segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Maria Amélia, mulher inconformada

22 de agosto de 2011

Navegar na internet pode nos levar a encontros surpreendentes. Inesperados. Ao procurar por outro assunto, vi um link no Google que chamou minha atenção: “Quixabeira contra câncer.” Encontrei uma história de encantos fortes. Encontrei-me com Maria Amélia, uma sertaneja articulada de 93 anos que enfrentou e venceu o câncer. Sua memória admirável, aliada à fala lúcida, é exemplo de superação. Não importa qual é a doença. Importam as lições que Maria Amélia, uma mulher inconformada, tirou de seus desafios. Sabedoria ímpar.

O ano era 1958. Havia perdido quatro crianças. Ela que carregara no ventre onze vidas agora puxava sozinha pela estrada de pó seco sete dos seus filhos. O marido acabara de morrer afogado em um açude. Onde a resistência se impunha também se multiplicavam dificuldades. Como se não bastassem as perdas recentes, em meio a desafios agigantados com seu calor agressivo, ela descobriu a doença, no útero. Compreendeu que não teria tréguas. Por isso, não deu tréguas na vida. Na capital, procurou um médico. Recebeu a sentença: viveria no máximo três meses. Voltou ao interior pernambucano, e procurou outro médico. Foi novamente encaminhada à Recife. Com memória prodigiosa, lembra o nome de cada médico, as idas e vindas, endereços, diagnósticos e tratamentos, indiferenças e cuidados recebidos. No leque de doutores, apenas um nome não foi revelado, a do médico que a dispensou para morrer. Maria Amélia rejeitou o destino traçado. Teimosamente, retraçou seu caminho.

Antes de partir para a capital para fazer o tratamento, Maria Amélia ouviu falar de um remédio crescido na caatinga, hoje ameaçado de extinção, a Quixabeira – planta usada para tratar doenças ginecológicas. Do ventre que saíra tantos filhos, agora exalava fedor doentio. Quem poderia sobreviver a isso? Maria Amélia fez mais do que meramente sobreviver.

Olhe: era uma doença triste, com dores insuportáveis, sangramentos. Eu colocava uma toalha entre as pernas e dali a meia hora essa toalha ficava completamente ensopada daquela secreção tipo salmoura. Eu fedia de ninguém aguentar. Eu era a pessoa que mais fedia nesse mundo, ninguém aguentava. Nada fedia mais do que eu! Com o uso da Quixabeira, essa secreção foi diminuindo e, quando eu cheguei ao hospital aqui no Recife, já era quase nada. Por isso que eu hoje digo que, além do tratamento na Clínica do Câncer, quem me curou foram a Quixabeira e a minha fé, a minha vontade de viver, minha necessidade de viver, pois eu tinha sete filhos pra criar.

A doença é triste, mas a mulher não. Quando chegou ao hospital, ficou na enfermaria, “com outras sete mulheres, todas com câncer, que viviam o tempo todo a chorar”. Na casa das sete mulheres, surgiu a Maria, mulher incomum, que não derramou lágrima. Intrigadas, as outras perguntavam: “’E a senhora não chora, não?’. Eu respondia: não, eu não vim aqui pra chorar, eu vim aqui procurar tratamento.”

Dona Maria Amélia explica, com detalhes, a forma como usou a Quixabeira. Mas sua história, além de demonstrar o poder da planta medicinal, é exemplo de busca arraigada por cura. Jamais se deixaria morrer, por isso procurou médicos, se submeteu aos exames, fez os tratamentos. Mas também não se deixou por completo nas mãos de outros, afastando de si a responsabilidade pela vida. Buscou ativamente a resposta para seu organismo. Pois a saúde não está patenteada, não tem dono único, não é privilégio de uma corporação.

Na história de Maria, há receita de vida longa ainda que no percurso do caminho tenha sido apedrejada pela doença, pela descrença de um médico, pelo lamento em coro das mulheres sem esperança e fé. A quase centenária tem irresistível vontade de viver. O repórter faz uma pergunta para nos dar o privilégio de ouvir a voz médica de Maria Amélia. “Da mesma forma que lhe ensinaram, a senhora chegou a recomendar o uso da Quixabeira a outras pessoas?” “Recomendei a muita gente. E, por muitos anos, nunca faltou Quixabeira lá em casa. Mas, hoje, parece que o povo não acredita muito nessas coisas, né?”

Quem ousa acreditar? As plantas medicinais trazem importantes respostas para a endometriose.

PS.: 1. Atualmente, a Universidade Federal de Pernambuco realiza pesquisas que comprovam as propriedades medicinais da Quixabeira.
2. Leia a interessante entrevista com Maria Amélia Batista Montenegro no site Pernambuco de A-Z.
3. Na sexta-feira (19/08/2011), o Diário Oficial da União publicou uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM). O conselho proíbe que os médicos veiculem informações publicamente “que causem intranquilidade à sociedade, mesmo que comprovadas cientificamente”. Também fica proibido “a apresentação, em público, de técnicas e métodos científicos que devem limitar-se ao ambiente médico”, além de diretrizes sobre a relação médico-imprensa. Lamento profundamente a mordaça a que os médicos estão submetidos. Espero que a sociedade reveja tais resoluções incompatíveis com as liberdades de uma sociedade da informação e da comunicação. Mas ao mesmo tempo, ao ler histórias como a de dona Amélia ou encontrar livre acesso a pesquisas científicas sobre o benefício de plantas medicinais, por exemplo, ou o malefício de tratamentos considerados seguros, comemoro imensamente a existência da internet. O caminho não é a censura, mas o investimento em campanhas e processos educativos para despertar e aprofundar nas pessoas a sua capacidade de avaliação, sempre aliada – mas não cegamente dependente – do saber médico. Que bom seria se tivéssemos uma resolução médica nesse sentido. Mas diante da resolução que temos, resta a certeza de que o CFM não tem poder de amordaçar a internet, nem a ciência e a divulgação científica, já que parece temer até mesmo o que é “comprovado cientificamente”. Para quem se interessou pela Quixabeira, há pesquisas científicas sobre os usos medicinais da planta no google acadêmico. Desejo a todos os leitores uma boa pesquisa e descobertas que celebrem a vida, aprofundem o desejo de autoconhecimento e de conhecimento científico, que nos levem à conquista da saúde e da liberdade. Pois, há mais coisas ameaçadas de extinção além da preciosa Quixabeira.
Leia sobre a Fonte da Vida.

domingo, 14 de agosto de 2011

Para Anita

14 de agosto de 2011

Aproveitando a oportunidade queria lhe perguntar mais uma coisinha!!! Sobre a linhaça e ômega3, você tem alguma experiência com eles? Bjs. Obrigada. Anita.

Oi, Anita:

O uso de ômega-3 é bastante recomendável pelos médicos, como sabemos. Esse óleo é anti-inflamatório e, por isso, previne e combate o câncer, por exemplo. Quanto à endometriose, um dos mais importantes estudos já feito, que correlaciona a doença aos hábitos alimentares, chegou à seguinte conclusão: mulheres que consumiam ômega-3 tiveram 22% menos probabilidades de serem diagnosticadas com endometriose, enquanto mulheres com uma dieta rica em gordura trans tiveram 48% mais chances de ter a doença. Publicado na revista científica Human Reproduction, o estudo foi feito com mais de 70 mil mulheres de 1989 a 2001, sob a coordenação de Stancey Missmer, da área de obstetrícia, ginecologia e biologia reprodutiva do Hospital Brigham e da Harvard Medical School, em Boston, Massachusetts, EUA (Veja aqui). Missmer afirma:

Milhões de mulheres no mundo sofrem de endometriose. Muitas mulheres têm procurado algo que podem fazer por si mesmas, ou suas filhas, para reduzir o risco de desenvolver a doença. Esses resultados sugerem que mudanças na dieta podem ser algo que podem fazer.

Mas é preciso tomar cuidado com a fonte de ômega-3. De acordo com o médico David Servan-Schreiber, peixes gordos podem estar contaminados com mercúrio, PCB e dioxinas, abundantes no fundo do oceano. Essas substâncias provocam endometriose. Entre os peixes contraindicados, estão: atum, cação, peixe-espada e aqueles criados em cativeiro, sejam de água doce ou salgada, ou vendidos em latas. Os peixes congelados perdem progressivamente o ômega-3 ou estão contaminados devido ao uso, por exemplo, de monóxido de carbono para preservar a cor e o sabor. Segundo matéria publicada no New York Times, um dos peixes mais vendidos, a tilápia, tem pouca quantidade de ômega-3 (o salmão tem dez vezes mais) e mais ômega 6, que deve ser evitado. Por isso, a tilápia predispõe o organismo a doenças (Veja matéria). Sendo assim, que peixe comer? Sobram como recomendável, por exemplo, a sardinha e o salmão, desde que não sejam de cativeiro.

Mas é possível encontrar fontes de ômega-3 em outros alimentos. Uma opção parece ser os suplementos. No entanto, há controvérsias. Para o nutrólogo e cardiologista Daniel Magnoni, muitos acham mais fácil ingerir suplementos do que buscar a nutrição na comida. Magnoni afirma:

A situação nutricional do brasileiro é compatível com as piores expectativas da atualidade [...]. O maior tempo dedicado ao trabalho leva a um consumo crescente de alimentos industrializados, prontos e com excesso de sal, açúcar e gordura saturada, além da opção pelo fast food. A manipulação dos alimentos na forma natural, principalmente frutas, legumes e verduras, está sendo relegada ao segundo plano do planejamento doméstico. Ao mesmo tempo, cada vez mais observamos a popularização do uso de suplementos de minerais, como cálcio, potássio e zinco, ou de vitaminas, na tentativa de suprir uma necessidade artificial, criada pela publicidade. É mais fácil tomar uma pílula do que comer três porções de frutas e vegetais todos os dias (Para assinantes).

É mais fácil tomar suplementos, mas será que faz bem para a saúde? O médico diz que devemos buscar os nutrientes nos alimentos, não nos suplementos, que erroneamente são indicados por muitos profissionais de saúde. Mas será que os suplementos podem ser perigosos? Sim. A médica norte-americana Jan Caravaglia menciona a morte de uma mulher que tomava mais de 24 suplementos diariamente. Um caso extremo. De acordo com pesquisa feita na Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, e publicada na revista especializada British Medical Journal, os suplementos de cálcio podem aumentar o risco de ataques cardíacos em mulheres idosas. O cálcio do suplemento se deposita nos vasos sanguíneos, levando a obstruções (Veja aqui). Sobre o ômega-3, um estudo feito por várias universidades franceses, entre elas, a Sorbonne, indica que os suplementos não reduzem doenças cardíacas. A pesquisa foi feita com 2.500 pacientes por quatro anos. Assim, uma das conclusões a que se chegou é de que o consumo de alimentos não deve ser substituído por suplementos (Para assinantes). É importante dizer que sobre o uso de ômega- 3 não há consenso. Pesquisa publicada no American Journal of Epidemiologyu indica aumento de câncer próstata com o uso de ômega-3 em suplementos (Veja aqui).

Como já disse, eu usei suplementos. De maneira geral, me senti melhor. Mas naquele período, a endometriose cresceu um pouco. Mas, como conseguir ômega-3 em alimentos? Essa resposta inclui a segunda parte de sua pergunta: com linhaça. Ela ajuda a equilibrar a atividade dos hormônios e a reduzir a inflamação. Ela pode ser moída e misturada com outros alimentos. Mas embora eu só tenha lido indicações positivas em relação à linhaça, não tenho feito uso regular dessas sementes. Ainda não incorporei esse hábito, mas tenho usado, com moderação, nozes, sementes de girassol, tahine, quinua – importantes fontes de ômega-3. Folhas verdes também são fontes de ômega-3.

É preciso considerar que a constatação dos benefícios do ômega-3 partiu da análise da dieta de determinados grupos de pessoas que comiam peixes e tinham uma alimentação mais saudável. A partir daí, a indústria criou uma necessidade artificial baseada na venda de suplementos. Publicidade perigosa. Agora, a própria ciência tem contestado os benefícios dos suplementos. Mais do que isso: tem concluído que suplementos podem provocar doenças graves. Diante de todas essas pesquisas, minha experiência tem sido a seguinte:

1. Não uso suplementos. Prefiro as vitaminas presentes nos alimentos e em refeições saudáveis. Isso não é fácil. Às vezes, levanto mais cedo, para preparar minha comida. Na medida do possível, procuro diminuir também meu tempo de trabalho para me dedicar a uma vida mais equilibrada. Sei que isso nem sempre é possível. A dica é procurar por bons restaurantes vegetarianos ou orgânicos, com refeições saborosas e saudáveis. Há restaurantes simplesmente incríveis!

2. Mesmo sendo bom e recomendável, procuro não exagerar em apenas um alimento. Quanto o assunto é ômega-3, acho que o consumo precisa ser bem
moderado e bastante variado.

3. Procuro informações. Tantas informações diferentes que, por vezes, contrastam com recomendações de alguns médicos podem provocar um sentimento desnorteador. Mas gosto muito de ler essas diferentes opiniões fundamentadas em pesquisas científicas sérias. Leio as pesquisas, comparo as informações, faço as experiências na minha dieta e chego as minhas conclusões. Além do mais, procuro deixar a ansiedade de lado. Sei que o peixe, embora nutritivo, está cada vez mais contaminado, assim como outros alimentos saudáveis. É importante saber. Mas quando viajo, como salmão. Às vezes, é a refeição mais saudável que encontro. Além disso, em vez de praticar a restrição alimentar, procuro diversificar minha dieta, experimentando novos sabores e receitas. Há algumas semanas, por exemplo, tenho usado aspargos frescos, comprados na feira. Fiz uma torta integral com aspargos e palmito. Ficou ótima. Em vez de complicada, a vida pode ser mais saborosa e prazerosa com a variedade de informações e nutrientes saudáveis a nossa disposição.

Anita, obrigada por escrever! Desejo boa sorte no seu tratamento contra a endometriose!




PS.: O NYT começa seu artigo sobre os peixes com uma referência sobre um milagre que ocorreu no mar da Galileia (Veja aqui). Assim, para falar de algo mais importante do que a comida, sugiro a leitura de uma história linda sobre a fonte da saúde, no texto Milagre no mar da Galileia.














Criação de tilápia: um problema ambiental e de saúde. Peixes alimentados com ração de soja ou de milho são ricos em ômega-6 (gordura ruim em grandes quantidades) em vez de ômega-3, um óleo saudável.

domingo, 7 de agosto de 2011

Endometriose: um tratamento revolucionário



7 de agosto de 2011 

Para os portadores de câncer, uma excelente notícia: a quimioterapia associada à metformina, remédio usado no tratamento do diabetes 2, diminui significativamente o tumor. Com o uso do remédio quimioterápico sem a metformina, o tumor fica o dobro do tamanho. A pesquisa realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que investigou os cânceres de mama e de pulmão, recebeu um prêmio do jornal Folha de S. Paulo (FSP). Na edição de sexta-feira (5/08), a FSP fez uma menção rápida à pesquisa, sem revelar o “pulo do gato”. Afinal, por que a metformina pode combater o câncer tão eficazmente? Acredito que a resposta para essa pergunta é essencial para a superação não apenas do câncer mas, inclusive, da endometriose.

Com amparo do jargão médico e procurando entender por que a metformina diminui o tamanho do tumor, arrisquei minha resposta: o padrão hiperglicêmico acelera o crescimento de células tumorais, sejam malignas ou benignas. Em outras palavras: o açúcar alimenta o câncer e sua “prima”, a endometriose. Certa vez, um médico muito bem-humorado, que fez seu doutorado sobre endometriose, me falou da semelhança desta doença com o câncer. “São primos”, disse, sem perceber o quanto sua afirmação, embora fruto de pesquisa séria, me deixou angustiada. Mas o mal-estar da informação pode ser canalizado para descobertas eficazes. Se a endometriose funciona como o câncer, e eventualmente pode se transformar nele, tudo que se fala sobre a superação do câncer também poderia, em tese e na prática, ser aplicado à endometriose. Tanto que remédios utilizados para o tratamento de câncer também são indicados para endometriose, basta considerar o zoladex, receitado para tratar câncer de mama e indicado para endometriose (Veja a bula e os efeitos colaterais do remédio). Dessa temida associação endo/câncer, não surge apenas angústia, mas respostas – respostas eficientes e questionáveis, econômicas e caras, responsáveis e terceirizadas, naturais e farmacêuticas.

Pois bem, se metformina combate o câncer, nas condições apontadas pelo estudo, também poderia combater a endometriose. Mas pessoalmente não é a metformina que me atrai a atenção, mesmo porque esse remédio tem uma lista de efeitos colaterais indesejáveis e nem todos ainda muito bem conhecidos (Veja a bula). Eu não tomaria metformina para tratar endometriose. Segundo pesquisa da própria Unicamp, determinadas quantidades de metformina levam à grave falência cardíaca ou ao infarto (Veja um importante estudo da Unicamp). Aliás, o tratamento de câncer tem predisposto os pacientes a doenças cardíacas irreversíveis. A metformina também interfere na absorção de B12 (Veja aqui), uma vitamina indispensável para o funcionamento do organismo, cuja carência pode levar à morte. Dessa forma, compensa tomar um remédio que resolve uma coisa e destrói outra? Pode compensar, sim. É um meio de ganhar tempo, mais tempo de vida, de transferir o problema para o futuro, outro lugar, outro órgão, outro especialista médico, que receitará outros remédios. Mas talvez seja necessário nos perguntar se certas decisões no campo da saúde não são também uma espécie de terceirização da doença. Saímos para que o outro tome conta. Para que a pílula mágica ou o túnel do tempo resolva tudo, enquanto o processo nos priva daquilo que somos, nos reduz ao tempo migalhado, ainda que estendido, e aniquila o que se poderia, individualmente, construir com coragem, a partir da consciência e renovação do estilo de vida. Estamos em busca de vias de escape milagrosas ou de construções conscientes que ofereçam um fundamento sólido para a vida de modo que não sejamos surpreendidos no caminho pelos terríveis efeitos colaterais da terceirização do conhecimento, da saúde e da doença? Há sabedoria no outro. Mas deveríamos delegar, por completo, o entendimento do organismo, aceitando de olhos vendados a solução oferecida e desconectada completamente de uma mudança de estilo de vida, de um novo modo de reordenar a existência? Somos mais do que a pílula pode nos destinar a ser. Quem sabe é o momento de retomar o controle do corpo, respeitando-o em sua interação, a partir do acesso consciente a informações-chave e interações significativas, nos deixando motivar, acreditando no poder da mudança, participando ativamente da própria cura. Sim, há superação diante da endometriose.

Quis conhecer mais da associação entre metformina/quimioterápico para colocar à prova a validade de minha resposta. Haveria na pesquisa médica qualquer respaldo para meu raciocínio quase leigo: diminuir o excesso de açúcar circulante combate ou evita o câncer ou a endometriose? Essa resposta eu já tenho para a minha vida, em meu corpo. Como disse, eliminei o açúcar de minha dieta e tenho diminuído tudo que aumenta a glicemia. Ao mesmo tempo, tenho feito uso de alimentos, produtos e práticas seguras que reduzem, de fato, a glicemia no corpo. Considero esse um dos principais aspectos do meu tratamento contra a endometriose. O resultado eu já relatei no blog: o endometrioma no ovário diminuiu pela metade, sem zoladex.

De acordo com matéria publicada pelo Jornal da Unicamp, o interesse dos pesquisadores para estudar a ação do remédio metformina surgiu ao constatar que pacientes diabéticos apresentam menos tumores. Isso poderia ser devido ao menor índice de obesidade e outros fatores induzidos pela metformina. Mas e a glicose, o açúcar? Quase no final do artigo, lá está a resposta esperada, entre termos médicos. Tanto a metformina quanto o remédio quimioterápico considerado, o paclitaxel, atuam numa proteína-chave presente em nossa célula, a AMPK, que age no metabolismo da glicose e dos lipídios (Leia o artigo aqui). Em outras palavras: o benefício do combate à taxa de açúcar no corpo é uma das mais importantes respostas desse estudo.

O uso da metformina contra o câncer é descrito como um tratamento “eficiente e quase de graça” (Veja aqui). Sim, parece ser muito eficiente, mas tem o seu preço: os efeitos colaterais da metformina são preocupantes, ainda que represente aparantemente uma terapêutica alternativa a tratamentos caros e remédios inacessíveis. Mudar a forma de se alimentar, tirar o açúcar da dieta, acreditar que a redução de glicose no organismo é indispensável também não sai de graça. Exige muito, especialmente para pessoas que trocam refeições por doces, como eu fazia. É um apego emocional arraigado. É um vício não admitido como vício perigoso. Um prazer aparentemente inofensivo, atrativamente decorado, perfumadamente irresistível para, às vezes, compensar emoções em frangalhos. Uma dieta antiaçúcar exige mais: a diminuição do consumo de tudo aquilo que se transforma em glicose no sangue, incluindo massas. São mudanças que exigem um acompanhamento médico nutricional consciente, uma busca ininterrupta por conhecimento e a decisão de abraçar uma nova vida, com novos ideais, para inclusive poder ajudar outros que precisam de nós.



PS.: Recentemente, foi publicada na FSP (jornal que faz um importante trabalho na área da comunicação e saúde) uma entrevista muito interessante com um médico norte-americano sobre o açúcar. Devido a importância desse assunto para a endometriose, segue a entrevista no post anterior: Para combater a endometriose, menos açúcar.


Leia o texto:
O poder da vontade.


Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.


Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.

Para combater a endometriose, menos açúcar

7 de agosto de 2011



Pelos motivos que citei no post “Endometriose: um tratamento revolucionário” e “Açúcar e endometriose”, acredito que é parte essencial do combate à endometriose uma dieta sem açúcar, ou pelo menos com pouco açúcar. Segue uma entrevista com um médico endocrinologista norte-americano que embora não faça menção à endometriose apresenta informações indispensáveis à saúde. Foi publicada no dia 24 de julho de 2001, no Caderno de Saúde do jornal Folha de S. Paulo.


Açúcar causa dependência como álcool e cigarro

Endocrinologista americano lança polêmica ao culpar o consumo de doces e até sucos pela epidemia de obesidade

Açúcar é veneno. Do mais natureba, o mascavo, até o suco de fruta ou o famigerado xarope de milho, o açúcar está por trás de doenças cardíacas, diabetes e câncer. E deveria ser proibido para menores de 21 anos, como o álcool e o cigarro. É com essas declarações polêmicas que o americano Robert Lustig, endocrinologista pediátrico da Universidade da Califórnia em San Francisco, ganhou fama internacional nos últimos anos. Sua palestra "Açúcar: a verdade amarga" teve mais de 900 mil acessos no YouTube (tinyurl.com/ldgu9k). Há duas semanas, suas teses foram tema da reportagem de capa da revista do New York Times. Abaixo, os principais trechos da entrevista que ele concedeu à Folha, por telefone.

Folha - O senhor defende que as pessoas eliminem totalmente o açúcar da dieta?
Robert Lustig - Não, eu não sou um "food nazi". Eu como açúcar, mas muito pouco.
Nosso corpo tem uma capacidade muito limitada para metabolizar o açúcar e nós vivemos muito acima dela. Não precisamos de frutose para viver. Nosso corpo ficaria muito bem sem nenhuma frutose [açúcar refinado, a sacarose é composta de 50% de frutose e 50% de glicose].

Qual é o máximo de frutose que deveríamos ingerir?
Não temos certeza. Mas uma estimativa é 50 g por dia. Meus estudos mostram as similaridades entre frutose e álcool. Eles são metabolizados da mesma forma, no fígado. E nós sabemos qual é o limite de toxicidade para o álcool: 50 g. A epidemia de obesidade começou quando o consumo de frutose ultrapassou os 50 g por dia [ou 100 g de açúcar, o mesmo que duas latas e meia de refrigerante]. A Associação Cardiológica Americana publicou uma orientação, em agosto de 2009, da qual eu sou coautor, dizendo que o consumo atual de açúcar nos EUA é de 22 colheres de chá por dia. Deveríamos reduzir isso para nove colheres no caso de homens e seis no caso de mulheres.

Qualquer açúcar é ruim, não importa se é mascavo ou xarope de milho?
Todos são igualmente ruins.

Deveríamos substitui-los por adoçantes artificiais?
Adoçantes artificiais são uma questão complicada. Não fizemos todos os testes para saber o que os adoçantes fazem no organismo. Segundo uma linha de estudos, uma vez que a língua sente o sabor doce, o cérebro se prepara para a entrada do açúcar no sangue. Se ele não entra, o cérebro fica confuso, o que pode levar a um aumento no consumo de açúcar. Há estudos ligando o consumo de adoçantes à obesidade e doença cardíaca.

Qual a alimentação que os pais devem dar a seus filhos?
Crianças devem comer comida de verdade.

Mas isso inclui suco de fruta natural...
Não, suco de fruta, mesmo natural, não é comida de verdade. Deus fez suco de fruta? Não. Deus fez fruta. Qual é a diferença entre a fruta e o suco? Fibras. A fibra é a parte boa da fruta, e o suco, a má. Sempre que há frutose na natureza, há muita fibra,
há uma exceção, o mel, mas este é policiado pelas abelhas. As fibras limitam a velocidade da absorção dos carboidratos e das gorduras do intestino para a corrente sanguínea. Quanto mais rápido a energia sai do intestino e vai para o fígado, maiores as chances de danificar o órgão.

Quando o senhor diz que crianças devem comer comida de verdade, isso inclui um sorvete no fim de semana?
Sim. Quando eu era pequeno, sobremesa era uma vez por semana. Hoje, é uma vez por refeição. Esse é o problema. Eu tenho duas filhas pequenas e é isso que faço. Se é dia de semana e elas querem sobremesa, ganham uma fruta. Uma bola de sorvete, só no fim de semana. Elas seguem as regras e não ficam sonhando com doces.

O senhor propõe que a venda de doces e refrigerantes seja proibida para menores, como cigarros e álcool.
Sim. Refrigerantes não têm valor nutritivo, não fazem nenhum bem às crianças. Se os pais quiserem que seus filhos tomem refrigerante, que comprem para eles.

Não é exagero comparar açúcar a álcool e cigarros?
Não. Cigarros e álcool causam dependência, e açúcar também. Nos refrigerantes, tanto a cafeína como o açúcar causam dependência. Sal e gordura causam hábito, mas não dependência.



Como o senhor explica os efeitos nocivos do açúcar?
Quatro alimentos foram associados à doença metabólica crônica: gorduras trans, aminoácidos de cadeia ramificada [soja], álcool e frutose. A frutose, quando é metabolizada, libera substâncias tóxicas chamadas espécies reativas de oxigênio [radicais livres], que levam a danos nas células no longo prazo, envelhecimento e, potencialmente, câncer.

Leia o texto: "Um modo do Médico curar"


domingo, 31 de julho de 2011

Vitamina B6 e endometriose



31 de julho de 2011

Os fatores nutricionais estão diretamente ligados à endometriose. O excesso de estrógeno provoca endometriose e pode desencadear outras doenças. Há alimentos que levam ao aumento de estrógeno e diminuição de progesterona, como o açúcar e gorduras. Por outro lado, existem também os que combatem o estrógeno. Entre esses, estão os que contêm vitamina B6 (piridoxina). Mas para ser eficiente, precisa vir das fontes corretas. Embora contenham B6, a carne de boi e de porco são contraindicadas, pois podem, inclusive, desencadear endometriose, conforme indicam pesquisas que publiquei no texto “Carne e endometriose”. Há outras fontes seguras dessa vitamina.

Gérmen de trigo, aveia, cereais em grão, pão integral, arroz integral, lêvedo de cerveja (esse tem um inconveniente, pode piorar quadros de candidíase), abacate, gema de ovos (em pouca quantidade, desde que sejam ovos orgânicos certificados. Apesar de não ser uma consumidora fiel de orgânicos, procuro consumir pelo menos ovos e laticínios orgânicos), banana, avelã, brócolis, passas, feijões (como a lentilha) são fontes de B6. Não sou adepta da matemática nutricional que recomenda “X” miligramas de uma determinada vitamina, “y” gramas de outro nutriente, com sua conta extensa e desestimulante. Pessoalmente, jamais me senti atraída por tabelas numéricas e contagens diárias de alimentos, tanto do ponto de vista de calorias quanto de nutrientes. Quando mais nova, observava minha mãe em suas tentativas frustradas de calcular guloseimas e pesar porções. As marcações no papel não duravam duas semanas.

Embora rejeite métodos sistemáticos, acho importante estar em conexão com os números da nutrição. Eles dizem muito sobre nossa saúde. Por exemplo, consumir menos de 1,6 miligramas de B6 por dia pode provocar doenças neurológicas, nos tornar mais susceptíveis à endometriose, desencadear quadros de depressão, irritação, fadiga, confusão mental, dificuldade de concentração, dermatite seborreica (caspa), pedras nos rins. O excesso pode causar doenças neurológicas graves, dormência, insônia. Por isso, os suplementos alimentares são, em geral, perigosos. O melhor é sempre buscar a vitamina nos alimentos. É preciso também estar atento aos medicamentos que podem levar à deficiência de B6, como os anticoncepcionais e antibióticos. Para quem tem tensão pré-menstrual (TPM) e tomam anticoncepcionais combinados, alguns médicos recomendam uma ingestão mais alta da vitamina B6.
Pesquisas indicaram que superdoses, de 200 a 800 mg/dia, num período determinado, diminuem significativamente o estrógeno. Mas não há consenso de que o uso de superdoses faça realmente bem. Na verdade, há fortes indícios de que faça mal.

Utilizei suplementos uma única vez, quando realmente o risco de ficar sem eles era maior do que os riscos de tomar a medicação. Atualmente, busco a nutrição no alimento. Não é fácil. Mais complicado do que a matemática dos miligramas é o cálculo do tempo. A correria da vida nos leva a ignorar a mais importante fonte de saúde e de recuperação da saúde, o mais importante remédio: o alimento de cada dia. Mas como diz a oração-modelo, precisamos pedir diariamente: “o pão nosso de cada dia, dá-nos hoje.” Na prece do pão de cada dia, há um pedido indispensável à sobrevivência; pode haver também um despertar para o pão que comunica saúde, para o corpo que se faz a partir do alimento escolhido. Somos também aquilo que comemos. “Se certos alimentos de nossa dieta podem servir de adubo para os tumores, outros, ao contrário, guardam preciosas moléculas anticâncer”, afirma o médico francês David Servan-Schreiber, chef de uma das mais sofisticadas e singelas gastronomias anticâncer. Pelos resultados que já obtive tanto para o mal quanto para o bem, sei do poder destrutivo dos pseudoalimentos e sinto, sobretudo, os efeitos curativos da preciosa gastronomia antiendo.

Dicas: A banana é rica em B6: duas bananas chegam a ter 60 a 70% das necessidades diárias (Um banana pode ter 0.68 mg de B6). Em 100 gr de avelã tem 0,54 mg e de aveia tem 0,75 mgr (Fonte:
http://www.dietaweb.it/start.asp). Uma xícara de brócolis oferece 15% da ingestão diária recomendada. Gérmen de trigo tem uma boa quantidade de B6 (1,42 mg por 100 gr).

Leia sobre A confiança que traz a paz

domingo, 24 de julho de 2011

Centelha

24 de julho de 2011


Inverno límpido. Um encontro da família de meu marido. Hoje, conheci o jardim fitoterápico de uma de suas tias. Cultivado por mãos especiais, há essências verdes de cura médica nesse canteiro de pequenas dimensões e cobertura variada, cromática e delicadamente multiforme. Entre as hastes esguias e elegantes das cavalinhas se encontram as três espécies da mais admirável das plantas – as aloés. Essência forte, subversiva, de sabor fel, de flores vermelhas e amarelas, folhas imponentes retas e espreguiçadas, de pinturas riscadas em folhas carnudas, carregadas de vida – vida –, que tantas pessoas almejam reter, que tantos estão perdendo sem que, ao menos, suspeitem que num jardim cresce, em silêncio, a segunda chance.

Aloés vigorosas de extensões inteiras com cor e semitom esverdeados, também de verde uniforme. Crescem cultivadas. Para quem já viu tantas delas e conhece seu licor interno, hoje foi um dia único. Jamais tinha visto aloés como as que encontrei nesse canteiro. Mais adiante, manjericão, hortelãs, o vento a mover pequenas folhas estufadinhas – bálsamos. “É só comer alguns pedaços dessas folhas, após o almoço, que a digestão se normaliza”, explicou a mulher que cultiva seu jardim com estética medicinal. Moradora de uma cidade ágil e acimentada, ela aprendeu aos poucos, com conversas e leituras, a importância daquele verde restrito a centímetros sensivelmente multiplicados. Uma mulher como qualquer uma de nós, na sua vida longe do campo. Mas que soube me dizer, enquanto limpava a mão suja de terra: “Entregue-se à leitura. Procure saber. Há tanto que descobrir.” É noite, estou cansada, mas sinto a centelha desse encontro. Por isso, escrevo.

Na casa, mostraram-me alguns livros que haviam acabado de chegar da Espanha. Presentes de um amigo. Dois volumes de uma obra fitoterápica escritos por um médico espanhol e publicados por uma editora de Portugal. Nos parcos minutos que me restavam ali, folheei o quanto pude, tão rápido quanto foi possível. Lendo e observando a sucessão de plantas e as indicações. Diferentemente de outras obras, naqueles livros havia informações históricas, medicinais e instruções precisas de como utilizar cada planta, com suas respectivas indicações. Sobre o alho – lilácea, assim como as aloés – uma recomendação exata referente ao uso diário. A sugestão era de um a três dentes todas as manhãs. Para evitar o hálito, ainda que com perda de propriedades essenciais, o médico indicava outras formas de uso. Li também sobre a onagra e seu óleo prensado a frio proveniente da flor amarela da planta. Uma das essências fitoterápicas mais valiosas para a saúde da mulher, dizia o livro. Conhecida também como prímula, essa planta ativa o funcionamento dos ovários. Remédio para a endometriose.

Fechei o livro e fomos. Havia muito que conversar, pessoas a rever, outros encontros. Minha sogra deve ir à Espanha daqui alguns meses e trará os livros. Livros são importantes, mas centelhas são mais. Palavras podem resignificar trajetos, mas jardins com suas cavalinhas ao vento, entre aloés, emitem luz e sons vivificantes. Quantos são capazes de sentir essa sinfonia? Para um vizinho, ela cultivou a planta, fez o composto e ofereceu. Ele está com câncer. Ao sentir o fel, negou-o. Prefere não ver, nem sentir, nem ouvir o que tem naquela planta que já salvou a tantos. Silêncio. Ela, a mulher, entristeceu sem lamentos. Prossegue seu cultivo de variadas folhas e seivas, aos poucos certificadas pela ciência tardia. Simples, terreal, no jardim sem nome e sem crédito. Para os que ousam saber e sanar suas dores, para os que sentem necessidade do bálsamo-tranquilo, compartilhando o que dia a dia é cultivado devagar e substancialmente, há muito o que descobrir. Sim, há medicina entre relvas de canteiros diminutos incrustados em grandes cidades.



quinta-feira, 7 de julho de 2011

Endometriose leve: há motivos para preocupação?

7 de julho de 2010

Receber o diagnóstico de endometriose não é, necessariamente, um atestado de doença incapacitante, de infertilidade ou dor. De acordo com artigo publicado pela revista Fapesp, “alguns autores descrevem a endometriose superficial como sendo um fenômeno cíclico e normal na vida de uma mulher”. A afirmação decorre de um estudo feito na Faculdade de Medicina do ABC com 80 mulheres férteis portadoras de endometriose mínima ou leve para avaliar a eficácia do exame CA 125. Segundo os pesquisadores, existe “a hipótese de que achados acidentais de endometriose mínima e leve podem não ter significância clínica, e que é provável que a progressão da doença ocorra como resultado de alterações genéticas e imunológicas”.

Ser diagnosticada com endometriose leve ou mínima (grau I) não deve ser encarado como um motivo de preocupação extrema. Se é esse o seu caso, fique tranquila. Procure seu médico e lembre-se: pode ser absolutamente “normal”. Por outro lado, não se deve confundir a tranquilidade com descaso ou descuido com a saúde. O foco de endometriose tem a possibilidade de se expandir devido a alterações genéticas ou imunológicas. Assim, é importante fortalecer sempre o sistema imune, com alimentação saudável, exercícios físicos diários, informações estratégicas, emoções positivas e combate a fontes de estresse, entre elas a preocupação excessiva com a endometriose.

Preocupação libera substâncias na corrente sanguínea (entre elas, os corticóides) que provocam inflamações no corpo. A endometriose é uma inflamação, em correspondência direta com o emocional. Dessa forma, a necessidade de se buscar paz, confiança, esperança, equilíbrio, felicidade, gratidão, fé vale para a prevenção e para o tratamento da endometriose seja ela mínima, leve ou profunda. Somos mais do que a endometriose pode nos condicionar a ser.

Uma resposta para a ansiedade e o medo.

sábado, 2 de julho de 2011

Carne vermelha e endometriose

2 de julho de 2011

Acesse neste blog: Qual é o melhor remédio para endometriose?


Assim como a gripe, a endometriose pode ser causada por um vírus? Essa pergunta pode parecer estranha, mas tem conduzido pesquisas internacionais sobre endometriose. Por exemplo, em 1977, cientistas investigaram a associação de um vírus e a endometriose em animais (Veja aqui). Um dos estudos mais recentes, conduzidos por pesquisadores dinamarqueses da Universidade de Aarhus, partiu da constatação de que há agentes infecciosos presentes na endometriose. Mas após investigar a prevalência do vírus HPV, da herpes e da família do poliomavírus concluíram que não há evidência suficiente de que vírus provoquem a endometriose (Veja aqui).

Então, as mulheres poderiam respirar aliviadas se não há riscos de “pegar” endometriose por meio de um vírus? Há tantas mulheres com endometriose que essa hipótese não foi descartada. A controvérsia continua. Por um lado, se é alarmante saber da possibilidade de se “pegar” endometriose; por outro, a comprovação de que há um vírus desencadeador da doença poderia levar à fabricação de vacinas para prevenção, ao desenvolvimento de um tratamento diferenciado para combater o tal vírus, a mudanças de hábitos eficientes para nos proteger da doença. Haveria uma transformação médica radical em relação à endometriose. Mas nada está comprovado. As pesquisas continuam.

Outros pesquisadores estão em busca dessa importante resposta. Para o Nobel em Medicina, o infectologista alemão Harald zur Hausen, o vírus é, sim, um inimigo perigoso que não deve ser subestimado - um possível desencadeador de doenças como câncer, por exemplo. Seu Nobel em 2008 veio com a comprovação da associação direta entre câncer cervical e vírus HPV. Para ele, “as infecções provocadas por vírus, bactérias e parasitas já respondem por 21% dos casos de câncer no mundo”.

Por que essa informação é importante? O que um vírus tem a ver com o título desse texto, com a carne vermelha, câncer ou endometriose? As pesquisas de Hansen podem explicar porque uma pessoa que nunca fumou e tem hábitos de vida razoavelmente saudáveis desenvolve um tipo letal de câncer de pulmão. Conheci duas pessoas que morreram dessa terrível doença sem nunca terem fumado ou convivido com fumantes. Para Hansen, há alguns vírus na carne vermelha, da família poliomavírus (sim, aqueles mesmos que foram associados com a endometriose pelos pesquisadores dinamarqueses), que seriam agentes causadores de câncer no pulmão em não fumantes, na mama, no intestino. Assim, o que causaria o câncer não seria apenas o modo de preparo da carne vermelha (frita, no churrasco etc), mas vírus que habitam no gado e não podem ser destruídos pelo calor do cozimento.

Como escrevi acima, não se sabe se a endometriose pode ou não estar relacionada com vírus. Mas a hipótese está sendo levada a sério por médicos em todo mundo. Também não há uma comprovação final de que poliomavírus, presente no gado, sejam um causador de câncer, embora Hansen acredite que há fortes evidências nesse sentido. O cientista premiado com o Nobel, recomenda: “reduzam o consumo de carne vermelha. Aliás, essa é uma recomendação que já vem sendo feita mesmo antes dessa relação.” A mesma recomendação é válida para enfrentar a endometriose.

Um médico italiano, da Universidade de Milão, Fabio Parazzini, chefiou uma pesquisa sobre a relação entre endometriose e a ingestão de carne vermelha (Veja aqui em reportagem publicada pela BBC Internacional). Os pesquisadores chegaram a seguinte conclusão, que deve nos servir de alerta: “As mulheres que tiveram a maior ingestão de carne (carne bovina, carne vermelha e de presunto) tiveram o risco aumentado para endometriose em 80 a 100%.” Um risco alto demais para compensar o hábito de comer carne vermelha e carne de porco. Para o médico, com uma alimentação correta, seria possível diminuir em 800 mil o número de mulheres com endometriose na Europa. Eu acredito nisso. Há algum tempo, não como mais carne.

Veja mais uma receita saudável no meu blog Sabor com Saúde.
Para fazer as mudanças necessárias, conte com um apoio importante:
Poder superior.






Uma entrevista com Harald zur Hausen foi publicada no jornal Folha de S. Paulo, no dia 28 de junho de 2011, no Caderno de Saúde. Para quem assina a FSP, o link é: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2806201101.htm.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Endometriose no New York Times

15 de junho de 2011

No site do jornal New York Times (NYT), há um caderno especial sobre a endometriose (Veja aqui). As informações incluem causas, sintomas, exames, tratamentos, prognóstico, possíveis complicações e prevenção. Não há espaço para tratamentos alternativos, mas o jornal apresenta em linhas gerais as principais informações sobre a doença.


Além desse guia da endometriose, o NYT publica, vez ou outra, notícias sobre essa temática, na seção Health. Um das mais antigas, é de 8 de março de 1988 (Veja aqui). Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, o Caderno de Saúde decidiu abrir espaço para uma doença que aflige muitas delas. No título, um alerta: há ligação entre endometriose e deterioração dos ossos. Na corrente sanguínea da mulher com endometriose há maior concentração de uma substância chamada interleucina-1 que inibe o crescimento dos ossos. De acordo com o artigo, “as mulheres com endometriose também devem tomar medidas para evitar a osteoporose. Por exemplo, antes que atinjam a idade da menopausa, devem se exercitar regularmente e consumir quantidades adequadas de cálcio.” Minha alimentação é pobre em cálcio. Esse é um ponto que preciso corrigir.

A matéria publicada em 9 de julho de 2002 é bastante alarmista: a portadora de endometriose tem “um risco aumentado de desenvolver alergias graves, autoimunes e possivelmente o câncer [...]. Em vários estudos, mulheres com endometriose apresentaram um risco aumentado para o câncer, incluindo câncer de mama e ovário, melanoma e especialmente o linfoma não-Hodgkin”. Apesar da gravidade, a endometriose é subdiagnosticada. O artigo explica, com detalhes, os sintomas e descreve alguns tratamentos, entre eles, uma técnica com laser que alcança um índice de 82% de melhora. Há também um teste para ajudar a saber se uma mulher tem ou não endometriose. As perguntas são:

* Você tem dor pélvica? A dor pode ter um padrão mensal que piora durante o período menstrual, no meio do ciclo, ou ambos. A dor também pode ser constante.

* Você experimenta fadiga crônica, exaustão ou baixa de energia?

* Você tem diarreia, evacuações dolorosas ou outros desconfortos gastrointestinais durante a menstruação?

* Você tem inchaço do estômago e inchaço abdominal?

* Você tem ciclos menstruais irregulares ou abundante sangramento menstrual?

10 pontos para uma resposta "sim" à primeira pergunta e 5 pontos para cada resposta "sim" a outras questões. Se o total é de 10 pontos ou mais, você pode ter a doença.

Ler sobre correlações entre endometriose e doenças tão graves é muito difícil. Até que ponto o jornal não está sendo, de fato, alarmista? De qualquer forma, com a endometriose, desenvolvi também autoimunidade. É real. Mas ainda acredito que a informação, em vez de assustar simplesmente, pode salvar vidas. Seja por facilitar a identificação de sintomas; seja pelo estímulo à conscientização no que diz respeito ao estilo de vida: fazer exercícios, se alimentar melhor, buscar a felicidade ainda que façamos críticas justas aos discursos a la poliana. Sim, a felicidade é uma construção. Não é automática nem deve ser obrigatória. É uma opção que requer persistência, convicção, coragem e a certeza de que somos amadas, mesmo quando o amor está em falta ao derredor. A certeza de que é possível vencer. Esse é o desejo que tenho para mim e para cada leitora que encontra este blog.

Leia sobre a segurança, força e paz aqui.
Veja uma nova receita no blog Sabor com Saúde.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Endometriose e doença autoimune





1 de junho de 2011

Quando fiz, pela primeira vez, o exame do FAN (Fator anti-nuclear), o resultado foi normal. O especialista em endometriose requisitou uma lista de exames, e apenas fiz. Não sabia o significado de cada exame, mas também não estava muito preocupada com isso. Já havia coisa demais para me preocupar naquele momento. Afinal, tinha acabado de perder meu ovário direito.

No início de 2010, repeti novamente o FAN. Até esperava que, algum dia, eu iria me deparar com um resultado positivo para Tireoidite de Hashimoto, um hipotiroidismo autoimune (outro exame requisitado pelo ginecologista). Afinal, minha mãe tem a doença, que dá para manter sob controle. Mas o resultado foi outro: FAN reagente (padrões nuclear pontilhado grosso 1/320. Muito alto). Entre o leque das patologias, estão: Doença Mista do Tecido Conjuntivo, Lúpus Eritematoso Sistêmico, Esclerose Sistêmica, Artrite Reumatóide, Síndrome de Sjögren Primária, Lúpus.

O FAN reagente ou positivo pode estar presente em pessoas saudáveis (quando o título é baixo 1/80). Além disso, pode estar presente em portadoras de endometriose, sem que essas doenças autoimunes se manifestem. Mas elas também podem, sim, se manifestar. Possivelmente, a própria endometriose seja uma doença autoimune. Não ficou muito claro para mim – e, talvez, nem mesma a ciência tenha essa resposta ainda – qual é a relação exata entre FAN e endometriose. Vou ter alguma dessas doenças listadas em algum momento? Se tiver, vai se manifestar da mesma forma? Posso ter o FAN reagente apenas se tiver endometriose, sem qualquer outra doença autoimune coexistente? Muitas perguntas, respostas inconclusivas, sintomas variados.

Com o resultado em mãos, fiquei muito assustada. Fragilizada. As doenças autoimunes são desafiadoras tanto quanto a endometriose, ou mais. Sentia alguns sintomas mais preocupantes: perda de peso, queda de cabelo. Junto desse exame, outro resultado: níveis baixos de vitamina D (sua carência é um desencadeador de autoimunes) e do complexo B. No dia que vi o resultado, precisava dirigir quase 3h até chegar ao meu trabalho. Naquela viagem, dirigi entre lágrimas. Trabalhei em meio a uma tristeza profunda. Mas prossegui.

Mudei meu estilo de vida, melhorei a alimentação, comecei a me exercitar diariamente, a me expor ao Sol e a usar gliconutrientes. Continuo firme nesse caminho. Meu peso estabilizou, minha saúde voltou ao normal e a endometriose diminuiu. Não tenho dores e me sinto muito bem. Tenho apenas um sintoma que talvez não desapareça – o inchaço abdominal. Em todo esse trajeto de reformas e descobertas, de boas e más notícias, de consultas especiais e receitas realmente eficazes, renovei minha confiança em Alguém tão esquecido nos dias de hoje, mas que conhece nossa vida em cada um de seus detalhes.

Nesta semana, chegaram os resultados dos últimos exames de sangue. O FAN que tinha dado os alarmantes 1/320 passou, no segundo exame, para 1/160 e, agora, está no mínimo: 1/80. Embora eu pudesse prever esse resultado ao observar meu próprio corpo, com o exame tenho a certificação científica. A vitamina D (25 Hidroxi) passou de 14,6 para 38 ng/mL. Hoje, já tomei meu banho de Sol. Minha vitamina B12 está sob controle (vegetarianos devem sempre dosar essa importante vitamina). Com o quadro de hipovitaminose corrigido, a vida se fortalece.

Compartilho de minha experiência, para dizer: caso você descubra a endometriose em estágio mais avançado ou receba um resultado positivo para outras doenças autoimunes, não desanime. Eu estou bem, muito bem. Faça as mudanças, mesmo em meio a deslizes. Recomece, ainda que tudo pareça excessivamente difícil. Busque informações e as compartilhe. Confie, sempre. Você não está sozinha naquilo que lhe abateu. Ainda que esteja só, que não tenha filhos ou um marido carinhoso, que ao derredor e intimamente nem tudo esteja bem; sua luta para estar melhor é uma luta conjunta. Para quem busca a cura, não há solidão.

Leia a reflexão de hoje: O Médico dos médicos.



Coloquei uma nova receita no blog Sabor com Saúde.


Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.


Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Endometriose intestinal, diagnóstico e radiação

26 de maio de 2011

Ontem, fui a mais uma consulta, com uma gastroenterologista de uma universidade pública. Meu intestino funciona regularmente, não tenho dores, mas um sintoma persiste: inchaço abdominal constante, independentemente do ciclo menstrual. Alguém tem esse mesmo sintoma?

Mostrei os exames. Contei da indicação do médico especialista para retirada de um segmento do meu intestino acometido pela endometriose, devido ao risco de malignização. A médica concordou comigo: fiz bem em não aceitar a cirurgia. Acrescentou que ginecologistas estão fazendo avaliações que somente gastroenterologistas deveriam fazer. Argumentei que o médico que indicou a cirurgia é um dos mais importantes especialistas em endometriose. Na opinião da médica, o exame de ultrassonografia não serve para dimensionar a extensão da endometriose no intestino. Contou, inclusive, que já chegou a participar de uma cirurgia para retirada da endometriose intestinal diagnosticada por um exame de ultrassom. Quando abriu a paciente, não havia endometriose alguma.

Ela disse que o inchaço abdominal pode ser devido à endometriose, síndrome de intestino irritável ou ainda a outra causa. Indicou endoscopia, colonoscopia e tomografia do abdômen total. Para ela, o resultado desses exames trará a resposta final, pois o ultrassom é inespecífico nesses casos. Cada médico, uma leitura. A medicina não é, nem de longe, uma ciência exata. No final da consulta, ela disse que ajo corretamente ao procurar a opinião de diferentes médicos.

Vou tentar reunir coragem para fazer a endo e a colonoscopia. Considero exames bastante invasivos, mas, às vezes, muito necessários. Não farei a tomografia. O nível de radiação do exame é altíssimo e predispõe o corpo a outras doenças (Veja aqui). Além disso, a radiação (raios X, tomografia, com radiação ionizante) é um fator desencadeador de endometriose (Veja aqui). Em 2008, fui submetida a uma tomografia. Então, já passei da minha cota. Precisamos acreditar nos médicos, mas também devemos ter mais cuidado com o nosso corpo. Na próxima consulta, vou conversar sobre alternativas a esse exame.

Dessa última consulta, tiro uma conclusão principal: a endometriose intestinal deve ser também investigada por um gastroenterologista cirurgião que integra equipes multidisciplinares para tratar a endometriose. Além disso, quem tem endometriose deve considerar os riscos da radiação em exames diagnósticos: 1) Evite tomografia computadorizada (TC), pois o próprio método diagnóstico é um estimulador da doença; 2) Em outros países, mulheres com endometriose estão sendo tratadas com radiação (Veja aqui). Alegam que os efeitos da endometriose diminuem, mas aumentam os riscos de câncer. Compensa?

PS.: Penso que no Brasil ainda não se usa a radiação para tratar endometriose. Mas o tratamento pode estar disponível em algum momento, já que a endometriose é uma fonte de lucro para a medicina. De qualquer forma, conhecer mais sobre os efeitos da radiação em nosso corpo é importante, devido os exames diagnósticos, por vezes, paradoxais – exames usados para detectar endometriose podem, também, provocar a doença. Há uma série de reportagens especiais, sobre os perigos da radiação de modo geral, publicada pelo jornal New York Times: The Radiation Boom). Em maio, meu marido conheceu um hospital nos Estados Unidos que tem se especializado em física médica, com tratamentos que usam radiação destinada a eliminar apenas as células cancerígenas, sem atingir as células saudáveis. No NYT, a outra face da moeda: radiações que matam as pessoas devido a erros em softwares, falhas de treinamento, descaso médico. As histórias são bem impactantes. A física médica está em pleno desenvolvimento, estimulada pelo marketing médico. As reportagens do NYT ajudam a entender os riscos dessa tecnologia médica cada vez mais criativa, e também potencialmente perigosa.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Viagens e gastronomia anti-endo



13 de maio de 2011

Nos últimos fins de semana, fiz viagens afetivas e gastronômicas. Comida e emoções andam de mãos dadas. Em meio a montanhas, revi meus pais. Fui recebida com muffins, quibe vegetariano, pamonha de milho reinventada... E juntos, fizemos pizzas para o sábado à noite. Deliciosas pizzas sem queijo. Na gastronomia saudável, há muito espaço para invenções coloridas e saborosas. Sim, a pizza é puro tempero. E o melhor de tudo: foi feita por mãe e filha juntas. Com manjericão, alho, rúcula e escarola refogadas, champignon, palmito, tomate seco... e uma massa integral da minha mamma pizzaoila. Resultado: foi um final de sábado aromático e apetitoso em nossa pequena cantina cercada de natureza.

No fim de semana seguinte, eu e meu marido fomos à casa de amigos que vivem no campo, mais próximos do céu. O friozinho decorrente da elevação de altitude não atrapalhou em nada as caminhadas por entre a mata preservada, animais, cachoeiras. Ali, encontramos o céu azul, as estrelas há tanto tempo não vistas, o silêncio de uma vida longe da cidade. Um paraíso possível e desacelerado. O encontro teve geleias caseiras fantásticas, pão integral, pão de queijo vegan, arroz integral... Voltamos para a casa abastecidos de novos ideais, gratos a Deus pela amizade e por Sua criação. Estar em meio ao verde, em contato com o ar e a água puros, entre árvores avatar, junto a amigos que têm projetos de vida incríveis, é uma experiência inesquecível.

Fizemos também um passeio com os pais de meu marido. Fomos a uma das clínicas de tratamento natural sobre as quais já falei. O dia estava lindo. Para completar, almoçamos uma refeição diferente e bem temperada. Arroz integral, lentilhas, quibes picantes de cenoura... No final, experimentamos uma sobremesa deliciosa: pudim de pão adoçado com suco de maçã e mel. Só de lembrar... A sequência de viagens foi intensa, mas às vezes é preciso acelerar para cultivar afetos, laços familiares e amizades inspiradoras.

A comida resignifica a vida. Muitas pessoas também me ajudaram a resignificar o alimento, em especial, minha mãe – alguém sempre preocupada em conciliar sabores com saúde. Em função daquilo que ela me ensinou, daquilo que estou aprendendo a cada dia, quero compartilhar minhas receitas, minha gastronomia anti-endo que tem dado excelentes resultados. Para isso, criei um novo blog
Sabor com Saúde. A cada novo post, tentarei também publicar receitas que compõe meu cardápio anti-endo. Convido a todas vocês a conhecer esse novo blog!







domingo, 24 de abril de 2011

A luta de Marli

24 de abril de 2011

Acesse o texto: CORONAVÍRUS, sistema imunológico e endometriose



Há mais de um ano, passei por uma consulta particular com um médico pesquisador que também atende em um hospital universitário. Como ele não era credenciado a um plano de saúde e recomendou uma cirurgia cara e complexa, pedi informações sobre o atendimento gratuito. Sem dar espaço para insistências, o médico disse: não temos vagas nem na fila de espera. Em outras palavras: se quiser fazer a cirurgia, pague o preço.

Se há dinheiro, pagar não é o problema. Se o plano de saúde oferece um serviço mínimo, ainda que não inclua a consulta com um médico pesquisador, essa pode ser a solução. Mas se faltam condições financeiras ou o convênio não garante o tratamento especializado, resta ainda o serviço público. Mas, inaceitavelmente, na rede de saúde pública a conta final pode alcançar um valor repulsivo – o preço de uma vida.

Marli Fernandes Almeida, 37 anos, pagou o preço. Agora, pretende processar a Secretaria Municipal de Saúde. Há três anos, iniciou um tratamento para combater a endometriose. O médico receitou o medicamento Gonapeptyl Depot 3,75 mg. Segundo reportagem publicada no Diário da Franca, o remédio ocasionou um quadro grave de osteoporose, “elevando a idade óssea da paciente para 70 anos”. Com uma filha pra cuidar, Marli falou sobre sua luta:

"Passei e estou passando por muitas dificuldades. Imagina você ter 37 anos e uma estrutura óssea de uma pessoa de 70 anos. Não é fácil. Não quero que o que aconteceu comigo se repita com outras pessoas. Por isso, preciso que a justiça apure a prescrição do medicamento Gonapeptyl Depot 3,75 mg, que é fornecido na farmácia de alto custo da Diretoria Regional de Saúde-8, pois ele pode provocar uma série de celeumas aos usuários. Além disso, acho que houve falhas nos exames feitos na Secretaria de Saúde e isso pode ocorrer com outras pessoas", afirmou.
Não tenho condições de avaliar a eficácia do medicamento ou checar cada informação da matéria jornalística, mas essa notícia nos alerta sobre um drama vivenciado por mulheres portadoras de endometriose que dependem da rede pública de saúde. Diante da história de Marli, faço algumas perguntas.

1. Se é difícil encontrar o tratamento adequado para a mulher com endometriose tendo um plano de saúde, qual é a situação das que dependem do sistema público?
2. Quantas mulheres sofrem dores e apresentam os sintomas da endometriose, mas nem sequer são diagnosticadas devido à falta de capacitação de profissionais de saúde na rede pública?
3. Sendo a endometriose um problema de saúde pública, há uma política eficaz do governo federal voltada à doença?

Sobre o item 2, é importante acrescentar que a técnica de diagnóstico desenvolvida para detectar a endometriose profunda (ver o texto Exame para detecção de endometriose profunda) tem sido negociada como uma moeda valiosa entre médicos. Os planos de saúde, em geral, não cobrem o custo desse exame. (Tenho dois planos de saúde e preciso pagar pelo exame!) Já médicos que se especializam, por sua vez, acabam estimulando um mercado de exames, com preços diferenciados, mas igualmente altos. Tais exames especializados surgiram entre pesquisadores médicos vinculados a universidades públicas brasileiras ou que desenvolveram estudos de mestrado e doutorado. Não há nada de errado em ganhar dinheiro com a medicina. É uma profissão como todas as outras, embora devesse prevalecer o senso de missão conduzido por uma ética médica. Mas se há dinheiro público (ou funcionários públicos) nessas pesquisas, é importante saber o que tem sido feito para expandir o acesso ao exame específico, incluindo a transferência de conhecimento para profissionais do SUS (Sistema Único de Saúde). É bom enfatizar que não se trata de transferência de tecnologia, pois o exame para detecção de endometriose profunda é feito com aparelhos convencionais de ultrassom. O diferencial do exame é a interpretação da imagem (portanto, o conhecimento especializado) e o preparo que a mulheres devem fazer. Quem está disposto a repartir o conhecimento e abraçar a missão da saúde pública? Certamente, a relação saúde pública/endometriose envolve muitas outras questões que precisam ser discutidas abertamente.

Para quem tem endometriose, a luta contra a doença é exaustiva e pode se tornar autocentrada. A dor atrai a atenção para o próprio corpo. Pode nos imobilizar para mudanças, pode nos calcificar em frustrações. No caso do sistema médico, a dor pode gerar fortunas. Mas há outros caminhos possíveis e necessários. A dor própria também nos coloca dentro da dor alheia. O sofrimento pode despertar o melhor de cada um, médico ou paciente. Marli cedeu sua foto, compartilhou sua perda, expôs sua indignação. Entre dores, ela encontrou forças. Ao se deparar com suas perdas, se envolveu em uma luta contra um grave problema de saúde pública – que é também um problema moral. E mesmo com a própria estrutura fragilizada, Marli olhou para longe de si. Ela abraçou uma causa mais ampla que pertence a todas nós, ao dizer: “Não quero que o que aconteceu comigo se repita com outras pessoas.”

sábado, 16 de abril de 2011

Mais poderoso que o Zoladex? Mais eficiente que o Mirena?




16 de abril de 2011

Acesse neste blog: Qual é o melhor remédio para endometriose?

No texto Remédio de Liláceas, falei mais sobre a cebola. Apesar de haver outra espécie da família das liláceas mais efetiva e surpreendentemente eficaz sobre a qual planejo falar, agora vou escrever sobre uma terceira lilácea: o alho. Em plena era da tecnologia e dos mais sofisticados laboratórios farmacêuticos, quem se dedicaria a falar de temperos que curam? De plantas capazes de alterar a química intracelular e renovar a vitalidade das células, beneficiando o organismo como um todo e aniquilando doenças? Para muitos, isso é conversa de curandeiro. Vendido a preço irrisório e impossível de ser patenteado, que cientista defenderia o poder medicinal do alho? Que acadêmico teria a coragem de provar que o alho é tão poderoso quanto um dos mais eficientes antibióticos?

No início do mês, um pesquisador de uma das mais importantes universidades do Brasil tornou público o resultado de sua investigação científica com duas espécies de alho. Paulo César Venâncio, professor de química do Colégio Técnico de Campinas (Cotil) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pesquisou as atividades antimicrobianas do alho comparando-o com o antibiótico amoxicilina. Em tempos de bactérias resistentes, quem é mais efetivo no combate a uma infecção – o alho ou o antibiótico? Em sua tese de doutorado defendida na Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Unicamp e orientada pelo professor Francisco Carlos Groppo, Venâncio chegou a seguinte conclusão:

Os resultados mostraram que, depois de 24 horas, os dois alhos levaram a resultados muito parecidos aos da amoxicilina. [...] Os dois alhos, além da atividade direta sobre os microorganismos, ativariam o sistema imunológico. [...]

Para Venâncio, os médicos podem receitar o alho, mesmo que ainda queiram manter a prescrição do antibiótico para dimensionar os resultados. Diante das infecções hospitalares e resistências cada vez maiores ao antibiótico, o alho é apontado como um remédio barato e comprovadamente eficaz. E o mais importante: ativa o sistema imunológico e não tem os efeitos colaterais do antibiótico. Basta acrescentar que depois que se usa o antibiótico, mesmo por pouco tempo, a flora intestinal leva anos para se recompor, segundo pesquisa conduzida no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de Nova York (Link) e outra feita na Suécia, publicada na revista Microbiology (Link).


Ainda não encontrei pesquisas que relacionam o alho à endometriose. Mas eu uso o alho para diminuir a inflamação, afastar a dor e fortalecer meu sistema imunológico. Funciona. Como disse, uma das hipóteses é que a endometriose seja resultado de uma falha do sistema imunológico. Não estou dizendo que o alho substitui o remédio convencional para endometriose. Mas que a pesquisa científica voltada à mulher deve buscar mais caminhos de investigação. Quem sabe um dia surgirá um cientista como esses da Unicamp para comprovar cientificamente que o alho (e um conjunto de mudanças no estilo de vida) é igual ao Zoladex, ou mais potente que o Mirena, mas sem seus terríveis efeitos colaterais.

Talvez a vida seja simples, mas talvez não estejamos mais prontos para aceitá-la na sua simplicidade. Isso exigiria muito de nós. Estamos tomados pela cegueira branca tecnologizada ou pelo autismo tecnicista, como bem nos alertou José Saramago e como nos adverte Jesús Martin-Barbero na sua proposta de uma cartografia libertadora. Quem escreverá no seu consultório essa nova cartografia da saúde? Acostumado com o mundo das pílulas mágicas, que paciente construirá um diálogo ativo com a vida, seu médico, a ciência e a fé para encontrar os caminhos que o levarão à cura? Caminhos, no plural.

Enquanto não há pesquisas científicas sobre alho e endometriose, não custa, com entusiasmo, acrescentar no cardápio um “suquinho” sugerido pelo doutor Venâncio:

Entusiasmado com os efeitos benéficos do alho, o autor enfatiza que qualquer pessoa pode fazer um extrato de alho, como inclusive mostra o site da Anvisa. Basta pegar um dente de alho que pesa cerca de 500mg (meio grama) triturá-lo, colocar a massa macerada em meia xícara de água e deixar por 20 minutos. Segundo ele, ao tomar o suco nas refeições, a pessoa está ingerindo um excelente antimicrobiano. “Fizemos um estudo que pudesse resultar em algo útil e com resultados práticos que podem prontamente ser utilizados pela população”, concluiu.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Para Ângela, de Portugal


13 de abril de 2011

Descobri hoje o seu blogue. Descobri à pouco tempo que tenho endometriose. Sempre tive dores no período, achava que eram normais (preparação para o parto, sinceramente penso que as do parto não serão muito diferentes), mas tomava a pílula e isso atenuava os efeitos, até porque é essa também uma forma de evitar a expansão da doença e mantê-la controlada. Como estou a pensar ter filhos, segui as recomendações médicas, seis meses antes de tentar engravidar! O problema foi que sem a pílula as dores foram piorando, não só pelo período, bem como durante todo o mês, que estou cheia de cólicas e gases! (poderá também ser stress) Penso que não estarei num estado tão avançado porque já fiz uma análise aos ovários e útero. Mas de facto, ninguém me sabe dizer mais nada, e cá ando eu a gemer, a fazer o que empricamente acho que devo fazer, ginástica, boa alimentação (como é talvez pouco) e algumas coisas erradas (tenho de pesquisar mais) e ouvir mais opiniões de quem realmente sofre, porque os médicos, não é nada com eles, ou é só quando estamos num estado lamentável! Não sabia do sol, sei a sua importância, mas sou tão caseirinha... vou hoje mesmo para a praia às 17h30 e 20minutos pelo menos lá estarei. Vou pedir exames aos factores que recomenda e continuar a ler os seus depoimentos. Não sou muito stressada, tento ser sempre calma, mas de facto tenho a mania de querer tudo direito, não necessariamente perfeito. Fico alarmada é com a relação com doenças auto-imunes, a minha mãe tinha e morreu com lúpus sistémico eritematoso. Nunca se queixava de dores no período, mas tinha grandes corrimentos (eu não, período normal, apenas o "muco" nos dias posteriores é castanho). Tenho medo de engravidar e desta forma se manifestar a doença. Tenho medo de não conseguir engravidar, sempre foi um sonho ser mãe... tive uma mãe exemplar, como não podia quer ser mãe? E por último fé :) Obrigada. Serei a sua mais fiel leitora. As melhoras. Ângela

Ângela, antes de tudo, muito obrigada por sua linda mensagem! Em meio à correria desses dias, pensei muito sobre que caminho profissional seguir. Seu e-mail me ajudou a ter uma certeza: preciso compartilhar o que tem acontecido comigo. Preciso falar. Não tenho dores, a endometriose está diminuindo, sinto-me bem. Tudo isso diante de um quadro de endometriose profunda.

Sei que não é fácil encontrar alternativas de tratamento. Mas posso dizer: é possível vencer a endometriose com uma vida saudável. Essa afirmação vem das experiências pessoais e das pesquisas científicas que tenho divulgado no blog. Por isso, faço questão de colocar os links para as pesquisas e artigos que divulgo. Mas pelo fato de eu manter meu anonimato, sei que a força do blog diminui. Colocar meu nome tornaria a realidade mais concreta.

Já tenho um caminho profissional definido, e gosto dele. Mas depois da endometriose tudo adquiriu outro significado. Junto de meu marido, tomei uma decisão. Quero fazer Medicina. Unir ideais de vida a um projeto profissional. Precisamos cultivar os sonhos e as missões pessoais. David Servan-Chreiber, o médico francês autor do livro Anticâncer, falou que para vencer a doença, entregou-se ao projeto do livro. Entregou-se com alegria a um sonho. Não teve medo de sonhar. Isso o ajudou a viver. Sonhar resignifica a vida!

O fato de minha saúde estar melhor é resultado da fé. Dizem que orar é abrir o coração a um Amigo. Sim, Ele nos ouve e nos dirige. Ele também une pessoas. Fico feliz por encontrar você nesse caminho de lutas, sonhos e conquistas que é a vida. Ore a Ele a cada dia.

O estilo de vida é determinante. É preciso mudar. Você tem uma conquista muito importante em sua vida: a calma. É preciso cultivar bons sentimentos e bons hábitos. Decidir ser feliz, decidir vivenciar a paz. É um aprendizado.

Ângela, se não foi detectada a endometriose avançada, os focos não devem estar grandes. Os exames falham para detectá-la. Mas depois do diagnóstico, a probabilidade de erro diminui. A endometriose nos coloca o desafio de equilibrar a vigilância com a tranquilidade. Esteja alerta, mas confie em Deus. Se seu médico não lhe dá a atenção necessária, troque de médico. Há bons médicos. Ao buscar informações e colocá-las em prática, compartilhe suas conquistas. Será muito bom pra todas nós! Você vai vencer e conquistar seus sonhos.


PS.: 1. É lindo o que disse: "tive uma mãe exemplar, como não podia quer ser mãe?"

2. Você mora perto da praia. Que delícia! O sol lhe fará muito bem.