24 de março de 2013
As conchas do mar nos ensinam sobre nossa saúde.
As conchas do mar nos ensinam sobre nossa saúde.
Cheguei da praia ontem e liguei para meus pais para saber
como estão. Ao telefone, praia pra cá, praia pra lá, minha mãe contou que uma
amiga disse que viajaria para o litoral. Brincando, minha mãe pediu: “Me traz
uma conchinha.” A amiga levou a sério o pedido, mas não encontrou conchas.
Perguntou ao dono do bar o que estava acontecendo. Ele disse que não era época
de conchas como se conchas dessem em galhos. Abriu a gaveta, vasculhou as moedas
e tirou uma conchinha antiga. Deu-a à mulher como se estivesse se desculpando
pela infertilidade do mar. Para quem ensinou as três meninas a admirar as mais
impressionantes formas e cores que cobriam o caminho da areia, a concha única
da gaveta do bar assustou. “Onde estão as conchas do mar?”, perguntou minha
mãe.
Não as encontrei. Há 30 anos, eu caminhava naquelas areias ao
lado do caminho das conchas. O mar era tanto a água quanto seus brinquedos de
cálcio multicoloridos. Agora, nem infância, nem brinquedos, nem meus pais
puderam ir, nem as conchas estavam lá, a praia é ausência. Todas as coisas
passaram e o mar que eu conhecia não mais existe. Dizem que o calcário oceânico
é retirado para ser usado em ração animal e para ser usado no agronegócio no combate
à acidez do solo. A casa dos moluscos virou moeda de pinga.
A ausência das conchas diz muito do tempo em que estamos
vivendo. Na praia mesmo, compramos uma edição especial da National Geographic sobre a Água (abril, 2011). De acordo com a
revista, o sumiço das conchas também está relacionado à acidificação da água do
mar. Embora alcalina, a água do mar está 30% mais ácida. Se o mar fica ácido,
diminui a quantidade de cálcio nas águas. Sem cálcio, os animais marinhos não
podem secretar seu esqueleto. É como se o mar perdesse a sua viga, seu
esqueleto móvel, sua proteção e sustentação. Uma espécie de osteoporose
marinha, a insustentabilidade do ambiente oceânico. Uma grave doença ambiental.
Na p.77, há um gráfico intitulado: “Como se dissolvem conchas e ossos.”
Caramujos, cracas, ouriços-do-mar, corais estão em risco. Depois de 30 anos, as
águas da infância se tornaram um caldo ácido que dissolve até as conchas mais
fortes (Leia mais sobre a acidificação dos oceanos neste relatório da Unesco).
Assim, como as águas do mar, para funcionar bem, nosso
organismo precisa ter um meio interno alcalino. Quanto mais acidificado, maior
a probabilidade de doenças. Assim como não dá para combater a acidez do oceano
apenas jogando litros e litros de uma substância alcalina nas águas do mar,
também não dá para resolver a acidez no organismo tomando remédio. É preciso
investigar as causas da contaminação ambiental ou da doença no corpo. A
acidificação do mar tem sido provocada pela emissão de C02 (o dióxido de
carbono atmosférico reage com íons de hidrogênio que aumentam a acidez da
água). E o que tem causado a acidificação do organismo?
Gorduras, frituras, industrializados com conservantes,
açúcares, inatividade física, emoções estressantes, substâncias farmacológicas
agressivas, falta de sono, poluição ambiental.
Como evitar a acidificação do organismo?
Mudança de estilo de vida. Conscientização. Para o açúcar
branco ser digerido, o organismo retira o cálcio dos ossos. Quando usamos
açúcar branco, estamos nos descalcificando. Como nos curar? Tomando comprimidos de cálcio?
Combatendo a acidez por meio de pílulas? É como jogar comprimidos em alto-mar
na esperança de ter as conchas de volta.
Meu caminho tem sido combater as causas da doença por meio
de um estilo de vida mais natural. Tenho a opção de continuar comendo açúcar e
para minimizar seus efeitos nos ossos usar suplementos de cálcio ou posso
escolher parar de comer açúcar, reeducar meu paladar, encontrar novos sabores e
transformar meu olhar sobre o mundo. Somos livres, mas há liberdades aprisionantes.
Quais escolhas estamos fazendo?
Não é tirando apenas o açúcar que vou resolver a endometriose
ou a osteoporose. Assim, como não é apenas usando uma pílula que vou me curar
das doenças. É uma mudança integral. Não é apenas deixando de usar calcário em
rações para porcos que vamos resolver a questão dos oceanos. Em macroescala,
não vejo soluções. Mas em microescala, no que diz respeito ao nosso corpo,
embora ele sofra as agressões de um mundo em rápida transformação, é possível
mudar. Eu mudei, a endometriose diminuiu, não tenho dores, estou bem. Ainda
tenho focos no ovário e intestino, mas a cada exame estão menores. Despoluir o
corpo é um processo gradativo. Lento, mas possível. Desafiador, mas
gratificante. Não se despolui, poluindo mais.
Comer na praia – Embora minha intenção fosse levar meus
congelados à praia, pois alugamos um apartamento, eu não consegui fazer isso.
Também não queria cozinhar. Em Natal, ficamos na Ponta Negra, e almoçamos em um
restaurante fantástico, o Green´s.
Os donos tiravam dinheiro do bolso para mantê-lo. O mundo desconhece os sabores
que curam.
Em Ubatuba, nessa última viagem, encontramos uma opção
interessante, o Integrale. Os pães são deliciosos,
feitos de farinha integral, sem ovos, leite ou conservantes. Há pães sem
glúten, de variados sabores. O pão de oliva, com sabor de azeite e quantidade
generosa de azeitonas, é delicioso. Os patês, incríveis. O patê de berinjela
defumada servido antes do almoço com pão mediterrâneo, uma tentação. No almoço,
há lentilhas, feijão branco, feijões diferentes... peixes locais (estou
evitando peixe, mas às vezes ainda como), bolinho de quinoa, salada com
vegetais orgânicos... Os lanches são deliciosos. Pães de ervas e azeitonas. Não
recomendo os doces, pois são com açúcar. Só estranhei um pouco a comida devido
à quantidade de condimentos, pois há pimenta em algumas receitas, e não uso
pimenta. O preço é justo. Como é maravilhoso encontrar um lugar em que se faz
um negócio com amor, onde a comida é servida em meio a um jardim pequeno, mas
que abriga até avelós. Em Sorocaba, por exemplo, tinha um restaurante com
lanchonete que cobrava preços abusivos por uma quantidade mínima de comida
natural. O fruto mal amadureceu, e acabou de falir. Por que os “empresários
orgânicos” fazem questão de tornar inacessível o valor de seus produtos? O
Integrale prova que é possível cobrar o preço justo pela comida saudável, que é
possível ir para a praia e comer bem. As férias foram curtas para experimentar
tudo o que oferecem.


gostei do seu post, cheguei procurando por conchas e alcalinidade da agua. Mas minha aventura é utilizar as conchas do mar para alcalinizar a água que estou tomando. No Amazonas a agua é bastante acida e isso me preocupa.
ResponderExcluirObrigada, Juliano. A preocupação com a qualidade da água é muito importante. Uma dica para combater a acidez no organismo é tomar água com limão, ou limão. No estômago, o limão é alcalino. Faço isso toda manhã. Em jejum, tomo dois copos de água e um limão (mas na boca, o limão é ácido. Por isso, é importante proteger os dentes, pois o limão tira o esmalte do dente).
ExcluirAbraços,
Minha querida amiga,
ResponderExcluirEsse seu post me fez lembrar da minha infância. Ótimos e inesquecíveis momentos à beira mar no litoral Sul de São Paulo.
Eu amo praia e desde bebê sou frequentadora das areias e mar. Lembro-me de quando criança nossa melhor diversão era pegar conchinhas na beira do mar. Haviam tantas que enchíamos um saco de 20 litros. Era imensa a diversidade de cores, formatos, tamanhos e variedades. Fazíamos colares, enfeites, colecionávamos. Acabei de me lembrar que minha irmã ainda possui uma caixinha cheia delas. Vou pedir para ela guardar, pois daqui a alguns anos, se tornarão relíquia. rsrs
Infelizmente hoje é difícil encontrar essas pequenas na areia. Até mesmo em praias desertas, pouco frequentadas, onde a influência urbana e humana é pouca as conchas são raras.
Sorte nossa que há 25 / 30 anos atrás podíamos ver a areia repleta de colorido e formas. Infelicidade nossa que a transformação ambiental no mundo o deixou tão areia.
Um grande abraço,
Gaby
Olá, Gaby, querida amiga:
ExcluirNossa infância teve cenários semelhantes e agora também compartilhamos da mesma luta. Você é sensível, forte, corajosa e tem muita fé. Só quem enfrentou, e venceu, tantos desafios pode falar como você. Fiquei rememorando o que disse. Quanto risco, quanta luta e dor. Mas Deus salvou sua vida. E sua história levará forças e cura para muitas mulheres. Uma feliz semana! Carinho,
Também já estive na Integrale e fiquei encantada com os produtos orgânicos e saborosos que eles fazem. Dá vontade de só comer lá. Lamento muitíssimo não ter uma filiar/franquia dela aqui no Rio de Janeiro. Cheguei a perguntar ao dono se ele tem interesse, pois o ajudaria a tocar essa idéia adiante, mas ele não parece ter se entusiasmado. Sinto muito falta de algo do tipo por aqui. O único restaurante inteiramente integral que consegui frequentar no Rio acabou fechando as portas, mas ele tb cobrava preços inacessíveis e estava localizado em um shopping chique da zona sul, ou seja, não dava para desfrutar como gostaria. Tô adorando seu blog.
ResponderExcluirSeria realmente ótimo se tivéssemos mais lugares como esse! Imagino que o dono queira manter seu estilo de vida, o contato com a família, tempo disponível, a interação com a natureza... É uma filosofia de vida, por isso o negócio deu tão certo. Que surjam mais pessoas com essa iniciativa! Obrigada por escrever. Com carinho,
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