9 de janeiro de 2013
Recebi o texto de Jeniffer sobre seu caminho de mudança de vida e superação da endometriose. Segue meu comentário abaixo.
Oi,
Confesso que, no momento em que escrevi o meu relato, não fazia ideia da
esperança que a minha história poderia trazer a outras pessoas. Escrevi em um
momento muito feliz: momento em que eu cheguei em casa após pegar os resultados
dos meus exames e conversar com o médico que me deu a notícia de que eu não
tinha mais nada, nem endometriose, nem ovários policísticos. Meu marido estava
no trabalho e eu estava muito feliz... Queria compartilhar isso com alguém...
Foi quando encontrei o blog, tentando descobrir se alguém havia passado por
algo parecido, pois, para mim, era tudo tão impossível de ter acontecido que eu
nem conseguia acreditar!
Bem, confesso, ainda, que fiquei um pouco ansiosa e insegura quanto a
escrever sobre a minha experiência, pois, só então, me dei conta da importância
disso para a vida de outras mulheres e famílias que sofrem com essa doença.
Então, orei a Deus e pedi que Ele me ajudasse a escrever e que o meu testemunho
mostrasse o Seu poder e Soberania acima de tudo e que a fé e a esperança de
outras pessoas fosse aumentada.
Resumindo, eu levava uma vida muito corrida, fazia magistério
(aproveitamento de estudos) de manhã, trabalhava à tarde e fazia faculdade à
noite, sem falar nos cargos que tinha na igreja e mais em casa para cuidar e o
marido para dar atenção. Com tudo isso, eu não dormia suficientemente (ficava
algumas noites sem dormir ou dormindo às 4h da manhã fazendo trabalhos, e
acordava às 6h para ir para o magistério). Eu me atrasava muitas vezes, engolia
rapidamente um pedaço de pão e saía correndo para a escola. Não tinha muito
tempo para me alimentar bem. Então, comprava lanche na hora do recreio da
escola em que trabalho (folhado de chocolate ou queijo, pizza, choco milk, pão de
queijo, etc.). Chegava em casa à noite, com muita fome. Era o momento em que eu
mais comia: antes de dormir, ou seja, tudo errado.
Foi quando, no mês de janeiro de 2011 (já havia terminado o magistério
em 2010), a diretora da área de saúde de minha igreja convidou um palestrante
para fazer uma semana de palestras sobre saúde e estilo de vida. Meu marido e
eu ficamos interessados, pois já éramos vegetarianos havia dois anos, porém,
não tínhamos muito conhecimento sobre isso, apenas não comíamos carne, mas não
tínhamos uma alimentação saudável. Comíamos alimentos com açúcar, chocolate e
principalmente muito queijo. Raramente as frutas e verduras entravam em nosso
cardápio.
Combinamos de assistir à semana de palestras inteira, pois, apesar de
acharmos que já estávamos indo muito bem nas questões de alimentação (engano
nosso), pensávamos que o palestrante daria muitas dicas de cardápios e
prevenção de doenças.
Nos surpreendemos muito com as palestras do professor Manoel Tápia (ele
tem um currículo excelente e estudou, inclusive, em Loma Linda, lugar que aparece sempre na televisão
mostrando o estilo de vida saudável das pessoas e a longevidade delas) e
percebemos que estávamos fazendo tudo errado.
O palestrante nos indicou alguns livros, sendo um deles Conselhos Sobre o Regime Alimentar, da
escritora Ellen White. Esse livro eu tinha em casa, foi emprestado por um amigo
. Percebendo o quanto eu sofria com as crises de enxaqueca, ele emprestou-me,
porém eu não tive paciência de ler na época (mal sabia eu o que estava
perdendo).
Durante aquela semana, meu marido e eu fizemos a limpa em nossa
geladeira e armários. Jogamos fora os alimentos prejudiciais (quase tudo) e
trocamos por alimentos saudáveis. Não foi nada fácil. Cada dia fazíamos pelo
menos duas mudanças em nosso estilo de vida:
- Regularizamos o nosso horário de comer (sempre no mesmo horário).
- Passamos a fazer apenas três refeições diárias com intervalos de 5 a 6
horas.
- 1ª refeição (desjejum) forte, 2ª refeição (almoço) média, 3ª refeição
leve.
- Trocamos os refinados pelos integrais, colocamos frutas e verduras em
nosso cardápio, começamos a preparar os alimentos da maneira mais simples
possível dando lugar aos alimentos crus. Tiramos de nossa dieta frituras,
chocolate, açúcar (utilizamos mel em pequena quantidade na granola e no pão
integral), refinados, leite e derivados (principalmente o queijo), ovos,
condimentos, quase todos os industrializados (parece ser o mais difícil, pois
estamos tão acostumados com a praticidade de ter os industrializados, porém,
eles fazem muito mal).
- Começamos a tomar água entre as refeições (e não junto com elas): meia
hora antes de comer e duas horas depois.
- Começamos a dormir cedo, sendo que a última refeição deve ser feita
pelo menos três horas antes de dormir para que o corpo realmente descanse. (Fiz
o propósito de não fazer mais trabalhos à noite, por mais importantes que
fossem, comecei a entregar nas mãos de Deus sabendo que Ele queria o meu bem e
que o meu corpo é o templo do Espírito Santo. Comecei a ter mais fé e acreditar
que Deus me ajudaria a vencer os prazos de entrega de trabalhos e outras coisas
por mais impossível que fosse. E, assim, Ele me ajudou, e tem me ajudado até
hoje). Começamos a dormir 8h por noite.
- Começamos a fazer exercícios físicos.
Até aí eu não sabia que tinha endometriose. Tinha fortes dores quando
menstruava, porém com a correria que era a minha vida, fiquei dois anos sem
consulta ginecológica (e sem qualquer outra consulta ao médico, às vezes ia
para o pronto-socorro devido à minha enxaqueca que era muito frequente).
Nesse mês de mudanças radicais, decidi consultar e fazer exames,
principalmente para ver como estava minha B12 [vitamina].
Meu marido e eu tentávamos ter um filho havia quatro anos e nada, então minha
médica pediu alguns exames para ver se estava tudo bem comigo e meu marido
consultou um urologista.
Foi então que descobri que estava com um foco de endometriose no ovário
esquerdo e ovários com padrão micro policísticos (esse desde a adolescência).
Minha médica pediu para que eu tomasse um anticoncepcional durante
quatro meses e repetisse o exame para fazer o controle evolutivo. Eu não podia
tomar anticoncepcionais devido à minha enxaqueca, mesmo assim ela me receitou
um mais fraco (utilizado por mulheres que estão amamentando). Mesmo esse
anticoncepcional me fez muito mal, sofri com fortes dores de estômago, muita
irritação entre outros. Mesmo assim tomei o medicamento por três meses, então,
não aguentei e decidi parar e esperar em Deus confiante de que a mudança no meu
estilo de vida traria alguma melhora.
Repeti o exame em cinco meses e o endometrioma havia diminuído um
pouquinho devido à medicação, segundo minha médica que insistiu para que eu
continuasse tomando ou procurasse um médico de infertilidade, pois na minha
situação, com 27 anos (na época), endometriose e ovários policísticos, seria
cada vez mais difícil ter filhos. Sem falar que os exames do meu marido não
deram muito bons, ele estava bem, porém no espermograma descobrimos que metade dos
seus espermatozoides eram mortos, com defeitos e lentos.
(Eu não sei o motivo, mas eu fiquei sem fazer exames durante um ano e
meio desde que fiquei sabendo da minha endometriose e, isso, sem perceber, pois
tentei me desligar do assunto para ficar mais tranquila. Só me dei conta quando
meus médicos me disseram que fazia tempo que eu não aparecia, sendo que eu
deveria ter ido de seis em seis meses. Não recomendo, pois, os exames são
importantes e não devem ser negligenciados.)
Nesse dia, fiquei muito triste. Mas, Deus, naquele ano, havia me
abençoado com uma aluna que seguia o mesmo estilo de vida saudável que eu havia
começado a seguir (sou professora de 1º ano do ensino fundamental) e, nesse
dia, encontrei com a mãe dela na academia e contei a ela o motivo da minha
tristeza. Foi então que ela me contou o testemunho de seu marido que teve
câncer (ou ele morreria em seis meses ou não teria filhos, mas ele foi curado e
eles tiveram dois filhos). Ela é enfermeira; e ele, médico. Ela contou como ele
foi curado através da mudança no estilo de vida e alimentação e me deu muitas
dicas sobre o assunto. Ouvindo ela e através da convivência com minha aluna,
tive mais forças para continuar a seguir o novo estilo de vida. Não foi fácil,
pois muitos nos criticavam dizendo que meu marido e eu ficaríamos doentes por
comer somente três vezes por dia. Essa mudança traz outras mudanças em muitas
outras áreas da vida. Por exemplo, os lugares que frequentávamos com os amigos
(restaurantes, lanchonetes etc.), os momentos de lazer com os amigos em
horários que agora já estamos dormindo etc Nossa maior dificuldade foi conviver
com as críticas e piadinhas das pessoas. Mas, logo nos acostumamos e hoje
muitas pessoas pedem conselhos sobre o viver saudável para nós (muitos ainda
acham muito estranho, pois no mundo de hoje comer mal e viver sem regras, bem
como não ter saúde, é normal).
Durante esse ano me senti na responsabilidade de passar aos meus alunos
esse exemplo. Fiz um projeto chamado HORA DO LANCHE SAUDÁVEL, através do qual
observamos mudanças positivas significativas na vida dos alunos e de suas
famílias e, ainda, fui premiada com a escolha do meu projeto como um dos
melhores da Associação Central Paranaense da Educação Adventista, que é a rede
onde trabalho. Acredito ser o meu dever ensinar aos meus alunos aquilo que
aprendi e que me faz tão bem.
Desde que começamos o novo estilo de vida, muita coisa mudou: eu era
muito irritada e me alterava facilmente, descobri que o meu estilo de vida sem
regras, alimentação cheia de estimulantes entre outros e o mau hábito de comer
alguma coisinha o tempo todo contribuía muito para isso. Hoje sou uma pessoa
muito diferente, até o meu casamento foi influenciado positivamente com essas
mudanças. Minha enxaqueca só aparece quando, por algum motivo ou falha, fujo da
minha rotina saudável (dormindo tarde, por exemplo) ou em situações de stress.
Meu marido que é TDA/H (Transtorno do déficit de atenção/ Hiperatividade),
vivia perdendo dinheiro, documentos, etc. Era muito agitado e não conseguia prestar
atenção no que eu falava, era esquecido, não conseguia ler, enfim, era muito
difícil lidar com este problema... Conseguimos perceber sua melhora gradual e
significativa. Hoje posso dizer que ele melhorou (durante esses dois anos) 90%,
tanto que hoje ele é ancião de igreja e tesoureiro (para quem vivia perdendo as
coisas e não era considerado responsável devido à doença, as coisas mudaram
inacreditavelmente). Enfim, são muitas as bênçãos diárias que recebemos.
E a benção mais recente foi a do dia 03 de janeiro de 2013.Há um ano e
meio, o médico fez o exame e disse: "É muito azar mesmo, seu marido é
infértil e você tem ovários policísticos e endometriose..." Dessa vez, ele
disse: "O que você fez? Você não tem mais nada, não estou encontrando nada
aqui!"
Gostaria de dizer, ainda, que ao fazer esta mudança no estilo de vida, o
meu foco não era a cura, e, sim, a minha consciência dizendo que meu corpo é o
templo do Espírito Santo e que eu deveria me apresentar como sacrifício vivo
perante o Senhor. Para mim era minha obrigação cuidar do corpo que Deus me deu,
gostaria de ter a mente clara para ouvir e entender a Sua voz. Eu acreditava
sim que, com as mudanças, muita coisa melhoraria, mas se não melhorasse, tinha
o propósito de ser feliz e grata mesmo assim e de continuar com meu novo estilo
de vida. A cura foi um presente.
Agora meu marido e eu esperamos ter um filho ou filha. Não sabemos se
teremos, mas acreditamos que Deus é muito poderoso e que Ele poderia ter nos
dado este filho independentemente da cura ou não. Porém, em nossas orações,
pedimos que Ele faça a vontade dEle e não a nossa, pois, Ele é nosso Pai e quer
a nossa felicidade. Às vezes, achamos que sabemos o que vai nos deixar felizes,
mas, Deus é Quem realmente sabe e nossas vidas estão em Suas mãos aceitando,
com alegria, a Sua vontade.
Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.