sábado, 10 de maio de 2014

Ela está grávida



10 de maio de 2014

Meu filho nasceu em janeiro. Ele é um bebê saudável e querido.Vou escrever sobre o nascimento e o renascimento de João. Mas neste Dia das Mães, quero compartilhar a mensagem que recebi pelo blog, enviada para o texto Endometriose e fitoterapia: minha experiência com a babosa. Assim como Carol (A gravidez de Carol) e Alessandra (Oração de Lorenzo), ela tem endometriose, era quase impossível que engravidasse, mas engravidou naturalmente. Eu não fiz uso de acupuntura nem homeopatia, mas nossos tratamento tem semelhanças, pois está fundamentado na mudança de estilo de vida. Embora o objetivo de ter hábitos saudáveis não seja, necessariamente, engravidar, o fato é que ao fazer essas mudanças, aumentam as chances de uma gravidez. Não podemos perder a esperança, ao mesmo tempo em que podemos aceitar novos caminhos, além daqueles que desejamos muito. A fertilidade é amplidão.



Já nasceu o seu menino? Correu tudo bem? Agora o tempo é dirigido ao seu bem mais precioso :)

Eu não desisti apesar da 4ª menstruação ter sido muito dolorosa e já ter um novo tumor de 2 cm. O meu marido com amor por mim sugeriu que eu não continuasse a tentar pois era a minha saúde que estava a ser comprometida, mas Deus lá interviu e incrivelmente as dores diminuíram nas 2 menstruações seguintes e não houve mais... fiquei grávida :)


Engravidei naturalmente apesar do meu médico achar que isso seria praticamente impossível... devo ao meu marido que sempre me apoiou, devo muito a si, segui muitos dos seus conselhos, deve-se à acupunctura e ao xarope de aloé.
Deus pôs a mão em mim, sou muito abençoada. 
Em breve farei uma eco para saber se está tudo direitinho e agora é rezar para que a gravidez vá até ao fim :)

Muito obrigada e muitas felicidades. 


Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.

Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A gravidez de Carol

9 de janeiro de 2014

Hoje, em um momento tão delicado de minha vida, recebi a mensagem sublime de Carol. O João está para nascer, mas à espera dele fui contemplada com o milagre da vida. Deixarei que suas palavras, tão belas e inspiradas, transformadoras e fortes, alcancem a quem precisam alcançar, levem esperança e certeza a quem procura pelo caminho não só de superação da endometriose, mas de renovação do próprio sentido da existência. Obrigada, Carol, por compartilhar, por voltar aqui, neste momento. Suas palavras são como incenso, ouro e mirra enviados do alto para suavizar a alma e preparar o corpo para o nascimento de um bebê muito desejado. Envie seu e-mail. Não vou publicá-lo. Gostaria de conversar com você.  


Olá! Apesar de não saber seu nome, te considero uma amiga e até confidente. Essa sensação de intimidade que se deu assim, unilateralmente, veio depois que descobri o seu blog, há cerca de 4 meses. Neste dia tão feliz, eu havia determinado para mim mesma que acharia uma outra saída. Havia saído do consultório de um médico muito bem conceituado dias antes com a palavra “cirurgia” pulsando na minha mente. Me senti deprimida e sem esperanças. Vamos por partes. Anos atrás, totalmente “por acaso”, descobri que tinha endometriose. 

Sempre tive os sintomas de fortes dores menstruais, desde sempre, mas nunca passei por um médico competente o bastante para sugerir essa doença. Assim, segui meu destino de dor, acreditando que era simplesmente uma merecedora deste infortúnio. Quando eu estava com cerca de 28 anos, me consultei com uma médica holística muito especial que me pediu, dentre muitos outros, um exame do marcador CA-125, por conta de histórico de câncer na família. No meio de tantos exames, eu não fazia ideia do que significava esse marcador até o resultado sair alterado, eu ir até o google e me desesperar achando que tinha câncer de ovário. Liguei para a médica em pânico, e ela ma acalmou: “pode ser um mioma, uma endometriose... Procure um ginecologista.” Ufa! Não sendo câncer, tudo está bem! Foi o que pensei. 

Mas o que seria endometriose? Fui numa ginecologista do meu convênio médico. Pela primeira vez na vida, alguém me pediu um ultrassom transvaginal. Eu tinha 28 anos, e mesmo indo anualmente ao ginecologista, nunca algum me fez esse pedido. Inacreditável. Fiz o exame, que deu alguma alteração não muito precisa. A médica: devem ser alguns endometriomas (oi?), tome esta pílula anticoncepcional. Não explicou mais nada, e eu saí de lá e não tomei pílula nenhuma. 

De fato, não conhecia a gravidade do meu problema, não fui devidamente alertada e não segui a recomendação médica por achar que o atendimento havia sido superficial demais. Não sou a favor de tomar remédios e hormônios sem necessidade. Sou semi-vegetariana há mais de 10 anos (como peixe eventualmente, e só). Cozinho meu próprio alimento e dou preferência para os orgânicos. Quase não como fora de casa. Construí minha rotina de forma que eu pudesse trabalhar como autônoma, e assim ter tempo para cozinhar para mim e para meu marido. Tenho consciência do que como, evito industrializados, frituras, alimentos sem vida. Minha dieta não é perfeita, mas faço o possível. Nem sempre foi assim. 

Já trabalhei em empresas e tinha um estilo de vida frenético que me fez parar e refletir. Mudei tudo, e isso aconteceu lá pelos 28 anos também, um pouco antes dessa questão da endometriose surgir. Além da minha dieta, busco me auto-conhecer. Frequento grupos de estudos de aprimoramento pessoal, e também tenho a minha fé e religião, muitíssimo presentes em minha vida. Ou seja, a endometriose foi se instalando apesar dos meus esforços e de acreditar que o que eu fazia me tornava invulnerável. Acho que talvez por isso, decidi ignorar a médica. Me recusava a aceitar. 

Segui a minha vida com as minhas dores menstruais, até que eu decidi engravidar, cerca de 1 ano atrás. Num momento bastante estável da minha vida e de meu relacionamento, ambos concordamos que era um bom momento e nos animamos com a ideia. Porém, mês após mês, a decepção. A menstruação chegava e com ela um profundo desânimo. Após 8 meses de tentativas sem êxito, caí na real: precisava me informar melhor. Logo descobri a gigantesca quantidade de informação que se acha na internet sobre endometriose, todas muito desanimadoras. Os fóruns de mulheres que se apoiam estão na verdade cheios de tristeza e impotência. Tudo o que encontrei foi “infertilidade”, “indutores de ovulação”, “FIV”, “cirurgias”. 

Não era possível! Não há nada que possamos fazer? Somos assim tão impotentes perante nosso corpo? Deprimida, procurei um médico especialista. Seu currículo era um brilho só, professor da faculdade de medicina da USP e tudo o mais.

Claro que não era barato, mas eu queria respostas. Ele me examinou, pediu exames complementares. O veredito: cirurgia. Sem a cirurgia, provavelmente não engravidaria. Com a cirurgia, investimentozinho de 20 mil reais, no mês seguinte ele me daria uma "forcinha" (leia-se “indutores de ovulação”) e eu certamente engravidaria. Uau! Que médico poderoso, não? Apesar de ele ter dito tudo isso animado, eu só me sentia desprezível. Meu corpo era imperfeito, e precisava ser corrigido por um super-herói médico.

Foi neste ponto em que eu decidi agir de verdade, achar uma outra solução. Haveria de existir, dentre todas aquelas mulheres resignadas e infelizes que encontrei nos fóruns, alguma que teria um caso de sucesso. E então eu encontrei o seu blog, que veio iluminar as minhas esperanças. Em cerca de 1 semana, li todos os seus posts. Adotei quase tudo que você sugeriu.

Eliminei açúcar por completo, laticínios e cafeína. Passei a me exercitar com mais freqüência. Fiz reajustes nos meus períodos de descanso. Inseri muito alho, cebola, limão e levedo de cerveja na minha alimentação. 

Orei mais. Passei a pedir que Deus guiasse meu caminho nesse assunto. Fiz terapia, confrontei meus medos. Me abri com amigas, chorei. Procurei terapias alternativas, uma delas foi a terapia neural, que considero ter feito uma diferença positiva significativa no meu caso. Confiei que encontraria uma saída não cirúrgica, mas em paralelo fui me preparando emocionalmente para passar por ela, caso fosse necessário. Se assim fosse, ela seria feita nesse mês, Janeiro de 2014.

Mas no final de Outubro, um milagre aconteceu, e na metade de Novembro me descobri grávida naturalmente. Sem “forcinha”, sem hormônios artificiais, sem cirurgia. 

A minha alegria precisa ser compartilhada. Quero que outras mulheres que tem endometriose conheçam o meu caso e acreditem, mas além de acreditar, que ajam! Que mudem seus hábitos! Que revejam seus comportamentos anti-saúde! 

O nosso corpo nos pertence, está em nossas mãos cuidar bem dele. As doenças são sim criações nossas, não de Deus, não de fora de nós. Sim, devemos assumir a responsabilidade pela nossa cura, pois isso nos liberta! 

Querida amiga dona deste blog, gostaria de agradecer-lhe profundamente por seu trabalho de compartilhar a sua experiência e toda a sua pesquisa. O que você fez por mim, certamente faz para outras mulheres. Que Deus te abençoe muito e à sua família. Seus relatos trouxeram muita luz para minha vida. Eles fizeram o que nenhum médico conseguiu fazer. 

Finalizando, a endometriose continua aqui. Tenho um endometrioma de 6cm no ovário esquerdo. Minha luta continua. Hoje, consigo até agradecer a endometriose, pois ela me trouxe muita consciência. De onde eu estava, de como me cuidava, do quanto não honrava ou valorizava meu ser mulher. Hoje me dou mais valor e carinho. Sou mais grata ao que tenho. Tenho mais fé do que nunca. Fiquem com Deus, todas as mulheres que enfrentam a endometriose. Estamos juntas!

OBS: de forma alguma sou contra a medicina. Seus remédios e cirurgias aliviam agonias e salvam vidas todos os dias. Mas não acredito no sistema médico atual, em que a cura está inteiramente nas mãos do “doutor”. Deixamos de ser protagonistas de nossas vidas e confiamos nossa saúde a estranhos. Nos tratamos com drogas que geram outras doenças. Por isso, hoje procuro ouvir mais o meu corpo e buscar soluções mais naturais.


Veja neste blog: Meu tratamento contra a endometriose


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sábado, 4 de janeiro de 2014

Meu tratamento contra a endometriose


4 de janeiro de 2014



Há cinco anos, recebi o diagnóstico de câncer. Era endometriose profunda, infiltrativa, grau IV, espalhada por toda cavidade abdominal. Perdi meu ovário direito, tive crises de dores terríveis, emagreci, tornei-me infértil, adoeci gravemente. A fraqueza do meu corpo, meu abatimento e dores eram visíveis. Haveria algum tratamento capaz de recuperar um organismo tão abatido pela doença? Decidi mudar meu estilo de vida. Encontrei um novo caminho. Os focos de endometriose diminuíram, a dor desapareceu, a saúde voltou, como se jamais eu tivesse ficado tão doente. Por fim, em 2013, engravidei naturalmente.

Conto minha história neste blog. Neste texto, coloquei em tópicos todo o meu tratamento, meu novo modo de viver. Há links para textos que escrevi no blog. Além desse resumo geral, há no blog inúmeros textos e experiências de outras leitoras que compõe uma história de cinco anos de lutas, desafios e recompensas. Estou curada da endometriose, mas essa cura existe tanto quanto persisto neste caminho de mudanças e novos conhecimentos. Saúde, em seus diversos aspectos, é o que desejo para todas nós diante das inúmeras lutas que precisamos enfrentar. É possível, sim, vencer a endometriose.


I
- Um dos princípios centrais de meu tratamento contra a endometriose é a nutrição (Escrevi este texto).

- Mais importante do que os alimentos que tiramos da dieta (e realmente é preciso mudar o cardápio), são os alimentos nutritivos que inserimos, pois precisamos de variedade de nutrientes para as necessidades do organismo. Mais do que se pautar pela restrição, busque conhecer e introduzir alimentos saudáveis. Busque novos sabores. Há uma variedade deles (Escrevi este texto).

- Avalio se estou ingerindo os nutrientes necessários, tais como cálcio, ferro, vitaminas do complexo B (principalmente vitamina B12), outras vitaminas e minerais. É preciso encontrar fontes alimentares saudáveis desses nutrientes.

- Evito alimentos industrializados.

- Não uso açúcar (branco, demerara, mascavo) ou adoçantes artificiais. Uso mel com moderação (Escrevi estes textos: 1, 2).

- Minha dieta é composta por variedades de frutas, legumes e alimentos integrais.

- Não como carne vermelha ou de frango, mas, às vezes, como peixe. (Doso sempre a quantidade de vitamina B12, por meio de um exame de sangue). Mas ser vegetariano não é sinônimo de ser saudável (Escrevi estes textos: 1 , 2).

- Praticamente não faço uso de laticínios. Minha fonte de cálcio é de origem vegetal.

- Faço uso de limão, alho e cebola crus, de variadas formas. São essenciais.

-Em cada refeição, faço uso de poucas variedades de alimento. Como em pouca quantidade. A variação de alimentos é de uma refeição para outra, de um dia para o outro. O ideal é variar o máximo possível no decorrer dos dias, mas ter refeições bem simples e comer com moderação.

- Não uso álcool (Escrevi este texto), cigarro, cafeína (Escrevi este texto), chocolate, soja (Escrevi este texto) e refrigerantes.

- Prefiro alimentos orgânicos e integrais, mas se não for possível consumir os orgânicos, faço uso dos que estão disponíveis.

- Faço três refeições diárias, com intervalo de 5 a 6 horas entre elas. Não como nada nos intervalos, apenas tomo água pura (30 minutos antes e duas horas depois das refeições) (Escrevi teste texto).

- Raramente, tomo suco de fruta ou uso geleias (às vezes, suco ou geleia natural. Nunca os industrializados). Prefiro a fruta.

- Procuro fazer eu mesma minha comida. Aprender a cozinhar é fundamental (Veja meu blog sobre alimentos e culinária saudável Sabor com Saúde) .

- Quando possível, vou a restaurantes vegetarianos ou orgânicos. Conhecer restaurantes, fazer aulas de culinária natural, procurar receitas saudáveis ajudam a descobrir novos sabores, sem que sintamos falta da comida que prejudica a saúde (Veja no meu blog Sabor com Saúde dicas sobre site de receitas).


II
- Tomo Sol diariamente, sem protetor solar, de 15 a 30 minutos, ou mais. Doso sempre a vitamina D no sangue (fundamental). Durante o dia, procuro ficar em ambientes mais iluminados (Escrevi este texto).

- Bebo bastante água (essa deve ser a principal bebida). Procuro beber água mineral filtrada. Nunca água do encanamento filtrada (Escrevi este texto).

- Mantenho uma atividade física diária (caminhadas de 40 minutos, com intensidade, duas vezes ao dia, de manhã e à tarde. Portanto, duas vezes ao dia). Também procuro me exercitar, manter-me ativa, durante o dia (Escrevi estes textos: 1, 2).

- Valorizo a qualidade do ar e a respiração (Escrevi este texto).

- Procuro respirar profundamente e manter a postura correta, sem me dobrar sob o abdômen quando estou sentada (muito importante). O correto é a respiração diafragmática, não a torácica (Escrevi teste texto).

 - Durmo bem (Em geral, vou dormir antes das 21, 22h e acordo antes das 6h) (Escrevi teste texto).

- Valorizo o descanso. Uma vez por semana, no sábado, paro com minhas atividades habituais e dedico meu tempo para um maior o contato com amigos, pessoas que necessitam de algo, passeios na natureza e frequência na igreja.

- Passei a valorizar o contato com a natureza. Mudamo-nos para um condomínio de chácara. Se não for possível fazer uma mudança maior, valorize os passeios pela natureza. Assista a vídeos sobre a importância da natureza para a manutenção ou recuperação da saúde (Veja as excelentes reportagens feitas pelo Globo Repórter sobre a relação entre a natureza e a saúde: 1, 2, 3).


III
- Faço uso de recursos fitoterápicos, entre eles o composto de babosa (Escrevi este texto). Também uso alho e cebola crus.

- Não uso remédios, anti-inflamatórios, remédios para combater a dor, nem qualquer remédio antidepressivo, pois eles além de pouco eficazes podem desencadear dependência psíquica, entre outros efeitos colaterais.

- Não uso qualquer medicação hormonal (Escrevi este texto).

- Não uso suplementos vitamínicos.

- Não aceitei métodos artificiais de concepção, tais como hormônios para estimular ovulação, inseminação ou fertilização in vitro (FVI) (Escrevi este texto: O livro da vida).

- Evito produtos químicos de limpeza e cosméticos convencionais. Por exemplo, não guardo comida em vasilhas de plásticos, principalmente se o alimento está quente; procuro evitar produtos de limpeza e cremes estéticos com parabeno e outros componentes prejudiciais. Uso produtos de limpeza caseiros ou orgânicos.

- Faço os seguintes exames de sangue para avaliar meu estado nutricional: ferro, ferritina, 25-OH (vitamina D), vitamina B12 (Escrevi este texto), homocisteína. Exame para detectar a endometriose: Ultrassom do abdômen total com doppler colorido com preparo intestinal (Escrevi teste texto). Exames adicionais: CA-125, FAN, exames para avaliar a tireoide. Além desses, faço os exames para avaliar o fígado e os rins. Obter o diagnóstico correto é imprescindível. Acompanhar a eficácia do tratamento com exames médicos é fundamental. O tratamento que faço tem acompanhamento médico.

- Fiz todas as mudanças com acompanhamento de exames médicos periódicos. Avaliar a eficácia do tratamento, com acompanhamento especializado, é essencial (Escrevi este texto).

- Considero importante obter informações sobre a endometriose e refletir sobre o tratamento escolhido, assumindo a responsabilidade pela própria saúde. Para ter saúde, precisamos estar ativos na construção de nossa própria receita (Escrevi este texto: Pensar demais na endometriose faz mal?).

- Levo a sério meu tratamento. Se falho em algo, não me culpo; mas renovo diariamente meu compromisso em prosseguir.


IV
- Valorizo a saúde financeira. Diminuímos nossos gastos, para não entrar em dívidas. Priorizamos um estilo de vida mais tranquilo e simples, com menos trabalho, correria e consumo desnecessário. Nossa renda diminuiu, mas não temos dívidas. A saúde melhorou (Escrevi este texto).

- Analiso meus relacionamentos. Estava empregada em trabalhos abusivos (salário, chefia etc.). Mesmo diminuindo minha renda, após fazer planos, pedi demissão. Isso foi essencial para minha recuperação. Avalie suas relações e busque um planejamento para mudanças, caso haja situações abusivas nesses relacionamentos, sejam elas no âmbito profissional, familiar ou conjugal. Nem sempre é preciso romper um relacionamento, mas deve haver uma decisão para modificá-lo. No entanto, se for necessário rompê-lo, busque formas de fazê-lo. Relações abusivas adoecem.

- O tópico acima vale também para o tratamento médico. Analiso meu tratamento médico. Se o profissional que lhe atende não lhe dá o tratamento eficaz, não permite que você expresse sua opinião ou participe das decisões de seu tratamento, não lhe respeita ou escuta, converse com ele. Se não resolver, procure outro profissional. Não desanime, há bons profissionais.

- Valorizo a realização pessoal por meio de ações criativas, oportunidades para se expressar e criar novos projetos sejam eles familiares, comunitários ou profissionais. Manter ou despertar a criatividade é essencial para a saúde.

- Procuro conciliar geração de renda com criatividade. Se não é possível, procuro inserir a criatividade mesmo que além do âmbito profissional.

- Passei a valorizar mais a interação social. Estabelecer conexões sociais sadias que nos sentimos inseridos e aceitos é muito importante para a saúde. Envolver-se em causas sociais, de ajuda ao próximo, é essencial.

- Procuro ser feliz, sem negar minhas emoções (muito importante!). Escrever é uma parte importante do meu tratamento.

- Procuro ter consciência de minhas limitações, falhas, insuficiências. Não existe perfeição. Não acredito que uma força que vem de nós mesmos seja capaz de resolver nossos dilemas, embora o exercício da força de vontade seja essencial para fazer as mudanças. Acredito na existência de uma força externa a nós mesmos. Ao contrário do que se fala, a força para renovar os propósitos e ter uma vida com significado não está dentro de mim.


V
- Além de mudanças físicas e emocionais, valorizo a espiritualidade (Escrevi este texto: 1, 2).

- Procuro estar aberta para caminhos inesperados.

- Aceitei um grau maior de vulnerabilidade. Mesmo sabendo que teria dificuldades físicas para engravidar, sentia receio de ser mãe devido a tantas implicações que fogem do meu controle. Abri mão do controle e da previsibilidade. Entreguei minha vida nas mãos de Deus. Se fosse para ser mãe, aceitaria as felicidades e riscos que essa decisão envolve; se fosse para não ter um filho gerado por mim, aceitaria as felicidades e riscos que outros caminhos, tão férteis quanto à maternidade, oferecem. Não há respostas únicas. A vida é bela. A fertilidade é amplidão.

- Hoje, é o aniversário de dez anos de meu casamento. Como disse meu marido, nosso presente ainda está embrulhado, o bebê João. O amor desse homem me deu vida (Veja o texto que ele escreveu: Endometriose, uma notícia que me fez feliz). Como diz o apóstolo Paulo, em Coríntios 13, nenhuma linguagem, nenhuma ação, nada é maior do que o amor. “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor” (1 Coríntios 13:13).

Deus é amor. Confio em Deus. O aspecto que considero mais importante em meu tratamento é a confiança em Deus (Escrevi este texto).  



Veja meu Cardápio, com detalhes, para superação da endometriose no meu blog  Sabor com Saúde.


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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Além da saúde


25 de dezembro de 2013

O corpo é falível. Modifica-se, envelhece, adoece, fragiliza-se, limita-nos.

Um filósofo escreveu, nesta semana, para um jornal de grande circulação que rimos dos antepassados que criam no sobrenatural. Mas, certamente, diz ele, nossos descendentes rirão de nós, de nosso ceticismo ou crença disfarçada de ceticismo depositada em projetos humanistas nos quais a força e a capacidade de se autoconstruir residem em nós, apenas em nós, seres ávidos por “saúde...”. Sociedade aficionada pelos valores democráticos, idólatra da saúde, do corpo. O corpo no centro, como o Sol.

Esses nossos descendentes, diz o filósofo, daqui uns mil anos, crerão em Deus; mas o deus dos descendentes do filósofo, a imagem de divindade que mora nele, é aquele que permitiu a ópera indigesta do mal. Deus mal. Com tanto sofrimento e dor, desconcertos, como não pensar assim? Quando a dor se aloja nos nervos, contorcendo a carne, e a carne de nossa carne, ou esfacela milhares de ideais e escancara-se na brutalidade das ruas e de homens, em mim mesma, eu descreio. Sem o conhecimento da história da redenção, não há história. É Natal, mas o filósofo não menciona a Cristo. Sem mencioná-Lo, coloca-se à mercê do “triste maestro”. Sem Cristo, não há como entender.

Tolstói e Dostoiévski, em Ressurreição e Crime e Castigo, reconstroem o corpo de seus personagens alquebrados e doentes durante um trajeto que culmina no aparecimento de Cristo, a quem não se menciona, a quem não se recebe, sobre o qual o silêncio constantemente se rompe. Se esses personagens possuíam ou não uma doença física, como era o caso de Ivan Illicth, atormentado pela possibilidade da morte iminente que, por fim, como ocorre com todos nós, o leva, não sabemos; mas eles deparam com a cura de um mal maior. Enxergam e escrevem a cruz, o corpo entregue à cruz, o próprio corpo deposto na cruz. O corpo no centro de um madeiro, mortificado sendo vivificado. Esses personagens e seus autores há muito morreram; pelo tempo em que vivemos, foram mortos, mas a palavra nos revisita.

Não adoro o corpo, eu o entrego; não perco o corpo, ele me é entregue. Ressurreição.

Ocorrem pequenas ressurreições quando a saúde volta, a dor é superada, a circulação é límpida, a doença não mais aflige, o corpo gera vida. Mas o que importa ressurgir temporariamente? “Triste maestrina” sou de mim mesma, saúde triste, ainda que saúde por algum tempo. Estamos fadados ao salário. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:23).

A exaltação do corpo, central como é, faz-se com a ingestão do Verbo. Só a carne e o vinho resgatam o corpo. 




PS.: Escrevi o texto Endometriose, religião e espiritualidade. Considero esse o texto mais importante que eu escrevi sobre meu tratamento para superação da endometriose, pois conto como defini meu caminho de saúde, quais as fontes determinantes de pesquisa e informações necessárias para fazer minhas escolhas e tomar minhas decisões. 


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Endometriose na mídia


25 de dezembro de 2013


Neste mês, a endometriose recebeu um destaque especial na mídia. O Fantástico, da Globo, apresentou um quadro bem completo sobre a doença e suas implicações. Essa foi a melhor reportagem televisiva sobre a doença. Meu marido e eu nos emocionamos com as entrevistas. Você pode assistir aos episódios no site do programa e ter acesso a artigos interessantes sobre a reportagem no blog da Gapendi (Grupo de Apoio às portadoras de Endometriose e Infertilidade). O Canal Futura também realizou um programa bem conduzido de entrevistas. O programa pode ser visto tanto na TV Futura quanto no blog Endometriose e eu. Muitas outras matérias sobre a endometriose estão sendo veiculadas em mídias eletrônicas e impressas. Além da importância de alertar sobre a doença, essas divulgações midiáticas de grande alcance evidenciam o trabalho especial de apoiadores, mulheres e grupo de mulheres portadoras da doença que dedicam seu tempo para ajudar a outras mulheres.  

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Endometriose e fitoterapia: minha experiência com a babosa (aloe arborescens)

12/12/2013



Após fazer mudanças em meu estilo de vida, constatava, mês a mês, que a endometriose ainda crescia um pouco. Eu ainda precisava mudar muita coisa. A vitamina D, por exemplo, continuava baixa. O hábito de me exercitar não estava bem consolidado. A alimentação, embora bem melhor, não supria todas minhas necessidades nutricionais.

Minha saúde já estava bem melhor, mas era preciso mais. A endometriose é uma doença perigosa, que avança rápido. No meu caso, a situação era ainda mais preocupante, pois a doença já estava alastrada pela cavidade abdominal. Mesmo que seu ritmo de crescimento estivesse lento, devido às mudanças que fiz, ela ainda crescia um pouco.

Diante da recomendação médica de que eu deveria fazer uma cirurgia para retirar focos e um segmento do intestino, decidi ser mais rigorosa com as mudanças. Afinal, já havia perdido o ovário direito. O esquerdo estava com um endometrioma de 6 cm. Havia focos espalhados e profundos. Eu também orei. Precisava de algo que me fortalecesse, desse ao meu corpo a nutrição de que ele necessita. Se os focos não parassem de crescer, eu aceitaria a cirurgia. Não havia saída. Foi nessa fase que obtive um conhecimento inesperado.

Certo dia, meu marido me disse que havia lido em um livro a experiência de um médico norte-americano, chamado Ben Carson, que mudou seu estilo de vida e utilizou um remédio para combater um câncer de próstata. Em uma semana de uso, os sintomas do câncer desapareceram. O remédio continha em sua fórmula gliconutrientes. Pesquisando, descobrimos que os gliconutrientes estão presentes em uma planta bem conhecida aqui no Brasil, a babosa.

Eu já havia ouvido falar da planta, mas as referências não eram boas. Eu a conhecia como uma planta venenosa, tóxica. Superei o preconceito e mergulhei na pesquisa. Li dezenas de estudos científicos e encontrei um livro especial “Câncer tem cura!”, do frei Romano Zago. Cura não é precisamente algo que nos oferecem pronto. Não se espera passivamente por ela, não se cobra simplesmente por ela. A cura é algo que se constrói, com leitura, pesquisa fundamentada, respeito pela experiência de outras pessoas, esforço pessoal, apoio médico, conhecimento-chave, preces.

Esse conceito tem mais a ver com controle eficiente que, no meu caso, levou à diminuição significativa dos tumores de endometriose. É a cura contínua, que chama a responsabilidade para os nossos hábitos e escolhas, sem que nos confinemos ao lugar ao qual a endometriose, de fato, nos empurra, um lugar de dor e imobilismo. Se queremos cura, precisamos buscá-la, refletindo sobre seu significado.

Eu queria cura, eu quero cura, eu me entrego à construção da cura e seu continuum. Renunciar o paladar e movimentar-se rumo a novos conhecimentos e hábitos não é algo simples. Desafia o que somos, o que aprendemos, o que pensamos. Desafia a descrença e a confiança cega. O efeito dessa mudança no corpo também não é simples. É curativo. A endometriose, embora se comporte como um câncer benigno, não tem força suficiente para avançar em um corpo fortalecido por uma nova vida. Vida reconstruída com soluções tão simples quanto a água, o sono, o alimento, o ar, o movimento, as emoções, a fé. Essa foi a única saída efetiva que encontrei para uma doença que apesar de crônica, infiltrativa e perigosa está agora totalmente sob controle e vencida.

Li a receita do frei, fomos atrás da babosa que ele indica, fizemos o composto e usei. Após 20 dias de uso, repeti o exame e já havia uma pequena redução dos focos. Depois de seis meses utilizando o composto, com intervalos, refiz os exames. À época, já havia corrigido a vitamina D (que passara de 15 para mais de 30), estava me exercitando com mais regularidade, mais atenta à alimentação etc. Para nossa surpresa, os focos haviam reduzido, ao todo, 7 cm. Houve redução do cisto no ovário (veja abaixo o link dos exames), do foco no intestino, das aderências... O CA-125 voltou a níveis normais e o FAN, que estava com padrão 320, passou para 80. Eu me sentia forte, animada e nutrida.

De 2010, quando comecei a utilizar o composto e intensifiquei as mudanças, os focos continuaram diminuindo. Nunca deixei de utilizar o composto, mas com intervalos maiores. Este ano, engravidei naturalmente.

Eu não estava absolutamente segura se deveria ou não relatar minha experiência com a babosa. E se a planta fosse tóxica? O que aconteceria, de fato, comigo após um uso mais prolongado? Havia muitas dúvidas e eu não queria indicar algo que não sabia se era realmente seguro. Pessoalmente, eu não tinha medo. Estava decidida a correr o risco, pois havia lido pesquisas científicas o suficiente para ter segurança no uso da planta, mesmo com a casca que dizem ser perigosa. A maior evidência de todas veio com os exames, com a restauração de minha saúde.

Eu não optei por usar compostos prontos e industrializados. Não acho que teriam o mesmo efeito. Também não acredito que a babosa, apenas, teria o mesmo efeito em meu corpo se eu não tivesse mudado meu estilo de vida. Acho que, na verdade, a mudança de estilo de vida tem um impacto muito mais efetivo na saúde do que o simples uso de uma planta medicinal. Não considero a babosa uma pílula mágica que oferece saúde sem que haja esforço de nossa parte, a exemplo do que muitas vezes buscamos com o uso de remédios. Para mim, a babosa é um alimento poderoso que, em conjunto com todas as mudanças realizadas, me trouxe a vida de volta.

Conheço pessoas que utilizaram apenas a babosa e não tiveram o mesmo resultado que obtive, embora tenham sido beneficiadas. Também há a experiência de Jennifer que não precisou utilizar a babosa para superar a endometriose, conforme ela contou neste blog (Veja a história dela). Outras usaram uma vez, algumas recorreram ao composto industrializado por acreditarem que é mais seguro ou não quiseram usar a planta, sentiram medo. Na internet, há todo tipo de informação. Precisamos saber buscar fontes seguras de conhecimento científico. É uma trilha pessoal. Talvez a babosa cure tanto quanto nós mesmos estejamos dispostos a assumir a responsabilidade pela própria saúde, conhecendo a fisiologia do corpo e suas leis de funcionamento. Conhecendo, sempre.

Não vou expor uma lista de estudos científicos sobre a babosa. Considero que a decisão de usar ou não o composto deve ser construída a partir da própria experiência de leitura e da observação do organismo. É preciso ler e buscar informações sobre toxicidade, formas de uso, teste para saber se somos alérgicos ou não, composição da planta, interação com outros medicamentos... Esse é um desafio pessoal de pesquisa.

Não sei quais serão os efeitos colaterais do uso desse composto a longo prazo. Por enquanto, ao fazer exames para avaliar o fígado e os rins, tudo está normal. Essa não é uma escolha de fuga, mas de confrontação. Por isso, fiz tudo com acompanhamento de exames médicos periódicos.  O que posso dizer agora é que essa planta poderosa, aliada ao estilo de vida, mudou minha vida. Mas cada um deve seguir seu próprio caminho, submetê-lo a constante avaliação e buscar fundamentos científicos para suas escolhas.

Compartilho a receita que fiz e o modo como utilizei a babosa:

Ingredientes:
250 ml de mel puro (de preferência mel de laranjeira, assa-peixe, mel fino)
1 folhas de babosa (da espécie aloe arborescens. Veja a foto abaixo e pesquise sobre a espécie), com casca, de tamanho médio ou grande, sem os espinhos laterais. As folhas de cima, não muito novas, são as melhores.
1 pote de vidro pequeno, com boca mais larga.

Modo de fazer:
Esterilizar o pote de vidro com água fervente (Busque informações sobre métodos de esterilização). Encapar com plástico preto.

Colocar o mel no liquidificador. Limpar a folha da babosa com um pano úmido. A babosa tem que estar cinco dias sem ser molhada. Coletar a folha com o mínimo de claridade (a luz oxida o princípio ativo). Retirar os espinhos e cortar em pedaços. Colocar no liquidificador. Bater. Colocar nos recipientes de vidro esterilizados.  Conservar na geladeira.

Modo de usar:
Tomar uma colher rasa de sobremesa três vezes ao dia, 30 a 20 minutos antes das refeições. Tomar no escuro, para os princípios ativos não oxidarem. Tomar toda a receita e repetir, sem intervalos. Fazer um intervalo de 10 dias ou mais para tomar a terceira receita, se necessário.


Leia o meu texto: Eu venci a endometriose




Obs.: 1. Usar folhas de plantas sem flor; 2. Colher depois de 5 dias sem chuvas; 3. Buscar plantas que não estejam expostas a fumaças, poluição etc.; 4. Usar mel de procedência certificada, pois muitos são à base de açúcar. Eu utilizo mel orgânico; 5. Não utilizar carnes ou produtos de origem animal durante o uso do composto. Adotar uma alimentação natural; 6. Fazer exercícios físicos diariamente, expor-se ao sol e beber bastante água pura.

Exames médicos:



1. Data: 28/08/2010. Medidas do endometrioma: 6.19 x 4.66 x 5.97 cm Veja os exames aqui:http://exames1.wordpress.com/

2. Data: 26/02/2011. Medidas do endometrioma: 4.30 x 3.11 x 3.98 cm .Veja os exames aqui:http://exames2.wordpress.com/

3. Data: 05/10/2012. Medidas do endometrioma: 3.47 x 2.87 x 3.47 cm. Veja os exames aqui:http://exames3.wordpress.com/



Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.



Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.




quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Sono


4 de dezembro de 2013

Dormir é essencial para a saúde. Em média, o recomendado para o adulto são oito horas de sono; para um adolescente, nove; para um idoso, cinco. Mas alguns precisam de menos tempo e outros de mais. 

O sono ajuda a limpar as toxinas do cérebro. “Quando dormimos, células nervosas diminuem, abrindo espaço para fluidos fazerem, literalmente, uma lavagem cerebral” (Veja
). Sem o sono adequado, há acúmulo de lixo metabólico que danifica o cérebro podendo causar doenças degenerativas. Sabe-se agora que um dos motivos pelos quais a privação prolongada do sono pode matar tem a ver com o acúmulo dessas substâncias tóxicas no tecido cerebral. 

Quais são os perigos de não dormir o suficiente? A saúde é afetada de modo geral, mas os pesquisadores citam algumas consequências decorrentes da privação do sono, tais como desordens hormonais, problemas cardiovasculares, refluxo, cansaço durante o dia, irritação, distúrbios emocionais (depressão, bipolaridade etc. De acordo com artigo publicado no New York Times, tratar a insônia pode curar depressão
), memória prejudicada, propensão a desenvolver diabetes tipo 2, dor de cabeça, aumento da pressão arterial, aumento da resistência à insulina, perturbação do metabolismo da glicose, aumento da propensão para infecções e tumores, redução da expectativa de vida e relação com o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como o câncer colorretal e de mama. A insônia também pode afetar o sistema imunológico, aumentando o risco de adquirir doenças, desde a gripe até pneumonia. 

Quem dorme pouco coloca a vida em risco.


Não tenho problemas com a insônia. Muito raramente perco o sono. Mas tenho algum problema com o sono excessivo. Se deixar eu hiberno no inverno ou verão, de dia ou de noite. Dormir muito, no entanto, é tão prejudicial quanto dormir pouco. Além disso, pode ser sinal de alguma doença, como anemia, por exemplo, ou resultado do uso de determinados medicamentos. Por isso, é importante consultar um médico e investigar as causas. 


Recentemente, uma pesquisa concluiu que as pessoas que dormem de dia, após as refeições, são mais propensas a desenvolver diabetes tipo 2. Dormir nessas circunstâncias aumenta a resistência à insulina, a quantidade de açúcar no sangue, além de ameaçar o sono à noite. Portanto, dormir de dia não faz nada bem para quem tem endometriose, inclusive. Vale lembrar que é comum que mulheres com endometriose apresentem um quadro de resistência à insulina.


Embora dormir demais tenha implicações para a saúde, o maior problema das pessoas continua sendo dormir menos que o essencial. Mas como saber se estamos dormindo a quantidade de horas necessárias? Um bom modo é avaliar nas férias quantas horas são necessárias para dormirmos tranquilos sem a necessidade, na hora de acordar, de um despertador ou de estimulantes durante o dia. Outra forma é desenvolver a percepção sobre o próprio corpo, sobre o humor, a disposição etc.

É importante ter em mente que uma “reforma do sono” não ocorre automaticamente. Como a mudança de estilo de vida, conscientizar-se sobre a importância fundamental do sono para a saúde e realizar mudanças é algo gradativo.


De acordo com Harvard Division of Sleep Medicine, dormir é “muito mais importante do que tem sido considerado”, em uma época em que as pessoas são obcecadas por trabalhar muito e se destacar no que fazem, a custo da própria saúde. Para o professor de Medicina do Sono em Harvard, Charles Czeisler, o sono é visto como uma pedra no caminho. “Nós tendemos a ver o sono como algo que atrapalha nossas aspirações pessoais e profissionais.... Um executivo considera que seu desempenho será muito melhor se conseguir dormir quatro horas em vez de oito”, afirma Czeisler.

Czeisler  cita a realidade contraditória de profissionais de saúde, como os médicos. Os turnos de trabalho à noite, quando fazem plantões, afetam drasticamente a qualidade do atendimento a pacientes. Segundo o pesquisador, que também é médico, aqueles que trabalharam em turnos mais longos, privados do sono, cometeram muito mais erros e erros mais graves, alguns dos quais resultaram na morte de pacientes. Os riscos de complicação em uma cirurgia, por exemplo, aumentam 170% se o cirurgião dormiu menos de seis horas na noite anterior à cirurgia. Apesar das evidências científicas, a comunidade médica ainda é resistente para mudar os hábitos (Veja
). Tenho uma amiga que faz Medicina em uma faculdade pública. No primeiro ano, passou ao menos 30 dias acordada a noite toda para estudar para provas. 

A probabilidade de que um profissional de saúde, que tem como costume sacrificar suas noites de sono, ignore a importância de orientar seus pacientes a valorizar as horas de sono noturno é alta. “A maioria das pesquisas está focada na dieta e exercício”, disse Frank Hu, da Escola de Saúde Pública de Harvard. “Estamos perdendo o terceiro pilar da saúde, que é o sono.” Só há 50 anos, a medicina começou a dar relativa atenção à pesquisa sobre o sono. 


O que pode provocar insônia crônica?


Ingestão de cafeína (contida em refrigerantes, chás, chocolate, café, pó de guaraná etc), álcool e hábito de fumar. Cafeína e nicotina são estimulantes. (Veja a relação entre cafeína e endometriose no texto que escrevi para o blog
).

Dormir tarde.


Ir às festas na sexta e sábado e dormir até tarde nas manhãs de sábado e domingo. A falta de rotina pode levar à insônia.
 

Cochilar durante o dia ou no início da noite antes do horário de dormir.


Ausência de rotina para dormir e despertar.


Preocupação
. Com desemprego, casamento, relacionamento, finanças, doenças.

Remédios
. “O armário de remédios está cheio de químicas poderosas com efeitos colaterais distintos [...]. Alguns antidepressivos [...], descongestionantes, broncodilatadores, anti-hipertensivos e corticosteroides são estimulantes que podem tornar difícil começar a dormir ou manter o sono”, afirma o médico Gerard T. Lombardo. 

Falta de nutrientes
. A carência de alguns nutrientes pode desencadear a insônia. Carência de ferro pode provocar a síndrome das pernas inquietas, uma das causas de insônia. Carência do aminoácido triptofano, que ajuda o corpo a produzir serotonina, também pode levar à insônia.

Doenças
.

Distúrbios psiquiátricos
.

Apneia do sono


A apneia consiste na interrupção da respiração por alguns momentos, que pode ocorrer várias vezes durante o sono. Há, portanto, interrupção da oxigenação do sangue.
Esse distúrbio pode desencadear outras doenças, tais como pressão alta, problema cardiovascular, arritmia, diabetes, coração aumentado, transtorno de déficit de atenção, hiperatividade, refluxo, problemas sexuais, entre outras doenças. Sonolência excessiva durante o dia e vontade constante de urinar durante à noite podem ser sinais de apneia. A obesidade representa um risco sério para o desenvolvimento de apneia, mas pessoas magras também podem manifestar a doença. Procure um médico para fazer o diagnóstico correto e o tratamento. Há recursos interessantes para combater essa doença grave, tais como uso de aparelhos.

Síndrome das pernas inquietas (SPI)

Sentir dor nas pernas, formigamento, pernas cansadas ou outra sensação incomum pode ser sinal dessa síndrome. Ela pode ser causada por carência de ferro (que leva à anemia), doenças crônicas (insuficiência renal, diabetes, mal de Parkinson etc.), gravidez e medicações (antialérgico, antigripais, antipsicóticos, anticonvulsivos, antinauseantes). Estima-se que 8% da população tem a síndrome, dos quais 60% a 70% apresentam insônia. “A síndrome das pernas inquietas pode interferir bastante no sono”, afirma o médico Geard T. Lombardo, que recomenda a avaliação médica para a determinação do diagnóstico e tratamento. Lombardo também sugere que sejam feitos exames (ferro, ferritina), compressas quentes no membro afetado, exercícios físicos e mudanças nos hábitos relacionados ao sono, como indicado a seguir. 


O que podemos fazer para dormir melhor?
 

A seguir, há algumas dicas que escrevi a partir de minha experiência, de orientações importantes encontradas no livro “Durma bem para viver melhor”, do médico Gerard T. Lombardo (Melhoramentos, 2007) e em artigos de outros especialistas do sono.


Tenha uma alimentação nutritiva
. Enquanto a cafeína e outros estimulantes provocam insônia, há nutrientes que favorecem o bom sono. O aminoácido triptofano é um deles, pois ele ajuda o corpo a produzir serotonina que, por sua vez, produz melatonina. Os dois neurotransmissores são essenciais para regular o sono e produzir uma sensação de bem-estar. Uma das fontes mais ricas em triptofano é a planta ora-pro-nobis, bastante usada em Minas Gerais. Ela tem mais triptofano que a aveia, além de conter muito ferro, magnésio, zinco, vitamina C e A, entre outros nutrientes importantes para um bom sono. Outras fontes de triptofano são a amêndoa, sementes de girassol e banana. A vitamina C, presente em grandes quantidades no limão, por exemplo, também combate o cortisol, hormônio que está relacionado ao estresse e atrapalha o sono.
 

Mantenha uma rotina regular
. Se você precisa acordar às 6h para trabalhar, calcule oito horas de sono mais 30 minutos e procure dormir nesse horário todos os dias.

Relaxe
. Não discuta problemas antes de dormir. Não leve trabalho para casa. Deixe a TV e computador de lado.

Estabeleça um ritual
. Antes de dormir, tome um banho, escute uma música relaxante, tire um tempo para respirar profundamente.

Apague a luz
. Durma no escuro sem qualquer iluminação adicional. Evite assistir à TV à noite e usar o computador, pois a luz dessas telas suprime a produção de melatonina, hormônio relacionado ao sono. De acordo com Charles A. Czeisler, em artigo publicado na Nature, a luz afeta nosso sono mais do que qualquer droga (Veja). 

Silêncio
. Não deixe a TV ligada na hora de dormir nem assista à TV perto desse horário. 

Prepare seu quarto
. O quarto deve ser um local silencioso, com a temperatura ideal. Não coloque TV, computador, telefone no quarto. Se estiver planejando construir ou comprar uma casa, certifique-se de que o quarto de dormir tem tamanho e disposição que favoreça a circulação do ar e entrada da luz solar. 

Valorize a circulação do ar
. Durante o dia, mantenha as janelas e portas abertas para entrada do sol e do ar no quarto de dormir. À noite, mantenha as janelas abertas para entrada de ar, evitando corrente de ar na cama. 

Só vá para cama se estiver com sono
. Não adianta apagar a luz e estar com a mente acesa. Há outros recursos para ajudar o sono vir. Ir para a cama antes de ter sono não ajuda em nada.

Exponha-se ao sol
. Tome banhos de sol, principalmente no período da manhã. Esse hábito ajuda a corrigir o relógio biológico, pois favorece a produção do hormônio melatonina, responsável pelo sono (Veja o texto que escrevi sobre a relação entre sol e endometriose).

Não cochile de dia
. Os cochilos após o almoço ou o jantar prejudicam o ritmo de dormir e acordar. “Se alguém tem dificuldade para dormir à noite, recomendo evitar cochilos durante o dia. [Esse hábito] pode agravar a frustração com problemas para dormir e piorar a insônia”, afirma o neurocientista Orfeu Marcello Buxton, da Universidade de Harvard (Veja). “As pessoas que têm problemas para dormir podem tentar substituir o cochilo por um exercício leve, como andar, quando sentirem vontade de cochilar”, afirma Lombardo.

Interaja
. Estabeleça atividades sociais interessantes, relaciona-se. Essa recomendação é dada principalmente para quem está aposentado e sofre de insônia.

Avalie as medicações
. Converse com seu médico sobre os efeitos da medicação sobre o sono. Não use medicamentos sem prescrição. Mesmo a melatonina usada para tratar insônia pode conter anti-histamínicos em sua fórmula, que fazem mal à saúde. Esteja atento e busque alternativas mais saudáveis.

Favoreça a produção de melatonina
. Quanto mais velhos, menos melatonina produzimos. A melatonina é um hormônio que regula e induz o sono, amplamente indicada para o tratamento de insônia. Ela também atua nos sistemas imunológicos, cardiovascular e reprodutor; auxilia no emagrecimento, combate o diabetes, controla a enxaqueca, diminui a queda de cabelo, protege os neurônios, combate tumores, entre outras funções importantes para o organismo. Uma das maneiras de obter melatonina é ingerindo o aminoácido triptofano, conforme já escrevi. Outra, é dormindo no escuro, pois a luz inibe a formação de melatonina no corpo. O hormônio é liberado à noite. Por outro lado, durante o dia, é importante tomar sol para que o corpo produza serotonina, hormônio indispensável para a produção de melatonina à noite. A falta de melatonina está relacionada também ao câncer. Pessoas que trabalham à noite têm mais chances de terem câncer. “A exposição à luz, mesmo à noite, pode induzir a um desequilíbrio na regulação biológica que propicia o desenvolvimento de tumores”, afirma a cientista Marie-Élise Parent (Veja). 

Procure ajuda
. Procure um profissional de saúde, leia sobre o assunto, busque fazer as mudanças. Especialistas indicam terapias cognitivas-comportamentais.

Cuide das emoções. 

Antes de dormir, não coma. Se tiver de comer, escolha uma refeição leve. As calorias de uma refeição feita à noite não serão utilizadas. Elas se transformaram em gordura. Além disso, o corpo precisa descansar, o que inclui dar descanso aos órgãos relacionados à digestão.

Antes de dormir ou durante a noite, não beba água. 

Para ter uma boa noite de sono, valorize os exercícios físicos e a respiração profunda durante o dia. 

Busque uma vida com significado. “Preencha seu dia com ‘coisas’. Cuide do jardim, vá à academia, prepare refeições mais complexas”, aconselha Lombardo. Trabalhe, invista em seus projetos, idealize, seja uma pessoa ativa. “Um dia bem vivido traz um sono feliz.”

Daqui a poucos dias, minha relação com o sono vai mudar drasticamente. O João está chegando. Por enquanto, nem sua animação à noite, nem a necessidade de levantar mais vezes para ir ao banheiro têm me feito ter insônia. Levanto e logo volto a dormir. O fato de não ter dores nas costas, fadiga ou inchaços ajuda. Sempre vamos dormir por volta das 9h. Antes de dormir, canto uma música para o bebê, conto histórias da Bíblia e fazemos uma prece. Acalma. Mas o sono diante de um bebê recém-nascido é um capítulo à parte.



 Veja neste blog: O sono, segundo Ellen G. White 


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Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.