segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Anticoncepcional e endometriose


25 de fevereiro de 2013

Em minha história pessoal, da perda da saúde para a descoberta da doença, há um divisor de águas: o anticoncepcional. Antes de usá-lo, eu não tinha dor, nem menstruação excessiva, nem endometriose. Depois de um ano de uso, meu ciclo menstrual estava alterado. Algum tempo depois da interrupção do uso da pílula, descobri a endometriose.

Nenhuma das mulheres de minha família tem endometriose, nenhuma usa ou usou anticoncepcional, minhas irmãs não têm filhos. Apenas eu usei, apenas eu fui diagnosticada com a doença que pode apresentar ligações hereditárias. Embora minha realidade familiar ou a observação do meu corpo antes e depois do uso da pílula não tenham valor científico, pessoalmente, acredito que o anticoncepcional está relacionado com o aparecimento da endometriose em meu corpo. Não consta em bula, mas minha suspeita tem indícios que vão além de uma mera impressão pessoal. 

Seria coincidência ter surgido uma epidemia de endometriose em apenas algumas décadas depois do uso maciço da pílula e da nova pílula (O Yasmin chegou ao Brasil em 2001)? A doença não é nova, mas seu caráter epidêmico sim. Enquanto a mulher está utilizando a pílula, dizem que a chance de ter endometriose é pequena – deve ser por isso que a medicina tem indicado repetidamente o anticoncepcional para “prevenir” ou “tratar” a endometriose –, mas após a interrupção do uso da pílula, para engravidar ou aliviar o organismo dos efeitos colaterais da droga, milhares de mulheres, cedo ou tarde, acabam sendo diagnosticadas com focos de endometriose no útero e no ovário. A ciência comprova o primeiro resultado – aparente proteção durante o uso –, mas não quer nem saber de investigar o que me parece o mais importante: o que acontece, de fato, com a mulher após a interrupção da pílula? Se a endometriose surge ou aumenta isso tem a ver com a falta da pílula ou, mais precisamente, com o fato de a mulher tê-la utilizado no passado. Eu acredito na segunda opção. 

Se a pílula é tão boa assim, sendo tão extensivamente utilizada, por qual motivo uma multidão de mulheres em todo o mundo ocidental adoeceu dos hormônios (mulheres com endometriose têm padrão hiperestrogênico)? Por que elas usaram e deixaram de usar ou por que, simplesmente, elas usaram? Não são todas as mulheres, nem poucas as mulheres que recebem o diagnóstico de endometriose após o uso da pílula. Isso aconteceu com você? Aconteceu comigo. 

Não se trata de apontar uma causa única para a confusão hormonal que se instala no corpo da mulher com endometriose, mas alertar para os efeitos diretos e indiretos de uma droga amplamente comercializada, que impõe hormônios sintéticos na corrente sanguínea e modifica, sem pudores, o delicado equilíbrio hormonal do corpo feminino. Contra a pílula tem se acumulado, aos poucos, alertas médicos, resistente à forte maré da Big Pharma – expressão utilizada para designar a multimilionária indústria mundial dos fármacos. Você já leu alguma denúncia contra as pílulas na mídia ou teve acesso a pesquisas acadêmicas? 

A droga que nos libera para o sexo sem filhos é responsável por outras doenças tão ou mais graves que a endometriose. Os hormônios artificiais das novas pílulas, semelhantemente aos caminhões nas estradas que cortam São Paulo, são capazes, embora nem sempre o façam, de obstruir o trânsito sanguíneo, deixando o sangue espesso, lançando sujeira na circulação corpórea, favorecendo “trombos”, “coágulos” ou “congestionamento de sangue”.

Veja o resumo de alguns artigos publicados por jornais sobre a relação entre trombose e anticoncepcional:

1.   Folha de S. Paulo: França investiga mortes causadas por pílula (Veja). A agência de regulação de medicamentos confirmou a relação direta entre a morte de quatro mulheres, por trombose venosa profunda, e o uso do Diane 35 e genéricos. A pílula está ligada a AVC (Acidente Vascular Cerebral) e outros problemas.
2.   New York Times: More Detail on Risk Urged for a Contraceptive Label (Veja) O artigo trata da discussão nos EUA sobre a necessidade de um rótulo alertando os riscos da pílula. Um Comitê Executivo disse que os benefícios ainda superam os riscos, mas a FDA afirmou que os riscos têm se mostrado elevados. Há mais de 10 mil ações judiciais movidas contra a Bayer, alegando que as mulheres têm sido prejudicadas pelo YAZ e o Yasmin. Além disso, a Bayer promoveu a pílula como um remédio para aliviar a tensão pré-menstrual, sendo que não é essa sua função, alertou um médico.
3.   The Guardian: France confirms Diane-35 drug deaths (Veja) 
4.   Folha de S. Paulo: Estudos apontam que anticoncepcionais aumentam o risco de trombose (Veja). Os novos anticoncepcionais como o YAZ e o Yasmin (a base de drospirenona) têm 75% de chance a mais de causar trombose do que os anticoncepcionais antigos (a base de levonorgestrel).
5.   Folha de S. Paulo: EUA avaliam risco de trombose por uso de anticoncepcional (Veja). A Bayer enfrentou ação judicial nos EUA por morte de adolescente devido a coágulo sanguíneo grave supostamente associado ao YAZ. Segundo a Bayer, a bula informa sobre os riscos.
6.   Folha de S. Paulo: Anvisa alerta sobre anticoncepcional com hormônio Drospirenona (Veja)
7.   Folha de S. Paulo: Anticoncepcional não oral aumenta risco de trombose (Veja) Adesivos, anéis vaginais, implantes subcutâneos podem parecer “inocentes”, mas também aumentam o risco de trombose. Há um excelente infográfico nesta matéria.
A indústria farmacêutica, aliada a setores da medicina, esclarece que o risco de trombose profunda é pequeno, por isso não haveria motivos para preocupações ou proibições. Apenas algumas mulheres, de fato, morreriam em decorrência direta do efeito do remédio. Mas o que dizer de outras doenças? Algum pesquisador já investigou a relação real entre anticoncepcional e endometriose? Depois que a mulher interrompe o uso do anticoncepcional, como seu corpo reorganiza a produção de hormônios? Haveria uma relação entre trombose e endometriose? Por que mulheres com endometriose apresentam também trombofilia? Qual a relação entre trombofilia e anticoncepcional? Há uma extensa agenda temática de pesquisas importantes. 
Quando meu marido viu o endometrioma de 15 cm retirado junto com meu ovário, o descreveu como um impressionante “congestionamento de sangue”. O sangue que deveria ter sido “bombeado” para fora de meu organismo ficou no ovário e se acumulou densamente, como um grande trombo a tomar o lugar de um bebê. Por pouco, o trânsito geral não para. Se a endometriose acumulada tivesse se rompido, haveria risco à vida.  
Anticoncepcional provoca endometriose? De acordo com a bula, não. Observando meu organismo, sim. Lendo a bula novamente e vendo a quantidade de mal que causa, essa relação se faz certa, ainda que indireta. A partir da minha experiência, falaria de relação direta. Boa parte da ciência, por enquanto, parece que nem mesmo fez a pergunta básica: qual a relação real entre anticoncepcional e endometriose? No meu caso, se a passagem da saúde para a doença foi definida pelo anticoncepcional, o caminho inverso, da doença para a saúde, foi construído com a mudança de meu estilo de vida, com a interrupção do uso de pílulas, para que o delicado e tênue equilíbrio hormonal seja, aos poucos, reestabelecido e o trânsito orgânico flua com liberdade, sem paralisias.
Sexo livre é sexo saudável. Se a endometriose invade todo o aparelho reprodutivo, com potencial de destruir a saúde dos ovários e útero, e aniquilar o prazer sexual – a penetração se transforma em dor – e se realmente houver uma relação direta e/ou indireta entre anticoncepcional e endo, como acredito que há, a indústria está nos vendendo uma falsa liberdade. A liberdade sexual não se faz tirando a liberdade reprodutiva. A liberdade sexual não existe se, no final, a doença avança e perde-se o sexo. A verdadeira revolução não se faz com a introdução de substâncias violentas no corpo feminino, causadoras de trombos, possivelmente causadoras de endometriose, que não respeitam a sensibilidade de nossos vasos sanguíneos e sua maneira complexa e bela de se comunicar e produzir hormônios.  
Não uso mais anticoncepcional. Amo o sexo demais para voltar a fazer isso. Jamais voltarei a usar o Yasmin ou colocar adesivo como o médico referência em endometriose me sugeriu que fizesse. Não uso anticoncepcional, menstruo todo mês, minha saúde está muito melhor. A endometriose diminuiu.
A doença aprisiona. A pílula não nos liberta.

Eu reaprendi a ser livre.


Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.


Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.




domingo, 10 de fevereiro de 2013

Pensar demais na endometriose faz mal?

 
10 de fevereiro de 2013

No entra-e-sai de consultas médicas, uma fala comum: “Pare de pensar na endometriose.” Quando a recomendação médica parte de um profissional que desconhece a gravidade da doença, eu a desconsidero. Mas se quem fala é um especialista, ele poderia estar certo? Pensar demais na doença provocaria ansiedade desnecessária? Quanto mais endometriose na mente mais endometriose no corpo?

Em janeiro, li no New York Times o obituário de Susan Nolen-Hoerksema, professora de psicologia da Universidade Yale, morta aos 53 anos. Para Nolen, mulheres overthinking adoecem mais (Veja). Em outras palavras, mulheres que pensam demais vivem menos.

Tenho um blog sobre endometriose, no qual escrevo não apenas sobre a possibilidade de cura, mas também sobre as ameaças de uma doença traiçoeira. Sou assumidamente uma mulher overthinking. Sendo assim, o blog, como representação máxima desse pensamento, estaria me fazendo mal? Estaria fazendo mal a você que, contrariando aqueles que dizem “pare de ler sobre isso”, entrou nessa página anônima mais uma vez? Talvez você tenha decidido que tirar a endo da mente é um passo essencial para tirá-la do corpo. Talvez, tenhamos ouvido isso, após fazer uma pergunta sobre a qual a medicina não tem resposta; após expor uma dor para quem, simplesmente, por mais que nos ame, não sabe o que fazer com ela. Se dói, melhor não mexer. Se a resposta constrange ou desafia, combatam-se as perguntas. Mas se a dor beira o insuportável, esquecer é possível?
A endometriose é barulho. Em que silêncio há refúgio quando a dor avança?
Entrei no Estante Virtual e comprei, com pitadas de esperança e desconfiança, o livro de Nolen: “Mulheres que pensam demais” (Editora Alegro, 2003). Morei durante três anos na casa de uma família em que o marido era psicólogo. Eu folheava de tempo em tempo um livro da estante. O enredo se repetia convenientemente, socraticamente à necessidade do mercado: muita descrição da doença, e onde estavam as respostas? Lembranças e mais lembranças numa fala sofrida por anos a fio, e o silêncio-outro me resgata? As páginas finais eram melancolia.
O que Nolen me diria? O que haveria em seu olhar de pesquisadora sênior? O livro azul royal de capa estilizada em cima da minha mesa deve ter saído de uma banca promocional empoeirada do sebo paulista. Para quem acha que ciência boa é ciência que não se comunica, a capa ilustrada soa de antemão como livro de autoajuda de quinta categoria. Por vezes, me surpreendo: quanto tesouro escondido nossa visão inimiza.
É um livro benjamin button, que subverte o relógio livreiro da ciência da mente. Popular sim, e de palavra essencial. Vamos ao quarto capítulo da obra, tópico 11: “Pensamentos tóxicos – Pensando demais nos problemas de saúde.”
Se a doença põe a vida em risco, o pensamento excessivo é inevitável. O mesmo vale para a doença não mortal, mas que invalida, deforma, dói, desemprega, exige procedimentos médicos invasivos. Como não pensar sobre isso? Nolen nos ensina em como pensar sobre isso, diante de médicos que “não se comunicam bem”, diante de “opiniões conflitantes de médicos diferentes”, diante de um “serviço de saúde cheio de gente rude e atolada de trabalho, que não dá a menor bola para nossa dignidade e bem-estar”. Ela começa bem.
Nolen fala de Michelle, 33 anos, casada, redatora em uma revista feminina, diagnosticada com câncer de mama. A doença matara duas de suas tias, atingira sua mãe, havia chegado a ela. Antes do diagnóstico definitivo, ela ruminou sobre a doença, sobre a morte, a deformação, a dor, sem parar, sem tréguas. O livro relata pesquisas que demonstram que o pensamento excessivo leva ao pessimismo, à desesperança, ao sentimento de desamparo e pode fazer com que a mulher cuide menos de si mesma. Ciente disso, Michelle procurou controlar seus pensamentos.
Mas depois do resultado positivo da mamografia, ela ficou muito ansiosa, seus pensamentos a atordoavam. Ela então pediu que a médica saísse por um momento, após o exame. A contragosto, a médica saiu da sala. Nesse tempo, Michelle se acalmou e anotou uma lista de perguntas que queria fazer.
Quando a médica retornou, Michelle fez todas as perguntas e ouviu as respostas atentamente. Ela não estava convencida da decisão da médica em relação a uma cirurgia e pediu um encaminhamento para outro médico a fim de ter uma segunda opinião. “Isso incomodou a médica enormemente, e Michelle sentiu um surto de culpa e constrangimento. Mas, então, deu um passo para trás mentalmente e ralhou consigo mesma por se sentir culpada por cuidar de si mesma. Ela fincou pé”, e a médica lhe deu a indicação requisitada.
Nolen diz que o pensamento excessivo de Michelle quase a impediu de fazer as perguntas necessárias e de enfrentar a postura equivocada da médica. Quando a médica se mostrou contrariada, Michelle começou a ter pensamentos de culpa. “Tal culpa infelizmente é comum em mulheres – não suportamos o pensamento de chatear alguém, sobretudo um médico importante [...]”. Se não fazemos o que temos que fazer, isso se torna motivo de mais pensamento excessivo.
Antes da nova consulta, Michelle continuou tendo pensamentos excessivos. Acordava à noite, não conseguia dormir. Pensava em como a doença afetaria seu casamento, seu pequeno filho, pensava na questão financeira, fazia várias projeções mentais de desfechos hipotéticos. A insônia prejudicou seu desempenho no trabalho. “A fadiga nutriu uma crescente depressão pela preocupação com a saúde”.
“Um dia, quando estava com o olhar fixo na tela do computador, ruminando morbidamente se Jason ainda a acharia atraente depois da cirurgia de mama, ela gritou 'Pare!' alto o bastante [...]. Michelle respirou fundo algumas vezes e, então, disse a si mesma: ‘Isso está me despedaçando. Não quero viver na desgraça. Não vou deixar que isso tome conta da minha vida.’ Ela levantou-se [...], saiu do prédio para dar uma caminhada revigorante em volta da quadra. Quando chegou a uma pracinha perto do escritório, sentou-se em um banco e começou a rezar a Deus por ajuda para fazer frente a suas preocupações. Ela juntou as mãos em concha literalmente e simbolicamente estendeu suas lágrimas para que Deus pegasse. Uma mulher [...] passou pelo bancou de Michelle e olhou-a de um jeito estranho, mas Michelle sentiu uma onda de alívio arrebatando-a.”
Michelle acreditava em Deus. A fé em Deus a confortou ao “longo dessa experiência cruciante, mas suas crenças religiosas também foram testadas pela experiência”. Michelle se perguntava qual era o propósito dessa experiência, qual era a força de sua fé. Por que Deus permitira a doença? Seu questionamento significava que a fé era insuficiente? Segundo Nole, as questões relacionadas à fé podem levar aos pensamentos excessivos mais perturbadores. A mais terrível culpa por questionar a Deus ou a religião. O que aconteceria depois da morte? Se Deus é amor, por que existe o sofrimento? “Michelle finalmente chegou a uma conclusão sobre suas perguntas.”
Diante de outras inquietações, Michelle tinha dificuldades de se concentrar no trabalho. Então, passou a anotar rapidamente seus sentimentos e esperar um momento mais tranquilo para voltar a eles e buscar respostas.
Quando soube que teria de fazer a cirurgia, Michelle estava acompanhada do marido. “E suas lágrimas correram. Jason segurou-a firmemente enquanto ela soluçava.” Ela respirou fundo, foi até a pia, lavou o rosto e pediu que Jason a acompanhasse em uma caminhada ao redor de um lago. Enquanto caminhavam, ela expôs todos os seus medos – medo de morrer, medo de que ele não a achasse mais atraente... Jason a escutou e a confortou. Seus pais também a escutaram e a confortaram. Ela contou para os amigos e colegas de trabalho. Muitos foram solidários, alguns ficaram em silêncio, uma colega a desanimou. Então, uma amiga a ajudou a lidar com aqueles sentimentos.
Mesmo sem um marido, mesmo sem uma família, é preciso procurar escuta. Alguém com quem dividir a dor é essencial.
Michelle decidiu fazer uma reportagem para a revista sobre câncer de mama. Ela “sentiu-se melhor ao escrever tudo. Enquanto digitava no computador, lágrimas escorriam por seu rosto. Ainda assim, sentiu um tremendo alívio da tensão enquanto vertia os detalhes de suas experiências e pensamentos em palavras.”
Escrever nos faz bem. Revelar as inquietações é importante. Interagir é terapêutico.
Depois da cirurgia, Michelle vez ou outra se via diante dos pensamentos excessivos. Será que a doença voltaria? Então, pouco a pouco, ela foi reforçando estratégias e adotando outras. Fez outras reportagens, decidiu sair uma hora mais cedo do trabalho para ficar com o filho, resolveu praticar exercícios físicos com frequência, melhorou sua dieta saudável, “acrescentaria um vegetal extra em cada jantar para aumentar a ingestão de alimentos anticancerígenos”.
Ela também buscava informações de qualidade para responder a seus anseios e melhorar sua relação com os médicos (se por um lado, a informação pode melhorar nossa relação com os médicos; por outro, pode piorar a relação de alguns médicos com a paciente. Se acontecer, nada de culpa); anotava os temas do pensamento excessivo e voltava a eles em um momento mais calmo; além de escrever sobre o assunto e fazer palestras públicas sobre a conscientização do câncer.
Dizia a si mesma, quando perguntava qual era o propósito daquela doença: “Só Deus sabe por que estou passando por isso; quero apenas aprender a viver de modo positivo com isso; cresci muitíssimo como pessoa.” Além disso, quando os pensamentos tóxicos voltavam, ela admitia a si mesma: “Isso é natural. Tenho o direito de me sentir assim.” Mas adotava estratégias para não deixar que esses pensamentos a dominassem. “Ela tentava escutar os pensamentos, talvez escrevendo.”
“Algumas pessoas acusaram Michelle de soar como Pollyanna quando falava sobre o que tinha aprendido e o quanto havia crescido em sua luta contra o câncer. De início, isso abalou Michelle, mas depois, ela percebeu que o otimismo e o foco no aspecto positivo eram o que ela precisava fazer, e não podia deixar que os outros lhe roubassem isso.[...] O otimismo de Michelle não supunha que a cura iria cair do céu ou que tudo ia ficar bem – formas de negação que algumas pessoas utilizam para encarar doença e privação. Michelle sabia que estava em apuros e que o histórico familiar de câncer de mama e sua pouca idade não contribuíam para um prognóstico cor-de-rosa. Mas ela optou por permanecer esperançosa e conservar o espírito de luta. Também optou por assumir o controle de seu tratamento médico e de sua vida tanto quanto possível, em vez de sucumbir a sensações de desemparo [...].”  
Quanto mais escrevo, quanto mais falo, quanto mais interajo, quanto mais oro, quanto mais me exercito e cuido de minha alimentação, quanto mais leio e descubro realidades incríveis, quanto mais penso na endometriose, menor ela fica.