quarta-feira, 15 de junho de 2011

Endometriose no New York Times

15 de junho de 2011

No site do jornal New York Times (NYT), há um caderno especial sobre a endometriose (Veja aqui). As informações incluem causas, sintomas, exames, tratamentos, prognóstico, possíveis complicações e prevenção. Não há espaço para tratamentos alternativos, mas o jornal apresenta em linhas gerais as principais informações sobre a doença.


Além desse guia da endometriose, o NYT publica, vez ou outra, notícias sobre essa temática, na seção Health. Um das mais antigas, é de 8 de março de 1988 (Veja aqui). Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, o Caderno de Saúde decidiu abrir espaço para uma doença que aflige muitas delas. No título, um alerta: há ligação entre endometriose e deterioração dos ossos. Na corrente sanguínea da mulher com endometriose há maior concentração de uma substância chamada interleucina-1 que inibe o crescimento dos ossos. De acordo com o artigo, “as mulheres com endometriose também devem tomar medidas para evitar a osteoporose. Por exemplo, antes que atinjam a idade da menopausa, devem se exercitar regularmente e consumir quantidades adequadas de cálcio.” Minha alimentação é pobre em cálcio. Esse é um ponto que preciso corrigir.

A matéria publicada em 9 de julho de 2002 é bastante alarmista: a portadora de endometriose tem “um risco aumentado de desenvolver alergias graves, autoimunes e possivelmente o câncer [...]. Em vários estudos, mulheres com endometriose apresentaram um risco aumentado para o câncer, incluindo câncer de mama e ovário, melanoma e especialmente o linfoma não-Hodgkin”. Apesar da gravidade, a endometriose é subdiagnosticada. O artigo explica, com detalhes, os sintomas e descreve alguns tratamentos, entre eles, uma técnica com laser que alcança um índice de 82% de melhora. Há também um teste para ajudar a saber se uma mulher tem ou não endometriose. As perguntas são:

* Você tem dor pélvica? A dor pode ter um padrão mensal que piora durante o período menstrual, no meio do ciclo, ou ambos. A dor também pode ser constante.

* Você experimenta fadiga crônica, exaustão ou baixa de energia?

* Você tem diarreia, evacuações dolorosas ou outros desconfortos gastrointestinais durante a menstruação?

* Você tem inchaço do estômago e inchaço abdominal?

* Você tem ciclos menstruais irregulares ou abundante sangramento menstrual?

10 pontos para uma resposta "sim" à primeira pergunta e 5 pontos para cada resposta "sim" a outras questões. Se o total é de 10 pontos ou mais, você pode ter a doença.

Ler sobre correlações entre endometriose e doenças tão graves é muito difícil. Até que ponto o jornal não está sendo, de fato, alarmista? De qualquer forma, com a endometriose, desenvolvi também autoimunidade. É real. Mas ainda acredito que a informação, em vez de assustar simplesmente, pode salvar vidas. Seja por facilitar a identificação de sintomas; seja pelo estímulo à conscientização no que diz respeito ao estilo de vida: fazer exercícios, se alimentar melhor, buscar a felicidade ainda que façamos críticas justas aos discursos a la poliana. Sim, a felicidade é uma construção. Não é automática nem deve ser obrigatória. É uma opção que requer persistência, convicção, coragem e a certeza de que somos amadas, mesmo quando o amor está em falta ao derredor. A certeza de que é possível vencer. Esse é o desejo que tenho para mim e para cada leitora que encontra este blog.

Leia sobre a segurança, força e paz aqui.
Veja uma nova receita no blog Sabor com Saúde.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Endometriose e doença autoimune





1 de junho de 2011

Quando fiz, pela primeira vez, o exame do FAN (Fator anti-nuclear), o resultado foi normal. O especialista em endometriose requisitou uma lista de exames, e apenas fiz. Não sabia o significado de cada exame, mas também não estava muito preocupada com isso. Já havia coisa demais para me preocupar naquele momento. Afinal, tinha acabado de perder meu ovário direito.

No início de 2010, repeti novamente o FAN. Até esperava que, algum dia, eu iria me deparar com um resultado positivo para Tireoidite de Hashimoto, um hipotiroidismo autoimune (outro exame requisitado pelo ginecologista). Afinal, minha mãe tem a doença, que dá para manter sob controle. Mas o resultado foi outro: FAN reagente (padrões nuclear pontilhado grosso 1/320. Muito alto). Entre o leque das patologias, estão: Doença Mista do Tecido Conjuntivo, Lúpus Eritematoso Sistêmico, Esclerose Sistêmica, Artrite Reumatóide, Síndrome de Sjögren Primária, Lúpus.

O FAN reagente ou positivo pode estar presente em pessoas saudáveis (quando o título é baixo 1/80). Além disso, pode estar presente em portadoras de endometriose, sem que essas doenças autoimunes se manifestem. Mas elas também podem, sim, se manifestar. Possivelmente, a própria endometriose seja uma doença autoimune. Não ficou muito claro para mim – e, talvez, nem mesma a ciência tenha essa resposta ainda – qual é a relação exata entre FAN e endometriose. Vou ter alguma dessas doenças listadas em algum momento? Se tiver, vai se manifestar da mesma forma? Posso ter o FAN reagente apenas se tiver endometriose, sem qualquer outra doença autoimune coexistente? Muitas perguntas, respostas inconclusivas, sintomas variados.

Com o resultado em mãos, fiquei muito assustada. Fragilizada. As doenças autoimunes são desafiadoras tanto quanto a endometriose, ou mais. Sentia alguns sintomas mais preocupantes: perda de peso, queda de cabelo. Junto desse exame, outro resultado: níveis baixos de vitamina D (sua carência é um desencadeador de autoimunes) e do complexo B. No dia que vi o resultado, precisava dirigir quase 3h até chegar ao meu trabalho. Naquela viagem, dirigi entre lágrimas. Trabalhei em meio a uma tristeza profunda. Mas prossegui.

Mudei meu estilo de vida, melhorei a alimentação, comecei a me exercitar diariamente, a me expor ao Sol e a usar gliconutrientes. Continuo firme nesse caminho. Meu peso estabilizou, minha saúde voltou ao normal e a endometriose diminuiu. Não tenho dores e me sinto muito bem. Tenho apenas um sintoma que talvez não desapareça – o inchaço abdominal. Em todo esse trajeto de reformas e descobertas, de boas e más notícias, de consultas especiais e receitas realmente eficazes, renovei minha confiança em Alguém tão esquecido nos dias de hoje, mas que conhece nossa vida em cada um de seus detalhes.

Nesta semana, chegaram os resultados dos últimos exames de sangue. O FAN que tinha dado os alarmantes 1/320 passou, no segundo exame, para 1/160 e, agora, está no mínimo: 1/80. Embora eu pudesse prever esse resultado ao observar meu próprio corpo, com o exame tenho a certificação científica. A vitamina D (25 Hidroxi) passou de 14,6 para 38 ng/mL. Hoje, já tomei meu banho de Sol. Minha vitamina B12 está sob controle (vegetarianos devem sempre dosar essa importante vitamina). Com o quadro de hipovitaminose corrigido, a vida se fortalece.

Compartilho de minha experiência, para dizer: caso você descubra a endometriose em estágio mais avançado ou receba um resultado positivo para outras doenças autoimunes, não desanime. Eu estou bem, muito bem. Faça as mudanças, mesmo em meio a deslizes. Recomece, ainda que tudo pareça excessivamente difícil. Busque informações e as compartilhe. Confie, sempre. Você não está sozinha naquilo que lhe abateu. Ainda que esteja só, que não tenha filhos ou um marido carinhoso, que ao derredor e intimamente nem tudo esteja bem; sua luta para estar melhor é uma luta conjunta. Para quem busca a cura, não há solidão.

Leia a reflexão de hoje: O Médico dos médicos.



Coloquei uma nova receita no blog Sabor com Saúde.


Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.


Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.