domingo, 21 de abril de 2013

Cálice de vinho


21 de abril de 2013

O consumo de álcool tem relação com a endometriose. No texto Dieta Antiestrogênica, o autor menciona que o álcool aumenta o estrógeno no corpo. Mais álcool, mais estrógeno, mais endometriose. A via não é única. A bebida alcoólica debilita o organismo de outras formas.  Mas o que dizer de um cálice de vinho diário?  

O álcool me assusta desde a infância. Minha avó ficou viúva cedo, e a ausência do marido, diziam, a fez adoecer do mal que rondava a família. A aposentadoria do marido, funcionário público, e seu emprego de enfermeira-chefe lhe davam condições financeiras suficientes para viajar, conhecer lugares e pessoas. Mas imperceptivelmente, no decorrer dos anos, ela adoecia. Irmãos, sobrinhos, primos sucumbiram à bebida. Beberam até morrer e morreram de cirrose, choque decorrente da ingestão de bebida alcoólica com remédios, carência crônica de vitamina B12, suicídio alcoólico, etc. Um bebeu porque havia lutado na Segunda Guerra e queria fugir dos demônios alojados na memória. Outro, dizia-se, se desgostara com a mesmice da atividade no cartório e fora traído pela mulher. A irmã de minha avó morava em frente à praia e bebia apreciando o mar. Morreu trancafiada em um hospital. Com 13 anos, em um dia marcante pra mim, minha avó morreu também. Estava aposentada, era considerada a rainha da alegria nas viagens em grupo, mas confidenciava a poucos que sofria de profunda solidão. Em um domingo, já bêbada, com apenas 63 anos, tomou seus remédios. Não resistiu.

Minha mãe foi a primeira da família a dizer não ao álcool. “Nenhuma gota de álcool”, diz a pequena mulher que conhece a violência dessas chamas. Ela se tornou cristã de uma maneira diferente. Liberdade. Minha tia, há alguns anos, caiu na sina da família e começou a beber. Parou recentemente, após o neto receber alta da UTI. A mãe bebera e fumara a gravidez inteira, o bebê nasceu fraquinho, teve de ser internado. A avó fez voto por ele, diz agora que não volta a beber. Mas meus primos, engenheiros bem colocados no mercado, bebem. Estão a alguns passos do alcoolismo fatal. A bebida é uma cultura, um legado de sangue. Escolhi o legado de minha mãe.

A história de alcoolismo na família se deu da porta pra dentro. Sem violência, sem alarde. Quando bêbados, poderiam estampar as propagandas de cerveja. Eram leves. A história só vinha à tona quando se tornava incontrolável e o fim estava próximo. E sempre, a despeito da falsa alegação do controle, o álcool fez de todos eles pessoas destituídas. O jugo era pesado, o vinho os sepultou. Histórias semelhantes estão por toda parte, muitas entre paredes. Recentemente, uma professora de universidade pública me contou que a mãe era alcoólatra.  Morreu por causa do vício. Quando morei em Curitiba, conheci uma jovem pesquisadora da área de Farmácia na Universidade Federal do Paraná. Ela fez seu mestrado sobre tratamento farmacológico para alcoólatras. O pai, um rico fazendeiro paranaense, bebia. Mais tarde ela me contou que seus conhecimentos adquiridos no mestrado não foram suficientes para ajudar seu pai, mas ela descobrira a novidade de vida. Após anos de desespero, a família viu acontecer o improvável: o pai deixou de beber, reconhecera a Cristo.

Nunca presenciei nenhum ato de violência por causa do álcool. Na família, o álcool atingiu os mais velhos, depois de anos de ingestão diária em contexto social. Eram bêbados sociais que se desintegraram. Carregavam no peito a desesperança que dinheiro algum resolve. Só agora, com meus primos, é que os pequenos meninos têm a desgraça de ver os pais embebedados. Ainda que bebam e riam, é muito triste. A ladeira vai se tornando íngreme e sinuosa, serpenteando-se.

Na última semana, mais uma vez foi noticiado que o consumo de álcool entre mulheres tem aumentado. No ano passado, fizeram uma pesquisa com mulheres paulistanas. As com maior grau de instrução bebem mais para “aliviar as pressões” diante das cobranças sociais e dos múltiplos papéis que precisamos desempenhar. Bebem para esquecer, diferentemente dos homens com maior grau de instrução que geralmente reconhecem, segundo a pesquisa, os riscos da ingestão alcoólica. Do ponto de vista bioquímico, a mulher está em desvantagem em relação ao homem. A bebida no corpo feminino é mais agressiva, pois a atuação enzimática do organismo é mais lenta, tornando-a mais vulnerável aos efeitos do álcool (Pesquisa publicada na revista Clinics).

Qual a relação entre álcool e endometriose?

Mulheres que têm endometriose tendem a consumir mais álcool (Vejas as pesquisas: 1 e 2), o álcool também está relacionado à infertilidade (Veja). De acordo, com pesquisa citada por cientistas brasileiros o consumo de álcool e a baixa atividade física estão entre as causas de endometriose (Veja).

Embora haja pesquisadores e profissionais médicos que não deem importância para a relação entre álcool e endometriose, pesquisas científicas apontam que problemas ginecológicos se manifestam, principalmente, em mulheres que consomem álcool. De acordo com pesquisadores da Universidade de Medicina de New Jersey, “gynecological problems of endometriosis may be a major medical correlative of alcoholism in women” (Veja).

Apesar do resultado dos estudos citados acima, é comum que a mídia divulgue outras pesquisas que apontam como positivo a ingestão diária de álcool, desde que em baixas doses. Segundo o médico Dráuzio Varella, o consumo moderado de álcool é benéfico para o coração, “mas nenhum outro efeito benéfico do álcool para a saúde foi demonstrado até hoje” (Veja). O álcool ajudaria a evitar ataques cardíacos porque aumenta o colesterol bom (HDL) e deixa o sangue menos coagulável.

Sabendo que qualquer dose de álcool aumenta o estrogênio no corpo, como obter os propagados benefícios do vinho, por exemplo? A substância benéfica está na uva – o resveratrol, os polifenóis – e não no álcool. Os polifenóis, substâncias anti-câncer, antienvelhecimento, que combatem doenças cardiovasculares, são encontrados no vinho porque estão contidos naturalmente na uva, não no álcool. Embora haja alguma controvérsia sobre uma diferença mínima de um suposto benefício isolado com o efeito do etanol contra a oxidação de princípios ativos da uva no vinho, outras pesquisas apontam que o potencial antioxidante do suco de uva é igual ou superior ao do vinho, principalmente se for vinho branco (Veja pesquisas que comparam o suco de uva ao vinho: 1, 2 e 3). Por isso, se desejamos evitar os riscos que o álcool nos expõe, podemos substituir o vinho por uva ou suco de uvas, sem o risco de aumentar o estrogênio no organismo. Se queremos combater o LDL e aumentar o HDL, podemos ingerir nozes, abacate e outros alimentos que não incluem no pacote os riscos à saúde e nos beneficiam com múltiplos nutrientes. Se desejamos evitar os coágulos, podemos fazer uso do alho, levedo de cerveja, limão, cebola, entre outros alimentos, igualmente ricos em vitaminas e princípios medicinais ativos. Antes de fazer a mudança de estilo de vida, eu estava com o colesterol alto. Há cinco anos, tudo está normal.

Apesar de aumentar o estrogênio, que outra objeção haveria para o hábito de beber moderadamente ou tomar um cálice de vinho por dia?  Apenas pequenas doses podem desencadear um desejo químico por álcool. A história de minha família é para mim a maior evidência. O vício em álcool está ligado à dopamina, o hormônio do prazer. O álcool libera dopamina. A novidade, de acordo com pesquisas científicas, é que apenas a degustação do álcool, um leve sabor de cerveja na boca, é suficiente para liberar a dopamina. Em pessoas que não bebem, mas têm um histórico familiar de bebida, a liberação de dopamina com a mera degustação do álcool é quatro vezes maior. A liberação de dopamina provocada pelo álcool não nos condicionada necessariamente ao vício, mas nos predispõe ao vício. De acordo com a revista Time, o lema dos Alcoólatras Anônimos agora tem comprovação científica: “É com o primeiro drink que você se torna um bêbado.” (Veja aqui).

Ainda que minha história familiar seja triste, eu tenha conhecido histórias trágicas entre círculos fechados, histórias de liberdade entre os que escolheram a abstinência ou venceram o vício, as pesquisas me convençam a ponto de não haver em minha vida lugar para goles ocasionais, o que considero decisivo para rejeitar o álcool é a importância da consciência. Não quero escapar da realidade, ainda que ela seja muito difícil por vezes. Não quero amortecer minha mente nem a conta-gotas. Eu vivo uma esperança. O ópio em líquido não redimensiona minha história, nem lhe dá saúde, tira minha saúde, desencadeia tantas mortes violentas no mundo, mata aos poucos a consciência de muitos, enriquece uma indústria ávida pela cultura da bebida, é metáfora do mal que cega, fez se perder a quem amei, não me ajuda a encontrar outros trajetos. Digo não ao álcool não porque ele está relacionado à endometriose ou à infertilidade, mas porque quando ele funciona, eu me subtraio e deixo só a quem me espera, bebo porque sou livre e me torno menos livre, calo-me, mas as dores não me deixam.

Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.


Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.

Nozes



Mudamos. A paisagem é linda. Jamais imaginei encontrar noz-pecã em árvores gigantescas e poder colhê-la. A vida mudou. 


As nogueiras continuam produzindo, mas quase ninguém se importa. É preciso ter bico de maritaca para apreciá-las. Temos colhido muitas nozes. 



Leia meu texto “Cálice de vinho”.









Nossa colheita de domingo.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Ela atravessou os rios da tragédia. O que essa história me ensina?

16 de abril de 2013
 
“No verão de 1990, Barbara Bradfield, mulher de 48 anos de Burbank, Califórnia, descobriu uma massa no seio e um caroço debaixo do braço. Uma biópsia confirmou o que ela já suspeitava: um câncer de mama se espalhara pelos nódulos linfáticos. Foi tratada com mastectomia bilateral, seguida de quase sete meses de quimioterapia. ‘Quando acabei de fazer tudo isso’, ela disse, ‘senti que tinha atravessado um rio de tragédia.’
Havia muitos rios para atravessar: a vida de Bradfield foi atingida por outra incomensurável tragédia. No inverno de 1991, dirigindo por uma estrada não muito longe de casa, a sua filha grávida, de 23 anos, morreu em um terrível acidente. Poucos meses depois, enquanto assistia, entorpecida, a uma leitura da Bíblia certa manhã, Bradfield encostou os dedos no pescoço. Uma nova massa, do tamanho de uma uva, tinha aparecido pouco acima de clavícula. Seu câncer de mama reincidira e se espalhara em metástase – prenúncio quase certo de morte.
O oncologista de Bradfield em Burbank propôs mais quimioterapia, mas ela recusou. Em vez disso, ingressou num programa alternativo de terapia herbácea, comprou um espremedor de hortaliças e planejou uma viagem para o México. Quando o oncologista lhe perguntou se podia mandar amostras do câncer de mama ao laboratório de Slamon na UCLA para ouvir uma segunda opinião, ela, embora relutante, concordou. Um médico fazendo testes com amostras de seu tumor a distância não poderia afetá-la.
Uma tarde de verão de 1991, Bradfield recebeu um telefonema de Slamon. Ele se apresentou como pesquisador que tinha analisado suas lâminas de microscópios. [...] Disse-lhe que estava começando um estudo clínico [...] e que ela seria a candidata ideal para a nova droga. Bradfield recusou-se. ‘Eu estava no fim da estrada’, ela disse, ‘e já aceitará o que parecia inevitável.’ [...]
Na manhã seguinte, bem cedo, Slamon voltou a telefonar. [...] “Sobreviventes olham para trás e veem presságios, mensagens que não perceberam”, escreveu Joan Ddion. Para Bradifield, o segundo telefonema de Salmon foi um presságio que ela não deixou de perceber [...]
Quinze mulheres, incluindo Bradfield, inscreveram-se no estudo de Slamon na UCLA em 1992. [...] A droga foi administrada durante nove semanas, em combinação com cisplatina, agente padrão de quiomioterapia usada para matar células de câncer de mama, ambas intravenosamente. Por conveniência, Slamon planejara tratar todas as mulheres no mesmo dia e na mesma sala. [...] No fim da tarde, depois de todos os testes, as mulheres iam cada uma para o seu lado. Bradifield ia para casa rezar. Outra mulher se enchia de martínis.
O nódulo no pescoço de Bradfield – único tumor do grupo que podia ser fisicamente tocado, medido e observado – tornou-se a bússola do estudo. [...] Duas semanas depois da primeira dose do anticorpo, quando o grupo passou em fila por Bradfield, tocando-lhe o nódulo, a mudança era incontestável. Seu tumor tinha amaciado e encolhido visivelmente. [...]
Nem todas tiveram a sorte de Bradfield. Certa noite, exausta e nauseada, uma jovem com câncer metastático reincidente foi incapaz de reter o líquido necessário para hidratar o corpo [...] Morreu de insuficiência renal na semana seguinte.
A extraordinária resposta de Bradfiel continuou. Quando as tomografias foram repetidas, no segundo mês do estudo, o tumor do pescoço tinha praticamente desaparecido, e as metástases do pulmão também tinham diminuído de número e tamanho. A resposta em muitas das outras treze mulheres foram mais ambíguas. [...]
Barbara Bradfield concluiu as dezoito semanas de tratamento em 1993. Ela ainda está viva. É uma mulher grisalha, de olhos azuis-acinzentados cristalinos, que mora na pequena cidade de Puyallup, perto de Seattle, faz caminhadas nos bosques vizinhos e comanda grupos de discussão em sua igreja. Lembra-se vividamente dos dias que passou na clínica de Los Angeles – a sala dos fundos meio iluminada, onde as enfermeiras dosavam as drogas, o toque estranhamento íntimo das outras mulheres que apalpavam seu nódulo do pescoço. E de Slamon, é claro. [...] a animação e energia de sua voz passam pela linha telefônica como uma corrente elétrica. Ela me arguiu a respeito de minha pesquisa. Agradeci-lhe pelo tempo cedido e ela, por sua vez, desculpou-se pela distração. ‘Volte para o trabalho’, disse, rindo. ‘Há gente esperando por descobertas.’” p.488-491.
História narrada no livro premiado em 2011 com o prêmio Pulitzer “O imperador de todos os males – Uma biografia do câncer ” (Companhia das Letras), escrito por Siddhartha Mukherjee, formado em Stanford, Harvard e pesquisador na Universidade de Columbia.

domingo, 31 de março de 2013

Mulheres vegetarianas realmente estão protegidas da endometriose?

31/03/2013
Sei que existem casos que fogem às pesquisas. Talvez meu caso seja um, pois tive endometriose profunda no intestino e ovários, fiz a cirurgia e foram removidos todos os focos de endometriose. Dois anos depois, descobri que a doença havia voltado no intestino, ovários e terminações nervosas que vão para perna. Sou vegetariana, tenho uma alimentação a base de frutas, legumes, verduras e muita fibra e todos os médicos dizem que não posso ser submetida a mais nenhuma cirurgia, pois seria muito arriscado. Anônima.
 Obrigada por escrever. Sua mensagem é muito importante. Desde a infância, eu me considerava vegetariana na maior parte do tempo, mas ocasionalmente deixava de ser, e comia carne. Ainda hoje, às vezes, como peixe, embora esteja realmente pensado em não mais comer. Quando descobri a endometriose, decidi levar mais a sério meu regime vegetariano, mas os focos não diminuíam. A cada exame, estavam um pouco maiores. Eu comia um pouco de frutas, legumes, não comia carne. O que havia de errado?
Cheguei a um ponto crucial: ou aceitava a cirurgia (para retirada do segmento do intestino e limpeza do ovário) ou a endo tomaria conta. Sim, porque sem tratamento, a endo se espalha e se aprofunda, mesmo que não provoque dores. Ela pode agir silenciosamente também. Sabemos que com tratamento médico isso muitas vezes ocorre, por isso a medicina diz que não há cura para a doença, apenas controle. Por vezes, o controle custa caro, causa efeitos colaterais indesejáveis ou simplesmente não controla. Eu teria que seguir por esse caminho mesmo?
Um médico disse: endo é como grama, corta e cresce, às vezes, cresce tão rápido quanto se corta. Minha primeira cirurgia, para a retirada de um endometrioma de 15 cm, foi necessária. Mas a endo continuou crescendo. Quantas cirurgias mais seriam necessárias para vencê-la? Será que se eu pagasse os 30 mil da época (que hoje deve estar beirando os 100 mil), finalmente compraria minha cura? Mas a cura não pode ser vendida, pois quem vende o tratamento diz, com razão, que cura não tem. Não tem no SUS, mas não teria com a equipe médica de multiespecialistas doutorados em endo? E se eu fosse operada pelos médicos certos? E seu pagasse o preço? Com razão e sinceridade, mesmo os especialistas dizem: não tem cura. Tem controle? Mas o que está controlado não está curado? Se tem controle então tem cura, mas se não tem cura, pode-se falar em controle?
Diante desse dilema que envolvia minha vida e minhas dores, eu orei. Pedi a Deus. Eu e meu marido lemos vários livros, repensamos, decidimos fazer mais uma tentativa. Eu era vegetariana, mas meu conceito de vegetarianismo estava errado. Não adianta tirar a carne se comemos açúcar, gordura e carboidratos em excesso. Se tiramos a carne, sentimos mais fome, o que nos leva a precisar do açúcar e das massas. O mais importante não é o que tiramos, embora comprovadamente a carne vermelha e suína estejam relacionadas a casos de endo (Veja esta pesquisa), mas é o que acrescentamos à alimentação. Ellen White, escritora que admiro, diz que se a dieta vegetariana é à base de massas e açúcar, melhor seria comer carne.
Não adianta nem mesmo banir o açúcar branco para sempre se não há nutrição. Por que tirar o açúcar branco? Uma das razões é que para o açúcar ser digerido o organismo retira cálcio dos ossos. O açúcar branco não tem nutriente e rouba o que temos. Mas apenas tirar o açúcar não resolve.
O ponto é: precisamos de nutrição, de nutrientes. Eles são os nossos remédios. No texto anterior, eu falo da noz-pecã que tem o aminoácido tirosina, um dos responsáveis pela produção do hormônio tiroxina na tireoide, tão importante para o funcionamento do corpo. Esse é apenas um exemplo do quanto o nutriente nos constitui. Se ele falta, adoecemos. Devido ao modo de produção industrial do alimento, geralmente o que compramos embalado atrativamente tem tanto nutriente quanto um papel, não importa se é uma lata de milho verde.
Como nos nutrir? Comer legumes, frutas, cereais, vitaminas A, B, C, D, E, aminoácidos... encontrados em alimentos, não em suplementos. Adianta ser vegano, não tomar leite, e ficar sem cálcio? Por isso, se alguém não tem certeza que está ingerindo a quantidade certa de cálcio em sua dieta vegana, será que não é melhor tomar leite, mesmo que não seja o orgânico? Um suco com duas folhas de couve pode fornecer no máximo de 5 a 10% de cálcio de que precisamos diariamente. E o resto, de onde vem? Se não há cálcio no corpo, adianta tomar Sol para ter vitamina D? Se a dieta tem cálcio suficiente, mas eu não tomo Sol, como vou sintetizar esse cálcio?
Adianta ser vegetariano e usar soja, castanhas e pão em excesso, além de adoçante na sobremesa? O vegetarianismo hoje está colado à moda da soja e do glúten, além do excesso de castanhas concentradas em receitas vistosas, que podem fazer muito mal para a mulher com endometriose. Eu era uma vegetariana a base de pão e soja.
Além disso, para não comer errado, muitas vezes deixei de me alimentar bem. Almoçar é sempre melhor que lanchar. Se você pode comer arroz, feijão e peixe em vez de um lanche de queijo, melhor a primeira opção. Precisamos fazer o melhor possível, e o melhor possível pode ser comer carne. Não recomendo que comamos carne, eu não como. Eu prefiro obter informações e avaliar os alimentos que suprem adequadamente a proteína, as vitaminas do complexo B (principalmente a vitamina B12), os nutrientes que preciso para não sentir falta da carne. Se faltar nutriente, a falta não será emocional, mas física. O corpo pede por comida. Mas se no lugar da carne lhe damos pão com queijo, ele não rejeita, mas adoece. Se for para ficar sem a nutrição adequada, melhor é comer carne, mas buscando as alternativas mais saudáveis.
Além de incorporar nutrientes, eu passei a fazer exercícios físicos diários. A comer em intervalos de 5 a 6 horas, tomar água pura (não sucos ou refrigerantes), respirar mais profundamente para oxigenar o corpo, cuidar melhor das emoções, buscar interações sociais que fortaleçam minhas escolhas, diminuir o ritmo do trabalho, dormir as horas certas, comer bem de manhã e jantar uma refeição leve, buscar a Deus em minha vida. Para mim, o último aspecto não é o último item, mas meu início. No entanto, com fé ou sem fé, celebrando ou não o real sentido da Páscoa, o corpo responde positivamente diante das mudanças que o favorecem.
Mais importante do que ser vegetariano ou vegano é adotar um estilo de vida natural possível. O problema é quando os significados sucumbem diante dos rótulos ou os nomes subvertem as ações. Alguém pode ser vegetariano e estar desnutrido. Pode ser vegetariano, e estar usando remédios que provocam efeitos colaterais indesejáveis e de longa duração, mesmo quando se deixa de tomá-los (Veja este texto). Pode ser vegetariano e estar estressado e sobrecarregado com as emoções. Além disso, pode ter um estilo de vida mais natural possível, mas não tem como evitar um mundo em que a contaminação ambiental atingiu índices incontroláveis. Mesmo os legumes e frutas, quando repletos de pesticidas e venenos de toda espécie, estão cada vez mais pobres em nutrientes. Mas como dizia o médico David Servan-Scheiber, melhor comer vegetais convencionais do que não comê-los. Não ficamos doentes por nós mesmas, pelo que fazemos com nosso corpo apenas, mas pelo que é externo também, por ação daquilo que não temos condições plenas de controlar. O meio ambiente está estrogênico, isso provoca endometriose e outras doenças. Mas para enfrentar as agressões externas, temos a opção de fortalecer nosso sistema imunológico.
Podemos ser vegetarianos, comer os alimentos certos, mas submetê-los a tanto cozimento e invenções culinárias que boa parte dos nutrientes não resistem. A regra é ser simples. Descomplicar. Cozinhar arroz integral, com lentilha ou feijões, acrescentar o tempero cru depois, legumes e ovos orgânicos. Reinventar as papilas gustativas. Apresentar a elas os frutos da terra, os sabores como eles são. E ter paciência, até que o simples se faça essencial, com gosto. Sem tempero pronto, sem depender do tempero com gastronomia de formas, ainda que pretensamente natural.
As mudanças de estilo de vida são suficientes para deter a endometriose na maioria das mulheres, como foi o caso de Jennifer (Veja aqui). Mas no meu caso, assim como no seu caso, eu estava muito mal. Magra, com dores terríveis, abatida, desfalecida, com a endometriose aprofundada. A doença já tinha ido longe demais. Melhor é prevenir, é curar o que está leve, mas o que fazer com uma doença que se enraíza por todos os lados? Só quem tem endometriose sabe do que estou falando. Procurei fazer todas essas mudanças, mudei minha própria forma de ser vegetariana, mas precisava de algo que suprisse mais rapidamente os nutrientes que faltavam, de alimentos que combatessem com força a inflamação instaurada no corpo. Foi nesse contexto que modifiquei meu estilo de vida e utilizei a fitoterapia: uma planta muito nutritiva da qual falarei em breve, além do alho e da cebola crus. A endometriose parou de crescer, os focos começaram a diminuir. Ela está sob controle, embora esteja aqui. Se há controle, há cura. Mas a cura da qual falo é tão perene quanto eu mesma permito que ela seja.
Minha querida amiga, em seu caso específico, feche os ouvidos ao que os médicos lhe disseram, desacredite e creia. Sim, é possível controlar a endometriose, mesmo em casos como o seu, mesmo em casos semelhantes ao meu. Não desista.
Escreva-me, se precisar.
Diante da alegria da libertação, da Páscoa que se deu em minha vida, eu não poderia deixar de falar. Estamos juntas.
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Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.

Noz de outono

31/03/2013
Anteontem, na caminhada, tivemos uma feliz surpresa: encontrei uma noz no chão. Pelo condomínio, há enormes árvores de nogueira, mas tinham nos falado que elas não frutificam mais, que a noz-pecã não se desenvolve, deixando a casca oca. Isso é verdade para boa parte das nogueiras, por motivo que desconheço, mas encontramos quatro grandes árvores carregadas de nozes e maritacas. Onde há maritacas fazendo a festa, há nogueiras produzindo. O som estrondoso nos leva à proteína em cápsula viva. Fui até os galhos mais baixos de uma árvore e colhi nozes do pé. A páscoa de sexta teve nozes recém-colhidas.
A noz-pecã tem, entre tantos nutrientes, o aminoácido tirosina. A tirosina é matéria-prima para a produção de tiroglobulina que, por sua vez, produz tiroxina, o hormônio da tireoide. A tireoide regula todo o funcionamento do corpo, seu metabolismo, os carboidratos, gorduras e proteínas, a dança complexa e bela dos hormônios, relacionando-se com a saúde reprodutiva. Ao pedir exames para avaliar minha tireoide, um médico especialista me explicou que há indícios de relação entre a endometriose e a glândula (Veja este estudo).
 
A essência da pequena noz saborosa atrai o bando de aves com seu canto selvagem, acaricia meus desejos por sabores, une-se à glândula regente no comando da orquestra que levamos por dentro. Que as nozes continuem caindo vivas do céu, como dádivas, após o alvoroço guloso das pequenas e nervosas aves verdes.

 





 

domingo, 24 de março de 2013

A saúde e o mar


24 de março de 2013

As conchas do mar nos ensinam sobre nossa saúde.
Cheguei da praia ontem e liguei para meus pais para saber como estão. Ao telefone, praia pra cá, praia pra lá, minha mãe contou que uma amiga disse que viajaria para o litoral. Brincando, minha mãe pediu: “Me traz uma conchinha.” A amiga levou a sério o pedido, mas não encontrou conchas. Perguntou ao dono do bar o que estava acontecendo. Ele disse que não era época de conchas como se conchas dessem em galhos. Abriu a gaveta, vasculhou as moedas e tirou uma conchinha antiga. Deu-a à mulher como se estivesse se desculpando pela infertilidade do mar. Para quem ensinou as três meninas a admirar as mais impressionantes formas e cores que cobriam o caminho da areia, a concha única da gaveta do bar assustou. “Onde estão as conchas do mar?”, perguntou minha mãe.
Não as encontrei. Há 30 anos, eu caminhava naquelas areias ao lado do caminho das conchas. O mar era tanto a água quanto seus brinquedos de cálcio multicoloridos. Agora, nem infância, nem brinquedos, nem meus pais puderam ir, nem as conchas estavam lá, a praia é ausência. Todas as coisas passaram e o mar que eu conhecia não mais existe. Dizem que o calcário oceânico é retirado para ser usado em ração animal e para ser usado no agronegócio no combate à acidez do solo. A casa dos moluscos virou moeda de pinga.
A ausência das conchas diz muito do tempo em que estamos vivendo. Na praia mesmo, compramos uma edição especial da National Geographic sobre a Água (abril, 2011). De acordo com a revista, o sumiço das conchas também está relacionado à acidificação da água do mar. Embora alcalina, a água do mar está 30% mais ácida. Se o mar fica ácido, diminui a quantidade de cálcio nas águas. Sem cálcio, os animais marinhos não podem secretar seu esqueleto. É como se o mar perdesse a sua viga, seu esqueleto móvel, sua proteção e sustentação. Uma espécie de osteoporose marinha, a insustentabilidade do ambiente oceânico. Uma grave doença ambiental. Na p.77, há um gráfico intitulado: “Como se dissolvem conchas e ossos.” Caramujos, cracas, ouriços-do-mar, corais estão em risco. Depois de 30 anos, as águas da infância se tornaram um caldo ácido que dissolve até as conchas mais fortes (Leia mais sobre a acidificação dos oceanos neste relatório da Unesco).
Assim, como as águas do mar, para funcionar bem, nosso organismo precisa ter um meio interno alcalino. Quanto mais acidificado, maior a probabilidade de doenças. Assim como não dá para combater a acidez do oceano apenas jogando litros e litros de uma substância alcalina nas águas do mar, também não dá para resolver a acidez no organismo tomando remédio. É preciso investigar as causas da contaminação ambiental ou da doença no corpo. A acidificação do mar tem sido provocada pela emissão de C02 (o dióxido de carbono atmosférico reage com íons de hidrogênio que aumentam a acidez da água). E o que tem causado a acidificação do organismo?
Gorduras, frituras, industrializados com conservantes, açúcares, inatividade física, emoções estressantes, substâncias farmacológicas agressivas, falta de sono, poluição ambiental.
Como evitar a acidificação do organismo?
Mudança de estilo de vida. Conscientização. Para o açúcar branco ser digerido, o organismo retira o cálcio dos ossos. Quando usamos açúcar branco, estamos nos descalcificando.  Como nos curar? Tomando comprimidos de cálcio? Combatendo a acidez por meio de pílulas? É como jogar comprimidos em alto-mar na esperança de ter as conchas de volta.
Meu caminho tem sido combater as causas da doença por meio de um estilo de vida mais natural. Tenho a opção de continuar comendo açúcar e para minimizar seus efeitos nos ossos usar suplementos de cálcio ou posso escolher parar de comer açúcar, reeducar meu paladar, encontrar novos sabores e transformar meu olhar sobre o mundo. Somos livres, mas há liberdades aprisionantes. Quais escolhas estamos fazendo?
Não é tirando apenas o açúcar que vou resolver a endometriose ou a osteoporose. Assim, como não é apenas usando uma pílula que vou me curar das doenças. É uma mudança integral. Não é apenas deixando de usar calcário em rações para porcos que vamos resolver a questão dos oceanos. Em macroescala, não vejo soluções. Mas em microescala, no que diz respeito ao nosso corpo, embora ele sofra as agressões de um mundo em rápida transformação, é possível mudar. Eu mudei, a endometriose diminuiu, não tenho dores, estou bem. Ainda tenho focos no ovário e intestino, mas a cada exame estão menores. Despoluir o corpo é um processo gradativo. Lento, mas possível. Desafiador, mas gratificante. Não se despolui, poluindo mais.
 
Comer na praia – Embora minha intenção fosse levar meus congelados à praia, pois alugamos um apartamento, eu não consegui fazer isso. Também não queria cozinhar. Em Natal, ficamos na Ponta Negra, e almoçamos em um restaurante fantástico, o Green´s. Os donos tiravam dinheiro do bolso para mantê-lo. O mundo desconhece os sabores que curam.
Em Ubatuba, nessa última viagem, encontramos uma opção interessante, o Integrale. Os pães são deliciosos, feitos de farinha integral, sem ovos, leite ou conservantes. Há pães sem glúten, de variados sabores. O pão de oliva, com sabor de azeite e quantidade generosa de azeitonas, é delicioso. Os patês, incríveis. O patê de berinjela defumada servido antes do almoço com pão mediterrâneo, uma tentação. No almoço, há lentilhas, feijão branco, feijões diferentes... peixes locais (estou evitando peixe, mas às vezes ainda como), bolinho de quinoa, salada com vegetais orgânicos... Os lanches são deliciosos. Pães de ervas e azeitonas. Não recomendo os doces, pois são com açúcar. Só estranhei um pouco a comida devido à quantidade de condimentos, pois há pimenta em algumas receitas, e não uso pimenta. O preço é justo. Como é maravilhoso encontrar um lugar em que se faz um negócio com amor, onde a comida é servida em meio a um jardim pequeno, mas que abriga até avelós. Em Sorocaba, por exemplo, tinha um restaurante com lanchonete que cobrava preços abusivos por uma quantidade mínima de comida natural. O fruto mal amadureceu, e acabou de falir. Por que os “empresários orgânicos” fazem questão de tornar inacessível o valor de seus produtos? O Integrale prova que é possível cobrar o preço justo pela comida saudável, que é possível ir para a praia e comer bem. As férias foram curtas para experimentar tudo o que oferecem.




 

domingo, 17 de março de 2013

Dieta antiestrogênica

17 de março de 2013



Quando estava com a endometriose se espalhando, fiz os exames de ultrassom com preparo intestinal, além de um Papanicolau em uma clínica especializada. Diferentemente de outras clínicas, quando recebi o resultado do Papanicolau, além das informações de costume, havia uma palavra que resumia muito bem minha condição: padrão hiperestrogênico. Este é o padrão da mulher com endometriose: mulheres hiperestrogênicas.

O hormônio feminino estrógeno em excesso é a causa de muitas doenças, entre elas a endometriose e cânceres ginecológicos. Mas qual é a causa do excesso de estrógeno no corpo? Será que a melhor forma de combater o estrógeno é lançando progesterona sintética ou a combinação de hormônios artificiais no corpo? Após esse controle forçado, via pílula ou outro método hormonal, como ficará nosso corpo? Medicação hormonal combate a causa da doença ou se torna ela mesma a causa de outros males que agridem o organismo?
Eu sabia que precisava combater o estrógeno em excesso. Mas combater as causas desse desequilíbrio está cada vez mais difícil. A Organização das Nações Unidas (ONU) publicou recentemente um relatório sobre o risco dos contaminantes químicos para a saúde hormonal e para a fertilidade (Vale a pena ler. Veja a matéria “ONU lança alerta sobre impactos dos produtos químicos do dia a dia”, publicada na BBC). Entre eles, estão os produtos de limpeza, cosmésticos, os agrotóxicos, os remédios, o plástico (vasilhas de plásticos liberam bisfenol que está entre os causadores de endo)... São todos desreguladores endócrinos, que provocam não só endometriose, mas outras doenças (Veja pesquisas aqui).
A poluição de nossa indústria tecnologicamente avançada está provocando um grave desequilíbrio ambiental, com o crescimento rápido de distúrbios hormonais, disfunção da tireoide, doenças autoimunes, esterilidade, cânceres, entre outras doenças. Um jornalista da Unicamp, que acompanha bem a questão da poluição ambiental, certa vez me disse: não estamos doentes, somos doentes.
Há como fugir dessa situação? Não. Conscientes ou não, estamos todos sujeitos à mesma realidade ambiental. Não há ninguém imune, por mais equilibrado emocionalmente que aparente ser, por mais naturalista que tenha conseguido se tornar. Por isso deveríamos viver sem buscar o melhor? De uma forma ou outra, dependendo da propensão genética, estamos sujeitos a uma doença ou outra, desencadeada por esse cenário de degradação do meio em que vivemos. Por isso, desistiríamos de um caminho de cura? A degradação do corpo reflete a degradação do ambiente. O padrão hiperestrogênico do corpo é reflexo da contaminação ambiental. A degradação está dentro e nos circunda. Mas apesar dos pesares, podemos buscar e conquistar a saúde. A meta é a cura, com seus significados diversos.
A mudança de estilo de vida esbarra em uma questão muito simples: como ser natural em um mundo antinatural? Se o ar é importante para a saúde, deveríamos respirar ar puro sempre. Mas se você mora em uma grande cidade, como muitas de nós moramos, sabe que isso é impossível. A qualidade do ar que respiramos é tão importante quanto o alimento que comemos. Por isso, se for possível, faça planos de se mudar para um lugar menos poluído. Se não for, mude o que pode ser mudado. Se for possível, compre água mineral para beber e fazer seus alimentos. Se não for, busque o melhor dentro das possibilidades. Precisamos viver a arte do possível. Mas a vida em arte é uma batalha ferrenha.
A vida em arte também reserva encontros únicos. Nesse percurso de luta contra a endometriose, conheci uma amiga chamada Débora. Ela me deu alguns livros. Entre eles, o livro “The Anti-Estrogenic Diet”, de Ori Hofmekler. O livro apresenta um verdadeiro arsenal para enfrentar um mundo cada vez mais estrogênico. Não é um livro de diagnósticos, é um livro de soluções. Por meio da alimentação e de mudanças de hábitos de vida, é possível diminuir a quantidade de estrógeno no corpo. A escolha está entre atitudes e alimentos que promovem o estrógeno e os que inibem o estrógeno.
De acordo com Hofmekler, os promotores de estrógeno são:
1.     Contaminantes ambientais – derivados de petróleo, plástico, medicamentos, produtos e subprodutos da sociedade industrializada. Essa realidade dificilmente conseguiremos alterar.
2.     A soja – Esse grão contém fitoestrógeno, a isoflavona, com estrutura e função similar ao hormônio humano estradiol. Apenas uma pequena quantidade de isoflavona da soja por dia pode contribuir para aumentar o estrógeno e nos predispor ao câncer. O autor não recomenda soja nem mesmo para quem faz reposição hormonal. É preciso tomar cuidado também com suplementos vitamínicos, pois muitos contêm soja. Embora alguns médicos naturalistas digam o contrário, a soja não me fez bem. Antes de descobrir a endometriose eu usava leite de soja em grande quantidade. Veja aqui os motivos pelos quais não utilizo soja.
3.     Álcool – Bebidas alcoolicas aumentam o estrógeno no corpo. “Apesar da sensação de relaxamento ou satisfação, o álcool não apresenta um efeito positivo real para o corpo. O baixo consumo de álcool altera o metabolismo e causa toxicidade por etanol, incluindo alta dos triglicérides, resistência à insulina e aumento da pressão arterial. O álcool, promove o aumento de estrógeno no corpo” (p. 82,83). O autor sugere a diminuição do consumo do álcool ou o uso de bebidas menos prejudiciais. Eu pessoalmente optei pela abstinência total.
4.     Açúcar e óleo de soja promovem o estrógeno no corpo – Eu não utilizo mais açúcar, nem mesmo o mascavo ou adoçantes. Utilizo um pouco de mel. O autor sugere a substituição do óleo pelo azeite de oliva. Faço minha comida sem óleo e depois coloco azeite. Não como frituras e evito produtos industrializados.
5.     Plantas que promovem o estrógeno – Além da soja, ele cita alcaçuz, lúpulo, trevo, damiana, verbena, dong gui, leonurus cardiaca (motherwort), lúpulo, black cohosh (Cimicifuga racemosa).
6.     O autor recomenda a abstenção temporária de alimentos de origem animal, grãos processados e carne. Eu não como mais carne.  
O livro dá ênfase especial ao que devemos utilizar para diminuir o estrógeno. Vamos às sugestões:
1.     Plantas que combatem o estrógeno – certas plantas têm a capacidade de antagonizar os receptores de estrógeno ou inibir o estrógeno no corpo. São elas: frutas vermelhas (amora, cereja, uva etc... Estou plantando árvore de Goji, em casa. Uma fruta vermelha incrível), camomila, mandrágora, zimbro ou junípero, mistetoe ou erva-de-passarinho (Struthanthus marginatus), dente-de-leão (taraxacum), cardo mariano (Silybum marianum), shilajit, centela asiática (gotukola), Emblica officinalis Gaertn, .
2.     Alho e cebola – Alho e cebola contêm polifenois e quercetinas. São antiestrógeno. Eu utilizo cebolas e alhos crus. São ótimos alimentos, são ótimos remédios. Combatem a endometriose com sucesso. O autor afirma: “Dois outros importantes alimentos antiestrogênicos são a cebola e o alho. Em ambos, o ingrediente ativo é o flavonoide quercetina antioxidante. Conhecida por suas propriedades imunoestimulantes e desintoxicante hepático, a quercetina também mostrou a capacidade de inibir as enzimas que sintetizam estrogénio quando aplicadas em concentrações elevadas. Além disso, a quercetina funciona em sinergia com outros estrogénios [...] para acelerar o seu efeito antiestrogénico em geral no corpo” (p.42).
3.     Especiarias – Orégano, cúrcuma, tomilho, alecrim. “Tomilho e orégano são usados desde os tempos bíblicos como especiarias e remédios. [São] antivirais, antibacterianos, têm propriedades desintoxicantes”. Todos inibem o estrógeno e são anticancerígenos. A cúrcuma inibe o efeito de pesticidas. Vou começar um canteiro de temperos e ervas medicinais em casa. Mesmo morando em apartamento, é possível fazer o mesmo. Quero escrever sobre sugestões de hortas urbanas e pequenos canteiros. Minha sogra fez um incrível.
4.     Alimentos antiestrógenos – Vegetais (brócolis, couve-flor, couve-de-bruxelas, repolho), frutas cítricas (eu uso limão todos os dias, sem falhar), alimentos orgânicos, maracujá, abacaxi (uso muito abacaxi), abacate (uso bastante também), óleo de germe de arroz, óleo de germe de trigo, nozes, castanhas, sementes, tahine (tenho usado com frequência. Excelente).
5.     O autor recomenda o uso de ovos caipiras ou orgânicos. Eu utilizo ovos. Uso no máximo três, cozidos ou na frigideira, sem óleo. Quando passei a utilizá-los com mais frequência, refiz os exames e a endometriose continua diminuindo.   
6.     Exercícios físicos – “Uma parte crítica de ser proativo na guerra contra o excesso de estrógenos é o exercício. Sabe-se agora que o exercício reduz os níveis de estrogênio em mulheres e homens. Os pesquisadores descobriram que o exercício e perda de gordura são, na verdade, antiestrogênicos. Segundo o Dr. Mark Mattson (2005), professor de neurociência na Universidade Johns Hopkins, mulheres que perdem gordura tendem a ser mais ativas fisicamente [...]. Devido ao aumento da atividade física, elas também mostram uma diminuição dramática nos níveis de estrogênio. [...] Aparentemente, nutrição e exercício que mais baixos de estrogênio e de gordura corporal queimada também estão associados com maiores capacidades de sobrevivência.”
A poluição ambiental é uma condição permanente. Os alimentos e substâncias que promovem o estrógeno estão disseminados. Mas, nem por isso, precisamos nos fazer reféns deles. Para encontrar a cura, não basta uma dieta ocasional. Por isso, a dieta antiestrógeno não é uma pílula que substitui outra pílula, um remédio amargo necessário, uma moda alimentar de estação. Se for, é dieta do autoengano.
A dieta antiestrógeno é um estilo de vida. Uma decisão tão permanente quanto permanente são as ameaças à saúde. Um caminho de leituras, descobertas, experimentações, preces, sabores. Ao paladar mais exigente e refinado, essa é a dieta que cura e alimenta continuamente, até a restauração de nosso corpo. A escolha diz respeito à vida que queremos ter. Se desejamos nos render, se preferimos acreditar sem refletir, se aceitamos refletir e mudar, se resistimos aos percalços em um caminho que não vem pronto. É um novo nascimento. A chance que se renova a cada manhã.
PS.: Não deixem de ler o artigo “Açúcar, sal e gordura: as engrenagens da ‘junk food’”, de Eliane Brum, publicado há duas semanas na revista Época. Veja aqui. É o melhor artigo que já li sobre o assunto.

Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.


Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.

Pássaros

 
Um casal de aves migratórias apareceu na chácara. Gostam do telhado branco. Ficam também nas chácaras ao lado, onde posso vê-los do quarto ou da cozinha. Meu marido me chamou. A cena foi única. O penacho da cabeça levantado, olhos arregalados, uma dança especial e um blues.





segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Anticoncepcional e endometriose


25 de fevereiro de 2013

Em minha história pessoal, da perda da saúde para a descoberta da doença, há um divisor de águas: o anticoncepcional. Antes de usá-lo, eu não tinha dor, nem menstruação excessiva, nem endometriose. Depois de um ano de uso, meu ciclo menstrual estava alterado. Algum tempo depois da interrupção do uso da pílula, descobri a endometriose.

Nenhuma das mulheres de minha família tem endometriose, nenhuma usa ou usou anticoncepcional, minhas irmãs não têm filhos. Apenas eu usei, apenas eu fui diagnosticada com a doença que pode apresentar ligações hereditárias. Embora minha realidade familiar ou a observação do meu corpo antes e depois do uso da pílula não tenham valor científico, pessoalmente, acredito que o anticoncepcional está relacionado com o aparecimento da endometriose em meu corpo. Não consta em bula, mas minha suspeita tem indícios que vão além de uma mera impressão pessoal. 

Seria coincidência ter surgido uma epidemia de endometriose em apenas algumas décadas depois do uso maciço da pílula e da nova pílula (O Yasmin chegou ao Brasil em 2001)? A doença não é nova, mas seu caráter epidêmico sim. Enquanto a mulher está utilizando a pílula, dizem que a chance de ter endometriose é pequena – deve ser por isso que a medicina tem indicado repetidamente o anticoncepcional para “prevenir” ou “tratar” a endometriose –, mas após a interrupção do uso da pílula, para engravidar ou aliviar o organismo dos efeitos colaterais da droga, milhares de mulheres, cedo ou tarde, acabam sendo diagnosticadas com focos de endometriose no útero e no ovário. A ciência comprova o primeiro resultado – aparente proteção durante o uso –, mas não quer nem saber de investigar o que me parece o mais importante: o que acontece, de fato, com a mulher após a interrupção da pílula? Se a endometriose surge ou aumenta isso tem a ver com a falta da pílula ou, mais precisamente, com o fato de a mulher tê-la utilizado no passado. Eu acredito na segunda opção. 

Se a pílula é tão boa assim, sendo tão extensivamente utilizada, por qual motivo uma multidão de mulheres em todo o mundo ocidental adoeceu dos hormônios (mulheres com endometriose têm padrão hiperestrogênico)? Por que elas usaram e deixaram de usar ou por que, simplesmente, elas usaram? Não são todas as mulheres, nem poucas as mulheres que recebem o diagnóstico de endometriose após o uso da pílula. Isso aconteceu com você? Aconteceu comigo. 

Não se trata de apontar uma causa única para a confusão hormonal que se instala no corpo da mulher com endometriose, mas alertar para os efeitos diretos e indiretos de uma droga amplamente comercializada, que impõe hormônios sintéticos na corrente sanguínea e modifica, sem pudores, o delicado equilíbrio hormonal do corpo feminino. Contra a pílula tem se acumulado, aos poucos, alertas médicos, resistente à forte maré da Big Pharma – expressão utilizada para designar a multimilionária indústria mundial dos fármacos. Você já leu alguma denúncia contra as pílulas na mídia ou teve acesso a pesquisas acadêmicas? 

A droga que nos libera para o sexo sem filhos é responsável por outras doenças tão ou mais graves que a endometriose. Os hormônios artificiais das novas pílulas, semelhantemente aos caminhões nas estradas que cortam São Paulo, são capazes, embora nem sempre o façam, de obstruir o trânsito sanguíneo, deixando o sangue espesso, lançando sujeira na circulação corpórea, favorecendo “trombos”, “coágulos” ou “congestionamento de sangue”.

Veja o resumo de alguns artigos publicados por jornais sobre a relação entre trombose e anticoncepcional:

1.   Folha de S. Paulo: França investiga mortes causadas por pílula (Veja). A agência de regulação de medicamentos confirmou a relação direta entre a morte de quatro mulheres, por trombose venosa profunda, e o uso do Diane 35 e genéricos. A pílula está ligada a AVC (Acidente Vascular Cerebral) e outros problemas.
2.   New York Times: More Detail on Risk Urged for a Contraceptive Label (Veja) O artigo trata da discussão nos EUA sobre a necessidade de um rótulo alertando os riscos da pílula. Um Comitê Executivo disse que os benefícios ainda superam os riscos, mas a FDA afirmou que os riscos têm se mostrado elevados. Há mais de 10 mil ações judiciais movidas contra a Bayer, alegando que as mulheres têm sido prejudicadas pelo YAZ e o Yasmin. Além disso, a Bayer promoveu a pílula como um remédio para aliviar a tensão pré-menstrual, sendo que não é essa sua função, alertou um médico.
3.   The Guardian: France confirms Diane-35 drug deaths (Veja) 
4.   Folha de S. Paulo: Estudos apontam que anticoncepcionais aumentam o risco de trombose (Veja). Os novos anticoncepcionais como o YAZ e o Yasmin (a base de drospirenona) têm 75% de chance a mais de causar trombose do que os anticoncepcionais antigos (a base de levonorgestrel).
5.   Folha de S. Paulo: EUA avaliam risco de trombose por uso de anticoncepcional (Veja). A Bayer enfrentou ação judicial nos EUA por morte de adolescente devido a coágulo sanguíneo grave supostamente associado ao YAZ. Segundo a Bayer, a bula informa sobre os riscos.
6.   Folha de S. Paulo: Anvisa alerta sobre anticoncepcional com hormônio Drospirenona (Veja)
7.   Folha de S. Paulo: Anticoncepcional não oral aumenta risco de trombose (Veja) Adesivos, anéis vaginais, implantes subcutâneos podem parecer “inocentes”, mas também aumentam o risco de trombose. Há um excelente infográfico nesta matéria.
A indústria farmacêutica, aliada a setores da medicina, esclarece que o risco de trombose profunda é pequeno, por isso não haveria motivos para preocupações ou proibições. Apenas algumas mulheres, de fato, morreriam em decorrência direta do efeito do remédio. Mas o que dizer de outras doenças? Algum pesquisador já investigou a relação real entre anticoncepcional e endometriose? Depois que a mulher interrompe o uso do anticoncepcional, como seu corpo reorganiza a produção de hormônios? Haveria uma relação entre trombose e endometriose? Por que mulheres com endometriose apresentam também trombofilia? Qual a relação entre trombofilia e anticoncepcional? Há uma extensa agenda temática de pesquisas importantes. 
Quando meu marido viu o endometrioma de 15 cm retirado junto com meu ovário, o descreveu como um impressionante “congestionamento de sangue”. O sangue que deveria ter sido “bombeado” para fora de meu organismo ficou no ovário e se acumulou densamente, como um grande trombo a tomar o lugar de um bebê. Por pouco, o trânsito geral não para. Se a endometriose acumulada tivesse se rompido, haveria risco à vida.  
Anticoncepcional provoca endometriose? De acordo com a bula, não. Observando meu organismo, sim. Lendo a bula novamente e vendo a quantidade de mal que causa, essa relação se faz certa, ainda que indireta. A partir da minha experiência, falaria de relação direta. Boa parte da ciência, por enquanto, parece que nem mesmo fez a pergunta básica: qual a relação real entre anticoncepcional e endometriose? No meu caso, se a passagem da saúde para a doença foi definida pelo anticoncepcional, o caminho inverso, da doença para a saúde, foi construído com a mudança de meu estilo de vida, com a interrupção do uso de pílulas, para que o delicado e tênue equilíbrio hormonal seja, aos poucos, reestabelecido e o trânsito orgânico flua com liberdade, sem paralisias.
Sexo livre é sexo saudável. Se a endometriose invade todo o aparelho reprodutivo, com potencial de destruir a saúde dos ovários e útero, e aniquilar o prazer sexual – a penetração se transforma em dor – e se realmente houver uma relação direta e/ou indireta entre anticoncepcional e endo, como acredito que há, a indústria está nos vendendo uma falsa liberdade. A liberdade sexual não se faz tirando a liberdade reprodutiva. A liberdade sexual não existe se, no final, a doença avança e perde-se o sexo. A verdadeira revolução não se faz com a introdução de substâncias violentas no corpo feminino, causadoras de trombos, possivelmente causadoras de endometriose, que não respeitam a sensibilidade de nossos vasos sanguíneos e sua maneira complexa e bela de se comunicar e produzir hormônios.  
Não uso mais anticoncepcional. Amo o sexo demais para voltar a fazer isso. Jamais voltarei a usar o Yasmin ou colocar adesivo como o médico referência em endometriose me sugeriu que fizesse. Não uso anticoncepcional, menstruo todo mês, minha saúde está muito melhor. A endometriose diminuiu.
A doença aprisiona. A pílula não nos liberta.

Eu reaprendi a ser livre.


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