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sábado, 24 de dezembro de 2011

A canção das crianças


24 de dezembro de 2011

Esta época do ano é especial. Independentemente da fé ou da ausência dela, é um momento de reencontros. Quero desejar a todas as mulheres que acompanharam este blog reencontros felizes neste Natal e no Ano Novo. Agradeço muito os comentários, as sugestões, as palavras carinhosas que me deram força, ampliaram as reflexões e me motivaram a continuar escrevendo. Desejo o caminho da cura e da superação da endometriose às mulheres que já tiveram o diagnóstico há mais tempo e às mulheres que acabaram de ser diagnosticadas, reafirmando minha experiência: é possível, sim, superar a dor e vencer a endometriose. Que o próximo ano traga mais relatos de vitória.

Nestes últimos meses, tive um desejo despertado. Por ter vivido na correria profissional e ter endometriose profunda, não pensava nisso. Mas em 2012, vou tentar ser mãe. Este ano foi muito especial, pois superei definitivamente a dor e a endometriose profunda diminuiu com a mudança de estilo de vida. Quem sabe seja possível segurar uma criança minha nos braços? Não sei.

Ao pensar na beleza das crianças, escrevi o texto abaixo. Para os que não creem, pode ser lido como um símbolo com raízes na tradição judaica. Para os que creem, como uma história viva capaz de se repetir indefinidamente. Para mim, é um texto de esperança.

Carinho,

A CANÇÃO DAS CRIANÇAS

Quem era capaz de reconhecê-Lo? Muitos dos que desejava salvar não queriam ser amados. Ele se sentia só.

Em um sábado, ao entrar no templo, viu apenas comércio. Numa rara cena em que a intensidade das emoções imprime força entristecida em Seu rosto sereno, Ele derruba a mesa dos cambistas. A casa de oração havia se transformado em covil de ladrões.

Naquele momento, a igreja encontra o edifício vivo. Edificado, restabelecido, limpo, o lugar se transforma. Finalmente, os que não ousavam entrar na catedral dos santos dominada por uma elite gananciosa se aproximam. Em meio à fúria de coragem e convicção sobre-humana, reconhecem o amor. Ninguém havia ousado deter Jesus. Ninguém poderia impedi-los de ir até Ele. Com a expulsão dos negociadores corruptos; passo a passo, cabisbaixos pelo sofrimento e opressão, os excluídos entraram.

Os cegos e os mancos aproximaram-se dEle. Foram curados. Sim, Ele os curou. Você pode imaginar aqueles momentos? Pense que alguém está à busca de um lugar de paz, mas não o encontra. Por todos os lados tudo parece corrompido e destituído de significado. A vida está imersa em dor. Então, Ele chega. Restitui nessa pessoa um lugar de oração. Transforma os desejos, afasta as ambições, limpa as angústias, coloca espontaneidade, alegria, leveza infantil, lhe dá uma missão – estender as mãos aos que sofrem. Começamos a presentear sem data marcada.

Algo muito diferente, grave e importante acontecia ali naquele dia aparentemente normal. Mas poucos puderam ver. Por instantes, contudo, Cristo teve sua solidão quebrada. Vejo lágrimas solenes em Seus olhos. Uma serenidade alegre incontida. Aquela igreja foi marcada por um acontecimento profundamente tocante. Impressionadas pelo que viram e sensíveis ao amor de Jesus, os meninos e meninas que estavam na igreja tiveram uma reação inusitada. Eles se uniram e cantaram com intensidade: “Hosana ao filho de Davi.” A canção ecoou pelas paredes do templo com a singeleza da voz infantil.

“Dos lábios das crianças e dos recém-nascidos suscitaste louvor” (Mateus 21:12-16; Salmo 8:2), disse Jesus. A canção infantil era o sinal mais forte de que ali, naquele instante, o sentido da existência havia renascido. O toque de Deus se fez presente na voz das crianças.


PS.: No vídeo abaixo, a linda canção Pie Jesu é interpretada em latim por meninas e meninos do grupo britânico Angelis. Veja em: http://www.youtube.com/watch?v=qfN8j9r-jGQ



Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:

Um caminho, entre tantos
Gramáticas da nossa vida





"Glória Deus nas alturas e paz na Terra

entre os homens, a quem ele quer bem".

Lucas 2:14.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Endometriose e cafeína



19 de dezembro de 2011

Tenho acompanhado seu blog e vi uma notícia e lembrei de vc. Talvez seja interessante buscar mais sobre o assunto, segue:http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/efe/2011/12/16/tomar-cafe-reduz-risco-de-cancer-endometrial-diz-estudo.jhtm
Agradeço o comentário que você enviou para este blog! Obrigada pelo link da notícia. Muitas pesquisas recentes têm apontado para os benefícios relacionados ao consumo do café. Outros estudos acadêmicos apontam para os riscos desse hábito. As pesquisas científicas chegam a conclusões diferentes por causa de variados fatores: metodologia, cultura em que está inserido o cientista, fonte de recursos financeiros etc.

A cultura do café faz parte de minha vida, em vários sentidos. Minha mãe era uma consumidora voraz de café, desde sua infância. Chegava a tomar várias xícaras por dia. A abstinência lhe provocava tremedeira, ansiedade, crises de dor de cabeça etc. Após muita determinação, conseguiu superar esse vício. Por causa de sua experiência, minha mãe não quis passar esse hábito para mim e minhas irmãs. Mas embora eu não beba café, já utilizei cafeína de outras fontes. Por exemplo, em duas ocasiões precisei, após longas horas de viagem, dar palestras de três horas para pesquisadores. Usei pó de guaraná, que tem mais cafeína do que o café. Resultado: fiquei tão “disposta” e “produtiva” que não consegui desligar nem mesmo à noite. Naquela noite, não dormi (Quinze gramas de pó de guaraná pode ter aproximadamente 550 mg de cafeína. Essa quantidade pode desencadear doenças e se enquadra no que especialistas chamam de “cafeinismo”). A cafeína está presente em refrigerantes, chocolates, chás, além do café. Assim, embora não tome café, já ingeri muito mais cafeína do que se tivesse tomada uma xícara da bebida. Essa é uma situação comum. Por isso, muito facilmente os consumidores de café ultrapassam a quantidade de cafeína hipoteticamente considerada segura (pois, ainda não há confirmação sobre segurança no consumo da bebida), ao ingerir também refrigerantes e chocolates.

Para avaliar se é seguro ou não consumir cafeína, é preciso acompanhar as pesquisas e também olhar para os sinais que o organismo dá. Por isso, é necessário buscar informações e ter acesso a artigos científicos e notícias como a que você enviou. As notícias, em geral, não nos oferecem uma avaliação das diferentes pesquisas sobre determinado assunto. Frequentemente, divulgam o resultado de um estudo específico. Se a notícia divulga apenas uma pesquisa científica que aponta unicamente para os malefícios de um alimento, por exemplo, pode desestimular seu consumo. Se ao contrário, for noticiado somente um estudo que concluiu ser saudável fazer uso de um alimento, pode estimular a sua utilização. Assim como a ciência, o jornalismo noticia pesquisas (e outros assuntos) em função de vários fatores: credibilidade da fonte, cultura do jornalista, cultura da empresa jornalística, interesses institucionais diversos, interesses do mercado, tempo de apuração etc. Dessa forma, embora as notícias jornalísticas sejam fundamentais, é importante buscar fontes acadêmicas mais amplas (de preferência que façam uma análise bibliométrica sobre o conjunto de pesquisas na área considerada, seguida de análise qualitativa) e/ou pesquisar notícias e fontes jornalísticas adicionais.

Tenho acompanhado as pesquisas e notícias sobre o café. Entre elas, destaco a entrevista com o médico Robert van Dam, professor do departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública de Harvard, que oferece informações amplas sobre o assunto no site da Universidade Harvard (Veja
). Trata-se, portanto, de uma fonte institucional de informação que reproduz conclusões científicas. As informações do Dr. Dam são interessantes porque ele faz uma análise de um conjunto de pesquisas nessa área, considerando alguns pontos controvertidos. Trata-se de um especialista sobre o assunto. Destacando os resultados positivos sobre o consumo do café, Dr. Dam faz as seguintes ressalvas:

1. Consumo em excesso – O consumo excessivo de café pode provocar tremores, estresse, insônia, entre outros sintomas. Segundo o médico, as pesquisas que apontam o benefício do café consideraram, em geral, o consumo de pouco café (a unidade analisada tem 100 mg de cafeína, enquanto na prática muitas pessoas podem fazer uso de 300 mg de cafeína por unidade/copo. Dez gramas de café é letal ao ser humano). Além disso, as pesquisas utilizaram o café preto, com pouco leite ou açúcar, “mas não com o tipo de bebidas com café de alto teor calórico que se tornaram populares ao longo dos últimos anos”.

2. O hábito de beber café está relacionado a comportamentos de risco – “Beber café normalmente ocorre junto do cigarro, e com um estilo de vida que não é muito consciente com a saúde. Por exemplo, pessoas que bebem muito café tendem a fazer menos exercícios físicos. Eles são menos propensos a usar suplementos alimentares, e tendem a ter uma dieta menos saudável.”

3. Café representa um risco para mulheres grávidas – “Para as mulheres grávidas, tem havido um pouco de controvérsia sobre se o consumo elevado de café ou a cafeína pode aumentar o risco de aborto. [...] Mas nós sabemos que a cafeína passa pela placenta e atinge o feto, e que o feto é muito sensível à cafeína, que a metaboliza muito lentamente. Então, para mulheres grávidas parece prudente reduzir o consumo de café a um nível baixo, por exemplo, um copo por dia.”

4. Café aumenta o risco de diabetes – “Com diabetes, é um pouco paradoxal. Estudos ao redor do mundo mostram consistentemente que o consumo elevado de cafeína ou café descafeinado está associado com baixo risco de diabetes tipo 2. Mas se você olhar para estudos específicos, após ser dado às pessoas o café, elas têm que comer algo rico em glicose. Sua sensibilidade à insulina diminui os níveis de glicose no sangue ficam mais elevados do que o esperado.” Diante disso, o médico recomenda café descafeínado. O café, em si, baixa a glicose no sangue. Mas o efeito posterior desencadeado pelo consumo de café leva a um desejo por açúcar. No que diz respeito à endometriose, o café poderia nos induzir ao consumo maior de açúcares – um fator de alto risco para o aumento da inflação e de focos da endometriose.

5. Café representa um risco para hipertensos – Dr. Dam afirma que o consumo de cafeína pode aumentar a pressão, mas que com o tempo há uma estabilidade do quadro. Contudo, ele alerta: “Mas se as pessoas têm hipertensão, e estão tendo dificuldade em controlar sua hipertensão, poderiam tentar mudar de café com cafeína para o café descafeinado, para ver se ele tem um efeito benéfico.”


6. Café aumenta o colesterol – O café possui uma substância chamada cafestol que eleva o mau colesterol (LDL). “Assim, para pessoas que têm níveis elevados de colesterol ou que querem evitar ter níveis elevados de colesterol, é melhor escolher o café filtrado com papel [...]”.

Mas qual o impacto do café ou da cafeína na endometriose? Qual é a consequência do consumo de café/cafeína para a fertilidade da mulher? Sim, há pesquisas nessa área. Selecionei algumas:

1. No artigo Selected food intake and risk of endometriosis
, pesquisadores da Universidade de Milão, na Itália, afirmam que o consumo de carne vermelha e presunto está relacionado com a endometriose. Mas não encontraram relação “significativa” entre o consumo de café e álcool, entre outros hábitos, com a endometriose.

2. No artigo Early follicular phase hormone levels in relation to patterns of alcohol, tobacco, and coffee use
, pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, afirmam que o consumo de café aumenta os níveis de estradiol na mulher, aumentando as chances de infertilidade. Uma quantidade de 500 mg de cafeína por dia aumenta em 70% o estradiol.

3. No artigo The Epidemiology of Endometriosis
, publicado na The New York Academy of Sciences, em 2002, os pesquisadores constatam aumento do risco de elevação do estrógeno (que provoca endometriose) com o consumo de café.

4. No artigo Hormonal therapies for endometriosis: implications for bone metabolism
, pesquisadores da Universidade do Texas, Estados Unidos, avaliam o impacto negativo de determinados tratamentos para a endometriose na estrutura óssea (agonista GnRH, como leuprolide [Lupron], nafarelin [Synarel], goserelin [Zoladex] e buserelin [Buserelina]). Após três meses de uso, há perda óssea significativa. Entre as recomendações desses pesquisadores, é que a mulher diminua o consumo de café e o hábito de fumar.

5. No artigo Relation of Female Infertility to Consumption of Caffeinated Beverages
, pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard (a mesma ddo Dr. Dam) afirmam que vários estudos têm relatado uma associação entre a ingestão de cafeína e o atraso da concepção (gravidez). Eles analisaram mais de 1000 mulheres, durante três anos, com e sem endometriose, de acordo com o hábito de consumo de café. Com o consumo de cafeína (mais de 7gr, por mês), houve um risco maior de infertilidade entre mulheres com endometriose. Os pesquisadores consideram necessário ampliar as análises sobre o risco da ingestão de cafeína no sistema reprodutivo da mulher.

6. No artigo Relation of endometriosis and neuromuscular disease of the gastrointestinal tract: new insights, pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, propuseram um tratamento para mulheres com endometriose intestinal cujos sintomas podem incluir dor abdominal crônica, náuseas, vômitos, saciedade precoce, distensão abdominal e alteração de hábitos intestinais. Esse tratamento consiste em mudança de dieta alimentar, com prescrição medicamentosa. A recomendação foi: eliminar o consumo de alimentos com cafeína e tiramina (queijo, carnes embutidas, shoyo, leveduras, leite de soja) incluindo a redução de carboidratos, entre outras orientações (Para quem usa antidepressivos, veja aqui os riscos da interação entre alimentos com tiramina e remédios antidepressivos neste estudo feito pela Universidade de São Paulo/USP
).

Como disse, para superar a endometriose fiz mudanças no meu estilo de vida. Entre elas, eliminei a cafeína. Embora o Dr. Dam não tenha considerado as pesquisas que relacionam endometriose e cafeína (inclusive uma feita em sua própria instituição); com base no que ele diz, penso que o uso do café pode fazer mal a minha saúde, ao aumentar meu desejo por doces; ao aumentar meu desejo por mais cafeína (pois a cafeína é deliciosamente viciante); ao estar associada, no meu caso, a um estilo de vida pouco ou nada saudável (é nos momentos de muita correria e de exigência de desempenho máximo que sinto ser impossível viver sem a cafeína. Por isso, para não usar a cafeína, tive que primeiro alterar uma “vida cafeínada”, reduzindo o excesso de atividades e as tensões diárias).

Quanto às demais acusações contra o café (provoca diabetes, causa hipertensão, aumenta o colesterol, faz mal ao coração, está associado à endometriose e à infertilidade etc), há pesquisas sérias que apontam para esses resultados. O mesmo se pode dizer sobre seus aspectos favoráveis. Diante de resultados tão diversos e, por vezes, paradoxais, a medicina acadêmica não pode recomendar o consumo do café para uma vida saudável, como afirmou o pesquisador de Harvard. Portanto, penso que nossa decisão quanto ao consumo de cafeína deve ser orientada pelo exercício de pesquisa contínuo; pela reflexão sobre os resultados divulgados; pela leitura crítica de notícias; não só pela quantidade, mas principalmente pela qualidade das análises científicas; pelo olhar atento ao nosso corpo e os sinais que envia. Por todos esses motivos, somados a uma orientação definidora em minha vida, eu eliminei a cafeína de minha alimentação. Com as demais mudanças no meu estilo de vida, não tenho mais dor e a endometriose diminuiu.

Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:Um caminho, entre tantos

Gramáticas da nossa vida



Lei sobre a Gratidão pela Saúde


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Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.


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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Cura da endometriose


14 de dezembro de 2011


Recentemente, foi publicada uma notícia animadora sobre perspectivas de tratamento da endometriose por meio de aplicação de aspirina diretamente nos focos da doença. O pesquisador Rogério Saad Hossne, professor de cirurgia da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), em Botucatu, aplicou uma injeção com aspirina (ácido acetilsalicílico 10%) diretamente nos focos de endometriose implantados em coelhas. O composto provocou a necrose dos focos. Destruiu a endometriose. Os resultados da pesquisa foram apresentados em setembro, em Montpellier, na França. De acordo com a última edição do Jornal da Faculdade de Medicina de Botucatu (Veja aqui, na p.12), a próxima etapa da pesquisa será realizada no Hospital Sírio Libanês. A aspirina será aplicada nos focos de endometriose implantados em suínos, por meio de ultrassonografia. Nada de cortes ou cirurgias.

Antes de testar a aspirina nos focos de endometriose, Saad Hossne testou a aplicação de aspirina em focos de câncer, com pesquisas desenvolvidas desde 1996. As duas doenças, de funcionamento semelhante, respondem também a tratamentos semelhantes.
Após a fase de testes em animais, o pesquisador pretende aplicar o medicamento em mulheres com endometriose. Saad afirma:

Dependendo do tamanho, da extensão da lesão, bem como da sua localização, poderá ser possível destruir os focos de endometriose ou pelo menos reduzir seu tamanho, facilitando assim a eventual abordagem cirúrgica subsequente, sendo esta uma nova alternativa para o tratamento.

A pesquisa é muito promissora. A boa notícia é que além de barato, o procedimento com aspirina poderá reduzir o número de cirurgias e, quem sabe, substituir remédios caríssimos. Resta saber se a indústria farmacêutica e os médicos que realizam dezenas de laparoscopias, cirurgias e exames diagnósticos de alto preço têm interesse em perder esse mercado lucrativo para um procedimento tão simples e eficaz quanto a aplicação de aspirina diretamente nos focos. Acho que deveríamos acompanhar essa pesquisa em específico, numa espécie de Observatório da Endometriose – um movimento de conscientização e trocas de conhecimento promovido na internet por milhares de portadoras de endometriose preocupadas não só com a própria cura, mas com todas as mulheres que sofrem com essa doença. Para sabermos sobre o andamento de pesquisa, podemos acompanhar a carreira do médico responsável por meio de seu currículo lattes, na página do CNPq (Veja o currículo aqui).

Não sabemos quando ou se as autoridades médicas vão aprovar a aplicação local de aspirina diretamente na endometriose. Sendo assim, poderíamos tomar o remédio para o combate da endometriose? Tomar aspirina poderia combater a endometriose? A aspirina age também na regulação de prostaglandinas, relacionadas também com o aumento da dor ao desencadear inflamações no organismo. Quando um tecido é danificado, a prostaglandina estimula a produção de plaquetas para a coagulação, entre outras funções. Como falei no texto anterior, quanto maior o processo de coagulação maior a chance de crescimento da endometriose. Por isso, o combate à coagulação exerce efeito positivo no controle ou diminuição da endometriose. A aspirina, a exemplo do alho, diminuiu o processo de coagulação. Mas diferentemente do alho, a aspirina tem efeitos colaterais que devem ser atentamente considerados.

Quando se anunciou o benefício da aspirina para prevenção de ataques cardíacos, muitas pessoas começaram a se automedicar. Mas poucos sabiam que estavam se expondo aos numerosos efeitos colaterais do remédio. O uso de aspirina aumenta em 70% a chance de problemas relacionados a hemorragias (Veja). Além disso, aumenta o risco de gastrite, úlcera, hemorragia digestiva, dengue hemorrágica, púrpura trombocitopênica (diminuição de plaquetas), edema cerebral, insuficiência hepática fulminante, piora da função renal (Veja). Assim, a “inocente” aspirina passou a ser recomendada apenas para pacientes com alto risco de doenças cardíacas.

Mesmo que supostamente a ingestão de aspirina combata a endometriose, os efeitos colaterais provocados por esse remédio não compensam o risco de uma solução hipotética. Quanto à pesquisa do médico, com aplicação local do ácido nos focos, as conclusões podem ser diferentes. Como disse, parece ser um tratamento medicamentoso barato, eficaz e, provavelmente, com menos efeitos colaterais do que Lectrum (Injeção que custa por volta de 450 reais e nem sempre está disponível na rede pública
. A injeção pode ser receitada por seis meses, o que daria um total de 2.700 reais. Veja a bula), o Zoladex (o 3,6 mg está por volta de 700 reais. De 10,8 mg, o preço é 2.100 reais. Seis meses de tratamento com Zoladex equivalem a mais ou menos 4.200 reais. Esses valores foram divulgados em 2010 por uma portadora de endometriose. Veja), o Danazol (De 100 mg, com 50 cápsulas custa por volta de 130 reais. Se for recomendada a dosagem máxima, 8 comprimidos por dia por seis meses, a mulher vai gastar por volta de 4.000 reais!!! Veja bula) (No passado, já gastei, por exemplo, em uma única consulta particular e um exame, cerca de 2.000 reais.)

De qualquer forma, barato ou caro, todos esses tratamentos resolvem ou prometem resolver os sintomas. Interrompido o uso, tudo pode voltar a ser com antes, a despeito dos terríveis efeitos colaterais, milhares de reais gastos e das esperanças por uma vida melhor. Além disso, talvez o uso de aspirina no combate da endometriose não vise à substituição de remédios caros e danosos ou de cirurgias complexas. Talvez essa resposta simples seja basicamente acomodada num sistema lucrativo já estabelecido por protocolos e diretrizes terapêuticas que seguem revestidas do aval científico. Ainda não sabemos se estamos diante de uma solução revolucionária ou afeita à ordem conhecida. O extraordinário é o que transforma o complicado em algo barato, acessível, eficaz, que toca e cura a raiz.

Quem sabe, diante das incertezas do futuro e das respostas insatisfatórias do presente, não deveríamos procurar remédios que não agridam o organismo ou que tenham efeitos colaterais mais controlados? Há fitoterápicos com ácido salicílico (o princípio ativo da aspirina que explica toda sua eficiência e foi retirado da planta Salgueiro e transformado quimicamente em ácido acetilsalicílico). Mais importante do que isso: há um grande poder curativo na mudança de estilo de vida. Alimentação natural e equilibrada. Muito exercício físico. Novo estilo de vida. Uma nova maneira de compreender a vida. Esse caminho não só pode combater os sintomas quanto destruir o princípio da doença nos libertando para uma vida sem dor. Mas a liberdade tem um preço que para muitas pessoas soa como uma restrição. Para quem coloca a esperança nesse caminho, seguida de ações, mesmo em meio a tropeços, os resultados compensam. São reais. Tenho endometriose profunda, não tenho mais dor, os focos diminuíram, sem efeitos colaterais. Sim, é possível. Como atesta o médico Saad, a resposta pode ser mais simples do que o sistema nos obriga a acreditar.

Um tratamento caro
não pode se estender pelo tempo, por limitações de dinheiro e de resistência corporal. Mas há cura no tratamento que envolve o corpo naturalmente, com delicadeza, se achega à pele a cada um de nossos dias. É receber a ducha de bálsamo comum, diária, cotidiana, fortificante para não só curar feridas, mas impedi-las que voltem ou se multipliquem. Uma decisão aromática e acolhedora, umbilicalmente junto do corpo. A alimentação correta, os exercícios, o cultivo do amor fazem isso pela gente.

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Para vencer a endometriose: levante-se

14 de dezembro de 2011



Quem tem menos riscos de ficar doente: um sedentário que se levanta várias vezes por dia ou alguém que faz exercícios físicos, mas fica sentado o dia inteiro, levantando-se muito pouco? Por incrível que pareça, a pessoa mais saudável nesse caso é o sedentário. A constatação foi feita por pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, e publicada no European Heart Journal (Veja). De acordo com a pesquisa, tempo demais sentado eleva risco cardíaco. “Levantar poucas vezes não muda a vida de ninguém”, disse o médico Antonio Sergio Tebexreni, da Unifesp. Renato Dutra, da Revista Veja, frequentemente fala da importância de movimentar-se durante todo o dia, e não apenas naquela hora reservada ao exercício físico (Veja).

No mês passado, outra pesquisa associou o aumento do risco de câncer na mama e no cólon com o hábito de ficar sentado. O hábito de ficar sentado por tempo prolongado tem sido associado a quase 200 mil novos casos de câncer por ano, segundo a pesquisa (Veja
). O estudo sugere que muitas horas na frente do computador aumentam riscos de tumores no intestino, útero, mamas, pulmões e ovários. Quanto mais tempo ficamos sentados, maior é o risco de câncer. Provavelmente, a mesma informação pode ser aplicada a diferentes doenças: quanto mais tempo sentada, maior o risco de endometriose.

Levantar-se é essencial para acelerar o metabolismo, ativar a circulação e oxigenar o corpo. Fazer caminhadas rápidas, distribuídas durante o dia, renovam o organismo. Também é importante fazer alongamentos. Eu passo muitas horas diante do computador. Tenho planos de mudar meu enfoque profissional, mas enquanto isso não acontece, tenho me esforçado para levantar várias vezes ao dia. Tenho me esforçado para alongar. Mas ainda preciso melhorar muito nesse importante aspecto.

Além de levantar-se periodicamente, quando estiver sentada, preste atenção a sua postura. Uma escritora a quem aprecio muito afirmou: “Para possuir bom sangue é preciso respirar bem. Plena e profunda inspiração de ar puro [...] Deve-se conceder aos pulmões a maior liberdade possível [...] Daí os efeitos do hábito tão comum, especialmente em trabalhos sedentários, de ficar dobrado sobre a tarefa em mão.” (Ellen G. White. Ciência do Bom Viver. p. 272). Eu tenho o hábito de me dobrar diante do computador. Nessa postura, é evidente que meu abdômen que sofre com multifocos de endometriose fique todo comprimido e não receba a oxigenação necessária para a saúde (Roupas apertadas provocam o mesmo efeito).

Embora eu já tenha melhorado muito, preciso estar mais atenta para esse tratamento simples: sentar-se com a postura correta, respirar adequadamente, levantar-se e alongar-se com frequência, além dos exercícios físicos diários. Se o simples ato de ficar sentado o dia todo tem provocado tantos casos de câncer, o simples fato de movimentar-se durante o dia todo pode nos ajudar a vencer doenças complexas. Essa não é apenas mais uma dica de saúde, entre tantas. É uma lei da saúde que precisa ser respeitada para se vencer a dor e a doença. Para superar a endometriose: desabotoe, estique-se, respire, levante-se.

PS.: Leia a notícia publicada na revista Época: Ficar tempo demais sentado pode causar câncer, diz estudo


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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ficar tempo demais sentado pode causar câncer, diz estudo

14 de dezembro de 2011

Uma pesquisa apresentada nos Estados Unidos sugere que muitas horas na frente do computador aumentam riscos de tumores no intestino, útero, mamas, pulmões e ovários

ALEXANDRE DE MELO

Trabalhos em que a pessoa fica horas e horas sentada em frente ao computador são cada vez mais comuns. Segundo estimativas americanas, passamos, em média,15 horas por dia sentados. Esse hábito pode ser mais prejudicial à saúde do que se imagina. Uma nova pesquisa sugere que o hábito é responsável pelo aparecimento de 173 mil novos casos de câncer a cada ano nos Estados Unidos.

O estudo foi apresentado pela epidemiologista americana Christine Friedenreich, durante a conferência do Instituto Americano para Pesquisa do Câncer (AICR), realizada no começo deste mês. Christine diz que passar muitas horas sentado, ainda que a pessoa faça exercícios físicos e seja ativa no restante do dia, aumenta os riscos do aparecimento de tumores no intestino, útero, nas mamas, pulmões e ovários.

A prática de exercícios físicos libera substâncias no corpo que evitam a inflamação das células – um processo que pode desencadear o aparecimento de tumores. Quando ficamos muito tempo sentados, o organismo reduz sua proteção contra processos inflamatórios. Também há indícios de que passar muito tempo sentado aumenta o riscos de ataque cardíaco.

Mesmo quem faz atividades físicas não está livre do risco oferecido pelas horas em que passa sentado em frente ao computador, dizem os especialistas. A prática diária de 30 minutos de exercícios, o mínimo recomendado pelos médicos, corresponde a apenas 3% do dia.

O Instituto Americano para Pesquisas de Câncer sugere algumas estratégias para melhorar a qualidade de vida no trabalho:

* programe um alerta no seu computador para lembrá-lo de hora em hora que é necessário levantar da mesa e dar uma caminhada pelo corredor. O seu programa de correio eletrônico pode lhe ajudar com o lembrete
* em vez de mandar mensagens eletrônicas para conversar com um colega de trabalho, faça uma caminhada até a mesa dele
* se possível, caminhe enquanto fala ao telefone

Fonte: h
ttp://revistaepoca.globo.com/Saude-e-bem-estar/noticia/2011/11/ficar-tempo-demais-sentado-pode-causar-cancer-diz-estudo.html

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