24 de setembro de 2013
Meu marido escreveu o texto abaixo.
Superar uma doença sistêmica é encontrar o equilíbrio do organismo. Como achar o equilíbrio num mundo de desequilíbrios é o desafio. Às vezes, alcançamos uma alimentação balanceada, a carga de exercícios adequada, o controle das emoções e, quando tudo parece perfeito, somos apanhados por uma gripe ou algum mal-estar temporário. Nessa hora, o que fazer? Minha resposta costumava ser muito simples: os sãos não precisam de remédio, mas os doentes são obrigados a tomá-los. Quanta razão haveria nesse arrazoado?
Superar uma doença sistêmica é encontrar o equilíbrio do organismo. Como achar o equilíbrio num mundo de desequilíbrios é o desafio. Às vezes, alcançamos uma alimentação balanceada, a carga de exercícios adequada, o controle das emoções e, quando tudo parece perfeito, somos apanhados por uma gripe ou algum mal-estar temporário. Nessa hora, o que fazer? Minha resposta costumava ser muito simples: os sãos não precisam de remédio, mas os doentes são obrigados a tomá-los. Quanta razão haveria nesse arrazoado?
Antes do casamento, tinha no quarto minha
farmácia particular. Minha coleção era formada por variados tipos de
anti-inflamatórios, em cápsulas e em bombinha, companheiros inseparáveis de
portadores de rinite alérgica. Também colecionava analgésicos, muito úteis para
aliviar as dores e tensões do dia a dia. Contra as afecções de pele, tinha
pomadas que amenizavam a coceira de picadas de insetos e outras que se
destinavam a tratar as mais diversas vermelhidões. Posteriormente, sofrendo de
refluxo, tornei-me dependente de omeprazol. Dificilmente passava uma semana sem
tomar algum remédio, pois cada dia traz algum mal-estar. Para mim, isso era
absolutamente normal.
Depois do casamento, certo dia cheguei em casa
e procurei minha pequena farmácia, nem me lembro a razão. “Você viu os meus
remédios”, perguntei a minha querida esposa. “Joguei fora”, ela respondeu
despreocupadamente. “Você não fez isso, fez?”, perguntei de novo tentando
controlar a ira. “Joguei tudo fora. Você estava muito viciado nessas coisas”,
ela me falou com a maior tranquilidade. Achei melhor sair de perto. Para
refazer o estoque perdido, o gasto seria alto, levando em conta nosso apertado
orçamento de recém-casados. Como viver sem o Dorflex nosso de cada dia? Porém,
a sabedoria popular já dizia: “Se não tem remédio, remediado está.”
Passaram-se
dias e semanas. O episódio e os remédios ficaram esquecidos até que fui
apanhado por uma forte gripe. Com gripe ou não, eu precisaria trabalhar. Teria
que dirigir 500 quilômetros e participar de dois eventos. Nada de ficar em casa
tomando chazinho. Teria apenas uma noite para me recuperar antes daquele dia
cheio. Tomei o chá à noite. Quando acordei, estava melhor. No início da viagem,
tudo parecia sob controle, mas aos poucos a gripe foi voltando. Em uma parada
na casa de minha sogra, onde almoçamos, eu já pensava em cancelar o resto da
viagem. Minha esposa então recomendou: “Tome um limão puro e descanse um pouco.
Depois continuamos.” Depois continuamos... “Ela não sabe como eu estou, se pelo
menos tivesse algum remédio!” Com esse pensamento, adormeci sentado no sofá
após tragar alguns limões puros espremidos num copo.
Uma
hora depois acordei como um novo homem. A coriza havia cessado. O mal-estar
havia sumido. Seguimos viagem e completamos o roteiro previsto com
tranquilidade. Nenhum remédio nunca tinha me recuperado tão rapidamente. Eu não
precisava deles. Minha convicção se firmou com esse episódio. Confesso que
nunca mais um limão teve um efeito tão imediato. Porém, o efeito dos remédios
também nunca foi instantâneo.
Algum
tempo depois, deparei-me com uma situação constrangedora: uma hemorroida
horrível me fez procurar o médico. Saí com a receita de uma pomada e de um
remédio para a circulação, além de uma recomendação clara: “Você precisa ser
operado.” Os gastos seriam cobertos pelo plano de saúde. Porém, eu sabia o que
aquilo significava. Meu pai já havia enfrentado uma situação semelhante. Minha
esposa falou: “Vamos procurar um tratamento alternativo. Se não der certo, você
opera.” Após algumas pesquisas, ela me recomendou tomar chá de casca de jatobá.
Na pracinha da cidade, um senhor vendia os frutos amarronzados. Jogávamos fora
a polpa farelenta e púnhamos a casca para ferver. Tomei litros e litros. De
manhã e à noite fazia banhos de assento com chá de camomila. Para ajudar a me
manter sentado no trabalho, na faculdade e nas viagens, fiz uso da pomada
recomenda pelo médico. O remédio para a circulação foi substituído pelo jatobá.
E a cirurgia, depois de um mês, tornou-se desnecessária. Até hoje, mais de sete
anos depois, o problema não voltou.
Enquanto isso, alguns fazem mais de uma cirurgia para tratar desse tipo
de problema.
Mais
uma vez, espantei-me com o poder dessa abordagem. No futuro, a luta contra a
endometriose nos levaria a um aprofundamento maior nesse caminho. Mudaríamos
muitas coisas em nosso estilo de vida. Abandonaríamos muitas fontes de
contaminação do organismo relacionadas a alimentos industrializados e
fast-food. Passaríamos a nos exercitar com mais compromisso. Porém, essa tênue
e frágil construção do equilíbrio do organismo, da desintoxicação interna,
seria perdida se no primeiro mal-estar recorrêssemos às receitas da drogaria. Para
muitos problemas de saúde, os remédios costumam ser desnecessários, pois o
próprio organismo encontra forças para superá-los. Já dizia Nietzsche: “O que
não me mata, me torna mais forte.”
Alguns
anos depois de casados, enquanto mexia em umas bagunças, encontrei minha antiga
caixa de remédios. Eles estavam todos lá. Antigos amuletos que haviam perdido a
magia. E lá poderiam permanecer como relíquias de uma época soterrada. O
feitiço estava quebrado.
Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.
Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.
Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.
Mudar o estilo de vida é essencial. Mas, às vezes, faz-se necessário recorrer também a tratamentos mais diretivos, que incluem fitoterápicos, sem deixar de lado o acompanhamento médico. Se tivesse continuado com os hábitos antigos, a fitoterapia caseira teria surtido efeito? Provavelmente, não. Remédios fitoterápicos não são pílulas farmacêuticas alternativas, nem recursos para fugir de cirurgias (se realmente necessário, elas devem ser aceitas). Os fitoterápicos se encaixam dentro de um novo estilo de vida, um novo jeito de pensar e viver, repleto de gratas surpresas. Sua experiência me deu forças para a luta que enfrentaríamos juntos. Pensar a saúde conjuntamente, em redes de interação, é por si só curativo. Pensá-la ao seu lado é o maior de todos os privilégios, um remédio afetivo que tem me curado. Você me faz bem em todos os dias da minha vida.
ResponderExcluirAo ler os primeiros parágrafos vi o meu marido, também ele tem a sua farmácia, também ele toma omeoprazol, também ele teve hemorróides...
ResponderExcluirQuem sabe, com o testemunho do seu marido ele não tome uma decisão :)
Olá, marido da minha amiga!
ResponderExcluirParabéns²! Pelo filhote que vem a caminho e pelo corajoso e apaixonado depoimento. Você é um homem muito bacana. Seu amor e a sua generosidade brilham.
Que Deus ilumine vocês três!
Um abração!
Michele.