segunda-feira, 9 de julho de 2012

Parasitose e endometriose

9 de julho de 2012
Existe uma associação entre câncer e parasitose. Embora a medicina aliada à indústria farmacêutica não esteja muito interessada nesse fato, sabe-se que combatendo os vermes – o que requer pouco dinheiro –, combate-se doenças crônicas que demandam tratamentos caros.

A endometriose poderia apresentar também uma associação com parasitas? No meu caso, quando fui diagnosticada com endometriose, descobri que estava com vermes. O exame de fezes detectou a verminose e o de sangue apontou eosinofilia alta. Os eosinófilos são detectados pelo exame de sangue normal. Em geral, quando estão altos, os médicos pensam em alergia. Mas nem sempre mencionam que é sinal sugestivo de verminose.

Li um texto escrito pela jornalista Sônia Hirsch que cita de passagem uma pesquisa de uma médica canadense, Hulda Clark, que associa a endometriose à verminose. É verdade que somos compostos por milhões de micro-organismos, mas a associação entre parasitose e endometriose consistiria realmente em uma hipótese provável?

Um dos maiores especialistas em endometriose no Brasil, com grande destaque internacional, o médico pesquisador Maurício Abrão, da Universidade de São Paulo (USP), certa vez operou uma de suas pacientes para retirar a endometriose do intestino. Além de endometriose, ele e sua equipe encontraram vermes. Dentro da lesão de endometriose no sigmóide havia ovos de Schistosoma mansoni. Embora descrevam o fato como sendo raro, a conclusão que os médicos chegaram foi: “Endometriose e esquistossomose podem estar presente simultaneamente em pacientes com sintomas intestinais e dor pélvica.” O estudo foi publicado na revista Fertility and Sterility (Volume 85, n. 4 , p. 1060. 2006). 

O Dr. Abrão não foi o único a relatar a associação entre endometriose e parasitose. Pesquisadores chineses encontram ovos de schistosoma mansoni no ovário, em focos de endometriose. No local, havia inflamação com a produção de eosinófilos (KAMFAI, Lee; SWEI, Hsueh; MINGHWA, Tang. Schistosomiasis of the ovary with endometriosis and corpus hemorrhagicum: a case report. In: Chang Gung Medical Journal, Vol. 23 No. 7, p. 438-441. 2000). Outro relato médico registra o caso de uma mulher com 40 anos que foi hospitalizada devido a uma obstrução no cólon. A mulher era portadora de endometriose intestinal. Além da endometriose, o exame anatomopatológico detectou esquistossomose. De acordo com os pesquisadores, a literatura médica indica “endometriose combinada com esquistossomose como uma possível etiologia da obstrução colônica mecânica”. (ESTLEIN, D.; SIEGAL, Um.; WOLLOCH, Y. Colonic obstruction due to endometriosis and schistosomiasis. In: Harefuah, jun 2;130(11):737-9, 800, 799. 1996)  Há outros estudos que indicam a associação entre helmintos e endometriose (POLINESS, Anne; LEE, Anna; WEIN, Peter; MOSS, Sharon. Pelvic helminthic disease masquerading as endometriosis. In: Australian and New Zealand Journal of Obstetrics and Gynaecology, vol. 44, n. 1, p. 72–74. 2004). 

Pesquisadores do departamento de patologia da Rush University Medical Center, Chicago, Illinois, investigaram as causas de fezes amolecidas e perda de peso em uma mulher de 46 anos, portadora de endometriose, fibromialgia e síndrome de intestino irritável. Outros médicos teriam, provavelmente, encerrado o caso ali mesmo. Se a paciente tinha endometriose e síndrome do intestino irritável, a alteração nas fezes e no peso seriam sintomas esperados. Mas esses médicos pediram endoscopia digestiva alta, colonoscopia, biópsia e análise histológica. Após uma investigação minuciosa, encontram numerosas giárdias no íleo terminal, um lugar incomum para esse parasita. O artigo com o relato do caso foi publicado em fevereiro deste ano (HEAGLEY, Dawn E.; JAKATE, Shriram. Giardiasis confined to the terminal ileum. In: Clinical Gastroenterology and Hepatology, Volume 10, Issue 2 , Page A28, fev. 2012). A giárdia é uma infecção muito comum causada por protozoários. Como disse, quando descobri a endometriose, eu também fui diagnosticada com vermes – giárdia lamblia. 

Um relato de caso é particularmente interessante. Uma mulher que estava com sintomas sugestivos de endometriose, na realidade, tinha esquistossomose. A aparência dos focos, observados por laparoscopia, indicava endometriose, mas só a biópsia foi capaz de revelar que se tratava de parasitose (JONES, Kevin D.; OKARO, Emeka O., SUTTON, Christopher. In: EuropeanJournal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology, vol. 106, n. 2 , P. 227-229. 2003.)    
   
Não sei qual é a relação estatística entre endometriose e vermes. Provavelmente, nem a ciência sabe. Não posso afirmar que seja comum nem raro. Creio que os médicos também não podem fazer essa afirmação. Mas todas as mulheres, com endometriose ou não, deveriam considerar mais atentamente a questão da parasitose, um fator desencadeador de muitas doenças complexas. Fazer o exame de sangue e avaliar se há ou não eosinofilia é um bom começo, além dos exames de fezes repetidos (Em geral, os médicos pedem apenas uma amostra). De acordo com Sônia Hirsch, os exames para detecção de verminoses estão menos eficientes do que no passado. Além disso, os médicos não foram treinados para priorizar o diagnóstico da parasitose como garantia para a saúde integral do paciente. E, por fim, o tratamento oferecido pode eliminar também nossas defesas naturais, como as bactérias benéficas que colonizam nosso intestino. O que fazer?

É necessário aprender mais sobre parasitose. Usar diariamente alimentos que combatem vermes e deixar de usar aqueles que os fazem proliferar, como o açúcar, por exemplo – o doce que já consegui eliminar da minha alimentação. O ideal é fortalecer o organismo e a imunidade e não simplesmente focar na eliminação do verme. De qualquer forma, independentemente de um diagnóstico de parasitose, uma dieta antivermes também é eficaz para o combate à endometriose.



Dicas para combater a parasitose:

1. Veja as dicas de chá do site da Fiocruz.
Sônia Hirsch, quando percebe algum sintoma, usa chá de losna por três dias.

2. Eu utilizo alho diariamente (um dente moído de alho cru com água, além do uso na alimentação). Sônia Hirsch tem outras dicas sobre o uso do alho em seu site. 

3. Higienizar o alimento. Usar uma colher de sopa de peróxido de hidrogênio (água oxigenada) a 3% ou mais, em 3,5 litros de água. Usar 1 colher de sopa de vinagre de cidra, maçã ou vinho para 3,5 litros de água (não elimina todos os parasitas). Usar Clorox(TM), durante 10 minutos, depois mais 10 minutos lavando em água limpa. Fonte: http://www.soniahirsch.com/2009/03/vermes-melhor-nao-te-los.html

4. Outras dicas: coco ralado; leite de coco natural; semente de abóbora sem casca; chá de hortelã diariamente; eliminar açúcar; açúcar com leite serve de alimento para vermes; diminuir o sal; beber muita água (de manhã, eu bebo dois copos de água e um limão e faço atividade física.). Alimentar-se de maneira saudável.

5. Higiene: o costume de comprar algo, colocar a mão no dinheiro e comer algo, sem lavar as mãos deve ser corrigido; lavar as mãos sempre.

6. Consulte um médico. O ideal seria encontrar um médico que ofereça um tratamento mais natural. Mas se não há, melhor tratar com remédios do que não tratar.

7. Se for tomar um remédio que ataque o fígado, use também cardo-mariano, um protetor hepático ou outros remédios que protegem o fígado (hepatoprotetores).

Saiba mais sobre os sintomas de verminose:



Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:





quarta-feira, 20 de junho de 2012

Nas noites frias de inverno

20 de junho de 2012

Às vezes, é necessário não comer. Esforçar-se para deixar de lado. Mas só tira quem acrescenta. Um sabor agressivo não pode ser simplesmente eliminado. Ele vive em nós, vive na memória das papilas, vive reascendendo-se no cérebro, colado a lembranças delicadas, ainda que termine pesado e indigesto. Sabores doces e salgados não apenas definem receitas, são também emoções alimentares e eventos gustativos. Cheiros de açúcar. As memórias são geridas pelos acontecimentos sob o vinho da digestão, aromas, desenhos de comida. O alimento fermenta a vida. O corpo pede, a memória pede, as emoções suplicam e as melhores coisas que vivemos parecem estar ligadas ao que agora ouvimos dizer que não devemos comer.

Nenhum sabor pode ser eliminado. O sabor é aquilo que somos, além da maquinaria física. Retirar um prazer por decreto é aprisionar-se ao gosto insosso, celebrar a estética gastronômica triste em jantares austeros. Assusta.  

Sabores precisam ser trocados por outros, por ingredientes suaves, adocicados e fortes ligados e ligando-se a novas histórias, repletas de doces e salgados recém-colhidos. Assim como fez um amiga com endometriose. Contou-me que ao transformar sua alimentação, convidou os pais e sogros para jantar em casa. Ela reuniu os produtos orgânicos e fez uma sopa.

Minha querida amiga, a quem tanto admiro, peço licença a você para reproduzir suas palavras: “Trata-se de uma experiência que vai alcançando todos à nossa volta. Ontem à noite fiz uma sopa com todos os legumes e vegetais orgânicos que tinha em casa. Com muito alho, cebola e cheiro verde e pouco sal. Meus sogros e meus pais foram em casa comer e amaram. Eles se sentiram animados a comer mais saudável também. É muito gratificante tudo isso; é como uma corrente que vai se disseminando.”

Nada expressa melhor do que essas palavras.

O frio com sopa, memórias da culinária da estética alegre. Uma sopa sem tantos ingredientes – temperos prontos, tabletes, leite, parmesão, cremes industriais... –, com tantos outros, com muito a dizer em seus legumes e verduras orgânicas de cores variadas, temperos naturais, combustível de sonhos realizáveis. A transformação nutre a possibilidade até o ponto de lhe dar uma forma, um novo trajeto neuronal, redesenhando suavemente a trilha gastronômica da memória, re-ensinando as papilas, com criatividade e convicção. A sopa reúne a família, se faz comida-ensinamento, se fez cuidado, finaliza-se com leveza e ânimo. A sopa aquece a longevidade, agrega-se aos enredos, faz-se prazer e cura, enquanto passamos pelas noites frias de inverno rumo à estação seguinte.



Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:




Leia sobre o Pão da Vida

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Soja e endometriose


13 de junho


Antes de descobrir a endometriose, usei muita soja: grãos, tofú, lei em pó industrializado. Logo após a cirurgia de urgência, a qual fui submetida para retirar o endometrioma de quase 15 cm, quando perdi meu ovário direito, bebia muito leite em pó de soja (Marcas Soy), enriquecido com vitamina B12. Eu usava porque parecia uma oferta muito saudável, tamanho o marketing que a indústria alimentícia faz do produto. Na época, não me preocupava com minha alimentação. Não pensava que o alimento tivesse influência tão grande na minha saúde ou no surgimento de doenças. Usava a soja porque parecia ser uma oferta saudável e fácil. Nutrição instantânea.  

Mas eu mudei. Isso aconteceu, principalmente, quando percebi que não haveria respostas fáceis para a endometriose. Após passar por várias consultas com médicos de referência, aceitei que estou diante de uma doença enigmática, dolorida e cara. Apesar do preço das consultas particulares, não havia promessas certas de cura. Eu precisava encontrar um caminho que tratasse a causa da doença e não apenas seus sintomas. Embora possa ser necessário, cortar o tecido doente de endometriose não impede que ela continue crescendo. Eu precisava reequilibrar meu organismo.

A ciência, no entanto, diz que a causa da endometriose é indefinida. Os médicos lidam com hipóteses, mas o tratamento parece estar direcionado aos sintomas e a uma regulação artificial dos hormônios, além da eliminação de focos por diferentes técnicas cirúrgicas. Sem remédios, o corpo se desestrutura. Com remédios, ele avança, mas a que custo e por quanto tempo?

Decidi mudar meu estilo de vida. Entre as mudanças que fiz, retirei a soja de minha alimentação, mesmo contrariando a recomendação de alguns médicos. Concluí que se ela fosse tão boa assim para o meu organismo, a endometriose não deveria ter avançado tanto, pois eu usava soja diariamente. Após retirar a soja e fazer muitas outras mudanças, os focos de endometriose diminuíram. Apenas tirar a soja não fará os focos diminuírem, mas colocá-la na alimentação poderá fazer os focos de endometriose crescerem. A soja não é a única vilã responsável pelo crescimento dos focos, nem tê-la tirado do cardápio é a razão pela qual os focos diminuíram, mas pela minha experiência, acredito que ela tem um papel importante no avanço da endometriose e de outras doenças. Alguns cientistas também acham a mesma coisa, conforme indicam as pesquisas a seguir:

1.         NOEL, Jean-Christophe et al. Ureteral mullerian carcinosarcoma (mixed mullerian tumor) associated with endometriosis occurring in a patient with a concentrated soy isoflavones supplementation. 
O artigo relata o caso de uma mulher de 75 anos, com endometriose. A endometriose se transformou em câncer, após o uso de suplementação de soja concentrada. A transformação maligna dos focos foi associada ao uso da soja, nas condições apontadas.

2.         CHANDRAREDDY, Ashadeep et al. Adverse effects of phytoestrogens on reproductive health: a report of three cases. 
Sangramento uterino anormal com patologia endometrial em três mulheres foi relacionado a uma alta ingestão de produtos de soja. A primeira mulher tinha sangramento pós-menopausa com pólipo uterino, endométrio proliferativo e um mioma. A segunda mulher apresentou dismenorréia severa, sangramento uterino anormal, endometriose sem responder ao tratamento. A terceira mulher com dismenorréia severa, sangramento uterino anormal, endometriose e miomas uterinos com infertilidade secundária. Todas as três mulheres melhoraram após a retirada da soja da dieta.

3.         MENDES, J.J. Amaral. The endocrine disrupters: a major medical challenge (2002). In: Food and Chemical Toxicology.
O artigo fala sobre os desreguladores endócrinos (DE) que são responsáveis por efeitos patológicos no sistema reprodutor masculino e feminino, função da tireóide, sistema nervoso central e fertilidade. Entre esses DÊS, está a soja, apontada como um alimento que aumenta o estrógeno no organismo.

4.         ALLRED, Clinton D. et al. Soy diets containing varying amounts of genistein stimulate growth of estrogen-dependent (MCF-7) tumors in a dose-dependent manner. Disponível em: http://cancerres.aacrjournals.org/content/61/13/5045.full
A pesquisa considera os pontos controversos, mostrando efeitos positivos e negativos do uso da soja. Contudo, alerta para os riscos da utilização de soja por mulheres com câncer.

5.         MODARESI, Mehrdad et al. Effect of soybean on male reproductive physiology in mice. Disponível em: http://www.ipcbee.com/vol3/5-L014.pdf
Embora realizada em uma instituição de pesquisa sem representatividade, a pesquisa traz resultados desfavoráveis sobre o uso da soja pelos homens, com impactos negativos no seu sistema reprodutivo.

6. HSIEH, Ching-Yi et al. Estrogenic effects of genistein on the growth of estrogen receptor-positive human breast cancer (MCF-7) cells in vitro and in vivo. Disponível em: http://cancerres.aacrjournals.org/content/58/17/3833.full.pdf
Muito interessante. Fala da associação da genisteína (encontrada na soja) com o câncer.

7. RIMOLDI, Guillermo et al. Effects of chronic genistein treatment in mammary gland, uterus, and vagina. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2174401/

A maioria das pesquisas sobre o assunto defende o uso da soja, inclusive para o tratamento da endometriose. Mas há algumas pesquisas que apontam para os riscos relacionados também ao câncer (como sabemos, a endometriose é muito semelhante ao câncer). Ao ler as pesquisas mais recentes, tenho me convencido dos riscos da soja. Um de seus efeitos é elevar os níveis de estrógeno no corpo (O estrógeno alto aumenta a endometriose). Uma hipótese: talvez esses riscos tenham a ver com a soja transgênica e/ou produtos industrializados, e não com o uso moderado de grãos orgânicos, que pode ser saudável para mulheres que fazem reposição hormonal e não têm endometriose, por exemplo.

Sem dúvida, são necessárias mais pesquisas, com a discussão sobre os resultados de diferentes investigações acadêmicas sobre o assunto, para avaliar os possíveis benefícios e riscos envolvidos com o uso desses produtos, mesmo entre as pessoas consideradas saudáveis. De qualquer forma, eu não utilizo mais leite de soja em pó, suplementos que levam soja, creme de leite de soja, leite condensado de soja etc. Pode agradar o paladar, ser doce, semelhante aos produtos com leite, cada vez mais similares às guloseimas do mercado, destaque de matérias jornalísticas, acima de qualquer suspeita, embalados pelo marketing da vida saudável e pela promessa promocional de um corpo com saúde, mas esses produtos industrializados à base de soja não me fizeram bem.

A alimentação correta transforma o organismo. A alimentação errada traz doenças. Para uma parcela de cientistas, a soja não é tão inocente quanto parece ser.


PS.: Na produção de soja transgênica, estão utilizando o herbicida 2,4-D, um dos componentes do agente laranja, além do glifosato, por exemplo. Produtos químicos altamente prejudiciais à saúde.

Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.

Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.

sábado, 26 de maio de 2012

Respostas aos Comentários

26 de maio de 2012

Minhas amigas, agradeço muito a interação. Peço desculpas pela grande demora em responder. Estou finalizando uma etapa profissional, e preciso atender às exigências. Quero expressar minha gratidão pela troca de informações e compartilhar minha experiência em relação às questões colocadas. Agradeço muito o carinho!  


olá, acabei de descobrir seu blog e me animei muito em saber de pessoas reais com esse "probleminha"...tenho o diagnóstico de endometriose grau 4 há 7 anos mais ou menos, já passei por 2 viedolaparoscopias, já tomei elani, gestinol, cerazetti, os quais nunca cortaram minha mesntruação, engordei 10 quilos em 3 meses com algum desses q tomei logo após a cirurgia. em 2008 coloquei o Mirena que tive q tirar antes de completar 11 meses, pois a reincidiva de cândida era constante e engordei mais uns 8 quilos...tomo o diane 35 há anos ele é unico que "corta' a mesntruação, além de ser ótimo pra pele e pro cabelo!!! alguma coisa tem q fazer de bom né!!! rsrs vi seu texto sobre candida e me senti aliviada por alguem tb compreender o q é ter candida...principalmente qdo fico meses e meses tomando a pilula sem pausa, ai é insuportável...em 2009 li alguns artigos, livros sobre candida e vi que batiam sempre na mesma tecla, sobre a mudança de alimentação, principalmente laticinios, eu na verdade 
em O gigante adormecido
Ana Tereza3
em 21/05/12

Olá, Ana Tereza!
Quanta luta! Tenho o diagnóstico de endometriose grau 4 há 4 anos. A cândida parece acompanhar a endometriose em muitos casos. Parece simples, mas é importante tomar cuidado. A coceira intensa, por exemplo, pode levar a lesões na parte externa da vagina. Essas lesões podem se agravar. Minha opção para enfrentar a endometriose e a cândida tem sido a mudança de estilo de vida (alimentação, exercícios físicos, luz solar, ar puro, água, combate ao estresse), conforme conto nos textos. O alho é simplesmente fantástico. Todos os dias, eu tomo um alho cru amassado, com água, além do que utilizo na alimentação. Mesmo usando levedo de cerveja em pó (que em tese, pode desencadear a cândida), o organismo segue regulado. Há algum tempo, penso em escrever um texto sobre o assunto. Motivada pelo seu comentário, vou procurar fazer isso. Mas tente fazer as mudanças no seu estilo de vida. Os benefícios para o corpo todo são surpreendentes! 
Um grande abraço!


Ola tenho 24 anos e varias duvidas.Sofro muito com a menstruação.Tenho períodos longos e sofridos.Muitas dores nas costas,no ombro,dores insuportáveis para urinar e para fazer coco é horrível a maioria das vezes não faço. Cólicas intermináveis,cansaço.E vontade de comer doce,quando estou menstruada passo o dia comendo doces.São tantas dores que sempre procuro cortar a menstruação porque só neste período me sinto assim.Sempre quando ia ao ginecologista me receitavam mais anticoncepcional e antiflamatoria e até antidepressivo,porque fico extremamente extressada.Mudei para Portugal faz 1 ano e aqui ainda não fui no ginecologista,mas tenho medo que me receitem tudo de novo,que na verdade não muda em nada as dores são iguais só aumenta as dores no estômago.Acha que devo exigir um exame de endomentriose ?Porque procurei na internet sobre meus sintomas e só chego nesta conclusão.Se puder me responder ficarei muito feliz,preciso acabar com esse sofrimento mensal.Obrigada.Meu msn:lolih-@ 
em Um poderoso remédio para a endometriose e o combate à candidíase
Lolih
em 21/05/12
Olá, Lolih!
De fato, os seus sintomas podem indicar endometriose. É muito importante que você tenha um diagnóstico. É importante procurar um ginecologista especializado em endometriose, pois há médicos que não conhecem adequadamente a doença. Às vezes, embora a dor seja intensa, os focos da endometriose podem ser pequenos. Por isso, tente manter-se tranquila, mas não deixe de procurar um médico que saiba fazer o diagnóstico. Há um site de mulheres com endometriose em Portugal, com nome de médicos (Veja o Fórum, com informações específicas sobre médicos especialistas: http://mulherendo.forumeiros.com/t263-especialistas-em-endometriose-portugal) Além disso, faça mudanças em seu estilo de vida. O açúcar desencadeia inflamações. Assim como eu e você, muitas mulheres com endometriose sentem muita vontade de comer doce (O que é realmente uma delícia). Mas é preciso resistir ao açúcar. Posso dizer, que atualmente, eu não sinto mais vontade de comer doces com açúcar (branco ou mascavo). Por isso, é possível modificar o paladar e substituir o açúcar por outros alimentos deliciosos, mas saudáveis. Substituí-lo por outros alimentos que são doces naturalmente (frutas, um pouco de mel). Procure informações sobre culinária vegetariana e natural. Depois que fiz as mudanças, nunca mais senti dor. Há tantas informações e descobertas interessantes! Tudo isso acaba revolucionando nossa visão de mundo e de saúde! Não desanime. Siga firme para ter um diagnóstico e a cura. E mesmo que não seja endometriose, procure fazer as mudanças no seu estilo de vida. Busque informações sobre aulas de culinária natural. Na internet e em sua cidade, procure pessoas que falam sobre esse assunto. Você fará boas descobertas! Se quiser, compartilhe neste blog suas pesquisas.
Carinho!

Tive diagnóstico de endometriose entestinal,pelvica e ovariana,há 4 meses,depois de tentar provar para os médicos que meu problema era esse,durante 5anos seguidos,foi na net em foruns e blogs como esse que descobri só oque realmente tinha,procurei médicos fora do meu convenio até que encontrei um que entedia do assunto,comprovei com exames especificos,não fiz cirugia pois o convenio ainda queria tentar que seus médicos sem experiencia no assunto fizessem,mas diante da negação deles,resolverm que vão pagar,mas estou com muitas dúvidas,fui em outro que quer que eu tome o Zoladex primeiro pra ver se resolve,mas tenho problemas com medicamentos,sou alérgica a vários,meu ureter está desviado,tenho medo de perder os rins,meu intesino está fechando,e meu xixi quase não sai,outro médico quer que eu retire tudo(útero ovários e trompas e colo do útero e parte do intestino)já outro quer que que eu tome serazeti,mas não tenho idade para começar a tomar o anti-concepcional e tenho cistos no ceio e 
em Como superei a endometriose – Parte II
Anônimo
em 16/05/12
Olá!
Fico feliz por você ter sido diagnosticada corretamente, apesar de todo esse tempo de sofrimento. Por isso, é importante buscar médicos especializados, que nem sempre atendem pelo convênio. Seria muito importante que médicos do SUS e muitos médicos conveniados fossem bem treinados para diagnosticar a endometriose. Mas essa ainda não é a realidade. O diagnóstico é a primeira luta a ser enfrentada. Depois, vem o grande desafio: que remédio tomar? Que tratamento seguir? Quais os benefícios e riscos de cada tratamento? Seria importante também que o serviço médico tivesse uma base de dados digitalizada sobre o resultado estatístico de cada tratamento utilizado. Se cada médico inserisse essas informações num banco de dados centralizado, de acesso público, teríamos uma visão geral sobre a eficácia de cada remédio e técnica cirúrgica utilizados. Mas não existe isso e provavelmente jamais existirá. Mas do relato das mulheres na internet, é possível ter uma ideia do que está dando certo ou não.
Não sou médica. Não poderia indicar nenhum tratamento medicamentoso ou cirúrgico. Tenho uma experiência muito pessoal com a endometriose. Passei por muitas consultas, leio pesquisas, fiz mudanças no meu estilo de vida. Conforme conto no blog, a endometriose diminuiu. Também tinha dores na evacuação, pois tenho endometriose no intestino. Embora os exames nunca tenham apontado endometriose na bexiga ou rins, eu sentia também sintomas relacionados à endometriose nesses lugares. Além das dores habituais, tive um quadro de dor insuportável. Mas nunca mais se repetiu.
Posso lhe dizer com toda certeza: a mudança no estilo de vida faz muito bem ao organismo. Busque informações sobre isso. Não desista! Somos aquilo que comemos. Essas mudanças exigem muita força de vontade, pois não são práticas como as pílulas e comprimidos. Mas valem à pena! 
Quanto à cirurgia, busque acompanhamento médico. Eu precisei fazer uma cirurgia, pois minha vida estava em risco. Quando descobri a endometriose, eu tinha um endometrioma de quase 15 cm no ovário direito. Foi necessário retirar o ovário. Por isso, devemos sempre ter acompanhamento médico, fazer os exames. 
Sei que fazer todas essas mudanças no estilo de vida parecem um grande desafio. Como fazer? O que comer? O que devemos mudar? Tento colocar no blog o máximo que consigo, mas sei que muitas vezes não é suficiente. Para quem não conhece nada sobre tratamentos alternativos e naturais, uma opção pode ser ir a uma clínica de saúde (Veja no texto Clínicas de Saúde http://endometrioma.blogspot.com.br/2011/04/clinicas-de-saude.html. Se você tiver condições financeiras, pode ser uma alternativa. Há também médicos e nutricionistas que poderiam orientá-la). Mas mesmo que você siga um tratamento medicamentoso específico ou opta pela cirurgia, não deixe de fazer as mudanças na sua alimentação. Faça exercícios físicos. Tente mudar seu estilo de vida. Isso com toda certeza a ajudará muito. 
Desejo melhoras. Desejo que você encontre o tratamento correto. Escreva sempre que precisar.
Carinho.

Olá,fiz ultra-son trans vaginal com preparo intesninal com protocolo para endometriose,não é o melhor exame a ser feito,pois nescessita tomar laxante(é melhor não comer nada no dia para deixar bem limpo o intestino,quanto mais limpo melhor o resultado do exame),é um pouco dolorido,mas suportavel,coloca-se um gel dentro do útero,e o exame é complementado pelo abdomem,o meu demorou 50 minutos,e dá para visualizar bem o problema,fiz em S.P (capital) na clinica Cura,com a Dra.Ana Luisa Alencar De Nicola.Ela é ótima e muito delicada e atenciosa,pagueiR$720,00. 
em Exame para detecção de endometriose profunda
Anônimo
em 16/05/12
Obrigada por compartilhar com detalhes sua experiência! Ajuda bastante, pois orienta mulheres que ainda não fizeram o exame. O exame que faço para controlar a endometriose é exatamente esse. Se tiver endometriose no intestino, pode ser um pouco dolorido. Mas nada que assuste. No meu caso, sempre é bem tranquilo. Esse exame também apresenta boa eficácia diagnóstica. Sugiro que a leitoras procurem também médicos conveniados que façam esse exame específico (Seria muito bom se compartilhássemos essa informação) ou hospitais públicos de saúde (Sei que tem na USP, Unifesp, Unesp-Botucatu. Se alguém souber de outros lugares ou teve experiência nesses hospitais, compartilhe suas sugestões e opinião). Apesar de ter dois convênios, paguei pelos exames. Isso está bem longe de ser a situação ideal. Mas se onde você reside não há hospitais públicos (Viajar até outro Estado pode ficar muito caro) que realizam esse exames e se você tem condições financeiras, pagar pelo exame é a opção que resta. Diferentes médicos cobram diferentes valores. É preciso avaliar os preços. No texto Exame para detecção de endometriose profunda, muitas leitoras têm compartilhado sugestões sobre médicos e exames.

Amiga estou a cada dia lendo um pouco da sua historia, descobri a um mes que tenho endometriose, estou como vc pesquisando muito sobre o assunto, e estou tentando engravidar, e acredito que a dificuldade esta na endometriose, meu medico pediu pra continuar tentando pq ele acredita que seja leve meu CA 125 deu 53, mas caso eu não consiga engravidar até o final do ano ele vai fazer a laparascopia, estou a seguir alguns conselhos que vi aqui.. caminhadas, sem cafeina ou chocolates, mas tenho fé em Deus que ele vai me abençoar, e quem sabe eu nem precise fazer a laparascopia, mas caso preciso só peço a Deus coragem e tranquilidade. Parabéns pelo blog... Beijos 
em Endometriose e exercícios físicos
Anônimo
em 13/05/12
Obrigada por escrever! Continue fazendo as mudanças, realmente elas dão resultado! Minha experiência com o CA-125 II foi a seguinte: quando descobri a endometriose, meu CA-125 estava bem alto. Ele é um marcador tumoral que pode indicar câncer e outras doenças, como endometriose. Depois que fiz as mudanças no estilo de vida, os índices começaram a baixar: 130, 79 até chegar em 29 U/mL (Um índice dentro da normalidade). À época que o CA baixou, meu médico (um especialista, pesquisador) disse que o CA nem sempre é confiável. Às vezes, pode estar baixo, mesmo com endometriose profunda. Da minha experiência, tenho a seguinte opinião: quando meu CA foi para 29, minha endometriose continuou sendo de grau IV. E por que se apresentou tão baixo? Apesar de ser grau IV, a endometriose estava sem crescer, o estrógeno estava baixo, os focos sob controle e diminuindo, o organismo estava respondendo bem às mudanças que fiz. Essa é minha percepção. Por isso, considero que o CA é importante não simplesmente para saber se a endometriose é Grau I ou IV, mas para detectar sua atividade no organismo, a forma como está ou não avançando. Mas isso não é uma opinião médica, é uma opinião pessoal. De qualquer forma, mudar o estilo de vida pode realmente baixar o índice do CA-125 para níveis normais. Aconteceu comigo! 
Que Deus lhe dê forças para fazer as mudanças necessárias. Continue fazendo os exames médicos e acredite na importância do estilo de vida. 
Carinho! Força sempre!  

Este exame de endometriose profunda dói ? em Exame para detecção de endometriose profunda
Anônimo
em 04/05/12
Como disse na resposta acima, não dói não. Às vezes, sente-se um incômodo. Essa é minha experiência. Mas se houver muita inflamação, penso que a sensibilidade pode ser maior. Se outras mulheres fizeram o exame e quiserem contar como foi, mande um comentário com sua experiência. Isso pode ajudar quem ainda não fez o exame.

Ah... Fiquei curiosa! Qual a decisão importante??!!! 
em O gigante adormecido
Anônimo
em 28/04/12
Desculpe-me por demorar tanto para escrever minha amiga, que ainda não conheço, mas que admiro muito... Preciso sair logo dessa fase de muitas correrias. Uma de minhas decisões foi pedir demissão (de um dos empregos, que exigiria muitas viagens. Além disso, estou finalizando outra etapa profissional que tem exigido bastante de mim). Fiz isso porque minha vida tem tomado outro rumo, tem ganhado outras dimensões, sem que eu planejasse tantas mudanças. Mas as mudanças vieram, foram necessárias, precisam ser consolidadas a cada momento. Com elas, novas alegrias, sensações, descobertas, amigas com quem tenho tanta identificação... Quero me dedicar profissionalmente à área da saúde. Não sei bem ainda o caminho específico, se sigo a área de pesquisa, se redimensiono minha própria atuação profissional, se recomeço totalmente. Mas a decisão de seguir a área de saúde, eu já tomei. E suas palavras me ajudaram muito a fazer essa escolha num momento-chave. 
Obrigada. 
Com muito carinho.

Olá, Vivo no interior da Bahia e em janeiro passado foi detectado que tenho endometriose. Já fiz ressonância magnéica da pelve, uma colonoscopia e agora o médico quer que eu faça um estudo ultrassonográfico com preparo intestinal... Mas, o médico ultrassonografista indicado por ele, só faz o exame particular e , ao meu ver, é extremamente fora da minha realidade,pois custa 580 reais... Gostaria de saber se em salvador-bahia há outros médicos que fazem esta ultrassonografia com preço mais acessível... Aguardo uma resposta...
Alzira de Oliveira
em Exame para detecção de endometriose profunda
em 15/04/12

Olá, Alzira:
Que bom que teve acesso a todos esses exames. Realmente, o exame específico é muito caro. É muito fora da realidade da maioria das mulheres. Por que cobrar tão caro? Talvez, no Hospital Universitário da Universidade Federal da Bahia seja oferecido esse exame. Mas não tenho essa informação.
Este é o link do site da Faculdade de Medicina da Bahia: http://www.fameb.ufba.br/
O telefone do Departamento de Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana é 3283- 8861.
No e-mail abaixo, a Maria El cita o Dr. Kleber Chagas.
Se alguém tiver outra informação sobre atendimento em Salvador, envie um comentário para este blog.

Boa-tarde, minha amiga! Antes de mais nada, adorei o escritora! Se minhas poucas palavras puderem fazer por você só um décimo de tudo que as suas fizeram e fazem por mim, então, ganhei o ano! Sempre me lembro, quando caminho aqui na minha quadra, em Brasília, da sua frase que diz que o mundo desconhece seu lugar de cura. Perfeita!Isso me dá força para continuar caminhando. Estarei, ansiosa, torcendo e esperando pelos resultados da sua decisão. E, que, saiba desde já, que só a coragem de tomá-la é a própria conquista. Sucesso, menina! Você e o seu marido realmente merecem tudo de bom! Um exemplo! Beijão e bom fim de semana! 
em O gigante adormecido
Anônimo
em 13/04/12
Minha amiga, obrigada pelo grande carinho. Você escreve muito bem!!! Saber de suas impressões me dá forças também. Vamos persistir. Tudo de bom para você! PS.: Também já caminhei em uma das quadras de Brasília, com uma grande amiga que mora aí. Por causa dessa amiga, Brasília tem um significado especial pra mim.

Olá meu bem, Meu nome é Maria El e como todas nos interessadas no assunto, estou passando pela mesma situação em Salvador/Ba. O médico aqui é Dr. Kleber Chagas (So tem esse). Estou com medo de fazer e não dar nada no resultado e eu nao descobrir de fato o que tenho. PODERIAM TODAS que tiverem lendo relatar os sintomas que passarm. Um beijo estarei a disposição pra qq ajuda. 
em Exame para detecção de endometriose profunda

Oi, Maria:
Obrigada por escrever. Desculpe-me a grande demora em responder. Os sintomas que tive foram: inchaço abdominal, dor na evacuação (devido à endometriose no intestino), dor muito forte no abdômen (em uma ocasião, cheguei a desmaiar de dor), fluxo menstrual intenso, coágulos na menstruação, cansaço, emagrecimento, palidez. Mas em grande parte os sintomas diminuíram ou desaparecerão devido às mudanças que fiz. Nos comentários acima, outros sintomas são relatados. Conforme pede a Maria, se alguém puder compartilhar seus sintomas, envie um comentário.
Um abraço! Desejo que tudo dê certo!  


Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.

Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.



domingo, 1 de abril de 2012

O gigante adormecido


1 de abril de 2012

Em determinados meses, minha menstruação atrasa um pouco, o ciclo fica mais longo. Dia 19, 21, 23... Neste mês, fiquei menstruada no dia 27. Nenhum episódio de cólica, nada de dor, mal-estar ou essas dezenas de sintomas terríveis que atormentam a mulher com endometriose – sintomas que conheço muito bem, porém não os tenho mais. O sangue desceu límpido, praticamente sem coágulos, em pouca quantidade. Sim, a endometriose segue sob controle. Além de todas as mudanças que fiz, uma delas tem relação direta com o ciclo menstrual. É impressionante. Se aumento a frequência e intensidade do exercício físico durante o mês, o intervalo entre uma menstruação e outra aumenta um pouco. Se faço menos atividades, o clico diminui. Neste mês, eu e meu marido caminhamos duas vezes ao dia, bem de manhã e no final da tarde. Diariamente, fizemos nosso circuito predileto: 45 minutos, com intensidade média, num percurso com subidas bastante íngremes. Corremos um pouco, conversamos bastante, apreciamos os pássaros e as árvores urbanas desgrenhadas. Começamos e encerramos o dia assim, caminhando. O fluxo menstrual responde ao fluxo do exercício.

O exercício é minha cura, meu marido sabe. Quando não quero ir, ele me empurra. O exercício é minha cura. Quando ele não quer ir, eu o lembro disso. E de tanto empurrar um ao outro, o exercício se transformou em desejo. Quando se torna impossível caminharmos, o dia começa triste. De alguma forma, a química liberada pela atividade física se mistura com o que sentimos um pelo outro. É um condicionamento de desejos – sentir o vento da manhã, conversar com ele, correr da fumaça maldita de algum ônibus, rir sem parar após uma observação invariavelmente muito engraçada que ele faz. Amo caminhar. Mas junto a isso tudo, amo meu marido. Esses desejos todos se entrelaçaram nas manhãs quase frias de outono, nas tardes azuis roseadas de cada dia. E também nos dias de chuva. Em manhãs chuvosas de verão, sem querer substituir o percurso pela academia, ele sugeriu caminharmos de guarda-chuva. Fomos... Com chuva e/ou Sol, não vemos mais ninguém na rua no horário em que caminhamos. O mundo desconhece o seu lugar de cura.

Prosseguir com o sangue límpido, sem dor, sem cirurgias desde 2008, mesmo carregando a endometriose profunda, me motiva a caminhar. O exercício físico mantém a endometriose na posição de um gigante adormecido – uma pedra enorme que interrompeu abruptamente o caminho, mas que também se tornou a visão mais transformadora de minha vida. Num domingo, fizemos nossa caminhada no Polo Cuesta, na região de Botucatu. Há muitas cachoeiras, trilhas ecológicas, paisagens inesquecíveis. Do ponto mais alto, avistamos o Gigante Adormecido, estendido sobre o Aquífero Guarani. É uma imagem de perder o fôlego. Imensidão desdobrada em imensidão. 



Só quem tem endometriose sabe a intensidade das perdas e dores que essa doença inflige. Só quem decide lutar contra ela com as armas certas, sente o horizonte de possibilidades e superações que se abre. Acho que mesmo diminuindo, sempre haverá focos. Mesmo pequenos, sempre estarão prontos para crescer e se espalhar, entravando o corpo feito um leviatã traiçoeiro. Não se pode subestimar a endometriose, é um gigante que carregamos no ventre. Mas o exercício físico decreta a latência, a doença adormece tanto quanto nos movimentamos.

PS.: Leia o texto Endometriose e exercícios físicos, com informações científicas estratégicas sobre o assunto.

Leia também: Exercícios físicos combatem a endometriose

Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:Como superei a endometriose – Parte I


































Imagens do Gigante Adormecido, no polo Cuesta.
A segunda foto foi meu marido quem fez.

Endometriose e exercícios físicos








Para vencer a endometriose – conforme conto no texto O gigante adormecido –, eu pratico exercícios físicos diariamente. Estou absolutamente convencida de que o exercício físico é indispensável. Talvez você ainda não tenha modificado sua alimentação. Quem sabe ainda tenha uma vida estressante e sofra com emoções negativas. Mas se você faz exercícios regularmente, com a intensidade e duração corretas, tem em suas mãos o mais sofisticado e valioso remédio contra a endometriose. Além de contar minha experiência, acho importante compartilhar algumas pesquisas científicas sobre a relação entre endometriose e atividades físicas.

1. Fazer pouco exercício não vai mudar muita coisa – Não há escolhas. Não há receitas alternativas. Para combater a endometriose, o exercício deve ser praticado com frequência, intensidade e duração adequadas. Uma pesquisa publicada no American Journal of Epidemiology, da Universidade de Oxford, investigou a relação entre exercícios físicos e endometriose. Os pesquisadores acompanharam um grupo de mulheres durante dois anos. Depois disso, foram feitos exames nos ovários dessas mulheres. Surpreendentemente, o grupo de mulheres que praticaram exercício com alta intensidade, maior frequência e duração teve o risco reduzido em 76% para endometriomas (cisto de endometriose no ovário). Já as mulheres que praticaram exercícios, mas com baixa frequência, intensidade e duração não tiveram essa redução de riscos. “Reduced risks were not observed for activities oflower intensity" (Redução de riscos não foram observadas para atividades de baixa intensidade). De acordo com recomendações em saúde pública, o exercício deve ser praticado por três ou mais vezes na semana, durante 30 minutos no mínimo, com alta intensidade, no mínimo por 10 meses ao ano (DHILLON, Preet K., HOLT, Victoria L. Recreational physical activity and endometrioma risk. In: American Journal od Epidemiology. (2003) 158 (2): 156-164.)

2. Sem reduzir o estrógeno e o açúcar no sangue não tem como vencer a endometriose. O exercício físico é fundamental para essa redução – Pesquisa realizada na Universidade de Harvard, pelos departamentos de Medicina e Saúde Pública, detectou uma diminuição de 40 a 80% no risco de endometriose em mulheres que praticam exercícios físicos com frequência. “Physical activity has been hypothesized to be protective since endometriosis is an estrogen-dependent disease and physical activity may increase levels of sex hormone binding globulin (SHBG), which would reduce bioavailable estrogens. Increased physical activity also reduces insulin resistance and hyperinsulinemia, which has been hypothesized to be related to endometriosis (A atividade física tem sido vista teoricamente como um fator protetor contra a endometriose, uma doença estrógeno dependente. A atividade física pode aumentar os níveis de globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), que reduz a biodisponibilidade de estrógenos. O aumento da atividade física também reduz a resistência à insulina e a hiperinsulinemia [níveis excessivos de insulina no sangue], que tem sido relacionadas à endometriose”, afirmam os pesquisadores. Essas afirmações são estratégicas. Sem reduzir o estrógeno e o açúcar no sangue, não tem como vencer a endometriose. Minha sogra é diabética. Ela mede a glicemia no sangue por um método simples, em casa. Frequentemente, ela mede a glicemia antes e depois de exercícios físicos. Após a prática de uma caminhada vigorosa, o índice de açúcar no sangue despenca de imediato. Precisamos comer menos açúcar, reduzir o açúcar no sangue. Para alcançar essa meta, o exercício físico vigoroso é imprescindível. (VITONIS, Allison F. et al. Adult physical activity and endometriosis risk. In: Epidemiology (2010), jan., 21(1): 16–23.


3. O exercício físico limpa a célula. Esse processo de limpeza é essencial para combater a endometriose – A todo momento, as células produzem resíduos – vírus e bactérias mortos pelo sistema de defesa, estruturas da própria célula que já funcionam mais, restos de substâncias digeridas, toxinas acumuladas nas células. Todo esse subproduto estragado precisa sair do corpo, para que ele funcione adequadamente. Segundo pesquisa realizada pela Universidade do Texas e publicada na revista Nature, o exercício ajuda na limpeza da célula ao promover a autofagia (um processo pelo qual a célula remove seus próprios componentes danificados, se auto-consome). A autofagia nos protege contra o câncer, desordens neurodegenerativas, infecções, doenças inflamatórias, resistência à insulina, endometriose. Um estudo publicado no Biology of Reproduction mostra a importância da autofagia para a saúde do endométrio e na regulação do ciclo menstrual. A ciência avança no conhecimento da bioquímica corporal. Mas a conclusão é simples: assim, como o banho diário promove a higiene externa, o exercício diário nos limpa internamente. (LEVINE, Beth. Exercise-induced BCL2-regulated autophagy is required for muscle glucose homeostasis.) (
CHOI, JongYeob. The role of autophagy in human endometrium. In: Biology of Reproduction (2011), nov. 16).



As duas primeiras pesquisas falam dos benefícios do exercício para a prevenção de focos de endometriose. Portanto, mesmo que já tenhamos endometriose, também precisamos evitar o aparecimento de novos focos. Mas pelo fato de já ter a doença, o compromisso com o exercício diário deve ser maior. Para prevenir é preciso menos esforço do que para remediar. Para mim, a atividade física é prevenção e remédio. Da leitura desses textos, aponto a seguir alguns hábitos práticos que tenho. Esses hábitos têm feito os focos de endometriose diminuírem.

1. Caminho todos os dias, duas vezes por dia, com tempo de 45 minutos em cada caminhada. A intensidade é média. Nunca fico extremamente cansada. Tenho sempre a sensação de estar renovada após o exercício, e não esgotada.
2. Caminho num percurso em que aclives e declives acentuados. Isso exige mais da capacidade cardiorrespiratória. Não é uma caminhada contemplativa. É um exercício físico vigoroso, embora não seja estafante.
3. Procuro me movimentar durante o dia. Trabalho sentada, frente ao computador. Após uma hora sentada, procuro fazer uma caminhada de uns 5 minutos, além de alguns exercícios funcionais.
4. Parece óbvio, mas a higiene pós-exercício é essencial para limpar a pele e impedir que toxinas liberadas pelo suor sejam reabsorvidas. Imediatamente após cada caminhada, é importante tomar um banho (de preferência frio). PS.: A necessidade de limpar a pele vale também após uma noite de sono. Passar uma toalha úmida pelo corpo todo, logo após uma noite de sono, ajuda a remover as toxinas expelidas e a estimular a circulação sanguínea.



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terça-feira, 20 de março de 2012

Como superei a endometriose – Parte III


20 de março de 2012

Título anterior: A resposta de Ângela

A resposta de Ângela ao pedido de ajuda de Sheila, enviada para os comentários do texto anterior, nos traz uma importante alerta.

Ângela fez mudanças no estilo de vida. Não todas possíveis, pois é algo gradativo. Parou de sentir dores, se sentia melhor. Escreveu sobre isso. Mas certo dia, ela teve uma crise. Procurou um médico especialista. Descobriu a endometriose grau IV. Leia seu comentário no texto anterior.

Quero comentar em tópicos, as seguintes questões em função dessa experiência importante de Ângela, compartilhada com sabedoria e atenção com todas nós:

1. Faça acompanhamento médico – Ao indicar a mudança de estilo de vida, sempre tenho falado da importância do acompanhamento médico. A cada seis meses eu refaço todos os exames para saber se a endometriose não está avançando. A dor sumiu, minha menstrução é normal e os focos diminuiram. Mas continuo tendo endometriose grau IV, com focos espalhados. E, provavelmente, eles não desaparecerão, pois foram detectados em estágio avançado. Mas até aqui, depois das mudanças feitas, a endometriose está diminuindo e sob controle, devido a um estilo de vida saudável. No início dessas mudanças de hábitos, minha médica até fazia um exame rápido de ultrassom, no seu próprio consultório, num intervalo menor de tempo, para analisar a evolução da doença.

2 – Faça os exames – Minha preocupação tem sido principalmente com a dosagem de vitamina D (veja os textos: 1 e 2) e com os marcadores para doença autoimune (FAN – Fator Antinuclear, entre outros). Mas tenho feito todos os exames requisitados e pretendo fazer exames específicos para mais vitaminas. Faça os exames de imagem com especialistas em endometriose, como o ultrassom por Doppler realizado por um especialista (Veja o texto). Refaço esses exames a cada seis meses.


3. Comprove numericamente se o tratamento está dando certo – Em casa e no consultório, após o resultado dos exames, eu e minha médica comparamos cada medida dos focos. Resultado: alguns focos desapareceram e todos eles diminuíram; uns mais, outros menos. Esse procedimento é necessário para fazer ajustes, reforçar certos hábitos ou buscar modificações. No início de minha mudança, os focos ainda cresciam um pouco. Eu deveria ter desistido por causa disso? Não, eu sempre estive convicta que não há outra opção senão mudar o estilo de vida. As mudanças no estilo de vida não anulam a consulta médica, não devem ser feitas depois do tratamento médico apenas ou sem acompanhamento médico. Ter um estilo de vida saudável é parte essencial de todo processo de cura.

4. Busque orientação médica para fazer as mudanças no estilo de vida – Esse tópico talvez seja o mais desafiador. Onde encontrar um médico que tenha conhecimento nessa área? Onde encontrar um lugar que priorize esse assunto? Tenho indicado para leitoras no Brasil alguns profissionais de saúde com os quais me consultei para fazer as mudanças. Eles não são especialistas em endometriose, mas têm conhecimento sobre vida saudável, cada um com sua própria abordagem. Para quem tem mais condições financeiras, há Clínicas de Saúde que oferecem um ótimo tratamento, conforme escrevi em um texto. Mas o custo é proibitivo para muitas de nós. Além disso, em relação a consultas, muitos desses médicos não atendem por planos de saúde. Precisamos urgentemente de um sistema público especializado no atendimento a mulheres com endometriose aqui e no Brasil e em outros países, como Portugal. A escolha por uma vida saudável com acompanhamento médico é um grande desafio, assim como é um grande desafio a mulher com endometriose encontrar tratamento gratuito e de qualidade. PS.: Se você, leitora deste blog, souber de profissionais de saúde com esse enfoque diferenciado, incluindo nutriconistas, envie sugestões para publicarmos no blog.

5 – Seja uma pesquisadora – Há muitos livros e vídeos sobre vida saudável. Neste blog, meu objetivo é compartilhar as orientações que recebo em consultas médicas e obtenho em leituras de livros e pesquisas médicas. Sem jamais se descuidar do acompanhamento médico, se responsabilize pela sua saúde. Entenda seu corpo, busque informações sobre sua fisiologia, veja quais são suas necessidades nutricionais, leia sobre tratamentos alternativos, aprenda a identificar quais são as fontes confiáveis de informação, torne-se uma pesquisadora, participe ativamente de sua própria cura. Quanto mais informação você tem, mais livre você é.

6 – Acredite na importância das mudanças de estilo de vida – Não há outro caminho. Há pílulas paliativas, mas somente alterando a causa das doenças é possível ter uma vida saudável. Ser saudável artificialmente tem prazo de validade. E o custo pode ser muito alto. A origem das doenças está, na maioria das vezes, em nossos hábitos de vida incorretos. Acredite: 1. O exercício físico diário e aeróbico não é um acessório qualquer. Ele diminui o estrógeno no corpo, ele limpa suas células, ele equilibra seu organismo. 2. O Sol não é um grande vilão causador de cânceres apenas. Ele lhe dará vitamina D, uma vitamina essencial para você vencer as mais complexas doenças. 3. A alimentação não é apenas a fonte de prazer para o corpo, mas o combustível que o mantem vivo, que forma as células, que define sua identidade orgânica. O mesmo pode ser falado sobre a importância da água, do ar, da respiração que oxigena as céluas, da relação direta entre a mente e a saúde física. Não são coadjuvantes, são o ponto central de uma vida saudável.

7 – Mas será que alguém consegue fazer todas essas mudanças? – Depois de concordar que as mudanças no estilo de vida são importantes, um médico especialista em endometriose me disse: “mas ninguém muda.” Ele está certo em parte: ninguém muda totalmente. Por melhor que sejam meus esforços, eu jamais terei um estilo de vida inteiramente ideal. Há fatores externos e internos, em mim mesma, que não poderei controlar. Com tudo na vida é assim. É em meio a conquistas e fracassos que avanço. Mas esquecendo dos fracassos, eu avanço para fazer o meu melhor. Por isso, a motivação não é a cobrança ou um sistema gastronômico militarista, mas a vontade de viver com liberdade, alegria, sabores, experiências diversas, novos conhecimentos, interações. Esse caminho me levou a muitas descobertas de felicidade. Mas para mudar é preciso buscar forças. Além de me sentir motivada pelos próprios resultados em meu corpo e animada por causa do efeito dos nutrientes em minhas emoções, busco minha motivação na filosofia judaico-cristã. Tem feito muita diferença em minha vida.

Ângela, agradeço muito pela sua generosidade e atenção, pelas informações enviadas a Sheila e por você ter compartilhado sua importante experiência. Obrigada por compartilhar seu tempo e sua visão. As questões colocadas por você ajudarão muitas mulheres a dar atenção a aspectos essenciais. Sua determinação de seguir em frente, mesmo em meio a novos e grandes desafios, é um exemplo para todas nós. Você tem sido parte constante da construção deste blog. Boa sorte e muita força, sempre.

Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:
Um caminho, entre tantos

Gramáticas da endometriose


Assista ao vídeo You.