segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Anticoncepcional e endometriose


25 de fevereiro de 2013

Em minha história pessoal, da perda da saúde para a descoberta da doença, há um divisor de águas: o anticoncepcional. Antes de usá-lo, eu não tinha dor, nem menstruação excessiva, nem endometriose. Depois de um ano de uso, meu ciclo menstrual estava alterado. Algum tempo depois da interrupção do uso da pílula, descobri a endometriose.

Nenhuma das mulheres de minha família tem endometriose, nenhuma usa ou usou anticoncepcional, minhas irmãs não têm filhos. Apenas eu usei, apenas eu fui diagnosticada com a doença que pode apresentar ligações hereditárias. Embora minha realidade familiar ou a observação do meu corpo antes e depois do uso da pílula não tenham valor científico, pessoalmente, acredito que o anticoncepcional está relacionado com o aparecimento da endometriose em meu corpo. Não consta em bula, mas minha suspeita tem indícios que vão além de uma mera impressão pessoal. 

Seria coincidência ter surgido uma epidemia de endometriose em apenas algumas décadas depois do uso maciço da pílula e da nova pílula (O Yasmin chegou ao Brasil em 2001)? A doença não é nova, mas seu caráter epidêmico sim. Enquanto a mulher está utilizando a pílula, dizem que a chance de ter endometriose é pequena – deve ser por isso que a medicina tem indicado repetidamente o anticoncepcional para “prevenir” ou “tratar” a endometriose –, mas após a interrupção do uso da pílula, para engravidar ou aliviar o organismo dos efeitos colaterais da droga, milhares de mulheres, cedo ou tarde, acabam sendo diagnosticadas com focos de endometriose no útero e no ovário. A ciência comprova o primeiro resultado – aparente proteção durante o uso –, mas não quer nem saber de investigar o que me parece o mais importante: o que acontece, de fato, com a mulher após a interrupção da pílula? Se a endometriose surge ou aumenta isso tem a ver com a falta da pílula ou, mais precisamente, com o fato de a mulher tê-la utilizado no passado. Eu acredito na segunda opção. 

Se a pílula é tão boa assim, sendo tão extensivamente utilizada, por qual motivo uma multidão de mulheres em todo o mundo ocidental adoeceu dos hormônios (mulheres com endometriose têm padrão hiperestrogênico)? Por que elas usaram e deixaram de usar ou por que, simplesmente, elas usaram? Não são todas as mulheres, nem poucas as mulheres que recebem o diagnóstico de endometriose após o uso da pílula. Isso aconteceu com você? Aconteceu comigo. 

Não se trata de apontar uma causa única para a confusão hormonal que se instala no corpo da mulher com endometriose, mas alertar para os efeitos diretos e indiretos de uma droga amplamente comercializada, que impõe hormônios sintéticos na corrente sanguínea e modifica, sem pudores, o delicado equilíbrio hormonal do corpo feminino. Contra a pílula tem se acumulado, aos poucos, alertas médicos, resistente à forte maré da Big Pharma – expressão utilizada para designar a multimilionária indústria mundial dos fármacos. Você já leu alguma denúncia contra as pílulas na mídia ou teve acesso a pesquisas acadêmicas? 

A droga que nos libera para o sexo sem filhos é responsável por outras doenças tão ou mais graves que a endometriose. Os hormônios artificiais das novas pílulas, semelhantemente aos caminhões nas estradas que cortam São Paulo, são capazes, embora nem sempre o façam, de obstruir o trânsito sanguíneo, deixando o sangue espesso, lançando sujeira na circulação corpórea, favorecendo “trombos”, “coágulos” ou “congestionamento de sangue”.

Veja o resumo de alguns artigos publicados por jornais sobre a relação entre trombose e anticoncepcional:

1.   Folha de S. Paulo: França investiga mortes causadas por pílula (Veja). A agência de regulação de medicamentos confirmou a relação direta entre a morte de quatro mulheres, por trombose venosa profunda, e o uso do Diane 35 e genéricos. A pílula está ligada a AVC (Acidente Vascular Cerebral) e outros problemas.
2.   New York Times: More Detail on Risk Urged for a Contraceptive Label (Veja) O artigo trata da discussão nos EUA sobre a necessidade de um rótulo alertando os riscos da pílula. Um Comitê Executivo disse que os benefícios ainda superam os riscos, mas a FDA afirmou que os riscos têm se mostrado elevados. Há mais de 10 mil ações judiciais movidas contra a Bayer, alegando que as mulheres têm sido prejudicadas pelo YAZ e o Yasmin. Além disso, a Bayer promoveu a pílula como um remédio para aliviar a tensão pré-menstrual, sendo que não é essa sua função, alertou um médico.
3.   The Guardian: France confirms Diane-35 drug deaths (Veja) 
4.   Folha de S. Paulo: Estudos apontam que anticoncepcionais aumentam o risco de trombose (Veja). Os novos anticoncepcionais como o YAZ e o Yasmin (a base de drospirenona) têm 75% de chance a mais de causar trombose do que os anticoncepcionais antigos (a base de levonorgestrel).
5.   Folha de S. Paulo: EUA avaliam risco de trombose por uso de anticoncepcional (Veja). A Bayer enfrentou ação judicial nos EUA por morte de adolescente devido a coágulo sanguíneo grave supostamente associado ao YAZ. Segundo a Bayer, a bula informa sobre os riscos.
6.   Folha de S. Paulo: Anvisa alerta sobre anticoncepcional com hormônio Drospirenona (Veja)
7.   Folha de S. Paulo: Anticoncepcional não oral aumenta risco de trombose (Veja) Adesivos, anéis vaginais, implantes subcutâneos podem parecer “inocentes”, mas também aumentam o risco de trombose. Há um excelente infográfico nesta matéria.
A indústria farmacêutica, aliada a setores da medicina, esclarece que o risco de trombose profunda é pequeno, por isso não haveria motivos para preocupações ou proibições. Apenas algumas mulheres, de fato, morreriam em decorrência direta do efeito do remédio. Mas o que dizer de outras doenças? Algum pesquisador já investigou a relação real entre anticoncepcional e endometriose? Depois que a mulher interrompe o uso do anticoncepcional, como seu corpo reorganiza a produção de hormônios? Haveria uma relação entre trombose e endometriose? Por que mulheres com endometriose apresentam também trombofilia? Qual a relação entre trombofilia e anticoncepcional? Há uma extensa agenda temática de pesquisas importantes. 
Quando meu marido viu o endometrioma de 15 cm retirado junto com meu ovário, o descreveu como um impressionante “congestionamento de sangue”. O sangue que deveria ter sido “bombeado” para fora de meu organismo ficou no ovário e se acumulou densamente, como um grande trombo a tomar o lugar de um bebê. Por pouco, o trânsito geral não para. Se a endometriose acumulada tivesse se rompido, haveria risco à vida.  
Anticoncepcional provoca endometriose? De acordo com a bula, não. Observando meu organismo, sim. Lendo a bula novamente e vendo a quantidade de mal que causa, essa relação se faz certa, ainda que indireta. A partir da minha experiência, falaria de relação direta. Boa parte da ciência, por enquanto, parece que nem mesmo fez a pergunta básica: qual a relação real entre anticoncepcional e endometriose? No meu caso, se a passagem da saúde para a doença foi definida pelo anticoncepcional, o caminho inverso, da doença para a saúde, foi construído com a mudança de meu estilo de vida, com a interrupção do uso de pílulas, para que o delicado e tênue equilíbrio hormonal seja, aos poucos, reestabelecido e o trânsito orgânico flua com liberdade, sem paralisias.
Sexo livre é sexo saudável. Se a endometriose invade todo o aparelho reprodutivo, com potencial de destruir a saúde dos ovários e útero, e aniquilar o prazer sexual – a penetração se transforma em dor – e se realmente houver uma relação direta e/ou indireta entre anticoncepcional e endo, como acredito que há, a indústria está nos vendendo uma falsa liberdade. A liberdade sexual não se faz tirando a liberdade reprodutiva. A liberdade sexual não existe se, no final, a doença avança e perde-se o sexo. A verdadeira revolução não se faz com a introdução de substâncias violentas no corpo feminino, causadoras de trombos, possivelmente causadoras de endometriose, que não respeitam a sensibilidade de nossos vasos sanguíneos e sua maneira complexa e bela de se comunicar e produzir hormônios.  
Não uso mais anticoncepcional. Amo o sexo demais para voltar a fazer isso. Jamais voltarei a usar o Yasmin ou colocar adesivo como o médico referência em endometriose me sugeriu que fizesse. Não uso anticoncepcional, menstruo todo mês, minha saúde está muito melhor. A endometriose diminuiu.
A doença aprisiona. A pílula não nos liberta.

Eu reaprendi a ser livre.


Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.


Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.




domingo, 10 de fevereiro de 2013

Pensar demais na endometriose faz mal?

 
10 de fevereiro de 2013

No entra-e-sai de consultas médicas, uma fala comum: “Pare de pensar na endometriose.” Quando a recomendação médica parte de um profissional que desconhece a gravidade da doença, eu a desconsidero. Mas se quem fala é um especialista, ele poderia estar certo? Pensar demais na doença provocaria ansiedade desnecessária? Quanto mais endometriose na mente mais endometriose no corpo?

Em janeiro, li no New York Times o obituário de Susan Nolen-Hoerksema, professora de psicologia da Universidade Yale, morta aos 53 anos. Para Nolen, mulheres overthinking adoecem mais (Veja). Em outras palavras, mulheres que pensam demais vivem menos.

Tenho um blog sobre endometriose, no qual escrevo não apenas sobre a possibilidade de cura, mas também sobre as ameaças de uma doença traiçoeira. Sou assumidamente uma mulher overthinking. Sendo assim, o blog, como representação máxima desse pensamento, estaria me fazendo mal? Estaria fazendo mal a você que, contrariando aqueles que dizem “pare de ler sobre isso”, entrou nessa página anônima mais uma vez? Talvez você tenha decidido que tirar a endo da mente é um passo essencial para tirá-la do corpo. Talvez, tenhamos ouvido isso, após fazer uma pergunta sobre a qual a medicina não tem resposta; após expor uma dor para quem, simplesmente, por mais que nos ame, não sabe o que fazer com ela. Se dói, melhor não mexer. Se a resposta constrange ou desafia, combatam-se as perguntas. Mas se a dor beira o insuportável, esquecer é possível?
A endometriose é barulho. Em que silêncio há refúgio quando a dor avança?
Entrei no Estante Virtual e comprei, com pitadas de esperança e desconfiança, o livro de Nolen: “Mulheres que pensam demais” (Editora Alegro, 2003). Morei durante três anos na casa de uma família em que o marido era psicólogo. Eu folheava de tempo em tempo um livro da estante. O enredo se repetia convenientemente, socraticamente à necessidade do mercado: muita descrição da doença, e onde estavam as respostas? Lembranças e mais lembranças numa fala sofrida por anos a fio, e o silêncio-outro me resgata? As páginas finais eram melancolia.
O que Nolen me diria? O que haveria em seu olhar de pesquisadora sênior? O livro azul royal de capa estilizada em cima da minha mesa deve ter saído de uma banca promocional empoeirada do sebo paulista. Para quem acha que ciência boa é ciência que não se comunica, a capa ilustrada soa de antemão como livro de autoajuda de quinta categoria. Por vezes, me surpreendo: quanto tesouro escondido nossa visão inimiza.
É um livro benjamin button, que subverte o relógio livreiro da ciência da mente. Popular sim, e de palavra essencial. Vamos ao quarto capítulo da obra, tópico 11: “Pensamentos tóxicos – Pensando demais nos problemas de saúde.”
Se a doença põe a vida em risco, o pensamento excessivo é inevitável. O mesmo vale para a doença não mortal, mas que invalida, deforma, dói, desemprega, exige procedimentos médicos invasivos. Como não pensar sobre isso? Nolen nos ensina em como pensar sobre isso, diante de médicos que “não se comunicam bem”, diante de “opiniões conflitantes de médicos diferentes”, diante de um “serviço de saúde cheio de gente rude e atolada de trabalho, que não dá a menor bola para nossa dignidade e bem-estar”. Ela começa bem.
Nolen fala de Michelle, 33 anos, casada, redatora em uma revista feminina, diagnosticada com câncer de mama. A doença matara duas de suas tias, atingira sua mãe, havia chegado a ela. Antes do diagnóstico definitivo, ela ruminou sobre a doença, sobre a morte, a deformação, a dor, sem parar, sem tréguas. O livro relata pesquisas que demonstram que o pensamento excessivo leva ao pessimismo, à desesperança, ao sentimento de desamparo e pode fazer com que a mulher cuide menos de si mesma. Ciente disso, Michelle procurou controlar seus pensamentos.
Mas depois do resultado positivo da mamografia, ela ficou muito ansiosa, seus pensamentos a atordoavam. Ela então pediu que a médica saísse por um momento, após o exame. A contragosto, a médica saiu da sala. Nesse tempo, Michelle se acalmou e anotou uma lista de perguntas que queria fazer.
Quando a médica retornou, Michelle fez todas as perguntas e ouviu as respostas atentamente. Ela não estava convencida da decisão da médica em relação a uma cirurgia e pediu um encaminhamento para outro médico a fim de ter uma segunda opinião. “Isso incomodou a médica enormemente, e Michelle sentiu um surto de culpa e constrangimento. Mas, então, deu um passo para trás mentalmente e ralhou consigo mesma por se sentir culpada por cuidar de si mesma. Ela fincou pé”, e a médica lhe deu a indicação requisitada.
Nolen diz que o pensamento excessivo de Michelle quase a impediu de fazer as perguntas necessárias e de enfrentar a postura equivocada da médica. Quando a médica se mostrou contrariada, Michelle começou a ter pensamentos de culpa. “Tal culpa infelizmente é comum em mulheres – não suportamos o pensamento de chatear alguém, sobretudo um médico importante [...]”. Se não fazemos o que temos que fazer, isso se torna motivo de mais pensamento excessivo.
Antes da nova consulta, Michelle continuou tendo pensamentos excessivos. Acordava à noite, não conseguia dormir. Pensava em como a doença afetaria seu casamento, seu pequeno filho, pensava na questão financeira, fazia várias projeções mentais de desfechos hipotéticos. A insônia prejudicou seu desempenho no trabalho. “A fadiga nutriu uma crescente depressão pela preocupação com a saúde”.
“Um dia, quando estava com o olhar fixo na tela do computador, ruminando morbidamente se Jason ainda a acharia atraente depois da cirurgia de mama, ela gritou 'Pare!' alto o bastante [...]. Michelle respirou fundo algumas vezes e, então, disse a si mesma: ‘Isso está me despedaçando. Não quero viver na desgraça. Não vou deixar que isso tome conta da minha vida.’ Ela levantou-se [...], saiu do prédio para dar uma caminhada revigorante em volta da quadra. Quando chegou a uma pracinha perto do escritório, sentou-se em um banco e começou a rezar a Deus por ajuda para fazer frente a suas preocupações. Ela juntou as mãos em concha literalmente e simbolicamente estendeu suas lágrimas para que Deus pegasse. Uma mulher [...] passou pelo bancou de Michelle e olhou-a de um jeito estranho, mas Michelle sentiu uma onda de alívio arrebatando-a.”
Michelle acreditava em Deus. A fé em Deus a confortou ao “longo dessa experiência cruciante, mas suas crenças religiosas também foram testadas pela experiência”. Michelle se perguntava qual era o propósito dessa experiência, qual era a força de sua fé. Por que Deus permitira a doença? Seu questionamento significava que a fé era insuficiente? Segundo Nole, as questões relacionadas à fé podem levar aos pensamentos excessivos mais perturbadores. A mais terrível culpa por questionar a Deus ou a religião. O que aconteceria depois da morte? Se Deus é amor, por que existe o sofrimento? “Michelle finalmente chegou a uma conclusão sobre suas perguntas.”
Diante de outras inquietações, Michelle tinha dificuldades de se concentrar no trabalho. Então, passou a anotar rapidamente seus sentimentos e esperar um momento mais tranquilo para voltar a eles e buscar respostas.
Quando soube que teria de fazer a cirurgia, Michelle estava acompanhada do marido. “E suas lágrimas correram. Jason segurou-a firmemente enquanto ela soluçava.” Ela respirou fundo, foi até a pia, lavou o rosto e pediu que Jason a acompanhasse em uma caminhada ao redor de um lago. Enquanto caminhavam, ela expôs todos os seus medos – medo de morrer, medo de que ele não a achasse mais atraente... Jason a escutou e a confortou. Seus pais também a escutaram e a confortaram. Ela contou para os amigos e colegas de trabalho. Muitos foram solidários, alguns ficaram em silêncio, uma colega a desanimou. Então, uma amiga a ajudou a lidar com aqueles sentimentos.
Mesmo sem um marido, mesmo sem uma família, é preciso procurar escuta. Alguém com quem dividir a dor é essencial.
Michelle decidiu fazer uma reportagem para a revista sobre câncer de mama. Ela “sentiu-se melhor ao escrever tudo. Enquanto digitava no computador, lágrimas escorriam por seu rosto. Ainda assim, sentiu um tremendo alívio da tensão enquanto vertia os detalhes de suas experiências e pensamentos em palavras.”
Escrever nos faz bem. Revelar as inquietações é importante. Interagir é terapêutico.
Depois da cirurgia, Michelle vez ou outra se via diante dos pensamentos excessivos. Será que a doença voltaria? Então, pouco a pouco, ela foi reforçando estratégias e adotando outras. Fez outras reportagens, decidiu sair uma hora mais cedo do trabalho para ficar com o filho, resolveu praticar exercícios físicos com frequência, melhorou sua dieta saudável, “acrescentaria um vegetal extra em cada jantar para aumentar a ingestão de alimentos anticancerígenos”.
Ela também buscava informações de qualidade para responder a seus anseios e melhorar sua relação com os médicos (se por um lado, a informação pode melhorar nossa relação com os médicos; por outro, pode piorar a relação de alguns médicos com a paciente. Se acontecer, nada de culpa); anotava os temas do pensamento excessivo e voltava a eles em um momento mais calmo; além de escrever sobre o assunto e fazer palestras públicas sobre a conscientização do câncer.
Dizia a si mesma, quando perguntava qual era o propósito daquela doença: “Só Deus sabe por que estou passando por isso; quero apenas aprender a viver de modo positivo com isso; cresci muitíssimo como pessoa.” Além disso, quando os pensamentos tóxicos voltavam, ela admitia a si mesma: “Isso é natural. Tenho o direito de me sentir assim.” Mas adotava estratégias para não deixar que esses pensamentos a dominassem. “Ela tentava escutar os pensamentos, talvez escrevendo.”
“Algumas pessoas acusaram Michelle de soar como Pollyanna quando falava sobre o que tinha aprendido e o quanto havia crescido em sua luta contra o câncer. De início, isso abalou Michelle, mas depois, ela percebeu que o otimismo e o foco no aspecto positivo eram o que ela precisava fazer, e não podia deixar que os outros lhe roubassem isso.[...] O otimismo de Michelle não supunha que a cura iria cair do céu ou que tudo ia ficar bem – formas de negação que algumas pessoas utilizam para encarar doença e privação. Michelle sabia que estava em apuros e que o histórico familiar de câncer de mama e sua pouca idade não contribuíam para um prognóstico cor-de-rosa. Mas ela optou por permanecer esperançosa e conservar o espírito de luta. Também optou por assumir o controle de seu tratamento médico e de sua vida tanto quanto possível, em vez de sucumbir a sensações de desemparo [...].”  
Quanto mais escrevo, quanto mais falo, quanto mais interajo, quanto mais oro, quanto mais me exercito e cuido de minha alimentação, quanto mais leio e descubro realidades incríveis, quanto mais penso na endometriose, menor ela fica.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Endometriose: uma notícia que me fez feliz

31 de janeiro de 2013

Hoje, meu marido me surpreendeu com um texto que ele escreveu sobre nossa luta para superar a endometriose. Ele tem sido uma força constante em minha vida.

“Sua esposa tem endometriose.” Essas foram as palavras que me fizeram chorar de alegria. Sim, é isso mesmo. Elas me trouxeram felicidade e alívio diante do que até então havia sido indicado como câncer no ovário de minha esposa. Apresentado à endometriose nesse contexto, tomei-a como boa-nova e agradeci a Deus. 
Depois da cirurgia de retirada de seu cisto ovariano (poderia até chamá-lo de cesto, tendo em vista suas dimensões nas mãos da médica), voltamos para o conforto do lar. Poderíamos retornar para as guloseimas da geladeira e para o sedentarismo entrecortado de caminhadas ocasionais em meio à fumaça dos automóveis. Teríamos nossa vida de volta.
A recuperação de minha esposa foi rápida. Na terceira semana, reunindo coragem e teimosia, ela tomou o ônibus para São Paulo para seus compromissos profissionais. Sua coragem e determinação sempre me impressionaram. Infelizmente, o resultado foi uma gripe que parecia incurável. Ela se sarou mais pela vontade aguerrida do que por qualquer outro remédio. Como diz o adágio espanhol, tratava-se de “imponer-si o morir”.
Passados alguns meses, em que vi minha esposa enfraquecer em um emprego que parecia bom para quem o via de fora, motivei-a a pedir as contas. Relutante, ela aceitou meu conselho. Determinada, falou com a chefia. Ela precisava se cuidar. Eu não tinha minha esposa de volta para vê-la morrendo aos poucos.
Para saber de suas reais condições de saúde precisávamos de um especialista. Não queríamos passar novamente pelo trauma de um diagnóstico errado. Na cidade em que moramos, o médico do ultrassom que a examinou talvez tivesse dificuldade para discernir a diferença entre o coração e a vesícula. Em outra paciente, chegou a confundir gravidez com mioma. De fato, precisávamos de alguém que nos desse segurança. Não importava o preço. Nessas horas, fazer economia é o pior negócio. Se fosse para tentar adivinhar o problema, poderíamos consultar a mãe Dináh... 
O especialista nos mostrou exatamente qual era a realidade. Focos de endometriose alastrados, do ovário que restara ao intestino, aderências, ou seja, uma nova cirurgia seria necessária. O tratamento com remédios era indispensável.
Ela sempre foi resistente a tomar remédios. Mas eu insisti para que ela os tomasse. Não tinha o que fazer! Porém, diante do beco sem saída, ela concluiu que a coisa certa a fazer era cavar um túnel. Ela jamais se satisfez com o caminho mais fácil. Deveria existir alguma coisa na natureza que de fato traria os benefícios necessários, sem os terríveis efeitos colaterais dos remédios. O Bom Pai haveria de lhe ajudar. Cético, eu queria ver para crer. Então, comecei a ver...
A mudança do estilo de vida da minha esposa lhe trouxe nova vida. Renovou suas energias e despertou novos sonhos. De forma inacreditável, a endometriose regrediu. Inicialmente, minha parte, além de acompanhá-la nos exames e consultas, limitava-se a não atrapalhar seu tratamento natural. Parei de levar as guloseimas para casa. Comecei a devorá-las sozinho, no carro mesmo, logo que saía do supermercado.
Com o tempo, ela foi ganhando vitalidade. Enquanto isso, eu ganhava uma bela pança. Em nosso sexto ano de casamento, estava 16 quilos mais pesado. Meu fôlego estava ficando mais curto, e a sensação de cansaço só aumentava. Então, percebi que quem precisava de tratamento era eu. Resolvi seguir, dentro do possível, a dieta da minha esposa. Nos unimos para lutar contra o sedentarismo e fomos em busca de um lugar com Sol e jardim para viver.
De forma lenta e gradual, fui me aproximando do peso ideal (ainda chego lá). Ganhei mais fôlego e bem mais disposição. A busca por um lugar melhor para viver nos tomou muito tempo e energia. Mas conseguimos trocar, com um pequeno lucro financeiro, uma casa pequena, insalubre, em um terreno apertado, por uma casinha simples, mas cheia de Sol em um terreno bem maior.
Talvez, se você olhasse para mim não veria grande demonstração de vitalidade. Se conhecesse minha nova casinha, talvez risse de minha empolgação. Mas o convido a não olhar para o que é aparente e limitar-se simplesmente a conclusões tiradas de uma observação desapaixonada. Eu convido você a experimentar o estilo de vida que é proposto neste blog. Ele pode ajudar em muito a mulher que vive a experiência de buscar solução para a endometriose. Mas ele não se limita a isso. Este blog fala do intenso desejo de uma pessoa em ser melhor amanhã do que foi hoje. Minha esposa me mostrou que atrás de cada descoberta ainda existem milhares de outras descobertas que nos aguardam na próxima curva da estrada. Buscar a cura é pouco, quando podemos lutar pela excelência. Nunca teremos saúde perfeita, nem qualquer tipo de perfeição. Mas se temos em vista um ideal elevado, se queremos agarrar a pérola de grande preço, não sentiremos dó ao lançar fora as moedinhas que ocupam nossas mãos.
Se você estiver tentando mudar, não se lamente pelo que você deixou de fazer ou comer. Alegre-se pelo que ainda virá. Não se deixe sofrer pelo que lhe rouba saúde e vitalidade. Ame tudo o que lhe traz vida e, ao amar a vida, você receberá de volta esse amor. É isso que minha esposa tem me ensinado.
 

domingo, 20 de janeiro de 2013

O Sol


 20 de janeiro de 2013

Para superar a endometriose, para aumentar a possibilidade de ficar grávida ou manter a gravidez, uma receita importante: vitamina D – a vitamina do sol.

Descobri a insuficiência de vitamina D ao fazer um exame a pedido de um médico especialista em endometriose de um dos principais centros de pesquisa do Brasil. Ele pediu uma bateria de exames, que listo neste blog. Quando os resultados chegaram, entre outras coisas, eu apresentava o nível mais baixo de vitamina D. O médico olhou os exames e não me disse nada, não me explicou nada. Diante da atitude dele, pareceu-me que não era algo importante. Após a consulta, eu também não fiz nada. Pensei que se tratava apenas de carência simples de uma vitamina qualquer. Demorou mais de dois anos para que eu me conscientizasse de algo fundamental: para superar a endometriose, eu precisava, urgentemente, de vitamina D.

Por que o médico pediu o exame e não me disse nada sobre o resultado? Talvez eu fosse tão-somente um dado de pesquisa para uma coleção de papers de um médico acadêmico preocupado com a avaliação positiva do seu departamento e com o prestígio advindo de publicações internacionais. Em tempos de conversão de publicações em lucros, ele poderia ser alguém que escreve mais rápido do que lê. Mas talvez ele não tivesse conhecimento sobre a importância dessa vitamina ou, quem sabe, tenha escolhido adotar uma postura supostamente científica, em que a pesquisa na área não é vista como conclusiva o suficiente para gerar uma postura médica mais incisiva. Até que a ciência o diga – que ciência? Em nome de uma postura médica pretensamente científica, ninguém mais se responsabiliza? Que método científico é esse que tem eclipsado o paciente? –, quantas mulheres ficarão sem saber?


Após minha saúde piorar assustadoramente, eu adquiri mais informações sobre a vitamina D e me conscientizei de sua importância. Fui para a praia, e tratei de tomar sol durante 15 dias, todos os dias de manhã, até às 9h e depois das 16h, sem protetor solar. Além de tomar sol, já havia feito toda uma mudança em meu estilo de vida. Após a viagem, refiz os exames. Minha vitamina D subiu de 16 para 35 mcg, quantidade normal. Os focos de endometriose haviam diminuído drasticamente.


Continuo tomando sol. O sol está me curando. Mas tenho meus dias de altos e baixos. Às vezes, convicta; às vezes, relapsa. A informação é importante para despertar e convencer, mas para que o convencimento se materialize em ações diárias e permanentes, ele precisa ser nutrido continuadamente pelas fontes certas. É necessário mais informações, mais prática, mais evidência, mais interações, mais resultados. Eu li, eu pratiquei, eu senti na pele os benefícios do sol. Estava totalmente enfraquecida, agora meu organismo está forte. A despeito das outras evidências, sou o meu próprio laboratório, minha prova incontestável.


Quanto mais vitamina D, menos endometriose. Quanto menos vitamina D, mais endometriose. Quanto mais vitamina D, maior a chance de você engravidar e manter a gravidez. Quanto menos vitamina D, maior a chance de você não engravidar e ter a gravidez interrompida. Sem vitamina D, seu organismo fatalmente não funciona como deveria. Sem o sol, a porta está aberta para uma infinidade de doenças graves.


Estou absolutamente convicta da importância central da vitamina D para o combate da endometriose. Além de eu constatar que a minha vitamina D estava muito baixa, enquanto a endometriose avançava sem parar; duas amigas com endometriose tiveram o mesmo resultado: vitamina D baixa, endometriose profunda. Como você está? Você já fez esse exame?


Nestas férias, li o livro "Vitamina D: como um tratamento tão simples pode reverter doenças tão importantes" (Michael F. Holick. Editora Fundamento, 2012) que reúne informações preciosas sobre essa vitamina vital. O autor do livro foi um dos primeiros pesquisadores da área, dá aulas de medicina na Universidade de Boston e preside um programa de pesquisas na Nasa. Portanto, alguns médicos que hoje defendem a vitamina D leram as pesquisas de Holick (Na semana passada, o tema foi capa da revista Veja). O livro custa menos de 40 reais – vinte vezes menos do que meu médico cobrou pela consulta para não me dizer absolutamente nada. Pela leitura, tem-se acesso quase de graça à fonte desse tratamento simples e altamente curativo. Quem não quer ter acesso à fonte, sem o risco de ser confundido por intermediários?

Assumindo o papel de intermediária, sintetizo a seguir algumas informações do livro que considero centrais.
 
  1. Faça o exame para detectar sua vitamina D. O exame certo, que seu médico deve pedir é: 25(OH)D. Se for pedido um exame simples de vitamina D, não há como confiar no resultado. Portanto, anote esse nome e certifique-se de que seu médico fez o pedido certo: 25(OH)D.
  2. Os níveis de vitamina D devem estar em no mínimo 30 mcg. Holick recomenda níveis entre 60 e 80 mcg de vitamina D.
  3. Independentemente da vitamina D estar baixa ou não, tome banho de sol pelo menos três vezes por semana. Além da vitamina D, o sol ativa outras substâncias saudáveis em seu organismo.
  4. Para sintetizar a vitamina D, se exponha ao sol até a pele começar a ficar levemente vermelha. Como reside nos EUA, o Dr. Holick sugere uma exposição ao sol entre 10h e 15h. No Brasil, a incidência do sol é diferente. Portanto, esteja atento à intensidade dos raios. O teste principal é: se sua pele começar a ficar vermelha é sinal de que você já ficou o tempo suficiente ao sol para obter o mínimo necessário de vitamina D, independentemente do horário, segundo explica o médico. Eu, preferencialmente, tomo sol no verão por volta das 9h. O sol aquece vagarosamente, ao contrário da intensidade agressiva do sol entre 10 e 15h. Mas no inverno, com dias de sol fraco, se expor um pouco mais tarde pode ser mais indicado.
  5. Exponha a maior parte do seu corpo, mas se não for possível, tome sol pelo menos nas pernas e nos braços, sem proteção. No meu caso, por causa da endometriose, também tomo sol na barriga.
  6. Não use protetor solar enquanto se expõe ao sol para obter a vitamina D. Proteja apenas o rosto. Mesmo o protetor solar de menor fator bloqueia quase todos os raios UVB, responsáveis por ativar a vitamina.
  7. Se você é morena ou negra precisa ficar mais tempo ao sol que as pessoas de pele clara para adquirir a vitamina D. No livro, há tabelas sobre tempo de exposição. Eu, pessoalmente, tenho ficado de 30 minutos a uma hora, por volta das 9h, quase todos os dias em que há sol, além de passar o dia em ambientes mais iluminados.  
  8. Atenção: o vidro, as nuvens, a poluição bloqueiam, em diferentes medidas, os raios UVB. Meu marido achava que estava tendo a vitamina D suficiente, pois tomada banhos de sol em seu escritório, com o vidro fechado. O vidro deixa passar apenas os raios UVA, responsáveis pelo envelhecimento e pelo câncer de pele.
  9. Não tenha medo do sol. Na medida certa, ele é um dos mais importantes remédios. Segundo o doutor Holick, o melanoma, o câncer de pele maligno, surge principalmente em áreas do corpo encobertas. Portanto, lembre-se: a indústria do protetor solar criou uma publicidade alarmista sobre os perigos do sol para vender seus produtos. Infelizmente, segundo o doutor Holick, a comunidade médica de dermatologia tem apoiado essa campanha heliofóbica desinformativa.
  10. Ao usar protetor solar (nas horas em que for ultrapassar o tempo recomendado), veja se seu protetor combate raios UVA e UVB (Eu particularmente raramente uso protetor solar. Apenas me exponho nos horários certos). Até pouco tempo, os protetores combatiam apenas o UVB e deixavam passar os raios UVA, causadores de câncer e de rugas. Por isso, uma geração inteira que pensou estar se protegendo do sol, ao se expor mais a ele, teve um envelhecimento mais intenso da pele, além de ter adquirido maiores chances de desenvolver câncer de pele. Não confie cegamente em tudo que se fala em nome da ciência.  
  11. Segundo o doutor Holick, não adianta usar suplemento sem tomar sol. Para ter seus níveis de vitamina D normais, você precisa tomar sol, mesmo que use suplementos de vitamina D. O doutor Holick usa suplementos, ingere alimentos fortificados com a vitamina D e, principalmente, toma sol. Eu não uso suplementos e apenas tomo sol. Meu nível de vitamina D está normalizado. “Bem, se o corpo pudesse declarar o método preferido para a obtenção da sua dose diária de vitamina D, ele com certeza aplaudiria de pé a opção do sol em vez de um frasco de pílulas”, afirma Holick (p.200).
  12. Para normalizar os níveis de vitamina D, é preciso mudar os hábitos. Pílulas, na forma de suplemento, não resolvem o problema. É necessário estabelecer um relacionamento com o sol, a busca de companheirismo diário. É permitir que a vida se aqueça. “O corpo que por algum tempo foi privado de vitamina D requer um compromisso de longo prazo para restaurar o sistema, dia após dia, mês após mês, devagar, para que haja um aumento progressivo de nível gradativamente”, afirma Holick (p.187).
  13. O sol oferece benefícios que os suplementos não fornecem. Quando o sol toca nosso corpo, nós produzimos entre cinco e dez substâncias benéficas ao organismo, que regulam a saúde, as emoções, o sono... Por isso, tome sol.
  14. Anotei referências que o autor faz sobre a relação entre vitamina D e fertilidade/infertilidade. Alguns dados interessantes: 1. “Níveis adequados de vitamina D podem aumentar a fertilidade, proteger a gravidez...” (Introdução); 2. Treze mulheres com síndrome de ovário policístico que provocava ovulação anormal e infertilidade foram tratadas pela Dra. Thys-Jacobs, da Universidade de Columbia. Elas tinham 11, 2 de vitamina D (muito deficientes). O nível de vitamina D foi regularizado. Elas também foram tratadas com cálcio. Após dois meses, o período menstrual de sete mulheres foi normalizado. Em tão pouco tempo, duas pacientes engravidaram. 3. Holick observou algo interessante. Nos zoológicos dos EUA, animais começaram a ter problemas de saúde, devido a não exposição adequada ao sol. Um desses graves problemas era a infertilidade. Chamado para analisar o caso de lagartos da Indonésia que não produziam ovos viáveis, em um zoológico em Colorado, ele ajudou a repor a vitamina. Uma nova geração de animais surgiu. Ele desenvolveu projetos de iluminação nas jaulas para garantir que os animais ficassem “saudáveis e férteis. Afinal, a questão é de vida e de morte” (Introdução).
  15. O doutor Holick cita apenas alguns casos de doença em que se deve evitar o sol ou diminuir a exposição. 
  16. Há alimentos e remédios que interferem na absorção de vitamina D e/ou do cálcio, tais como: refrigerantes, cafeína, açúcar, predisona, imunoterapia, erva-de-são-joão, medicamentos relacionados à obesidade, colestiramina (medicamento para reduzir o colesterol), medicamentos anticonvulsionantes. Como as pesquisas ainda são insuficientes, é possível que outros remédios tenham esse mesmo efeito.
  17. Para quem não tem a menor condição de tomar sol – o que seria o ideal –, o doutor Holick recomenda o banho de luz em máquinas de bronzeamento. Segundo ele, no tempo certo e seguindo todas as recomendações de segurança que ele descreve no livro, esse método é muito eficiente. Eu nunca recorri ao bronzeamento artificial, mas achei a abordagem realista.
  18. Há três condições comuns relacionadas à dificuldade de absorção de vitamina D: doença de Crohn, doença intestinal inflamatória e fibrose cística. A endometriose no intestino ou cirurgias no intestino decorrente da endometriose talvez representem uma dificuldade adicional para absorção da vitamina. O importante é fazer os exames e buscar a reposição, por meio do sol e, se necessário, por outros meios (banho de luz em máquinas, suplementos etc).
  19. Pessoas que sentem dores no corpo e nos ossos, sintomas bem comuns em mulheres com endometriose (seu sentia, agora não sinto mais) podem receber o diagnóstico de fibromialgia. Na opinião do doutor Holick, elas podem ter osteomalacia, doença provocada pela falta de vitamina D e cálcio. Para tratar, é preciso conciliar vitamina D com cálcio. Não há mistério.
  20. Cálcio é essencial. Montei uma tabela de ingestão de cálcio por meio da alimentação. Quero escrever mais sobre essa dieta do cálcio aqui no blog.
  21. A vitamina D não é algo que se consegue de maneira instantânea. Depende de uma reposição progressiva, permanente, que envolve decisão, paciência e compromisso por toda a vida.
 A fuga do sol deu lugar à cor morena. Ainda estou parte do tempo entre paredes, mas o escritório está diante do sol e há janelas sempre abertas sem cortinas a entravar a luz. A tela do computador, de frente à tela de nylon para impedir a entrada de insetos, parece que está diminuindo aos poucos. Aos poucos também, as janelas têm ficado maiores e meus olhos querem divisar algo além de um trajeto profissional atraente e arquitetonicamente opaco – noites deste século às quais tanto almejamos e diante das quais, por necessidade ou desejo de necessidade, depomos a pele e o movimento, molhamos a pele com um líquido. Voltamos à caverna, ela se volta a nós. O hormônio da luz é mais do que uma vitamina ativada por um pulo rápido no feixe de raios que, pela mais dramática das necessidades, passei a notar na parede de casa. Venha, se o frio alcança, receba de graça o sol vivo, sem dinheiro e sem preço. Tanto quanto ativa a relva, a luz dá vida à carne, combate a doença e vence a dor, mas sucumbe à elevação de profissões e de arranha-céus empilhados. Corpos à sombra, nenhum mar à vista. Ao sol, os domínios são outros.  

Leia: O Sol da Justiça
 
O Sol entre nosso pé de jabuticaba e o de limão-rosa.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Livre da endometriose: A cura de Jeniffer




9 de janeiro de 2013


Recebi o texto de Jeniffer sobre seu caminho de mudança de vida e superação da endometriose. Segue meu comentário abaixo.


Oi,

Confesso que, no momento em que escrevi o meu relato, não fazia ideia da esperança que a minha história poderia trazer a outras pessoas. Escrevi em um momento muito feliz: momento em que eu cheguei em casa após pegar os resultados dos meus exames e conversar com o médico que me deu a notícia de que eu não tinha mais nada, nem endometriose, nem ovários policísticos. Meu marido estava no trabalho e eu estava muito feliz... Queria compartilhar isso com alguém... Foi quando encontrei o blog, tentando descobrir se alguém havia passado por algo parecido, pois, para mim, era tudo tão impossível de ter acontecido que eu nem conseguia acreditar!

Bem, confesso, ainda, que fiquei um pouco ansiosa e insegura quanto a escrever sobre a minha experiência, pois, só então, me dei conta da importância disso para a vida de outras mulheres e famílias que sofrem com essa doença. Então, orei a Deus e pedi que Ele me ajudasse a escrever e que o meu testemunho mostrasse o Seu poder e Soberania acima de tudo e que a fé e a esperança de outras pessoas fosse aumentada.

Resumindo, eu levava uma vida muito corrida, fazia magistério (aproveitamento de estudos) de manhã, trabalhava à tarde e fazia faculdade à noite, sem falar nos cargos que tinha na igreja e mais em casa para cuidar e o marido para dar atenção. Com tudo isso, eu não dormia suficientemente (ficava algumas noites sem dormir ou dormindo às 4h da manhã fazendo trabalhos, e acordava às 6h para ir para o magistério). Eu me atrasava muitas vezes, engolia rapidamente um pedaço de pão e saía correndo para a escola. Não tinha muito tempo para me alimentar bem. Então, comprava lanche na hora do recreio da escola em que trabalho (folhado de chocolate ou queijo, pizza, choco milk, pão de queijo, etc.). Chegava em casa à noite, com muita fome. Era o momento em que eu mais comia: antes de dormir, ou seja, tudo errado.

Foi quando, no mês de janeiro de 2011 (já havia terminado o magistério em 2010), a diretora da área de saúde de minha igreja convidou um palestrante para fazer uma semana de palestras sobre saúde e estilo de vida. Meu marido e eu ficamos interessados, pois já éramos vegetarianos havia dois anos, porém, não tínhamos muito conhecimento sobre isso, apenas não comíamos carne, mas não tínhamos uma alimentação saudável. Comíamos alimentos com açúcar, chocolate e principalmente muito queijo. Raramente as frutas e verduras entravam em nosso cardápio.

Combinamos de assistir à semana de palestras inteira, pois, apesar de acharmos que já estávamos indo muito bem nas questões de alimentação (engano nosso), pensávamos que o palestrante daria muitas dicas de cardápios e prevenção de doenças.

Nos surpreendemos muito com as palestras do professor Manoel Tápia (ele tem um currículo excelente e estudou, inclusive, em Loma Linda,  lugar que aparece sempre na televisão mostrando o estilo de vida saudável das pessoas e a longevidade delas) e percebemos que estávamos fazendo tudo errado.

O palestrante nos indicou alguns livros, sendo um deles Conselhos Sobre o Regime Alimentar, da escritora Ellen White. Esse livro eu tinha em casa, foi emprestado por um amigo . Percebendo o quanto eu sofria com as crises de enxaqueca, ele emprestou-me, porém eu não tive paciência de ler na época (mal sabia eu o que estava perdendo).

Durante aquela semana, meu marido e eu fizemos a limpa em nossa geladeira e armários. Jogamos fora os alimentos prejudiciais (quase tudo) e trocamos por alimentos saudáveis. Não foi nada fácil. Cada dia fazíamos pelo menos duas mudanças em nosso estilo de vida:

- Regularizamos o nosso horário de comer (sempre no mesmo horário).

- Passamos a fazer apenas três refeições diárias com intervalos de 5 a 6 horas.

- 1ª refeição (desjejum) forte, 2ª refeição (almoço) média, 3ª refeição leve.

- Trocamos os refinados pelos integrais, colocamos frutas e verduras em nosso cardápio, começamos a preparar os alimentos da maneira mais simples possível dando lugar aos alimentos crus. Tiramos de nossa dieta frituras, chocolate, açúcar (utilizamos mel em pequena quantidade na granola e no pão integral), refinados, leite e derivados (principalmente o queijo), ovos, condimentos, quase todos os industrializados (parece ser o mais difícil, pois estamos tão acostumados com a praticidade de ter os industrializados, porém, eles fazem muito mal).

- Começamos a tomar água entre as refeições (e não junto com elas): meia hora antes de comer e duas horas depois.

- Começamos a dormir cedo, sendo que a última refeição deve ser feita pelo menos três horas antes de dormir para que o corpo realmente descanse. (Fiz o propósito de não fazer mais trabalhos à noite, por mais importantes que fossem, comecei a entregar nas mãos de Deus sabendo que Ele queria o meu bem e que o meu corpo é o templo do Espírito Santo. Comecei a ter mais fé e acreditar que Deus me ajudaria a vencer os prazos de entrega de trabalhos e outras coisas por mais impossível que fosse. E, assim, Ele me ajudou, e tem me ajudado até hoje). Começamos a dormir 8h por noite.

- Começamos a fazer exercícios físicos.

Até aí eu não sabia que tinha endometriose. Tinha fortes dores quando menstruava, porém com a correria que era a minha vida, fiquei dois anos sem consulta ginecológica (e sem qualquer outra consulta ao médico, às vezes ia para o pronto-socorro devido à minha enxaqueca que era muito frequente).

Nesse mês de mudanças radicais, decidi consultar e fazer exames, principalmente para ver como estava minha B12 [vitamina].

Meu marido e eu tentávamos ter um filho havia quatro anos e nada, então minha médica pediu alguns exames para ver se estava tudo bem comigo e meu marido consultou um urologista.

Foi então que descobri que estava com um foco de endometriose no ovário esquerdo e ovários com padrão micro policísticos (esse desde a adolescência).

Minha médica pediu para que eu tomasse um anticoncepcional durante quatro meses e repetisse o exame para fazer o controle evolutivo. Eu não podia tomar anticoncepcionais devido à minha enxaqueca, mesmo assim ela me receitou um mais fraco (utilizado por mulheres que estão amamentando). Mesmo esse anticoncepcional me fez muito mal, sofri com fortes dores de estômago, muita irritação entre outros. Mesmo assim tomei o medicamento por três meses, então, não aguentei e decidi parar e esperar em Deus confiante de que a mudança no meu estilo de vida traria alguma melhora.

Repeti o exame em cinco meses e o endometrioma havia diminuído um pouquinho devido à medicação, segundo minha médica que insistiu para que eu continuasse tomando ou procurasse um médico de infertilidade, pois na minha situação, com 27 anos (na época), endometriose e ovários policísticos, seria cada vez mais difícil ter filhos. Sem falar que os exames do meu marido não deram muito bons, ele estava bem, porém no espermograma descobrimos que metade dos seus espermatozoides eram mortos, com defeitos e lentos.

(Eu não sei o motivo, mas eu fiquei sem fazer exames durante um ano e meio desde que fiquei sabendo da minha endometriose e, isso, sem perceber, pois tentei me desligar do assunto para ficar mais tranquila. Só me dei conta quando meus médicos me disseram que fazia tempo que eu não aparecia, sendo que eu deveria ter ido de seis em seis meses. Não recomendo, pois, os exames são importantes e não devem ser negligenciados.)

Nesse dia, fiquei muito triste. Mas, Deus, naquele ano, havia me abençoado com uma aluna que seguia o mesmo estilo de vida saudável que eu havia começado a seguir (sou professora de 1º ano do ensino fundamental) e, nesse dia, encontrei com a mãe dela na academia e contei a ela o motivo da minha tristeza. Foi então que ela me contou o testemunho de seu marido que teve câncer (ou ele morreria em seis meses ou não teria filhos, mas ele foi curado e eles tiveram dois filhos). Ela é enfermeira; e ele, médico. Ela contou como ele foi curado através da mudança no estilo de vida e alimentação e me deu muitas dicas sobre o assunto. Ouvindo ela e através da convivência com minha aluna, tive mais forças para continuar a seguir o novo estilo de vida. Não foi fácil, pois muitos nos criticavam dizendo que meu marido e eu ficaríamos doentes por comer somente três vezes por dia. Essa mudança traz outras mudanças em muitas outras áreas da vida. Por exemplo, os lugares que frequentávamos com os amigos (restaurantes, lanchonetes etc.), os momentos de lazer com os amigos em horários que agora já estamos dormindo etc Nossa maior dificuldade foi conviver com as críticas e piadinhas das pessoas. Mas, logo nos acostumamos e hoje muitas pessoas pedem conselhos sobre o viver saudável para nós (muitos ainda acham muito estranho, pois no mundo de hoje comer mal e viver sem regras, bem como não ter saúde, é normal).

Durante esse ano me senti na responsabilidade de passar aos meus alunos esse exemplo. Fiz um projeto chamado HORA DO LANCHE SAUDÁVEL, através do qual observamos mudanças positivas significativas na vida dos alunos e de suas famílias e, ainda, fui premiada com a escolha do meu projeto como um dos melhores da Associação Central Paranaense da Educação Adventista, que é a rede onde trabalho. Acredito ser o meu dever ensinar aos meus alunos aquilo que aprendi e que me faz tão bem.

Desde que começamos o novo estilo de vida, muita coisa mudou: eu era muito irritada e me alterava facilmente, descobri que o meu estilo de vida sem regras, alimentação cheia de estimulantes entre outros e o mau hábito de comer alguma coisinha o tempo todo contribuía muito para isso. Hoje sou uma pessoa muito diferente, até o meu casamento foi influenciado positivamente com essas mudanças. Minha enxaqueca só aparece quando, por algum motivo ou falha, fujo da minha rotina saudável (dormindo tarde, por exemplo) ou em situações de stress. Meu marido que é TDA/H (Transtorno do déficit de atenção/ Hiperatividade), vivia perdendo dinheiro, documentos, etc. Era muito agitado e não conseguia prestar atenção no que eu falava, era esquecido, não conseguia ler, enfim, era muito difícil lidar com este problema... Conseguimos perceber sua melhora gradual e significativa. Hoje posso dizer que ele melhorou (durante esses dois anos) 90%, tanto que hoje ele é ancião de igreja e tesoureiro (para quem vivia perdendo as coisas e não era considerado responsável devido à doença, as coisas mudaram inacreditavelmente). Enfim, são muitas as bênçãos diárias que recebemos.

E a benção mais recente foi a do dia 03 de janeiro de 2013.Há um ano e meio, o médico fez o exame e disse: "É muito azar mesmo, seu marido é infértil e você tem ovários policísticos e endometriose..." Dessa vez, ele disse: "O que você fez? Você não tem mais nada, não estou encontrando nada aqui!"

Gostaria de dizer, ainda, que ao fazer esta mudança no estilo de vida, o meu foco não era a cura, e, sim, a minha consciência dizendo que meu corpo é o templo do Espírito Santo e que eu deveria me apresentar como sacrifício vivo perante o Senhor. Para mim era minha obrigação cuidar do corpo que Deus me deu, gostaria de ter a mente clara para ouvir e entender a Sua voz. Eu acreditava sim que, com as mudanças, muita coisa melhoraria, mas se não melhorasse, tinha o propósito de ser feliz e grata mesmo assim e de continuar com meu novo estilo de vida. A cura foi um presente.

Agora meu marido e eu esperamos ter um filho ou filha. Não sabemos se teremos, mas acreditamos que Deus é muito poderoso e que Ele poderia ter nos dado este filho independentemente da cura ou não. Porém, em nossas orações, pedimos que Ele faça a vontade dEle e não a nossa, pois, Ele é nosso Pai e quer a nossa felicidade. Às vezes, achamos que sabemos o que vai nos deixar felizes, mas, Deus é Quem realmente sabe e nossas vidas estão em Suas mãos aceitando, com alegria, a Sua vontade.


Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.


Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.