quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Da endometriose ao câncer: a consciência do risco e o risco do desconhecimento




27 de outubro de 2011


Não sei seu nome, nem detalhes de sua história. Transformada em relato médico, eles a identificam como a “Paciente do sexo feminino com 45 anos de idade”. Uma mulher portadora de endometriose profunda, que era mãe de dois filhos e sofria com um histórico de dismenorreia intensa (cólica menstrual).

De acordo com os médicos pesquisadores, ela foi internada no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP) após sentir dores abdominais durante duas semanas sem melhoras com o uso de analgésicos (Veja a pesquisa acadêmica com esse relato
). Por meio do ultrassom transvaginal, constataram aumento do volume do útero (190 cm3). O CA-125, marcador tumoral também utilizado para compor o diagnóstico de endometriose, estava alto: superior a 200 U/mL. A hipótese diagnóstica foi adenomiose/endometriose pélvica. Os médicos a submeteram a uma histerectomia (retirada do útero) “para tratamento da dismenorreia”. O exame laboratorial não identificou endometriose no útero.

Após a cirurgia, voltou para casa. Mas retornou várias vezes ao hospital para ser atendida no Pronto Socorro. Estava emagrecendo. As dores abdominais não cessaram. Por meio de uma ressonância magnética do abdômen, encontraram uma massa de 6,0 x 5,0 x 3,0 cm no peritônio (uma membrana que envolve a camada abdominal). Era endometriose. Os médicos optaram por uma ooforectomia bilateral terapêutica. Foram retirados os dois ovários.

Sem útero e sem os ovários, era de se esperar, ao menos, o fim da dor. Mas as dores continuaram, acompanhadas de náuseas e vômitos. Havia mais focos de endometriose. Por meio do ultrassom, identificaram uma “massa cística”, próxima à aorta, ao tronco celíaco e aos vasos mesentéricos. A aorta é a artéria mais importante do sistema circulatório. O cisto encontrado estava no abdômen, próximo à aorta abdominal (aorta descendente). Ela foi subtemida a uma laparotomia. Retiraram parte do tumor. O exame revelou cisto “endometriótico com hemorragia”.

Um ano se passou. Ela foi submetida a uma nova tomografia computadorizada que revelou uma “lesão residual retroperitoneal”. Esse cisto no peritônio foi investigado por meio de uma punção. Os médicos acreditavam que era endometriose, mas não excluíram a possibilidade de outro diagnóstico, conforme relatam: “porém devido à presença de muita necrose no material, não se excluía a possibilidade de neoplasia epitelial bem diferenciada.” A neoplasia é um crescimento desordenado da célula que pode ser maligna ou benigna. Pelo que o paper relata, a paciente foi mantida sob tratamento para controle da dor. Mais um ano se passou até um novo exame. Vejam o relato:

Mantida sob tratamento clínico com controle parcial da dor e das náuseas. Exame de controle por RM [Ressonância Magnética], após um ano, mostrou aumento das dimensões da massa retroperitoneal, descrita como lesão expansiva complexa (...).
Desde a abordagem cirúrgica da massa no peritônico, quatro anos se passaram. Em meio a operações e remédios, ela emagreceu mais, a dor piorou. Até que foi encontrado um tumor de 15 cm em seu abdômen. Vejam o relato:

Após 4 anos da primeira abordagem cirúrgica da massa retroperitoneal, a paciente apresentava-se emagrecida (I.M.C. = 17) com piora da dor, apresentando náuseas, vômitos e inapetência. O exame físico evidenciou massa endurecida, em topografia de
epigástrio, aderida a planos profundos.

Os médicos fizeram uma tentativa de retirar o tumor. Na cirurgia, cortaram parte do estômago, do baço, do pâncreas. Devido às características do tumor, não puderam extraí-lo. Após 45 dias, essa mulher morreu, por choque séptico. Na autópsia, constataram o câncer: “adenocarcinoma caracterizado pela proliferação neoplásica de padrão glandular predominantemente endometrióide.” Para os médicos, a endometriose se transformara em câncer.

Essa história foi relatada em um trabalho acadêmico repleto de termos técnicos, aceito para publicação no dia 30 de maio deste ano. Apesar de sua objetividade científica, há muito sofrimento nesse relato. Escrevi este texto sob uma tensão crescente, tentando descrever os sintomas, os achados, os exames, os resultados, as idas e vindas dessa mulher, o olhar médico e sua interpretação. A mulher que não conheci sofreu muito. Viveu o calvário. Por que ler isso? Por que trazer à tona essa história? Por que escrever sobre dor extrema? Se precisamos de força, a encontraremos nesse desfecho? Ainda que seja incomparavelmente mais difícil saber dessa história do que conhecer histórias de dor marcadas pela superação, ainda sim, prefiro conhecer todas as implicações possíveis dessa doença, para não subestimá-la, para dizer: não a subestimem.

Há tempos, li um artigo na BBC sobre o risco da endometriose se transformar em câncer (Veja). O artigo afirma que muitas mulheres poderiam não querer ouvir sobre isso. Quem deseja ouvir o pior? Mary Lou Ballweg, da Endometriosis Association, disse: “Há um perigo de médicos sentirem que as mulheres não querem saber sobre o risco de câncer. Mas o que é pior, sentir um pouco de medo e estar atenta para os sintomas ou morrer?” “As mulheres precisam procurar um especialista para garantir que elas estão recebendo a melhor ajuda possível”, afirma Ballweg. De acordo com a médica Joanna Owens, diretora do Cancer Research UK's: “pesquisas [...] sugerem que a endometriose pode aumentar o risco de câncer e são necessários mais estudos para explicar essa conexão. Nosso conselho para todas as mulheres é que conheçam seu corpo, contatem o seu médico imediatamente se detectar quaisquer mudanças e participem de triagem, quando convidadas.” (Veja
)

Ao descrever o caso em um paper, enviado para publicação na revista Autopsy and Case Reports
, da USP, os médicos pesquisadores mantêm uma linha investigativa central: a relação entre câncer e endometriose, com enfoque nas discussões sobre diagnóstico. “Estudos têm documentado a progressão da endometriose, como doença benigna, para o câncer”, afirmam os autores. Eles enumeram algumas questões centrais, com base na análise de outras pesquisas: 1. O mecanismo de transformação da endometriose para o câncer ainda é desconhecido; 2. Não existe um método unificado para o diagnóstico da transformação da endometriose em câncer. Nos trabalhos publicados esse método é variado; 3. A taxa de incidência de câncer de ovário é nove vezes maior em mulheres com endometrioma. Em mulheres acima dos 50 anos, é 13 vezes maior; 4. Muitas mulheres que desenvolveram câncer a partir de focos de endometriose fora do ovário estavam na menopausa e faziam reposição hormonal; 5. As neoplasias de ovário relacionadas à endometriose parecem apresentar um prognóstico mais favorável, com melhores taxas de sobrevida.

Quero destacar mais duas conclusões dos autores (Veja
):

1. Por sua vez, a Ressonância Magnética (RM) é o método de imagem mais usado para
avaliação da endometriose pélvica profunda, podendo ter sensibilidade superior a 90% na capacidade de predição de lesões malignas.Nesses casos, as imagens sugestivas de acometimento neoplásico são a presença de massa unilateral cística com focos de hemorragia e nódulos murais com realce ao contraste.

2. A transformação carcinomatosa da endometriose é evento relativamente raro, pouco compreendido e de ainda difícil diagnóstico pelos métodos atuais. Não há até o momento orientação para seguimento ou rastreamento da transformação maligna nos focos de endometriose.

Quando li esse paper, me fiz várias perguntas. Primeiro, a qual tratamento medicamentoso essa mulher foi submetida? Já que retiraram o útero e os ovários, provavelmente ela não estava utilizando remédios para conter o avanço da endometriose. Mas seguia um tratamento medicamentoso, conforme relatam. Qual? Justamente devido às cirurgias, será que não estava fazendo reposição hormonal? Os médicos não dão informações sobre o tratamento farmacológico. Apenas mencionam o aumento de casos de câncer, a partir da endometriose, em situações em que a mulher faz reposição hormonal, embora não especifiquem o tipo de reposição.

Além disso, de acordo com os médicos a Ressonância Magnética é o melhor exame para diagnosticar a transformação de endometriose profunda em câncer. Nunca fiz ressonância. Nunca encontrei um médico que quisesse pedi-la. Provavelmente, os planos de saúde os induzem a isso. Mas, com esse paper em mãos, vou pedir que meu médico requisite o exame. Fica claro que a associação entre câncer e endometriose não é bem conhecida. Embora tais casos sejam raros – apenas uma pequena porcentagem de mulheres com endometriose desenvolve câncer –, precisamos estar atentas aos sinais, principalmente se nos enquadramos nos grupos de riscos citados: endometriose profunda, endometriose intestinal (meu médico faz pesquisas nessa área. Disse que o risco de malignização é muito maior no intestino do que no ovário), reposição hormonal, mulheres na menopausa ou acima dos 50 anos, obesidade, emagrecimento sem outra causa.

Esse artigo discute métodos diagnósticos. Parece importante para que a ciência avance. Mas a discussão central deve ser: como prevenir? Como impedir que a endometriose se transforme em câncer? Como evitar o medo e, ao mesmo tempo, tomar atitudes que nos protejam, nos fortaleçam (pois o medo apenas nos enfraquece)? Discutir as causas dessa transformação da doença é importante. Se as pesquisas médicas estão dizendo que reposição hormonal aumenta os riscos, devo fazê-la? O que mais aumentaria os riscos? No artigo publicado na BBC, a médica Anna-Sofia Melin, do Instituto Karolinska, na Suécia, afirma que a endometriose pode se transformar em câncer devido a defeitos no sistema imunológico das mulheres. Outra hipótese considerada por Melin é:

“Talvez o tratamento da endometriose possa influenciar o desenvolvimento do câncer. Nós não sabemos ainda.” (“Maybe the treatment of endometriosis can influence cancer development. We do not know yet.”) (Veja
).

Essa é uma afirmação corajosa e incomum, partindo de uma médica. Será que o tipo de tratamento que estamos fazendo está fortalecendo ou debilitando nosso sistema imunológico? Se está fortalecendo, você deve estar se sentindo melhor, com o organismo mais forte. É preciso olhar para o corpo e reconhecer os sinais. É preciso procurar bons tratamentos, bons médicos e fazer os exames corretos. Tomar as decisões necessárias.

Apesar de muito triste, o relato dessa mulher anônima fala a todas nós. Serve de um alerta. Não deve nos levar ao desespero nem à tristeza. Como disse, o índice de mulheres com câncer desenvolvido a partir da endometriose é pequeno. Por isso, com a mudança de estilo de vida, com um tratamento eficaz, podemos superar essa doença, ter qualidade de vida, tornar nosso organismo ainda mais forte, de modo que além de controlar/superar a endometriose sejamos capazes de evitar outras doenças, por conta da atenção e cuidado que temos com nós mesmas. A endometriose pode ser também um caminho para nos fortalecer ainda mais. De fato, com as mudanças que fiz por causa da endometriose, estou muito melhor. Sentia dores fortes, não sinto mais. A endometriose é profunda, mas os focos diminuíram de tamanho. Há mais vida em mim do que antes. Paradoxalmente, endometriose pode também significar isso – buscar vida, em sua plenitude.
Veja como superei a endometriose:



Leia sobre a fonte da Paz


Conheça meu novo blog: Beith LehemA Casa do Pão.


Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.


                                          https://www.instagram.com/endometriose_tem_cura/

domingo, 16 de outubro de 2011

Endometriose, obesidade e reposição hormonal




16 de outubro de 2011

Acesse neste blog: Qual é o melhor remédio para endometriose?

A combinação obesidade/endometriose pode levar a doenças mais sérias. Peso ideal não é sinônimo de saúde, mas estar acima do peso representa um risco aumentado para o desenvolvimento de várias doenças. Minha mãe e minhas irmãs sempre tiveram tendência para engordar. Eu nunca estive acima do peso normal, mas também não era muito magra. Devido à endometriose e doença co-relacionadas, emagreci bastante. Após mudar meu estilo de vida, recuperei os quilos perdidos e estou muito bem, nem magra nem gorda. Minha menstruação é normal. Sem dores, sem sangramentos intensos. Apesar da endometriose profunda (grau IV), meu organismo segue equilibrado. Mas nem sempre foi assim. Como já disse, devo isso a uma mudança completa em meu estilo de vida. No entanto, uma de minhas irmãs não tem a mesma história. Sem qualquer preocupação com comida saudável ou exercícios físicos, ela engordou até se tornar obesa. Antes de atingir uma obesidade preocupante, recorreu aos remédios de emagrecer por “orientação” médica. Começou um efeito sanfona incontrolável, com alterações emocionais. Após anos de dependência farmacológica, seu organismo ficou completamente desregulado. Resultado: ela deixou de ser uma bonita mulher gordinha e passou a enfrentar a obesidade quase mórbida. Se antes não havia força de vontade alguma para mudar o estilo de vida; com a obesidade, ela se entregou a soluções ainda mais radicais e agressivas. Decidiu pela cirurgia bariátrica. Lembro-me dela saindo do centro cirúrgico semiacordada. A cirurgia para redução de estômago correra bem, mas sua vida jamais seria a mesma.

Quando minha irmã fez a cirurgia, uma mulher morreu um mês após o mesmo procedimento cirúrgico. Recentemente, um tio de meu marido morreu no preparo para essa cirurgia, durante a anestesia. Mas minha irmã passou bem por todas essas fases. Emagreceu, sem ficar muito magra, como imaginava. Embora não tenha sido por laparoscopia, ela se recuperou relativamente rápido. Mas agora todo o organismo sofre com as consequências da cirurgia. Primeiro, teve de retirar a vesícula. Recentemente, descobriu que está com cistos e pedras nos dois rins, além de outras complicações. A cirurgia de redução de estômago aumenta significativamente a probabilidade de pedras nos rins. É como se minha irmã tivesse aberto a caixa de pandora com essa decisão. De modo muito rápido, o organismo está se debilitando. Um a um os órgãos vão apresentando falhas. Dependente de suplementos vitamínicos e comidinhas reguladas, incapaz de beber um copo cheio de água, ela também sente dores. Embora tenha acompanhamento médico constante e siga a risca as “orientações” artificiais dos médicos, agora ela vive para apagar incêndios no seu corpo. A decisão que parecia apontar o caminho mais fácil tem se mostrado, na realidade, um trajeto dolorido. Mas será que poderia ter sido diferente? É possível emagrecer sem remédios e sem cirurgia bariátrica?

Vocês já devem adivinhar minha resposta: sim. Eu acredito no poder da mudança do estilo de vida. Tenho como comprovar. No caso da endometriose, tenho como comprovar devido a minha própria experiência e a algumas histórias de vida que tenho encontrado e compartilhado aqui. No que se refere à obesidade, não enfrentei esse problema. Sinto na pele apenas o efeito negativo das decisões de alguém que amo. Mas conheço duas histórias bem-sucedidas relatadas por duas pessoas muito diferentes, mas igualmente admiráveis: Paulo Farber, médico com doutorado em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e Karina, alguém que conta sua história em um blog pessoal. Tanto Farber quanto Karina relatam sua incrível experiência na internet. Para quem não precisa emagrecer, mas está enfrentando a endometriose, a história dessas duas pessoas também é uma fonte de conhecimento segura e funcional. Um oásis sobre recuperação e manutenção da saúde.

Farber conta sua história no Blog da Saúde
. Com base em pesquisas científicas, ele fala da importância da vitamina D (pessoas com baixo índice dessa vitamina têm mais dificuldades para emagrecer. Além disso, há mais dois textos super importantes no blog sobre essa vitamina), da ameaça do açúcar e dos carboidratos que desencadeiam a resistência à insulina e tem provocado uma epidemia de diabéticos, a importância dos exercícios físicos, o fator emocional, o uso de terapias alternativas. Em três meses, Farber emagreceu 25 kilos, sem perda muscular. “Hoje estou bem mais feliz, porque estou mais magro, e também porque me libertei da prisão que é a ‘refeição por prazer’. É uma liberdade que nunca soube que existia”, afirma (Veja). Além desse relato, o blog tem outros textos que apresentam uma medicina comprometida com a saúde, embora eu particularmente discorde de algumas posições centrais, incluindo o uso de carne e de homeopatia. Exemplos de ótimos textos: benefícios da fitoterapia, malefícios dos remédios (O texto “Um dia esse remédio faz bem, em outro esse mesmo remédio faz mal” aborda a questão da reposição hormonal), uso de corticoides, o perigo de medicamentos para o estômago, o funcionamento da medicina. Há um inconveniente no blog: ele está sem atualização desde março.

Karina emagreceu 13 kilos em seis meses. Enquanto Farber recorreu à medicina chinesa, Karina tem uma experiência com a dieta vegetariana e um componente a mais – sua fé pessoal no poder da oração (Veja
). No site em que narra sua história, há muitos textos sobre estilo de vida saudável, além de receitas deliciosas (Veja). Além de filosofia de vida, há orientações abrangentes e muitas dicas práticas. No texto em que Karina relata como emagreceu, os créditos são dados a Cristo. Segundo seu relato, foi por meio da oração que ela exerceu sua força de vontade – mediante sua fé surgiu “tanto o querer quanto o efetuar” (Filipenses 2:13). Concordo com Karina nesse aspecto: mudar o estilo de vida requer uma tremenda força de vontade. De onde vem essa força? Cada pessoa busca numa fonte. Nem todas as fontes são capazes de impulsionar e manter a mudança. Precisamos experimentar aquilo que promete nos fortalecer, ter uma experiência individual. Provar se funciona, sem preconceitos. Falar das melhoras, sem receios.

Por que essas experiências são importantes para quem tem endometriose? Mesmos estando com o peso ideal – e muitas mulheres com endometriose são magras – é preciso buscar a nutrição ideal. Pode-se estar magro ou acima do peso e, ao mesmo tempo, desnutrido e com toxinas no corpo. As experiências de Farber e Karina vão além do mero emagrecimento. São receitas de saúde completas. Mas quem está acima do peso e tem endometriose tem um motivo muito importante para emagrecer: a obesidade ou sobrepeso desencadeia e piora a doença. De acordo com pesquisadores da Faculdade de Medicina do ABC, há 80% a mais de chances da endometriose se transformar em câncer em mulheres obesas que usam o hormônio estrógeno para reposição hormonal (Veja
). A afirmação está baseada no estudo de médicos da Mayo Clinic, em Minnesota, Estados Unidos (Veja o abstract). De acordo com o artigo, a obesidade pode desencadear o hiperestrogenismo, que causa a endometriose. Além disso, a reposição hormonal com estrógenos após histerectomia pode levar a transformação da endometriose em câncer. Os pesquisadores afirmam:

Hyperestrogenism, either endogenous or exogenous, is a significant risk factor for the development of cancer from endometriosis. The prevalences of endometriosis, obesity, and use of hormonal replacement therapy in women in developed countries are increasing, and this trend justifies the assumption that cancer developing in endometriosis might become more common in the future. (Hiperestrogenismo, seja endógeno ou exógeno, é um fator de risco significativo para o desenvolvimento do câncer a partir da endometriose. A prevalência de endometriose, obesidade e uso de terapia de reposição hormonal em mulheres de países desenvolvidos está aumentando, e essa tendência justifica a suposição de que o câncer desenvolvido a partir da endometriose pode se tornar mais comum no futuro.)
Embora os médicos pouco falem disso nos consultórios, pesquisas acadêmicas sérias nos alertam para a necessidade de uma mudança de estilo de vida. Vimos que o Dr. Farber preferiu trocar “o prazer de comer” por uma comida saudável. Evidentemente, ele está falando sobre “o prazer de comer as coisas erradas”. Essa espécie de prazer não compensa. Cobra uma conta alta. Como já escrevi neste blog, encontrei o prazer de comer alimentos saudáveis e também deliciosos. Sem açúcar, mas saborosos. Sem gorduras prejudiciais, mas apetitosos. Mudar o estilo de vida requer força de vontade, mas compensa. Ganha-se uma vida com saúde, redimensiona-se o prazer.


PS.: 1. Recebi uma dica super importante de uma leitora deste blog. Ela sugere a leitura de livros de Dean Ornish. Vou procurar saber mais sobre os livros. Há um vídeo muito interessante com Ornish no TED, com legenda em português: http://www.ted.com/talks/lang/por_br/dean_ornish_on_the_world_s_killer_diet.html. Não deixem de assistir ao vídeo. Tem 3min.22 seg.

2. Escrevi sobre os riscos da reposição hormonal no texto "Endometriose, câncer e reposição hormonal".


Leia meu texto: Eu venci a endometriose

 (http://endometrioma.blogspot.com/2018/07/eu-venci-endometriose.html)


Conheça a história de Francielle e Samuel: Um bebê da esperança. 


                                          https://www.instagram.com/endometriose_tem_cura/

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A resposta simples para a endometriose

6 de outubro de 2011

Incrível, como atitudes e hábitos aparentemente simples podem significar a resposta para problemas espinhosos. Na Tailândia, o número de mulheres com câncer no colo do útero despencou devido a um exame alternativo, barato e muito eficaz, feito à base de vinagre. O papanicolau, que leva dias para ficar pronto e apresenta um custo muito elevado para mulheres pobres, é substituído pelo toque do vinagre em lesões suspeitas. Queima, mas se houver riscos para células cancerosas, a pele apresenta uma coloração branca. Com a detecção precoce de células doentes, enfermeiros treinados para essa tecnologia simples fazem um procedimento curativo bem-sucedido. Ao substituir exames laboratoriais pelo vinagre, mulheres tailandesas se veem livres de uma doença que mata.

A lista do simples, em geral, circula em espaços invisíveis. Não interessa que se torne pública. Tornar-se pública é mais do que ser conhecida ou estar na internet. É ser aceita, vista como crível, resposta eficaz, escolha inteligente e curativa, a melhor opção, embora não passe de uma atitude absolutamente simples. Não é uma resposta banal ou periférica, mas um tratamento central, poderoso e simples. Trocar exames dispendiosos por vinagre ou antibióticos agressivos por alho são dois exemplos. Substituir os caros stentes em pacientes cardiopatas por mudanças na dieta e no estilo de vida é outro exemplo poderoso. Laparoscopias seguidas, cirurgias no intestino, remédios e tratamentos caros também têm seu substituto simples. Mas respostas simples não surgem sem vontade acirrada. É preciso querer muito. Tem que acreditar, investir, entregar-se a experimentações e colher o fruto da ousadia. Tem que amar a vida e as pessoas para fazer o melhor por si mesmo e pelos outros. Num cenário de desamor, amar é verbo dissonante. Não combina com ganância nem com verdade. Parece inocente demais, simples ao extremo. Funciona mesmo?

Os métodos simples surgem com os valentes. O vinagre da Tailândia é resultado de uma pesquisa médica feita em Harvard e divulgada pelo jornal New York Times. O uso de alho no lugar de antibióticos é resultado de uma pesquisa feita na Universidade de Campinas (Unicamp), que inclusive ajuda a diminuir a inflamação da endometriose (Veja aqui
). A comida que reverte graves doenças do coração foi adotada com sucesso por celebridades norte-americanas. Houve quem sonhou em salvar, antes de lucrar. Quero acrescentar nessa lista uma história admirável: a do frei brasileiro que se dedica a curar pessoas com uma planta medicinal – aloe vera ou babosa. História incrível, com resultados reais. Experimentação que tem levado pesquisadores em todo mundo a dedicar horas em laboratórios para comprovar o que o corajoso frei Romano Zago atestou na vida. Encontrada na rua, misturada num composto sem grandes mistérios, a planta cura. Simples, assim.

Não são quaisquer pessoas falando quaisquer coisas. Afinal, se é verdade, por que não se divulga para todos os cantos em megafones ultrapotentes? Por que a solução não pode ser simples? Porque se for, muitos vão perder a galinha tecnológica dos ovos de ouro high tech. Contudo, ao menos por um curto espaço de tempo, a lista simples se lança ao cenário público, se torna conhecida, desfila credibilidade, mas não ultrapassa por completo o corredor polonês. A todo momento, está ameaçada de exclusão. Quantos têm acesso a essa informação? E quem tem acesso à notícia, saberá colocá-la em prática? Onde é possível encontrar alguém que acredite nesses ideais para conduzir a mudança? Se alguém ousar dar ouvidos à ideia simples terá forças para seguir adiante com ela, sem fraquejar? A massa de pessoas envoltas por publicidades embaladas a neon gritará em coro uníssono: não pode ser tão simples assim, isso é loucura. Agenciados para manter as pessoas no padrão da "normalidade" e do consumo, os próprios médicos – muitos, mas não todos – serão os primeiros a lançar ao abismo sua boa vontade em seguir na direção correta. Seremos vigiados, seremos punidos, diria Foucault.

Mas graças a Deus, há a internet, os livros, a informação, os corajosos, os sem medo, os tsiwari. Temos o New York Times, o google acadêmico, mulheres que se encontram na rede digital, nosso corpo. A vontade determinada em assumir o controle da própria vida. Para enfrentar a endometriose, superar laparoscopias e remédios, há respostas simples. Porém, exigentes. Não é fácil não. Continua, no entanto, sendo imensamente melhor do que não fazer nada ou fazer tudo que não funciona. Feito vinagre, a mudança queima, mas cura.

PS.: 1. Meu marido viajou para o norte do país, passando pelo Amazonas e Pará. Trouxe-me de presente um vírus resistente. Senti os primeiros sinais da gripe forte. Iniciei o tratamento. De manhã e no final do dia, em jejum, regado a dois copos de água, tomei um dente de alho moído, colocado na colher, e ingerido com bastante água. No meio do dia, 30 minutos antes do almoço, tomei o suco puro de um, dois ou três limões. À tarde, na última refeição, um suco, feito no liquidificador: duas poncãs ou laranjas, uma maçã e uma cebola. A gripe forte durou um dia, mas sem me vencer por completo. No dia seguinte, já estava bem. Nos demais dias, senti o vírus tentando avançar, especialmente quando acordava ou no final do dia, antes do remédio-alho. Mas em uma semana, nenhum sinal da gripe. Mais do que vencê-la, esse tratamento me trouxe muitos outros benefícios, enquanto se eu tivesse tomado antibióticos, arcaria com seus malefícios, como a destruição das bactérias do intestino, responsáveis pela imunidade. Meu tratamento teve um efeito colateral positivo: no final da semana, eu já não tinha inchaço abdominal. Esse é o sintoma mais persistente no meu corpo, devido à endometriose. Mas com o mix-tempero, fiquei leve, bem, saudável. Portanto, se você quiser avaliar a eficácia dessa receita antigripe e antiendometriose para sua saúde, não tenha medo. Alho, limão e cebola são remédios simples, mas extremamente eficazes. Entretanto, esses são remédios antissociais devido ao odor. Quando estiver de férias e puder ficar uma semana reclusa, tente este caminho. Não deixe de tomar o alho com bastante água. Espere no mínimo 30 minutos para comer. Coe bem o suco indicado. Além disso, evite, pelo menos, o açúcar. Feito vinagre; o alho, cebola e limão também incomodam, mas são potentes agentes naturais de cura.

2. Indico um site muito interessante de uma mulher da Nova Zelândia com endometriose que se chama Melissa:
http://www.cureendometriosis.com. Ela descobriu a endometriose com 19 anos. Grau 4, com dores horríveis. Sob a promessa médica de manter a endometriose e a dor sob controle, foi submetida a sete cirurgias, além de incontáveis medicamentos e drogas. Sem sucesso. Na verdade, ficou ainda pior, devido aos efeitos colaterais dos tratamentos. Após 15 anos de lutas, ela encontrou a resposta: mudança no estilo de vida. Alimentação natural. Exercícios físicos. Hoje, ela afirma que reduziu 90% da dor. E tem esperança de ficar livre da endometriose, que está sob controle. Eu também superei a endometriose. Não tenho dor alguma. E os focos reduziram muito de tamanho. Do ovário, reduziu pela metade. Meu tratamento: mudança de estilo de vida. Não li toda a proposta de Melissa ainda. Mas vi que ela não usa açúcar, carne, gorduras e glúten (um médico ginecologista, da Universidade de São Paulo pediu que eu fizesse um exame para saber se eu tinha alergia a glúten. Não tenho. De qualquer forma, reduzi muito o consumo de glúten, massas, mas não tirei da minha alimentação. Toda mulher com endometriose deveria fazer esse exame). Portanto, a receita de Melissa é diferente da minha em alguns pontos. Também não fiz as mudanças com base na medicina chinesa, como já disse. Reconhecendo que a espiritualidade é essencial para a cura, minha fé e minhas orações estão voltadas a Cristo, quem me dá forças para fazer as mudanças necessárias. Mas eu e Melissa temos algo muito importante em comum: mudança de estilo de vida. Tratamento natural. E resultados incríveis. Funciona, sim. É real. Em um dos post, Taking that first step to Healing Endometriosis through what you eat!, ela fala da importância da alimentação para superar a endo. Fala das dificuldades e das possibilidades da mudança. Embora no Brasil, essa abordagem seja pouquíssimo considerada pelos médicos, tem avançado em outros países. Tem avançado porque funciona, com a incrível vantagem de não estar patenteada nem depender de um conhecimento especializado caro e inacessível.

Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais: Um caminho, entre tantos e








Leia mais sobre: Para alcançar a cura