13 de junho
Antes de descobrir a endometriose, usei muita soja: grãos,
tofú, lei em pó industrializado. Logo após a cirurgia de urgência, a qual fui
submetida para retirar o endometrioma de quase 15 cm, quando perdi meu
ovário direito, bebia muito leite em pó de soja (Marcas Soy), enriquecido com
vitamina B12. Eu usava porque parecia uma oferta muito saudável, tamanho o
marketing que a indústria alimentícia faz do produto. Na época, não me
preocupava com minha alimentação. Não pensava que o alimento tivesse influência
tão grande na minha saúde ou no surgimento de doenças. Usava a soja porque
parecia ser uma oferta saudável e fácil. Nutrição instantânea.
Mas eu mudei. Isso aconteceu, principalmente, quando percebi
que não haveria respostas fáceis para a endometriose. Após passar por várias
consultas com médicos de referência, aceitei que estou diante de uma doença
enigmática, dolorida e cara. Apesar do preço das consultas particulares, não
havia promessas certas de cura. Eu precisava encontrar um caminho que tratasse
a causa da doença e não apenas seus sintomas. Embora possa ser necessário, cortar
o tecido doente de endometriose não impede que ela continue crescendo. Eu
precisava reequilibrar meu organismo.
A ciência, no entanto, diz que a causa da endometriose é indefinida.
Os médicos lidam com hipóteses, mas o tratamento parece estar direcionado aos
sintomas e a uma regulação artificial dos hormônios, além da eliminação de
focos por diferentes técnicas cirúrgicas. Sem remédios, o corpo se
desestrutura. Com remédios, ele avança, mas a que custo e por quanto tempo?
Decidi mudar meu estilo de vida. Entre as mudanças que fiz,
retirei a soja de minha alimentação, mesmo contrariando a recomendação de
alguns médicos. Concluí que se ela fosse tão boa assim para o meu organismo, a
endometriose não deveria ter avançado tanto, pois eu usava soja diariamente.
Após retirar a soja e fazer muitas outras mudanças, os focos de endometriose
diminuíram. Apenas tirar a soja não fará os focos diminuírem, mas colocá-la na
alimentação poderá fazer os focos de endometriose crescerem. A soja não é a
única vilã responsável pelo crescimento dos focos, nem tê-la tirado do cardápio
é a razão pela qual os focos diminuíram, mas pela minha experiência, acredito
que ela tem um papel importante no avanço da endometriose e de outras doenças.
Alguns cientistas também acham a mesma coisa, conforme indicam as pesquisas a
seguir:
1. NOEL, Jean-Christophe et al. Ureteral mullerian carcinosarcoma (mixed
mullerian tumor) associated with endometriosis occurring in a patient with a
concentrated soy isoflavones supplementation.
O artigo relata o caso de uma mulher de 75 anos, com
endometriose. A endometriose se transformou em câncer, após o uso de
suplementação de soja concentrada. A transformação maligna dos focos foi
associada ao uso da soja, nas condições apontadas.
2. CHANDRAREDDY, Ashadeep et al. Adverse
effects of phytoestrogens on reproductive health: a report of three cases.
Sangramento uterino anormal com patologia endometrial em
três mulheres foi relacionado a uma alta ingestão de produtos de soja. A
primeira mulher tinha sangramento pós-menopausa com pólipo uterino, endométrio
proliferativo e um mioma. A segunda mulher apresentou dismenorréia severa,
sangramento uterino anormal, endometriose sem responder ao tratamento. A
terceira mulher com dismenorréia severa, sangramento uterino anormal,
endometriose e miomas uterinos com infertilidade secundária. Todas as três
mulheres melhoraram após a retirada da soja da dieta.
3. MENDES, J.J.
Amaral. The endocrine
disrupters: a major medical challenge (2002). In: Food and Chemical Toxicology.
O artigo fala sobre os desreguladores endócrinos (DE) que
são responsáveis por efeitos patológicos no sistema reprodutor masculino e
feminino, função da tireóide, sistema nervoso central e fertilidade. Entre
esses DÊS, está a soja, apontada como um alimento que aumenta o estrógeno no
organismo.
A pesquisa considera os pontos controversos, mostrando
efeitos positivos e negativos do uso da soja. Contudo, alerta para os riscos da
utilização de soja por mulheres com câncer.
Embora realizada em uma instituição de pesquisa sem
representatividade, a pesquisa traz resultados desfavoráveis sobre o uso da
soja pelos homens, com impactos negativos no seu sistema reprodutivo.
Muito interessante. Fala da associação da genisteína
(encontrada na soja) com o câncer.
A maioria das pesquisas sobre o assunto defende o uso da
soja, inclusive para o tratamento da endometriose. Mas há algumas pesquisas que
apontam para os riscos relacionados também ao câncer (como sabemos, a endometriose
é muito semelhante ao câncer). Ao ler as pesquisas mais recentes, tenho me
convencido dos riscos da soja. Um de seus efeitos é elevar os níveis de
estrógeno no corpo (O estrógeno alto aumenta a endometriose). Uma hipótese: talvez
esses riscos tenham a ver com a soja transgênica e/ou produtos
industrializados, e não com o uso moderado de grãos orgânicos, que pode ser
saudável para mulheres que fazem reposição hormonal e não têm endometriose, por
exemplo.
Sem dúvida, são necessárias mais pesquisas, com a discussão
sobre os resultados de diferentes investigações acadêmicas sobre o assunto,
para avaliar os possíveis benefícios e riscos envolvidos com o uso desses
produtos, mesmo entre as pessoas consideradas saudáveis. De qualquer forma, eu
não utilizo mais leite de soja em pó, suplementos que levam soja, creme de
leite de soja, leite condensado de soja etc. Pode agradar o paladar, ser doce,
semelhante aos produtos com leite, cada vez mais similares às guloseimas do
mercado, destaque de matérias jornalísticas, acima de qualquer suspeita,
embalados pelo marketing da vida saudável e pela promessa promocional de um
corpo com saúde, mas esses produtos industrializados à base de soja não me
fizeram bem.
A alimentação correta transforma o organismo. A alimentação
errada traz doenças. Para uma parcela de cientistas, a soja não é tão inocente
quanto parece ser.
PS.: Na produção de soja transgênica, estão utilizando o
herbicida 2,4-D, um dos componentes do agente laranja, além do glifosato, por
exemplo. Produtos químicos altamente prejudiciais à saúde.