29/12/2012
Antes que 2013 nos alcance, antes que a dor torne a vida
quase insuportável, antes de cessar a busca por uma força maior do que nós, gostaria
de compartilhar um relato singular de força e superação. Hoje, recebi essa mensagem de Ana, enviada para o texto
“Ser mãe”.
Olá, meu nome é Ana e fui diagnosticada com endometriose
ovariana aos 36 anos, hoje tenho 41. Na época não sofri muito ao saber da
dificuldade em ter filhos, pois não me considerava apta para tamanha responsabilidade
devido ao meu quadro emocional de depressão. A minha vida na infância não foi
muito boa, por isso resolvi ainda na adolescência que não colocaria um ser no
mundo para sofrer. As incertezas eram certas... Passei por essa vida tentando
tirar as pedras dos caminhos dos outros...o flagelo alheio me comovia!
Com o
tempo me esqueci de mim e me perdi, já não sabia o caminho de volta, se é que
eu queria voltar! Estava sem lugar nesse mundão de meu Deus, me questionando o
tempo todo: o que que tô fazendo aqui? Resolvi sobreviver à vida, confesso que
achava sem sentido e muito confusa, o que me fazia acordar todas as manhãs era
presenciar a felicidade das outras pessoas e pensava comigo que quem sabe um
dia eu poderia ver a vida de outra maneira, com mais alegria e satisfação,
entendia que o problema não era a vida mas sim a maneira como eu a via. E por
mais que eu me esforçasse para senti-la de uma maneira mais bela eu não
conseguia... me achava uma ingrata e pensava na possibilidade de DEUS me
castigar por ser tão mal agradecida. Ainda assim procurava ser útil de alguma
forma, orientava sobre os cuidados redobrados que devemos ter com as nossas
crianças, pois algo que me doía e rasgava minhas entranhas era saber casos de
pedofilia. Pois é! sofri abuso na infância; abuso sexual, abuso moral, abusos
diversos. Eu era o saco de pancadas das frustrações e perversões dos adultos
com os quais morava (tios e tias). Só depois de adulta aos 38 anos não
aguentando mais o peso desse sofrimento após uma crise de pânico recorri a uma
psiquiatra e psicólogo. Sofri por me expor, pois sentia muita vergonha e raiva
de mim mesma... cruel e doloroso! Consegui com as conversas com a psiquiatra e
psicólogo a entender que o vilão não era eu e sim aquelas pessoas com suas
deformações. A caminhada foi árdua...
Hoje melhor e ainda com muitos
questionamentos sobre a vida, resolvi questionar a minha fé e fé em quem?
Existir DEUS sei que existi, mas esse modelo que conhecemos para mim até o
momento não consegui entender! Não tenho medo de ser castigada por
"DEUS", POIS O DEUS que busco não castigaria a um filho por buscar a
verdade! Ou será que castigaria? Resolvi assumir minha maneira de pensar,
pesquisei sobre várias religiões, não para escolher uma, mas para entender
melhor essa relação com A ou As DIVINDADES. A única conclusão que cheguei até o
momento é que as religiões infelizmente manipulam muito o ser humano. Sei que
existe o lado bom também, pois muitas pessoas encontram sentido e
direcionamento para suas vidas, isso é fato incontestável. Por hora resolvi
acreditar em seres SUPREMOS, DIVINOS sem associa-los a religião alguma.
Agradeço todas as manhãs e ao deitar, ainda me confundo, pois acostumada estava
em pedir orientação e proteção a santos, anjos a JESUS, A MARIA... Acredito
neles e reconheço o exemplo de vida que deixaram ao passar por aqui, mas
agradeço também a BUDA E TANTOS OUTROS EXEMPLOS.
Pessoal diante de tantos
questionamentos, dúvidas, transição... Só não imaginava que iria receber aos 41
anos de idade a seguinte notícia; VOCÊ ESTA GRÁVIDA! ISSO MESMO PESSOAL, FIQUEI
SABENDO NO DIA 24 DE DEZEMBRO DE 2012 APOS PASSAR MAL E PROCURAR UM PRONTO
ATENDIMENTO HOSPITALAR. UMA COISA É CERTA! EU SEMPRE FUI A INCERTEZA EM PESSOA,
MAS SEMPRE ACREDITEI EM MILAGRES!TALVEZ POR ACORDAR TODOS OS DIAS MESMO TRISTE
E DESMOTIVADA EU SEMPRE TINHA A CERTEZA ABSOLUTA QUE IRIA ENCONTRAR ALGUÉM
FELIZ NO CAMINHO! UM BEIJO NO CORAÇÃO DE VOCÊS. E NÃO ME PERGUNTEM QUE LIÇÃO SE
PODE TIRAR DESSA HISTÓRIA, POIS A RESPOSTA VCS JÁ SABEM! N Ã O S E I...