
20 de março de 2012
Título anterior: A resposta de Ângela
A resposta de Ângela ao pedido de ajuda de Sheila, enviada para os comentários do texto anterior, nos traz uma importante alerta.
Ângela fez mudanças no estilo de vida. Não todas possíveis, pois é algo gradativo. Parou de sentir dores, se sentia melhor. Escreveu sobre isso. Mas certo dia, ela teve uma crise. Procurou um médico especialista. Descobriu a endometriose grau IV. Leia seu comentário no texto anterior.
Quero comentar em tópicos, as seguintes questões em função dessa experiência importante de Ângela, compartilhada com sabedoria e atenção com todas nós:
1. Faça acompanhamento médico – Ao indicar a mudança de estilo de vida, sempre tenho falado da importância do acompanhamento médico. A cada seis meses eu refaço todos os exames para saber se a endometriose não está avançando. A dor sumiu, minha menstrução é normal e os focos diminuiram. Mas continuo tendo endometriose grau IV, com focos espalhados. E, provavelmente, eles não desaparecerão, pois foram detectados em estágio avançado. Mas até aqui, depois das mudanças feitas, a endometriose está diminuindo e sob controle, devido a um estilo de vida saudável. No início dessas mudanças de hábitos, minha médica até fazia um exame rápido de ultrassom, no seu próprio consultório, num intervalo menor de tempo, para analisar a evolução da doença.
2 – Faça os exames – Minha preocupação tem sido principalmente com a dosagem de vitamina D (veja os textos: 1 e 2) e com os marcadores para doença autoimune (FAN – Fator Antinuclear, entre outros). Mas tenho feito todos os exames requisitados e pretendo fazer exames específicos para mais vitaminas. Faça os exames de imagem com especialistas em endometriose, como o ultrassom por Doppler realizado por um especialista (Veja o texto). Refaço esses exames a cada seis meses.
3. Comprove numericamente se o tratamento está dando certo – Em casa e no consultório, após o resultado dos exames, eu e minha médica comparamos cada medida dos focos. Resultado: alguns focos desapareceram e todos eles diminuíram; uns mais, outros menos. Esse procedimento é necessário para fazer ajustes, reforçar certos hábitos ou buscar modificações. No início de minha mudança, os focos ainda cresciam um pouco. Eu deveria ter desistido por causa disso? Não, eu sempre estive convicta que não há outra opção senão mudar o estilo de vida. As mudanças no estilo de vida não anulam a consulta médica, não devem ser feitas depois do tratamento médico apenas ou sem acompanhamento médico. Ter um estilo de vida saudável é parte essencial de todo processo de cura.
4. Busque orientação médica para fazer as mudanças no estilo de vida – Esse tópico talvez seja o mais desafiador. Onde encontrar um médico que tenha conhecimento nessa área? Onde encontrar um lugar que priorize esse assunto? Tenho indicado para leitoras no Brasil alguns profissionais de saúde com os quais me consultei para fazer as mudanças. Eles não são especialistas em endometriose, mas têm conhecimento sobre vida saudável, cada um com sua própria abordagem. Para quem tem mais condições financeiras, há Clínicas de Saúde que oferecem um ótimo tratamento, conforme escrevi em um texto. Mas o custo é proibitivo para muitas de nós. Além disso, em relação a consultas, muitos desses médicos não atendem por planos de saúde. Precisamos urgentemente de um sistema público especializado no atendimento a mulheres com endometriose aqui e no Brasil e em outros países, como Portugal. A escolha por uma vida saudável com acompanhamento médico é um grande desafio, assim como é um grande desafio a mulher com endometriose encontrar tratamento gratuito e de qualidade. PS.: Se você, leitora deste blog, souber de profissionais de saúde com esse enfoque diferenciado, incluindo nutriconistas, envie sugestões para publicarmos no blog.
5 – Seja uma pesquisadora – Há muitos livros e vídeos sobre vida saudável. Neste blog, meu objetivo é compartilhar as orientações que recebo em consultas médicas e obtenho em leituras de livros e pesquisas médicas. Sem jamais se descuidar do acompanhamento médico, se responsabilize pela sua saúde. Entenda seu corpo, busque informações sobre sua fisiologia, veja quais são suas necessidades nutricionais, leia sobre tratamentos alternativos, aprenda a identificar quais são as fontes confiáveis de informação, torne-se uma pesquisadora, participe ativamente de sua própria cura. Quanto mais informação você tem, mais livre você é.
6 – Acredite na importância das mudanças de estilo de vida – Não há outro caminho. Há pílulas paliativas, mas somente alterando a causa das doenças é possível ter uma vida saudável. Ser saudável artificialmente tem prazo de validade. E o custo pode ser muito alto. A origem das doenças está, na maioria das vezes, em nossos hábitos de vida incorretos. Acredite: 1. O exercício físico diário e aeróbico não é um acessório qualquer. Ele diminui o estrógeno no corpo, ele limpa suas células, ele equilibra seu organismo. 2. O Sol não é um grande vilão causador de cânceres apenas. Ele lhe dará vitamina D, uma vitamina essencial para você vencer as mais complexas doenças. 3. A alimentação não é apenas a fonte de prazer para o corpo, mas o combustível que o mantem vivo, que forma as células, que define sua identidade orgânica. O mesmo pode ser falado sobre a importância da água, do ar, da respiração que oxigena as céluas, da relação direta entre a mente e a saúde física. Não são coadjuvantes, são o ponto central de uma vida saudável.
7 – Mas será que alguém consegue fazer todas essas mudanças? – Depois de concordar que as mudanças no estilo de vida são importantes, um médico especialista em endometriose me disse: “mas ninguém muda.” Ele está certo em parte: ninguém muda totalmente. Por melhor que sejam meus esforços, eu jamais terei um estilo de vida inteiramente ideal. Há fatores externos e internos, em mim mesma, que não poderei controlar. Com tudo na vida é assim. É em meio a conquistas e fracassos que avanço. Mas esquecendo dos fracassos, eu avanço para fazer o meu melhor. Por isso, a motivação não é a cobrança ou um sistema gastronômico militarista, mas a vontade de viver com liberdade, alegria, sabores, experiências diversas, novos conhecimentos, interações. Esse caminho me levou a muitas descobertas de felicidade. Mas para mudar é preciso buscar forças. Além de me sentir motivada pelos próprios resultados em meu corpo e animada por causa do efeito dos nutrientes em minhas emoções, busco minha motivação na filosofia judaico-cristã. Tem feito muita diferença em minha vida.
Ângela, agradeço muito pela sua generosidade e atenção, pelas informações enviadas a Sheila e por você ter compartilhado sua importante experiência. Obrigada por compartilhar seu tempo e sua visão. As questões colocadas por você ajudarão muitas mulheres a dar atenção a aspectos essenciais. Sua determinação de seguir em frente, mesmo em meio a novos e grandes desafios, é um exemplo para todas nós. Você tem sido parte constante da construção deste blog. Boa sorte e muita força, sempre.
Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:
Um caminho, entre tantos
Gramáticas da endometriose
Assista ao vídeo You.

