segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Tempo


27 de agosto de 2012

Depois de dirigir cortando a cerração matinal, descobri que a manhã de quinta-feira fora alterada à revelia. Desmarcaram uma reunião e não me avisaram previamente. De imediato, pensei em trazer o compromisso da tarde para a manhã, e do outro dia para aquele dia. O bom senso me mandava aproveitar bem o tempo. O senso de vida me moveu em outra direção. Como saí cedo de casa, não tinha caminhado. Já que a reunião seria num edifício localizado em meio a um jardim centenário, por que não caminhar?

Caminharei por 30 minutos apenas, pensei. Nunca tinha feito aquele trajeto a pé, embora de carro já o tenha admirado inúmeras vezes. Mas a distância, as cores são outras. Passo a passo, os detalhes se revelam. Depois de quase 20 minutos de caminhada, percebi que precisava registrar aquele momento. Mas isso me custaria mais alguns minutos para voltar, pegar a máquina fotográfica no carro e caminhar novamente até aquele ponto. Quanto tempo eu perderia? Quanto eu perderia se não desafiasse a pressão do tempo?

Com a máquina em mãos, refiz o trajeto. A árvore que parecia ter folhas coloridas estava carregada de exóticas flores vermelhas ligadas diretamente ao tronco. Embaixo, tapete de pétalas desmanchadas, recém-caídas, recém-vivas. Mais adiante uma planta semelhante a um pé de milho, cujas folhas verde água mescladas davam-me a impressão de estar diante de um pé de milho ornamental. Sorri. Que planta engraçada seria essa ao lado dos arranha-céus botânicos?

Contornei o trajeto principal, sentindo o Sol que aquecia a vegetação diversificada. Encontrei muitos bancos vazios. Diferentemente da minha reunião, outras não haviam sido desmarcadas. As pessoas estavam confinadas aos prédios. Como em um lugar tão lindo pode haver tão poucos para olhar? Tantos bancos vazios? Um pesquisador dali me contou que enfrentou 12 anos de depressão profunda. Melhorou depois que mudou a alimentação, passou a usar plantas medicinais, fazer refeições completas e praticar exercícios físicos. Mas naquele momento, ele estava muito estressado, afobado pelas responsabilidades, rouco de tanto falar, cansado de tanto correr. Contou-me que uma colega dele, que também atuava em pesquisas junto à natureza, tinha acabado de descobrir um câncer. A doença surgira após uma fase de intenso desgaste profissional.

Não basta estar em meio à natureza, é preciso parar e apreciá-la. Não basta mudar o rumo profissional, é preciso redimensionar o lugar que ocupamos. A grama mais verde não é apenas a mais distante, pode ser também o chão sob nossos pés. A paisagem muda se o olhar se transforma. Passei do lado de uma árvore esguia, cercada por suas iguais. Por anos, o que via era um tronco. No passeio a pé, com o contraste do forte azul, vi o tronco na sua cor. Amarelo vívido. Parei e fiquei olhando. Eu parecia o botânico italiano que fez uma expedição a Ubatuba e chorou diante de uma cachoeira na Mata Atlântica, tamanha a beleza que o remetia a Deus. Eu fotografava a imagem quando um senhor idoso, que fazia sua caminhada matinal, me perguntou que parte da árvore deveria pegar para fazer uma muda. Trocamos algumas palavras de admiração pela árvore, em uma interação ignorante. Não sabíamos nada sobre a espécie nem um sobre o outro, mas havíamos nos ligado pela reverência à criação. Tratávamos-nos ali, por instantes.

Tratávamos nossa saúde, por tantos motivos. Cientificamente, há comprovação de que nosso contato visual com a natureza produz efeitos positivos mensuráveis no organismo. Além disso, o contato com espaços verdes aumenta a proteção dos riscos de mortalidade (MITCHELL, Richard; ASTELL-BURT, Thomas; RICHARDSON, Elizabeth A. A comparison of green space indicators for epidemiological research. Disponível em: http://jech.bmj.com/content/65/10/853). As árvores estão relacionadas com menor incidência de asmas, segundo pesquisa feita na Universidade Columbia e publicada no jornal New York Times (MONT, Helena. Why Trees Matter. Disponível em: http://www.nytimes.com/2012/04/12/opinion/why-trees-matter.html). Pesquisa da faculdade de Medicina da Universidade de Indiana e da Universidade de Washington relaciona a área verde de vegetação com menores índices de obesidade em crianças (Neighborhood greenness has long-term positive impact on kids’ health. Disponível em: http://newsinfo.iu.edu/web/page/normal/9197.html). Essas pesquisas são relatadas também no artigo Verde é Saúde. Certamente, tamanha a criatividade da Ciência, também devem existir  estudos que indicam a relação entre saúde, natureza e comunidade. A natureza nos traz a necessidade de interagir. Ela transforma, arrebata, nos une. 
  
Após um pouco mais de uma hora, havia encerrado a caminhada. Então, trouxe para aquele restante de manhã, os afazeres da tarde, com alegria.

Precisava parar sem me separar de meus objetivos. Precisava abrir mão do domínio do tempo. Precisava voltar a escrever no blog. Como ficar sem essa cura? Como me afastar de algo que me proporciona tantos aprendizados e me faz tão feliz? A caminhada me fez lembrar de Alessandra. Ela me escreveu e contou sobre o diagnóstico de endometriose profunda. O médico havia recomendado a FIV, além de um tratamento hormonal agressivo para a doença. Falei sobre minha opinião. Há tempos, venho construindo, pouco a pouco, meus argumentos sobre a fertilização com base em pesquisas científicas, experiências de outras mulheres. Foi para a Alessandra, para quem falei sobre isso pela primeira vez, diante de suas importantes indagações. Há sete dias, quase nove meses após a primeira troca de e-mails, ela escreveu:

Olá querida.
Tenho ótimas notícias.
Recebi meu milagre de Deus.
Estou grávida!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! de 5 semanas e 4 dias!
Indo contra a todos os médicos que diziam que eu não engravidaria naturalmente, somente se fizesse a FIV, estou grávida. Não fiz nenhum tipo de tratamento, nem remédios, nem hormônios, nada mesmo! Só parei de pensar nisso rsrsrs.
Deus operou esse milagre em mim.
Não perca sua fé, nunca, na hora certa de Deus ele te abençoará.
Fique com Deus!
Bjss
Alessandra

Não conheço Alessandra, nem ela me conhece. Não sei detalhes sobre sua história e luta pessoal. Mas a impressão que tenho dessa mulher forte, persistente e sensível é que, em certo momento nesse trajeto difícil e desgastante para superação da endometriose, ela estabeleceu uma relação com a vida marcada pela tranquilidade, tivesse o resultado que fosse. Ela não estava mais aprisionada a desfechos obrigatórios. Iniciou sua caminhada, confiando-se a um encontro de paz, acontecesse o que acontecesse. 

Independentemente de um desejo realizado ou não, de estarmos no melhor emprego ou não, de sermos amadas e compreendidas ou não, de caminharmos entre as árvores mais lindas ou não, essa libertação é a melhor conquista que gestamos ou é gestada em nós. Se existe tempo para todas as coisas, a paz é o tempo certo. O tempo é a escolha.

Alessandra, parabéns pelo seu querido bebê. Que notícia maravilhosa.
Que sua caminhada seja sempre linda.

PS.: Vou responder aos comentários até a próxima semana. Obrigada pelas mensagens.


















segunda-feira, 30 de julho de 2012

Ser mãe


31 de julho de 2012

Chegamos em casa e nos abraçamos. Queríamos um filho? Sem habituais listas de racionalizações e desobrigados, consentimos.

Tinha-me por infértil. Jamais pensei que nasci também para ser mãe. De certa forma, ainda sou a endometriose. Eu me imponho determinada contra o seu avanço, sem permitir que domine meu corpo. Mas quanto à ausência de uma filha ou filho, ela se agiganta, eu me resigno. Sonho um pouco, às vezes, como quando escrevi o texto sobre o dia do nascimento de Cristo (A Canção das Crianças) ou sobre a Terra Prometida.
 
No dia de Corpus Christis, desatenta a qualquer tradição, senti uma felicidade incontrolável. Nos dias que se sucederam, uma felicidade incontida. Meus seios estavam sensíveis. O inchaço abdominal começou a diminuir, como nunca havia ocorrido antes. A endometriose parecia retroceder sem eu ter que lutar titanicamente. Ela estaria se afastando? Assim como tem sido meu tratamento, o último golpe não viria por meio da incisão ou da química agressiva dos remédios, mas pelo maior de todos os milagres – um bebê que cresce e se forma dentro de mim? O espaço meu, agora seria dele?

Não, não estava grávida. A tentativa, um único não, dor intensa. Eu chorei. Recuperada do abalo à esperança, escrevo exatamente porque estou entregue a ela. É possível superar a endometriose. É possível ser mãe. Uma querida amiga me enviou uma matéria, escrita pela jornalista Cláudia Collucci, publicada no jornal Folha de S. Paulo, sobre a gravidez de uma mulher que tinha endometriose profunda, falência ovariana, aderências, aderências na trompa. Depois de muitas tentativas, engravidou. A segunda gravidez foi natural (Assinantes). “Quem dá a vida é Deus [...]. Tenho tido casos [de casais inférteis] tão esdrúxulos que engravidam e casos tão claros de que medicina vai resolver e não resolve, que cada vez mais acredito nisso”, diz o ginecologista Artur Dzik, diretor do Serviço de Esterilidade Conjugal do Hospital Pérola Byington. (Assinantes)

Sim, uma mulher com endometriose profunda pode gerar uma criança. Há duas semanas, fui a uma igreja num sábado. Encontrei uma amiga de 39 anos que tentou engravidar durante cinco anos. Agora está grávida de quatro meses. Ela tem miomas e ovário policístico. Ela me falou de Rose, que frequenta a mesma igreja. Ela tem endometriose profunda, trompas obstruídas. Há três meses, engravidou. Ela mora nesta cidade, é amiga de meus amigos, tem endometriose em estágio avançado e engravidou naturalmente.

Lembrei-me de dois casos interessantes. Duas professoras de importantes universidades públicas, inférteis devido à endometriose, engravidaram. Uma delas, eu conheço bem. A outra professora, conheci no intervalo de uma palestra há uns quatro meses. De maneira inusitada, a conversa tomou um rumo muito próximo para duas desconhecidas. Contei que tenho endometriose; ela me contou que teve também endometriose no intestino. Essas duas mulheres não se conhecem, apesar das semelhanças no nome, na carreira, na luta contra a endometriose, na superação da infertilidade, no número de filhos que tiveram (dois filhos), na personalidade – são mulheres determinadas. Por não haver rostos ou nomes e ser inusitado, o relato dessa história parece improvável. Mas, é real. A vida reserva surpresas, como disse minha amiga Michele. Histórias, com formas anônimas, que se conectam sem que suas protagonistas agraciadas sequer imaginem a amplitude do que as envolveu. Imensidade.  (Parágrafo inserido no dia 6 de agosto).

Superei a endometriose. Poderia superar a infertilidade, o terreno arenoso que ameaça me definir internamente? Na semana passada, a jornalista Ana Paula Padrão, que tem endometriose, deu uma entrevista e falou sobre suas tentativas para engravidar (Veja). Fez quatro fertilizações in vitro (FIV). Engravidou e perdeu o bebê com três meses de gestação. Posso imaginar um pouco dessa dor. Apesar de ter decidido com meu marido não recorrer à FIV, eu senti a dor de um desejo maternal não concretizado, e foi quase intolerável. Ninguém sabe ao certo o que pode acarretar a expectativa sucessiva e frustrada por uma gravidez, a dor da interrupção, a vida fragilizada nas mãos de mercadores da saúde, a esperança jogada num tabuleiro médico qualquer, a troca inacreditável entre dinheiro e um filho. Quanto custa para implantar um filho? Quanto custa para desimplantar a dor?

Não há desfechos felizes se felicidade significa apenas ter um filho. Mas certamente há felicidade nos enredos que fogem à definição única. É amplo e sem divisas, vai além dos vínculos de sangue. Recentemente, Ana Paula Padrão reuniu mulheres de todo mundo em um palco de relatos com desdobramentos imprevisíveis e libertários. Dezenas de mulheres contaram histórias até então silenciadas ou pouco conhecidas. Essas histórias encontraram outras escritas. Ampla luminosidade riscando a escuridão.

Em meio a atividades profissionais, conheci a história de Norma Nashed, uma palestina, cidadã do mundo. O pai morreu quando ela estava com oito anos. Para cuidar dos sete filhos, a mãe passou a costurar à noite. Ficou cega. Ela foi adotada por missionários. Estudou, formou-se e conseguiu um bom emprego. Trocou seu emprego por um trabalho em uma organização humanitária religiosa. Teve um câncer. Sem marido, sem filhos, na luta contra o câncer, decidiu abraçar um ideal. Largou novamente o emprego e, sem muitos recursos, fundou a Restore a Child. Hoje, a ONG atende a crianças em 13 países, com projetos de moradia, educação, saúde, agricultura e sustentabilidade ambiental. Em uma entrevista, ao lhe perguntarem onde encontra forças para fazer seu trabalho, Norma respondeu:

“Quando tive câncer e estava em tratamento, todos ao meu redor me perguntavam: ‘Como você pode estar tão feliz?’ Um ano antes, havia reconsagrado minha vida a Deus, e Ele me dera paz. O câncer acabou sendo uma bênção, porque me aproximou ainda mais de Deus. Coloquei minha confiança nEle. Eu não questionei a Deus ou chorei, nem mesmo uma vez. Sabia que se Ele estivesse comigo, tudo o que Ele havia posto em meu caminho seria para cumprir Seu plano. Eu não fazia ideia de qual era o propósito, mas agora sei: foi este ministério. Concentrei-me nestas crianças, e não em mim, e Deus me deu forças. A paz e a alegria que tenho é interna. Eu não posso expressá-la. Você tem que ter esse relacionamento com Deus para experimentá-la. Eu realmente acredito que ‘todas as coisas cooperam para o bem’”.

Sei que posso superar a endometriose, sei que você pode superar a endometriose. Sei que você pode ficar grávida, a despeito das sentenças médicas. Sei que eu poderia ficar grávida, mas não posso dizer que ficarei. Não posso afirmar que você realizará esse sonho. Há mulheres que não engravidam. Podemos e devemos fazer tudo que está ao nosso alcance para conquistar um sonho cuidadosamente projetado, mas o resultado final não deve nos fazer menores ou mais especiais aos olhos de ninguém. Principalmente, aos nossos olhos. Não é o que conquistamos que nos torna especiais, mas é a celebração da vida que nos diferencia, independentemente do que ela nos oferece.

A fertilidade é amplidão.


PS.: Este é o meu último texto para os próximos meses. Preciso finalizar um projeto profissional. Espero voltar a escrever o quanto antes.


Assista ao vídeo abaixo com definição superior no Vimeo: http://vimeo.com/40802206




Meu tratamento contra a endometriose, em linhas gerais:








Especialista em endometriose no Rio de Janeiro


 4 de setembro de 2012


Recebi a mensagem abaixo da Dri.  Se alguma leitora souber de um médico especialista em videolaparoscopia que atende pelo plano de saúde no Rio de Janeiro, por favor, envie um comentário para este blog. 


 Tenho 33 anos, não tenho filhos. Descobri que tenho endometriose profunda há 10 meses, depois de anos de sofrimento. Desde então vivo buscando especialistas. Gostaria de saber se tem algum especialista que faz videolaparoscopia pelo plano de saúde no Rio de Janeiro.

Recebi a mensagem abaixo, enviada por Jacqueline Rangel. Se alguma leitora souber de um médico especialista em endometriose no Rio de Janeiro (que faz o Doppler colorido com preparo para endometriose), por favor, envie um comentário para este blog.

Jacqueline, envie-me seu e-mail pelo espaço de comentários. Posso lhe passar um e-mail com o contato de alguém que, talvez, possa ajudá-la.

Estou com suspeita de endometriose, a história é bem longa, a dois anos venho tendo alterações, e a três anos tenatando engravidar e nada, fiz diversos exames todos ok,conforme a legião de ginecologistas que recorri, agora numa nova tentativa com Dr. Silvio Rios da clínica CEGIR, ele me informou que não aceita que eu não tenha nada, que ele vai investigar Endometriose, Fiz ressonância de pelve no ano passado, não apontou nada, agora numa Tomografia para pesquisar um cálculo renal apareceu um foco hipodenso na região anexial direita (Ovário), diante disso, ele me pediu exames para serem realizados no período da menstruação, ou seja ínicio de agosto, tenho muitas dúvidas, preciso fazer esses exames com um especialista, o problema é encontrá-lo. Onde posso fazer Ultrasom com doppler colorido com preparo para endometriose no Rj. Estou procurando na Net, e só vejo as meninas informando que fazem esse exame para detectar, mas não falam onde e com quem. Estou muito aflita, mas confiante.



Veja também o texto Exame para detecção de endometriose profunda, publicado neste blog. Muitas mulheres já enviaram sugestões de médicos especialistas em endometriose, em diferentes Estados. 



Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.

Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.



domingo, 15 de julho de 2012

Para Alessandra Onodera

15 de julho de 2012
Olá, Alessandra:


A leitora Sheila enviou um comentário para você. Se mais alguém tiver informações sobre a questão colocada por Sheila, envie um comentário para este blog. Esta é a mensagem de Sheila:

Olá Alessandra, li sua postagem e talvez possa me ajudar com uma informação...Em novembro 2011, operei de endo profunda mas tive várias complicações e uma delas é que minha bexiga ficou preguiçosa e preciso de sonda para urinar. Já faz 8 meses e não voltou a funcionar. Pergunte a opinião do seu marido se a bexiga voltará a funcionar...Abs sheila 





segunda-feira, 9 de julho de 2012

Respostas aos Comentários - II

9 de julho de 2012

Leia também o texto "Parasitose e endometriose" publicado neste blog.

Ola, tenho 35 anos e descobri a endometriose profunda ha 3 meses. Ha 3 anos tento engravidar, ja engravidei naturalmente 2 vezes mas abortei espontaneamente,isso ja faz 2 anos. Depois nao consegui mais engravidar aí fiz fertilizacao in vitro e nao deu certo, transferi embrios congelados tbm nao deu certo. Depois disto tudo fiz o transvaginal com preparo intestinal, no qual descobri a endometriose no intestino. Meu medico disse que eu teria que fazer uma cirurgia e tirar um pedaco do intestino, antes de fazer outro tratamento para engravidar. Achei a cirurgia muito complicada e decidi nao fazer e nao tentar mais engravidar. É muito sofrimento junto. Nao estou tomando nenhum remedio ate daqui a 3 meses, quando voltarei ao medico e ai comecarei um tratamento. Estou tentando mudar minha alimentacao e leio suas experiencias aqui. Gostaria de agradecer sua disposicao em compartilhar sua experiencia e suas pesquisas neste blog. Sinto voce como uma amiga, pq só quem tem a doenca sabe o que isto significa. Um grande abraco!  
Comentário enviado para o texto Nas noites frias de inverno
Anônimo
em 06/07/12

Tenho 35 anos também. Descobri a endometriose profunda há mais tempo. O médico também disse que eu teria de retirar um segmento do intestino. Talvez esse médico seja o mesmo que a atendeu. Sobre a experiência de tentar ser mãe, eu passei por essa expectativa recentemente. Foi apenas uma tentativa sem proteção, mas pensei que pudesse estar grávida. Desejei tanto estar grávida. Fiquei em função desse sentimento intenso. Criei expectativas, mesmo sabendo que uma mulher sem endometriose teria dificuldades para engravidar na primeira tentativa. Sei que não faz sentido minha expectativa, mas o fato de não ter engravidado se somou ao diagnóstico da endometriose profunda. Senti uma dor imensa. Não foi nada fácil. Isso coincidiu com o nascimento de um bebê na família, a gravidez de amigas e os comentários de quem não entende o que se passa com a gente. Depois de uma tempestade emocional, agora estou melhor.
Tenho absoluta certeza de que a mudança de estilo de vida é essencial para recuperar o organismo e nos dar saúde. É o ponto central de nossa recuperação. Mas não sei se com a mudança de estilo de vida eu ficaria grávida ou não, pois descobri a endometriose em estágio muito avançado. A endometriose diminuiu. A endometriose do intestino também diminuiu. Mas será que a mudança de estilo de vida além de combater a endometriose também possibilitaria uma gravidez? Não sei. Mas posso lhe dizer que minha nova alimentação tem feito muito bem para mim. Fazer exercícios físicos diariamente tem me ajudado muito. Essas mudanças têm sido fundamentais. Talvez eu consiga engravidar, talvez não. Decidimos não tentar, por enquanto. Talvez adotemos uma criança futuramente. A geração de uma criança é o maior de todos os milagres. Mas nós somos – você é – também esse milagre. Recebemos a vida e podemos doar vida de maneiras diversas, quem sabe gerando ainda um filho (conheço histórias de mulheres com endometriose profunda que engravidaram), quem sabe ajudando a quem não pode gerar uma criança (com a superação emocional e física da endometriose, mesmo que isso não resulte em uma gravidez, mas resulte em saúde, em superação, em alegria, sem sermos reféns de tempestades emocionais, como a que vivenciei esses dias), quem sabe acolhendo quem foi gerado, construindo uma nova história, com outros sonhos e muitas realizações.
Minha querida amiga, desejo um ótimo tratamento. Se tiver dúvidas, escreva quando precisar. Siga firme nas pesquisas sobre um novo estilo de vida. Com muito carinho.   



Boa noite. Gostaria de relatar, que faço controle da endometriose a vários anos, suspendendo com uso de contraceptivo. Desde janeiro de 2012, cortei radicalmente o consumo de alimentos açucarados da minha dieta. Em maio de 2012, suspendi o anti-concepcional e menstruei em junho. E quem diria foi inacreditável... Sem aquelas cólicas horríveis e sem inchaço abdominal, graças a deus. Agora creio que o açucar pode ser o mal pra muitas doenças. Abraço.fabiana
Comentário enviado para o texto Açúcar e endometriose
Em 02/07/12

Olá, Fabiana. Parabéns pela sua força de vontade! Deixar os doces é um desafio enorme. Eu sempre troquei refeições por doces. Era dependente do açúcar. Eu e meu marido fomos nos conscientizando aos poucos. O açúcar, no entanto, é um “alimento” para a endometriose, além de ser a causa de muitas outras doenças. Depois de várias substituições e novas receitas saborosas (mas saudáveis), eu não utilizo nem mesmo o açúcar mascavo. Apenas o mel, em pouca quantidade. No entanto, quando iniciei as mudanças, mesmo tendo tirado o açúcar de minha dieta, os focos ainda cresciam um pouco. Por isso, retirar o açúcar da alimentação é essencial, mas penso que pode não ser suficiente. Foi necessário incluir vegetais, frutas, legumes e muitos nutrientes no cardápio. Também comecei a fazer exercícios físicos diariamente e faço uso da fitoterapia. Além disso, combater o estresse é muito importante. Quanto ao anticoncepcional, ele também me fez muito, muito mal. Antes de descobrir a endometriose, eu utilizei por um ano o Yasmin. Um veneno para o meu organismo. Não utilizo mais anticoncepcionais.
Mas a endometriose nos engana. Podemos não sentir sintoma algum, mas os focos crescem rapidamente. Por isso, é importante ter acompanhamento médico constante, acompanhar o tamanho dos focos e fazer as mudanças na alimentação e no estilo de vida, em geral. Nesse contexto, retirar o açúcar da alimentação, como você fez de forma corajosa e convicta, é essencial.
Um grande abraço!  

Sinto dores fortíssimas na menstruação e tenho cada vez mais dores na relação e não consigo engravidar. Finalmente encontrei um médico disposto a me ajudar, já fiz vários exames de sangue e nada foi detectado agora ele e me passou este exame: ultrassom transvaginal com doppler. Gostaria de saber se o exame é eficaz em diagnosticar endometriose? Estou desesperada ..Obrigada
Comentário enviado para o texto A luta de Marli
em 01/07/12

Olá! Muitos médicos dizem que o único método de diagnóstico confiável é a laparoscopia. Outros também indicam a ressonância magnética. Há médicos que pedem a tomografia, um exame que por si só pode contribuir com o desenvolvimento da endometriose (Veja o texto). No entanto, médicos da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um exame que detecta a endometriose (inclusive a profunda) utilizando o ultrassom transvaginal com Doppler. Essa equipe, inclusive, treina outros médicos para fazer esse exame. Por isso, o diagnóstico eficaz por meio desse exame vai depender de um ponto fundamental: se o médico tem treinamento ou não. Se ele tem essa especialização, fique tranquila, ele vai conseguir diagnosticar a endometriose com esse método não invasivo. Fiz esse exame, com um médico especializado, e tive o diagnóstico de endometriose profunda. Basta citar que antes, mesmo tendo sido submetida a uma cirurgia aberta para retirada do ovário direito, a médica sem treinamento não tinha visto a endometriose no intestino. Quando fiz o transvaginal com Doppler, recebi o diagnóstico correto. Portanto, certifique-se se de que seu médico tem essa especialização. Se não tiver, ele pode não conseguir identificar os focos. É importante mencionar também que os planos de saúde não cobrem esse exame (tenho dois planos de saúde). O exame é particular, caro, oferecido por diferentes médicos a um custo diferente. Como já escrevi, creio que se o exame foi desenvolvido por pesquisadores de uma universidade pública, imagino que médicos do serviço público estejam recebendo treinamento gratuito. Imagino também que esses médicos têm lutado muito para estender esse exame para o maior número possível de mulheres, compartilhando a técnica com outros médicos comprometidos com a saúde pública, atuantes em outras universidades e hospitais universitários brasileiros. Sendo assim, talvez muitas mulheres estejam sendo beneficiadas gratuitamente por um exame que não requer uma tecnologia avançada, mas um conhecimento de interpretação de imagens e preparo intestinal específico. Quero crer que isso esteja sendo feito, pois trata-se de um exame que requer informação especializada, não uma tecnologia inacessível. Quanto custa a informação? O que é necessário para que ela se torne acessível e ajude a combater a dor que a endometriose nos traz? O verdadeiro conhecimento não beneficia a poucos, mas revoluciona a vida de muitos. O verdadeiro conhecimento é acessível e se faz com generosidade e missão.
Obrigada pela sua pergunta. Se tiver alguma dúvida, me escreva.
Um abraço!

Olá, minha amiga! Torço para que esteja muito bem. Que texto mais lindo o seu sobre sopa, aliás, a sopa. Sem dúvida, ela não pode faltar à mesa. Aproveito a oportunidade para lhe perguntar se você tem alguma informação sobre o aipim (mandioca), o cara e o inhame. Gosto muito de introduzi-los nas minhas refeições. Será que estou correndo algum risco? Já li algo sobre eles, mas não consigo mais encontrar o texto. São tantas informações que, mesmo apesar das minhas anotações, sempre escapa algo. Mais uma vez, obrigada pela sua enorme atenção e respeito. E pelos textos cheios de vida. Um beijo carinhoso! Michele.
Comentário enviado para o texto Nas noites frias de inverno
Anônimo
em 29/06/12

Oi, Michele! Que alegria receber sua mensagem. Se você pudesse conhecer quem fez a sopa, perceberia que meu texto apenas tenta retratar a atitude afetuosa única. A gente se nutre com a admiração, mas como expressá-la em palavras? Você expressa muito bem e me sinto muito feliz em ler o que escreve.   
Sobre sua pergunta, eu utilizo os alimentos que você citou, mas não faço uso com muita frequência. Como procuro variar bem a alimentação, acabo não comendo muito de um mesmo alimento (com exceção do alho, limão etc). Li sobre pesquisas que afirmam que o cara e o inhame fazem bem para a saúde da mulher. O cará japonês, inclusive, é utilizado para obtenção do hormônio progesterona, que serve de um tratamento alternativo para mulheres com endometriose (tratamento proposto pelo médico John Lee. Eu até procurei uma médica que me receitou essa progesterona, mas eu não utilizei, pois apesar da oferta de um produto supostamente menos agressivo, ele era feito a base de parabeno. Uma substância que contribui com o avanço da endometriose). O que eu procuro evitar mesmo é o consumo de batatas, devido ao acúmulo de agrotóxico (quando consumo, prefiro as orgânicas), excesso de amido (por esse motivo, os tubérculos, como a mandioca e outros, devem ser consumidos com moderação) e baixa composição nutricional (Além disso, antes, eu comia muita batata – frita, na forma de purê – e acabava não comendo outras variedades de nutrientes importantes, presente em legumes e verduras).
Um grande abraço, minha amiga!

Olá, parabéns pelo blog e as informações importantes que você compartilha. Estou na luta com os sintomas da endometriose a quase 5 anos e agora está profunda. Comecei a ter os sintomas 1 ano após o nascimento do meu filho mais novo e me submeti a uma laqueadura e muito me leva a crer que foi um dos fatores que desencadeou esse processo. Já passei por 3 médicos e agora acho que encontrei o caminho certo. Sei que vou necessitar de uma ou mais cirugias pela viodelaparoscopia, por estar com a bexiga repleta da focos e o ureter também com foco. Fiz a minha primeira cirurgia a dois anos pois estava com o ovário direito colado no útero e sentia dores horríveis. Realmente após mudar muitas coisas na minha vida como alimentação e inclusão de tratamento de acupuntura, que tenho o privilégio do meu marido ser acupunturista e assim pude melhor as dores em uns 60%. Mas ainda sofro com dores no período pós mestruação para fazer xixi e sofro de recorrentes infecções na bexiga. Realmente o caminho não é fácil, pois muita gente não conhece essa doença e muitas vezes até duvida da dor que sentimos, essa que não é nada fácil sentir e ainda ser mãe, mulher, funcionária, tudo que a sociedade acaba cobrando e muitas vezes não temos nem vontade de acordar e muito menos fazer qualquer coisa. Minha vida mudou muito depois da endometriose, mas aos poucos estou superando, e a acupuntura e a alimentação acho que foram fundamentais. Hoje vendo seu blog acho que só está me faltando arrumar um pouco mais de tempo para as atividades físicas e que resolvi encarar hoje como a próxima meta nessa luta. Estou no processo de fazer exames para cirurgia e confiante que as coisas irão melhorar, por indicação do meu segundo médico fui até o HC-SP, que agora atende a convênios e lá conheci um médico que atende no HU-USP no setor de endometriose e consegui um encaminhamento para o tratamento e cirurgia lá mesmo. Não sei se é fácil conseguir atendimento lá sem encaminhamento, mas até o momento estou confiante que agora estou nas mãos certas. Fica aqui a minha dica para quem tiver a possibilidade de fazer acupuntura, pode te proporcionar uma grande melhora e qualidade de vida.
Agradeço a sua dedicação e informações super úteis e com certeza agora vou sempre acessar para ver se temos mais informações e poder ajudar de alguma forma.
Comentário enviado para o texto Como superei a endometriose – Parte III 
Alessandra Onodera
em 28/06/12

Olá, Andressa:
Obrigada por compartilhar sua experiência. É uma experiência de superação, pois você tem vencido a dor por meio da transformação de seu estilo de vida. Sua história serve de estímulo para todas nós. A cada dia, com suas mudanças, você ficará ainda melhor. Eu não tenho endometriose na bexiga, segundo os exames. Mas às vezes sinto queimações. Isso ocorre principalmente quando tomo pouca água e como refeições com muito sódio (com tempero pronto em ocasiões em que tenho de comer em restaurante ou com um pouco mais de sal em receitas que eu mesma preparo). Uma das coisas que faço é tomar muita água. Não tomo líquido junto com as refeições, mas se sinto que iniciou a queimação, eu tomo água. De manhã, eu tomo dois copos de água e um limão espremido. Durante o dia, eu tomo vários copos de água. Suco de maçã (sem açúcar, na centrífuga ou no liquidificador com água) também ajuda. Além disso, o uso de alho e cebola funciona como um antibiótico diário, sem efeitos colaterais. Também conheço uma pessoa que utiliza, com sucesso, a planta panaceia (Solanum cernuum) para combater as infecções, pois tem uma importante ação diurética.
Os exercícios físicos são um remédio muito valioso. Eles combatem o excesso de estrógeno de maneira imediata, além de combater a glicose, melhorar as emoções, entre tantos outros benefícios. Obrigada por compartilhar também como está sendo seu tratamento. Isso beneficiará muitas mulheres. Escreva para contar os benefícios que você tem sentido com os exercícios físicos.
Agradeço suas palavras carinhosas. Desejo sucesso em seu tratamento!!


Fiz minha cirurgia de endometriose com o Dr. Ricardo Pereira há mais ou menos 4 anos e ele foi o anjo que devolveu a minha vida. Alé de um excelente profissional é extremamente humano e além de me livrar das muitas dores que sentia antes da cirurgia ele me deu a coisa que mais amo nessa vida, minha linda filha que hoje tem 1 ano e 8 meses e que não existiria se não fosse por ele e sua equipe, pois muitos médicos, inclusive de renome, me desenganaram, só ele aceitou me operar. Foi uma cirurgia dif[icil, durou 9 horas e cinco dias de recuperação no hospital, mais 30 dias em casa, mas hoje me sinto ótima. Também busquei uma grande mudança em meu estilo de vida e em meu psicológico, e acho que isso contribuiu muito para o sucesso da cura alcançada.
Anônimo
em 28/06/12
Agradeço por compartilhar sua história e muitos desafios e de grande superação! Fico feliz por você ter mudado seu estilo de vida. Também acho de fundamental importância o que você destacou – o psicológico. As mudanças precisam ser físicas, mas também devem ser emocionais. A mente impacta o corpo. O estresse e outros sentimentos alteram a química do organismo e desencadeiam processos inflamatórios. A endometriose é uma inflamação. Por isso, é importante refazer as emoções. Mesmo para fazer as mudanças na alimentação e no estilo de vida, estar psicologicamente bem é fundamental. Se estivermos tristes e desanimadas, nervosas e enfraquecidas, como teremos forças suficientes para mudar o cardápio e acreditar nos benefícios de uma vida saudável? O desânimo precisa ser vencido. Precisamos ter ideais, esperança, fazer planos, sonhar e colocar em ação novos objetivos, descobrir e construir uma vida com significado. Com certeza, como você disse, sua “grande mudança no estilo de vida e no psicológico” foram fundamentais. Obrigada por escrever! Um grande abraço.

Olá! Meu nome é Márcia e sou portadora de endometriose profunda. Tenho 44 anos. Retirei o útero em maio de 2010 e após a cirurgia tive sangramento durante 21 dias. Operei com uma médica ginecologista. Que arrependimento!!! Tive várias complicações. Após ressonância magnética, descobri que tenho endometriose profunda. Meu intestino está comprometido, como consta também na colonoscopia que fiz, parte do reto, bexiga e etc. Fiz tratamento com a vacina zoladex 3.6 durante 6 meses e confesso que a dor sumiu. Tenho muito gases, estou inchada (estou pesando 90 quilos), tenho uma barriga enorme (vive inchada) e o transtorno do humor. Mudo com muita facilidade. Faço uso contínuo do anticoncepcional cerazette a mais de 10 anos e continuo usando mesmo após a cirurgia, pois permaneci com meus ovários. O médico que me acompanha não quer me operar. Procurei opinião de outros e permanecem com a mesma ideia. Vou levar meu diagnóstico para médicos cirurgiões avaliarem. Graças a Deus estou viva e superando dia a dia esse problema. Estou disposta a mudar minha alimentação e praticar esporte (depois que meu pé fraturado melhorar). Não desistam!!! Vocês não são as únicas. Deus tem um plano na vida de cada um. Abraços!!!!
Comentário enviado para o texto Como superei a endometriose – Parte II

Oi, Márcia. Também sinto que não deveria ter perdido meu ovário direito. Outro médico me disse que talvez não precisaria ter retirado o ovário. Mas eu tinha tão pouco conhecimento e estava tão assustada, que aceitei a cirurgia. Quando me lembro disso, também me lembro do que já foi falado – “mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo [...]” (Filipenses 3:13). Foi escrito por um judeu romano, que possivelmente tinha uma doença crônica, há milhares de anos, num contexto religioso, com um objetivo diferente, pois ele buscava a soberana vocação de Deus e de modo surpreendente a tinha encontrado. Mas me serve de força, a força que preciso para prosseguir. Graças a Deus você está viva! Há tanto tempo você está lutando contra essa doença, mas tem procurado a cura. Você é uma vitoriosa. Com as mudanças que fiz na alimentação e com os exercícios físicos, eu melhorei muito mesmo. A endometriose diminuiu. Mesmo que seja difícil no início, busque fazer exercícios físicos diariamente. Isso é um grande remédio e ajudará muito na sua recuperação. Tem um médico Paulo Farber, com doutorado pela USP, que conseguiu emagrecer com mudança de estilo de vida. Embora eu faça uma dieta diferente da dele (ele come carne, eu não como mais; entre outras diferenças), acho a convicção que ele adquiriu sobre estilo de vida impressionante (Veja o texto). Além disso, se você tiver condições, veja se interessa ir a uma clínica de saúde (Veja o texto). Nem sempre é fácil fazer as mudanças, e eles podem ajudá-la nesse começo.
Márcia, o organismo tem uma capacidade de recuperação extraordinária. Com a mudança de estilo de vida, você ficará realmente melhor, será possível vencer a endometriose (apesar de ela ser uma doença crônica) e viver uma vida normal, mesmo com a endometriose profunda.
Estarei pensando em você! Desejo sucesso nas consultas e no seu caminho de cura. Você trouxe uma mensagem de força e confiança para todas nós! Obrigada!!
Com carinho!

Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:








Parasitose e endometriose

9 de julho de 2012
Existe uma associação entre câncer e parasitose. Embora a medicina aliada à indústria farmacêutica não esteja muito interessada nesse fato, sabe-se que combatendo os vermes – o que requer pouco dinheiro –, combate-se doenças crônicas que demandam tratamentos caros.

A endometriose poderia apresentar também uma associação com parasitas? No meu caso, quando fui diagnosticada com endometriose, descobri que estava com vermes. O exame de fezes detectou a verminose e o de sangue apontou eosinofilia alta. Os eosinófilos são detectados pelo exame de sangue normal. Em geral, quando estão altos, os médicos pensam em alergia. Mas nem sempre mencionam que é sinal sugestivo de verminose.

Li um texto escrito pela jornalista Sônia Hirsch que cita de passagem uma pesquisa de uma médica canadense, Hulda Clark, que associa a endometriose à verminose. É verdade que somos compostos por milhões de micro-organismos, mas a associação entre parasitose e endometriose consistiria realmente em uma hipótese provável?

Um dos maiores especialistas em endometriose no Brasil, com grande destaque internacional, o médico pesquisador Maurício Abrão, da Universidade de São Paulo (USP), certa vez operou uma de suas pacientes para retirar a endometriose do intestino. Além de endometriose, ele e sua equipe encontraram vermes. Dentro da lesão de endometriose no sigmóide havia ovos de Schistosoma mansoni. Embora descrevam o fato como sendo raro, a conclusão que os médicos chegaram foi: “Endometriose e esquistossomose podem estar presente simultaneamente em pacientes com sintomas intestinais e dor pélvica.” O estudo foi publicado na revista Fertility and Sterility (Volume 85, n. 4 , p. 1060. 2006). 

O Dr. Abrão não foi o único a relatar a associação entre endometriose e parasitose. Pesquisadores chineses encontram ovos de schistosoma mansoni no ovário, em focos de endometriose. No local, havia inflamação com a produção de eosinófilos (KAMFAI, Lee; SWEI, Hsueh; MINGHWA, Tang. Schistosomiasis of the ovary with endometriosis and corpus hemorrhagicum: a case report. In: Chang Gung Medical Journal, Vol. 23 No. 7, p. 438-441. 2000). Outro relato médico registra o caso de uma mulher com 40 anos que foi hospitalizada devido a uma obstrução no cólon. A mulher era portadora de endometriose intestinal. Além da endometriose, o exame anatomopatológico detectou esquistossomose. De acordo com os pesquisadores, a literatura médica indica “endometriose combinada com esquistossomose como uma possível etiologia da obstrução colônica mecânica”. (ESTLEIN, D.; SIEGAL, Um.; WOLLOCH, Y. Colonic obstruction due to endometriosis and schistosomiasis. In: Harefuah, jun 2;130(11):737-9, 800, 799. 1996)  Há outros estudos que indicam a associação entre helmintos e endometriose (POLINESS, Anne; LEE, Anna; WEIN, Peter; MOSS, Sharon. Pelvic helminthic disease masquerading as endometriosis. In: Australian and New Zealand Journal of Obstetrics and Gynaecology, vol. 44, n. 1, p. 72–74. 2004). 

Pesquisadores do departamento de patologia da Rush University Medical Center, Chicago, Illinois, investigaram as causas de fezes amolecidas e perda de peso em uma mulher de 46 anos, portadora de endometriose, fibromialgia e síndrome de intestino irritável. Outros médicos teriam, provavelmente, encerrado o caso ali mesmo. Se a paciente tinha endometriose e síndrome do intestino irritável, a alteração nas fezes e no peso seriam sintomas esperados. Mas esses médicos pediram endoscopia digestiva alta, colonoscopia, biópsia e análise histológica. Após uma investigação minuciosa, encontram numerosas giárdias no íleo terminal, um lugar incomum para esse parasita. O artigo com o relato do caso foi publicado em fevereiro deste ano (HEAGLEY, Dawn E.; JAKATE, Shriram. Giardiasis confined to the terminal ileum. In: Clinical Gastroenterology and Hepatology, Volume 10, Issue 2 , Page A28, fev. 2012). A giárdia é uma infecção muito comum causada por protozoários. Como disse, quando descobri a endometriose, eu também fui diagnosticada com vermes – giárdia lamblia. 

Um relato de caso é particularmente interessante. Uma mulher que estava com sintomas sugestivos de endometriose, na realidade, tinha esquistossomose. A aparência dos focos, observados por laparoscopia, indicava endometriose, mas só a biópsia foi capaz de revelar que se tratava de parasitose (JONES, Kevin D.; OKARO, Emeka O., SUTTON, Christopher. In: EuropeanJournal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology, vol. 106, n. 2 , P. 227-229. 2003.)    
   
Não sei qual é a relação estatística entre endometriose e vermes. Provavelmente, nem a ciência sabe. Não posso afirmar que seja comum nem raro. Creio que os médicos também não podem fazer essa afirmação. Mas todas as mulheres, com endometriose ou não, deveriam considerar mais atentamente a questão da parasitose, um fator desencadeador de muitas doenças complexas. Fazer o exame de sangue e avaliar se há ou não eosinofilia é um bom começo, além dos exames de fezes repetidos (Em geral, os médicos pedem apenas uma amostra). De acordo com Sônia Hirsch, os exames para detecção de verminoses estão menos eficientes do que no passado. Além disso, os médicos não foram treinados para priorizar o diagnóstico da parasitose como garantia para a saúde integral do paciente. E, por fim, o tratamento oferecido pode eliminar também nossas defesas naturais, como as bactérias benéficas que colonizam nosso intestino. O que fazer?

É necessário aprender mais sobre parasitose. Usar diariamente alimentos que combatem vermes e deixar de usar aqueles que os fazem proliferar, como o açúcar, por exemplo – o doce que já consegui eliminar da minha alimentação. O ideal é fortalecer o organismo e a imunidade e não simplesmente focar na eliminação do verme. De qualquer forma, independentemente de um diagnóstico de parasitose, uma dieta antivermes também é eficaz para o combate à endometriose.



Dicas para combater a parasitose:

1. Veja as dicas de chá do site da Fiocruz.
Sônia Hirsch, quando percebe algum sintoma, usa chá de losna por três dias.

2. Eu utilizo alho diariamente (um dente moído de alho cru com água, além do uso na alimentação). Sônia Hirsch tem outras dicas sobre o uso do alho em seu site. 

3. Higienizar o alimento. Usar uma colher de sopa de peróxido de hidrogênio (água oxigenada) a 3% ou mais, em 3,5 litros de água. Usar 1 colher de sopa de vinagre de cidra, maçã ou vinho para 3,5 litros de água (não elimina todos os parasitas). Usar Clorox(TM), durante 10 minutos, depois mais 10 minutos lavando em água limpa. Fonte: http://www.soniahirsch.com/2009/03/vermes-melhor-nao-te-los.html

4. Outras dicas: coco ralado; leite de coco natural; semente de abóbora sem casca; chá de hortelã diariamente; eliminar açúcar; açúcar com leite serve de alimento para vermes; diminuir o sal; beber muita água (de manhã, eu bebo dois copos de água e um limão e faço atividade física.). Alimentar-se de maneira saudável.

5. Higiene: o costume de comprar algo, colocar a mão no dinheiro e comer algo, sem lavar as mãos deve ser corrigido; lavar as mãos sempre.

6. Consulte um médico. O ideal seria encontrar um médico que ofereça um tratamento mais natural. Mas se não há, melhor tratar com remédios do que não tratar.

7. Se for tomar um remédio que ataque o fígado, use também cardo-mariano, um protetor hepático ou outros remédios que protegem o fígado (hepatoprotetores).

Saiba mais sobre os sintomas de verminose:



Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:





quarta-feira, 20 de junho de 2012

Nas noites frias de inverno

20 de junho de 2012

Às vezes, é necessário não comer. Esforçar-se para deixar de lado. Mas só tira quem acrescenta. Um sabor agressivo não pode ser simplesmente eliminado. Ele vive em nós, vive na memória das papilas, vive reascendendo-se no cérebro, colado a lembranças delicadas, ainda que termine pesado e indigesto. Sabores doces e salgados não apenas definem receitas, são também emoções alimentares e eventos gustativos. Cheiros de açúcar. As memórias são geridas pelos acontecimentos sob o vinho da digestão, aromas, desenhos de comida. O alimento fermenta a vida. O corpo pede, a memória pede, as emoções suplicam e as melhores coisas que vivemos parecem estar ligadas ao que agora ouvimos dizer que não devemos comer.

Nenhum sabor pode ser eliminado. O sabor é aquilo que somos, além da maquinaria física. Retirar um prazer por decreto é aprisionar-se ao gosto insosso, celebrar a estética gastronômica triste em jantares austeros. Assusta.  

Sabores precisam ser trocados por outros, por ingredientes suaves, adocicados e fortes ligados e ligando-se a novas histórias, repletas de doces e salgados recém-colhidos. Assim como fez um amiga com endometriose. Contou-me que ao transformar sua alimentação, convidou os pais e sogros para jantar em casa. Ela reuniu os produtos orgânicos e fez uma sopa.

Minha querida amiga, a quem tanto admiro, peço licença a você para reproduzir suas palavras: “Trata-se de uma experiência que vai alcançando todos à nossa volta. Ontem à noite fiz uma sopa com todos os legumes e vegetais orgânicos que tinha em casa. Com muito alho, cebola e cheiro verde e pouco sal. Meus sogros e meus pais foram em casa comer e amaram. Eles se sentiram animados a comer mais saudável também. É muito gratificante tudo isso; é como uma corrente que vai se disseminando.”

Nada expressa melhor do que essas palavras.

O frio com sopa, memórias da culinária da estética alegre. Uma sopa sem tantos ingredientes – temperos prontos, tabletes, leite, parmesão, cremes industriais... –, com tantos outros, com muito a dizer em seus legumes e verduras orgânicas de cores variadas, temperos naturais, combustível de sonhos realizáveis. A transformação nutre a possibilidade até o ponto de lhe dar uma forma, um novo trajeto neuronal, redesenhando suavemente a trilha gastronômica da memória, re-ensinando as papilas, com criatividade e convicção. A sopa reúne a família, se faz comida-ensinamento, se fez cuidado, finaliza-se com leveza e ânimo. A sopa aquece a longevidade, agrega-se aos enredos, faz-se prazer e cura, enquanto passamos pelas noites frias de inverno rumo à estação seguinte.



Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:




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