segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Corrida


19 de novembro de 2012

Recebi uma história de uma querida amiga do blog.
Li e me sinto motivada. Leiam e se inspirem.

Ufa! Finalmente cheguei. Pensei que não fosse conseguir.  Cinco quilômetros correndo direto, para quem mal caminhava, é mesmo uma tarefa hercúlea. Mas, pensando bem, por falta de exemplo não foi. Minha família tem tradição em corridas. Dezesseis quilômetros é o que me separa da minha irmã, que corre vinte e um quilômetros quase todos os dias. Uma meia-maratona desbravada nas manhãs ensolaradas, frias ou chuvosas. De fato, um exemplo e tanto. Um orgulho para mim. Isto sem contar os meus pais, que sempre deram os seus treinos de corrida também. 


A meu ver, tudo isso sempre foi belo, mas distante. Nada era capaz de me motivar a uma simples caminhada. Pensava convicta: não herdei esta vontade de caminhar e, muito menos, de correr. Ficou tudo para a minha irmã. Atividade física não é mesmo comigo. Ledo engano. O que me faltava era um motivo, algo determinante que mudasse a minha forma de agir. Tanto é que agora, que eu tenho um motivo, estou aqui me perguntando como vou superar meus limites físicos a cada dia. Indagação impensável até há pouco tempo. Respirar pausadamente sem perder o fôlego na hora da corrida (e os outros corredores não perceberem que eu o perdi rs), fortalecer as minhas pernas para que sejam capazes de correr mais rápido e, o mais importante de tudo, continuar a me sentir cada vez melhor passaram a fazer parte do meu estilo de vida. Hummm... É isto! Sentir-me melhor é o que conquistei com a corrida.  Pois, ela me deu, sobretudo, um poder sobre mim mesma. Um orgulho pra lá de especial.  Um fortalecimento. Deve ser a tal da superação que tanto as pessoas falam. Uma das alegrias da vida que, às vezes, nos esquecemos de buscar, pois só nos focamos nas coisas grandes. 


A questão é que um motivo nem sempre nos é dado de graça, de modo fácil e indolor. Ficar inerte e acomodada era tudo o que eu queria. Mas, não foi o que a vida me reservou. Após sentir os sintomas claros da endometriose e me consultar com médicos que pouco ou nada entendiam sobre o assunto, além de serem extremamente arrogantes e sarcásticos, resolvi agir e pesquisar formas alternativas de tratamento para o controle da endo.

E foi aí que tudo começou. O tempo passou, a pesquisa demorou, mas finalmente encontrei um norte. Como a bússola precisa pela qual o navegador se orienta, nossa querida amiga blogueira – legítima e abençoada dona deste blog –, sabedora e conhecedora da alma humana, me botou para acordar e correr. Em suas linhas – tão bem embasadas e escritas –, ela plantou em mim a semente do poder. Quando nos recrutou para a missão de nossa vida, transformou-nos em bravas guerreiras, que têm, para lutar, o respaldo de armas poderosas. Armas de criação ao alcance de todas nós. Uma verdadeira reinvenção na forma de viver.

Nas pesquisas que sempre nos brinda, nas descobertas que sempre nos anuncia, nas traduções que sempre nos clareia, nas orações que sempre nos fortalece, nos resultados que sempre nos traz, ela despertou em mim a vontade e a coragem de trilhar um caminho-irmão ao seu, capaz de também driblar aquela que cresce com a nossa fraqueza. 
Um caminho natural, de valorização do alimento, de encontro com a natureza, de dedicação ao corpo e à mente, de fortalecimento.

E foi assim que resolvi, ainda no início deste ano, sair do meu estado de conforto e começar a caminhar lentamente, passo a passo, até conseguir, hoje, correr. Refutando, dessa forma, a minha tese de que caminhar e correr não era para mim. 

No início, como a minha vontade era muito grande e intensa de diminuir os meus sintomas, fiz caminhadas longas e diárias por até 2 horas, mudei a minha alimentação, e investi nos fitoterápicos. Seguindo exatamente os rastros da nossa amiga blogueira. Com essa atitude, pude experimentar um bem-estar que transcendeu a urgência do próprio controle da endo. Ou seria o próprio controle da endo que me trouxe tanto bem-estar? Não sei. Ainda não fiz os exames para comprovar a eficácia do método. Vou esperar um pouco mais para fazê-los. Só sei que os sintomas melhoraram e, empolgada, participei da minha primeira corrida de rua. E assim, posso hoje desfrutar de muitos ganhos, físicos e, principalmente, emocionais. Além da melhora dos sintomas da endometriose, que se Deus quiser, está a caminho de ser controlada. Tudo isso é um verdadeiro salto na qualidade de vida.

Obrigada, minha amiga! Só quem tem uma luz muito forte é capaz de iluminar o caminho dos outros. E que as caminhadas e corridas que tenhamos que desbravar sejam, sobretudo, uma forma de consagrar a vida e que a chegada seja sempre comemorada pouco importando o seu resultado, pois a certeza de que o melhor fizemos é a nossa verdadeira conquista.

Beijão carinhoso,
Michele.
Brasília-DF, 19/11/2012.