domingo, 31 de julho de 2011

Vitamina B6 e endometriose



31 de julho de 2011

Os fatores nutricionais estão diretamente ligados à endometriose. O excesso de estrógeno provoca endometriose e pode desencadear outras doenças. Há alimentos que levam ao aumento de estrógeno e diminuição de progesterona, como o açúcar e gorduras. Por outro lado, existem também os que combatem o estrógeno. Entre esses, estão os que contêm vitamina B6 (piridoxina). Mas para ser eficiente, precisa vir das fontes corretas. Embora contenham B6, a carne de boi e de porco são contraindicadas, pois podem, inclusive, desencadear endometriose, conforme indicam pesquisas que publiquei no texto “Carne e endometriose”. Há outras fontes seguras dessa vitamina.

Gérmen de trigo, aveia, cereais em grão, pão integral, arroz integral, lêvedo de cerveja (esse tem um inconveniente, pode piorar quadros de candidíase), abacate, gema de ovos (em pouca quantidade, desde que sejam ovos orgânicos certificados. Apesar de não ser uma consumidora fiel de orgânicos, procuro consumir pelo menos ovos e laticínios orgânicos), banana, avelã, brócolis, passas, feijões (como a lentilha) são fontes de B6. Não sou adepta da matemática nutricional que recomenda “X” miligramas de uma determinada vitamina, “y” gramas de outro nutriente, com sua conta extensa e desestimulante. Pessoalmente, jamais me senti atraída por tabelas numéricas e contagens diárias de alimentos, tanto do ponto de vista de calorias quanto de nutrientes. Quando mais nova, observava minha mãe em suas tentativas frustradas de calcular guloseimas e pesar porções. As marcações no papel não duravam duas semanas.

Embora rejeite métodos sistemáticos, acho importante estar em conexão com os números da nutrição. Eles dizem muito sobre nossa saúde. Por exemplo, consumir menos de 1,6 miligramas de B6 por dia pode provocar doenças neurológicas, nos tornar mais susceptíveis à endometriose, desencadear quadros de depressão, irritação, fadiga, confusão mental, dificuldade de concentração, dermatite seborreica (caspa), pedras nos rins. O excesso pode causar doenças neurológicas graves, dormência, insônia. Por isso, os suplementos alimentares são, em geral, perigosos. O melhor é sempre buscar a vitamina nos alimentos. É preciso também estar atento aos medicamentos que podem levar à deficiência de B6, como os anticoncepcionais e antibióticos. Para quem tem tensão pré-menstrual (TPM) e tomam anticoncepcionais combinados, alguns médicos recomendam uma ingestão mais alta da vitamina B6.
Pesquisas indicaram que superdoses, de 200 a 800 mg/dia, num período determinado, diminuem significativamente o estrógeno. Mas não há consenso de que o uso de superdoses faça realmente bem. Na verdade, há fortes indícios de que faça mal.

Utilizei suplementos uma única vez, quando realmente o risco de ficar sem eles era maior do que os riscos de tomar a medicação. Atualmente, busco a nutrição no alimento. Não é fácil. Mais complicado do que a matemática dos miligramas é o cálculo do tempo. A correria da vida nos leva a ignorar a mais importante fonte de saúde e de recuperação da saúde, o mais importante remédio: o alimento de cada dia. Mas como diz a oração-modelo, precisamos pedir diariamente: “o pão nosso de cada dia, dá-nos hoje.” Na prece do pão de cada dia, há um pedido indispensável à sobrevivência; pode haver também um despertar para o pão que comunica saúde, para o corpo que se faz a partir do alimento escolhido. Somos também aquilo que comemos. “Se certos alimentos de nossa dieta podem servir de adubo para os tumores, outros, ao contrário, guardam preciosas moléculas anticâncer”, afirma o médico francês David Servan-Schreiber, chef de uma das mais sofisticadas e singelas gastronomias anticâncer. Pelos resultados que já obtive tanto para o mal quanto para o bem, sei do poder destrutivo dos pseudoalimentos e sinto, sobretudo, os efeitos curativos da preciosa gastronomia antiendo.

Dicas: A banana é rica em B6: duas bananas chegam a ter 60 a 70% das necessidades diárias (Um banana pode ter 0.68 mg de B6). Em 100 gr de avelã tem 0,54 mg e de aveia tem 0,75 mgr (Fonte:
http://www.dietaweb.it/start.asp). Uma xícara de brócolis oferece 15% da ingestão diária recomendada. Gérmen de trigo tem uma boa quantidade de B6 (1,42 mg por 100 gr).

Leia sobre A confiança que traz a paz

domingo, 24 de julho de 2011

Centelha

24 de julho de 2011


Inverno límpido. Um encontro da família de meu marido. Hoje, conheci o jardim fitoterápico de uma de suas tias. Cultivado por mãos especiais, há essências verdes de cura médica nesse canteiro de pequenas dimensões e cobertura variada, cromática e delicadamente multiforme. Entre as hastes esguias e elegantes das cavalinhas se encontram as três espécies da mais admirável das plantas – as aloés. Essência forte, subversiva, de sabor fel, de flores vermelhas e amarelas, folhas imponentes retas e espreguiçadas, de pinturas riscadas em folhas carnudas, carregadas de vida – vida –, que tantas pessoas almejam reter, que tantos estão perdendo sem que, ao menos, suspeitem que num jardim cresce, em silêncio, a segunda chance.

Aloés vigorosas de extensões inteiras com cor e semitom esverdeados, também de verde uniforme. Crescem cultivadas. Para quem já viu tantas delas e conhece seu licor interno, hoje foi um dia único. Jamais tinha visto aloés como as que encontrei nesse canteiro. Mais adiante, manjericão, hortelãs, o vento a mover pequenas folhas estufadinhas – bálsamos. “É só comer alguns pedaços dessas folhas, após o almoço, que a digestão se normaliza”, explicou a mulher que cultiva seu jardim com estética medicinal. Moradora de uma cidade ágil e acimentada, ela aprendeu aos poucos, com conversas e leituras, a importância daquele verde restrito a centímetros sensivelmente multiplicados. Uma mulher como qualquer uma de nós, na sua vida longe do campo. Mas que soube me dizer, enquanto limpava a mão suja de terra: “Entregue-se à leitura. Procure saber. Há tanto que descobrir.” É noite, estou cansada, mas sinto a centelha desse encontro. Por isso, escrevo.

Na casa, mostraram-me alguns livros que haviam acabado de chegar da Espanha. Presentes de um amigo. Dois volumes de uma obra fitoterápica escritos por um médico espanhol e publicados por uma editora de Portugal. Nos parcos minutos que me restavam ali, folheei o quanto pude, tão rápido quanto foi possível. Lendo e observando a sucessão de plantas e as indicações. Diferentemente de outras obras, naqueles livros havia informações históricas, medicinais e instruções precisas de como utilizar cada planta, com suas respectivas indicações. Sobre o alho – lilácea, assim como as aloés – uma recomendação exata referente ao uso diário. A sugestão era de um a três dentes todas as manhãs. Para evitar o hálito, ainda que com perda de propriedades essenciais, o médico indicava outras formas de uso. Li também sobre a onagra e seu óleo prensado a frio proveniente da flor amarela da planta. Uma das essências fitoterápicas mais valiosas para a saúde da mulher, dizia o livro. Conhecida também como prímula, essa planta ativa o funcionamento dos ovários. Remédio para a endometriose.

Fechei o livro e fomos. Havia muito que conversar, pessoas a rever, outros encontros. Minha sogra deve ir à Espanha daqui alguns meses e trará os livros. Livros são importantes, mas centelhas são mais. Palavras podem resignificar trajetos, mas jardins com suas cavalinhas ao vento, entre aloés, emitem luz e sons vivificantes. Quantos são capazes de sentir essa sinfonia? Para um vizinho, ela cultivou a planta, fez o composto e ofereceu. Ele está com câncer. Ao sentir o fel, negou-o. Prefere não ver, nem sentir, nem ouvir o que tem naquela planta que já salvou a tantos. Silêncio. Ela, a mulher, entristeceu sem lamentos. Prossegue seu cultivo de variadas folhas e seivas, aos poucos certificadas pela ciência tardia. Simples, terreal, no jardim sem nome e sem crédito. Para os que ousam saber e sanar suas dores, para os que sentem necessidade do bálsamo-tranquilo, compartilhando o que dia a dia é cultivado devagar e substancialmente, há muito o que descobrir. Sim, há medicina entre relvas de canteiros diminutos incrustados em grandes cidades.



quinta-feira, 7 de julho de 2011

Endometriose leve: há motivos para preocupação?

7 de julho de 2010

Receber o diagnóstico de endometriose não é, necessariamente, um atestado de doença incapacitante, de infertilidade ou dor. De acordo com artigo publicado pela revista Fapesp, “alguns autores descrevem a endometriose superficial como sendo um fenômeno cíclico e normal na vida de uma mulher”. A afirmação decorre de um estudo feito na Faculdade de Medicina do ABC com 80 mulheres férteis portadoras de endometriose mínima ou leve para avaliar a eficácia do exame CA 125. Segundo os pesquisadores, existe “a hipótese de que achados acidentais de endometriose mínima e leve podem não ter significância clínica, e que é provável que a progressão da doença ocorra como resultado de alterações genéticas e imunológicas”.

Ser diagnosticada com endometriose leve ou mínima (grau I) não deve ser encarado como um motivo de preocupação extrema. Se é esse o seu caso, fique tranquila. Procure seu médico e lembre-se: pode ser absolutamente “normal”. Por outro lado, não se deve confundir a tranquilidade com descaso ou descuido com a saúde. O foco de endometriose tem a possibilidade de se expandir devido a alterações genéticas ou imunológicas. Assim, é importante fortalecer sempre o sistema imune, com alimentação saudável, exercícios físicos diários, informações estratégicas, emoções positivas e combate a fontes de estresse, entre elas a preocupação excessiva com a endometriose.

Preocupação libera substâncias na corrente sanguínea (entre elas, os corticóides) que provocam inflamações no corpo. A endometriose é uma inflamação, em correspondência direta com o emocional. Dessa forma, a necessidade de se buscar paz, confiança, esperança, equilíbrio, felicidade, gratidão, fé vale para a prevenção e para o tratamento da endometriose seja ela mínima, leve ou profunda. Somos mais do que a endometriose pode nos condicionar a ser.

Uma resposta para a ansiedade e o medo.

sábado, 2 de julho de 2011

Carne vermelha e endometriose

2 de julho de 2011

Acesse neste blog: Qual é o melhor remédio para endometriose?


Assim como a gripe, a endometriose pode ser causada por um vírus? Essa pergunta pode parecer estranha, mas tem conduzido pesquisas internacionais sobre endometriose. Por exemplo, em 1977, cientistas investigaram a associação de um vírus e a endometriose em animais (Veja aqui). Um dos estudos mais recentes, conduzidos por pesquisadores dinamarqueses da Universidade de Aarhus, partiu da constatação de que há agentes infecciosos presentes na endometriose. Mas após investigar a prevalência do vírus HPV, da herpes e da família do poliomavírus concluíram que não há evidência suficiente de que vírus provoquem a endometriose (Veja aqui).

Então, as mulheres poderiam respirar aliviadas se não há riscos de “pegar” endometriose por meio de um vírus? Há tantas mulheres com endometriose que essa hipótese não foi descartada. A controvérsia continua. Por um lado, se é alarmante saber da possibilidade de se “pegar” endometriose; por outro, a comprovação de que há um vírus desencadeador da doença poderia levar à fabricação de vacinas para prevenção, ao desenvolvimento de um tratamento diferenciado para combater o tal vírus, a mudanças de hábitos eficientes para nos proteger da doença. Haveria uma transformação médica radical em relação à endometriose. Mas nada está comprovado. As pesquisas continuam.

Outros pesquisadores estão em busca dessa importante resposta. Para o Nobel em Medicina, o infectologista alemão Harald zur Hausen, o vírus é, sim, um inimigo perigoso que não deve ser subestimado - um possível desencadeador de doenças como câncer, por exemplo. Seu Nobel em 2008 veio com a comprovação da associação direta entre câncer cervical e vírus HPV. Para ele, “as infecções provocadas por vírus, bactérias e parasitas já respondem por 21% dos casos de câncer no mundo”.

Por que essa informação é importante? O que um vírus tem a ver com o título desse texto, com a carne vermelha, câncer ou endometriose? As pesquisas de Hansen podem explicar porque uma pessoa que nunca fumou e tem hábitos de vida razoavelmente saudáveis desenvolve um tipo letal de câncer de pulmão. Conheci duas pessoas que morreram dessa terrível doença sem nunca terem fumado ou convivido com fumantes. Para Hansen, há alguns vírus na carne vermelha, da família poliomavírus (sim, aqueles mesmos que foram associados com a endometriose pelos pesquisadores dinamarqueses), que seriam agentes causadores de câncer no pulmão em não fumantes, na mama, no intestino. Assim, o que causaria o câncer não seria apenas o modo de preparo da carne vermelha (frita, no churrasco etc), mas vírus que habitam no gado e não podem ser destruídos pelo calor do cozimento.

Como escrevi acima, não se sabe se a endometriose pode ou não estar relacionada com vírus. Mas a hipótese está sendo levada a sério por médicos em todo mundo. Também não há uma comprovação final de que poliomavírus, presente no gado, sejam um causador de câncer, embora Hansen acredite que há fortes evidências nesse sentido. O cientista premiado com o Nobel, recomenda: “reduzam o consumo de carne vermelha. Aliás, essa é uma recomendação que já vem sendo feita mesmo antes dessa relação.” A mesma recomendação é válida para enfrentar a endometriose.

Um médico italiano, da Universidade de Milão, Fabio Parazzini, chefiou uma pesquisa sobre a relação entre endometriose e a ingestão de carne vermelha (Veja aqui em reportagem publicada pela BBC Internacional). Os pesquisadores chegaram a seguinte conclusão, que deve nos servir de alerta: “As mulheres que tiveram a maior ingestão de carne (carne bovina, carne vermelha e de presunto) tiveram o risco aumentado para endometriose em 80 a 100%.” Um risco alto demais para compensar o hábito de comer carne vermelha e carne de porco. Para o médico, com uma alimentação correta, seria possível diminuir em 800 mil o número de mulheres com endometriose na Europa. Eu acredito nisso. Há algum tempo, não como mais carne.

Veja mais uma receita saudável no meu blog Sabor com Saúde.
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Poder superior.






Uma entrevista com Harald zur Hausen foi publicada no jornal Folha de S. Paulo, no dia 28 de junho de 2011, no Caderno de Saúde. Para quem assina a FSP, o link é: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2806201101.htm.