a dor torne a vida quase insuportável, antes de cessar a busca por uma força maior do que nós, gostaria de compartilhar um relato singular de força e superação. Hoje, recebi  essa mensagem de Ana, enviada para o texto “Ser mãe”. 

 
Olá, meu nome é Ana e fui diagnosticada com endometriose ovariana aos 36 anos, hoje tenho 41. Na época não sofri muito ao saber da dificuldade em ter filhos, pois não me considerava apta para tamanha responsabilidade devido ao meu quadro emocional de depressão. A minha vida na infância não foi muito boa, por isso resolvi ainda na adolescência que não colocaria um ser no mundo para sofrer. As incertezas eram certas... Passei por essa vida tentando tirar as pedras dos caminhos dos outros...o flagelo alheio me comovia!
 
Com o tempo me esqueci de mim e me perdi, já não sabia o caminho de volta, se é que eu queria voltar! Estava sem lugar nesse mundão de meu Deus, me questionando o tempo todo: o que que tô fazendo aqui? Resolvi sobreviver à vida, confesso que achava sem sentido e muito confusa, o que me fazia acordar todas as manhãs era presenciar a felicidade das outras pessoas e pensava comigo que quem sabe um dia eu poderia ver a vida de outra maneira, com mais alegria e satisfação, entendia que o problema não era a vida mas sim a maneira como eu a via. E por mais que eu me esforçasse para senti-la de uma maneira mais bela eu não conseguia... me achava uma ingrata e pensava na possibilidade de DEUS me castigar por ser tão mal agradecida. Ainda assim procurava ser útil de alguma forma, orientava sobre os cuidados redobrados que devemos ter com as nossas crianças, pois algo que me doía e rasgava minhas entranhas era saber casos de pedofilia. Pois é! sofri abuso na infância; abuso sexual, abuso moral, abusos diversos. Eu era o saco de pancadas das frustrações e perversões dos adultos com os quais morava (tios e tias). Só depois de adulta aos 38 anos não aguentando mais o peso desse sofrimento após uma crise de pânico recorri a uma psiquiatra e psicólogo. Sofri por me expor, pois sentia muita vergonha e raiva de mim mesma... cruel e doloroso! Consegui com as conversas com a psiquiatra e psicólogo a entender que o vilão não era eu e sim aquelas pessoas com suas deformações. A caminhada foi árdua...
 
Hoje melhor e ainda com muitos questionamentos sobre a vida, resolvi questionar a minha fé e fé em quem? Existir DEUS sei que existi, mas esse modelo que conhecemos para mim até o momento não consegui entender! Não tenho medo de ser castigada por "DEUS", POIS O DEUS que busco não castigaria a um filho por buscar a verdade! Ou será que castigaria? Resolvi assumir minha maneira de pensar, pesquisei sobre várias religiões, não para escolher uma, mas para entender melhor essa relação com A ou As DIVINDADES. A única conclusão que cheguei até o momento é que as religiões infelizmente manipulam muito o ser humano. Sei que existe o lado bom também, pois muitas pessoas encontram sentido e direcionamento para suas vidas, isso é fato incontestável. Por hora resolvi acreditar em seres SUPREMOS, DIVINOS sem associa-los a religião alguma. Agradeço todas as manhãs e ao deitar, ainda me confundo, pois acostumada estava em pedir orientação e proteção a santos, anjos a JESUS, A MARIA... Acredito neles e reconheço o exemplo de vida que deixaram ao passar por aqui, mas agradeço também a BUDA E TANTOS OUTROS EXEMPLOS.
 
Pessoal diante de tantos questionamentos, dúvidas, transição... Só não imaginava que iria receber aos 41 anos de idade a seguinte notícia; VOCÊ ESTA GRÁVIDA! ISSO MESMO PESSOAL, FIQUEI SABENDO NO DIA 24 DE DEZEMBRO DE 2012 APOS PASSAR MAL E PROCURAR UM PRONTO ATENDIMENTO HOSPITALAR. UMA COISA É CERTA! EU SEMPRE FUI A INCERTEZA EM PESSOA, MAS SEMPRE ACREDITEI EM MILAGRES!TALVEZ POR ACORDAR TODOS OS DIAS MESMO TRISTE E DESMOTIVADA EU SEMPRE TINHA A CERTEZA ABSOLUTA QUE IRIA ENCONTRAR ALGUÉM FELIZ NO CAMINHO! UM BEIJO NO CORAÇÃO DE VOCÊS. E NÃO ME PERGUNTEM QUE LIÇÃO SE PODE TIRAR DESSA HISTÓRIA, POIS A RESPOSTA VCS JÁ SABEM! N Ã O S E I... 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Transformação

 
20 de dezembro de 2012
 
Mudei de casa. A casa que sou também é outra. Onde estava e o que eu era tinham contornos fechados e cores pequenas. Onde estou tem cores brotadas da terra, tantos sons quanto as asas de muitos pássaros. Orquestra de um mês em casa de mato com grandes janelas abertas ao sol, casa solar. A tela do computador em frente à janela do quarto-escritório. Uma grande árvore de pitanga, rosas se abrindo e despencando, um pinheiro ao longe e, vez após outra, muitos pássaros. Sentam na cerca cantando. As andorinhas e pardais deram espaço para espécies que não conheço. Ainda não sei que nome dar a este novo mundo. Mas ele é bom.
 
 A mudança foi há um mês, e vem de 2008, quando descobri a endometriose. A casa velha com móveis de alvenaria desafiava nossa imaginação. Arquitetura carcomida, a revestir fundamentos fortes, atrai lamúrias. Como reformar sem muito dinheiro? Como embelezar sem novas formas de argamassa? Fizemos o mínimo. Trocamos o telhado, aumentamos sua inclinação, pintamos as telhas de marfim, a casa de branco neve e andiroba, os tijolos da cama e do sofá de pátina, os azulejos e paredes escuras de casca de macadâmia; banheiro sem pia, corredor reinventado. A pátina transgrediu, mas ficou lindamente diferente. A casa solar passou a refletir o sol ipsis litteris às conclusões da tese da Unicamp sobre luz, cores e temperatura. Ciência fantástica. Prece atendida.
 
 O conhecimento liberta e nos dá trilhas alternativas, econômicas e transformadoras. Mas não foi fácil decidir estar aqui. Muito mais difícil foi persistir na reforma. A maré, em terra seca, arrasta os ânimos. “Casa de velório”, “escola rural”, “engenharia de criança”, “cama-túmulo”. Ríamos das observações, mas também tínhamos dúvidas. Em tempos de imagem, não importa o quanto sua casa seja sólida, ela precisa ser bela aos padrões traçados, ela precisa se adequar à ditadura do olhar. Sua casa é você. E o que você é? O vento, em tempo seco, erguia a poeira da rua. A casa alquebrada não atraía respeito. Os dois primeiros pintores, cada um a seu modo, tentaram nos convencer de que nossa visão de pintura não salvaria coisa alguma. Se a casa era o que era, eles não pareciam temer falhar frente a nossa expectativa de mudanças. Pouco importava pra eles. O lugar não os merecia, cor não muda estruturas, preces não alteram tijolos, o lugar era falho, falham era os donos, métodos simples não teriam resultados, era preciso quebrar e fazer de novo, tese da Unicamp não resolveria a temperatura interna, eles cobrariam caro. Entre oficiantes superestimando-se e ofícios sendo subestimados, surgiu um pintor. Ele pintou feliz, ele cobrou a metade do preço, ele subiu no telhado e o fez marfim, ele criou a pátina sem que nunca tivesse feito a técnica antes; pisou sem medo uma trilha que surgiu de nós todos. Um pintor-pedreiro, um pintor que arquitetava, um pintor para quem todos são pintores, um arquiteto-engenheiro das cores emocionado pela força do seu ofício. Um médico de casas. E como ele, há poucos, poucos na rua, poucos em consultórios; e o que há nele, há em alguns. Sendo poucos, são para serem achados.
 
 A casa está pronta. A escolha do simples protege da doença da dívida. O jardim é imenso. Tempo sim, tempo não, há barulhos de festas e veículos acelerados e tantas outras coisas. A chácara é rural, mas o condomínio é urbano. O barulho é urbano, o desmatamento rural, a imperfeição é a lei. Não há mais natureza intocada, quanto mais do lado do asfalto. Profanação da criação, diria Rubem Alves. Já sabíamos. Ele fechou a porta antes da desgraceira última em Pedra Branca.
 
 As árvores dão seus frutos, os pássaros também. Na garagem nasceram dois. Após dias de intensa dedicação conjunta de um casal pelos seus filhotes famintos, os dois pequenos voaram. Por sorte, eu e meu marido vimos o momento exato daqueles que se lançam sozinhos entre a terra e o céu. A casa recebe o sol. O sol em profusão desperta a vitamina D. A vitamina D impede que a doença avance, em seus caminhos opacos. A luz solar que invade o quarto toca minha barriga e a aquece. A rede; ao longe, nogueiras e araucárias esticadas para os céus. A família se aconchega. O fruto colhido do pé percorre vivo as veias. A casa fortalece minhas asas. Eu me esqueço daqueles que duvidam e querem tolher. Pelos seus frutos o conhecerei. Mas é preciso lutar por eles porque as águas tumultuam, a cidade ensurdece, os títulos são espadas.
 
 Nestes últimos dias de 2012, para este novo ano que se aproxima, deixo minhas imagens. As imagens de dentro de mim, as imagens de fora de mim. Essas pinturas vivas, pelas quais sou grata ao Pai, vieram também de mãos amigas. Cada palavra de força, ânimo, amizade, amor e fé recebida por meio deste blog frutificou em mim, em dimensões concretas. Se a casa que sou se mantém entre ventos e chuva é porque não estive só. Obrigada minhas queridas amigas. Que 2013 seja um ano de saúde, força, convicções, matizes em cores, persistência, bênçãos e fé para todas nós, em meio aos gigantes em ebulição.
 
PS.: Após minha mudança no estilo de vida, meus focos de endometriose não só pararam de crescer, como estão diminuindo de tamanho. Estes são os links de imagens de exames de três momentos do foco de endometriose no ovário:
 
1. Data: 28/08/2010. Medidas do endometrioma: 6.19 x 4.66 x 5.97 cm Veja os exames aqui: http://exames1.wordpress.com/
 
2. Data: 26/02/2011. Medidas do endometrioma: 4.30 x 3.11 x 3.98 cm .Veja os exames aqui: http://exames2.wordpress.com/

3. Data: 05/10/2012. Medidas do endometrioma: 3.47 x 2.87 x 3.47 cm. Veja os exames aqui: http://exames3.wordpress.com/




 
 
 
 
16/12/12 - Os dois pássaros filhotes, logo após voarem do ninho, preparando-se para seu segundo voo. 
 
 
"Portanto, Eu lhes digo: Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa? Observem as aves do céu: não semeiam, nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? [...]Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal."
Jesus Cristo (Mateus 6:25-27,33-34). 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Corrida


19 de novembro de 2012

Recebi uma história de uma querida amiga do blog.
Li e me sinto motivada. Leiam e se inspirem.

Ufa! Finalmente cheguei. Pensei que não fosse conseguir.  Cinco quilômetros correndo direto, para quem mal caminhava, é mesmo uma tarefa hercúlea. Mas, pensando bem, por falta de exemplo não foi. Minha família tem tradição em corridas. Dezesseis quilômetros é o que me separa da minha irmã, que corre vinte e um quilômetros quase todos os dias. Uma meia-maratona desbravada nas manhãs ensolaradas, frias ou chuvosas. De fato, um exemplo e tanto. Um orgulho para mim. Isto sem contar os meus pais, que sempre deram os seus treinos de corrida também. 


A meu ver, tudo isso sempre foi belo, mas distante. Nada era capaz de me motivar a uma simples caminhada. Pensava convicta: não herdei esta vontade de caminhar e, muito menos, de correr. Ficou tudo para a minha irmã. Atividade física não é mesmo comigo. Ledo engano. O que me faltava era um motivo, algo determinante que mudasse a minha forma de agir. Tanto é que agora, que eu tenho um motivo, estou aqui me perguntando como vou superar meus limites físicos a cada dia. Indagação impensável até há pouco tempo. Respirar pausadamente sem perder o fôlego na hora da corrida (e os outros corredores não perceberem que eu o perdi rs), fortalecer as minhas pernas para que sejam capazes de correr mais rápido e, o mais importante de tudo, continuar a me sentir cada vez melhor passaram a fazer parte do meu estilo de vida. Hummm... É isto! Sentir-me melhor é o que conquistei com a corrida.  Pois, ela me deu, sobretudo, um poder sobre mim mesma. Um orgulho pra lá de especial.  Um fortalecimento. Deve ser a tal da superação que tanto as pessoas falam. Uma das alegrias da vida que, às vezes, nos esquecemos de buscar, pois só nos focamos nas coisas grandes. 


A questão é que um motivo nem sempre nos é dado de graça, de modo fácil e indolor. Ficar inerte e acomodada era tudo o que eu queria. Mas, não foi o que a vida me reservou. Após sentir os sintomas claros da endometriose e me consultar com médicos que pouco ou nada entendiam sobre o assunto, além de serem extremamente arrogantes e sarcásticos, resolvi agir e pesquisar formas alternativas de tratamento para o controle da endo.

E foi aí que tudo começou. O tempo passou, a pesquisa demorou, mas finalmente encontrei um norte. Como a bússola precisa pela qual o navegador se orienta, nossa querida amiga blogueira – legítima e abençoada dona deste blog –, sabedora e conhecedora da alma humana, me botou para acordar e correr. Em suas linhas – tão bem embasadas e escritas –, ela plantou em mim a semente do poder. Quando nos recrutou para a missão de nossa vida, transformou-nos em bravas guerreiras, que têm, para lutar, o respaldo de armas poderosas. Armas de criação ao alcance de todas nós. Uma verdadeira reinvenção na forma de viver.

Nas pesquisas que sempre nos brinda, nas descobertas que sempre nos anuncia, nas traduções que sempre nos clareia, nas orações que sempre nos fortalece, nos resultados que sempre nos traz, ela despertou em mim a vontade e a coragem de trilhar um caminho-irmão ao seu, capaz de também driblar aquela que cresce com a nossa fraqueza. 
Um caminho natural, de valorização do alimento, de encontro com a natureza, de dedicação ao corpo e à mente, de fortalecimento.

E foi assim que resolvi, ainda no início deste ano, sair do meu estado de conforto e começar a caminhar lentamente, passo a passo, até conseguir, hoje, correr. Refutando, dessa forma, a minha tese de que caminhar e correr não era para mim. 

No início, como a minha vontade era muito grande e intensa de diminuir os meus sintomas, fiz caminhadas longas e diárias por até 2 horas, mudei a minha alimentação, e investi nos fitoterápicos. Seguindo exatamente os rastros da nossa amiga blogueira. Com essa atitude, pude experimentar um bem-estar que transcendeu a urgência do próprio controle da endo. Ou seria o próprio controle da endo que me trouxe tanto bem-estar? Não sei. Ainda não fiz os exames para comprovar a eficácia do método. Vou esperar um pouco mais para fazê-los. Só sei que os sintomas melhoraram e, empolgada, participei da minha primeira corrida de rua. E assim, posso hoje desfrutar de muitos ganhos, físicos e, principalmente, emocionais. Além da melhora dos sintomas da endometriose, que se Deus quiser, está a caminho de ser controlada. Tudo isso é um verdadeiro salto na qualidade de vida.

Obrigada, minha amiga! Só quem tem uma luz muito forte é capaz de iluminar o caminho dos outros. E que as caminhadas e corridas que tenhamos que desbravar sejam, sobretudo, uma forma de consagrar a vida e que a chegada seja sempre comemorada pouco importando o seu resultado, pois a certeza de que o melhor fizemos é a nossa verdadeira conquista.

Beijão carinhoso,
Michele.
Brasília-DF, 19/11/2012.
   

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Oração de Lorenzo

17 de outubro de 2012


Recebi um lindo e-mail de Alessandra, sobre quem falo no texto "O Tempo" (Veja aqui). Quando seu primeiro filho, chamado Lorenzo, estava com 2 anos, ela tentou engravidar novamente, mas sem sucesso. Em 2008, assim como eu, foi diagnosticada com endometriose profunda. Em 2009, ela fez uma cirurgia que durou 7 horas. No ano seguinte, fez uma nova cirurgia e inseminação artificial, que não surtiram efeito positivo. Sem tratamento, em 2011, descobriu que a endometriose havia se alastrado. Os médicos sugeriram menopausa forçada, FIV e cirurgia para retirada de um segmento do intestino. Ela não aceitou. Cinco médicos lhe disseram que ela jamais engravidaria naturalmente. Em meio a esse sofrimento, ela, seu marido e seu filho pediram a Deus por um milagre. Antes de dormir, Lorenzo orava pedindo por um irmão ou uma irmã. A oração de Lorenzo, assim como a fé da família, foi como um óleo curativo. Alessandra está grávida. Está no terceiro mês de gestação.

Da história de Alessandra, narrada a seguir, e de minha experiência, eu tiro algumas conclusões:

1. Cirurgias e tratamento para engravidar nem sempre representam a cura, embora a cirurgia possa realmente ser necessária (como foi no meu caso, em 2008) e haja relatos de gravidez após esses procedimentos, cujos efeitos colaterais a médio e longo prazo ainda não são conhecidos ou informados completamente. Segundo a literatura médica, indutores de ovulação, por exemplo, podem fazer com que a endometriose surja ou aumente. Quero escrever mais sobre isso; 
2. Sem tratamento, a endometriose avança. É preciso estar vigilante, fazer acompanhamento médico. Com o tratamento que faço, baseado na mudança de estilo de vida, a endometriose diminuiu. Vou colocar cópias dos meus exames do ovário (2010, 2011 e 2012) aqui no blog. O último exame, que fiz no dia 5 de outubro deste ano, mostrou que a endometriose no ovário (endometrioma) diminuiu ainda mais, sem remédios, sem cirurgias. Estou muito feliz; 
3. A história de Alessandra demonstra algo maior, que pode ser resumida pela frase, repetida por uma amiga que admiro muito: "Eu creio." Sim, Alessandra, você crê em Deus e no Seu Filho, Jesus Cristo. Você crê no poder da oração, a despeito de nossa tristeza, ansiedades, imperfeições e falhas. A oração tem poder e orar é, simplesmente, conversar com Deus, como se faz com um amigo. Como você disse, o milagre de Deus está ao alcance de todos nós, sem distinção. Está ao alcance do pequeno Lorenzo, em sua prece diária. A resposta de Deus, seja ela sim ou não, sempre será a melhor para nossa vida. Reconheço que Ele realiza milagres e aceito quando Ele me diz algo diferente daquilo que esperava, pois Deus nos salva do caminho único; 
4. Creio que Deus nos criou. Sendo assim, há leis que regem o funcionamento do organismo. Por isso, acredito que devemos seguir o melhor tratamento, que consiste em renovar nosso organismo com uma mudança de estilo de vida, que inclui alimentação saudável e exercícios físicos. Isso requer ciência, estudo, dedicação, persistência. Nem todos os alimentos saudáveis servem para todas as doenças. Nem todo recurso fitoterápico irá beneficiar todas as pessoas. Há exercícios físicos mais indicados do que outros. Receita de estilo de vida despersonalizada pode não resolver. Além disso, há situações em que a doença já avançou tanto, ou é tão desafiadora, que é preciso compreender atentamente seu mecanismo de ação e buscar os recursos curativos específicos que ofereçam menos efeitos colaterais, menor risco à vida. Mesmo o tratamento natural pode ter efeitos colaterais. Não existe nada perfeito neste mundo. É necessário estudar, conhecer, pesquisar, estar atento às pesquisas científicas, respeitar a experiência do outro, fazer consultas médicas, ler papers e livros médicos, observar o organismo em relação aos hábitos que adotamos, estar aberto a ouvir, analisar com cuidado aquilo que nos é vendido como uma solução rápida e curativa para algo complexo, atuar como agente promotor da própria cura e colocar as decisões em prática. Mesmo uma pessoa que não tenha fé, nem acredite em Deus, será beneficiada pela mudança de estilo de vida. Deus nos fez livres, inteligentes e deseja que façamos ciência, que tenhamos consciência sobre aquilo que nos faz mal e nos faz bem. É algo racional. Além de meu tratamento natural, escolhi crer em Deus. NEle encontro a força necessária para prosseguir. Ao Seu lado, a liberdade é ampla. Ele não julga, Ele ama. Não impõe, compartilha. Não exige, Se entrega. 

5. Precisamos compartilhar as dádivas que recebemos. Quando sentimos o grandioso toque de Deus, podemos reconhecê-Lo e falar sobre o que Ele faz por nós.

Alessandra, agradeço muito por você ter escrito sobre esse presente maravilhoso que Deus concedeu a sua linda família. Sua história será um bênção para muitas mulheres. Depois de uma grande período de dificuldades, que certamente surgiu para desanimá-los, vocês foram contemplados com o milagre de uma nova vida. Parabéns a toda família. Fiquem com Deus, sempre.       



TESTEMUNHO – GRAVIDEZ COM ENDOMETRIOSE
Me chamo Alessandra, sou de Vila Velha no Espírito Santo e venho contar um milagre que Deus operou em mim. Tenho um filho de 7 anos chamado Lorenzo. Em março de 2007 quando ele completou 2 anos eu comecei a tentar engravidar novamente. Um ano se passou sem sucesso e resolvi procurar ajuda médica. Em junho de 2008 fui diagnosticada com endometriose profunda infiltrativa no septo-reto-vaginal grau IV, o tipo mais severo, na hora não acreditei. Passou um tempo até cair a ficha. Fiz vários exames até ter um diagnostico exato da minha situação, que ficou comprovado através de ressonância magnética. Em maio de 2009 fiz a minha primeira cirurgia, foi demorada e complicada, fiquei por 7 horas no centro cirúrgico, uma recuperação muito dolorosa porque a área comprometida era muito próxima ao intestino e bexiga. Em 2010 voltei para uma nova cirurgia. Convencida pelos médicos fiz uma inseminação artificial em 2010 também sem resultado positivo. Já abalada psicologicamente resolvi entregar nas mãos de Deus e não fiz mais nenhum tipo de tratamento. Em dezembro de 2011 fiz novos exames e recebi a notícia que a endometriose havia se alastrado ainda mais e que as minhas únicas chances seriam a FIV – Fertilização In Vitro (que por princípios eu não considerava como opção) ou uma nova cirurgia, só que dessa vez muito mais delicada, pois meu intestino já estava muito desgastado em função das outras cirurgias o que me obrigaria a retirar uma parte do mesmo. Fui a um médico que me sugeriu uma menopausa forçada para eliminar os focos, mas também não tive coragem de fazer. Passei por 5 médicos diferentes e todos me davam o mesmo diagnóstico: "Você não conseguirá mais engravidar naturalmente" chorei, sofri muito, me desesperei porque não iríamos fazer a FIV e minha única esperança estava em Deus. Foi então que eu e meu marido decidimos que se fosse para termos outro filho Deus de alguma forma faria isso acontecer. Nessa época passamos por vários problemas familiares, profissionais e de saúde, mas entregamos TUDO nas mãos de Deus. Meu filho sempre pedia nas orações antes de dormir um irmãozinho ou uma irmãzinha. Ouvi muitos louvores me apeguei em Deus e nas orações. Todo mês eu tinha esperança que meu milagre ia acontecer porque dentro de mim eu me sentia curada. No dia 17 de agosto de 2012 tive que levar meu filho para fazer uns exames de rotina em um laboratório e resolvi fazer um teste de gravidez, sem muita esperança. Naquele mesmo dia veio a grande notícia: EU ESTOU GRÁVIDA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Sem tratamento médico, sem cirurgia, sem FIV, sem hormônio, sem nada! Depois de 5 anos de luta meu milagre aconteceu. Para JESUS nada é impossível!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Jesus é o médico dos médicos! Que felicidade, saber que enfim eu teria meu segundo filho e principalmente saber que eu tive a honra de receber a graça de um milagre de Deus. Gostaria de dar meu testemunho, pois conheço váaaaaaaaaaaarias mulheres que possuem endometriose e que não conseguem ter filhos. Estou com 13 semanas (3 meses) de gestação. Fiquem com Deus. Alessandra.

Queria amiga, me senti na responsabilidade de testemunhar para outras mulheres o meu milagre. Muiiiiiiiiiiiiiiito obrigada pelas lindas palavras que vc publicou sobre mim em seu blog. Vc é muito especial e tenho certeza que seu milagre também chegará, no tempo certo de Deus, não se esqueça disso. Fica com Deus, bjssssss Alessandra.





segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Tempo


27 de agosto de 2012

Depois de dirigir cortando a cerração matinal, descobri que a manhã de quinta-feira fora alterada à revelia. Desmarcaram uma reunião e não me avisaram previamente. De imediato, pensei em trazer o compromisso da tarde para a manhã, e do outro dia para aquele dia. O bom senso me mandava aproveitar bem o tempo. O senso de vida me moveu em outra direção. Como saí cedo de casa, não tinha caminhado. Já que a reunião seria num edifício localizado em meio a um jardim centenário, por que não caminhar?

Caminharei por 30 minutos apenas, pensei. Nunca tinha feito aquele trajeto a pé, embora de carro já o tenha admirado inúmeras vezes. Mas a distância, as cores são outras. Passo a passo, os detalhes se revelam. Depois de quase 20 minutos de caminhada, percebi que precisava registrar aquele momento. Mas isso me custaria mais alguns minutos para voltar, pegar a máquina fotográfica no carro e caminhar novamente até aquele ponto. Quanto tempo eu perderia? Quanto eu perderia se não desafiasse a pressão do tempo?

Com a máquina em mãos, refiz o trajeto. A árvore que parecia ter folhas coloridas estava carregada de exóticas flores vermelhas ligadas diretamente ao tronco. Embaixo, tapete de pétalas desmanchadas, recém-caídas, recém-vivas. Mais adiante uma planta semelhante a um pé de milho, cujas folhas verde água mescladas davam-me a impressão de estar diante de um pé de milho ornamental. Sorri. Que planta engraçada seria essa ao lado dos arranha-céus botânicos?

Contornei o trajeto principal, sentindo o Sol que aquecia a vegetação diversificada. Encontrei muitos bancos vazios. Diferentemente da minha reunião, outras não haviam sido desmarcadas. As pessoas estavam confinadas aos prédios. Como em um lugar tão lindo pode haver tão poucos para olhar? Tantos bancos vazios? Um pesquisador dali me contou que enfrentou 12 anos de depressão profunda. Melhorou depois que mudou a alimentação, passou a usar plantas medicinais, fazer refeições completas e praticar exercícios físicos. Mas naquele momento, ele estava muito estressado, afobado pelas responsabilidades, rouco de tanto falar, cansado de tanto correr. Contou-me que uma colega dele, que também atuava em pesquisas junto à natureza, tinha acabado de descobrir um câncer. A doença surgira após uma fase de intenso desgaste profissional.

Não basta estar em meio à natureza, é preciso parar e apreciá-la. Não basta mudar o rumo profissional, é preciso redimensionar o lugar que ocupamos. A grama mais verde não é apenas a mais distante, pode ser também o chão sob nossos pés. A paisagem muda se o olhar se transforma. Passei do lado de uma árvore esguia, cercada por suas iguais. Por anos, o que via era um tronco. No passeio a pé, com o contraste do forte azul, vi o tronco na sua cor. Amarelo vívido. Parei e fiquei olhando. Eu parecia o botânico italiano que fez uma expedição a Ubatuba e chorou diante de uma cachoeira na Mata Atlântica, tamanha a beleza que o remetia a Deus. Eu fotografava a imagem quando um senhor idoso, que fazia sua caminhada matinal, me perguntou que parte da árvore deveria pegar para fazer uma muda. Trocamos algumas palavras de admiração pela árvore, em uma interação ignorante. Não sabíamos nada sobre a espécie nem um sobre o outro, mas havíamos nos ligado pela reverência à criação. Tratávamos-nos ali, por instantes.

Tratávamos nossa saúde, por tantos motivos. Cientificamente, há comprovação de que nosso contato visual com a natureza produz efeitos positivos mensuráveis no organismo. Além disso, o contato com espaços verdes aumenta a proteção dos riscos de mortalidade (MITCHELL, Richard; ASTELL-BURT, Thomas; RICHARDSON, Elizabeth A. A comparison of green space indicators for epidemiological research. Disponível em: http://jech.bmj.com/content/65/10/853). As árvores estão relacionadas com menor incidência de asmas, segundo pesquisa feita na Universidade Columbia e publicada no jornal New York Times (MONT, Helena. Why Trees Matter. Disponível em: http://www.nytimes.com/2012/04/12/opinion/why-trees-matter.html). Pesquisa da faculdade de Medicina da Universidade de Indiana e da Universidade de Washington relaciona a área verde de vegetação com menores índices de obesidade em crianças (Neighborhood greenness has long-term positive impact on kids’ health. Disponível em: http://newsinfo.iu.edu/web/page/normal/9197.html). Essas pesquisas são relatadas também no artigo Verde é Saúde. Certamente, tamanha a criatividade da Ciência, também devem existir  estudos que indicam a relação entre saúde, natureza e comunidade. A natureza nos traz a necessidade de interagir. Ela transforma, arrebata, nos une. 
  
Após um pouco mais de uma hora, havia encerrado a caminhada. Então, trouxe para aquele restante de manhã, os afazeres da tarde, com alegria.

Precisava parar sem me separar de meus objetivos. Precisava abrir mão do domínio do tempo. Precisava voltar a escrever no blog. Como ficar sem essa cura? Como me afastar de algo que me proporciona tantos aprendizados e me faz tão feliz? A caminhada me fez lembrar de Alessandra. Ela me escreveu e contou sobre o diagnóstico de endometriose profunda. O médico havia recomendado a FIV, além de um tratamento hormonal agressivo para a doença. Falei sobre minha opinião. Há tempos, venho construindo, pouco a pouco, meus argumentos sobre a fertilização com base em pesquisas científicas, experiências de outras mulheres. Foi para a Alessandra, para quem falei sobre isso pela primeira vez, diante de suas importantes indagações. Há sete dias, quase nove meses após a primeira troca de e-mails, ela escreveu:

Olá querida.
Tenho ótimas notícias.
Recebi meu milagre de Deus.
Estou grávida!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! de 5 semanas e 4 dias!
Indo contra a todos os médicos que diziam que eu não engravidaria naturalmente, somente se fizesse a FIV, estou grávida. Não fiz nenhum tipo de tratamento, nem remédios, nem hormônios, nada mesmo! Só parei de pensar nisso rsrsrs.
Deus operou esse milagre em mim.
Não perca sua fé, nunca, na hora certa de Deus ele te abençoará.
Fique com Deus!
Bjss
Alessandra

Não conheço Alessandra, nem ela me conhece. Não sei detalhes sobre sua história e luta pessoal. Mas a impressão que tenho dessa mulher forte, persistente e sensível é que, em certo momento nesse trajeto difícil e desgastante para superação da endometriose, ela estabeleceu uma relação com a vida marcada pela tranquilidade, tivesse o resultado que fosse. Ela não estava mais aprisionada a desfechos obrigatórios. Iniciou sua caminhada, confiando-se a um encontro de paz, acontecesse o que acontecesse. 

Independentemente de um desejo realizado ou não, de estarmos no melhor emprego ou não, de sermos amadas e compreendidas ou não, de caminharmos entre as árvores mais lindas ou não, essa libertação é a melhor conquista que gestamos ou é gestada em nós. Se existe tempo para todas as coisas, a paz é o tempo certo. O tempo é a escolha.

Alessandra, parabéns pelo seu querido bebê. Que notícia maravilhosa.
Que sua caminhada seja sempre linda.

PS.: Vou responder aos comentários até a próxima semana. Obrigada pelas mensagens.


















segunda-feira, 30 de julho de 2012

Ser mãe


31 de julho de 2012

Chegamos em casa e nos abraçamos. Queríamos um filho? Sem habituais listas de racionalizações e desobrigados, consentimos.

Tinha-me por infértil. Jamais pensei que nasci também para ser mãe. De certa forma, ainda sou a endometriose. Eu me imponho determinada contra o seu avanço, sem permitir que domine meu corpo. Mas quanto à ausência de uma filha ou filho, ela se agiganta, eu me resigno. Sonho um pouco, às vezes, como quando escrevi o texto sobre o dia do nascimento de Cristo (A Canção das Crianças) ou sobre a Terra Prometida.
 
No dia de Corpus Christis, desatenta a qualquer tradição, senti uma felicidade incontrolável. Nos dias que se sucederam, uma felicidade incontida. Meus seios estavam sensíveis. O inchaço abdominal começou a diminuir, como nunca havia ocorrido antes. A endometriose parecia retroceder sem eu ter que lutar titanicamente. Ela estaria se afastando? Assim como tem sido meu tratamento, o último golpe não viria por meio da incisão ou da química agressiva dos remédios, mas pelo maior de todos os milagres – um bebê que cresce e se forma dentro de mim? O espaço meu, agora seria dele?

Não, não estava grávida. A tentativa, um único não, dor intensa. Eu chorei. Recuperada do abalo à esperança, escrevo exatamente porque estou entregue a ela. É possível superar a endometriose. É possível ser mãe. Uma querida amiga me enviou uma matéria, escrita pela jornalista Cláudia Collucci, publicada no jornal Folha de S. Paulo, sobre a gravidez de uma mulher que tinha endometriose profunda, falência ovariana, aderências, aderências na trompa. Depois de muitas tentativas, engravidou. A segunda gravidez foi natural (Assinantes). “Quem dá a vida é Deus [...]. Tenho tido casos [de casais inférteis] tão esdrúxulos que engravidam e casos tão claros de que medicina vai resolver e não resolve, que cada vez mais acredito nisso”, diz o ginecologista Artur Dzik, diretor do Serviço de Esterilidade Conjugal do Hospital Pérola Byington. (Assinantes)

Sim, uma mulher com endometriose profunda pode gerar uma criança. Há duas semanas, fui a uma igreja num sábado. Encontrei uma amiga de 39 anos que tentou engravidar durante cinco anos. Agora está grávida de quatro meses. Ela tem miomas e ovário policístico. Ela me falou de Rose, que frequenta a mesma igreja. Ela tem endometriose profunda, trompas obstruídas. Há três meses, engravidou. Ela mora nesta cidade, é amiga de meus amigos, tem endometriose em estágio avançado e engravidou naturalmente.

Lembrei-me de dois casos interessantes. Duas professoras de importantes universidades públicas, inférteis devido à endometriose, engravidaram. Uma delas, eu conheço bem. A outra professora, conheci no intervalo de uma palestra há uns quatro meses. De maneira inusitada, a conversa tomou um rumo muito próximo para duas desconhecidas. Contei que tenho endometriose; ela me contou que teve também endometriose no intestino. Essas duas mulheres não se conhecem, apesar das semelhanças no nome, na carreira, na luta contra a endometriose, na superação da infertilidade, no número de filhos que tiveram (dois filhos), na personalidade – são mulheres determinadas. Por não haver rostos ou nomes e ser inusitado, o relato dessa história parece improvável. Mas, é real. A vida reserva surpresas, como disse minha amiga Michele. Histórias, com formas anônimas, que se conectam sem que suas protagonistas agraciadas sequer imaginem a amplitude do que as envolveu. Imensidade.  (Parágrafo inserido no dia 6 de agosto).

Superei a endometriose. Poderia superar a infertilidade, o terreno arenoso que ameaça me definir internamente? Na semana passada, a jornalista Ana Paula Padrão, que tem endometriose, deu uma entrevista e falou sobre suas tentativas para engravidar (Veja). Fez quatro fertilizações in vitro (FIV). Engravidou e perdeu o bebê com três meses de gestação. Posso imaginar um pouco dessa dor. Apesar de ter decidido com meu marido não recorrer à FIV, eu senti a dor de um desejo maternal não concretizado, e foi quase intolerável. Ninguém sabe ao certo o que pode acarretar a expectativa sucessiva e frustrada por uma gravidez, a dor da interrupção, a vida fragilizada nas mãos de mercadores da saúde, a esperança jogada num tabuleiro médico qualquer, a troca inacreditável entre dinheiro e um filho. Quanto custa para implantar um filho? Quanto custa para desimplantar a dor?

Não há desfechos felizes se felicidade significa apenas ter um filho. Mas certamente há felicidade nos enredos que fogem à definição única. É amplo e sem divisas, vai além dos vínculos de sangue. Recentemente, Ana Paula Padrão reuniu mulheres de todo mundo em um palco de relatos com desdobramentos imprevisíveis e libertários. Dezenas de mulheres contaram histórias até então silenciadas ou pouco conhecidas. Essas histórias encontraram outras escritas. Ampla luminosidade riscando a escuridão.

Em meio a atividades profissionais, conheci a história de Norma Nashed, uma palestina, cidadã do mundo. O pai morreu quando ela estava com oito anos. Para cuidar dos sete filhos, a mãe passou a costurar à noite. Ficou cega. Ela foi adotada por missionários. Estudou, formou-se e conseguiu um bom emprego. Trocou seu emprego por um trabalho em uma organização humanitária religiosa. Teve um câncer. Sem marido, sem filhos, na luta contra o câncer, decidiu abraçar um ideal. Largou novamente o emprego e, sem muitos recursos, fundou a Restore a Child. Hoje, a ONG atende a crianças em 13 países, com projetos de moradia, educação, saúde, agricultura e sustentabilidade ambiental. Em uma entrevista, ao lhe perguntarem onde encontra forças para fazer seu trabalho, Norma respondeu:

“Quando tive câncer e estava em tratamento, todos ao meu redor me perguntavam: ‘Como você pode estar tão feliz?’ Um ano antes, havia reconsagrado minha vida a Deus, e Ele me dera paz. O câncer acabou sendo uma bênção, porque me aproximou ainda mais de Deus. Coloquei minha confiança nEle. Eu não questionei a Deus ou chorei, nem mesmo uma vez. Sabia que se Ele estivesse comigo, tudo o que Ele havia posto em meu caminho seria para cumprir Seu plano. Eu não fazia ideia de qual era o propósito, mas agora sei: foi este ministério. Concentrei-me nestas crianças, e não em mim, e Deus me deu forças. A paz e a alegria que tenho é interna. Eu não posso expressá-la. Você tem que ter esse relacionamento com Deus para experimentá-la. Eu realmente acredito que ‘todas as coisas cooperam para o bem’”.

Sei que posso superar a endometriose, sei que você pode superar a endometriose. Sei que você pode ficar grávida, a despeito das sentenças médicas. Sei que eu poderia ficar grávida, mas não posso dizer que ficarei. Não posso afirmar que você realizará esse sonho. Há mulheres que não engravidam. Podemos e devemos fazer tudo que está ao nosso alcance para conquistar um sonho cuidadosamente projetado, mas o resultado final não deve nos fazer menores ou mais especiais aos olhos de ninguém. Principalmente, aos nossos olhos. Não é o que conquistamos que nos torna especiais, mas é a celebração da vida que nos diferencia, independentemente do que ela nos oferece.

A fertilidade é amplidão.


PS.: Este é o meu último texto para os próximos meses. Preciso finalizar um projeto profissional. Espero voltar a escrever o quanto antes.


Assista ao vídeo abaixo com definição superior no Vimeo: http://vimeo.com/40802206




Meu tratamento contra a endometriose, em linhas gerais:








Especialista em endometriose no Rio de Janeiro


 4 de setembro de 2012


Recebi a mensagem abaixo da Dri.  Se alguma leitora souber de um médico especialista em videolaparoscopia que atende pelo plano de saúde no Rio de Janeiro, por favor, envie um comentário para este blog. 


 Tenho 33 anos, não tenho filhos. Descobri que tenho endometriose profunda há 10 meses, depois de anos de sofrimento. Desde então vivo buscando especialistas. Gostaria de saber se tem algum especialista que faz videolaparoscopia pelo plano de saúde no Rio de Janeiro.

Recebi a mensagem abaixo, enviada por Jacqueline Rangel. Se alguma leitora souber de um médico especialista em endometriose no Rio de Janeiro (que faz o Doppler colorido com preparo para endometriose), por favor, envie um comentário para este blog.

Jacqueline, envie-me seu e-mail pelo espaço de comentários. Posso lhe passar um e-mail com o contato de alguém que, talvez, possa ajudá-la.

Estou com suspeita de endometriose, a história é bem longa, a dois anos venho tendo alterações, e a três anos tenatando engravidar e nada, fiz diversos exames todos ok,conforme a legião de ginecologistas que recorri, agora numa nova tentativa com Dr. Silvio Rios da clínica CEGIR, ele me informou que não aceita que eu não tenha nada, que ele vai investigar Endometriose, Fiz ressonância de pelve no ano passado, não apontou nada, agora numa Tomografia para pesquisar um cálculo renal apareceu um foco hipodenso na região anexial direita (Ovário), diante disso, ele me pediu exames para serem realizados no período da menstruação, ou seja ínicio de agosto, tenho muitas dúvidas, preciso fazer esses exames com um especialista, o problema é encontrá-lo. Onde posso fazer Ultrasom com doppler colorido com preparo para endometriose no Rj. Estou procurando na Net, e só vejo as meninas informando que fazem esse exame para detectar, mas não falam onde e com quem. Estou muito aflita, mas confiante.



Veja também o texto Exame para detecção de endometriose profunda, publicado neste blog. Muitas mulheres já enviaram sugestões de médicos especialistas em endometriose, em diferentes Estados. 



Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.

Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.



domingo, 15 de julho de 2012

Para Alessandra Onodera

15 de julho de 2012
Olá, Alessandra:


A leitora Sheila enviou um comentário para você. Se mais alguém tiver informações sobre a questão colocada por Sheila, envie um comentário para este blog. Esta é a mensagem de Sheila:

Olá Alessandra, li sua postagem e talvez possa me ajudar com uma informação...Em novembro 2011, operei de endo profunda mas tive várias complicações e uma delas é que minha bexiga ficou preguiçosa e preciso de sonda para urinar. Já faz 8 meses e não voltou a funcionar. Pergunte a opinião do seu marido se a bexiga voltará a funcionar...Abs sheila 





segunda-feira, 9 de julho de 2012

Respostas aos Comentários - II

9 de julho de 2012

Leia também o texto "Parasitose e endometriose" publicado neste blog.

Ola, tenho 35 anos e descobri a endometriose profunda ha 3 meses. Ha 3 anos tento engravidar, ja engravidei naturalmente 2 vezes mas abortei espontaneamente,isso ja faz 2 anos. Depois nao consegui mais engravidar aí fiz fertilizacao in vitro e nao deu certo, transferi embrios congelados tbm nao deu certo. Depois disto tudo fiz o transvaginal com preparo intestinal, no qual descobri a endometriose no intestino. Meu medico disse que eu teria que fazer uma cirurgia e tirar um pedaco do intestino, antes de fazer outro tratamento para engravidar. Achei a cirurgia muito complicada e decidi nao fazer e nao tentar mais engravidar. É muito sofrimento junto. Nao estou tomando nenhum remedio ate daqui a 3 meses, quando voltarei ao medico e ai comecarei um tratamento. Estou tentando mudar minha alimentacao e leio suas experiencias aqui. Gostaria de agradecer sua disposicao em compartilhar sua experiencia e suas pesquisas neste blog. Sinto voce como uma amiga, pq só quem tem a doenca sabe o que isto significa. Um grande abraco!  
Comentário enviado para o texto Nas noites frias de inverno
Anônimo
em 06/07/12

Tenho 35 anos também. Descobri a endometriose profunda há mais tempo. O médico também disse que eu teria de retirar um segmento do intestino. Talvez esse médico seja o mesmo que a atendeu. Sobre a experiência de tentar ser mãe, eu passei por essa expectativa recentemente. Foi apenas uma tentativa sem proteção, mas pensei que pudesse estar grávida. Desejei tanto estar grávida. Fiquei em função desse sentimento intenso. Criei expectativas, mesmo sabendo que uma mulher sem endometriose teria dificuldades para engravidar na primeira tentativa. Sei que não faz sentido minha expectativa, mas o fato de não ter engravidado se somou ao diagnóstico da endometriose profunda. Senti uma dor imensa. Não foi nada fácil. Isso coincidiu com o nascimento de um bebê na família, a gravidez de amigas e os comentários de quem não entende o que se passa com a gente. Depois de uma tempestade emocional, agora estou melhor.
Tenho absoluta certeza de que a mudança de estilo de vida é essencial para recuperar o organismo e nos dar saúde. É o ponto central de nossa recuperação. Mas não sei se com a mudança de estilo de vida eu ficaria grávida ou não, pois descobri a endometriose em estágio muito avançado. A endometriose diminuiu. A endometriose do intestino também diminuiu. Mas será que a mudança de estilo de vida além de combater a endometriose também possibilitaria uma gravidez? Não sei. Mas posso lhe dizer que minha nova alimentação tem feito muito bem para mim. Fazer exercícios físicos diariamente tem me ajudado muito. Essas mudanças têm sido fundamentais. Talvez eu consiga engravidar, talvez não. Decidimos não tentar, por enquanto. Talvez adotemos uma criança futuramente. A geração de uma criança é o maior de todos os milagres. Mas nós somos – você é – também esse milagre. Recebemos a vida e podemos doar vida de maneiras diversas, quem sabe gerando ainda um filho (conheço histórias de mulheres com endometriose profunda que engravidaram), quem sabe ajudando a quem não pode gerar uma criança (com a superação emocional e física da endometriose, mesmo que isso não resulte em uma gravidez, mas resulte em saúde, em superação, em alegria, sem sermos reféns de tempestades emocionais, como a que vivenciei esses dias), quem sabe acolhendo quem foi gerado, construindo uma nova história, com outros sonhos e muitas realizações.
Minha querida amiga, desejo um ótimo tratamento. Se tiver dúvidas, escreva quando precisar. Siga firme nas pesquisas sobre um novo estilo de vida. Com muito carinho.   



Boa noite. Gostaria de relatar, que faço controle da endometriose a vários anos, suspendendo com uso de contraceptivo. Desde janeiro de 2012, cortei radicalmente o consumo de alimentos açucarados da minha dieta. Em maio de 2012, suspendi o anti-concepcional e menstruei em junho. E quem diria foi inacreditável... Sem aquelas cólicas horríveis e sem inchaço abdominal, graças a deus. Agora creio que o açucar pode ser o mal pra muitas doenças. Abraço.fabiana
Comentário enviado para o texto Açúcar e endometriose
Em 02/07/12

Olá, Fabiana. Parabéns pela sua força de vontade! Deixar os doces é um desafio enorme. Eu sempre troquei refeições por doces. Era dependente do açúcar. Eu e meu marido fomos nos conscientizando aos poucos. O açúcar, no entanto, é um “alimento” para a endometriose, além de ser a causa de muitas outras doenças. Depois de várias substituições e novas receitas saborosas (mas saudáveis), eu não utilizo nem mesmo o açúcar mascavo. Apenas o mel, em pouca quantidade. No entanto, quando iniciei as mudanças, mesmo tendo tirado o açúcar de minha dieta, os focos ainda cresciam um pouco. Por isso, retirar o açúcar da alimentação é essencial, mas penso que pode não ser suficiente. Foi necessário incluir vegetais, frutas, legumes e muitos nutrientes no cardápio. Também comecei a fazer exercícios físicos diariamente e faço uso da fitoterapia. Além disso, combater o estresse é muito importante. Quanto ao anticoncepcional, ele também me fez muito, muito mal. Antes de descobrir a endometriose, eu utilizei por um ano o Yasmin. Um veneno para o meu organismo. Não utilizo mais anticoncepcionais.
Mas a endometriose nos engana. Podemos não sentir sintoma algum, mas os focos crescem rapidamente. Por isso, é importante ter acompanhamento médico constante, acompanhar o tamanho dos focos e fazer as mudanças na alimentação e no estilo de vida, em geral. Nesse contexto, retirar o açúcar da alimentação, como você fez de forma corajosa e convicta, é essencial.
Um grande abraço!  

Sinto dores fortíssimas na menstruação e tenho cada vez mais dores na relação e não consigo engravidar. Finalmente encontrei um médico disposto a me ajudar, já fiz vários exames de sangue e nada foi detectado agora ele e me passou este exame: ultrassom transvaginal com doppler. Gostaria de saber se o exame é eficaz em diagnosticar endometriose? Estou desesperada ..Obrigada
Comentário enviado para o texto A luta de Marli
em 01/07/12

Olá! Muitos médicos dizem que o único método de diagnóstico confiável é a laparoscopia. Outros também indicam a ressonância magnética. Há médicos que pedem a tomografia, um exame que por si só pode contribuir com o desenvolvimento da endometriose (Veja o texto). No entanto, médicos da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um exame que detecta a endometriose (inclusive a profunda) utilizando o ultrassom transvaginal com Doppler. Essa equipe, inclusive, treina outros médicos para fazer esse exame. Por isso, o diagnóstico eficaz por meio desse exame vai depender de um ponto fundamental: se o médico tem treinamento ou não. Se ele tem essa especialização, fique tranquila, ele vai conseguir diagnosticar a endometriose com esse método não invasivo. Fiz esse exame, com um médico especializado, e tive o diagnóstico de endometriose profunda. Basta citar que antes, mesmo tendo sido submetida a uma cirurgia aberta para retirada do ovário direito, a médica sem treinamento não tinha visto a endometriose no intestino. Quando fiz o transvaginal com Doppler, recebi o diagnóstico correto. Portanto, certifique-se se de que seu médico tem essa especialização. Se não tiver, ele pode não conseguir identificar os focos. É importante mencionar também que os planos de saúde não cobrem esse exame (tenho dois planos de saúde). O exame é particular, caro, oferecido por diferentes médicos a um custo diferente. Como já escrevi, creio que se o exame foi desenvolvido por pesquisadores de uma universidade pública, imagino que médicos do serviço público estejam recebendo treinamento gratuito. Imagino também que esses médicos têm lutado muito para estender esse exame para o maior número possível de mulheres, compartilhando a técnica com outros médicos comprometidos com a saúde pública, atuantes em outras universidades e hospitais universitários brasileiros. Sendo assim, talvez muitas mulheres estejam sendo beneficiadas gratuitamente por um exame que não requer uma tecnologia avançada, mas um conhecimento de interpretação de imagens e preparo intestinal específico. Quero crer que isso esteja sendo feito, pois trata-se de um exame que requer informação especializada, não uma tecnologia inacessível. Quanto custa a informação? O que é necessário para que ela se torne acessível e ajude a combater a dor que a endometriose nos traz? O verdadeiro conhecimento não beneficia a poucos, mas revoluciona a vida de muitos. O verdadeiro conhecimento é acessível e se faz com generosidade e missão.
Obrigada pela sua pergunta. Se tiver alguma dúvida, me escreva.
Um abraço!

Olá, minha amiga! Torço para que esteja muito bem. Que texto mais lindo o seu sobre sopa, aliás, a sopa. Sem dúvida, ela não pode faltar à mesa. Aproveito a oportunidade para lhe perguntar se você tem alguma informação sobre o aipim (mandioca), o cara e o inhame. Gosto muito de introduzi-los nas minhas refeições. Será que estou correndo algum risco? Já li algo sobre eles, mas não consigo mais encontrar o texto. São tantas informações que, mesmo apesar das minhas anotações, sempre escapa algo. Mais uma vez, obrigada pela sua enorme atenção e respeito. E pelos textos cheios de vida. Um beijo carinhoso! Michele.
Comentário enviado para o texto Nas noites frias de inverno
Anônimo
em 29/06/12

Oi, Michele! Que alegria receber sua mensagem. Se você pudesse conhecer quem fez a sopa, perceberia que meu texto apenas tenta retratar a atitude afetuosa única. A gente se nutre com a admiração, mas como expressá-la em palavras? Você expressa muito bem e me sinto muito feliz em ler o que escreve.   
Sobre sua pergunta, eu utilizo os alimentos que você citou, mas não faço uso com muita frequência. Como procuro variar bem a alimentação, acabo não comendo muito de um mesmo alimento (com exceção do alho, limão etc). Li sobre pesquisas que afirmam que o cara e o inhame fazem bem para a saúde da mulher. O cará japonês, inclusive, é utilizado para obtenção do hormônio progesterona, que serve de um tratamento alternativo para mulheres com endometriose (tratamento proposto pelo médico John Lee. Eu até procurei uma médica que me receitou essa progesterona, mas eu não utilizei, pois apesar da oferta de um produto supostamente menos agressivo, ele era feito a base de parabeno. Uma substância que contribui com o avanço da endometriose). O que eu procuro evitar mesmo é o consumo de batatas, devido ao acúmulo de agrotóxico (quando consumo, prefiro as orgânicas), excesso de amido (por esse motivo, os tubérculos, como a mandioca e outros, devem ser consumidos com moderação) e baixa composição nutricional (Além disso, antes, eu comia muita batata – frita, na forma de purê – e acabava não comendo outras variedades de nutrientes importantes, presente em legumes e verduras).
Um grande abraço, minha amiga!

Olá, parabéns pelo blog e as informações importantes que você compartilha. Estou na luta com os sintomas da endometriose a quase 5 anos e agora está profunda. Comecei a ter os sintomas 1 ano após o nascimento do meu filho mais novo e me submeti a uma laqueadura e muito me leva a crer que foi um dos fatores que desencadeou esse processo. Já passei por 3 médicos e agora acho que encontrei o caminho certo. Sei que vou necessitar de uma ou mais cirugias pela viodelaparoscopia, por estar com a bexiga repleta da focos e o ureter também com foco. Fiz a minha primeira cirurgia a dois anos pois estava com o ovário direito colado no útero e sentia dores horríveis. Realmente após mudar muitas coisas na minha vida como alimentação e inclusão de tratamento de acupuntura, que tenho o privilégio do meu marido ser acupunturista e assim pude melhor as dores em uns 60%. Mas ainda sofro com dores no período pós mestruação para fazer xixi e sofro de recorrentes infecções na bexiga. Realmente o caminho não é fácil, pois muita gente não conhece essa doença e muitas vezes até duvida da dor que sentimos, essa que não é nada fácil sentir e ainda ser mãe, mulher, funcionária, tudo que a sociedade acaba cobrando e muitas vezes não temos nem vontade de acordar e muito menos fazer qualquer coisa. Minha vida mudou muito depois da endometriose, mas aos poucos estou superando, e a acupuntura e a alimentação acho que foram fundamentais. Hoje vendo seu blog acho que só está me faltando arrumar um pouco mais de tempo para as atividades físicas e que resolvi encarar hoje como a próxima meta nessa luta. Estou no processo de fazer exames para cirurgia e confiante que as coisas irão melhorar, por indicação do meu segundo médico fui até o HC-SP, que agora atende a convênios e lá conheci um médico que atende no HU-USP no setor de endometriose e consegui um encaminhamento para o tratamento e cirurgia lá mesmo. Não sei se é fácil conseguir atendimento lá sem encaminhamento, mas até o momento estou confiante que agora estou nas mãos certas. Fica aqui a minha dica para quem tiver a possibilidade de fazer acupuntura, pode te proporcionar uma grande melhora e qualidade de vida.
Agradeço a sua dedicação e informações super úteis e com certeza agora vou sempre acessar para ver se temos mais informações e poder ajudar de alguma forma.
Comentário enviado para o texto Como superei a endometriose – Parte III 
Alessandra Onodera
em 28/06/12

Olá, Andressa:
Obrigada por compartilhar sua experiência. É uma experiência de superação, pois você tem vencido a dor por meio da transformação de seu estilo de vida. Sua história serve de estímulo para todas nós. A cada dia, com suas mudanças, você ficará ainda melhor. Eu não tenho endometriose na bexiga, segundo os exames. Mas às vezes sinto queimações. Isso ocorre principalmente quando tomo pouca água e como refeições com muito sódio (com tempero pronto em ocasiões em que tenho de comer em restaurante ou com um pouco mais de sal em receitas que eu mesma preparo). Uma das coisas que faço é tomar muita água. Não tomo líquido junto com as refeições, mas se sinto que iniciou a queimação, eu tomo água. De manhã, eu tomo dois copos de água e um limão espremido. Durante o dia, eu tomo vários copos de água. Suco de maçã (sem açúcar, na centrífuga ou no liquidificador com água) também ajuda. Além disso, o uso de alho e cebola funciona como um antibiótico diário, sem efeitos colaterais. Também conheço uma pessoa que utiliza, com sucesso, a planta panaceia (Solanum cernuum) para combater as infecções, pois tem uma importante ação diurética.
Os exercícios físicos são um remédio muito valioso. Eles combatem o excesso de estrógeno de maneira imediata, além de combater a glicose, melhorar as emoções, entre tantos outros benefícios. Obrigada por compartilhar também como está sendo seu tratamento. Isso beneficiará muitas mulheres. Escreva para contar os benefícios que você tem sentido com os exercícios físicos.
Agradeço suas palavras carinhosas. Desejo sucesso em seu tratamento!!


Fiz minha cirurgia de endometriose com o Dr. Ricardo Pereira há mais ou menos 4 anos e ele foi o anjo que devolveu a minha vida. Alé de um excelente profissional é extremamente humano e além de me livrar das muitas dores que sentia antes da cirurgia ele me deu a coisa que mais amo nessa vida, minha linda filha que hoje tem 1 ano e 8 meses e que não existiria se não fosse por ele e sua equipe, pois muitos médicos, inclusive de renome, me desenganaram, só ele aceitou me operar. Foi uma cirurgia dif[icil, durou 9 horas e cinco dias de recuperação no hospital, mais 30 dias em casa, mas hoje me sinto ótima. Também busquei uma grande mudança em meu estilo de vida e em meu psicológico, e acho que isso contribuiu muito para o sucesso da cura alcançada.
Anônimo
em 28/06/12
Agradeço por compartilhar sua história e muitos desafios e de grande superação! Fico feliz por você ter mudado seu estilo de vida. Também acho de fundamental importância o que você destacou – o psicológico. As mudanças precisam ser físicas, mas também devem ser emocionais. A mente impacta o corpo. O estresse e outros sentimentos alteram a química do organismo e desencadeiam processos inflamatórios. A endometriose é uma inflamação. Por isso, é importante refazer as emoções. Mesmo para fazer as mudanças na alimentação e no estilo de vida, estar psicologicamente bem é fundamental. Se estivermos tristes e desanimadas, nervosas e enfraquecidas, como teremos forças suficientes para mudar o cardápio e acreditar nos benefícios de uma vida saudável? O desânimo precisa ser vencido. Precisamos ter ideais, esperança, fazer planos, sonhar e colocar em ação novos objetivos, descobrir e construir uma vida com significado. Com certeza, como você disse, sua “grande mudança no estilo de vida e no psicológico” foram fundamentais. Obrigada por escrever! Um grande abraço.

Olá! Meu nome é Márcia e sou portadora de endometriose profunda. Tenho 44 anos. Retirei o útero em maio de 2010 e após a cirurgia tive sangramento durante 21 dias. Operei com uma médica ginecologista. Que arrependimento!!! Tive várias complicações. Após ressonância magnética, descobri que tenho endometriose profunda. Meu intestino está comprometido, como consta também na colonoscopia que fiz, parte do reto, bexiga e etc. Fiz tratamento com a vacina zoladex 3.6 durante 6 meses e confesso que a dor sumiu. Tenho muito gases, estou inchada (estou pesando 90 quilos), tenho uma barriga enorme (vive inchada) e o transtorno do humor. Mudo com muita facilidade. Faço uso contínuo do anticoncepcional cerazette a mais de 10 anos e continuo usando mesmo após a cirurgia, pois permaneci com meus ovários. O médico que me acompanha não quer me operar. Procurei opinião de outros e permanecem com a mesma ideia. Vou levar meu diagnóstico para médicos cirurgiões avaliarem. Graças a Deus estou viva e superando dia a dia esse problema. Estou disposta a mudar minha alimentação e praticar esporte (depois que meu pé fraturado melhorar). Não desistam!!! Vocês não são as únicas. Deus tem um plano na vida de cada um. Abraços!!!!
Comentário enviado para o texto Como superei a endometriose – Parte II

Oi, Márcia. Também sinto que não deveria ter perdido meu ovário direito. Outro médico me disse que talvez não precisaria ter retirado o ovário. Mas eu tinha tão pouco conhecimento e estava tão assustada, que aceitei a cirurgia. Quando me lembro disso, também me lembro do que já foi falado – “mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo [...]” (Filipenses 3:13). Foi escrito por um judeu romano, que possivelmente tinha uma doença crônica, há milhares de anos, num contexto religioso, com um objetivo diferente, pois ele buscava a soberana vocação de Deus e de modo surpreendente a tinha encontrado. Mas me serve de força, a força que preciso para prosseguir. Graças a Deus você está viva! Há tanto tempo você está lutando contra essa doença, mas tem procurado a cura. Você é uma vitoriosa. Com as mudanças que fiz na alimentação e com os exercícios físicos, eu melhorei muito mesmo. A endometriose diminuiu. Mesmo que seja difícil no início, busque fazer exercícios físicos diariamente. Isso é um grande remédio e ajudará muito na sua recuperação. Tem um médico Paulo Farber, com doutorado pela USP, que conseguiu emagrecer com mudança de estilo de vida. Embora eu faça uma dieta diferente da dele (ele come carne, eu não como mais; entre outras diferenças), acho a convicção que ele adquiriu sobre estilo de vida impressionante (Veja o texto). Além disso, se você tiver condições, veja se interessa ir a uma clínica de saúde (Veja o texto). Nem sempre é fácil fazer as mudanças, e eles podem ajudá-la nesse começo.
Márcia, o organismo tem uma capacidade de recuperação extraordinária. Com a mudança de estilo de vida, você ficará realmente melhor, será possível vencer a endometriose (apesar de ela ser uma doença crônica) e viver uma vida normal, mesmo com a endometriose profunda.
Estarei pensando em você! Desejo sucesso nas consultas e no seu caminho de cura. Você trouxe uma mensagem de força e confiança para todas nós! Obrigada!!
Com carinho!

Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais: