skip to main |
skip to sidebar
29 de novembro de 2011
Semelhantemente a muitas mulheres com endometriose, eu sofri com a candidíase. Provocada por fungos, a candidíase está relacionada com corrimento branco espesso e coceira intensa na região genital. É uma micose que provoca infecção. A dor durante as relações sexuais também é sintoma comum. A doença é chata, causa desconforto e, frequentemente, está associada à endometriose (Veja artigos acadêmicos que relatam essa associação. Artigo 1, Artigo 2, Artigo 3).
Há muitas causas da candidíase. A mulher que usa antibióticos, anticoncepcionais ou corticóides está mais susceptível. Tudo aquilo que enfraquece o sistema imunológico predispõe o organismo à candidíase. Os médicos receitam antimicóticos para combatê-la. Mas em muitos casos, a infecção volta.Mesmo modificando minha alimentação e estilo de vida, a candidíase persistia, com período de melhoras e recaídas. Vi muitas indicações de banhos de assento, entre outros tratamentos. Embora sejam eficientes, nem sempre sobra tempo – e às vezes falta paciência – para fazer os banhos (mas ainda pretendo fazê-los, pois há constatações científicas de que melhoram a saúde da mulher). Então, finalmente encontrei uma resposta poderosa para a candidíase – o alho.
A partir de toda mudança que fiz para superar a endometriose (Veja aqui), passei a usar alho diariamente. Com o uso diário desse pequeno remédio, a candidíase se foi. Nada de coceiras intensas, nada de corrimentos. Que alívio! Como podem ver nos textos que indiquei, minha alimentação e meus hábitos mudaram bastante também. Um exemplo: não como açúcar, um forte desencadeador da infecção. Diminuí o consumo de massas, outro desencadeador da infecção. Portanto, alho sozinho talvez ajude, mas pode não resolver totalmente.
Recentemente, comprei iogurte orgânico (uma delícia!). Não deu outra. Depois de alguns dias, a candidíase voltou, mesmo usando o alho. Parei com o iogurte. Depois de uma semana, o corrimento e a coceira sumiram. Sim, alho é um antimicótico poderoso, mas parece que é preciso mudar a alimentação ou, pelo menos, não usar alimentos que desencadeiam a micose, entre eles laticínios, açúcar e excesso de massas.
Na semana passada, folheei um livro de Sônia Hirsch sobre saúde da mulher, Só para mulheres. Ainda não tenho livros de sua autoria, mas pretendo adquiri-los. Conheço pouco do seu trabalho, mas o que li me surpreendeu positivamente. Li rapidamente sobre candidíase. Ela diz que alho é o remédio mais poderoso. Eu acredito, por experiência própria. Mas o alho não serve apenas para combater candidíase ou substituir antibióticos. O alho é também um poderoso remédio contra a endometriose. Fiz descobertas interessantes nesse sentido.
Recentemente, os resultados de meus exames de sangue apontaram uma leve diminuição de plaquetas e um aumento de imunoglobulina E (IgE). O aumento de IgE pode estar ligado a diversos fatores, entre eles alergias. O médico concluiu que não era nada preocupante. Mas eu nunca havia tido alterações como essas. Como coincidiu com o uso diário de alho, me interessei por pesquisar mais.
Encontrei algumas informações bem interessantes:
1. O alho reduz a quantidade de trombina no sangue, responsável pela coagulação. Há uma alteração nas plaquetas.2. O IgE alto indica também uma diminuição de trombinas. De acordo com uma pesquisa publicada pela Scientific American, o IgE alto pode ser positivo, evitando, entre outras coisas, paradas cardíacas fulminantes. Com uma quantidade menor de trombina, a atividade de coagulação do sangue diminui. Por isso, a chance de uma parada cardíaca é menor (Veja a notícia).
Mas o que isso tem a ver com endometriose? Teria a trombina alguma relação com a endometriose também, já que a doença está relacionada ao sangue e a processos de coagulação? Fiz uma pesquisa em inglês que sempre fornece resultados muito interessantes. Encontrei um artigo acadêmico da Universidade de Tókio, no Japão. Veja o que os pesquisadores afirmam:Estas conclusões implicam que o sistema de trombina pode estar envolvido na fisiopatologia da endometriose, estimulando a resposta inflamatória de células de endometriose e sua atividade mitogênica. (These findings imply that the thrombin system might be involved in the pathophysiology of endometriosis, stimulating inflammatory responses of endometriotic cells and their mitogenic activity (Veja o artigo).Os autores afirmam que a endometriose está relacionada à inflamação. Essa inflamação, por sua vez, faz crescer os focos de endometriose e provoca muita dor. Os pesquisadores queriam saber se a trombina contribui com o aumento da endometriose, já que a trombina tem uma ação inflamatória, além de seu papel na coagulação sanguínea. Além disso, a trombina está naturalmente ligada à multiplicação das células do endométrio. Por isso tudo, pareceu aos pesquisadores que ela poderia estar relacionada à endometriose. Realmente, faz muito sentido. Para comprovar a suspeita, foram analisados tecidos de endometriose retirados de mulheres com a doença. Eles analisaram pedaços de endometriomas – os cistos de endometriose no ovário.
Ao estudar atentamente a química da endometriose relacionada aos processos inflamatórios, concluíram, por meio de procedimentos analíticos, que a trombina está relacionada, sim, com o avanço da endometriose.É uma pesquisa complexa que nos aponta para uma solução simples – o alho. Sim, o alho diminui a concentração de trombina. Meus exames apontaram isso. Sim, o efeito é imediato. O que comemos interfere direta e rapidamente na saúde. Com o uso do alho, em menos de um mês, meus níveis de trombina diminuíram. Os exames demonstram, o corpo avisa.
Portanto, ao diminuir a quantidade de trombina, o alho combate a inflamação, diminui a endometriose, reduz o inchaço abdominal e consiste num remédio poderoso contra a dor. O alho também é indicado para a endometriose porque reduz os níveis de açúcar no sangue. Outro grande resultado desse remédio natural. Desde que passei a fazer uso do alho, como aponto acima, o inchaço abdominal diminuiu muito.Com todos esses benefícios, o odor do alho é apenas um detalhe quase insignificante. No combate eficaz à endometriose, o aroma-alho é perfume curativo.
PS.: 1. Atenção: Quem vai se submeter a uma cirurgia deve suspender o uso do alho 15 dias antes. Ao diminuir a trombina, o alho também interfere no processo de coagulação.2. Os Riscos: De acordo com a American Academy of Family Physicians, os efeitos colaterais do alho são geralmente ligeiros e incomuns. Mas algumas pessoas podem desenvolver erupções alérgicas ou bolhas com o uso tópico (Fonte).3. No domingo passado, li num blog no New York Times um texto sobre pesquisas científicas que comprovam os benefícios do alho, inclusive para candidíase. O uso de alho para tratar fungos no pé se mostrou 100% eficiente, enquanto o remédio mais indicado para essa moléstia (lamisil) tem uma eficácia de 90%. A receita é simples: alho amassado com azeite aplicado diretamente nas lesões. Há outras dicas no artigo. Veja aqui.5. Escrevi outro texto sobre os benefícios do alho: Mais poderoso que o Zoladex? Mais eficiente que o Mirena?
6. Site que indico sobre o tratamento natural da candidíase: http://candidiaseapraga.blogspot.com/
7. A coceira nas partes íntimas provocada pela candidíase pode desencadear lesões brancas perigosas. Para aliviar a coceira e também combater os fungos, passe o “gel” da folha de aloe vera ou babosa (sua parte interna) nas partes íntimas. A planta aloe arborescens tem um gel mais claro e mais fluído. Ideal.8. Nos cinco gráficos que apresentam a classificação dos efeitos de certos alimentos contra vários cânceres específicos (cólon, cérebro, pulmão, próstata e mama), o médico David Servan-Schreiber coloca o alho como o alimento mais poderoso e eficaz, numa lista de mais de 30 alimentos, entre eles, a cebola e o aspargo (Ver em Servan-Schreiber, David. Anticâncer. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.).
Leia sobre O Médico dos médicos.
Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.
14 de novembro de 2011
Queremos ter uma terra. Um lugar em que não existam fumaças escuras nem poluição química que se movimenta no ar sem que ninguém se dê conta. Esse desejo tem a ver com minha infância vivida ao lado da roça. Minha casa era a última da cidadezinha. Nosso quintal se multiplicava infinitamente com a terra e mata a perder de vista, onde eu corria junto com um cão fila de pêlos cor de castanha que nunca soube morder ninguém – um cão de guarda desmoralizado, guardador de crianças, que adorava brincar de cabo de guerra. Com mandíbula boba, o cão podia até ameaçar atacar um desconhecido, mas jamais o feria. Um cão próprio para os ares pacíficos daqueles tempos. Vivíamos em paz. Ninguém perdia a vida ou sofria nas mãos dos maus.
Sob o olhar do meu pai, pulávamos com o cão na mata, ouvindo aqui e ali um chocalho que diziam ser de cobra. Mas nunca vimos uma nos domínios do campo, embora meu pai, à época um sócio-gerente de empresa, tenha chegado a encontrar uma falsa coral no terraço de casa nos domínios do urbano. Mantendo-nos a distância, ele brincou com aquele filhote deslizante, tirou fotos e liberou a pequena em sua casa, no mundo ao lado. Havia sábados em que meus pais montavam a cesta de piquenique e seguíamos caminho de terra a dentro, ao lado de minas brotando pela terra pálida e fértil, povoada por pés de café e nichos generosos de mata intacta. Meus pais não moram mais naquela casa situada em uma das pontas da cidade, que oferecia o melhor da vida urbana no campo – a extensão verde e selvagem da minha infância nutrida por muitos dias de céu azul ou de chuva suave. A natureza era calma. Depois de tantos anos, aquela cidade enriquecida engoliu o campo. Só na memória não há cimentos nem fábricas.
A necessidade de superação da endometriose trouxe de volta a imagem da criança com seu cão e a natureza. Imagem que por tanto tempo mantive quieta. Ao ler sobre a importância de uma vida desacelerada, sobre o valor da água e do ar puro, sobre o alimento cultivado de maneira a respeitar a terra, lembrei-me dos tempos idos. Saí de lá para ganhar o mundo. Morei em vários lugares, estudei em universidades, conheci meu marido e cheguei a esta cidade, com suas oportunidades e sentenças. Foi aqui que conheci a dor da endometriose.
Precisamos voltar no tempo, parar o tempo. Encontrar um lugar onde os minutos não avançam o sinal da sanidade. Queremos ter uma terra. Conhecemos toda a área rural da região onde moramos. Nenhuma semelhança com minha antiga casa metade-cidade-campo. Toda vez que estávamos prestes a fazer um negócio, encantados pela oferta de vida bucólica, descobríamos as vilezas do lugar – chocalhos reais da violência que avança. Contaminação ambiental, assaltos, crimes, insegurança, brutalidades alimentadas pelo tráfico e uso de drogas. O crack se espalha por este país.
Depois de muitas tentativas e desfechos frustrantes, pensamos em ir para um condomínio com terrenos mais amplos que preservassem um pouco da natureza. O marketing habitacional é hábil em identificar nosso DNA ancestral edênico ao nomear esses feudos de “Colinas...”, “Jardim...”, “Estrelas...” Meu sonho de infância pareceu reviver quando encontramos um condomínio no centro da cidade vizinha. Estar dentro da cidade e, ao mesmo tempo, no “campo”, com segurança, nos pareceu a solução perfeita. Mas como perfeição não existe, o condomínio está rodeado de antenas, tem como vizinho um cemitério centenário (que pode contaminar o lençol freático) e uma delegacia de polícia superlotada que fere a decência humana. No entanto, comparativamente ao que tínhamos visto, o lugar ainda parecia excelente pela beleza e aparente segurança – não havia registro de assalto ali, enquanto outros condomínios são alvos da invasão de bandidos armados.
Pessoas compram chácaras e casas em condomínios sem saber que esses lugares têm se tornado muito perigosos, mesmo nas regiões mais interioranas e nos estados mais ricos do país. Fomos à delegacia para ver os boletins de ocorrência do local e acessamos dados da Secretaria de Segurança Pública. O lugar era realmente seguro. Mas antes de fechar negócio, fomos à prefeitura, conversamos com o engenheiro, fomos ao cartório e falamos com moradores. Decepção – os terrenos têm escritura, mas por um erro na documentação da empresa que construiu o condomínio, as casas não podem ser averbadas. Um funcionário público, sem saber disso, comprou o terreno, contratou uma construtora e adiantou os valores. Por causa dessa irregularidade, o fundo de garantia (FGTS) não pode ser liberado. A fim de pagar a construtora, vendeu sua casa por qualquer preço e entrou em dívidas. Agora, não consegue vender a casa construída, pois não pode ser financiada. Diante da situação, desesperou-se e acabou sofrendo um sério problema cardíaco. Levado pela promessa de uma vida de paz, pela aparência do lugar e pelos moradores ilustres, ele perdeu de vista informações essenciais. Há sonhos que cegam e cerram a vida. Mas sempre é possível se reconstruir. A despeito de nossos erros e acertos, somos a habitação mais importante.
Depois desse quase-negócio, pausa. Estávamos cansados, embora gratos a Deus por não termos feito a escolha errada. Mas após algum tempo, retomamos a busca. Meu marido me levou para conhecer um condomínio que havia encontrado pela internet, ao lado de montanhas, distante 80 km de nossa casa. Com água de mina e paisagem de tirar o fôlego, a região também apresenta índices baixos de violência. Ao visitar o lugar, avistei chácaras mais distantes, entre montanhas. Fomos até lá após percorrer uma estrada de terra solta, apinhada de pedras pelas encostas. Encontramos um sítio de 22 mil metros, com nascente de água, um rio pequeno correndo entre a mata preservada – visão deslumbrante. Para saber a verdade do lugar é preciso conversar com muitas pessoas. No conjunto dessas falas, você se aproxima da realidade. Há muita gente que omite ou falsifica informações para não desvalorizar seu chão. Mas ainda há os que falam o que precisa ser falado.
Foi uma experiência antropológica, uma reportagem extensa tendo como cenário aquele verde hipnotizante que a todo momento parecia me implorar majestosamente: compre de olhos vidrados... Resistindo ao ímpeto, continuamos a checar os fatos. A verdade não vem fácil, é uma conquista – precisamos desejar encontrá-la. Conversei com um técnico da Casa de Agricultura, o responsável pela Sabesp, uma geóloga com mestrado e doutorado em agronomia que dedica a sua vida a recuperar terras inférteis (a terra desse sítio é arenosa), um químico que analisa a toxicidade e potabilidade da água (embora a água seja de mina, pode estar naturalmente com excesso de fluoreto – um risco para a saúde), um geólogo, moradores...
Além de tomar ciência da química da terra e da água, conhecemos pessoas maravilhosas. O mais reservado de todos nos convidou para ir até sua casa e nos ofereceu um copo de água. Após nos verem pela primeira vez, dois moradores nos acompanharam no reconhecimento da área. Um senhor de 70 anos e o marido de uma secretária aposentada de São Bernardo nos guiaram entre a mata preservada. Uma pequena floresta de cambarás verde água floridos compõe o pelotão de frente. Chegamos às minas de água e ao riozinho correndo entre pedras lisas e esverdeadas. Nenhuma cobra, poucos insetos e muitas folhas de árvores gigantescas a obstruir a visão do céu com sua copa desgrenhada. Os cipós se lançavam em apoio aos passos vacilantes. A raiz de uma grande árvore segurava a encosta solidificada, enquanto o senhor de 70 anos, que mora ali há dez, media a profundidade da piscina de rocha esculpida ao acaso e, ao mesmo tempo, dizia com generosidade surpreendente: “não comprem a metade do meu terreno que eu havia oferecido a vocês, comprem aqui. Esse lugar é incrível.” O último sítio, da última rua, sem saída. Nesse lugar último, encontramos nosso chão – a terra se fez nossa ao menos naqueles instantes.
Fizemos a proposta de compra. Estamos esperando um retorno. No início, fiquei muito ansiosa. Mas agora, estou em paz. Entreguei nas mãos de Deus. Se for para o bem, tudo dará certo. Se não, o rio correrá em outra direção. “Por isso, quando a vida se desentende com o destino e descarrila em desgoverno no rumo do imprevisto, eu penso: talvez seja uma boa coisa... e eu acabe em lugares mais interessantes”, afirma a escritora-jornalista-literata... repórter Eliane Brum, no texto “A vida dos mortos”, que me emocionou profundamente (Veja aqui).
No lugar de beleza rara, sonho em reunir mulheres que passam pelo que passei para contar, em meio à criação de Deus, como tenho superado a endometriose – um percurso de trilhas, diálogos, dificuldades, descobertas, ciências, preces e gratidão. Quem sabe ali, naquela terra arenosa candidata à fertilidade, eu conte a um filho (que, talvez, eu possa gerar ou que talvez eu receba de quem o gerou) o que Deus fez por ele. A promessa da terra prometida é para todas nós.
PS.: Neste fim de semana, estive com meus pais. Sábado, eu e meu marido fotografamos a chácara onde eles moram e lugares da cidade onde nasci. Abaixo estão algumas fotos que meu marido fez.
Para encontrar a cura, o caminho e a paz, leia sobre
A importância da insistência
Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:
Um caminho, entre tantos
Gramáticas da nossa vida
