domingo, 31 de julho de 2011

Vitamina B6 e endometriose



31 de julho de 2011

Os fatores nutricionais estão diretamente ligados à endometriose. O excesso de estrógeno provoca endometriose e pode desencadear outras doenças. Há alimentos que levam ao aumento de estrógeno e diminuição de progesterona, como o açúcar e gorduras. Por outro lado, existem também os que combatem o estrógeno. Entre esses, estão os que contêm vitamina B6 (piridoxina). Mas para ser eficiente, precisa vir das fontes corretas. Embora contenham B6, a carne de boi e de porco são contraindicadas, pois podem, inclusive, desencadear endometriose, conforme indicam pesquisas que publiquei no texto “Carne e endometriose”. Há outras fontes seguras dessa vitamina.

Gérmen de trigo, aveia, cereais em grão, pão integral, arroz integral, lêvedo de cerveja (esse tem um inconveniente, pode piorar quadros de candidíase), abacate, gema de ovos (em pouca quantidade, desde que sejam ovos orgânicos certificados. Apesar de não ser uma consumidora fiel de orgânicos, procuro consumir pelo menos ovos e laticínios orgânicos), banana, avelã, brócolis, passas, feijões (como a lentilha) são fontes de B6. Não sou adepta da matemática nutricional que recomenda “X” miligramas de uma determinada vitamina, “y” gramas de outro nutriente, com sua conta extensa e desestimulante. Pessoalmente, jamais me senti atraída por tabelas numéricas e contagens diárias de alimentos, tanto do ponto de vista de calorias quanto de nutrientes. Quando mais nova, observava minha mãe em suas tentativas frustradas de calcular guloseimas e pesar porções. As marcações no papel não duravam duas semanas.

Embora rejeite métodos sistemáticos, acho importante estar em conexão com os números da nutrição. Eles dizem muito sobre nossa saúde. Por exemplo, consumir menos de 1,6 miligramas de B6 por dia pode provocar doenças neurológicas, nos tornar mais susceptíveis à endometriose, desencadear quadros de depressão, irritação, fadiga, confusão mental, dificuldade de concentração, dermatite seborreica (caspa), pedras nos rins. O excesso pode causar doenças neurológicas graves, dormência, insônia. Por isso, os suplementos alimentares são, em geral, perigosos. O melhor é sempre buscar a vitamina nos alimentos. É preciso também estar atento aos medicamentos que podem levar à deficiência de B6, como os anticoncepcionais e antibióticos. Para quem tem tensão pré-menstrual (TPM) e tomam anticoncepcionais combinados, alguns médicos recomendam uma ingestão mais alta da vitamina B6.
Pesquisas indicaram que superdoses, de 200 a 800 mg/dia, num período determinado, diminuem significativamente o estrógeno. Mas não há consenso de que o uso de superdoses faça realmente bem. Na verdade, há fortes indícios de que faça mal.

Utilizei suplementos uma única vez, quando realmente o risco de ficar sem eles era maior do que os riscos de tomar a medicação. Atualmente, busco a nutrição no alimento. Não é fácil. Mais complicado do que a matemática dos miligramas é o cálculo do tempo. A correria da vida nos leva a ignorar a mais importante fonte de saúde e de recuperação da saúde, o mais importante remédio: o alimento de cada dia. Mas como diz a oração-modelo, precisamos pedir diariamente: “o pão nosso de cada dia, dá-nos hoje.” Na prece do pão de cada dia, há um pedido indispensável à sobrevivência; pode haver também um despertar para o pão que comunica saúde, para o corpo que se faz a partir do alimento escolhido. Somos também aquilo que comemos. “Se certos alimentos de nossa dieta podem servir de adubo para os tumores, outros, ao contrário, guardam preciosas moléculas anticâncer”, afirma o médico francês David Servan-Schreiber, chef de uma das mais sofisticadas e singelas gastronomias anticâncer. Pelos resultados que já obtive tanto para o mal quanto para o bem, sei do poder destrutivo dos pseudoalimentos e sinto, sobretudo, os efeitos curativos da preciosa gastronomia antiendo.

Dicas: A banana é rica em B6: duas bananas chegam a ter 60 a 70% das necessidades diárias (Um banana pode ter 0.68 mg de B6). Em 100 gr de avelã tem 0,54 mg e de aveia tem 0,75 mgr (Fonte:
http://www.dietaweb.it/start.asp). Uma xícara de brócolis oferece 15% da ingestão diária recomendada. Gérmen de trigo tem uma boa quantidade de B6 (1,42 mg por 100 gr).

Leia sobre A confiança que traz a paz

domingo, 24 de julho de 2011

Centelha

24 de julho de 2011


Inverno límpido. Um encontro da família de meu marido. Hoje, conheci o jardim fitoterápico de uma de suas tias. Cultivado por mãos especiais, há essências verdes de cura médica nesse canteiro de pequenas dimensões e cobertura variada, cromática e delicadamente multiforme. Entre as hastes esguias e elegantes das cavalinhas se encontram as três espécies da mais admirável das plantas – as aloés. Essência forte, subversiva, de sabor fel, de flores vermelhas e amarelas, folhas imponentes retas e espreguiçadas, de pinturas riscadas em folhas carnudas, carregadas de vida – vida –, que tantas pessoas almejam reter, que tantos estão perdendo sem que, ao menos, suspeitem que num jardim cresce, em silêncio, a segunda chance.

Aloés vigorosas de extensões inteiras com cor e semitom esverdeados, também de verde uniforme. Crescem cultivadas. Para quem já viu tantas delas e conhece seu licor interno, hoje foi um dia único. Jamais tinha visto aloés como as que encontrei nesse canteiro. Mais adiante, manjericão, hortelãs, o vento a mover pequenas folhas estufadinhas – bálsamos. “É só comer alguns pedaços dessas folhas, após o almoço, que a digestão se normaliza”, explicou a mulher que cultiva seu jardim com estética medicinal. Moradora de uma cidade ágil e acimentada, ela aprendeu aos poucos, com conversas e leituras, a importância daquele verde restrito a centímetros sensivelmente multiplicados. Uma mulher como qualquer uma de nós, na sua vida longe do campo. Mas que soube me dizer, enquanto limpava a mão suja de terra: “Entregue-se à leitura. Procure saber. Há tanto que descobrir.” É noite, estou cansada, mas sinto a centelha desse encontro. Por isso, escrevo.

Na casa, mostraram-me alguns livros que haviam acabado de chegar da Espanha. Presentes de um amigo. Dois volumes de uma obra fitoterápica escritos por um médico espanhol e publicados por uma editora de Portugal. Nos parcos minutos que me restavam ali, folheei o quanto pude, tão rápido quanto foi possível. Lendo e observando a sucessão de plantas e as indicações. Diferentemente de outras obras, naqueles livros havia informações históricas, medicinais e instruções precisas de como utilizar cada planta, com suas respectivas indicações. Sobre o alho – lilácea, assim como as aloés – uma recomendação exata referente ao uso diário. A sugestão era de um a três dentes todas as manhãs. Para evitar o hálito, ainda que com perda de propriedades essenciais, o médico indicava outras formas de uso. Li também sobre a onagra e seu óleo prensado a frio proveniente da flor amarela da planta. Uma das essências fitoterápicas mais valiosas para a saúde da mulher, dizia o livro. Conhecida também como prímula, essa planta ativa o funcionamento dos ovários. Remédio para a endometriose.

Fechei o livro e fomos. Havia muito que conversar, pessoas a rever, outros encontros. Minha sogra deve ir à Espanha daqui alguns meses e trará os livros. Livros são importantes, mas centelhas são mais. Palavras podem resignificar trajetos, mas jardins com suas cavalinhas ao vento, entre aloés, emitem luz e sons vivificantes. Quantos são capazes de sentir essa sinfonia? Para um vizinho, ela cultivou a planta, fez o composto e ofereceu. Ele está com câncer. Ao sentir o fel, negou-o. Prefere não ver, nem sentir, nem ouvir o que tem naquela planta que já salvou a tantos. Silêncio. Ela, a mulher, entristeceu sem lamentos. Prossegue seu cultivo de variadas folhas e seivas, aos poucos certificadas pela ciência tardia. Simples, terreal, no jardim sem nome e sem crédito. Para os que ousam saber e sanar suas dores, para os que sentem necessidade do bálsamo-tranquilo, compartilhando o que dia a dia é cultivado devagar e substancialmente, há muito o que descobrir. Sim, há medicina entre relvas de canteiros diminutos incrustados em grandes cidades.



quinta-feira, 7 de julho de 2011

Endometriose leve: há motivos para preocupação?

7 de julho de 2010

Receber o diagnóstico de endometriose não é, necessariamente, um atestado de doença incapacitante, de infertilidade ou dor. De acordo com artigo publicado pela revista Fapesp, “alguns autores descrevem a endometriose superficial como sendo um fenômeno cíclico e normal na vida de uma mulher”. A afirmação decorre de um estudo feito na Faculdade de Medicina do ABC com 80 mulheres férteis portadoras de endometriose mínima ou leve para avaliar a eficácia do exame CA 125. Segundo os pesquisadores, existe “a hipótese de que achados acidentais de endometriose mínima e leve podem não ter significância clínica, e que é provável que a progressão da doença ocorra como resultado de alterações genéticas e imunológicas”.

Ser diagnosticada com endometriose leve ou mínima (grau I) não deve ser encarado como um motivo de preocupação extrema. Se é esse o seu caso, fique tranquila. Procure seu médico e lembre-se: pode ser absolutamente “normal”. Por outro lado, não se deve confundir a tranquilidade com descaso ou descuido com a saúde. O foco de endometriose tem a possibilidade de se expandir devido a alterações genéticas ou imunológicas. Assim, é importante fortalecer sempre o sistema imune, com alimentação saudável, exercícios físicos diários, informações estratégicas, emoções positivas e combate a fontes de estresse, entre elas a preocupação excessiva com a endometriose.

Preocupação libera substâncias na corrente sanguínea (entre elas, os corticóides) que provocam inflamações no corpo. A endometriose é uma inflamação, em correspondência direta com o emocional. Dessa forma, a necessidade de se buscar paz, confiança, esperança, equilíbrio, felicidade, gratidão, fé vale para a prevenção e para o tratamento da endometriose seja ela mínima, leve ou profunda. Somos mais do que a endometriose pode nos condicionar a ser.

Uma resposta para a ansiedade e o medo.

sábado, 2 de julho de 2011

Carne vermelha e endometriose

2 de julho de 2011

Acesse neste blog: Qual é o melhor remédio para endometriose?


Assim como a gripe, a endometriose pode ser causada por um vírus? Essa pergunta pode parecer estranha, mas tem conduzido pesquisas internacionais sobre endometriose. Por exemplo, em 1977, cientistas investigaram a associação de um vírus e a endometriose em animais (Veja aqui). Um dos estudos mais recentes, conduzidos por pesquisadores dinamarqueses da Universidade de Aarhus, partiu da constatação de que há agentes infecciosos presentes na endometriose. Mas após investigar a prevalência do vírus HPV, da herpes e da família do poliomavírus concluíram que não há evidência suficiente de que vírus provoquem a endometriose (Veja aqui).

Então, as mulheres poderiam respirar aliviadas se não há riscos de “pegar” endometriose por meio de um vírus? Há tantas mulheres com endometriose que essa hipótese não foi descartada. A controvérsia continua. Por um lado, se é alarmante saber da possibilidade de se “pegar” endometriose; por outro, a comprovação de que há um vírus desencadeador da doença poderia levar à fabricação de vacinas para prevenção, ao desenvolvimento de um tratamento diferenciado para combater o tal vírus, a mudanças de hábitos eficientes para nos proteger da doença. Haveria uma transformação médica radical em relação à endometriose. Mas nada está comprovado. As pesquisas continuam.

Outros pesquisadores estão em busca dessa importante resposta. Para o Nobel em Medicina, o infectologista alemão Harald zur Hausen, o vírus é, sim, um inimigo perigoso que não deve ser subestimado - um possível desencadeador de doenças como câncer, por exemplo. Seu Nobel em 2008 veio com a comprovação da associação direta entre câncer cervical e vírus HPV. Para ele, “as infecções provocadas por vírus, bactérias e parasitas já respondem por 21% dos casos de câncer no mundo”.

Por que essa informação é importante? O que um vírus tem a ver com o título desse texto, com a carne vermelha, câncer ou endometriose? As pesquisas de Hansen podem explicar porque uma pessoa que nunca fumou e tem hábitos de vida razoavelmente saudáveis desenvolve um tipo letal de câncer de pulmão. Conheci duas pessoas que morreram dessa terrível doença sem nunca terem fumado ou convivido com fumantes. Para Hansen, há alguns vírus na carne vermelha, da família poliomavírus (sim, aqueles mesmos que foram associados com a endometriose pelos pesquisadores dinamarqueses), que seriam agentes causadores de câncer no pulmão em não fumantes, na mama, no intestino. Assim, o que causaria o câncer não seria apenas o modo de preparo da carne vermelha (frita, no churrasco etc), mas vírus que habitam no gado e não podem ser destruídos pelo calor do cozimento.

Como escrevi acima, não se sabe se a endometriose pode ou não estar relacionada com vírus. Mas a hipótese está sendo levada a sério por médicos em todo mundo. Também não há uma comprovação final de que poliomavírus, presente no gado, sejam um causador de câncer, embora Hansen acredite que há fortes evidências nesse sentido. O cientista premiado com o Nobel, recomenda: “reduzam o consumo de carne vermelha. Aliás, essa é uma recomendação que já vem sendo feita mesmo antes dessa relação.” A mesma recomendação é válida para enfrentar a endometriose.

Um médico italiano, da Universidade de Milão, Fabio Parazzini, chefiou uma pesquisa sobre a relação entre endometriose e a ingestão de carne vermelha (Veja aqui em reportagem publicada pela BBC Internacional). Os pesquisadores chegaram a seguinte conclusão, que deve nos servir de alerta: “As mulheres que tiveram a maior ingestão de carne (carne bovina, carne vermelha e de presunto) tiveram o risco aumentado para endometriose em 80 a 100%.” Um risco alto demais para compensar o hábito de comer carne vermelha e carne de porco. Para o médico, com uma alimentação correta, seria possível diminuir em 800 mil o número de mulheres com endometriose na Europa. Eu acredito nisso. Há algum tempo, não como mais carne.

Veja mais uma receita saudável no meu blog Sabor com Saúde.
Para fazer as mudanças necessárias, conte com um apoio importante:
Poder superior.






Uma entrevista com Harald zur Hausen foi publicada no jornal Folha de S. Paulo, no dia 28 de junho de 2011, no Caderno de Saúde. Para quem assina a FSP, o link é: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2806201101.htm.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Endometriose no New York Times

15 de junho de 2011

No site do jornal New York Times (NYT), há um caderno especial sobre a endometriose (Veja aqui). As informações incluem causas, sintomas, exames, tratamentos, prognóstico, possíveis complicações e prevenção. Não há espaço para tratamentos alternativos, mas o jornal apresenta em linhas gerais as principais informações sobre a doença.


Além desse guia da endometriose, o NYT publica, vez ou outra, notícias sobre essa temática, na seção Health. Um das mais antigas, é de 8 de março de 1988 (Veja aqui). Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, o Caderno de Saúde decidiu abrir espaço para uma doença que aflige muitas delas. No título, um alerta: há ligação entre endometriose e deterioração dos ossos. Na corrente sanguínea da mulher com endometriose há maior concentração de uma substância chamada interleucina-1 que inibe o crescimento dos ossos. De acordo com o artigo, “as mulheres com endometriose também devem tomar medidas para evitar a osteoporose. Por exemplo, antes que atinjam a idade da menopausa, devem se exercitar regularmente e consumir quantidades adequadas de cálcio.” Minha alimentação é pobre em cálcio. Esse é um ponto que preciso corrigir.

A matéria publicada em 9 de julho de 2002 é bastante alarmista: a portadora de endometriose tem “um risco aumentado de desenvolver alergias graves, autoimunes e possivelmente o câncer [...]. Em vários estudos, mulheres com endometriose apresentaram um risco aumentado para o câncer, incluindo câncer de mama e ovário, melanoma e especialmente o linfoma não-Hodgkin”. Apesar da gravidade, a endometriose é subdiagnosticada. O artigo explica, com detalhes, os sintomas e descreve alguns tratamentos, entre eles, uma técnica com laser que alcança um índice de 82% de melhora. Há também um teste para ajudar a saber se uma mulher tem ou não endometriose. As perguntas são:

* Você tem dor pélvica? A dor pode ter um padrão mensal que piora durante o período menstrual, no meio do ciclo, ou ambos. A dor também pode ser constante.

* Você experimenta fadiga crônica, exaustão ou baixa de energia?

* Você tem diarreia, evacuações dolorosas ou outros desconfortos gastrointestinais durante a menstruação?

* Você tem inchaço do estômago e inchaço abdominal?

* Você tem ciclos menstruais irregulares ou abundante sangramento menstrual?

10 pontos para uma resposta "sim" à primeira pergunta e 5 pontos para cada resposta "sim" a outras questões. Se o total é de 10 pontos ou mais, você pode ter a doença.

Ler sobre correlações entre endometriose e doenças tão graves é muito difícil. Até que ponto o jornal não está sendo, de fato, alarmista? De qualquer forma, com a endometriose, desenvolvi também autoimunidade. É real. Mas ainda acredito que a informação, em vez de assustar simplesmente, pode salvar vidas. Seja por facilitar a identificação de sintomas; seja pelo estímulo à conscientização no que diz respeito ao estilo de vida: fazer exercícios, se alimentar melhor, buscar a felicidade ainda que façamos críticas justas aos discursos a la poliana. Sim, a felicidade é uma construção. Não é automática nem deve ser obrigatória. É uma opção que requer persistência, convicção, coragem e a certeza de que somos amadas, mesmo quando o amor está em falta ao derredor. A certeza de que é possível vencer. Esse é o desejo que tenho para mim e para cada leitora que encontra este blog.

Leia sobre a segurança, força e paz aqui.
Veja uma nova receita no blog Sabor com Saúde.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Endometriose e doença autoimune





1 de junho de 2011

Quando fiz, pela primeira vez, o exame do FAN (Fator anti-nuclear), o resultado foi normal. O especialista em endometriose requisitou uma lista de exames, e apenas fiz. Não sabia o significado de cada exame, mas também não estava muito preocupada com isso. Já havia coisa demais para me preocupar naquele momento. Afinal, tinha acabado de perder meu ovário direito.

No início de 2010, repeti novamente o FAN. Até esperava que, algum dia, eu iria me deparar com um resultado positivo para Tireoidite de Hashimoto, um hipotiroidismo autoimune (outro exame requisitado pelo ginecologista). Afinal, minha mãe tem a doença, que dá para manter sob controle. Mas o resultado foi outro: FAN reagente (padrões nuclear pontilhado grosso 1/320. Muito alto). Entre o leque das patologias, estão: Doença Mista do Tecido Conjuntivo, Lúpus Eritematoso Sistêmico, Esclerose Sistêmica, Artrite Reumatóide, Síndrome de Sjögren Primária, Lúpus.

O FAN reagente ou positivo pode estar presente em pessoas saudáveis (quando o título é baixo 1/80). Além disso, pode estar presente em portadoras de endometriose, sem que essas doenças autoimunes se manifestem. Mas elas também podem, sim, se manifestar. Possivelmente, a própria endometriose seja uma doença autoimune. Não ficou muito claro para mim – e, talvez, nem mesma a ciência tenha essa resposta ainda – qual é a relação exata entre FAN e endometriose. Vou ter alguma dessas doenças listadas em algum momento? Se tiver, vai se manifestar da mesma forma? Posso ter o FAN reagente apenas se tiver endometriose, sem qualquer outra doença autoimune coexistente? Muitas perguntas, respostas inconclusivas, sintomas variados.

Com o resultado em mãos, fiquei muito assustada. Fragilizada. As doenças autoimunes são desafiadoras tanto quanto a endometriose, ou mais. Sentia alguns sintomas mais preocupantes: perda de peso, queda de cabelo. Junto desse exame, outro resultado: níveis baixos de vitamina D (sua carência é um desencadeador de autoimunes) e do complexo B. No dia que vi o resultado, precisava dirigir quase 3h até chegar ao meu trabalho. Naquela viagem, dirigi entre lágrimas. Trabalhei em meio a uma tristeza profunda. Mas prossegui.

Mudei meu estilo de vida, melhorei a alimentação, comecei a me exercitar diariamente, a me expor ao Sol e a usar gliconutrientes. Continuo firme nesse caminho. Meu peso estabilizou, minha saúde voltou ao normal e a endometriose diminuiu. Não tenho dores e me sinto muito bem. Tenho apenas um sintoma que talvez não desapareça – o inchaço abdominal. Em todo esse trajeto de reformas e descobertas, de boas e más notícias, de consultas especiais e receitas realmente eficazes, renovei minha confiança em Alguém tão esquecido nos dias de hoje, mas que conhece nossa vida em cada um de seus detalhes.

Nesta semana, chegaram os resultados dos últimos exames de sangue. O FAN que tinha dado os alarmantes 1/320 passou, no segundo exame, para 1/160 e, agora, está no mínimo: 1/80. Embora eu pudesse prever esse resultado ao observar meu próprio corpo, com o exame tenho a certificação científica. A vitamina D (25 Hidroxi) passou de 14,6 para 38 ng/mL. Hoje, já tomei meu banho de Sol. Minha vitamina B12 está sob controle (vegetarianos devem sempre dosar essa importante vitamina). Com o quadro de hipovitaminose corrigido, a vida se fortalece.

Compartilho de minha experiência, para dizer: caso você descubra a endometriose em estágio mais avançado ou receba um resultado positivo para outras doenças autoimunes, não desanime. Eu estou bem, muito bem. Faça as mudanças, mesmo em meio a deslizes. Recomece, ainda que tudo pareça excessivamente difícil. Busque informações e as compartilhe. Confie, sempre. Você não está sozinha naquilo que lhe abateu. Ainda que esteja só, que não tenha filhos ou um marido carinhoso, que ao derredor e intimamente nem tudo esteja bem; sua luta para estar melhor é uma luta conjunta. Para quem busca a cura, não há solidão.

Leia a reflexão de hoje: O Médico dos médicos.



Coloquei uma nova receita no blog Sabor com Saúde.


Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.


Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Endometriose intestinal, diagnóstico e radiação

26 de maio de 2011

Ontem, fui a mais uma consulta, com uma gastroenterologista de uma universidade pública. Meu intestino funciona regularmente, não tenho dores, mas um sintoma persiste: inchaço abdominal constante, independentemente do ciclo menstrual. Alguém tem esse mesmo sintoma?

Mostrei os exames. Contei da indicação do médico especialista para retirada de um segmento do meu intestino acometido pela endometriose, devido ao risco de malignização. A médica concordou comigo: fiz bem em não aceitar a cirurgia. Acrescentou que ginecologistas estão fazendo avaliações que somente gastroenterologistas deveriam fazer. Argumentei que o médico que indicou a cirurgia é um dos mais importantes especialistas em endometriose. Na opinião da médica, o exame de ultrassonografia não serve para dimensionar a extensão da endometriose no intestino. Contou, inclusive, que já chegou a participar de uma cirurgia para retirada da endometriose intestinal diagnosticada por um exame de ultrassom. Quando abriu a paciente, não havia endometriose alguma.

Ela disse que o inchaço abdominal pode ser devido à endometriose, síndrome de intestino irritável ou ainda a outra causa. Indicou endoscopia, colonoscopia e tomografia do abdômen total. Para ela, o resultado desses exames trará a resposta final, pois o ultrassom é inespecífico nesses casos. Cada médico, uma leitura. A medicina não é, nem de longe, uma ciência exata. No final da consulta, ela disse que ajo corretamente ao procurar a opinião de diferentes médicos.

Vou tentar reunir coragem para fazer a endo e a colonoscopia. Considero exames bastante invasivos, mas, às vezes, muito necessários. Não farei a tomografia. O nível de radiação do exame é altíssimo e predispõe o corpo a outras doenças (Veja aqui). Além disso, a radiação (raios X, tomografia, com radiação ionizante) é um fator desencadeador de endometriose (Veja aqui). Em 2008, fui submetida a uma tomografia. Então, já passei da minha cota. Precisamos acreditar nos médicos, mas também devemos ter mais cuidado com o nosso corpo. Na próxima consulta, vou conversar sobre alternativas a esse exame.

Dessa última consulta, tiro uma conclusão principal: a endometriose intestinal deve ser também investigada por um gastroenterologista cirurgião que integra equipes multidisciplinares para tratar a endometriose. Além disso, quem tem endometriose deve considerar os riscos da radiação em exames diagnósticos: 1) Evite tomografia computadorizada (TC), pois o próprio método diagnóstico é um estimulador da doença; 2) Em outros países, mulheres com endometriose estão sendo tratadas com radiação (Veja aqui). Alegam que os efeitos da endometriose diminuem, mas aumentam os riscos de câncer. Compensa?

PS.: Penso que no Brasil ainda não se usa a radiação para tratar endometriose. Mas o tratamento pode estar disponível em algum momento, já que a endometriose é uma fonte de lucro para a medicina. De qualquer forma, conhecer mais sobre os efeitos da radiação em nosso corpo é importante, devido os exames diagnósticos, por vezes, paradoxais – exames usados para detectar endometriose podem, também, provocar a doença. Há uma série de reportagens especiais, sobre os perigos da radiação de modo geral, publicada pelo jornal New York Times: The Radiation Boom). Em maio, meu marido conheceu um hospital nos Estados Unidos que tem se especializado em física médica, com tratamentos que usam radiação destinada a eliminar apenas as células cancerígenas, sem atingir as células saudáveis. No NYT, a outra face da moeda: radiações que matam as pessoas devido a erros em softwares, falhas de treinamento, descaso médico. As histórias são bem impactantes. A física médica está em pleno desenvolvimento, estimulada pelo marketing médico. As reportagens do NYT ajudam a entender os riscos dessa tecnologia médica cada vez mais criativa, e também potencialmente perigosa.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Viagens e gastronomia anti-endo



13 de maio de 2011

Nos últimos fins de semana, fiz viagens afetivas e gastronômicas. Comida e emoções andam de mãos dadas. Em meio a montanhas, revi meus pais. Fui recebida com muffins, quibe vegetariano, pamonha de milho reinventada... E juntos, fizemos pizzas para o sábado à noite. Deliciosas pizzas sem queijo. Na gastronomia saudável, há muito espaço para invenções coloridas e saborosas. Sim, a pizza é puro tempero. E o melhor de tudo: foi feita por mãe e filha juntas. Com manjericão, alho, rúcula e escarola refogadas, champignon, palmito, tomate seco... e uma massa integral da minha mamma pizzaoila. Resultado: foi um final de sábado aromático e apetitoso em nossa pequena cantina cercada de natureza.

No fim de semana seguinte, eu e meu marido fomos à casa de amigos que vivem no campo, mais próximos do céu. O friozinho decorrente da elevação de altitude não atrapalhou em nada as caminhadas por entre a mata preservada, animais, cachoeiras. Ali, encontramos o céu azul, as estrelas há tanto tempo não vistas, o silêncio de uma vida longe da cidade. Um paraíso possível e desacelerado. O encontro teve geleias caseiras fantásticas, pão integral, pão de queijo vegan, arroz integral... Voltamos para a casa abastecidos de novos ideais, gratos a Deus pela amizade e por Sua criação. Estar em meio ao verde, em contato com o ar e a água puros, entre árvores avatar, junto a amigos que têm projetos de vida incríveis, é uma experiência inesquecível.

Fizemos também um passeio com os pais de meu marido. Fomos a uma das clínicas de tratamento natural sobre as quais já falei. O dia estava lindo. Para completar, almoçamos uma refeição diferente e bem temperada. Arroz integral, lentilhas, quibes picantes de cenoura... No final, experimentamos uma sobremesa deliciosa: pudim de pão adoçado com suco de maçã e mel. Só de lembrar... A sequência de viagens foi intensa, mas às vezes é preciso acelerar para cultivar afetos, laços familiares e amizades inspiradoras.

A comida resignifica a vida. Muitas pessoas também me ajudaram a resignificar o alimento, em especial, minha mãe – alguém sempre preocupada em conciliar sabores com saúde. Em função daquilo que ela me ensinou, daquilo que estou aprendendo a cada dia, quero compartilhar minhas receitas, minha gastronomia anti-endo que tem dado excelentes resultados. Para isso, criei um novo blog
Sabor com Saúde. A cada novo post, tentarei também publicar receitas que compõe meu cardápio anti-endo. Convido a todas vocês a conhecer esse novo blog!







domingo, 24 de abril de 2011

A luta de Marli

24 de abril de 2011

Acesse o texto: CORONAVÍRUS, sistema imunológico e endometriose



Há mais de um ano, passei por uma consulta particular com um médico pesquisador que também atende em um hospital universitário. Como ele não era credenciado a um plano de saúde e recomendou uma cirurgia cara e complexa, pedi informações sobre o atendimento gratuito. Sem dar espaço para insistências, o médico disse: não temos vagas nem na fila de espera. Em outras palavras: se quiser fazer a cirurgia, pague o preço.

Se há dinheiro, pagar não é o problema. Se o plano de saúde oferece um serviço mínimo, ainda que não inclua a consulta com um médico pesquisador, essa pode ser a solução. Mas se faltam condições financeiras ou o convênio não garante o tratamento especializado, resta ainda o serviço público. Mas, inaceitavelmente, na rede de saúde pública a conta final pode alcançar um valor repulsivo – o preço de uma vida.

Marli Fernandes Almeida, 37 anos, pagou o preço. Agora, pretende processar a Secretaria Municipal de Saúde. Há três anos, iniciou um tratamento para combater a endometriose. O médico receitou o medicamento Gonapeptyl Depot 3,75 mg. Segundo reportagem publicada no Diário da Franca, o remédio ocasionou um quadro grave de osteoporose, “elevando a idade óssea da paciente para 70 anos”. Com uma filha pra cuidar, Marli falou sobre sua luta:

"Passei e estou passando por muitas dificuldades. Imagina você ter 37 anos e uma estrutura óssea de uma pessoa de 70 anos. Não é fácil. Não quero que o que aconteceu comigo se repita com outras pessoas. Por isso, preciso que a justiça apure a prescrição do medicamento Gonapeptyl Depot 3,75 mg, que é fornecido na farmácia de alto custo da Diretoria Regional de Saúde-8, pois ele pode provocar uma série de celeumas aos usuários. Além disso, acho que houve falhas nos exames feitos na Secretaria de Saúde e isso pode ocorrer com outras pessoas", afirmou.
Não tenho condições de avaliar a eficácia do medicamento ou checar cada informação da matéria jornalística, mas essa notícia nos alerta sobre um drama vivenciado por mulheres portadoras de endometriose que dependem da rede pública de saúde. Diante da história de Marli, faço algumas perguntas.

1. Se é difícil encontrar o tratamento adequado para a mulher com endometriose tendo um plano de saúde, qual é a situação das que dependem do sistema público?
2. Quantas mulheres sofrem dores e apresentam os sintomas da endometriose, mas nem sequer são diagnosticadas devido à falta de capacitação de profissionais de saúde na rede pública?
3. Sendo a endometriose um problema de saúde pública, há uma política eficaz do governo federal voltada à doença?

Sobre o item 2, é importante acrescentar que a técnica de diagnóstico desenvolvida para detectar a endometriose profunda (ver o texto Exame para detecção de endometriose profunda) tem sido negociada como uma moeda valiosa entre médicos. Os planos de saúde, em geral, não cobrem o custo desse exame. (Tenho dois planos de saúde e preciso pagar pelo exame!) Já médicos que se especializam, por sua vez, acabam estimulando um mercado de exames, com preços diferenciados, mas igualmente altos. Tais exames especializados surgiram entre pesquisadores médicos vinculados a universidades públicas brasileiras ou que desenvolveram estudos de mestrado e doutorado. Não há nada de errado em ganhar dinheiro com a medicina. É uma profissão como todas as outras, embora devesse prevalecer o senso de missão conduzido por uma ética médica. Mas se há dinheiro público (ou funcionários públicos) nessas pesquisas, é importante saber o que tem sido feito para expandir o acesso ao exame específico, incluindo a transferência de conhecimento para profissionais do SUS (Sistema Único de Saúde). É bom enfatizar que não se trata de transferência de tecnologia, pois o exame para detecção de endometriose profunda é feito com aparelhos convencionais de ultrassom. O diferencial do exame é a interpretação da imagem (portanto, o conhecimento especializado) e o preparo que a mulheres devem fazer. Quem está disposto a repartir o conhecimento e abraçar a missão da saúde pública? Certamente, a relação saúde pública/endometriose envolve muitas outras questões que precisam ser discutidas abertamente.

Para quem tem endometriose, a luta contra a doença é exaustiva e pode se tornar autocentrada. A dor atrai a atenção para o próprio corpo. Pode nos imobilizar para mudanças, pode nos calcificar em frustrações. No caso do sistema médico, a dor pode gerar fortunas. Mas há outros caminhos possíveis e necessários. A dor própria também nos coloca dentro da dor alheia. O sofrimento pode despertar o melhor de cada um, médico ou paciente. Marli cedeu sua foto, compartilhou sua perda, expôs sua indignação. Entre dores, ela encontrou forças. Ao se deparar com suas perdas, se envolveu em uma luta contra um grave problema de saúde pública – que é também um problema moral. E mesmo com a própria estrutura fragilizada, Marli olhou para longe de si. Ela abraçou uma causa mais ampla que pertence a todas nós, ao dizer: “Não quero que o que aconteceu comigo se repita com outras pessoas.”

sábado, 16 de abril de 2011

Mais poderoso que o Zoladex? Mais eficiente que o Mirena?




16 de abril de 2011

Acesse neste blog: Qual é o melhor remédio para endometriose?

No texto Remédio de Liláceas, falei mais sobre a cebola. Apesar de haver outra espécie da família das liláceas mais efetiva e surpreendentemente eficaz sobre a qual planejo falar, agora vou escrever sobre uma terceira lilácea: o alho. Em plena era da tecnologia e dos mais sofisticados laboratórios farmacêuticos, quem se dedicaria a falar de temperos que curam? De plantas capazes de alterar a química intracelular e renovar a vitalidade das células, beneficiando o organismo como um todo e aniquilando doenças? Para muitos, isso é conversa de curandeiro. Vendido a preço irrisório e impossível de ser patenteado, que cientista defenderia o poder medicinal do alho? Que acadêmico teria a coragem de provar que o alho é tão poderoso quanto um dos mais eficientes antibióticos?

No início do mês, um pesquisador de uma das mais importantes universidades do Brasil tornou público o resultado de sua investigação científica com duas espécies de alho. Paulo César Venâncio, professor de química do Colégio Técnico de Campinas (Cotil) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pesquisou as atividades antimicrobianas do alho comparando-o com o antibiótico amoxicilina. Em tempos de bactérias resistentes, quem é mais efetivo no combate a uma infecção – o alho ou o antibiótico? Em sua tese de doutorado defendida na Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Unicamp e orientada pelo professor Francisco Carlos Groppo, Venâncio chegou a seguinte conclusão:

Os resultados mostraram que, depois de 24 horas, os dois alhos levaram a resultados muito parecidos aos da amoxicilina. [...] Os dois alhos, além da atividade direta sobre os microorganismos, ativariam o sistema imunológico. [...]

Para Venâncio, os médicos podem receitar o alho, mesmo que ainda queiram manter a prescrição do antibiótico para dimensionar os resultados. Diante das infecções hospitalares e resistências cada vez maiores ao antibiótico, o alho é apontado como um remédio barato e comprovadamente eficaz. E o mais importante: ativa o sistema imunológico e não tem os efeitos colaterais do antibiótico. Basta acrescentar que depois que se usa o antibiótico, mesmo por pouco tempo, a flora intestinal leva anos para se recompor, segundo pesquisa conduzida no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de Nova York (Link) e outra feita na Suécia, publicada na revista Microbiology (Link).


Ainda não encontrei pesquisas que relacionam o alho à endometriose. Mas eu uso o alho para diminuir a inflamação, afastar a dor e fortalecer meu sistema imunológico. Funciona. Como disse, uma das hipóteses é que a endometriose seja resultado de uma falha do sistema imunológico. Não estou dizendo que o alho substitui o remédio convencional para endometriose. Mas que a pesquisa científica voltada à mulher deve buscar mais caminhos de investigação. Quem sabe um dia surgirá um cientista como esses da Unicamp para comprovar cientificamente que o alho (e um conjunto de mudanças no estilo de vida) é igual ao Zoladex, ou mais potente que o Mirena, mas sem seus terríveis efeitos colaterais.

Talvez a vida seja simples, mas talvez não estejamos mais prontos para aceitá-la na sua simplicidade. Isso exigiria muito de nós. Estamos tomados pela cegueira branca tecnologizada ou pelo autismo tecnicista, como bem nos alertou José Saramago e como nos adverte Jesús Martin-Barbero na sua proposta de uma cartografia libertadora. Quem escreverá no seu consultório essa nova cartografia da saúde? Acostumado com o mundo das pílulas mágicas, que paciente construirá um diálogo ativo com a vida, seu médico, a ciência e a fé para encontrar os caminhos que o levarão à cura? Caminhos, no plural.

Enquanto não há pesquisas científicas sobre alho e endometriose, não custa, com entusiasmo, acrescentar no cardápio um “suquinho” sugerido pelo doutor Venâncio:

Entusiasmado com os efeitos benéficos do alho, o autor enfatiza que qualquer pessoa pode fazer um extrato de alho, como inclusive mostra o site da Anvisa. Basta pegar um dente de alho que pesa cerca de 500mg (meio grama) triturá-lo, colocar a massa macerada em meia xícara de água e deixar por 20 minutos. Segundo ele, ao tomar o suco nas refeições, a pessoa está ingerindo um excelente antimicrobiano. “Fizemos um estudo que pudesse resultar em algo útil e com resultados práticos que podem prontamente ser utilizados pela população”, concluiu.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Para Ângela, de Portugal


13 de abril de 2011

Descobri hoje o seu blogue. Descobri à pouco tempo que tenho endometriose. Sempre tive dores no período, achava que eram normais (preparação para o parto, sinceramente penso que as do parto não serão muito diferentes), mas tomava a pílula e isso atenuava os efeitos, até porque é essa também uma forma de evitar a expansão da doença e mantê-la controlada. Como estou a pensar ter filhos, segui as recomendações médicas, seis meses antes de tentar engravidar! O problema foi que sem a pílula as dores foram piorando, não só pelo período, bem como durante todo o mês, que estou cheia de cólicas e gases! (poderá também ser stress) Penso que não estarei num estado tão avançado porque já fiz uma análise aos ovários e útero. Mas de facto, ninguém me sabe dizer mais nada, e cá ando eu a gemer, a fazer o que empricamente acho que devo fazer, ginástica, boa alimentação (como é talvez pouco) e algumas coisas erradas (tenho de pesquisar mais) e ouvir mais opiniões de quem realmente sofre, porque os médicos, não é nada com eles, ou é só quando estamos num estado lamentável! Não sabia do sol, sei a sua importância, mas sou tão caseirinha... vou hoje mesmo para a praia às 17h30 e 20minutos pelo menos lá estarei. Vou pedir exames aos factores que recomenda e continuar a ler os seus depoimentos. Não sou muito stressada, tento ser sempre calma, mas de facto tenho a mania de querer tudo direito, não necessariamente perfeito. Fico alarmada é com a relação com doenças auto-imunes, a minha mãe tinha e morreu com lúpus sistémico eritematoso. Nunca se queixava de dores no período, mas tinha grandes corrimentos (eu não, período normal, apenas o "muco" nos dias posteriores é castanho). Tenho medo de engravidar e desta forma se manifestar a doença. Tenho medo de não conseguir engravidar, sempre foi um sonho ser mãe... tive uma mãe exemplar, como não podia quer ser mãe? E por último fé :) Obrigada. Serei a sua mais fiel leitora. As melhoras. Ângela

Ângela, antes de tudo, muito obrigada por sua linda mensagem! Em meio à correria desses dias, pensei muito sobre que caminho profissional seguir. Seu e-mail me ajudou a ter uma certeza: preciso compartilhar o que tem acontecido comigo. Preciso falar. Não tenho dores, a endometriose está diminuindo, sinto-me bem. Tudo isso diante de um quadro de endometriose profunda.

Sei que não é fácil encontrar alternativas de tratamento. Mas posso dizer: é possível vencer a endometriose com uma vida saudável. Essa afirmação vem das experiências pessoais e das pesquisas científicas que tenho divulgado no blog. Por isso, faço questão de colocar os links para as pesquisas e artigos que divulgo. Mas pelo fato de eu manter meu anonimato, sei que a força do blog diminui. Colocar meu nome tornaria a realidade mais concreta.

Já tenho um caminho profissional definido, e gosto dele. Mas depois da endometriose tudo adquiriu outro significado. Junto de meu marido, tomei uma decisão. Quero fazer Medicina. Unir ideais de vida a um projeto profissional. Precisamos cultivar os sonhos e as missões pessoais. David Servan-Chreiber, o médico francês autor do livro Anticâncer, falou que para vencer a doença, entregou-se ao projeto do livro. Entregou-se com alegria a um sonho. Não teve medo de sonhar. Isso o ajudou a viver. Sonhar resignifica a vida!

O fato de minha saúde estar melhor é resultado da fé. Dizem que orar é abrir o coração a um Amigo. Sim, Ele nos ouve e nos dirige. Ele também une pessoas. Fico feliz por encontrar você nesse caminho de lutas, sonhos e conquistas que é a vida. Ore a Ele a cada dia.

O estilo de vida é determinante. É preciso mudar. Você tem uma conquista muito importante em sua vida: a calma. É preciso cultivar bons sentimentos e bons hábitos. Decidir ser feliz, decidir vivenciar a paz. É um aprendizado.

Ângela, se não foi detectada a endometriose avançada, os focos não devem estar grandes. Os exames falham para detectá-la. Mas depois do diagnóstico, a probabilidade de erro diminui. A endometriose nos coloca o desafio de equilibrar a vigilância com a tranquilidade. Esteja alerta, mas confie em Deus. Se seu médico não lhe dá a atenção necessária, troque de médico. Há bons médicos. Ao buscar informações e colocá-las em prática, compartilhe suas conquistas. Será muito bom pra todas nós! Você vai vencer e conquistar seus sonhos.


PS.: 1. É lindo o que disse: "tive uma mãe exemplar, como não podia quer ser mãe?"

2. Você mora perto da praia. Que delícia! O sol lhe fará muito bem.

sábado, 2 de abril de 2011

Clínicas de saúde

2 de abril de 2011
Há sete anos, minha mãe ficou doente. Antes de eu me envolver com minha luta pessoal contra a endometriose, precisei lutar por ela, minha mãe. Muitas consultas e exames, até que chegaram a um diagnóstico mais preciso. Foi uma grande luta pela sobrevivência. Hoje, ela está bem.

Naquela época, meu marido ganhou um prêmio num sorteio: quinze dias em uma clínica natural. Minha mãe estava se recuperando, e conseguimos transferir esse prêmio para ela. Nas duas semanas em que ficou na clínica, ela renovou a saúde e aprendeu mais sobre um estilo de vida saudável. Após dois anos, uma de minhas tias que teve câncer também ficou em outra clínica de saúde, depois do tratamento convencional.

Sabemos que precisamos mudar a alimentação, mas como mudar? O que comer? Como incorporar novos hábitos saudáveis? A leitura ajuda muito a adquirir o conhecimento correto. Essa tem sido a minha opção: ler. Mudar não é simples. Perseverar não é mágico. Saber que precisamos de mudança não é a mesma coisa que saber como e de que forma faremos a mudança. Adotar um novo estilo de vida saudável é uma ciência.

Nunca fiz tratamentos nessas clínicas de saúde, mas usei o serviço de hotelaria de uma delas por conta de um trabalho que estava realizando na região. Nessa ocasião, conversei com uma jovem jornalista do jornal o Estado de S. Paulo que estava, junto de sua mãe, fazendo os tratamentos de saúde. Ela falou sobre o stress de sua atividade jornalística. No café da manhã, em meio a um cardápio totalmente diferenciado, saudável e delicioso, conversei com um médico pediatra aposentado pela Universidade de São Paulo (USP) e sua esposa, uma enfermeira. Todos estavam ali em busca da renovação da saúde.

Não são spas, são clínicas de saúde. Para quem deseja iniciar uma nova vida, refazer as forças, fortalecer o organismo e aprender sobre a ciência da saúde no dia a dia, é uma ótima opção. A filosofia de saúde dessas clínicas vem dos Estados Unidos. Um dos maiores centros de inspiração é a Universidade de Loma Linda, na Califórnia, a meio caminho entre Palm Spring e Los Angeles. Segundo a revista National Geographic Brasil (Ano 6, Nº 68, Novembro de 2005, p.70-75), a reforma de saúde desenvolvida ali começou no século 19 com pesquisas empreendidas por John Harvey Kellogg (que mais tarde fundou a fábrica de cereais) e Ellen G. White, entre outros. Um estudo concluiu que as pessoas que adotam o estilo de vida de Loma Linda vivem em média quatro a dez anos mais que o californiano médio. Entre os entrevistados está Marge Jetton, uma adventista super bem-humorada, que aos 101 anos, dirigia seu Cadillac Seville lilás para fazer trabalhos voluntários em um asilo de “velhinhos”. A National Geograph relata: “Deus talvez tenha a ver com a vitalidade de Marge e talvez não tenha; mas a religião [que propaga hábitos saudáveis] dela decerto tem.” Há uma reportagem feita por Ana Paula Padrão em Loma Linda (http://www.youtube.com/watch?v=2PYfrvaQ36w). Muito interessante.

No Brasil, as clínicas de saúde que seguem a filosofia de Loma Linda estão localizadas no estado de São Paulo. Há sites dessas clínicas que também oferecem alguma informação sobre saúde. As clínicas que conheço são: 1. Clínica Vida Natural – Fica em São Roque, SP. Tem horta orgânica, canteiro de ervas medicinais, vários tratamentos. 2. Centro de Vida Saudável (Cevisa) – Fica em Engenheiro Coelho, SP. 3. Retiro de Recuperação da Saúde – Fica em Jarinú, SP. É mais simples, mas falam muito bem dessa clínica. 4. Clínica Retiro - Centro de tratamentos naturais – Fica em Itapecerica da Serra, em São Paulo. É um lugar muito simples. Mas para quem mora em São Paulo capital, pode ser uma alternativa.

A única observação que faço sobre essas clínicas é a respeito do preço. Em 2008, quando mandei um e-mail para uma das clínicas, fui informada que um pacote individual de 21 dias estava por volta de $ 5.000 reais. Concordo que há gastos altos para manter o serviço diferenciado, mas acho que deveriam oferecer também alternativas para pessoas sem poder aquisitivo. Deveriam se empenhar em ampliar o acesso da população aos tratamentos que oferecem e à informação de saúde. Quantas pessoas conhecem essas clínicas? Quantas já tiveram acesso a esses tratamentos tão revolucionários para a saúde? Quantas têm, ao menos, informações sobre elas e os princípios de saúde que defendem? Mais do que um conceito ou uma ciência, saúde é missão - uma missão sagrada.


segunda-feira, 28 de março de 2011

Remédio de Liláceas

28 de março de 2011
Para diminuir os focos de endometriose, também utilizo cebola e alho. Ambos pertencem à família das liláceas. O nome é delicado como nome de flor, o tempero é irresistível, mas o remédio de liláceas exige estômago e convicção.


Se há milhares de anos a gastronomia tempera com liláceas picantes, aos poucos a medicina tem reconhecido, além do valor nutricional dessa família de plantas, seu grande valor medicinal. Cebola e alho também são remédios. Temperos de cura. Receitas simples e fortes contra a endometriose.


Cientista de Milão, do Instituto Farmacológico Mario Negri, publicaram uma pesquisa afirmando que o consumo de sete ou mais porções de 80 gramas de cebola e alho por semana reduz significativamente o risco de desenvolver câncer de vários tipos, como câncer no intestino, mama e ovário. Mesmo quem consome menos cebola por semana (três cebolas), reduz em 56% a chance de ter câncer no ovário. Uma cebola por dia reduziu em 88% o risco de câncer na boca.


Além de anticancerígena, a cebola diminui o colesterol, reduz os riscos de infarto, ajuda a regular a pressão arterial, combate fungos, bactérias, é um poderoso antigripal, é anti-inflamatória, antiúlcera, combate a candidíase, é utilizada para reduzir os níveis do diabetes e usada no tratamento do lúpus. A cebola possui, em geral, cálcio, fósforo, magnésio, ferro, potássio, zinco, cobre, manganês, vitaminas do complexo B (B1 e B2) e vitamina C. Apresenta flavonóides e quercetina, entre outros componentes. Muitas dessas propriedades e nutrientes estão presentes no alho.


Sempre fui de afastar os pedaços de cebola do meu prato. Agora, com a finalidade medicamentosa, tomo suco de cebola com melão ou maçã (o melão é indicado para a saúde dos ovários). Já me acostumei. Também faço uso do alho. Para fazer efeito, é preciso usá-los crus, pois o cozimento elimina suas propriedades medicinais. São anti-inflamatórios, imunoestimulantes, anticâncer e, por isso, alho e cebola são antidores e antiendometriose.


Contra a endometriose, faço uso do suco de liláceas – palavra que reúne muitas espécies além da cebola e do alho com um incrível poder preventivo e curativo. Nas liláceas, há plantas com gliconutrientes.


quinta-feira, 17 de março de 2011

Endometriose e fitoterapia




22/03/2011

Na semana passada, o jornal Folha de S. Paulo publicou um notícia muito interessante sobre tratamento fitoterápico para endometriose com a planta medicinal unha-de-gato. Fiz uso do chá por um bom tempo. Dois copos de chá de unha-de-gato de manhã, e dois copos à tarde de chá de uxi-amarelo. Cheguei a entrar em contato com um médico que utiliza com sucesso o composto para combater miomas. Mas ele me disse que não obtinha os mesmos resultados com a endometriose, e por isso receitava hormônios. Ainda assim, fiz a opção pelos chás.

No período em que utilizei os chás, os focos ficaram estabilizados. Mas após quase um ano de uso, eu já não conseguia tomá-los. Sentia-me terrivelmente mal. Assim, decidi procurar outras formas de tratamento. Agora, com o uso de gliconutrientes, que também são imunoestimulantes, a endometriose não só estabilizou como diminuiu significativamente. A lesões regrediram, diminuiram. A matéria da FSP fala sobre o uso de unha-de-gato em cápsulas. Achei os resultados bastante promissores. De fato, a unha-de-gato em cápsula é uma boa opção. Segue a matéria:


Fitoterápico melhora os sintomas da endometriose Em estudo controlado, remédio à base de "unha-de-gato" reduziu dor e lesões Agora, pesquisadores investigam a ação da planta e as doses ideais para tratar a doença, que causa infertilidade CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO Um fitoterápico à base de uma planta conhecida como "unha-de-gato" tem melhorado os sintomas da endometriose, doença que causa infertilidade feminina e dor nos períodos menstruais. Intrigados com o grande número de pacientes que tomam o remédio por conta própria e relatam melhora, pesquisadores começaram a testá-lo cientificamente.Os resultados do primeiro estudo controlado, feito pelas universidades federais de São Paulo (Unifesp) e do Maranhão (Ufma), em ratas, mostraram que a unha-de-gato conseguiu reduzir em 60% as lesões causadas pela endometriose.
Na doença, o tecido que reveste o útero (endométrio) sai fora dele e atinge outros órgãos da pelve, como intestinos e bexiga. Estima-se que 6 milhões de brasileiras sofram da doença.Agora, na fase clínica do estudo, o fitoterápico será dado a mulheres e comparado com placebo ou medicamentos hormonais usados no tratamento tradicional da doença. A hipótese é que a planta possua propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras (que melhoram o sistema imunológico). Antes mesmo dos resultados do estudo clínico, a unha-de-gato tem sido prescrita a pacientes da Unifesp que já usaram, sem sucesso, drogas hormonais ou para aquelas que não podem usar esse tipo de medicamento.
"Os relatos de melhora dos sintomas, principalmente da dor, surpreendem. Eu dei para a minha mulher tomar. Ela tem endometriose e a medicação hormonal não estava funcionando", diz Eduardo Schor, coordenador do ambulatório de endometriose e dor pélvica da Unifesp e um dos autores do estudo.Segundo ele, a unha-de-gato parece diminuir o processo inflamatório causado pela endometriose na região pélvica. Os pesquisadores ainda não sabem se a planta pode ser usada para ajudar mulheres com dificuldade para engravidar."Não não se sabe, por exemplo, se ela altera a espessura de endométrio ou dos mecanismos de ovulação", explica Schor.Também ainda deverá ser definida a dose ideal do fitoterápico para cada paciente.
No comércio, existem cápsulas de 150 mg, feitas a partir da casca da planta. O ginecologista Carlos Alberto Petta, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), diz que, do ponto de vista conceitual, a unha-de-gato pode melhorar a dor de qualquer processo inflamatório."O problema é que, em se tratando de dor, o efeito placebo é muito grande. O ato de escutar essa mulher também melhora a dor."Para ele, só será possível dizer que a unha-de-gato funciona depois de testá-la em mais estudos.TERAPIA GÊNICA Uma outra linha de pesquisa desenvolvida na Unifesp aponta que há mutações genéticas envolvidas na endometriose. Uma delas, chamada de P27, foi descoberta pela equipe de Schor.A presença dessa mutação aumenta duas vezes as chances de a mulher ter a doença. "O P27 faz com que as células fiquem mais "nervosas" e proliferem mais do que o normal", diz Schor.
A partir dessas descobertas, o grupo trabalha no desenvolvimento de instrumentos de terapia gênica para tratar a endometriose."O uso de adenovírus [vírus modificados] carregando genes que restabelecem a normalidade genética já foi testado em cultura de células de endometriose e os resultados foram promissores", conta Schor.



Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.

Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.



                                          https://www.instagram.com/endometriose_tem_cura/

terça-feira, 15 de março de 2011

Exame para detecção de endometriose profunda



15/03/2011



Oi. Qual exame vc fez para constatar endometriose no intestino? Pela ultrassom abdominal dá pra saber? Obrigada pela atenção. Renata.
Por Anônimo em Vitória possível em 14/03/11

Renata, o exame é o ultrassom transvaginal com Doppler colorido para detecção de endometriose profunda. Não é o ultrassom transvaginal normal nem o abdominal. Um das diferenças, é que você deve fazer um preparo intestinal. No dia anterior ao exame, deve tomar laxante (recomendam Dulcolax). O almoço e a janta devem ser leves. Sem laticínios e gorduras. No dia do exame, pode até comer uma refeição leve. Eu prefiro ficar em jejum. Na clínica, é feita uma espécie de lavagem intestinal final.

Outra diferença importante: o médico deve ter especialização em detecção de endometriose profunda. Procurei na internet nomes de médicos especializados e encontrei esses que atendem no Estado de São Paulo: Maurício de Souza Arruda, Márcia Martos Amâncio Camargo, Manoel O. Gonçalves, Hélio Sebastião Amâncio Camargo Jr., Sandra Regina Campos Teixeira e Leandro Accardo de Mattos.


Se você souber de outros médicos, não deixe de me falar. Podemos publicar uma lista com nome de médicos com esse treinamento específico que atuem também em outros estados. Antes de descorir esse exame, eu passava por exames de ultrassom anuais. Nunca detectaram nada. Por isso, procure médicos especializados, treinados. Faça uma pesquisa de médicos e preços, pois os planos de saúde, em geral, não cobrem esse procedimento. O preço desse procedimento pode variar bastante, indo de 400 a quase mil reais. Podemos publicar uma lista, inclusive, com informações sobre preços e locais.

Esse exame também é oferecido em hospitais públicos como da Universidade de São Paulo (USP) e da Unesp de Botucatu. Se alguma leitora deste blog já fez o exame em um hospital público, mande-nos um e-mail para compartilhar sua experiência.

Sobre o exame de endometriose profunda, leia também o texto deste blog: A luta de Marli.
Seguem links com informações sobre o exame:

http://www.istoe.com.br/reportagens/2679_A+INIMIGA+SILENCIOSA+DA+FERTILIDADE

http://www.gineco.com.br/endometriose/diagnostico-endometriose.html

http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2010/v38n7/a1525.pdf



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quarta-feira, 9 de março de 2011

Sem culpa


9 de março de 2011

O mundo é hiperestrogênico. Estrógeno provoca endometriose. Por isso, não quero carregar a culpa pela doença. Nem por meio da culpa, buscar a saúde. Rejeitar a culpa não é negar mudanças. Mudar é, sobretudo, decidir que a vida pode ser leve e feliz. Que a alimentação natural é fonte de prazer. “Tu não deves” passa a ser: “eu quero, porque quero. E ponto.” É um bater o pé para selar amizade – a autoamizade.

No último exame, pensei: fiz mudanças, mas também falhei tanto. Não amei as pessoas como deveria, não segui o conselho de Renato Russo – é preciso amar as pessoas... Quero o nome mais bonito pra mim, mas jamais será um nome santo. É preciso amar a si mesmo, como se não houvesse o amanhã – sem o peso do futuro, sem o peso do passado. Somos reais e falhos. Mas como é difícil aceitar isso.

Na sala de espera, fazia promessas: perdoar mais, amar mais, relevar mais. As horas foram passando. O médico das imagens atrasou, simplesmente, quase três horas. Normalmente, demora uma hora para começar a ultrassonografar meu abdômen. Naquele dia, teve uma urgência. Precisou atender a uma mulher com dor, devido à torção no ovário. Teve dificuldades em deslocar o sangue velho e preso sem que se perdesse o órgão ou espalhasse as células endometriais. Explicou-me depois.

A última hora de espera foi na maca, na penumbra, entre máquinas de alta tecnologia. Ali, reconheci que errei: não amei como se ama em Monte Castelo, de Russo – o roqueiro genial que buscou no capítulo 13 de I Coríntios, livro da Bíblia, a letra de sua música. Ainda que eu falasse a língua de homens e anjos, sem amor, eu nada seria... Sofri com a indiferença da minha família. E não perdoei por algum tempo. Ressenti-me com o sucesso profissional de uma amiga, porque lamentei por desejos meus não realizados... Ali, na sala do exame, disse-me, na retrospectiva de seis meses, que pesavam na consciência: errei, erros, não perdoei...

Sem internet ou revista em mãos, na posição de espera, esticada na maca, ainda não perdoava, ainda errava. A culpa é pesada, ela dói, arraiga-se e espalha-se, prejudicando-nos. Aos poucos, como diálogo em prece, no tempo de silêncio, repensei outras coisas... Primeiro, é preciso amar a mim mesma. Se errei, devo me amar. Se amo, não há culpas, nem me culpo, nem há culpados. O fogo da consciência pode estar presente, mas ele não arde. A ferida dói, no reconhecimento do erro, mas não se sente. A dor tem que desatinar sem doer. Depois da face agredida, é expor a outra ao perdão, sem estapiar-se, protegendo-me de mim mesma, para ser possível me proteger do mundo e também recebê-lo sem receios. Para ser possível estar só e inserida na multidão. Para protestar pelo erro, num contentamento descontente. Ressurgir como em Ressurreição, de Tolstói – o livro, de todos os livros, que me atravessou, intensamente.

Fechei os olhos, e sorri. Estava em paz. Pouco depois chegou o médico transtornado com a urgência que teve de atender. Pela primeira vez, eu pensava em me amar primeiro, sem o peso da autocrítica habitual. “Amar como a mim mesma”, Ele disse. O resultado do exame foi maravilhoso, pelos motivos que já contei no texto anterior. A endometriose diminuiu!

Mudar a vida – hábitos, alimentação, emoções – por causa da endometriose, mas mudar com prazer, para celebrar a vida pela vida, não movidos por culpa. Como disse Russo, é um estar-se preso por vontade. Nessa prisão libertadora da vida reescrita e musicalizada, com amor.

domingo, 6 de março de 2011

Vitória possível



Fiz o exame tão esperado. Depois de mudanças no meu estilo de vida, refiz o ultrassom para detecção da endometriose profunda. Havia dois focos preocupantes: um endometrioma com mais de 90 m3 de volume no ovário restante e um foco no intestino, com comprometimento da serosa ou invasão da submucosa. No primeiro caso, o aumento do endometioma significaria um risco considerável para o meu ovário esquerdo, já que há mais de dois anos perdi o direito, por causa da endometriose. Sobre a endometriose intestinal, o médico foi claro: eu precisaria passar por uma cirurgia para remoção de um segmento do intestino. O alto custo da cirurgia – à época, 30 mil reais – e os detalhes do procedimento cirúrgico me causaram angústia. Não tenho sintomas, não tenho dor, mas o médico alertou para o risco maior de cancerização em focos de endometriose intestinal se comparado à endometriose em outros órgãos (Há um artigo que fala sobre isso: “Endometriose intestinal: doença benigna? Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ramb/v55n5/29.pdf. O título é um tanto sugestivo. Embora haja mais casos, em números gerais, de cancerização de focos de endometriose no ovário; a chance de um foco de endometriose no intestino se malignizar é muito maior).

Pouco se fala sobre a transformação maligna da endometriose. Creio que essa seja uma preocupação dos médicos pesquisadores, principalmente. No entanto, como já disse, isso não deve ser motivo de ansiedade. O acesso a essa informação precisa se revestir de outro significado: mudança do estilo de vida. Para mim, confesso: foi um balde de água fria. Senti medo, ansiedade, preocupação. Mas passado o susto inicial, decidi buscar mudanças. O resultado chegou nesse exame.

O foco de endometriose intestinal tinha em torno de 2 cm de profundidade. Em termos médicos, destacava-se um espessamento da serosa que se estendia por aproximadamente 2 cm logo abaixo da lesão de retossigmóide. Agora, o foco de endometriose não está mais invadindo a submucosa. Isso é uma ótima notícia. Significa que, caso a cirurgia fosse feita hoje, no máximo seria retirado o foco superficial e não mais um segmento do intestino. Quanto ao ovário, o volume do endometrioma diminui de mais de 90 m3 para 49 m3. Em medidas, no total, perdi quase 7 cm de endometriose, tendo em vista a diminuição de focos na região retrocervical (o maior media 2,4 cm e agora mede milímetros).

Sim, é a alimentação, são os exercícios físicos. É a busca do controle das emoções e o cultivo da fé, a confiança em Deus. Mas a fé não é algo místico, mágico, inculto. A fé precisa ter forte base racional, em respeito às leis da natureza, em conexão à verdadeira ciência. Tenho lido livros de medicina, artigos científicos, relatos que comprovam, estatisticamente, os benefícios da mudança do estilo de vida. Qualquer um que buscar essas mudanças, tendo fé ou não, vai sentir melhoras significativas. Foram mais de dois anos de luta, e agora essa notícia maravilhosa!

Sobre a alimentação, algo fez muita diferença: os gliconutrientes. Li a história do neurocirurgião norte-americano Ben Carson, um médico cristão, premiado internacionalmente por revolucionar a medicina em sua especialidade. Atualmente, ele é diretor do Departamento de Neurocirugia Pediátrica do Hospital Johns Hopkins (Há um filme muito bem produzido sobre sua história, com Cuba Gooding Jr.: “Mãos Talentosas.” Pode ser encontrado em locadoras). No livro “Take the Risk”, ainda não publicado no Brasil, Ben Carson conta que enfrentou, e venceu, o câncer por duas vezes. Além dos tratamentos usuais, ele fez uso de gliconutrientes. Disse que em uma semana de uso, os sintomas do câncer na próstata haviam desaparecido. O livro não é um compêndio médico sobre gliconutrientes, mas a reunião de relatos incríveis sobre um médico pouco conhecido no Brasil que tem uma história de vida extraordinária (Assistam ao filme! Leiam o livro: http://www.amazon.com/Take-Risk-Learning-Identify-Acceptable/dp/0310259738). A partir dessa leitura, pesquisei muito sobre gliconutrientes. Eles estão presentes em vários alimentos. Fiz uso deles, e a melhora foi incrível.

Neste sábado, dia 5 de março de 2011, depois de dois anos e sete meses de pesquisas, mudanças e confiança em Deus, posso dizer: tenho endometriose profunda, não tenho dor e a endometriose diminuiu consideravelmente. Nesse caso, estar curada depende, a cada momento, de vigilância constante. Não existe pílula mágica, o caminho é difícil, mas o resultado compensa: sim, a cura da endometriose é possível. Acredite.

PS.: Embora se autointitule Diário da Endometriose, esse blog não é atualizado com frequência. Mas vou colocar detalhes de como tem sido minha alimentação e meu estilo de vida. Não será com a atualização que gostaria, e por isso peço desculpas a quem lê. Mas farei o possível.