quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Além da saúde


25 de dezembro de 2013

O corpo é falível. Modifica-se, envelhece, adoece, fragiliza-se, limita-nos.

Um filósofo escreveu, nesta semana, para um jornal de grande circulação que rimos dos antepassados que criam no sobrenatural. Mas, certamente, diz ele, nossos descendentes rirão de nós, de nosso ceticismo ou crença disfarçada de ceticismo depositada em projetos humanistas nos quais a força e a capacidade de se autoconstruir residem em nós, apenas em nós, seres ávidos por “saúde...”. Sociedade aficionada pelos valores democráticos, idólatra da saúde, do corpo. O corpo no centro, como o Sol.

Esses nossos descendentes, diz o filósofo, daqui uns mil anos, crerão em Deus; mas o deus dos descendentes do filósofo, a imagem de divindade que mora nele, é aquele que permitiu a ópera indigesta do mal. Deus mal. Com tanto sofrimento e dor, desconcertos, como não pensar assim? Quando a dor se aloja nos nervos, contorcendo a carne, e a carne de nossa carne, ou esfacela milhares de ideais e escancara-se na brutalidade das ruas e de homens, em mim mesma, eu descreio. Sem o conhecimento da história da redenção, não há história. É Natal, mas o filósofo não menciona a Cristo. Sem mencioná-Lo, coloca-se à mercê do “triste maestro”. Sem Cristo, não há como entender.

Tolstói e Dostoiévski, em Ressurreição e Crime e Castigo, reconstroem o corpo de seus personagens alquebrados e doentes durante um trajeto que culmina no aparecimento de Cristo, a quem não se menciona, a quem não se recebe, sobre o qual o silêncio constantemente se rompe. Se esses personagens possuíam ou não uma doença física, como era o caso de Ivan Illicth, atormentado pela possibilidade da morte iminente que, por fim, como ocorre com todos nós, o leva, não sabemos; mas eles deparam com a cura de um mal maior. Enxergam e escrevem a cruz, o corpo entregue à cruz, o próprio corpo deposto na cruz. O corpo no centro de um madeiro, mortificado sendo vivificado. Esses personagens e seus autores há muito morreram; pelo tempo em que vivemos, foram mortos, mas a palavra nos revisita.

Não adoro o corpo, eu o entrego; não perco o corpo, ele me é entregue. Ressurreição.

Ocorrem pequenas ressurreições quando a saúde volta, a dor é superada, a circulação é límpida, a doença não mais aflige, o corpo gera vida. Mas o que importa ressurgir temporariamente? “Triste maestrina” sou de mim mesma, saúde triste, ainda que saúde por algum tempo. Estamos fadados ao salário. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:23).

A exaltação do corpo, central como é, faz-se com a ingestão do Verbo. Só a carne e o vinho resgatam o corpo. 




PS.: Escrevi o texto Endometriose, religião e espiritualidade. Considero esse o texto mais importante que eu escrevi sobre meu tratamento para superação da endometriose, pois conto como defini meu caminho de saúde, quais as fontes determinantes de pesquisa e informações necessárias para fazer minhas escolhas e tomar minhas decisões. 


Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.


Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.

Endometriose na mídia


25 de dezembro de 2013


Neste mês, a endometriose recebeu um destaque especial na mídia. O Fantástico, da Globo, apresentou um quadro bem completo sobre a doença e suas implicações. Essa foi a melhor reportagem televisiva sobre a doença. Meu marido e eu nos emocionamos com as entrevistas. Você pode assistir aos episódios no site do programa e ter acesso a artigos interessantes sobre a reportagem no blog da Gapendi (Grupo de Apoio às portadoras de Endometriose e Infertilidade). O Canal Futura também realizou um programa bem conduzido de entrevistas. O programa pode ser visto tanto na TV Futura quanto no blog Endometriose e eu. Muitas outras matérias sobre a endometriose estão sendo veiculadas em mídias eletrônicas e impressas. Além da importância de alertar sobre a doença, essas divulgações midiáticas de grande alcance evidenciam o trabalho especial de apoiadores, mulheres e grupo de mulheres portadoras da doença que dedicam seu tempo para ajudar a outras mulheres.  

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Endometriose e fitoterapia: minha experiência com a babosa (aloe arborescens)

12/12/2013



Após fazer mudanças em meu estilo de vida, constatava, mês a mês, que a endometriose ainda crescia um pouco. Eu ainda precisava mudar muita coisa. A vitamina D, por exemplo, continuava baixa. O hábito de me exercitar não estava bem consolidado. A alimentação, embora bem melhor, não supria todas minhas necessidades nutricionais.

Minha saúde já estava bem melhor, mas era preciso mais. A endometriose é uma doença perigosa, que avança rápido. No meu caso, a situação era ainda mais preocupante, pois a doença já estava alastrada pela cavidade abdominal. Mesmo que seu ritmo de crescimento estivesse lento, devido às mudanças que fiz, ela ainda crescia um pouco.

Diante da recomendação médica de que eu deveria fazer uma cirurgia para retirar focos e um segmento do intestino, decidi ser mais rigorosa com as mudanças. Afinal, já havia perdido o ovário direito. O esquerdo estava com um endometrioma de 6 cm. Havia focos espalhados e profundos. Eu também orei. Precisava de algo que me fortalecesse, desse ao meu corpo a nutrição de que ele necessita. Se os focos não parassem de crescer, eu aceitaria a cirurgia. Não havia saída. Foi nessa fase que obtive um conhecimento inesperado.

Certo dia, meu marido me disse que havia lido em um livro a experiência de um médico norte-americano, chamado Ben Carson, que mudou seu estilo de vida e utilizou um remédio para combater um câncer de próstata. Em uma semana de uso, os sintomas do câncer desapareceram. O remédio continha em sua fórmula gliconutrientes. Pesquisando, descobrimos que os gliconutrientes estão presentes em uma planta bem conhecida aqui no Brasil, a babosa.

Eu já havia ouvido falar da planta, mas as referências não eram boas. Eu a conhecia como uma planta venenosa, tóxica. Superei o preconceito e mergulhei na pesquisa. Li dezenas de estudos científicos e encontrei um livro especial “Câncer tem cura!”, do frei Romano Zago. Cura não é precisamente algo que nos oferecem pronto. Não se espera passivamente por ela, não se cobra simplesmente por ela. A cura é algo que se constrói, com leitura, pesquisa fundamentada, respeito pela experiência de outras pessoas, esforço pessoal, apoio médico, conhecimento-chave, preces.

Esse conceito tem mais a ver com controle eficiente que, no meu caso, levou à diminuição significativa dos tumores de endometriose. É a cura contínua, que chama a responsabilidade para os nossos hábitos e escolhas, sem que nos confinemos ao lugar ao qual a endometriose, de fato, nos empurra, um lugar de dor e imobilismo. Se queremos cura, precisamos buscá-la, refletindo sobre seu significado.

Eu queria cura, eu quero cura, eu me entrego à construção da cura e seu continuum. Renunciar o paladar e movimentar-se rumo a novos conhecimentos e hábitos não é algo simples. Desafia o que somos, o que aprendemos, o que pensamos. Desafia a descrença e a confiança cega. O efeito dessa mudança no corpo também não é simples. É curativo. A endometriose, embora se comporte como um câncer benigno, não tem força suficiente para avançar em um corpo fortalecido por uma nova vida. Vida reconstruída com soluções tão simples quanto a água, o sono, o alimento, o ar, o movimento, as emoções, a fé. Essa foi a única saída efetiva que encontrei para uma doença que apesar de crônica, infiltrativa e perigosa está agora totalmente sob controle e vencida.

Li a receita do frei, fomos atrás da babosa que ele indica, fizemos o composto e usei. Após 20 dias de uso, repeti o exame e já havia uma pequena redução dos focos. Depois de seis meses utilizando o composto, com intervalos, refiz os exames. À época, já havia corrigido a vitamina D (que passara de 15 para mais de 30), estava me exercitando com mais regularidade, mais atenta à alimentação etc. Para nossa surpresa, os focos haviam reduzido, ao todo, 7 cm. Houve redução do cisto no ovário (veja abaixo o link dos exames), do foco no intestino, das aderências... O CA-125 voltou a níveis normais e o FAN, que estava com padrão 320, passou para 80. Eu me sentia forte, animada e nutrida.

De 2010, quando comecei a utilizar o composto e intensifiquei as mudanças, os focos continuaram diminuindo. Nunca deixei de utilizar o composto, mas com intervalos maiores. Este ano, engravidei naturalmente.

Eu não estava absolutamente segura se deveria ou não relatar minha experiência com a babosa. E se a planta fosse tóxica? O que aconteceria, de fato, comigo após um uso mais prolongado? Havia muitas dúvidas e eu não queria indicar algo que não sabia se era realmente seguro. Pessoalmente, eu não tinha medo. Estava decidida a correr o risco, pois havia lido pesquisas científicas o suficiente para ter segurança no uso da planta, mesmo com a casca que dizem ser perigosa. A maior evidência de todas veio com os exames, com a restauração de minha saúde.

Eu não optei por usar compostos prontos e industrializados. Não acho que teriam o mesmo efeito. Também não acredito que a babosa, apenas, teria o mesmo efeito em meu corpo se eu não tivesse mudado meu estilo de vida. Acho que, na verdade, a mudança de estilo de vida tem um impacto muito mais efetivo na saúde do que o simples uso de uma planta medicinal. Não considero a babosa uma pílula mágica que oferece saúde sem que haja esforço de nossa parte, a exemplo do que muitas vezes buscamos com o uso de remédios. Para mim, a babosa é um alimento poderoso que, em conjunto com todas as mudanças realizadas, me trouxe a vida de volta.

Conheço pessoas que utilizaram apenas a babosa e não tiveram o mesmo resultado que obtive, embora tenham sido beneficiadas. Também há a experiência de Jennifer que não precisou utilizar a babosa para superar a endometriose, conforme ela contou neste blog (Veja a história dela). Outras usaram uma vez, algumas recorreram ao composto industrializado por acreditarem que é mais seguro ou não quiseram usar a planta, sentiram medo. Na internet, há todo tipo de informação. Precisamos saber buscar fontes seguras de conhecimento científico. É uma trilha pessoal. Talvez a babosa cure tanto quanto nós mesmos estejamos dispostos a assumir a responsabilidade pela própria saúde, conhecendo a fisiologia do corpo e suas leis de funcionamento. Conhecendo, sempre.

Não vou expor uma lista de estudos científicos sobre a babosa. Considero que a decisão de usar ou não o composto deve ser construída a partir da própria experiência de leitura e da observação do organismo. É preciso ler e buscar informações sobre toxicidade, formas de uso, teste para saber se somos alérgicos ou não, composição da planta, interação com outros medicamentos... Esse é um desafio pessoal de pesquisa.

Não sei quais serão os efeitos colaterais do uso desse composto a longo prazo. Por enquanto, ao fazer exames para avaliar o fígado e os rins, tudo está normal. Essa não é uma escolha de fuga, mas de confrontação. Por isso, fiz tudo com acompanhamento de exames médicos periódicos.  O que posso dizer agora é que essa planta poderosa, aliada ao estilo de vida, mudou minha vida. Mas cada um deve seguir seu próprio caminho, submetê-lo a constante avaliação e buscar fundamentos científicos para suas escolhas.

Compartilho a receita que fiz e o modo como utilizei a babosa:

Ingredientes:
250 ml de mel puro (de preferência mel de laranjeira, assa-peixe, mel fino)
1 folhas de babosa (da espécie aloe arborescens. Veja a foto abaixo e pesquise sobre a espécie), com casca, de tamanho médio ou grande, sem os espinhos laterais. As folhas de cima, não muito novas, são as melhores.
1 pote de vidro pequeno, com boca mais larga.

Modo de fazer:
Esterilizar o pote de vidro com água fervente (Busque informações sobre métodos de esterilização). Encapar com plástico preto.

Colocar o mel no liquidificador. Limpar a folha da babosa com um pano úmido. A babosa tem que estar cinco dias sem ser molhada. Coletar a folha com o mínimo de claridade (a luz oxida o princípio ativo). Retirar os espinhos e cortar em pedaços. Colocar no liquidificador. Bater. Colocar nos recipientes de vidro esterilizados.  Conservar na geladeira.

Modo de usar:
Tomar uma colher rasa de sobremesa três vezes ao dia, 30 a 20 minutos antes das refeições. Tomar no escuro, para os princípios ativos não oxidarem. Tomar toda a receita e repetir, sem intervalos. Fazer um intervalo de 10 dias ou mais para tomar a terceira receita, se necessário.


Leia o meu texto: Eu venci a endometriose




Obs.: 1. Usar folhas de plantas sem flor; 2. Colher depois de 5 dias sem chuvas; 3. Buscar plantas que não estejam expostas a fumaças, poluição etc.; 4. Usar mel de procedência certificada, pois muitos são à base de açúcar. Eu utilizo mel orgânico; 5. Não utilizar carnes ou produtos de origem animal durante o uso do composto. Adotar uma alimentação natural; 6. Fazer exercícios físicos diariamente, expor-se ao sol e beber bastante água pura.

Exames médicos:



1. Data: 28/08/2010. Medidas do endometrioma: 6.19 x 4.66 x 5.97 cm Veja os exames aqui:http://exames1.wordpress.com/

2. Data: 26/02/2011. Medidas do endometrioma: 4.30 x 3.11 x 3.98 cm .Veja os exames aqui:http://exames2.wordpress.com/

3. Data: 05/10/2012. Medidas do endometrioma: 3.47 x 2.87 x 3.47 cm. Veja os exames aqui:http://exames3.wordpress.com/



Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.



Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.




quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Sono


4 de dezembro de 2013

Dormir é essencial para a saúde. Em média, o recomendado para o adulto são oito horas de sono; para um adolescente, nove; para um idoso, cinco. Mas alguns precisam de menos tempo e outros de mais. 

O sono ajuda a limpar as toxinas do cérebro. “Quando dormimos, células nervosas diminuem, abrindo espaço para fluidos fazerem, literalmente, uma lavagem cerebral” (Veja
). Sem o sono adequado, há acúmulo de lixo metabólico que danifica o cérebro podendo causar doenças degenerativas. Sabe-se agora que um dos motivos pelos quais a privação prolongada do sono pode matar tem a ver com o acúmulo dessas substâncias tóxicas no tecido cerebral. 

Quais são os perigos de não dormir o suficiente? A saúde é afetada de modo geral, mas os pesquisadores citam algumas consequências decorrentes da privação do sono, tais como desordens hormonais, problemas cardiovasculares, refluxo, cansaço durante o dia, irritação, distúrbios emocionais (depressão, bipolaridade etc. De acordo com artigo publicado no New York Times, tratar a insônia pode curar depressão
), memória prejudicada, propensão a desenvolver diabetes tipo 2, dor de cabeça, aumento da pressão arterial, aumento da resistência à insulina, perturbação do metabolismo da glicose, aumento da propensão para infecções e tumores, redução da expectativa de vida e relação com o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como o câncer colorretal e de mama. A insônia também pode afetar o sistema imunológico, aumentando o risco de adquirir doenças, desde a gripe até pneumonia. 

Quem dorme pouco coloca a vida em risco.


Não tenho problemas com a insônia. Muito raramente perco o sono. Mas tenho algum problema com o sono excessivo. Se deixar eu hiberno no inverno ou verão, de dia ou de noite. Dormir muito, no entanto, é tão prejudicial quanto dormir pouco. Além disso, pode ser sinal de alguma doença, como anemia, por exemplo, ou resultado do uso de determinados medicamentos. Por isso, é importante consultar um médico e investigar as causas. 


Recentemente, uma pesquisa concluiu que as pessoas que dormem de dia, após as refeições, são mais propensas a desenvolver diabetes tipo 2. Dormir nessas circunstâncias aumenta a resistência à insulina, a quantidade de açúcar no sangue, além de ameaçar o sono à noite. Portanto, dormir de dia não faz nada bem para quem tem endometriose, inclusive. Vale lembrar que é comum que mulheres com endometriose apresentem um quadro de resistência à insulina.


Embora dormir demais tenha implicações para a saúde, o maior problema das pessoas continua sendo dormir menos que o essencial. Mas como saber se estamos dormindo a quantidade de horas necessárias? Um bom modo é avaliar nas férias quantas horas são necessárias para dormirmos tranquilos sem a necessidade, na hora de acordar, de um despertador ou de estimulantes durante o dia. Outra forma é desenvolver a percepção sobre o próprio corpo, sobre o humor, a disposição etc.

É importante ter em mente que uma “reforma do sono” não ocorre automaticamente. Como a mudança de estilo de vida, conscientizar-se sobre a importância fundamental do sono para a saúde e realizar mudanças é algo gradativo.


De acordo com Harvard Division of Sleep Medicine, dormir é “muito mais importante do que tem sido considerado”, em uma época em que as pessoas são obcecadas por trabalhar muito e se destacar no que fazem, a custo da própria saúde. Para o professor de Medicina do Sono em Harvard, Charles Czeisler, o sono é visto como uma pedra no caminho. “Nós tendemos a ver o sono como algo que atrapalha nossas aspirações pessoais e profissionais.... Um executivo considera que seu desempenho será muito melhor se conseguir dormir quatro horas em vez de oito”, afirma Czeisler.

Czeisler  cita a realidade contraditória de profissionais de saúde, como os médicos. Os turnos de trabalho à noite, quando fazem plantões, afetam drasticamente a qualidade do atendimento a pacientes. Segundo o pesquisador, que também é médico, aqueles que trabalharam em turnos mais longos, privados do sono, cometeram muito mais erros e erros mais graves, alguns dos quais resultaram na morte de pacientes. Os riscos de complicação em uma cirurgia, por exemplo, aumentam 170% se o cirurgião dormiu menos de seis horas na noite anterior à cirurgia. Apesar das evidências científicas, a comunidade médica ainda é resistente para mudar os hábitos (Veja
). Tenho uma amiga que faz Medicina em uma faculdade pública. No primeiro ano, passou ao menos 30 dias acordada a noite toda para estudar para provas. 

A probabilidade de que um profissional de saúde, que tem como costume sacrificar suas noites de sono, ignore a importância de orientar seus pacientes a valorizar as horas de sono noturno é alta. “A maioria das pesquisas está focada na dieta e exercício”, disse Frank Hu, da Escola de Saúde Pública de Harvard. “Estamos perdendo o terceiro pilar da saúde, que é o sono.” Só há 50 anos, a medicina começou a dar relativa atenção à pesquisa sobre o sono. 


O que pode provocar insônia crônica?


Ingestão de cafeína (contida em refrigerantes, chás, chocolate, café, pó de guaraná etc), álcool e hábito de fumar. Cafeína e nicotina são estimulantes. (Veja a relação entre cafeína e endometriose no texto que escrevi para o blog
).

Dormir tarde.


Ir às festas na sexta e sábado e dormir até tarde nas manhãs de sábado e domingo. A falta de rotina pode levar à insônia.
 

Cochilar durante o dia ou no início da noite antes do horário de dormir.


Ausência de rotina para dormir e despertar.


Preocupação
. Com desemprego, casamento, relacionamento, finanças, doenças.

Remédios
. “O armário de remédios está cheio de químicas poderosas com efeitos colaterais distintos [...]. Alguns antidepressivos [...], descongestionantes, broncodilatadores, anti-hipertensivos e corticosteroides são estimulantes que podem tornar difícil começar a dormir ou manter o sono”, afirma o médico Gerard T. Lombardo. 

Falta de nutrientes
. A carência de alguns nutrientes pode desencadear a insônia. Carência de ferro pode provocar a síndrome das pernas inquietas, uma das causas de insônia. Carência do aminoácido triptofano, que ajuda o corpo a produzir serotonina, também pode levar à insônia.

Doenças
.

Distúrbios psiquiátricos
.

Apneia do sono


A apneia consiste na interrupção da respiração por alguns momentos, que pode ocorrer várias vezes durante o sono. Há, portanto, interrupção da oxigenação do sangue.
Esse distúrbio pode desencadear outras doenças, tais como pressão alta, problema cardiovascular, arritmia, diabetes, coração aumentado, transtorno de déficit de atenção, hiperatividade, refluxo, problemas sexuais, entre outras doenças. Sonolência excessiva durante o dia e vontade constante de urinar durante à noite podem ser sinais de apneia. A obesidade representa um risco sério para o desenvolvimento de apneia, mas pessoas magras também podem manifestar a doença. Procure um médico para fazer o diagnóstico correto e o tratamento. Há recursos interessantes para combater essa doença grave, tais como uso de aparelhos.

Síndrome das pernas inquietas (SPI)

Sentir dor nas pernas, formigamento, pernas cansadas ou outra sensação incomum pode ser sinal dessa síndrome. Ela pode ser causada por carência de ferro (que leva à anemia), doenças crônicas (insuficiência renal, diabetes, mal de Parkinson etc.), gravidez e medicações (antialérgico, antigripais, antipsicóticos, anticonvulsivos, antinauseantes). Estima-se que 8% da população tem a síndrome, dos quais 60% a 70% apresentam insônia. “A síndrome das pernas inquietas pode interferir bastante no sono”, afirma o médico Geard T. Lombardo, que recomenda a avaliação médica para a determinação do diagnóstico e tratamento. Lombardo também sugere que sejam feitos exames (ferro, ferritina), compressas quentes no membro afetado, exercícios físicos e mudanças nos hábitos relacionados ao sono, como indicado a seguir. 


O que podemos fazer para dormir melhor?
 

A seguir, há algumas dicas que escrevi a partir de minha experiência, de orientações importantes encontradas no livro “Durma bem para viver melhor”, do médico Gerard T. Lombardo (Melhoramentos, 2007) e em artigos de outros especialistas do sono.


Tenha uma alimentação nutritiva
. Enquanto a cafeína e outros estimulantes provocam insônia, há nutrientes que favorecem o bom sono. O aminoácido triptofano é um deles, pois ele ajuda o corpo a produzir serotonina que, por sua vez, produz melatonina. Os dois neurotransmissores são essenciais para regular o sono e produzir uma sensação de bem-estar. Uma das fontes mais ricas em triptofano é a planta ora-pro-nobis, bastante usada em Minas Gerais. Ela tem mais triptofano que a aveia, além de conter muito ferro, magnésio, zinco, vitamina C e A, entre outros nutrientes importantes para um bom sono. Outras fontes de triptofano são a amêndoa, sementes de girassol e banana. A vitamina C, presente em grandes quantidades no limão, por exemplo, também combate o cortisol, hormônio que está relacionado ao estresse e atrapalha o sono.
 

Mantenha uma rotina regular
. Se você precisa acordar às 6h para trabalhar, calcule oito horas de sono mais 30 minutos e procure dormir nesse horário todos os dias.

Relaxe
. Não discuta problemas antes de dormir. Não leve trabalho para casa. Deixe a TV e computador de lado.

Estabeleça um ritual
. Antes de dormir, tome um banho, escute uma música relaxante, tire um tempo para respirar profundamente.

Apague a luz
. Durma no escuro sem qualquer iluminação adicional. Evite assistir à TV à noite e usar o computador, pois a luz dessas telas suprime a produção de melatonina, hormônio relacionado ao sono. De acordo com Charles A. Czeisler, em artigo publicado na Nature, a luz afeta nosso sono mais do que qualquer droga (Veja). 

Silêncio
. Não deixe a TV ligada na hora de dormir nem assista à TV perto desse horário. 

Prepare seu quarto
. O quarto deve ser um local silencioso, com a temperatura ideal. Não coloque TV, computador, telefone no quarto. Se estiver planejando construir ou comprar uma casa, certifique-se de que o quarto de dormir tem tamanho e disposição que favoreça a circulação do ar e entrada da luz solar. 

Valorize a circulação do ar
. Durante o dia, mantenha as janelas e portas abertas para entrada do sol e do ar no quarto de dormir. À noite, mantenha as janelas abertas para entrada de ar, evitando corrente de ar na cama. 

Só vá para cama se estiver com sono
. Não adianta apagar a luz e estar com a mente acesa. Há outros recursos para ajudar o sono vir. Ir para a cama antes de ter sono não ajuda em nada.

Exponha-se ao sol
. Tome banhos de sol, principalmente no período da manhã. Esse hábito ajuda a corrigir o relógio biológico, pois favorece a produção do hormônio melatonina, responsável pelo sono (Veja o texto que escrevi sobre a relação entre sol e endometriose).

Não cochile de dia
. Os cochilos após o almoço ou o jantar prejudicam o ritmo de dormir e acordar. “Se alguém tem dificuldade para dormir à noite, recomendo evitar cochilos durante o dia. [Esse hábito] pode agravar a frustração com problemas para dormir e piorar a insônia”, afirma o neurocientista Orfeu Marcello Buxton, da Universidade de Harvard (Veja). “As pessoas que têm problemas para dormir podem tentar substituir o cochilo por um exercício leve, como andar, quando sentirem vontade de cochilar”, afirma Lombardo.

Interaja
. Estabeleça atividades sociais interessantes, relaciona-se. Essa recomendação é dada principalmente para quem está aposentado e sofre de insônia.

Avalie as medicações
. Converse com seu médico sobre os efeitos da medicação sobre o sono. Não use medicamentos sem prescrição. Mesmo a melatonina usada para tratar insônia pode conter anti-histamínicos em sua fórmula, que fazem mal à saúde. Esteja atento e busque alternativas mais saudáveis.

Favoreça a produção de melatonina
. Quanto mais velhos, menos melatonina produzimos. A melatonina é um hormônio que regula e induz o sono, amplamente indicada para o tratamento de insônia. Ela também atua nos sistemas imunológicos, cardiovascular e reprodutor; auxilia no emagrecimento, combate o diabetes, controla a enxaqueca, diminui a queda de cabelo, protege os neurônios, combate tumores, entre outras funções importantes para o organismo. Uma das maneiras de obter melatonina é ingerindo o aminoácido triptofano, conforme já escrevi. Outra, é dormindo no escuro, pois a luz inibe a formação de melatonina no corpo. O hormônio é liberado à noite. Por outro lado, durante o dia, é importante tomar sol para que o corpo produza serotonina, hormônio indispensável para a produção de melatonina à noite. A falta de melatonina está relacionada também ao câncer. Pessoas que trabalham à noite têm mais chances de terem câncer. “A exposição à luz, mesmo à noite, pode induzir a um desequilíbrio na regulação biológica que propicia o desenvolvimento de tumores”, afirma a cientista Marie-Élise Parent (Veja). 

Procure ajuda
. Procure um profissional de saúde, leia sobre o assunto, busque fazer as mudanças. Especialistas indicam terapias cognitivas-comportamentais.

Cuide das emoções. 

Antes de dormir, não coma. Se tiver de comer, escolha uma refeição leve. As calorias de uma refeição feita à noite não serão utilizadas. Elas se transformaram em gordura. Além disso, o corpo precisa descansar, o que inclui dar descanso aos órgãos relacionados à digestão.

Antes de dormir ou durante a noite, não beba água. 

Para ter uma boa noite de sono, valorize os exercícios físicos e a respiração profunda durante o dia. 

Busque uma vida com significado. “Preencha seu dia com ‘coisas’. Cuide do jardim, vá à academia, prepare refeições mais complexas”, aconselha Lombardo. Trabalhe, invista em seus projetos, idealize, seja uma pessoa ativa. “Um dia bem vivido traz um sono feliz.”

Daqui a poucos dias, minha relação com o sono vai mudar drasticamente. O João está chegando. Por enquanto, nem sua animação à noite, nem a necessidade de levantar mais vezes para ir ao banheiro têm me feito ter insônia. Levanto e logo volto a dormir. O fato de não ter dores nas costas, fadiga ou inchaços ajuda. Sempre vamos dormir por volta das 9h. Antes de dormir, canto uma música para o bebê, conto histórias da Bíblia e fazemos uma prece. Acalma. Mas o sono diante de um bebê recém-nascido é um capítulo à parte.



 Veja neste blog: O sono, segundo Ellen G. White 


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Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.

O sono, segundo Ellen G. White


4 de dezembro de 2013

Ao irmos dormir à noite, o estômago deve ter feito completamente seu trabalho, para que ele, bem como as demais partes do corpo, possam fruir o repouso. Mas, se mais alimento é lançado nele, os órgãos digestivos são postos em movimento novamente, para realizarem o mesmo ciclo de trabalho durante as horas do sono. O sono de tais indivíduos é muitas vezes perturbado com sonhos desagradáveis, e pela manhã eles despertam indispostos. Quando essa prática é seguida, os órgãos digestivos perdem seu vigor natural, e a pessoa se considera um infeliz dispéptico. A transgressão das leis da natureza não só afeta desfavoravelmente o indivíduo, mas outros sofrem com ele. Siga alguém uma conduta que o irrite de alguma forma, e verá quão depressa manifestará impaciência. Não pode ele, senão por graça especial, falar ou agir calmamente. Conselhos sobre Saúde. p.119.

O corpo precisa ter suficiente nutrimento. O Deus que dá a Seus amados o sono proveu-lhes também alimentação apropriada para manter-lhes o sistema físico em condições saudáveis. Conselhos sobre o Regime Alimentar. p. 91.

Para possuir bom sangue, é preciso respirar bem. Plena e profunda inspiração de ar puro, que encha os pulmões de oxigênio, purifica o sangue. Isso comunica ao mesmo uma cor viva, enviando-o, qual corrente vitalizadora, a todas as partes do corpo. Uma boa respiração acalma os nervos, estimula o apetite e melhora a digestão, o que conduz a um sono profundo e restaurador. Deve-se conceder aos pulmões a maior liberdade possível. Sua capacidade se desenvolve pela liberdade de ação; diminui, se eles são constrangidos e comprimidos. Daí os maus efeitos do hábito tão comum, especialmente em trabalhos sedentários, de ficar todo dobrado sobre a tarefa em mão. Nessa postura, é impossível respirar profundamente. A respiração superficial torna-se em breve um hábito, e os pulmões perdem a capacidade de expansão. Idêntico efeito é produzido por qualquer constrição. A Ciência do Bom Viver. P. 272-273.

A influência de ar puro e fresco é no sentido de promover a circulação do sangue de maneira saudável através de todo o organismo. Ele refresca o corpo e tende a torná-lo forte e saudável, ao mesmo tempo que sua influência é de maneira decidida sentida sobre a mente, propiciando-lhe certa medida de calma e serenidade. Ele ativa o apetite e torna a digestão do alimento mais perfeita, permitindo sono saudável e tranquilo. Conselhos sobre o Regime Alimentar. p. 104.

A natureza suporta os abusos sem resistência, até onde pode; então desperta e faz forte esforço para libertar-se dos ataques e maus-tratos que tem sofrido. Sobrevêm então dor de cabeça, calafrios, febre, nervosismo, paralisias e outros males demasiado numerosos para serem mencionados. Uma conduta errada no comer ou beber acaba com a saúde e com o prazer da vida. Quantas vezes tendes tomado o que chamais uma boa refeição, à custa de um organismo febril, perda de apetite e perda de sono! Incapacidade de apreciar o alimento, uma noite mal dormida, horas de sofrimento – tudo por causa de uma refeição em que o paladar foi satisfeito! Conselhos sobre o Regime Alimentar. p.125.

O estômago, quando nos deitamos para dormir, deve ter terminado todo o seu trabalho, para fruir o descanso, assim como as outras partes do corpo. O trabalho da digestão não deve prosseguir em tempo algum das horas do sono. Conselhos sobre o Regime Alimentar. p.175.

Os hábitos nocivos à saúde sejam de que espécie forem – dormir tarde, levantar tarde pela manhã, comer depressa – devem ser vencidos. Mastigai bem a comida. Não haja pressa durante a refeição. Ventilai bem o quarto de dormir dia e noite, e fazei trabalho físico útil.

Os dormitórios devem ser amplos, e dispostos de forma a permitir a circulação do ar pelo seu interior dia e noite. Aqueles que têm impedido a entrada de ar dos seus quartos de dormir devem começar a modificar seu procedimento imediatamente. Conselhos sobre Saúde. p. 57.

Muitas famílias sofrem de dor de garganta, doenças dos pulmões e males do fígado, causados por seu próprio procedimento. Seus quartos de dormir são pequenos demais, impróprios para neles se dormir uma só noite, mas ocupam esses quartinhos por semanas, e meses, e anos. Conservam fechadas as janelas e portas, receando apanhar resfriado se houver uma fresta que deixe entrar o ar. Respiram repetidamente o mesmo ar, até tornar-se ele impregnado das impurezas tóxicas e matérias gastas expelidas de seu corpo, por meio dos pulmões e dos poros da pele. Mensagens Escolhidas. p. 463.

Não deveis permitir que vossas filhas permaneçam na cama até tarde, deixando que o sono dissipe as preciosas horas que Deus lhes concedeu para serem dedicadas aos melhores fins e pelas quais terão de prestar contas a Ele. A mãe causa um grande dano às filhas levando as cargas que deveriam partilhar com ela para seu próprio bem presente e futuro. Conselhos sobre Educação. p. 22.

Ao calcular as horas do sono, não se deve proceder com descuido. Os estudantes não devem adquirir o hábito de permanecer em pé até à meia-noite, e tomar as horas do dia para o sono. Se se acostumaram a fazer isso em casa, devem corrigir o hábito, deitando-se à hora devida. Assim, levantar-se-ão pela manhã descansados para os deveres do dia. Em nossas escolas [internatos], as luzes devem ser apagadas às 21h30. Conselhos aos pais, Professores e Estudantes. P.297.

Estudo diligente não é a principal causa da debilitação das faculdades mentais. A causa principal é o regime dietético inadequado, refeições irregulares, falta de exercício físico. Comer e dormir em horas irregulares minam as forças cerebrais. Conselhos sobre o Regime Alimentar. p. 122-123.

Os que não tiverem no quarto a livre circulação do ar durante a noite, geralmente despertam sentindo-se exaustos, febris, e não sabem a causa. O que todo o organismo pedia era ar, o ar vital, mas não pôde obter. Ao levantar-se de manhã, a maioria das pessoas tiraria benefício de tomar um banho [...]. Então se deve remover a roupa de cama, peça por peça, e expô-la ao ar. As janelas devem ser abertas e os estores enrolados, deixando-se que circule livremente o ar por algumas horas, se não o dia inteiro, através dos dormitórios. Desta forma a cama e sua roupa se tornarão cabalmente arejadas e serão removidas do quarto as impurezas. Mensagens Escolhidas. v.2. p. 463.

Todos os livros citados são da editora Casa Publicadora Brasileira, de Tatuí, SP.



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