quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Só mudança no estilo de vida reverte a endometriose?



28 de setembro de 2011

No domingo, li uma entrevista muito interessante, publicada no jornal Folha de S. Paulo. Caldwell Esselstyn, médico cirurgião norte-americano, cardiologista, afirma que as doenças cardíacas podem ser prevenidas e tratadas “apenas” com a alimentação correta: vegetais, legumes, frutas e grãos integrais. Nada de açúcar, carne e gorduras. Todo alto investimento da medicina, tecnologias e cirurgias sofisticadas podem ser substituídos por algo bem simples: a comida certa. Para quem desconfia da segurança desse tratamento, um dos pacientes célebres desse médico é o ex-presidente Bill Clinton. Há apenas uma informação importante que a Folha não mencionou, mas que está no livro Prevent and Reverse Heart Disease: The Revolutionary, Scientifically Proven, Nutrition-Based Cure, de Esselstyn: ao tirar a carne da alimentação, busque formas de obter vitamina B12. Avalie também sempre os níveis de vitamina D. Esselstyn dá atenção especial a essas duas vitaminas.

Essa entrevista me leva a reafirmar: a endometriose pode ser prevenida e tratada apenas com a mudança no estilo de vida, que inclui alimentação. Não é preciso fazer cirurgias doloridas. Nem se submeter a métodos caros e, muitas vezes, ineficazes. Se a alimentação e o estilo de vida corretos podem curar um paciente com problemas cardíacos graves, podem nos conduzir a cura também. Eu, que descobri a endometriose grau IV, sou a prova disso. Não tenho mais dores. A endometriose diminuiu. Às vezes, a cirurgia é, realmente, necessária. Quando descobri a endometriose, tinha um endometrioma de 15 cm no ovário esquerdo. Foi necessário passar por aquela dolorida cirurgia. Mas agora, com acompanhamento médico, troquei procedimentos cirurgicos por “apenas” uma mudança no meu estilo de vida. Os benefícios têm sido recompensadores. É um caminho de novos sabores, de descobertas prazerosas. Não é uma ilusão. É real.


PS.: Nesta semana, além de reproduzir a entrevista a seguir, respondi a e-mails que recebi. Um deles é de Daniella. Com um relato entremeado de sensibilidade e resultados, ela conta que superou a dor por meio de mudanças no seu estilo de vida. Também recebi uma pergunta sobre endereços de lugares com comidas mais saudáveis. Respondi com algumas sugestões. Os comentários e as respostas foram publicados nos textos: Gramáticas da nossa vida, Um caminho, entre tantos e Maria Amélia, uma mulher inconformada.




Só dieta à base de vegetais reverte doenças cardíacas

DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE

Diga adeus a bifes, peixes, arroz branco e açúcar. Farinha e grãos, só integrais. Azeite de oliva, nem pensar. Para o cirurgião americano Caldwell Esselstyn, 77, uma alimentação baseada em folhas, frutas, legumes e grãos integrais é o único jeito de evitar, deter e reverter doenças cardiovasculares. Seu método, que vem sendo aperfeiçoado nos últimos 30 anos, é o tema do documentário "Forks over Knives" (trocadilho que quer dizer tanto "garfos sobre facas" quanto "garfos no lugar de bisturis"), lançado nos EUA e ainda inédito no Brasil. O filme conta a história de pacientes de Esselstyn, médico da Cleveland Clinic (Ohio). Eles venceram problemas cardíacos e evitaram cirurgias ao adotar a dieta. Para o cirurgião, que falou à Folha por telefone, a dieta extrema não é a que ele propõe, e sim a adotada pela maioria dos ocidentais. "Ela garante que milhões de pessoas serão submetidas a cirurgias de peito aberto. Vamos comer vegetais. É para isso que fomos criados."

Folha - O sr. diz que os problemas cardíacos se devem à alimentação. Não há outros fatores de risco envolvidos, como genética?
Caldwell Esselstyn - Se você come a dieta típica ocidental, cheia de carne, óleo e laticínios, você vai ver que, entre mil pessoas, algumas terão infarto aos 40, outras aos 50, outras aos 60, 70 ou 80. Você pode dizer que, geneticamente, quem tem o infarto só aos 80 é mais forte para resistir a essa dieta extrema. Por outro lado, se todo mundo comer uma dieta baseada em vegetais, todos são poupados.

Controlar os níveis de colesterol não é suficiente?
Ao pensar só em números, prestamos atenção à coisa errada. As pessoas tomam remédios para o colesterol mas ainda querem comer frango frito. O que funciona é o que entra pela sua boca.
Toda vez que você come azeite, óleo, leite, manteiga, queijo, sorvete, iogurte e carne, você machuca o delicado revestimento das artérias, o endotélio. Ele é um tapete mágico que produz uma molécula incrível chamada óxido nítrico, que é vasodilatadora e protege a parede dos vasos sanguíneos. Autópsias de soldados que morreram na Guerra da Coreia e no Vietnã, dos anos 50 a 70, revelaram que 80% dos jovens de 20 anos já tinham problemas coronários visíveis. As obstruções não eram suficientes para causar um infarto, mas estavam lá. Hoje, todos os jovens têm isso.

Sua dieta exclui o azeite de oliva, base da dieta mediterrânea. Ela está toda errada?
Está errada em recomendar azeite. Em Creta, há 60 anos, as pessoas eram magras, comiam muitos legumes e frutas e um pouco de azeite. As desvantagens do azeite eram compensadas pela quantidade de vegetais. Quando você estuda o efeito do azeite com um teste de ultrassom da artéria braquial (no braço), que mede os danos ao endotélio, vemos que o óleo machuca os vasos.

Você chama as cirurgias e angioplastias de soluções mecânicas para um problema biológico. Esses procedimentos não adiantam nada?
Eles não chegam a ser soluções. A medicina tem evoluído no sentido de criar uma lista cara de remédios e de procedimentos perigosos, como a colocação de stents ["molas" inseridas em vasos obstruídos] e pontes de safena. Com o tempo, é preciso colocar outro stent, fazer outra ponte, tomar mais remédios, e, no fim, a pessoa morre do coração assim mesmo.
Os médicos, não sei o porquê, passaram a acreditar que as pessoas não são capazes de mudar seu estilo de vida. Mas o problema é que eles não sabem como transmitir essa mensagem.
Quando trato alguém com doença cardíaca, fazemos um curso de cinco horas. O paciente vai entender o que causou a doença e o que ele deve fazer para revertê-la. No fim, oferecemos uma refeição à base de vegetais e uma apresentação de 1h15 sobre como comprar e preparar alimentos, ler rótulos e lidar com restaurantes e viagens. A revolução da saúde nunca vai acontecer por causa da descoberta de um remédio. Nunca vai ser por causa de um novo procedimento cirúrgico. A revolução vai acontecer quando as pessoas estiverem informadas do ponto de vista nutricional, para evitar as comidas que vão fazê-las perecer por uma doença.

Qual percentual dos seus pacientes tem melhora?
Quase todos. Quando começamos o programa, e as pessoas ainda não sabiam se ia funcionar, 70% se recuperavam. Agora estamos em 90%. O que torna esse tratamento tão poderoso é que posso mostrar raios-X de artérias do nosso primeiro grupo. Os pacientes percebem que, se os outros conseguiram, eles também vão.

O sr. diz que moderação mata. Por que não dá para comer carne com moderação?
Moderação é dizer: qual a quantidade de um alimento que sei que vai me prejudicar eu posso comer e conseguir escapar das doenças? Isso é loucura. Quantos bifes posso comer? Quantas batatas fritas engorduradas? Como assim? É a mensagem errada.

O sr. acredita que sua dieta pode ser adotada globalmente?
O Brasil está destruindo a atmosfera e o mundo ao queimar as florestas que são ótimas para capturar o CO2. Por quê? Para produzir carne, que vai fazer as pessoas morrerem cedo e ter vidas miseráveis e infelizes. Se toda essa área for substituída por vegetais, é possível produzir muito mais. Vamos comer plantas, é para isso que fomos criados.

Ex-presidente Bill Clinton segue o método

DA EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE

O ex-presidente Bill Clinton, 65, é um dos adeptos da dieta radical do médico Caldwell Esselstyn.
Depois de ser submetido a quatro pontes de safena, Clinton adotou as folhas e os legumes como base de sua alimentação, como contou em entrevista à rede CNN. "Eu não queria que isso [as pontes de safena] acontecesse de novo. Eu gosto dos legumes que estou comendo agora".
No processo, o ex-presidente perdeu 11 kg. Essa entrevista e outros vídeos sobre a dieta estão no site do documentário "Forks over Knives": forksoverknives.com/media/videos.

Fonte: Folha de S. Paulo. Link para assinantes:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2509201101.htm

Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais: Um caminho, entre tantos




Leia mais sobre:
Quem é Cristo?



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Como superei a endometriose – Parte II






21 de setembro de 2011

Acesse neste blog: Qual é o melhor remédio para endometriose?

Obrigada mais uma vez pela partilha. Tenho seguido, sempre que possível muitos dos conselhos que tem sugerido, acredito contudo que, cada organismo é diferente e teremos de ser nós a encontrar o nosso equilíbrio. É preciso muita força de vontade para mudar e para que resulte tem de ser gradual porque, caso contrário é mais um motivo de stress :) É uma adaptação que acredito que demore meses, mas à medida que se introduz algo novo, um de cada vez, o sol, o exercício, um alimento novo, tudo se vai tornando mais fácil. Eu ainda estou numa fase inicial, não sei qual é o grau da endometriose e queria experimentar primeiro melhorar os resultados dos exames e evitar a laparoscopia. Apesar de ter já lido que a soja poderia ser prejudicial a quem tem endometriose, não liguei muito confesso, e continua a fazer parte da minha alimentação. Poderia dizer-me então o que sabe sobre a soja? A alimentação é o mais difícil, parece que tudo nos faz mal :) O que faço é evitar comer os mesmos alimentos muitas vezes seguidas, vario o mais possível e não eliminei nada, mesmo nos doces, tenho é o cuidado de comprar bolachas ou doces todos com baixo teor em açucares. E bebo muito chã. Quanto à fitoterapia também fiquei curiosa :) Fico muito feliz por saber que os seus resultados são cada vez melhores, espero um dia poder partilhar o mesmo.
Por Ângela em Um caminho, entre tantos em 14/09/11

Olá! Descobri seu blog há alguns meses e, apesar de trilhar esse mesmo caminho há 4 anos, tenho aprendido muito com sua experiência. Além disso, é com muita satisfação que aguardo seus novos posts. Sempre tem algo novo ou então, recheado de afeto, que me faz tão bem! Mas confesso, gostaria um pouco da sua força e então conseguir abdicar e mudar um pouquinho mais do meu estilo de vida. Já mudei muito! Deixei um dos meus trabalhos (trabalhava 12 horas diárias), melhorei minha alimentação, lazer, relação familiar, iniciei análise, no entanto, sei que há muito ainda a mudar. Exercícios e Alimentação é um item muito difícil pra mim. Amo doces! E, exercício, embora goste e me sinta muito bem quando realizo, não consigo incluir como rotina diária, e longe de chegar nas 3 vezes semanais. Invejo (no bom sentido) que você tenha conseguido mudar e gostaria muito que, se pudesse, dividisse seus sentimentos em relação a isso, já que pra mim está sendo tão difícil conseguir realmente abrir mão Veja mais... do tempo que desprendo pro exercício e do prazer que o doce traz... Bem, divido isso com você talvez como um eco, para que saiba que suas palavras são “ouvidas” com muito carinho e dão força para pelo menos tentar... Um grande abraço e até seu novo post... Boa sorte para nós e boa noite!Por Anônimo em Um caminho, entre tantos em 12/09/11

Primeiro, quero agradecê-las muito por escrever e compartilhar comigo a experiência de vocês. Isso significa muito pra mim. Mais forças, mais informação, mais reflexões sobre experiências de superação. Como você disse, Ângela, não há uma receita de saúde geral que seja inteiramente adequada para todas as mulheres. Há caminhos. Seu comentário destaca a importância de olhar para nós mesmas e perceber como o organismo reage a determinados alimentos, principalmente. Por exemplo, um dos médicos que me orientou quanto à alimentação (com dicas preciosas), sugeriu que eu usasse cacau ou chocolate amargo. Como já havia tirado o chocolate, repensei o assunto e comecei a usar cacau em pó, sem açúcar. No início não me adaptei muito ao sabor. Mas como se tratava de uma recomendação médica, insisti. Em pouco tempo, estava “viciada” no cacau com frutas. Sentia vontade de comer durante o dia, além de usá-lo na primeira refeição. Resultado: aumentei bastante o consumo. Ao mesmo tempo, comecei a sentir um pouco de dor. Nada comparável em intensidade à dor insuportável da endometriose que eu já tinha sentido. Mas era a mesma dor, embora bem menos intensa. Comentei com meu marido e achamos que pudesse ser o cacau que eu já estava consumindo em excesso. Parei de usá-lo. A dor sumiu. Pode até ser que se eu usasse em menor quantidade, o cacau não atuaria como um desencadeador de inflamação (com o aumento da inflamação, a dor surge). Mas no meu caso, achei melhor tirar de vez.

Como você disse, é muito importante variar o máximo o cardápio. A orientação médica que recebi é que cada refeição deve ter pouca variedade de alimentos, porque resultará em uma melhor digestão. No entanto, diariamente devem ser utilizados novos alimentos, outras frutas, legumes e grãos, com o aumento de variedade no decorrer dos dias, para que o organismo seja suprido com os nutrientes necessários. Tendo a variedade como um princípio, estou me alimentando muito melhor. Incluindo muitos sabores, descobrindo receitas, redescobrindo o prazer de comer. Ao restringir o açúcar e gorduras, ampliei o leque de escolhas, de experimentações saudáveis, com o consumo de variedade de frutas, legumes e grãos. Esses dias, encontrei um excelente
blog em inglês de uma mulher que tem endometriose e fez mudanças na alimentação (http://hoghugs.com). É muito interessante, pois ela já obteve resultados positivos. A endometriose também diminuiu. No post Surgery for Endometriosis Actually Makes Your Case Worse, ela fala sobre a substituição das cirurgias por uma mudança na alimentação. Desde que mudei meu estilo de vida, não precisei de nenhuma cirurgia também. Quanto ao blog, há dicas importantíssimas, embora eu pessoalmente não tenha feito as mudanças exatamente iguais as apontadas ali. Por exemplo, não uso soja, pois tem efeito estrogênico (Ângela, vou reunir o material que tenho e quero escrever um post sobre esse assunto).

A indústria alimentícia nos condiciona a uma receita única, baseada no doce e na gordura. Com essa receita única, empobrecida, são desenvolvidos uma infinidade de produtos com rótulos multicor. Embora a embalagem seja atraente, a receita é quase sempre a mesma: açúcar ou sódio em excesso, gorduras e componentes químicos com sabores artificiais. Nos supermercados, há aparentemente uma variedade imensa de alimentos. Mas é apenas uma receita repetitiva embalada de maneira atrativa e diferenciada. Consequentemente, ao rejeitarmos a “receita única”, acabamos rejeitando quase tudo que está disponível. A indústria investe na diversificação da publicidade, com novas cores e formas, de alimentos que atraem pelo olhar e aprisionam o paladar aos aditivos químicos. É muito do mesmo. A inflexibilidade do caminho único. Uma mistura intensa de imagens diversificadas para vender a mesma essência – a essência viciante que agrada o paladar e destrói a saúde. Não fomos nós que radicalizamos. É a indústria que radicalizou, que escolheu investir toda a sua criatividade nas embalagens que oferecem alimentos que não alimentam – pseudoalimentos. Calorias vazias que levam as pessoas a comer muito, mas a se nutrir pouco. Resultado: uma multidão de desnutridos com a ilusão de que tem uma variedade imensa de alimentos à disposição. A indústria farmacêutica agradece. Quando penso nisso, lembro-me da gramática da vida – a resposta antigramatical de Fernando Pessoa ao mundo:

A gramática, definindo o uso, faz divisões legítimas e falsas. Divide, por exemplo, os verbos em transitivos e intransitivos; porém, o homem de saber dizer tem muitas vezes que converter um verbo transitivo em intransitivo para fotografar o que sente, e não para, como o comum dos animais homens, o ver às escuras. Se quiser dizer que existo, direi “Sou”. Se quiser dizer que existo como alma separada, direi “Sou eu”. Mas se quiser dizer que existo como entidade que a si mesma se dirige e forma, que exerce junto de si mesma a função divina de se criar, como hei de empregar o verbo “ser” senão convertendo-o subitamente em transitivo? E então, triunfalmente, antigramaticalmente supremo, direi “Sou-me”. Livro do Desassossego (p.114).

Quando mudei a alimentação, o que perdi? Uma receita única, apenas. Mas coincidentemente, era quase o supermercado inteiro. O que restou? A mais incrível variedade de alimentos, de sabores, de experimentações com a multiplicação das essências – as essências que agradam o paladar e nos tornam fortes. Tenho buscado trocar a receita única pelo universo gastronômico das experimentações que renovam o corpo, que comunicam saúde. Com a descoberta de novos sabores, surgem novos caminhos. Volto a ter o poder de escolha. A vida cotidiana se torna uma vida de pesquisa avançada. Onde encontrar os melhores alimentos e os sabores que nutrem? Não abro mão do sabor. Procuro estratégias de sobrevivência: 1. O setor de hortfruti do supermercado (Mesmo que não seja orgânico, é sempre melhor comer frutas e legumes com agrotóxicos, do que não comê-los); 2. Seleção de produtos industrializados mais saudáveis; 3. A ida à feira; 4. Lojas e restaurantes orgânicos e vegetarianos; 5. Pequenas empresas que vendem alimentos caseiros e integrais (Essa parte tem sido ótima. Eu e meu marido fazemos viagens gastronômicas. Já fomos a uma confeitaria com comida orgânica que fica numa fazenda incrível! São momentos de muita afetividade também, onde encontramos pessoas que compartilham do mesmo ideal); 6. Busca de novas receitas. Estou aprendendo a cozinhar; 7. Almoço e lanches com amigos que também estão em busca de um novo cardápio... Aliás, eu recebi um e-mail nesta semana me falando de um site que está disponibilizando gratuitamente e-book com receitas saudáveis. Não fiz o meu pedido, mas parece bem interessante. Veja aqui
. 8. Informação e orientação. É preciso tomar cuidado ao fazer a mudança. O ideal é procurar orientação médica com consultas e leituras. Não adianta, por exemplo, se tornar um "vegetariano" que come massa, doces e queijos. Melhor seria se comesse carne vermelha, arroz e feijão. Além disso, nem sempre é possível comer a refeição mais saudável. Então, é melhor comer o que há de mais nutritivo dentro do que é possível.

Ângela, estou fazendo um tratamento fitoterápico com acompanhamento médico. Vamos avaliar se os resultados vão se manter e se há efeitos tóxicos. Farei exames para avaliar possíveis efeitos colaterais. Também acredito que uma planta não é a resposta mágica para endometriose. Os resultados positivos fazem parte de toda uma mudança de vida. Provavelmente, se eu não tivesse feito essas mudanças, a abordagem fitoterápica não teria efeitos positivos importantes. Quando eu tiver a certeza, a partir de exames médicos, de que esse tratamento fitoterápico tem dado resultados sem efeitos colaterais, vou compartilhar minha experiência.

Como vocês disseram, é preciso mesmo exercer a força de vontade. Mas não dá para encontrar essa força numa lista com regras, numa autoexigência pesada de mudança pessoal, com um esquema de cobrança e estresse. Isso não faz bem. É algo diferente que tem acontecido comigo. É algo muito bom. Que me traz tanta alegria, tantos novos sabores e interações. Sei que a palavra amplia a vida, mas pode restringi-la também. Ao eu falar de listas, pode parecer que se trata de uma restrição. Mas o que vivo é uma ampliação saborosa, com resultados emocionantes. É mais do que a ausência da dor, com um regime austero. É a substituição gradativa (como você destacou Ângela) de uma vida antes condicionada pelo doce artificial. Li um livro que me ajudou muito, “Conselhos sobre Regime Alimentar”, de Ellen G. White. Além de dicas práticas sobre estilo de vida, o livro parte de duas premissas centrais: 1. A nossa saúde significa a saúde das pessoas que amamos; 2. Porque somos amados, cuidamos de nossa saúde. Esses dias, minha sogra ligou pra mim e me disse palavras muito carinhosas. Falou que tem aprendido muito. Só para ilustrar com uma experiência simples: quando há uma ameaça de gripe, fazemos uso de um
mix natural para fortalecer o imunológico: limão, alho, gengibre... Funciona rápido e beneficia todo o organismo. Minha sogra está ajudando financeiramente uma família com duas crianças pequenas. Eles estavam gripados e ela os ensinou a usar o “mix”. Se recuperaram rapidamente. Quando encontramos a resposta para o nosso organismo, encontramos também a resposta para quem amamos. É uma multiplicação. Isso é motivador. Mas tem a ver não apenas com alimentação, mas com estilo de vida. Diminuir o trabalho, refletir sobre nossa vida, fazer exercícios como foi muito bem colocado no segundo comentário. Quando leio sobre uma experiência assim, fico mais motivada. Você fez grandes mudanças!!! Obrigada por compartilhar a experiência!

“A vitalidade recupera e anima”, escreveu Fernando Pessoa no Livro do Desassossego (p.270). A mudança é um desassossego, atitude antigramatical que exige luta e insistência, mas que nos recupera, nos abre o olhar para novas sensações, nos reanima e tem o poder de fazer o mesmo pelos outros. Como Fernando Pessoa disse, desafiadoramente, “sou-me” – mas a partir de quem e para que propósito? Mudar é reler a vida e escrever algo tão diferente daquilo que o mundo oferece. Tudo isso tem a ver com a razão de nossa existência. Juntas, estamos a reescrever uma nova gramática sobre a superação da endometriose.

Saiba mais sobre: A Fonte da Vitalidade



Leia meu texto: Eu venci a endometriose

 (http://endometrioma.blogspot.com/2018/07/eu-venci-endometriose.html)


Conheça a história de Francielle e Samuel: Um bebê da esperança. 


                                          https://www.instagram.com/endometriose_tem_cura/

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Como superei a endometriose – Parte I





9 de setembro de 2011


Neste post, motivada por um comentário importante, decidi colocar em tópicos gerais o que tenho feito para superar a endometriose. Há alguns anos, tive a última dor dilacerante, resultado da inflamação provocada pela endometriose. À época, estava muito magra. Perdia peso rapidamente, sem saber que a endometriose desencadeava, em mim, a autoimunidade. Estava visivelmente abatida. Enfraquecida pela doença. A queda de cabelo, outro sintoma de doença autoimune, era acentuada. Me sentia bastante debilitada. Em meio à dor, aos desafios no trabalho, às coisas que se somam para abater, meu médico, um importante especialista em endometriose, reconhecido internacionalmente, disse: você terá que passar por uma operação no intestino. Para justificar a retirada de um segmento do intestino, ele falou sobre os riscos de malignização. Além do valor altíssimo (à época, 30 mil), que talvez fosse reembolsado pelo plano de saúde, eu simplesmente não queria seguir por esse caminho. Não queria tomar uma decisão motivada pela dor. Naquele momento, decidi mudar minha vida radicalmente. A cirurgia era um procedimento invasivo. O custo me parecia alto demais diante do prometido: o controle incerto da endometriose naquela alça intestinal, apenas. E todo o resto? Eu desejava algo mais do que um corte abrupto e localizado. Precisava refazer minha saúde por inteiro, fortalecer o organismo como um todo para, quem sabe, controlar a endometriose e todas as suas implicações. Superar essa doença misteriosa. Essa fonte de dor para as mulheres e de lucros para a medicina.

Hoje, passado poucos anos, apesar de ter a endometriose profunda, com acometimento do ovário e do intestino, além de outros pequenos focos, o último exame apontou, pela primeira vez, que os focos estão diminuindo. Não tenho dor e a endometriose diminuiu significativamente. O fator anti-nuclear, indicador de doença autoimune, também diminuiu! O índice de vitamina D subiu. Foram resultados surpreendentes a partir de mudanças gradativas. É um processo que inicia, mas não termina. Sempre há algo para aprender, acrescentar, para dar sabor sem agredir a saúde. Para redescobrir o prazer com atividades e cardápios novos, sem tornar a vida dura. É preciso mudar, mas com felicidade.

Até aqui, tentei evitar fazer uma lista, enumerar tópicos, listar receitas. Um texto assim, de quase regras ditadas, pode soar radical, impossível, insípido, inflexível porque a palavra isolada retira a cor. Pode parecer distante, porque os relatos não trazem imagens. É um texto. Não é a minha vida. Faltam os detalhes difíceis de compartilhar sem o olhar que nos aproxima, sem a cumplicidade dos conhecidos, sem as preces conjuntas. Porque eu sou uma anônima dizendo: deu certo e tem sido incrível. A vida ressurgiu com nova paleta de experiências e descobertas. O que segue é um traço que desejo compartilhar.

Cada mudança apontada a seguir foi feita a partir de consultas médicas, recomendações de pesquisadores e acesso a pesquisas médicas e científicas. A partir de interações diversas. Quando disse ao médico que não iria operar, mas que mudaria meu estilo de vida, ele disse: “Ninguém muda.” Outro médico, mais ligado à renovação integral da saúde, me disse: “Se você mudar, a endometriose vai se estabilizar, a inflamação vai diminuir. Sua imunidade vai melhorar. Portanto, é possível que a endometriose diminua.” Sim, diminuiu, mesmo com minhas falhas. E não apenas a endometriose regrediu, mas todo meu organismo ganhou nova vitalidade. Neste post, apenas coloquei resumos da mudança que a cada dia continuo fazendo. Um relato pessoal de uma realidade em que há persistência e fé; às vezes, desistências e desânimo; numerosas vezes, recomeços e adaptações dentro do que é possível fazer diante dos desafios do dia a dia, de um mundo regido por outro paradigma.

Exercícios físicos – Esse é um dos tópicos mais importantes. O exercício físico diminui o estrógeno no corpo e ajuda a regular a química corporal. É um dos melhores remédios. Procuro levantar bem cedo e caminhar com meu marido de 30 a 45 minutos. Não corremos, mas andamos de forma mais vigorosa em aclives e declives, que ajudam a desenvolver a capacidade cardiorrespiratória. No final do dia, fazemos mais uma caminhada no mesmo percurso. Procuramos caminhar, de manhã e à tarde, todos os dias. Mas não sendo possível, tentamos manter esse ritmo, pelo menos, três vezes por semana. Além disso, durante o trabalho, levanto sempre que possível e faço rápidas caminhadas e uma pequena sessão de alongamentos.

Alimentação – 1. Açúcar – Não como mais açúcar branco. Eventualmente, uso açúcar mascavo na casa de amigos. Uso um pouco de mel. Troquei os doces pelas frutas. Também é possível fazer receitas doces, mas sem açúcar. Aprendi a fazer receitas muito saborosas sem açúcar, sem adoçantes. A culinária saudável pode ser, simplesmente, deliciosa. E doce. 2. Massas – Diminuí a quantidade de massas. A massa (glúten, carboidratos) se transforma em açúcar no organismo. Além disso, se consumida em excesso, pode tomar o lugar de alimentos essenciais para o organismo, como frutas, legumes, verduras e alimentos proteicos. No almoço, utilizo arroz integral, lentilha (excelente), feijões, refogados de legumes, saladas etc. Refeições deliciosas com muito mais nutrientes. Macarrão e tortas, que sempre fizeram parte do meu cardápio principal, eu tenho utilizado um pouco menos. 3. Industrializados – Enlatados, conservantes, estabilizantes, corantes, temperos prontos, embutidos são muito prejudiciais. Na medida do possível, prefiro comida caseira. Continuo usando pão no café da manhã. Mas é um pão integral caseiro. 4. Fast food – Quando vou a uma lanchonete, procuro escolher aquelas que permitem “refazer” o cardápio. Por exemplo: peço lanche com palmito, rúcula, tomate seco, ovo, sem maionese ou carne; ou pizza de brócolis, berinjela, tomate seco e palmito. 5. Queijos – Para quem cresceu em Minas, perto de um laticínio incrível, essa parte exigiu mais criatividade. Não como mais queijo mozarela ou queijos gordurosos, de sabor acentuado. Utilizo ricota orgânica, coalhada. Às vezes, uso queijo branco. Redescobri tantos sabores que, sinceramente, não sinto mais falta do queijo. Uso pouco laticínios. 6. Nada de frituras. 7. Não uso soja – Quero escrever sobre os motivos que me fizeram deixar de usar soja. Soja é um risco para quem tem endometriose. 8. Não uso suplementos alimentares. 9. Vitamina B12 – Como me tornei ovolactovegetariana (às vezes, como peixe), é muito importante fazer exames para avaliar a quantidade de vitamina. Pessoas que usam metformina, são vegetarianas, fazem uso do álcool ou têm mais de 60 anos devem pedir esse exame ao menos uma vez por ano (basta pedir pelo “exame de vitamina B12”). A carência dessa vitamina é muito prejudicial e representa um grave perigo para a saúde. 10. Refeições – Faço três refeições diárias, com intervalos de cinco a seis horas. Procuro mastigar bem, comer devagar, com tranquilidade. Como muito bem no café da manhã e um pouco menos no almoço. A última refeição é mais leve. Ás vezes, não como nada à noite. Não como nada entre as refeições. 11. Variedades e muito sabor – Tenho tentado me pautar mais pelo que incluo no meu cardápio do que pelo que retiro. Assim, descobri uma variedade de sabores e temperos: aspargos (ótimo para a saúde da mulher), cogumelos de várias espécies, alho poró, cebola e alho (sem fritá-los no óleo quando uso para temperar a comida), feijões, castanhas, frutas variadas, legumes, curry, gengibre, abacate e melão (ótimos para a saúde da mulher), jiló, ovos orgânicos, quinoa, gergelim, tahine, hortelã, coco, banana verde (excelente!), manjericão, ervilha torta, quiabo, atemoia (meu leite condensado natural!), triguilho, água de coco, panquecas de castanha-do-pará com recheio de palmito, pão de “queijo” com mandioquinha, assado de milho com ervas, quibes com azeitonas e azeite, pastel de forno com recheio doce de maçã ou salgado, com tomate seco, limão (um antídoto incrível contra gripe. Melhor do que qualquer vacina!!), cuscuz vegetariano, bolo de milho, chia etc. Minha comida tem sal e doce, mas de maneira saudável. Não abro mão dos temperos e do sabor.

Fitoterapia
– Faço uso da fitoterapia. Depois quero escrever mais sobre o assunto.

Sol – Essencial. Precisamos ter mais do que 30 ng/ml de vitamina D. A melhor fonte é o sol. Procuro tomar "banho de sol" todos os dias, pelo menos 20 minutos no corpo todo exposto. Como o protetor solar pode impedir a absorção da vitamina, me exponho ao Sol no horário indicado, antes das 9h e depois das 16h. Quando não é possível, sobra sábado e domingo, ou os intervalos do trabalho...

Água – Tomo água 30 minutos antes das refeições e 2h depois, para não prejudicar a digestão e absorção de nutrientes. Bebo dois copos de água logo quando levanto. Ajuda muito no funcionamento do intestino. Apesar de ter endometriose intestinal, o intestino funciona diariamente, devido à água e a todas as outras mudanças. Não bebo nada durante as refeições. Não bebo refrigerantes. Evito suco de fruta industrializado, com exceção do suco de uva.

Respiração correta – Há uma importância enorme em respirar adequada e profundamente. Para isso, é necessário ter uma postura correta, manter as costas retas, não usar roupas extremamente apertadas. Para quem trabalha em frente ao computador, sentada quase o dia inteiro, é importante não “se dobrar em cima” do trabalho. Procuro corrigir minha postura e respirar mais profundamente. Isso ajuda muito na saúde. O objetivo é oxigenar os órgãos abdominais. É tão importante quanto à alimentação.

Drogas, álcool, cigarro e cafeína (estimulantes) – Não uso. Não usaria nem mesmo com moderação.

Descanso – Durmo, em média, 8 horas. Em geral, durmo cedo, às 21h. Também reservo um dia na semana - o sábado - para me dedicar a outras atividades não ligadas ao meu trabalho.

Interação – O blog me ajuda muito a seguir esse caminho. Escrever me faz bem. Nos comentários que recebo, há palavras que me transmitem ânimo e carinho. Também tenho amigos que compartilham desse mesmo ideal. São jovens que desejam mudar, e estão mudando, o estilo de vida. Alguns, apenas para fortalecer a saúde. Outros, mesmo jovens, porque já tiveram câncer. Há familiares mais velhos que têm diabetes. Entre eles, minha sogra, que se tornou uma expert em cozinha vegetariana. Motivado a me ajudar, meu marido também mudou seu estilo de vida. Enquanto parei de emagrecer, ganhei peso e agora estou visivelmente saudável; meu marido, que estava um pouco acima do peso, emagreceu. Isso porque as mudanças que fizemos não são parte de um regime de engorda ou de emagrecimento, mas de um novo modo de viver que conduz ao reequilíbrio natural do organismo, seja lá qual for o desafio. Esse intercâmbio, essa troca de experiência, resultados e receitas, demonstra que é possível seguir por esse caminho. Aprendemos uns com os outros que mesmo o organismo mais debilitado pode se recuperar de forma impressionante.

Confiança – É difícil resumir esse tópico, porque trata do assunto mais importante. Como encontrar o caminho? Onde encontrar forças para trilhar por ele, para fazer as mudanças, para crer?

Leia sobre a A Fonte de Cura.


Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.


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