segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Maria Amélia, mulher inconformada

22 de agosto de 2011

Navegar na internet pode nos levar a encontros surpreendentes. Inesperados. Ao procurar por outro assunto, vi um link no Google que chamou minha atenção: “Quixabeira contra câncer.” Encontrei uma história de encantos fortes. Encontrei-me com Maria Amélia, uma sertaneja articulada de 93 anos que enfrentou e venceu o câncer. Sua memória admirável, aliada à fala lúcida, é exemplo de superação. Não importa qual é a doença. Importam as lições que Maria Amélia, uma mulher inconformada, tirou de seus desafios. Sabedoria ímpar.

O ano era 1958. Havia perdido quatro crianças. Ela que carregara no ventre onze vidas agora puxava sozinha pela estrada de pó seco sete dos seus filhos. O marido acabara de morrer afogado em um açude. Onde a resistência se impunha também se multiplicavam dificuldades. Como se não bastassem as perdas recentes, em meio a desafios agigantados com seu calor agressivo, ela descobriu a doença, no útero. Compreendeu que não teria tréguas. Por isso, não deu tréguas na vida. Na capital, procurou um médico. Recebeu a sentença: viveria no máximo três meses. Voltou ao interior pernambucano, e procurou outro médico. Foi novamente encaminhada à Recife. Com memória prodigiosa, lembra o nome de cada médico, as idas e vindas, endereços, diagnósticos e tratamentos, indiferenças e cuidados recebidos. No leque de doutores, apenas um nome não foi revelado, a do médico que a dispensou para morrer. Maria Amélia rejeitou o destino traçado. Teimosamente, retraçou seu caminho.

Antes de partir para a capital para fazer o tratamento, Maria Amélia ouviu falar de um remédio crescido na caatinga, hoje ameaçado de extinção, a Quixabeira – planta usada para tratar doenças ginecológicas. Do ventre que saíra tantos filhos, agora exalava fedor doentio. Quem poderia sobreviver a isso? Maria Amélia fez mais do que meramente sobreviver.

Olhe: era uma doença triste, com dores insuportáveis, sangramentos. Eu colocava uma toalha entre as pernas e dali a meia hora essa toalha ficava completamente ensopada daquela secreção tipo salmoura. Eu fedia de ninguém aguentar. Eu era a pessoa que mais fedia nesse mundo, ninguém aguentava. Nada fedia mais do que eu! Com o uso da Quixabeira, essa secreção foi diminuindo e, quando eu cheguei ao hospital aqui no Recife, já era quase nada. Por isso que eu hoje digo que, além do tratamento na Clínica do Câncer, quem me curou foram a Quixabeira e a minha fé, a minha vontade de viver, minha necessidade de viver, pois eu tinha sete filhos pra criar.

A doença é triste, mas a mulher não. Quando chegou ao hospital, ficou na enfermaria, “com outras sete mulheres, todas com câncer, que viviam o tempo todo a chorar”. Na casa das sete mulheres, surgiu a Maria, mulher incomum, que não derramou lágrima. Intrigadas, as outras perguntavam: “’E a senhora não chora, não?’. Eu respondia: não, eu não vim aqui pra chorar, eu vim aqui procurar tratamento.”

Dona Maria Amélia explica, com detalhes, a forma como usou a Quixabeira. Mas sua história, além de demonstrar o poder da planta medicinal, é exemplo de busca arraigada por cura. Jamais se deixaria morrer, por isso procurou médicos, se submeteu aos exames, fez os tratamentos. Mas também não se deixou por completo nas mãos de outros, afastando de si a responsabilidade pela vida. Buscou ativamente a resposta para seu organismo. Pois a saúde não está patenteada, não tem dono único, não é privilégio de uma corporação.

Na história de Maria, há receita de vida longa ainda que no percurso do caminho tenha sido apedrejada pela doença, pela descrença de um médico, pelo lamento em coro das mulheres sem esperança e fé. A quase centenária tem irresistível vontade de viver. O repórter faz uma pergunta para nos dar o privilégio de ouvir a voz médica de Maria Amélia. “Da mesma forma que lhe ensinaram, a senhora chegou a recomendar o uso da Quixabeira a outras pessoas?” “Recomendei a muita gente. E, por muitos anos, nunca faltou Quixabeira lá em casa. Mas, hoje, parece que o povo não acredita muito nessas coisas, né?”

Quem ousa acreditar? As plantas medicinais trazem importantes respostas para a endometriose.

PS.: 1. Atualmente, a Universidade Federal de Pernambuco realiza pesquisas que comprovam as propriedades medicinais da Quixabeira.
2. Leia a interessante entrevista com Maria Amélia Batista Montenegro no site Pernambuco de A-Z.
3. Na sexta-feira (19/08/2011), o Diário Oficial da União publicou uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM). O conselho proíbe que os médicos veiculem informações publicamente “que causem intranquilidade à sociedade, mesmo que comprovadas cientificamente”. Também fica proibido “a apresentação, em público, de técnicas e métodos científicos que devem limitar-se ao ambiente médico”, além de diretrizes sobre a relação médico-imprensa. Lamento profundamente a mordaça a que os médicos estão submetidos. Espero que a sociedade reveja tais resoluções incompatíveis com as liberdades de uma sociedade da informação e da comunicação. Mas ao mesmo tempo, ao ler histórias como a de dona Amélia ou encontrar livre acesso a pesquisas científicas sobre o benefício de plantas medicinais, por exemplo, ou o malefício de tratamentos considerados seguros, comemoro imensamente a existência da internet. O caminho não é a censura, mas o investimento em campanhas e processos educativos para despertar e aprofundar nas pessoas a sua capacidade de avaliação, sempre aliada – mas não cegamente dependente – do saber médico. Que bom seria se tivéssemos uma resolução médica nesse sentido. Mas diante da resolução que temos, resta a certeza de que o CFM não tem poder de amordaçar a internet, nem a ciência e a divulgação científica, já que parece temer até mesmo o que é “comprovado cientificamente”. Para quem se interessou pela Quixabeira, há pesquisas científicas sobre os usos medicinais da planta no google acadêmico. Desejo a todos os leitores uma boa pesquisa e descobertas que celebrem a vida, aprofundem o desejo de autoconhecimento e de conhecimento científico, que nos levem à conquista da saúde e da liberdade. Pois, há mais coisas ameaçadas de extinção além da preciosa Quixabeira.
Leia sobre a Fonte da Vida.

domingo, 14 de agosto de 2011

Para Anita

14 de agosto de 2011

Aproveitando a oportunidade queria lhe perguntar mais uma coisinha!!! Sobre a linhaça e ômega3, você tem alguma experiência com eles? Bjs. Obrigada. Anita.

Oi, Anita:

O uso de ômega-3 é bastante recomendável pelos médicos, como sabemos. Esse óleo é anti-inflamatório e, por isso, previne e combate o câncer, por exemplo. Quanto à endometriose, um dos mais importantes estudos já feito, que correlaciona a doença aos hábitos alimentares, chegou à seguinte conclusão: mulheres que consumiam ômega-3 tiveram 22% menos probabilidades de serem diagnosticadas com endometriose, enquanto mulheres com uma dieta rica em gordura trans tiveram 48% mais chances de ter a doença. Publicado na revista científica Human Reproduction, o estudo foi feito com mais de 70 mil mulheres de 1989 a 2001, sob a coordenação de Stancey Missmer, da área de obstetrícia, ginecologia e biologia reprodutiva do Hospital Brigham e da Harvard Medical School, em Boston, Massachusetts, EUA (Veja aqui). Missmer afirma:

Milhões de mulheres no mundo sofrem de endometriose. Muitas mulheres têm procurado algo que podem fazer por si mesmas, ou suas filhas, para reduzir o risco de desenvolver a doença. Esses resultados sugerem que mudanças na dieta podem ser algo que podem fazer.

Mas é preciso tomar cuidado com a fonte de ômega-3. De acordo com o médico David Servan-Schreiber, peixes gordos podem estar contaminados com mercúrio, PCB e dioxinas, abundantes no fundo do oceano. Essas substâncias provocam endometriose. Entre os peixes contraindicados, estão: atum, cação, peixe-espada e aqueles criados em cativeiro, sejam de água doce ou salgada, ou vendidos em latas. Os peixes congelados perdem progressivamente o ômega-3 ou estão contaminados devido ao uso, por exemplo, de monóxido de carbono para preservar a cor e o sabor. Segundo matéria publicada no New York Times, um dos peixes mais vendidos, a tilápia, tem pouca quantidade de ômega-3 (o salmão tem dez vezes mais) e mais ômega 6, que deve ser evitado. Por isso, a tilápia predispõe o organismo a doenças (Veja matéria). Sendo assim, que peixe comer? Sobram como recomendável, por exemplo, a sardinha e o salmão, desde que não sejam de cativeiro.

Mas é possível encontrar fontes de ômega-3 em outros alimentos. Uma opção parece ser os suplementos. No entanto, há controvérsias. Para o nutrólogo e cardiologista Daniel Magnoni, muitos acham mais fácil ingerir suplementos do que buscar a nutrição na comida. Magnoni afirma:

A situação nutricional do brasileiro é compatível com as piores expectativas da atualidade [...]. O maior tempo dedicado ao trabalho leva a um consumo crescente de alimentos industrializados, prontos e com excesso de sal, açúcar e gordura saturada, além da opção pelo fast food. A manipulação dos alimentos na forma natural, principalmente frutas, legumes e verduras, está sendo relegada ao segundo plano do planejamento doméstico. Ao mesmo tempo, cada vez mais observamos a popularização do uso de suplementos de minerais, como cálcio, potássio e zinco, ou de vitaminas, na tentativa de suprir uma necessidade artificial, criada pela publicidade. É mais fácil tomar uma pílula do que comer três porções de frutas e vegetais todos os dias (Para assinantes).

É mais fácil tomar suplementos, mas será que faz bem para a saúde? O médico diz que devemos buscar os nutrientes nos alimentos, não nos suplementos, que erroneamente são indicados por muitos profissionais de saúde. Mas será que os suplementos podem ser perigosos? Sim. A médica norte-americana Jan Caravaglia menciona a morte de uma mulher que tomava mais de 24 suplementos diariamente. Um caso extremo. De acordo com pesquisa feita na Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, e publicada na revista especializada British Medical Journal, os suplementos de cálcio podem aumentar o risco de ataques cardíacos em mulheres idosas. O cálcio do suplemento se deposita nos vasos sanguíneos, levando a obstruções (Veja aqui). Sobre o ômega-3, um estudo feito por várias universidades franceses, entre elas, a Sorbonne, indica que os suplementos não reduzem doenças cardíacas. A pesquisa foi feita com 2.500 pacientes por quatro anos. Assim, uma das conclusões a que se chegou é de que o consumo de alimentos não deve ser substituído por suplementos (Para assinantes). É importante dizer que sobre o uso de ômega- 3 não há consenso. Pesquisa publicada no American Journal of Epidemiologyu indica aumento de câncer próstata com o uso de ômega-3 em suplementos (Veja aqui).

Como já disse, eu usei suplementos. De maneira geral, me senti melhor. Mas naquele período, a endometriose cresceu um pouco. Mas, como conseguir ômega-3 em alimentos? Essa resposta inclui a segunda parte de sua pergunta: com linhaça. Ela ajuda a equilibrar a atividade dos hormônios e a reduzir a inflamação. Ela pode ser moída e misturada com outros alimentos. Mas embora eu só tenha lido indicações positivas em relação à linhaça, não tenho feito uso regular dessas sementes. Ainda não incorporei esse hábito, mas tenho usado, com moderação, nozes, sementes de girassol, tahine, quinua – importantes fontes de ômega-3. Folhas verdes também são fontes de ômega-3.

É preciso considerar que a constatação dos benefícios do ômega-3 partiu da análise da dieta de determinados grupos de pessoas que comiam peixes e tinham uma alimentação mais saudável. A partir daí, a indústria criou uma necessidade artificial baseada na venda de suplementos. Publicidade perigosa. Agora, a própria ciência tem contestado os benefícios dos suplementos. Mais do que isso: tem concluído que suplementos podem provocar doenças graves. Diante de todas essas pesquisas, minha experiência tem sido a seguinte:

1. Não uso suplementos. Prefiro as vitaminas presentes nos alimentos e em refeições saudáveis. Isso não é fácil. Às vezes, levanto mais cedo, para preparar minha comida. Na medida do possível, procuro diminuir também meu tempo de trabalho para me dedicar a uma vida mais equilibrada. Sei que isso nem sempre é possível. A dica é procurar por bons restaurantes vegetarianos ou orgânicos, com refeições saborosas e saudáveis. Há restaurantes simplesmente incríveis!

2. Mesmo sendo bom e recomendável, procuro não exagerar em apenas um alimento. Quanto o assunto é ômega-3, acho que o consumo precisa ser bem
moderado e bastante variado.

3. Procuro informações. Tantas informações diferentes que, por vezes, contrastam com recomendações de alguns médicos podem provocar um sentimento desnorteador. Mas gosto muito de ler essas diferentes opiniões fundamentadas em pesquisas científicas sérias. Leio as pesquisas, comparo as informações, faço as experiências na minha dieta e chego as minhas conclusões. Além do mais, procuro deixar a ansiedade de lado. Sei que o peixe, embora nutritivo, está cada vez mais contaminado, assim como outros alimentos saudáveis. É importante saber. Mas quando viajo, como salmão. Às vezes, é a refeição mais saudável que encontro. Além disso, em vez de praticar a restrição alimentar, procuro diversificar minha dieta, experimentando novos sabores e receitas. Há algumas semanas, por exemplo, tenho usado aspargos frescos, comprados na feira. Fiz uma torta integral com aspargos e palmito. Ficou ótima. Em vez de complicada, a vida pode ser mais saborosa e prazerosa com a variedade de informações e nutrientes saudáveis a nossa disposição.

Anita, obrigada por escrever! Desejo boa sorte no seu tratamento contra a endometriose!




PS.: O NYT começa seu artigo sobre os peixes com uma referência sobre um milagre que ocorreu no mar da Galileia (Veja aqui). Assim, para falar de algo mais importante do que a comida, sugiro a leitura de uma história linda sobre a fonte da saúde, no texto Milagre no mar da Galileia.














Criação de tilápia: um problema ambiental e de saúde. Peixes alimentados com ração de soja ou de milho são ricos em ômega-6 (gordura ruim em grandes quantidades) em vez de ômega-3, um óleo saudável.

domingo, 7 de agosto de 2011

Endometriose: um tratamento revolucionário



7 de agosto de 2011 

Para os portadores de câncer, uma excelente notícia: a quimioterapia associada à metformina, remédio usado no tratamento do diabetes 2, diminui significativamente o tumor. Com o uso do remédio quimioterápico sem a metformina, o tumor fica o dobro do tamanho. A pesquisa realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que investigou os cânceres de mama e de pulmão, recebeu um prêmio do jornal Folha de S. Paulo (FSP). Na edição de sexta-feira (5/08), a FSP fez uma menção rápida à pesquisa, sem revelar o “pulo do gato”. Afinal, por que a metformina pode combater o câncer tão eficazmente? Acredito que a resposta para essa pergunta é essencial para a superação não apenas do câncer mas, inclusive, da endometriose.

Com amparo do jargão médico e procurando entender por que a metformina diminui o tamanho do tumor, arrisquei minha resposta: o padrão hiperglicêmico acelera o crescimento de células tumorais, sejam malignas ou benignas. Em outras palavras: o açúcar alimenta o câncer e sua “prima”, a endometriose. Certa vez, um médico muito bem-humorado, que fez seu doutorado sobre endometriose, me falou da semelhança desta doença com o câncer. “São primos”, disse, sem perceber o quanto sua afirmação, embora fruto de pesquisa séria, me deixou angustiada. Mas o mal-estar da informação pode ser canalizado para descobertas eficazes. Se a endometriose funciona como o câncer, e eventualmente pode se transformar nele, tudo que se fala sobre a superação do câncer também poderia, em tese e na prática, ser aplicado à endometriose. Tanto que remédios utilizados para o tratamento de câncer também são indicados para endometriose, basta considerar o zoladex, receitado para tratar câncer de mama e indicado para endometriose (Veja a bula e os efeitos colaterais do remédio). Dessa temida associação endo/câncer, não surge apenas angústia, mas respostas – respostas eficientes e questionáveis, econômicas e caras, responsáveis e terceirizadas, naturais e farmacêuticas.

Pois bem, se metformina combate o câncer, nas condições apontadas pelo estudo, também poderia combater a endometriose. Mas pessoalmente não é a metformina que me atrai a atenção, mesmo porque esse remédio tem uma lista de efeitos colaterais indesejáveis e nem todos ainda muito bem conhecidos (Veja a bula). Eu não tomaria metformina para tratar endometriose. Segundo pesquisa da própria Unicamp, determinadas quantidades de metformina levam à grave falência cardíaca ou ao infarto (Veja um importante estudo da Unicamp). Aliás, o tratamento de câncer tem predisposto os pacientes a doenças cardíacas irreversíveis. A metformina também interfere na absorção de B12 (Veja aqui), uma vitamina indispensável para o funcionamento do organismo, cuja carência pode levar à morte. Dessa forma, compensa tomar um remédio que resolve uma coisa e destrói outra? Pode compensar, sim. É um meio de ganhar tempo, mais tempo de vida, de transferir o problema para o futuro, outro lugar, outro órgão, outro especialista médico, que receitará outros remédios. Mas talvez seja necessário nos perguntar se certas decisões no campo da saúde não são também uma espécie de terceirização da doença. Saímos para que o outro tome conta. Para que a pílula mágica ou o túnel do tempo resolva tudo, enquanto o processo nos priva daquilo que somos, nos reduz ao tempo migalhado, ainda que estendido, e aniquila o que se poderia, individualmente, construir com coragem, a partir da consciência e renovação do estilo de vida. Estamos em busca de vias de escape milagrosas ou de construções conscientes que ofereçam um fundamento sólido para a vida de modo que não sejamos surpreendidos no caminho pelos terríveis efeitos colaterais da terceirização do conhecimento, da saúde e da doença? Há sabedoria no outro. Mas deveríamos delegar, por completo, o entendimento do organismo, aceitando de olhos vendados a solução oferecida e desconectada completamente de uma mudança de estilo de vida, de um novo modo de reordenar a existência? Somos mais do que a pílula pode nos destinar a ser. Quem sabe é o momento de retomar o controle do corpo, respeitando-o em sua interação, a partir do acesso consciente a informações-chave e interações significativas, nos deixando motivar, acreditando no poder da mudança, participando ativamente da própria cura. Sim, há superação diante da endometriose.

Quis conhecer mais da associação entre metformina/quimioterápico para colocar à prova a validade de minha resposta. Haveria na pesquisa médica qualquer respaldo para meu raciocínio quase leigo: diminuir o excesso de açúcar circulante combate ou evita o câncer ou a endometriose? Essa resposta eu já tenho para a minha vida, em meu corpo. Como disse, eliminei o açúcar de minha dieta e tenho diminuído tudo que aumenta a glicemia. Ao mesmo tempo, tenho feito uso de alimentos, produtos e práticas seguras que reduzem, de fato, a glicemia no corpo. Considero esse um dos principais aspectos do meu tratamento contra a endometriose. O resultado eu já relatei no blog: o endometrioma no ovário diminuiu pela metade, sem zoladex.

De acordo com matéria publicada pelo Jornal da Unicamp, o interesse dos pesquisadores para estudar a ação do remédio metformina surgiu ao constatar que pacientes diabéticos apresentam menos tumores. Isso poderia ser devido ao menor índice de obesidade e outros fatores induzidos pela metformina. Mas e a glicose, o açúcar? Quase no final do artigo, lá está a resposta esperada, entre termos médicos. Tanto a metformina quanto o remédio quimioterápico considerado, o paclitaxel, atuam numa proteína-chave presente em nossa célula, a AMPK, que age no metabolismo da glicose e dos lipídios (Leia o artigo aqui). Em outras palavras: o benefício do combate à taxa de açúcar no corpo é uma das mais importantes respostas desse estudo.

O uso da metformina contra o câncer é descrito como um tratamento “eficiente e quase de graça” (Veja aqui). Sim, parece ser muito eficiente, mas tem o seu preço: os efeitos colaterais da metformina são preocupantes, ainda que represente aparantemente uma terapêutica alternativa a tratamentos caros e remédios inacessíveis. Mudar a forma de se alimentar, tirar o açúcar da dieta, acreditar que a redução de glicose no organismo é indispensável também não sai de graça. Exige muito, especialmente para pessoas que trocam refeições por doces, como eu fazia. É um apego emocional arraigado. É um vício não admitido como vício perigoso. Um prazer aparentemente inofensivo, atrativamente decorado, perfumadamente irresistível para, às vezes, compensar emoções em frangalhos. Uma dieta antiaçúcar exige mais: a diminuição do consumo de tudo aquilo que se transforma em glicose no sangue, incluindo massas. São mudanças que exigem um acompanhamento médico nutricional consciente, uma busca ininterrupta por conhecimento e a decisão de abraçar uma nova vida, com novos ideais, para inclusive poder ajudar outros que precisam de nós.



PS.: Recentemente, foi publicada na FSP (jornal que faz um importante trabalho na área da comunicação e saúde) uma entrevista muito interessante com um médico norte-americano sobre o açúcar. Devido a importância desse assunto para a endometriose, segue a entrevista no post anterior: Para combater a endometriose, menos açúcar.


Leia o texto:
O poder da vontade.


Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.


Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.

Para combater a endometriose, menos açúcar

7 de agosto de 2011



Pelos motivos que citei no post “Endometriose: um tratamento revolucionário” e “Açúcar e endometriose”, acredito que é parte essencial do combate à endometriose uma dieta sem açúcar, ou pelo menos com pouco açúcar. Segue uma entrevista com um médico endocrinologista norte-americano que embora não faça menção à endometriose apresenta informações indispensáveis à saúde. Foi publicada no dia 24 de julho de 2001, no Caderno de Saúde do jornal Folha de S. Paulo.


Açúcar causa dependência como álcool e cigarro

Endocrinologista americano lança polêmica ao culpar o consumo de doces e até sucos pela epidemia de obesidade

Açúcar é veneno. Do mais natureba, o mascavo, até o suco de fruta ou o famigerado xarope de milho, o açúcar está por trás de doenças cardíacas, diabetes e câncer. E deveria ser proibido para menores de 21 anos, como o álcool e o cigarro. É com essas declarações polêmicas que o americano Robert Lustig, endocrinologista pediátrico da Universidade da Califórnia em San Francisco, ganhou fama internacional nos últimos anos. Sua palestra "Açúcar: a verdade amarga" teve mais de 900 mil acessos no YouTube (tinyurl.com/ldgu9k). Há duas semanas, suas teses foram tema da reportagem de capa da revista do New York Times. Abaixo, os principais trechos da entrevista que ele concedeu à Folha, por telefone.

Folha - O senhor defende que as pessoas eliminem totalmente o açúcar da dieta?
Robert Lustig - Não, eu não sou um "food nazi". Eu como açúcar, mas muito pouco.
Nosso corpo tem uma capacidade muito limitada para metabolizar o açúcar e nós vivemos muito acima dela. Não precisamos de frutose para viver. Nosso corpo ficaria muito bem sem nenhuma frutose [açúcar refinado, a sacarose é composta de 50% de frutose e 50% de glicose].

Qual é o máximo de frutose que deveríamos ingerir?
Não temos certeza. Mas uma estimativa é 50 g por dia. Meus estudos mostram as similaridades entre frutose e álcool. Eles são metabolizados da mesma forma, no fígado. E nós sabemos qual é o limite de toxicidade para o álcool: 50 g. A epidemia de obesidade começou quando o consumo de frutose ultrapassou os 50 g por dia [ou 100 g de açúcar, o mesmo que duas latas e meia de refrigerante]. A Associação Cardiológica Americana publicou uma orientação, em agosto de 2009, da qual eu sou coautor, dizendo que o consumo atual de açúcar nos EUA é de 22 colheres de chá por dia. Deveríamos reduzir isso para nove colheres no caso de homens e seis no caso de mulheres.

Qualquer açúcar é ruim, não importa se é mascavo ou xarope de milho?
Todos são igualmente ruins.

Deveríamos substitui-los por adoçantes artificiais?
Adoçantes artificiais são uma questão complicada. Não fizemos todos os testes para saber o que os adoçantes fazem no organismo. Segundo uma linha de estudos, uma vez que a língua sente o sabor doce, o cérebro se prepara para a entrada do açúcar no sangue. Se ele não entra, o cérebro fica confuso, o que pode levar a um aumento no consumo de açúcar. Há estudos ligando o consumo de adoçantes à obesidade e doença cardíaca.

Qual a alimentação que os pais devem dar a seus filhos?
Crianças devem comer comida de verdade.

Mas isso inclui suco de fruta natural...
Não, suco de fruta, mesmo natural, não é comida de verdade. Deus fez suco de fruta? Não. Deus fez fruta. Qual é a diferença entre a fruta e o suco? Fibras. A fibra é a parte boa da fruta, e o suco, a má. Sempre que há frutose na natureza, há muita fibra,
há uma exceção, o mel, mas este é policiado pelas abelhas. As fibras limitam a velocidade da absorção dos carboidratos e das gorduras do intestino para a corrente sanguínea. Quanto mais rápido a energia sai do intestino e vai para o fígado, maiores as chances de danificar o órgão.

Quando o senhor diz que crianças devem comer comida de verdade, isso inclui um sorvete no fim de semana?
Sim. Quando eu era pequeno, sobremesa era uma vez por semana. Hoje, é uma vez por refeição. Esse é o problema. Eu tenho duas filhas pequenas e é isso que faço. Se é dia de semana e elas querem sobremesa, ganham uma fruta. Uma bola de sorvete, só no fim de semana. Elas seguem as regras e não ficam sonhando com doces.

O senhor propõe que a venda de doces e refrigerantes seja proibida para menores, como cigarros e álcool.
Sim. Refrigerantes não têm valor nutritivo, não fazem nenhum bem às crianças. Se os pais quiserem que seus filhos tomem refrigerante, que comprem para eles.

Não é exagero comparar açúcar a álcool e cigarros?
Não. Cigarros e álcool causam dependência, e açúcar também. Nos refrigerantes, tanto a cafeína como o açúcar causam dependência. Sal e gordura causam hábito, mas não dependência.



Como o senhor explica os efeitos nocivos do açúcar?
Quatro alimentos foram associados à doença metabólica crônica: gorduras trans, aminoácidos de cadeia ramificada [soja], álcool e frutose. A frutose, quando é metabolizada, libera substâncias tóxicas chamadas espécies reativas de oxigênio [radicais livres], que levam a danos nas células no longo prazo, envelhecimento e, potencialmente, câncer.

Leia o texto: "Um modo do Médico curar"