quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Da endometriose ao câncer: a consciência do risco e o risco do desconhecimento




27 de outubro de 2011


Não sei seu nome, nem detalhes de sua história. Transformada em relato médico, eles a identificam como a “Paciente do sexo feminino com 45 anos de idade”. Uma mulher portadora de endometriose profunda, que era mãe de dois filhos e sofria com um histórico de dismenorreia intensa (cólica menstrual).

De acordo com os médicos pesquisadores, ela foi internada no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP) após sentir dores abdominais durante duas semanas sem melhoras com o uso de analgésicos (Veja a pesquisa acadêmica com esse relato
). Por meio do ultrassom transvaginal, constataram aumento do volume do útero (190 cm3). O CA-125, marcador tumoral também utilizado para compor o diagnóstico de endometriose, estava alto: superior a 200 U/mL. A hipótese diagnóstica foi adenomiose/endometriose pélvica. Os médicos a submeteram a uma histerectomia (retirada do útero) “para tratamento da dismenorreia”. O exame laboratorial não identificou endometriose no útero.

Após a cirurgia, voltou para casa. Mas retornou várias vezes ao hospital para ser atendida no Pronto Socorro. Estava emagrecendo. As dores abdominais não cessaram. Por meio de uma ressonância magnética do abdômen, encontraram uma massa de 6,0 x 5,0 x 3,0 cm no peritônio (uma membrana que envolve a camada abdominal). Era endometriose. Os médicos optaram por uma ooforectomia bilateral terapêutica. Foram retirados os dois ovários.

Sem útero e sem os ovários, era de se esperar, ao menos, o fim da dor. Mas as dores continuaram, acompanhadas de náuseas e vômitos. Havia mais focos de endometriose. Por meio do ultrassom, identificaram uma “massa cística”, próxima à aorta, ao tronco celíaco e aos vasos mesentéricos. A aorta é a artéria mais importante do sistema circulatório. O cisto encontrado estava no abdômen, próximo à aorta abdominal (aorta descendente). Ela foi subtemida a uma laparotomia. Retiraram parte do tumor. O exame revelou cisto “endometriótico com hemorragia”.

Um ano se passou. Ela foi submetida a uma nova tomografia computadorizada que revelou uma “lesão residual retroperitoneal”. Esse cisto no peritônio foi investigado por meio de uma punção. Os médicos acreditavam que era endometriose, mas não excluíram a possibilidade de outro diagnóstico, conforme relatam: “porém devido à presença de muita necrose no material, não se excluía a possibilidade de neoplasia epitelial bem diferenciada.” A neoplasia é um crescimento desordenado da célula que pode ser maligna ou benigna. Pelo que o paper relata, a paciente foi mantida sob tratamento para controle da dor. Mais um ano se passou até um novo exame. Vejam o relato:

Mantida sob tratamento clínico com controle parcial da dor e das náuseas. Exame de controle por RM [Ressonância Magnética], após um ano, mostrou aumento das dimensões da massa retroperitoneal, descrita como lesão expansiva complexa (...).
Desde a abordagem cirúrgica da massa no peritônico, quatro anos se passaram. Em meio a operações e remédios, ela emagreceu mais, a dor piorou. Até que foi encontrado um tumor de 15 cm em seu abdômen. Vejam o relato:

Após 4 anos da primeira abordagem cirúrgica da massa retroperitoneal, a paciente apresentava-se emagrecida (I.M.C. = 17) com piora da dor, apresentando náuseas, vômitos e inapetência. O exame físico evidenciou massa endurecida, em topografia de
epigástrio, aderida a planos profundos.

Os médicos fizeram uma tentativa de retirar o tumor. Na cirurgia, cortaram parte do estômago, do baço, do pâncreas. Devido às características do tumor, não puderam extraí-lo. Após 45 dias, essa mulher morreu, por choque séptico. Na autópsia, constataram o câncer: “adenocarcinoma caracterizado pela proliferação neoplásica de padrão glandular predominantemente endometrióide.” Para os médicos, a endometriose se transformara em câncer.

Essa história foi relatada em um trabalho acadêmico repleto de termos técnicos, aceito para publicação no dia 30 de maio deste ano. Apesar de sua objetividade científica, há muito sofrimento nesse relato. Escrevi este texto sob uma tensão crescente, tentando descrever os sintomas, os achados, os exames, os resultados, as idas e vindas dessa mulher, o olhar médico e sua interpretação. A mulher que não conheci sofreu muito. Viveu o calvário. Por que ler isso? Por que trazer à tona essa história? Por que escrever sobre dor extrema? Se precisamos de força, a encontraremos nesse desfecho? Ainda que seja incomparavelmente mais difícil saber dessa história do que conhecer histórias de dor marcadas pela superação, ainda sim, prefiro conhecer todas as implicações possíveis dessa doença, para não subestimá-la, para dizer: não a subestimem.

Há tempos, li um artigo na BBC sobre o risco da endometriose se transformar em câncer (Veja). O artigo afirma que muitas mulheres poderiam não querer ouvir sobre isso. Quem deseja ouvir o pior? Mary Lou Ballweg, da Endometriosis Association, disse: “Há um perigo de médicos sentirem que as mulheres não querem saber sobre o risco de câncer. Mas o que é pior, sentir um pouco de medo e estar atenta para os sintomas ou morrer?” “As mulheres precisam procurar um especialista para garantir que elas estão recebendo a melhor ajuda possível”, afirma Ballweg. De acordo com a médica Joanna Owens, diretora do Cancer Research UK's: “pesquisas [...] sugerem que a endometriose pode aumentar o risco de câncer e são necessários mais estudos para explicar essa conexão. Nosso conselho para todas as mulheres é que conheçam seu corpo, contatem o seu médico imediatamente se detectar quaisquer mudanças e participem de triagem, quando convidadas.” (Veja
)

Ao descrever o caso em um paper, enviado para publicação na revista Autopsy and Case Reports
, da USP, os médicos pesquisadores mantêm uma linha investigativa central: a relação entre câncer e endometriose, com enfoque nas discussões sobre diagnóstico. “Estudos têm documentado a progressão da endometriose, como doença benigna, para o câncer”, afirmam os autores. Eles enumeram algumas questões centrais, com base na análise de outras pesquisas: 1. O mecanismo de transformação da endometriose para o câncer ainda é desconhecido; 2. Não existe um método unificado para o diagnóstico da transformação da endometriose em câncer. Nos trabalhos publicados esse método é variado; 3. A taxa de incidência de câncer de ovário é nove vezes maior em mulheres com endometrioma. Em mulheres acima dos 50 anos, é 13 vezes maior; 4. Muitas mulheres que desenvolveram câncer a partir de focos de endometriose fora do ovário estavam na menopausa e faziam reposição hormonal; 5. As neoplasias de ovário relacionadas à endometriose parecem apresentar um prognóstico mais favorável, com melhores taxas de sobrevida.

Quero destacar mais duas conclusões dos autores (Veja
):

1. Por sua vez, a Ressonância Magnética (RM) é o método de imagem mais usado para
avaliação da endometriose pélvica profunda, podendo ter sensibilidade superior a 90% na capacidade de predição de lesões malignas.Nesses casos, as imagens sugestivas de acometimento neoplásico são a presença de massa unilateral cística com focos de hemorragia e nódulos murais com realce ao contraste.

2. A transformação carcinomatosa da endometriose é evento relativamente raro, pouco compreendido e de ainda difícil diagnóstico pelos métodos atuais. Não há até o momento orientação para seguimento ou rastreamento da transformação maligna nos focos de endometriose.

Quando li esse paper, me fiz várias perguntas. Primeiro, a qual tratamento medicamentoso essa mulher foi submetida? Já que retiraram o útero e os ovários, provavelmente ela não estava utilizando remédios para conter o avanço da endometriose. Mas seguia um tratamento medicamentoso, conforme relatam. Qual? Justamente devido às cirurgias, será que não estava fazendo reposição hormonal? Os médicos não dão informações sobre o tratamento farmacológico. Apenas mencionam o aumento de casos de câncer, a partir da endometriose, em situações em que a mulher faz reposição hormonal, embora não especifiquem o tipo de reposição.

Além disso, de acordo com os médicos a Ressonância Magnética é o melhor exame para diagnosticar a transformação de endometriose profunda em câncer. Nunca fiz ressonância. Nunca encontrei um médico que quisesse pedi-la. Provavelmente, os planos de saúde os induzem a isso. Mas, com esse paper em mãos, vou pedir que meu médico requisite o exame. Fica claro que a associação entre câncer e endometriose não é bem conhecida. Embora tais casos sejam raros – apenas uma pequena porcentagem de mulheres com endometriose desenvolve câncer –, precisamos estar atentas aos sinais, principalmente se nos enquadramos nos grupos de riscos citados: endometriose profunda, endometriose intestinal (meu médico faz pesquisas nessa área. Disse que o risco de malignização é muito maior no intestino do que no ovário), reposição hormonal, mulheres na menopausa ou acima dos 50 anos, obesidade, emagrecimento sem outra causa.

Esse artigo discute métodos diagnósticos. Parece importante para que a ciência avance. Mas a discussão central deve ser: como prevenir? Como impedir que a endometriose se transforme em câncer? Como evitar o medo e, ao mesmo tempo, tomar atitudes que nos protejam, nos fortaleçam (pois o medo apenas nos enfraquece)? Discutir as causas dessa transformação da doença é importante. Se as pesquisas médicas estão dizendo que reposição hormonal aumenta os riscos, devo fazê-la? O que mais aumentaria os riscos? No artigo publicado na BBC, a médica Anna-Sofia Melin, do Instituto Karolinska, na Suécia, afirma que a endometriose pode se transformar em câncer devido a defeitos no sistema imunológico das mulheres. Outra hipótese considerada por Melin é:

“Talvez o tratamento da endometriose possa influenciar o desenvolvimento do câncer. Nós não sabemos ainda.” (“Maybe the treatment of endometriosis can influence cancer development. We do not know yet.”) (Veja
).

Essa é uma afirmação corajosa e incomum, partindo de uma médica. Será que o tipo de tratamento que estamos fazendo está fortalecendo ou debilitando nosso sistema imunológico? Se está fortalecendo, você deve estar se sentindo melhor, com o organismo mais forte. É preciso olhar para o corpo e reconhecer os sinais. É preciso procurar bons tratamentos, bons médicos e fazer os exames corretos. Tomar as decisões necessárias.

Apesar de muito triste, o relato dessa mulher anônima fala a todas nós. Serve de um alerta. Não deve nos levar ao desespero nem à tristeza. Como disse, o índice de mulheres com câncer desenvolvido a partir da endometriose é pequeno. Por isso, com a mudança de estilo de vida, com um tratamento eficaz, podemos superar essa doença, ter qualidade de vida, tornar nosso organismo ainda mais forte, de modo que além de controlar/superar a endometriose sejamos capazes de evitar outras doenças, por conta da atenção e cuidado que temos com nós mesmas. A endometriose pode ser também um caminho para nos fortalecer ainda mais. De fato, com as mudanças que fiz por causa da endometriose, estou muito melhor. Sentia dores fortes, não sinto mais. A endometriose é profunda, mas os focos diminuíram de tamanho. Há mais vida em mim do que antes. Paradoxalmente, endometriose pode também significar isso – buscar vida, em sua plenitude.
Veja como superei a endometriose:



Leia sobre a fonte da Paz


Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.


Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.


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domingo, 16 de outubro de 2011

Endometriose, obesidade e reposição hormonal




16 de outubro de 2011

Acesse neste blog: Qual é o melhor remédio para endometriose?

A combinação obesidade/endometriose pode levar a doenças mais sérias. Peso ideal não é sinônimo de saúde, mas estar acima do peso representa um risco aumentado para o desenvolvimento de várias doenças. Minha mãe e minhas irmãs sempre tiveram tendência para engordar. Eu nunca estive acima do peso normal, mas também não era muito magra. Devido à endometriose e doença co-relacionadas, emagreci bastante. Após mudar meu estilo de vida, recuperei os quilos perdidos e estou muito bem, nem magra nem gorda. Minha menstruação é normal. Sem dores, sem sangramentos intensos. Apesar da endometriose profunda (grau IV), meu organismo segue equilibrado. Mas nem sempre foi assim. Como já disse, devo isso a uma mudança completa em meu estilo de vida. No entanto, uma de minhas irmãs não tem a mesma história. Sem qualquer preocupação com comida saudável ou exercícios físicos, ela engordou até se tornar obesa. Antes de atingir uma obesidade preocupante, recorreu aos remédios de emagrecer por “orientação” médica. Começou um efeito sanfona incontrolável, com alterações emocionais. Após anos de dependência farmacológica, seu organismo ficou completamente desregulado. Resultado: ela deixou de ser uma bonita mulher gordinha e passou a enfrentar a obesidade quase mórbida. Se antes não havia força de vontade alguma para mudar o estilo de vida; com a obesidade, ela se entregou a soluções ainda mais radicais e agressivas. Decidiu pela cirurgia bariátrica. Lembro-me dela saindo do centro cirúrgico semiacordada. A cirurgia para redução de estômago correra bem, mas sua vida jamais seria a mesma.

Quando minha irmã fez a cirurgia, uma mulher morreu um mês após o mesmo procedimento cirúrgico. Recentemente, um tio de meu marido morreu no preparo para essa cirurgia, durante a anestesia. Mas minha irmã passou bem por todas essas fases. Emagreceu, sem ficar muito magra, como imaginava. Embora não tenha sido por laparoscopia, ela se recuperou relativamente rápido. Mas agora todo o organismo sofre com as consequências da cirurgia. Primeiro, teve de retirar a vesícula. Recentemente, descobriu que está com cistos e pedras nos dois rins, além de outras complicações. A cirurgia de redução de estômago aumenta significativamente a probabilidade de pedras nos rins. É como se minha irmã tivesse aberto a caixa de pandora com essa decisão. De modo muito rápido, o organismo está se debilitando. Um a um os órgãos vão apresentando falhas. Dependente de suplementos vitamínicos e comidinhas reguladas, incapaz de beber um copo cheio de água, ela também sente dores. Embora tenha acompanhamento médico constante e siga a risca as “orientações” artificiais dos médicos, agora ela vive para apagar incêndios no seu corpo. A decisão que parecia apontar o caminho mais fácil tem se mostrado, na realidade, um trajeto dolorido. Mas será que poderia ter sido diferente? É possível emagrecer sem remédios e sem cirurgia bariátrica?

Vocês já devem adivinhar minha resposta: sim. Eu acredito no poder da mudança do estilo de vida. Tenho como comprovar. No caso da endometriose, tenho como comprovar devido a minha própria experiência e a algumas histórias de vida que tenho encontrado e compartilhado aqui. No que se refere à obesidade, não enfrentei esse problema. Sinto na pele apenas o efeito negativo das decisões de alguém que amo. Mas conheço duas histórias bem-sucedidas relatadas por duas pessoas muito diferentes, mas igualmente admiráveis: Paulo Farber, médico com doutorado em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e Karina, alguém que conta sua história em um blog pessoal. Tanto Farber quanto Karina relatam sua incrível experiência na internet. Para quem não precisa emagrecer, mas está enfrentando a endometriose, a história dessas duas pessoas também é uma fonte de conhecimento segura e funcional. Um oásis sobre recuperação e manutenção da saúde.

Farber conta sua história no Blog da Saúde
. Com base em pesquisas científicas, ele fala da importância da vitamina D (pessoas com baixo índice dessa vitamina têm mais dificuldades para emagrecer. Além disso, há mais dois textos super importantes no blog sobre essa vitamina), da ameaça do açúcar e dos carboidratos que desencadeiam a resistência à insulina e tem provocado uma epidemia de diabéticos, a importância dos exercícios físicos, o fator emocional, o uso de terapias alternativas. Em três meses, Farber emagreceu 25 kilos, sem perda muscular. “Hoje estou bem mais feliz, porque estou mais magro, e também porque me libertei da prisão que é a ‘refeição por prazer’. É uma liberdade que nunca soube que existia”, afirma (Veja). Além desse relato, o blog tem outros textos que apresentam uma medicina comprometida com a saúde, embora eu particularmente discorde de algumas posições centrais, incluindo o uso de carne e de homeopatia. Exemplos de ótimos textos: benefícios da fitoterapia, malefícios dos remédios (O texto “Um dia esse remédio faz bem, em outro esse mesmo remédio faz mal” aborda a questão da reposição hormonal), uso de corticoides, o perigo de medicamentos para o estômago, o funcionamento da medicina. Há um inconveniente no blog: ele está sem atualização desde março.

Karina emagreceu 13 kilos em seis meses. Enquanto Farber recorreu à medicina chinesa, Karina tem uma experiência com a dieta vegetariana e um componente a mais – sua fé pessoal no poder da oração (Veja
). No site em que narra sua história, há muitos textos sobre estilo de vida saudável, além de receitas deliciosas (Veja). Além de filosofia de vida, há orientações abrangentes e muitas dicas práticas. No texto em que Karina relata como emagreceu, os créditos são dados a Cristo. Segundo seu relato, foi por meio da oração que ela exerceu sua força de vontade – mediante sua fé surgiu “tanto o querer quanto o efetuar” (Filipenses 2:13). Concordo com Karina nesse aspecto: mudar o estilo de vida requer uma tremenda força de vontade. De onde vem essa força? Cada pessoa busca numa fonte. Nem todas as fontes são capazes de impulsionar e manter a mudança. Precisamos experimentar aquilo que promete nos fortalecer, ter uma experiência individual. Provar se funciona, sem preconceitos. Falar das melhoras, sem receios.

Por que essas experiências são importantes para quem tem endometriose? Mesmos estando com o peso ideal – e muitas mulheres com endometriose são magras – é preciso buscar a nutrição ideal. Pode-se estar magro ou acima do peso e, ao mesmo tempo, desnutrido e com toxinas no corpo. As experiências de Farber e Karina vão além do mero emagrecimento. São receitas de saúde completas. Mas quem está acima do peso e tem endometriose tem um motivo muito importante para emagrecer: a obesidade ou sobrepeso desencadeia e piora a doença. De acordo com pesquisadores da Faculdade de Medicina do ABC, há 80% a mais de chances da endometriose se transformar em câncer em mulheres obesas que usam o hormônio estrógeno para reposição hormonal (Veja
). A afirmação está baseada no estudo de médicos da Mayo Clinic, em Minnesota, Estados Unidos (Veja o abstract). De acordo com o artigo, a obesidade pode desencadear o hiperestrogenismo, que causa a endometriose. Além disso, a reposição hormonal com estrógenos após histerectomia pode levar a transformação da endometriose em câncer. Os pesquisadores afirmam:

Hyperestrogenism, either endogenous or exogenous, is a significant risk factor for the development of cancer from endometriosis. The prevalences of endometriosis, obesity, and use of hormonal replacement therapy in women in developed countries are increasing, and this trend justifies the assumption that cancer developing in endometriosis might become more common in the future. (Hiperestrogenismo, seja endógeno ou exógeno, é um fator de risco significativo para o desenvolvimento do câncer a partir da endometriose. A prevalência de endometriose, obesidade e uso de terapia de reposição hormonal em mulheres de países desenvolvidos está aumentando, e essa tendência justifica a suposição de que o câncer desenvolvido a partir da endometriose pode se tornar mais comum no futuro.)
Embora os médicos pouco falem disso nos consultórios, pesquisas acadêmicas sérias nos alertam para a necessidade de uma mudança de estilo de vida. Vimos que o Dr. Farber preferiu trocar “o prazer de comer” por uma comida saudável. Evidentemente, ele está falando sobre “o prazer de comer as coisas erradas”. Essa espécie de prazer não compensa. Cobra uma conta alta. Como já escrevi neste blog, encontrei o prazer de comer alimentos saudáveis e também deliciosos. Sem açúcar, mas saborosos. Sem gorduras prejudiciais, mas apetitosos. Mudar o estilo de vida requer força de vontade, mas compensa. Ganha-se uma vida com saúde, redimensiona-se o prazer.


PS.: 1. Recebi uma dica super importante de uma leitora deste blog. Ela sugere a leitura de livros de Dean Ornish. Vou procurar saber mais sobre os livros. Há um vídeo muito interessante com Ornish no TED, com legenda em português: http://www.ted.com/talks/lang/por_br/dean_ornish_on_the_world_s_killer_diet.html. Não deixem de assistir ao vídeo. Tem 3min.22 seg.

2. Escrevi sobre os riscos da reposição hormonal no texto "Endometriose, câncer e reposição hormonal".


Leia meu texto: Eu venci a endometriose

 (http://endometrioma.blogspot.com/2018/07/eu-venci-endometriose.html)


Conheça a história de Francielle e Samuel: Um bebê da esperança. 


                                          https://www.instagram.com/endometriose_tem_cura/

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A resposta simples para a endometriose

6 de outubro de 2011

Incrível, como atitudes e hábitos aparentemente simples podem significar a resposta para problemas espinhosos. Na Tailândia, o número de mulheres com câncer no colo do útero despencou devido a um exame alternativo, barato e muito eficaz, feito à base de vinagre. O papanicolau, que leva dias para ficar pronto e apresenta um custo muito elevado para mulheres pobres, é substituído pelo toque do vinagre em lesões suspeitas. Queima, mas se houver riscos para células cancerosas, a pele apresenta uma coloração branca. Com a detecção precoce de células doentes, enfermeiros treinados para essa tecnologia simples fazem um procedimento curativo bem-sucedido. Ao substituir exames laboratoriais pelo vinagre, mulheres tailandesas se veem livres de uma doença que mata.

A lista do simples, em geral, circula em espaços invisíveis. Não interessa que se torne pública. Tornar-se pública é mais do que ser conhecida ou estar na internet. É ser aceita, vista como crível, resposta eficaz, escolha inteligente e curativa, a melhor opção, embora não passe de uma atitude absolutamente simples. Não é uma resposta banal ou periférica, mas um tratamento central, poderoso e simples. Trocar exames dispendiosos por vinagre ou antibióticos agressivos por alho são dois exemplos. Substituir os caros stentes em pacientes cardiopatas por mudanças na dieta e no estilo de vida é outro exemplo poderoso. Laparoscopias seguidas, cirurgias no intestino, remédios e tratamentos caros também têm seu substituto simples. Mas respostas simples não surgem sem vontade acirrada. É preciso querer muito. Tem que acreditar, investir, entregar-se a experimentações e colher o fruto da ousadia. Tem que amar a vida e as pessoas para fazer o melhor por si mesmo e pelos outros. Num cenário de desamor, amar é verbo dissonante. Não combina com ganância nem com verdade. Parece inocente demais, simples ao extremo. Funciona mesmo?

Os métodos simples surgem com os valentes. O vinagre da Tailândia é resultado de uma pesquisa médica feita em Harvard e divulgada pelo jornal New York Times. O uso de alho no lugar de antibióticos é resultado de uma pesquisa feita na Universidade de Campinas (Unicamp), que inclusive ajuda a diminuir a inflamação da endometriose (Veja aqui
). A comida que reverte graves doenças do coração foi adotada com sucesso por celebridades norte-americanas. Houve quem sonhou em salvar, antes de lucrar. Quero acrescentar nessa lista uma história admirável: a do frei brasileiro que se dedica a curar pessoas com uma planta medicinal – aloe vera ou babosa. História incrível, com resultados reais. Experimentação que tem levado pesquisadores em todo mundo a dedicar horas em laboratórios para comprovar o que o corajoso frei Romano Zago atestou na vida. Encontrada na rua, misturada num composto sem grandes mistérios, a planta cura. Simples, assim.

Não são quaisquer pessoas falando quaisquer coisas. Afinal, se é verdade, por que não se divulga para todos os cantos em megafones ultrapotentes? Por que a solução não pode ser simples? Porque se for, muitos vão perder a galinha tecnológica dos ovos de ouro high tech. Contudo, ao menos por um curto espaço de tempo, a lista simples se lança ao cenário público, se torna conhecida, desfila credibilidade, mas não ultrapassa por completo o corredor polonês. A todo momento, está ameaçada de exclusão. Quantos têm acesso a essa informação? E quem tem acesso à notícia, saberá colocá-la em prática? Onde é possível encontrar alguém que acredite nesses ideais para conduzir a mudança? Se alguém ousar dar ouvidos à ideia simples terá forças para seguir adiante com ela, sem fraquejar? A massa de pessoas envoltas por publicidades embaladas a neon gritará em coro uníssono: não pode ser tão simples assim, isso é loucura. Agenciados para manter as pessoas no padrão da "normalidade" e do consumo, os próprios médicos – muitos, mas não todos – serão os primeiros a lançar ao abismo sua boa vontade em seguir na direção correta. Seremos vigiados, seremos punidos, diria Foucault.

Mas graças a Deus, há a internet, os livros, a informação, os corajosos, os sem medo, os tsiwari. Temos o New York Times, o google acadêmico, mulheres que se encontram na rede digital, nosso corpo. A vontade determinada em assumir o controle da própria vida. Para enfrentar a endometriose, superar laparoscopias e remédios, há respostas simples. Porém, exigentes. Não é fácil não. Continua, no entanto, sendo imensamente melhor do que não fazer nada ou fazer tudo que não funciona. Feito vinagre, a mudança queima, mas cura.

PS.: 1. Meu marido viajou para o norte do país, passando pelo Amazonas e Pará. Trouxe-me de presente um vírus resistente. Senti os primeiros sinais da gripe forte. Iniciei o tratamento. De manhã e no final do dia, em jejum, regado a dois copos de água, tomei um dente de alho moído, colocado na colher, e ingerido com bastante água. No meio do dia, 30 minutos antes do almoço, tomei o suco puro de um, dois ou três limões. À tarde, na última refeição, um suco, feito no liquidificador: duas poncãs ou laranjas, uma maçã e uma cebola. A gripe forte durou um dia, mas sem me vencer por completo. No dia seguinte, já estava bem. Nos demais dias, senti o vírus tentando avançar, especialmente quando acordava ou no final do dia, antes do remédio-alho. Mas em uma semana, nenhum sinal da gripe. Mais do que vencê-la, esse tratamento me trouxe muitos outros benefícios, enquanto se eu tivesse tomado antibióticos, arcaria com seus malefícios, como a destruição das bactérias do intestino, responsáveis pela imunidade. Meu tratamento teve um efeito colateral positivo: no final da semana, eu já não tinha inchaço abdominal. Esse é o sintoma mais persistente no meu corpo, devido à endometriose. Mas com o mix-tempero, fiquei leve, bem, saudável. Portanto, se você quiser avaliar a eficácia dessa receita antigripe e antiendometriose para sua saúde, não tenha medo. Alho, limão e cebola são remédios simples, mas extremamente eficazes. Entretanto, esses são remédios antissociais devido ao odor. Quando estiver de férias e puder ficar uma semana reclusa, tente este caminho. Não deixe de tomar o alho com bastante água. Espere no mínimo 30 minutos para comer. Coe bem o suco indicado. Além disso, evite, pelo menos, o açúcar. Feito vinagre; o alho, cebola e limão também incomodam, mas são potentes agentes naturais de cura.

2. Indico um site muito interessante de uma mulher da Nova Zelândia com endometriose que se chama Melissa:
http://www.cureendometriosis.com. Ela descobriu a endometriose com 19 anos. Grau 4, com dores horríveis. Sob a promessa médica de manter a endometriose e a dor sob controle, foi submetida a sete cirurgias, além de incontáveis medicamentos e drogas. Sem sucesso. Na verdade, ficou ainda pior, devido aos efeitos colaterais dos tratamentos. Após 15 anos de lutas, ela encontrou a resposta: mudança no estilo de vida. Alimentação natural. Exercícios físicos. Hoje, ela afirma que reduziu 90% da dor. E tem esperança de ficar livre da endometriose, que está sob controle. Eu também superei a endometriose. Não tenho dor alguma. E os focos reduziram muito de tamanho. Do ovário, reduziu pela metade. Meu tratamento: mudança de estilo de vida. Não li toda a proposta de Melissa ainda. Mas vi que ela não usa açúcar, carne, gorduras e glúten (um médico ginecologista, da Universidade de São Paulo pediu que eu fizesse um exame para saber se eu tinha alergia a glúten. Não tenho. De qualquer forma, reduzi muito o consumo de glúten, massas, mas não tirei da minha alimentação. Toda mulher com endometriose deveria fazer esse exame). Portanto, a receita de Melissa é diferente da minha em alguns pontos. Também não fiz as mudanças com base na medicina chinesa, como já disse. Reconhecendo que a espiritualidade é essencial para a cura, minha fé e minhas orações estão voltadas a Cristo, quem me dá forças para fazer as mudanças necessárias. Mas eu e Melissa temos algo muito importante em comum: mudança de estilo de vida. Tratamento natural. E resultados incríveis. Funciona, sim. É real. Em um dos post, Taking that first step to Healing Endometriosis through what you eat!, ela fala da importância da alimentação para superar a endo. Fala das dificuldades e das possibilidades da mudança. Embora no Brasil, essa abordagem seja pouquíssimo considerada pelos médicos, tem avançado em outros países. Tem avançado porque funciona, com a incrível vantagem de não estar patenteada nem depender de um conhecimento especializado caro e inacessível.

Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais: Um caminho, entre tantos e








Leia mais sobre: Para alcançar a cura

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Só mudança no estilo de vida reverte a endometriose?



28 de setembro de 2011

No domingo, li uma entrevista muito interessante, publicada no jornal Folha de S. Paulo. Caldwell Esselstyn, médico cirurgião norte-americano, cardiologista, afirma que as doenças cardíacas podem ser prevenidas e tratadas “apenas” com a alimentação correta: vegetais, legumes, frutas e grãos integrais. Nada de açúcar, carne e gorduras. Todo alto investimento da medicina, tecnologias e cirurgias sofisticadas podem ser substituídos por algo bem simples: a comida certa. Para quem desconfia da segurança desse tratamento, um dos pacientes célebres desse médico é o ex-presidente Bill Clinton. Há apenas uma informação importante que a Folha não mencionou, mas que está no livro Prevent and Reverse Heart Disease: The Revolutionary, Scientifically Proven, Nutrition-Based Cure, de Esselstyn: ao tirar a carne da alimentação, busque formas de obter vitamina B12. Avalie também sempre os níveis de vitamina D. Esselstyn dá atenção especial a essas duas vitaminas.

Essa entrevista me leva a reafirmar: a endometriose pode ser prevenida e tratada apenas com a mudança no estilo de vida, que inclui alimentação. Não é preciso fazer cirurgias doloridas. Nem se submeter a métodos caros e, muitas vezes, ineficazes. Se a alimentação e o estilo de vida corretos podem curar um paciente com problemas cardíacos graves, podem nos conduzir a cura também. Eu, que descobri a endometriose grau IV, sou a prova disso. Não tenho mais dores. A endometriose diminuiu. Às vezes, a cirurgia é, realmente, necessária. Quando descobri a endometriose, tinha um endometrioma de 15 cm no ovário esquerdo. Foi necessário passar por aquela dolorida cirurgia. Mas agora, com acompanhamento médico, troquei procedimentos cirurgicos por “apenas” uma mudança no meu estilo de vida. Os benefícios têm sido recompensadores. É um caminho de novos sabores, de descobertas prazerosas. Não é uma ilusão. É real.


PS.: Nesta semana, além de reproduzir a entrevista a seguir, respondi a e-mails que recebi. Um deles é de Daniella. Com um relato entremeado de sensibilidade e resultados, ela conta que superou a dor por meio de mudanças no seu estilo de vida. Também recebi uma pergunta sobre endereços de lugares com comidas mais saudáveis. Respondi com algumas sugestões. Os comentários e as respostas foram publicados nos textos: Gramáticas da nossa vida, Um caminho, entre tantos e Maria Amélia, uma mulher inconformada.




Só dieta à base de vegetais reverte doenças cardíacas

DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE

Diga adeus a bifes, peixes, arroz branco e açúcar. Farinha e grãos, só integrais. Azeite de oliva, nem pensar. Para o cirurgião americano Caldwell Esselstyn, 77, uma alimentação baseada em folhas, frutas, legumes e grãos integrais é o único jeito de evitar, deter e reverter doenças cardiovasculares. Seu método, que vem sendo aperfeiçoado nos últimos 30 anos, é o tema do documentário "Forks over Knives" (trocadilho que quer dizer tanto "garfos sobre facas" quanto "garfos no lugar de bisturis"), lançado nos EUA e ainda inédito no Brasil. O filme conta a história de pacientes de Esselstyn, médico da Cleveland Clinic (Ohio). Eles venceram problemas cardíacos e evitaram cirurgias ao adotar a dieta. Para o cirurgião, que falou à Folha por telefone, a dieta extrema não é a que ele propõe, e sim a adotada pela maioria dos ocidentais. "Ela garante que milhões de pessoas serão submetidas a cirurgias de peito aberto. Vamos comer vegetais. É para isso que fomos criados."

Folha - O sr. diz que os problemas cardíacos se devem à alimentação. Não há outros fatores de risco envolvidos, como genética?
Caldwell Esselstyn - Se você come a dieta típica ocidental, cheia de carne, óleo e laticínios, você vai ver que, entre mil pessoas, algumas terão infarto aos 40, outras aos 50, outras aos 60, 70 ou 80. Você pode dizer que, geneticamente, quem tem o infarto só aos 80 é mais forte para resistir a essa dieta extrema. Por outro lado, se todo mundo comer uma dieta baseada em vegetais, todos são poupados.

Controlar os níveis de colesterol não é suficiente?
Ao pensar só em números, prestamos atenção à coisa errada. As pessoas tomam remédios para o colesterol mas ainda querem comer frango frito. O que funciona é o que entra pela sua boca.
Toda vez que você come azeite, óleo, leite, manteiga, queijo, sorvete, iogurte e carne, você machuca o delicado revestimento das artérias, o endotélio. Ele é um tapete mágico que produz uma molécula incrível chamada óxido nítrico, que é vasodilatadora e protege a parede dos vasos sanguíneos. Autópsias de soldados que morreram na Guerra da Coreia e no Vietnã, dos anos 50 a 70, revelaram que 80% dos jovens de 20 anos já tinham problemas coronários visíveis. As obstruções não eram suficientes para causar um infarto, mas estavam lá. Hoje, todos os jovens têm isso.

Sua dieta exclui o azeite de oliva, base da dieta mediterrânea. Ela está toda errada?
Está errada em recomendar azeite. Em Creta, há 60 anos, as pessoas eram magras, comiam muitos legumes e frutas e um pouco de azeite. As desvantagens do azeite eram compensadas pela quantidade de vegetais. Quando você estuda o efeito do azeite com um teste de ultrassom da artéria braquial (no braço), que mede os danos ao endotélio, vemos que o óleo machuca os vasos.

Você chama as cirurgias e angioplastias de soluções mecânicas para um problema biológico. Esses procedimentos não adiantam nada?
Eles não chegam a ser soluções. A medicina tem evoluído no sentido de criar uma lista cara de remédios e de procedimentos perigosos, como a colocação de stents ["molas" inseridas em vasos obstruídos] e pontes de safena. Com o tempo, é preciso colocar outro stent, fazer outra ponte, tomar mais remédios, e, no fim, a pessoa morre do coração assim mesmo.
Os médicos, não sei o porquê, passaram a acreditar que as pessoas não são capazes de mudar seu estilo de vida. Mas o problema é que eles não sabem como transmitir essa mensagem.
Quando trato alguém com doença cardíaca, fazemos um curso de cinco horas. O paciente vai entender o que causou a doença e o que ele deve fazer para revertê-la. No fim, oferecemos uma refeição à base de vegetais e uma apresentação de 1h15 sobre como comprar e preparar alimentos, ler rótulos e lidar com restaurantes e viagens. A revolução da saúde nunca vai acontecer por causa da descoberta de um remédio. Nunca vai ser por causa de um novo procedimento cirúrgico. A revolução vai acontecer quando as pessoas estiverem informadas do ponto de vista nutricional, para evitar as comidas que vão fazê-las perecer por uma doença.

Qual percentual dos seus pacientes tem melhora?
Quase todos. Quando começamos o programa, e as pessoas ainda não sabiam se ia funcionar, 70% se recuperavam. Agora estamos em 90%. O que torna esse tratamento tão poderoso é que posso mostrar raios-X de artérias do nosso primeiro grupo. Os pacientes percebem que, se os outros conseguiram, eles também vão.

O sr. diz que moderação mata. Por que não dá para comer carne com moderação?
Moderação é dizer: qual a quantidade de um alimento que sei que vai me prejudicar eu posso comer e conseguir escapar das doenças? Isso é loucura. Quantos bifes posso comer? Quantas batatas fritas engorduradas? Como assim? É a mensagem errada.

O sr. acredita que sua dieta pode ser adotada globalmente?
O Brasil está destruindo a atmosfera e o mundo ao queimar as florestas que são ótimas para capturar o CO2. Por quê? Para produzir carne, que vai fazer as pessoas morrerem cedo e ter vidas miseráveis e infelizes. Se toda essa área for substituída por vegetais, é possível produzir muito mais. Vamos comer plantas, é para isso que fomos criados.

Ex-presidente Bill Clinton segue o método

DA EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE

O ex-presidente Bill Clinton, 65, é um dos adeptos da dieta radical do médico Caldwell Esselstyn.
Depois de ser submetido a quatro pontes de safena, Clinton adotou as folhas e os legumes como base de sua alimentação, como contou em entrevista à rede CNN. "Eu não queria que isso [as pontes de safena] acontecesse de novo. Eu gosto dos legumes que estou comendo agora".
No processo, o ex-presidente perdeu 11 kg. Essa entrevista e outros vídeos sobre a dieta estão no site do documentário "Forks over Knives": forksoverknives.com/media/videos.

Fonte: Folha de S. Paulo. Link para assinantes:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2509201101.htm

Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais: Um caminho, entre tantos




Leia mais sobre:
Quem é Cristo?



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Como superei a endometriose – Parte II






21 de setembro de 2011

Acesse neste blog: Qual é o melhor remédio para endometriose?

Obrigada mais uma vez pela partilha. Tenho seguido, sempre que possível muitos dos conselhos que tem sugerido, acredito contudo que, cada organismo é diferente e teremos de ser nós a encontrar o nosso equilíbrio. É preciso muita força de vontade para mudar e para que resulte tem de ser gradual porque, caso contrário é mais um motivo de stress :) É uma adaptação que acredito que demore meses, mas à medida que se introduz algo novo, um de cada vez, o sol, o exercício, um alimento novo, tudo se vai tornando mais fácil. Eu ainda estou numa fase inicial, não sei qual é o grau da endometriose e queria experimentar primeiro melhorar os resultados dos exames e evitar a laparoscopia. Apesar de ter já lido que a soja poderia ser prejudicial a quem tem endometriose, não liguei muito confesso, e continua a fazer parte da minha alimentação. Poderia dizer-me então o que sabe sobre a soja? A alimentação é o mais difícil, parece que tudo nos faz mal :) O que faço é evitar comer os mesmos alimentos muitas vezes seguidas, vario o mais possível e não eliminei nada, mesmo nos doces, tenho é o cuidado de comprar bolachas ou doces todos com baixo teor em açucares. E bebo muito chã. Quanto à fitoterapia também fiquei curiosa :) Fico muito feliz por saber que os seus resultados são cada vez melhores, espero um dia poder partilhar o mesmo.
Por Ângela em Um caminho, entre tantos em 14/09/11

Olá! Descobri seu blog há alguns meses e, apesar de trilhar esse mesmo caminho há 4 anos, tenho aprendido muito com sua experiência. Além disso, é com muita satisfação que aguardo seus novos posts. Sempre tem algo novo ou então, recheado de afeto, que me faz tão bem! Mas confesso, gostaria um pouco da sua força e então conseguir abdicar e mudar um pouquinho mais do meu estilo de vida. Já mudei muito! Deixei um dos meus trabalhos (trabalhava 12 horas diárias), melhorei minha alimentação, lazer, relação familiar, iniciei análise, no entanto, sei que há muito ainda a mudar. Exercícios e Alimentação é um item muito difícil pra mim. Amo doces! E, exercício, embora goste e me sinta muito bem quando realizo, não consigo incluir como rotina diária, e longe de chegar nas 3 vezes semanais. Invejo (no bom sentido) que você tenha conseguido mudar e gostaria muito que, se pudesse, dividisse seus sentimentos em relação a isso, já que pra mim está sendo tão difícil conseguir realmente abrir mão Veja mais... do tempo que desprendo pro exercício e do prazer que o doce traz... Bem, divido isso com você talvez como um eco, para que saiba que suas palavras são “ouvidas” com muito carinho e dão força para pelo menos tentar... Um grande abraço e até seu novo post... Boa sorte para nós e boa noite!Por Anônimo em Um caminho, entre tantos em 12/09/11

Primeiro, quero agradecê-las muito por escrever e compartilhar comigo a experiência de vocês. Isso significa muito pra mim. Mais forças, mais informação, mais reflexões sobre experiências de superação. Como você disse, Ângela, não há uma receita de saúde geral que seja inteiramente adequada para todas as mulheres. Há caminhos. Seu comentário destaca a importância de olhar para nós mesmas e perceber como o organismo reage a determinados alimentos, principalmente. Por exemplo, um dos médicos que me orientou quanto à alimentação (com dicas preciosas), sugeriu que eu usasse cacau ou chocolate amargo. Como já havia tirado o chocolate, repensei o assunto e comecei a usar cacau em pó, sem açúcar. No início não me adaptei muito ao sabor. Mas como se tratava de uma recomendação médica, insisti. Em pouco tempo, estava “viciada” no cacau com frutas. Sentia vontade de comer durante o dia, além de usá-lo na primeira refeição. Resultado: aumentei bastante o consumo. Ao mesmo tempo, comecei a sentir um pouco de dor. Nada comparável em intensidade à dor insuportável da endometriose que eu já tinha sentido. Mas era a mesma dor, embora bem menos intensa. Comentei com meu marido e achamos que pudesse ser o cacau que eu já estava consumindo em excesso. Parei de usá-lo. A dor sumiu. Pode até ser que se eu usasse em menor quantidade, o cacau não atuaria como um desencadeador de inflamação (com o aumento da inflamação, a dor surge). Mas no meu caso, achei melhor tirar de vez.

Como você disse, é muito importante variar o máximo o cardápio. A orientação médica que recebi é que cada refeição deve ter pouca variedade de alimentos, porque resultará em uma melhor digestão. No entanto, diariamente devem ser utilizados novos alimentos, outras frutas, legumes e grãos, com o aumento de variedade no decorrer dos dias, para que o organismo seja suprido com os nutrientes necessários. Tendo a variedade como um princípio, estou me alimentando muito melhor. Incluindo muitos sabores, descobrindo receitas, redescobrindo o prazer de comer. Ao restringir o açúcar e gorduras, ampliei o leque de escolhas, de experimentações saudáveis, com o consumo de variedade de frutas, legumes e grãos. Esses dias, encontrei um excelente
blog em inglês de uma mulher que tem endometriose e fez mudanças na alimentação (http://hoghugs.com). É muito interessante, pois ela já obteve resultados positivos. A endometriose também diminuiu. No post Surgery for Endometriosis Actually Makes Your Case Worse, ela fala sobre a substituição das cirurgias por uma mudança na alimentação. Desde que mudei meu estilo de vida, não precisei de nenhuma cirurgia também. Quanto ao blog, há dicas importantíssimas, embora eu pessoalmente não tenha feito as mudanças exatamente iguais as apontadas ali. Por exemplo, não uso soja, pois tem efeito estrogênico (Ângela, vou reunir o material que tenho e quero escrever um post sobre esse assunto).

A indústria alimentícia nos condiciona a uma receita única, baseada no doce e na gordura. Com essa receita única, empobrecida, são desenvolvidos uma infinidade de produtos com rótulos multicor. Embora a embalagem seja atraente, a receita é quase sempre a mesma: açúcar ou sódio em excesso, gorduras e componentes químicos com sabores artificiais. Nos supermercados, há aparentemente uma variedade imensa de alimentos. Mas é apenas uma receita repetitiva embalada de maneira atrativa e diferenciada. Consequentemente, ao rejeitarmos a “receita única”, acabamos rejeitando quase tudo que está disponível. A indústria investe na diversificação da publicidade, com novas cores e formas, de alimentos que atraem pelo olhar e aprisionam o paladar aos aditivos químicos. É muito do mesmo. A inflexibilidade do caminho único. Uma mistura intensa de imagens diversificadas para vender a mesma essência – a essência viciante que agrada o paladar e destrói a saúde. Não fomos nós que radicalizamos. É a indústria que radicalizou, que escolheu investir toda a sua criatividade nas embalagens que oferecem alimentos que não alimentam – pseudoalimentos. Calorias vazias que levam as pessoas a comer muito, mas a se nutrir pouco. Resultado: uma multidão de desnutridos com a ilusão de que tem uma variedade imensa de alimentos à disposição. A indústria farmacêutica agradece. Quando penso nisso, lembro-me da gramática da vida – a resposta antigramatical de Fernando Pessoa ao mundo:

A gramática, definindo o uso, faz divisões legítimas e falsas. Divide, por exemplo, os verbos em transitivos e intransitivos; porém, o homem de saber dizer tem muitas vezes que converter um verbo transitivo em intransitivo para fotografar o que sente, e não para, como o comum dos animais homens, o ver às escuras. Se quiser dizer que existo, direi “Sou”. Se quiser dizer que existo como alma separada, direi “Sou eu”. Mas se quiser dizer que existo como entidade que a si mesma se dirige e forma, que exerce junto de si mesma a função divina de se criar, como hei de empregar o verbo “ser” senão convertendo-o subitamente em transitivo? E então, triunfalmente, antigramaticalmente supremo, direi “Sou-me”. Livro do Desassossego (p.114).

Quando mudei a alimentação, o que perdi? Uma receita única, apenas. Mas coincidentemente, era quase o supermercado inteiro. O que restou? A mais incrível variedade de alimentos, de sabores, de experimentações com a multiplicação das essências – as essências que agradam o paladar e nos tornam fortes. Tenho buscado trocar a receita única pelo universo gastronômico das experimentações que renovam o corpo, que comunicam saúde. Com a descoberta de novos sabores, surgem novos caminhos. Volto a ter o poder de escolha. A vida cotidiana se torna uma vida de pesquisa avançada. Onde encontrar os melhores alimentos e os sabores que nutrem? Não abro mão do sabor. Procuro estratégias de sobrevivência: 1. O setor de hortfruti do supermercado (Mesmo que não seja orgânico, é sempre melhor comer frutas e legumes com agrotóxicos, do que não comê-los); 2. Seleção de produtos industrializados mais saudáveis; 3. A ida à feira; 4. Lojas e restaurantes orgânicos e vegetarianos; 5. Pequenas empresas que vendem alimentos caseiros e integrais (Essa parte tem sido ótima. Eu e meu marido fazemos viagens gastronômicas. Já fomos a uma confeitaria com comida orgânica que fica numa fazenda incrível! São momentos de muita afetividade também, onde encontramos pessoas que compartilham do mesmo ideal); 6. Busca de novas receitas. Estou aprendendo a cozinhar; 7. Almoço e lanches com amigos que também estão em busca de um novo cardápio... Aliás, eu recebi um e-mail nesta semana me falando de um site que está disponibilizando gratuitamente e-book com receitas saudáveis. Não fiz o meu pedido, mas parece bem interessante. Veja aqui
. 8. Informação e orientação. É preciso tomar cuidado ao fazer a mudança. O ideal é procurar orientação médica com consultas e leituras. Não adianta, por exemplo, se tornar um "vegetariano" que come massa, doces e queijos. Melhor seria se comesse carne vermelha, arroz e feijão. Além disso, nem sempre é possível comer a refeição mais saudável. Então, é melhor comer o que há de mais nutritivo dentro do que é possível.

Ângela, estou fazendo um tratamento fitoterápico com acompanhamento médico. Vamos avaliar se os resultados vão se manter e se há efeitos tóxicos. Farei exames para avaliar possíveis efeitos colaterais. Também acredito que uma planta não é a resposta mágica para endometriose. Os resultados positivos fazem parte de toda uma mudança de vida. Provavelmente, se eu não tivesse feito essas mudanças, a abordagem fitoterápica não teria efeitos positivos importantes. Quando eu tiver a certeza, a partir de exames médicos, de que esse tratamento fitoterápico tem dado resultados sem efeitos colaterais, vou compartilhar minha experiência.

Como vocês disseram, é preciso mesmo exercer a força de vontade. Mas não dá para encontrar essa força numa lista com regras, numa autoexigência pesada de mudança pessoal, com um esquema de cobrança e estresse. Isso não faz bem. É algo diferente que tem acontecido comigo. É algo muito bom. Que me traz tanta alegria, tantos novos sabores e interações. Sei que a palavra amplia a vida, mas pode restringi-la também. Ao eu falar de listas, pode parecer que se trata de uma restrição. Mas o que vivo é uma ampliação saborosa, com resultados emocionantes. É mais do que a ausência da dor, com um regime austero. É a substituição gradativa (como você destacou Ângela) de uma vida antes condicionada pelo doce artificial. Li um livro que me ajudou muito, “Conselhos sobre Regime Alimentar”, de Ellen G. White. Além de dicas práticas sobre estilo de vida, o livro parte de duas premissas centrais: 1. A nossa saúde significa a saúde das pessoas que amamos; 2. Porque somos amados, cuidamos de nossa saúde. Esses dias, minha sogra ligou pra mim e me disse palavras muito carinhosas. Falou que tem aprendido muito. Só para ilustrar com uma experiência simples: quando há uma ameaça de gripe, fazemos uso de um
mix natural para fortalecer o imunológico: limão, alho, gengibre... Funciona rápido e beneficia todo o organismo. Minha sogra está ajudando financeiramente uma família com duas crianças pequenas. Eles estavam gripados e ela os ensinou a usar o “mix”. Se recuperaram rapidamente. Quando encontramos a resposta para o nosso organismo, encontramos também a resposta para quem amamos. É uma multiplicação. Isso é motivador. Mas tem a ver não apenas com alimentação, mas com estilo de vida. Diminuir o trabalho, refletir sobre nossa vida, fazer exercícios como foi muito bem colocado no segundo comentário. Quando leio sobre uma experiência assim, fico mais motivada. Você fez grandes mudanças!!! Obrigada por compartilhar a experiência!

“A vitalidade recupera e anima”, escreveu Fernando Pessoa no Livro do Desassossego (p.270). A mudança é um desassossego, atitude antigramatical que exige luta e insistência, mas que nos recupera, nos abre o olhar para novas sensações, nos reanima e tem o poder de fazer o mesmo pelos outros. Como Fernando Pessoa disse, desafiadoramente, “sou-me” – mas a partir de quem e para que propósito? Mudar é reler a vida e escrever algo tão diferente daquilo que o mundo oferece. Tudo isso tem a ver com a razão de nossa existência. Juntas, estamos a reescrever uma nova gramática sobre a superação da endometriose.

Saiba mais sobre: A Fonte da Vitalidade



Leia meu texto: Eu venci a endometriose

 (http://endometrioma.blogspot.com/2018/07/eu-venci-endometriose.html)


Conheça a história de Francielle e Samuel: Um bebê da esperança. 


                                          https://www.instagram.com/endometriose_tem_cura/

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Como superei a endometriose – Parte I





9 de setembro de 2011


Neste post, motivada por um comentário importante, decidi colocar em tópicos gerais o que tenho feito para superar a endometriose. Há alguns anos, tive a última dor dilacerante, resultado da inflamação provocada pela endometriose. À época, estava muito magra. Perdia peso rapidamente, sem saber que a endometriose desencadeava, em mim, a autoimunidade. Estava visivelmente abatida. Enfraquecida pela doença. A queda de cabelo, outro sintoma de doença autoimune, era acentuada. Me sentia bastante debilitada. Em meio à dor, aos desafios no trabalho, às coisas que se somam para abater, meu médico, um importante especialista em endometriose, reconhecido internacionalmente, disse: você terá que passar por uma operação no intestino. Para justificar a retirada de um segmento do intestino, ele falou sobre os riscos de malignização. Além do valor altíssimo (à época, 30 mil), que talvez fosse reembolsado pelo plano de saúde, eu simplesmente não queria seguir por esse caminho. Não queria tomar uma decisão motivada pela dor. Naquele momento, decidi mudar minha vida radicalmente. A cirurgia era um procedimento invasivo. O custo me parecia alto demais diante do prometido: o controle incerto da endometriose naquela alça intestinal, apenas. E todo o resto? Eu desejava algo mais do que um corte abrupto e localizado. Precisava refazer minha saúde por inteiro, fortalecer o organismo como um todo para, quem sabe, controlar a endometriose e todas as suas implicações. Superar essa doença misteriosa. Essa fonte de dor para as mulheres e de lucros para a medicina.

Hoje, passado poucos anos, apesar de ter a endometriose profunda, com acometimento do ovário e do intestino, além de outros pequenos focos, o último exame apontou, pela primeira vez, que os focos estão diminuindo. Não tenho dor e a endometriose diminuiu significativamente. O fator anti-nuclear, indicador de doença autoimune, também diminuiu! O índice de vitamina D subiu. Foram resultados surpreendentes a partir de mudanças gradativas. É um processo que inicia, mas não termina. Sempre há algo para aprender, acrescentar, para dar sabor sem agredir a saúde. Para redescobrir o prazer com atividades e cardápios novos, sem tornar a vida dura. É preciso mudar, mas com felicidade.

Até aqui, tentei evitar fazer uma lista, enumerar tópicos, listar receitas. Um texto assim, de quase regras ditadas, pode soar radical, impossível, insípido, inflexível porque a palavra isolada retira a cor. Pode parecer distante, porque os relatos não trazem imagens. É um texto. Não é a minha vida. Faltam os detalhes difíceis de compartilhar sem o olhar que nos aproxima, sem a cumplicidade dos conhecidos, sem as preces conjuntas. Porque eu sou uma anônima dizendo: deu certo e tem sido incrível. A vida ressurgiu com nova paleta de experiências e descobertas. O que segue é um traço que desejo compartilhar.

Cada mudança apontada a seguir foi feita a partir de consultas médicas, recomendações de pesquisadores e acesso a pesquisas médicas e científicas. A partir de interações diversas. Quando disse ao médico que não iria operar, mas que mudaria meu estilo de vida, ele disse: “Ninguém muda.” Outro médico, mais ligado à renovação integral da saúde, me disse: “Se você mudar, a endometriose vai se estabilizar, a inflamação vai diminuir. Sua imunidade vai melhorar. Portanto, é possível que a endometriose diminua.” Sim, diminuiu, mesmo com minhas falhas. E não apenas a endometriose regrediu, mas todo meu organismo ganhou nova vitalidade. Neste post, apenas coloquei resumos da mudança que a cada dia continuo fazendo. Um relato pessoal de uma realidade em que há persistência e fé; às vezes, desistências e desânimo; numerosas vezes, recomeços e adaptações dentro do que é possível fazer diante dos desafios do dia a dia, de um mundo regido por outro paradigma.

Exercícios físicos – Esse é um dos tópicos mais importantes. O exercício físico diminui o estrógeno no corpo e ajuda a regular a química corporal. É um dos melhores remédios. Procuro levantar bem cedo e caminhar com meu marido de 30 a 45 minutos. Não corremos, mas andamos de forma mais vigorosa em aclives e declives, que ajudam a desenvolver a capacidade cardiorrespiratória. No final do dia, fazemos mais uma caminhada no mesmo percurso. Procuramos caminhar, de manhã e à tarde, todos os dias. Mas não sendo possível, tentamos manter esse ritmo, pelo menos, três vezes por semana. Além disso, durante o trabalho, levanto sempre que possível e faço rápidas caminhadas e uma pequena sessão de alongamentos.

Alimentação – 1. Açúcar – Não como mais açúcar branco. Eventualmente, uso açúcar mascavo na casa de amigos. Uso um pouco de mel. Troquei os doces pelas frutas. Também é possível fazer receitas doces, mas sem açúcar. Aprendi a fazer receitas muito saborosas sem açúcar, sem adoçantes. A culinária saudável pode ser, simplesmente, deliciosa. E doce. 2. Massas – Diminuí a quantidade de massas. A massa (glúten, carboidratos) se transforma em açúcar no organismo. Além disso, se consumida em excesso, pode tomar o lugar de alimentos essenciais para o organismo, como frutas, legumes, verduras e alimentos proteicos. No almoço, utilizo arroz integral, lentilha (excelente), feijões, refogados de legumes, saladas etc. Refeições deliciosas com muito mais nutrientes. Macarrão e tortas, que sempre fizeram parte do meu cardápio principal, eu tenho utilizado um pouco menos. 3. Industrializados – Enlatados, conservantes, estabilizantes, corantes, temperos prontos, embutidos são muito prejudiciais. Na medida do possível, prefiro comida caseira. Continuo usando pão no café da manhã. Mas é um pão integral caseiro. 4. Fast food – Quando vou a uma lanchonete, procuro escolher aquelas que permitem “refazer” o cardápio. Por exemplo: peço lanche com palmito, rúcula, tomate seco, ovo, sem maionese ou carne; ou pizza de brócolis, berinjela, tomate seco e palmito. 5. Queijos – Para quem cresceu em Minas, perto de um laticínio incrível, essa parte exigiu mais criatividade. Não como mais queijo mozarela ou queijos gordurosos, de sabor acentuado. Utilizo ricota orgânica, coalhada. Às vezes, uso queijo branco. Redescobri tantos sabores que, sinceramente, não sinto mais falta do queijo. Uso pouco laticínios. 6. Nada de frituras. 7. Não uso soja – Quero escrever sobre os motivos que me fizeram deixar de usar soja. Soja é um risco para quem tem endometriose. 8. Não uso suplementos alimentares. 9. Vitamina B12 – Como me tornei ovolactovegetariana (às vezes, como peixe), é muito importante fazer exames para avaliar a quantidade de vitamina. Pessoas que usam metformina, são vegetarianas, fazem uso do álcool ou têm mais de 60 anos devem pedir esse exame ao menos uma vez por ano (basta pedir pelo “exame de vitamina B12”). A carência dessa vitamina é muito prejudicial e representa um grave perigo para a saúde. 10. Refeições – Faço três refeições diárias, com intervalos de cinco a seis horas. Procuro mastigar bem, comer devagar, com tranquilidade. Como muito bem no café da manhã e um pouco menos no almoço. A última refeição é mais leve. Ás vezes, não como nada à noite. Não como nada entre as refeições. 11. Variedades e muito sabor – Tenho tentado me pautar mais pelo que incluo no meu cardápio do que pelo que retiro. Assim, descobri uma variedade de sabores e temperos: aspargos (ótimo para a saúde da mulher), cogumelos de várias espécies, alho poró, cebola e alho (sem fritá-los no óleo quando uso para temperar a comida), feijões, castanhas, frutas variadas, legumes, curry, gengibre, abacate e melão (ótimos para a saúde da mulher), jiló, ovos orgânicos, quinoa, gergelim, tahine, hortelã, coco, banana verde (excelente!), manjericão, ervilha torta, quiabo, atemoia (meu leite condensado natural!), triguilho, água de coco, panquecas de castanha-do-pará com recheio de palmito, pão de “queijo” com mandioquinha, assado de milho com ervas, quibes com azeitonas e azeite, pastel de forno com recheio doce de maçã ou salgado, com tomate seco, limão (um antídoto incrível contra gripe. Melhor do que qualquer vacina!!), cuscuz vegetariano, bolo de milho, chia etc. Minha comida tem sal e doce, mas de maneira saudável. Não abro mão dos temperos e do sabor.

Fitoterapia
– Faço uso da fitoterapia. Depois quero escrever mais sobre o assunto.

Sol – Essencial. Precisamos ter mais do que 30 ng/ml de vitamina D. A melhor fonte é o sol. Procuro tomar "banho de sol" todos os dias, pelo menos 20 minutos no corpo todo exposto. Como o protetor solar pode impedir a absorção da vitamina, me exponho ao Sol no horário indicado, antes das 9h e depois das 16h. Quando não é possível, sobra sábado e domingo, ou os intervalos do trabalho...

Água – Tomo água 30 minutos antes das refeições e 2h depois, para não prejudicar a digestão e absorção de nutrientes. Bebo dois copos de água logo quando levanto. Ajuda muito no funcionamento do intestino. Apesar de ter endometriose intestinal, o intestino funciona diariamente, devido à água e a todas as outras mudanças. Não bebo nada durante as refeições. Não bebo refrigerantes. Evito suco de fruta industrializado, com exceção do suco de uva.

Respiração correta – Há uma importância enorme em respirar adequada e profundamente. Para isso, é necessário ter uma postura correta, manter as costas retas, não usar roupas extremamente apertadas. Para quem trabalha em frente ao computador, sentada quase o dia inteiro, é importante não “se dobrar em cima” do trabalho. Procuro corrigir minha postura e respirar mais profundamente. Isso ajuda muito na saúde. O objetivo é oxigenar os órgãos abdominais. É tão importante quanto à alimentação.

Drogas, álcool, cigarro e cafeína (estimulantes) – Não uso. Não usaria nem mesmo com moderação.

Descanso – Durmo, em média, 8 horas. Em geral, durmo cedo, às 21h. Também reservo um dia na semana - o sábado - para me dedicar a outras atividades não ligadas ao meu trabalho.

Interação – O blog me ajuda muito a seguir esse caminho. Escrever me faz bem. Nos comentários que recebo, há palavras que me transmitem ânimo e carinho. Também tenho amigos que compartilham desse mesmo ideal. São jovens que desejam mudar, e estão mudando, o estilo de vida. Alguns, apenas para fortalecer a saúde. Outros, mesmo jovens, porque já tiveram câncer. Há familiares mais velhos que têm diabetes. Entre eles, minha sogra, que se tornou uma expert em cozinha vegetariana. Motivado a me ajudar, meu marido também mudou seu estilo de vida. Enquanto parei de emagrecer, ganhei peso e agora estou visivelmente saudável; meu marido, que estava um pouco acima do peso, emagreceu. Isso porque as mudanças que fizemos não são parte de um regime de engorda ou de emagrecimento, mas de um novo modo de viver que conduz ao reequilíbrio natural do organismo, seja lá qual for o desafio. Esse intercâmbio, essa troca de experiência, resultados e receitas, demonstra que é possível seguir por esse caminho. Aprendemos uns com os outros que mesmo o organismo mais debilitado pode se recuperar de forma impressionante.

Confiança – É difícil resumir esse tópico, porque trata do assunto mais importante. Como encontrar o caminho? Onde encontrar forças para trilhar por ele, para fazer as mudanças, para crer?

Leia sobre a A Fonte de Cura.


Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.


Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.



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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Maria Amélia, mulher inconformada

22 de agosto de 2011

Navegar na internet pode nos levar a encontros surpreendentes. Inesperados. Ao procurar por outro assunto, vi um link no Google que chamou minha atenção: “Quixabeira contra câncer.” Encontrei uma história de encantos fortes. Encontrei-me com Maria Amélia, uma sertaneja articulada de 93 anos que enfrentou e venceu o câncer. Sua memória admirável, aliada à fala lúcida, é exemplo de superação. Não importa qual é a doença. Importam as lições que Maria Amélia, uma mulher inconformada, tirou de seus desafios. Sabedoria ímpar.

O ano era 1958. Havia perdido quatro crianças. Ela que carregara no ventre onze vidas agora puxava sozinha pela estrada de pó seco sete dos seus filhos. O marido acabara de morrer afogado em um açude. Onde a resistência se impunha também se multiplicavam dificuldades. Como se não bastassem as perdas recentes, em meio a desafios agigantados com seu calor agressivo, ela descobriu a doença, no útero. Compreendeu que não teria tréguas. Por isso, não deu tréguas na vida. Na capital, procurou um médico. Recebeu a sentença: viveria no máximo três meses. Voltou ao interior pernambucano, e procurou outro médico. Foi novamente encaminhada à Recife. Com memória prodigiosa, lembra o nome de cada médico, as idas e vindas, endereços, diagnósticos e tratamentos, indiferenças e cuidados recebidos. No leque de doutores, apenas um nome não foi revelado, a do médico que a dispensou para morrer. Maria Amélia rejeitou o destino traçado. Teimosamente, retraçou seu caminho.

Antes de partir para a capital para fazer o tratamento, Maria Amélia ouviu falar de um remédio crescido na caatinga, hoje ameaçado de extinção, a Quixabeira – planta usada para tratar doenças ginecológicas. Do ventre que saíra tantos filhos, agora exalava fedor doentio. Quem poderia sobreviver a isso? Maria Amélia fez mais do que meramente sobreviver.

Olhe: era uma doença triste, com dores insuportáveis, sangramentos. Eu colocava uma toalha entre as pernas e dali a meia hora essa toalha ficava completamente ensopada daquela secreção tipo salmoura. Eu fedia de ninguém aguentar. Eu era a pessoa que mais fedia nesse mundo, ninguém aguentava. Nada fedia mais do que eu! Com o uso da Quixabeira, essa secreção foi diminuindo e, quando eu cheguei ao hospital aqui no Recife, já era quase nada. Por isso que eu hoje digo que, além do tratamento na Clínica do Câncer, quem me curou foram a Quixabeira e a minha fé, a minha vontade de viver, minha necessidade de viver, pois eu tinha sete filhos pra criar.

A doença é triste, mas a mulher não. Quando chegou ao hospital, ficou na enfermaria, “com outras sete mulheres, todas com câncer, que viviam o tempo todo a chorar”. Na casa das sete mulheres, surgiu a Maria, mulher incomum, que não derramou lágrima. Intrigadas, as outras perguntavam: “’E a senhora não chora, não?’. Eu respondia: não, eu não vim aqui pra chorar, eu vim aqui procurar tratamento.”

Dona Maria Amélia explica, com detalhes, a forma como usou a Quixabeira. Mas sua história, além de demonstrar o poder da planta medicinal, é exemplo de busca arraigada por cura. Jamais se deixaria morrer, por isso procurou médicos, se submeteu aos exames, fez os tratamentos. Mas também não se deixou por completo nas mãos de outros, afastando de si a responsabilidade pela vida. Buscou ativamente a resposta para seu organismo. Pois a saúde não está patenteada, não tem dono único, não é privilégio de uma corporação.

Na história de Maria, há receita de vida longa ainda que no percurso do caminho tenha sido apedrejada pela doença, pela descrença de um médico, pelo lamento em coro das mulheres sem esperança e fé. A quase centenária tem irresistível vontade de viver. O repórter faz uma pergunta para nos dar o privilégio de ouvir a voz médica de Maria Amélia. “Da mesma forma que lhe ensinaram, a senhora chegou a recomendar o uso da Quixabeira a outras pessoas?” “Recomendei a muita gente. E, por muitos anos, nunca faltou Quixabeira lá em casa. Mas, hoje, parece que o povo não acredita muito nessas coisas, né?”

Quem ousa acreditar? As plantas medicinais trazem importantes respostas para a endometriose.

PS.: 1. Atualmente, a Universidade Federal de Pernambuco realiza pesquisas que comprovam as propriedades medicinais da Quixabeira.
2. Leia a interessante entrevista com Maria Amélia Batista Montenegro no site Pernambuco de A-Z.
3. Na sexta-feira (19/08/2011), o Diário Oficial da União publicou uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM). O conselho proíbe que os médicos veiculem informações publicamente “que causem intranquilidade à sociedade, mesmo que comprovadas cientificamente”. Também fica proibido “a apresentação, em público, de técnicas e métodos científicos que devem limitar-se ao ambiente médico”, além de diretrizes sobre a relação médico-imprensa. Lamento profundamente a mordaça a que os médicos estão submetidos. Espero que a sociedade reveja tais resoluções incompatíveis com as liberdades de uma sociedade da informação e da comunicação. Mas ao mesmo tempo, ao ler histórias como a de dona Amélia ou encontrar livre acesso a pesquisas científicas sobre o benefício de plantas medicinais, por exemplo, ou o malefício de tratamentos considerados seguros, comemoro imensamente a existência da internet. O caminho não é a censura, mas o investimento em campanhas e processos educativos para despertar e aprofundar nas pessoas a sua capacidade de avaliação, sempre aliada – mas não cegamente dependente – do saber médico. Que bom seria se tivéssemos uma resolução médica nesse sentido. Mas diante da resolução que temos, resta a certeza de que o CFM não tem poder de amordaçar a internet, nem a ciência e a divulgação científica, já que parece temer até mesmo o que é “comprovado cientificamente”. Para quem se interessou pela Quixabeira, há pesquisas científicas sobre os usos medicinais da planta no google acadêmico. Desejo a todos os leitores uma boa pesquisa e descobertas que celebrem a vida, aprofundem o desejo de autoconhecimento e de conhecimento científico, que nos levem à conquista da saúde e da liberdade. Pois, há mais coisas ameaçadas de extinção além da preciosa Quixabeira.
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