sábado, 24 de dezembro de 2011

A canção das crianças


24 de dezembro de 2011

Esta época do ano é especial. Independentemente da fé ou da ausência dela, é um momento de reencontros. Quero desejar a todas as mulheres que acompanharam este blog reencontros felizes neste Natal e no Ano Novo. Agradeço muito os comentários, as sugestões, as palavras carinhosas que me deram força, ampliaram as reflexões e me motivaram a continuar escrevendo. Desejo o caminho da cura e da superação da endometriose às mulheres que já tiveram o diagnóstico há mais tempo e às mulheres que acabaram de ser diagnosticadas, reafirmando minha experiência: é possível, sim, superar a dor e vencer a endometriose. Que o próximo ano traga mais relatos de vitória.

Nestes últimos meses, tive um desejo despertado. Por ter vivido na correria profissional e ter endometriose profunda, não pensava nisso. Mas em 2012, vou tentar ser mãe. Este ano foi muito especial, pois superei definitivamente a dor e a endometriose profunda diminuiu com a mudança de estilo de vida. Quem sabe seja possível segurar uma criança minha nos braços? Não sei.

Ao pensar na beleza das crianças, escrevi o texto abaixo. Para os que não creem, pode ser lido como um símbolo com raízes na tradição judaica. Para os que creem, como uma história viva capaz de se repetir indefinidamente. Para mim, é um texto de esperança.

Carinho,

A CANÇÃO DAS CRIANÇAS

Quem era capaz de reconhecê-Lo? Muitos dos que desejava salvar não queriam ser amados. Ele se sentia só.

Em um sábado, ao entrar no templo, viu apenas comércio. Numa rara cena em que a intensidade das emoções imprime força entristecida em Seu rosto sereno, Ele derruba a mesa dos cambistas. A casa de oração havia se transformado em covil de ladrões.

Naquele momento, a igreja encontra o edifício vivo. Edificado, restabelecido, limpo, o lugar se transforma. Finalmente, os que não ousavam entrar na catedral dos santos dominada por uma elite gananciosa se aproximam. Em meio à fúria de coragem e convicção sobre-humana, reconhecem o amor. Ninguém havia ousado deter Jesus. Ninguém poderia impedi-los de ir até Ele. Com a expulsão dos negociadores corruptos; passo a passo, cabisbaixos pelo sofrimento e opressão, os excluídos entraram.

Os cegos e os mancos aproximaram-se dEle. Foram curados. Sim, Ele os curou. Você pode imaginar aqueles momentos? Pense que alguém está à busca de um lugar de paz, mas não o encontra. Por todos os lados tudo parece corrompido e destituído de significado. A vida está imersa em dor. Então, Ele chega. Restitui nessa pessoa um lugar de oração. Transforma os desejos, afasta as ambições, limpa as angústias, coloca espontaneidade, alegria, leveza infantil, lhe dá uma missão – estender as mãos aos que sofrem. Começamos a presentear sem data marcada.

Algo muito diferente, grave e importante acontecia ali naquele dia aparentemente normal. Mas poucos puderam ver. Por instantes, contudo, Cristo teve sua solidão quebrada. Vejo lágrimas solenes em Seus olhos. Uma serenidade alegre incontida. Aquela igreja foi marcada por um acontecimento profundamente tocante. Impressionadas pelo que viram e sensíveis ao amor de Jesus, os meninos e meninas que estavam na igreja tiveram uma reação inusitada. Eles se uniram e cantaram com intensidade: “Hosana ao filho de Davi.” A canção ecoou pelas paredes do templo com a singeleza da voz infantil.

“Dos lábios das crianças e dos recém-nascidos suscitaste louvor” (Mateus 21:12-16; Salmo 8:2), disse Jesus. A canção infantil era o sinal mais forte de que ali, naquele instante, o sentido da existência havia renascido. O toque de Deus se fez presente na voz das crianças.


PS.: No vídeo abaixo, a linda canção Pie Jesu é interpretada em latim por meninas e meninos do grupo britânico Angelis. Veja em: http://www.youtube.com/watch?v=qfN8j9r-jGQ



Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:

Um caminho, entre tantos
Gramáticas da nossa vida





"Glória Deus nas alturas e paz na Terra

entre os homens, a quem ele quer bem".

Lucas 2:14.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Endometriose e cafeína



19 de dezembro de 2011

Tenho acompanhado seu blog e vi uma notícia e lembrei de vc. Talvez seja interessante buscar mais sobre o assunto, segue:http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/efe/2011/12/16/tomar-cafe-reduz-risco-de-cancer-endometrial-diz-estudo.jhtm
Agradeço o comentário que você enviou para este blog! Obrigada pelo link da notícia. Muitas pesquisas recentes têm apontado para os benefícios relacionados ao consumo do café. Outros estudos acadêmicos apontam para os riscos desse hábito. As pesquisas científicas chegam a conclusões diferentes por causa de variados fatores: metodologia, cultura em que está inserido o cientista, fonte de recursos financeiros etc.

A cultura do café faz parte de minha vida, em vários sentidos. Minha mãe era uma consumidora voraz de café, desde sua infância. Chegava a tomar várias xícaras por dia. A abstinência lhe provocava tremedeira, ansiedade, crises de dor de cabeça etc. Após muita determinação, conseguiu superar esse vício. Por causa de sua experiência, minha mãe não quis passar esse hábito para mim e minhas irmãs. Mas embora eu não beba café, já utilizei cafeína de outras fontes. Por exemplo, em duas ocasiões precisei, após longas horas de viagem, dar palestras de três horas para pesquisadores. Usei pó de guaraná, que tem mais cafeína do que o café. Resultado: fiquei tão “disposta” e “produtiva” que não consegui desligar nem mesmo à noite. Naquela noite, não dormi (Quinze gramas de pó de guaraná pode ter aproximadamente 550 mg de cafeína. Essa quantidade pode desencadear doenças e se enquadra no que especialistas chamam de “cafeinismo”). A cafeína está presente em refrigerantes, chocolates, chás, além do café. Assim, embora não tome café, já ingeri muito mais cafeína do que se tivesse tomada uma xícara da bebida. Essa é uma situação comum. Por isso, muito facilmente os consumidores de café ultrapassam a quantidade de cafeína hipoteticamente considerada segura (pois, ainda não há confirmação sobre segurança no consumo da bebida), ao ingerir também refrigerantes e chocolates.

Para avaliar se é seguro ou não consumir cafeína, é preciso acompanhar as pesquisas e também olhar para os sinais que o organismo dá. Por isso, é necessário buscar informações e ter acesso a artigos científicos e notícias como a que você enviou. As notícias, em geral, não nos oferecem uma avaliação das diferentes pesquisas sobre determinado assunto. Frequentemente, divulgam o resultado de um estudo específico. Se a notícia divulga apenas uma pesquisa científica que aponta unicamente para os malefícios de um alimento, por exemplo, pode desestimular seu consumo. Se ao contrário, for noticiado somente um estudo que concluiu ser saudável fazer uso de um alimento, pode estimular a sua utilização. Assim como a ciência, o jornalismo noticia pesquisas (e outros assuntos) em função de vários fatores: credibilidade da fonte, cultura do jornalista, cultura da empresa jornalística, interesses institucionais diversos, interesses do mercado, tempo de apuração etc. Dessa forma, embora as notícias jornalísticas sejam fundamentais, é importante buscar fontes acadêmicas mais amplas (de preferência que façam uma análise bibliométrica sobre o conjunto de pesquisas na área considerada, seguida de análise qualitativa) e/ou pesquisar notícias e fontes jornalísticas adicionais.

Tenho acompanhado as pesquisas e notícias sobre o café. Entre elas, destaco a entrevista com o médico Robert van Dam, professor do departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública de Harvard, que oferece informações amplas sobre o assunto no site da Universidade Harvard (Veja
). Trata-se, portanto, de uma fonte institucional de informação que reproduz conclusões científicas. As informações do Dr. Dam são interessantes porque ele faz uma análise de um conjunto de pesquisas nessa área, considerando alguns pontos controvertidos. Trata-se de um especialista sobre o assunto. Destacando os resultados positivos sobre o consumo do café, Dr. Dam faz as seguintes ressalvas:

1. Consumo em excesso – O consumo excessivo de café pode provocar tremores, estresse, insônia, entre outros sintomas. Segundo o médico, as pesquisas que apontam o benefício do café consideraram, em geral, o consumo de pouco café (a unidade analisada tem 100 mg de cafeína, enquanto na prática muitas pessoas podem fazer uso de 300 mg de cafeína por unidade/copo. Dez gramas de café é letal ao ser humano). Além disso, as pesquisas utilizaram o café preto, com pouco leite ou açúcar, “mas não com o tipo de bebidas com café de alto teor calórico que se tornaram populares ao longo dos últimos anos”.

2. O hábito de beber café está relacionado a comportamentos de risco – “Beber café normalmente ocorre junto do cigarro, e com um estilo de vida que não é muito consciente com a saúde. Por exemplo, pessoas que bebem muito café tendem a fazer menos exercícios físicos. Eles são menos propensos a usar suplementos alimentares, e tendem a ter uma dieta menos saudável.”

3. Café representa um risco para mulheres grávidas – “Para as mulheres grávidas, tem havido um pouco de controvérsia sobre se o consumo elevado de café ou a cafeína pode aumentar o risco de aborto. [...] Mas nós sabemos que a cafeína passa pela placenta e atinge o feto, e que o feto é muito sensível à cafeína, que a metaboliza muito lentamente. Então, para mulheres grávidas parece prudente reduzir o consumo de café a um nível baixo, por exemplo, um copo por dia.”

4. Café aumenta o risco de diabetes – “Com diabetes, é um pouco paradoxal. Estudos ao redor do mundo mostram consistentemente que o consumo elevado de cafeína ou café descafeinado está associado com baixo risco de diabetes tipo 2. Mas se você olhar para estudos específicos, após ser dado às pessoas o café, elas têm que comer algo rico em glicose. Sua sensibilidade à insulina diminui os níveis de glicose no sangue ficam mais elevados do que o esperado.” Diante disso, o médico recomenda café descafeínado. O café, em si, baixa a glicose no sangue. Mas o efeito posterior desencadeado pelo consumo de café leva a um desejo por açúcar. No que diz respeito à endometriose, o café poderia nos induzir ao consumo maior de açúcares – um fator de alto risco para o aumento da inflação e de focos da endometriose.

5. Café representa um risco para hipertensos – Dr. Dam afirma que o consumo de cafeína pode aumentar a pressão, mas que com o tempo há uma estabilidade do quadro. Contudo, ele alerta: “Mas se as pessoas têm hipertensão, e estão tendo dificuldade em controlar sua hipertensão, poderiam tentar mudar de café com cafeína para o café descafeinado, para ver se ele tem um efeito benéfico.”


6. Café aumenta o colesterol – O café possui uma substância chamada cafestol que eleva o mau colesterol (LDL). “Assim, para pessoas que têm níveis elevados de colesterol ou que querem evitar ter níveis elevados de colesterol, é melhor escolher o café filtrado com papel [...]”.

Mas qual o impacto do café ou da cafeína na endometriose? Qual é a consequência do consumo de café/cafeína para a fertilidade da mulher? Sim, há pesquisas nessa área. Selecionei algumas:

1. No artigo Selected food intake and risk of endometriosis
, pesquisadores da Universidade de Milão, na Itália, afirmam que o consumo de carne vermelha e presunto está relacionado com a endometriose. Mas não encontraram relação “significativa” entre o consumo de café e álcool, entre outros hábitos, com a endometriose.

2. No artigo Early follicular phase hormone levels in relation to patterns of alcohol, tobacco, and coffee use
, pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, afirmam que o consumo de café aumenta os níveis de estradiol na mulher, aumentando as chances de infertilidade. Uma quantidade de 500 mg de cafeína por dia aumenta em 70% o estradiol.

3. No artigo The Epidemiology of Endometriosis
, publicado na The New York Academy of Sciences, em 2002, os pesquisadores constatam aumento do risco de elevação do estrógeno (que provoca endometriose) com o consumo de café.

4. No artigo Hormonal therapies for endometriosis: implications for bone metabolism
, pesquisadores da Universidade do Texas, Estados Unidos, avaliam o impacto negativo de determinados tratamentos para a endometriose na estrutura óssea (agonista GnRH, como leuprolide [Lupron], nafarelin [Synarel], goserelin [Zoladex] e buserelin [Buserelina]). Após três meses de uso, há perda óssea significativa. Entre as recomendações desses pesquisadores, é que a mulher diminua o consumo de café e o hábito de fumar.

5. No artigo Relation of Female Infertility to Consumption of Caffeinated Beverages
, pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard (a mesma ddo Dr. Dam) afirmam que vários estudos têm relatado uma associação entre a ingestão de cafeína e o atraso da concepção (gravidez). Eles analisaram mais de 1000 mulheres, durante três anos, com e sem endometriose, de acordo com o hábito de consumo de café. Com o consumo de cafeína (mais de 7gr, por mês), houve um risco maior de infertilidade entre mulheres com endometriose. Os pesquisadores consideram necessário ampliar as análises sobre o risco da ingestão de cafeína no sistema reprodutivo da mulher.

6. No artigo Relation of endometriosis and neuromuscular disease of the gastrointestinal tract: new insights, pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, propuseram um tratamento para mulheres com endometriose intestinal cujos sintomas podem incluir dor abdominal crônica, náuseas, vômitos, saciedade precoce, distensão abdominal e alteração de hábitos intestinais. Esse tratamento consiste em mudança de dieta alimentar, com prescrição medicamentosa. A recomendação foi: eliminar o consumo de alimentos com cafeína e tiramina (queijo, carnes embutidas, shoyo, leveduras, leite de soja) incluindo a redução de carboidratos, entre outras orientações (Para quem usa antidepressivos, veja aqui os riscos da interação entre alimentos com tiramina e remédios antidepressivos neste estudo feito pela Universidade de São Paulo/USP
).

Como disse, para superar a endometriose fiz mudanças no meu estilo de vida. Entre elas, eliminei a cafeína. Embora o Dr. Dam não tenha considerado as pesquisas que relacionam endometriose e cafeína (inclusive uma feita em sua própria instituição); com base no que ele diz, penso que o uso do café pode fazer mal a minha saúde, ao aumentar meu desejo por doces; ao aumentar meu desejo por mais cafeína (pois a cafeína é deliciosamente viciante); ao estar associada, no meu caso, a um estilo de vida pouco ou nada saudável (é nos momentos de muita correria e de exigência de desempenho máximo que sinto ser impossível viver sem a cafeína. Por isso, para não usar a cafeína, tive que primeiro alterar uma “vida cafeínada”, reduzindo o excesso de atividades e as tensões diárias).

Quanto às demais acusações contra o café (provoca diabetes, causa hipertensão, aumenta o colesterol, faz mal ao coração, está associado à endometriose e à infertilidade etc), há pesquisas sérias que apontam para esses resultados. O mesmo se pode dizer sobre seus aspectos favoráveis. Diante de resultados tão diversos e, por vezes, paradoxais, a medicina acadêmica não pode recomendar o consumo do café para uma vida saudável, como afirmou o pesquisador de Harvard. Portanto, penso que nossa decisão quanto ao consumo de cafeína deve ser orientada pelo exercício de pesquisa contínuo; pela reflexão sobre os resultados divulgados; pela leitura crítica de notícias; não só pela quantidade, mas principalmente pela qualidade das análises científicas; pelo olhar atento ao nosso corpo e os sinais que envia. Por todos esses motivos, somados a uma orientação definidora em minha vida, eu eliminei a cafeína de minha alimentação. Com as demais mudanças no meu estilo de vida, não tenho mais dor e a endometriose diminuiu.

Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais:Um caminho, entre tantos

Gramáticas da nossa vida



Lei sobre a Gratidão pela Saúde


Conheça meu novo blog: Beith Lehem, A Casa do Pão.


Acesse neste blog: Eu venci a endometriose.


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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Cura da endometriose


14 de dezembro de 2011


Recentemente, foi publicada uma notícia animadora sobre perspectivas de tratamento da endometriose por meio de aplicação de aspirina diretamente nos focos da doença. O pesquisador Rogério Saad Hossne, professor de cirurgia da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), em Botucatu, aplicou uma injeção com aspirina (ácido acetilsalicílico 10%) diretamente nos focos de endometriose implantados em coelhas. O composto provocou a necrose dos focos. Destruiu a endometriose. Os resultados da pesquisa foram apresentados em setembro, em Montpellier, na França. De acordo com a última edição do Jornal da Faculdade de Medicina de Botucatu (Veja aqui, na p.12), a próxima etapa da pesquisa será realizada no Hospital Sírio Libanês. A aspirina será aplicada nos focos de endometriose implantados em suínos, por meio de ultrassonografia. Nada de cortes ou cirurgias.

Antes de testar a aspirina nos focos de endometriose, Saad Hossne testou a aplicação de aspirina em focos de câncer, com pesquisas desenvolvidas desde 1996. As duas doenças, de funcionamento semelhante, respondem também a tratamentos semelhantes.
Após a fase de testes em animais, o pesquisador pretende aplicar o medicamento em mulheres com endometriose. Saad afirma:

Dependendo do tamanho, da extensão da lesão, bem como da sua localização, poderá ser possível destruir os focos de endometriose ou pelo menos reduzir seu tamanho, facilitando assim a eventual abordagem cirúrgica subsequente, sendo esta uma nova alternativa para o tratamento.

A pesquisa é muito promissora. A boa notícia é que além de barato, o procedimento com aspirina poderá reduzir o número de cirurgias e, quem sabe, substituir remédios caríssimos. Resta saber se a indústria farmacêutica e os médicos que realizam dezenas de laparoscopias, cirurgias e exames diagnósticos de alto preço têm interesse em perder esse mercado lucrativo para um procedimento tão simples e eficaz quanto a aplicação de aspirina diretamente nos focos. Acho que deveríamos acompanhar essa pesquisa em específico, numa espécie de Observatório da Endometriose – um movimento de conscientização e trocas de conhecimento promovido na internet por milhares de portadoras de endometriose preocupadas não só com a própria cura, mas com todas as mulheres que sofrem com essa doença. Para sabermos sobre o andamento de pesquisa, podemos acompanhar a carreira do médico responsável por meio de seu currículo lattes, na página do CNPq (Veja o currículo aqui).

Não sabemos quando ou se as autoridades médicas vão aprovar a aplicação local de aspirina diretamente na endometriose. Sendo assim, poderíamos tomar o remédio para o combate da endometriose? Tomar aspirina poderia combater a endometriose? A aspirina age também na regulação de prostaglandinas, relacionadas também com o aumento da dor ao desencadear inflamações no organismo. Quando um tecido é danificado, a prostaglandina estimula a produção de plaquetas para a coagulação, entre outras funções. Como falei no texto anterior, quanto maior o processo de coagulação maior a chance de crescimento da endometriose. Por isso, o combate à coagulação exerce efeito positivo no controle ou diminuição da endometriose. A aspirina, a exemplo do alho, diminuiu o processo de coagulação. Mas diferentemente do alho, a aspirina tem efeitos colaterais que devem ser atentamente considerados.

Quando se anunciou o benefício da aspirina para prevenção de ataques cardíacos, muitas pessoas começaram a se automedicar. Mas poucos sabiam que estavam se expondo aos numerosos efeitos colaterais do remédio. O uso de aspirina aumenta em 70% a chance de problemas relacionados a hemorragias (Veja). Além disso, aumenta o risco de gastrite, úlcera, hemorragia digestiva, dengue hemorrágica, púrpura trombocitopênica (diminuição de plaquetas), edema cerebral, insuficiência hepática fulminante, piora da função renal (Veja). Assim, a “inocente” aspirina passou a ser recomendada apenas para pacientes com alto risco de doenças cardíacas.

Mesmo que supostamente a ingestão de aspirina combata a endometriose, os efeitos colaterais provocados por esse remédio não compensam o risco de uma solução hipotética. Quanto à pesquisa do médico, com aplicação local do ácido nos focos, as conclusões podem ser diferentes. Como disse, parece ser um tratamento medicamentoso barato, eficaz e, provavelmente, com menos efeitos colaterais do que Lectrum (Injeção que custa por volta de 450 reais e nem sempre está disponível na rede pública
. A injeção pode ser receitada por seis meses, o que daria um total de 2.700 reais. Veja a bula), o Zoladex (o 3,6 mg está por volta de 700 reais. De 10,8 mg, o preço é 2.100 reais. Seis meses de tratamento com Zoladex equivalem a mais ou menos 4.200 reais. Esses valores foram divulgados em 2010 por uma portadora de endometriose. Veja), o Danazol (De 100 mg, com 50 cápsulas custa por volta de 130 reais. Se for recomendada a dosagem máxima, 8 comprimidos por dia por seis meses, a mulher vai gastar por volta de 4.000 reais!!! Veja bula) (No passado, já gastei, por exemplo, em uma única consulta particular e um exame, cerca de 2.000 reais.)

De qualquer forma, barato ou caro, todos esses tratamentos resolvem ou prometem resolver os sintomas. Interrompido o uso, tudo pode voltar a ser com antes, a despeito dos terríveis efeitos colaterais, milhares de reais gastos e das esperanças por uma vida melhor. Além disso, talvez o uso de aspirina no combate da endometriose não vise à substituição de remédios caros e danosos ou de cirurgias complexas. Talvez essa resposta simples seja basicamente acomodada num sistema lucrativo já estabelecido por protocolos e diretrizes terapêuticas que seguem revestidas do aval científico. Ainda não sabemos se estamos diante de uma solução revolucionária ou afeita à ordem conhecida. O extraordinário é o que transforma o complicado em algo barato, acessível, eficaz, que toca e cura a raiz.

Quem sabe, diante das incertezas do futuro e das respostas insatisfatórias do presente, não deveríamos procurar remédios que não agridam o organismo ou que tenham efeitos colaterais mais controlados? Há fitoterápicos com ácido salicílico (o princípio ativo da aspirina que explica toda sua eficiência e foi retirado da planta Salgueiro e transformado quimicamente em ácido acetilsalicílico). Mais importante do que isso: há um grande poder curativo na mudança de estilo de vida. Alimentação natural e equilibrada. Muito exercício físico. Novo estilo de vida. Uma nova maneira de compreender a vida. Esse caminho não só pode combater os sintomas quanto destruir o princípio da doença nos libertando para uma vida sem dor. Mas a liberdade tem um preço que para muitas pessoas soa como uma restrição. Para quem coloca a esperança nesse caminho, seguida de ações, mesmo em meio a tropeços, os resultados compensam. São reais. Tenho endometriose profunda, não tenho mais dor, os focos diminuíram, sem efeitos colaterais. Sim, é possível. Como atesta o médico Saad, a resposta pode ser mais simples do que o sistema nos obriga a acreditar.

Um tratamento caro
não pode se estender pelo tempo, por limitações de dinheiro e de resistência corporal. Mas há cura no tratamento que envolve o corpo naturalmente, com delicadeza, se achega à pele a cada um de nossos dias. É receber a ducha de bálsamo comum, diária, cotidiana, fortificante para não só curar feridas, mas impedi-las que voltem ou se multipliquem. Uma decisão aromática e acolhedora, umbilicalmente junto do corpo. A alimentação correta, os exercícios, o cultivo do amor fazem isso pela gente.

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Para vencer a endometriose: levante-se

14 de dezembro de 2011



Quem tem menos riscos de ficar doente: um sedentário que se levanta várias vezes por dia ou alguém que faz exercícios físicos, mas fica sentado o dia inteiro, levantando-se muito pouco? Por incrível que pareça, a pessoa mais saudável nesse caso é o sedentário. A constatação foi feita por pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, e publicada no European Heart Journal (Veja). De acordo com a pesquisa, tempo demais sentado eleva risco cardíaco. “Levantar poucas vezes não muda a vida de ninguém”, disse o médico Antonio Sergio Tebexreni, da Unifesp. Renato Dutra, da Revista Veja, frequentemente fala da importância de movimentar-se durante todo o dia, e não apenas naquela hora reservada ao exercício físico (Veja).

No mês passado, outra pesquisa associou o aumento do risco de câncer na mama e no cólon com o hábito de ficar sentado. O hábito de ficar sentado por tempo prolongado tem sido associado a quase 200 mil novos casos de câncer por ano, segundo a pesquisa (Veja
). O estudo sugere que muitas horas na frente do computador aumentam riscos de tumores no intestino, útero, mamas, pulmões e ovários. Quanto mais tempo ficamos sentados, maior é o risco de câncer. Provavelmente, a mesma informação pode ser aplicada a diferentes doenças: quanto mais tempo sentada, maior o risco de endometriose.

Levantar-se é essencial para acelerar o metabolismo, ativar a circulação e oxigenar o corpo. Fazer caminhadas rápidas, distribuídas durante o dia, renovam o organismo. Também é importante fazer alongamentos. Eu passo muitas horas diante do computador. Tenho planos de mudar meu enfoque profissional, mas enquanto isso não acontece, tenho me esforçado para levantar várias vezes ao dia. Tenho me esforçado para alongar. Mas ainda preciso melhorar muito nesse importante aspecto.

Além de levantar-se periodicamente, quando estiver sentada, preste atenção a sua postura. Uma escritora a quem aprecio muito afirmou: “Para possuir bom sangue é preciso respirar bem. Plena e profunda inspiração de ar puro [...] Deve-se conceder aos pulmões a maior liberdade possível [...] Daí os efeitos do hábito tão comum, especialmente em trabalhos sedentários, de ficar dobrado sobre a tarefa em mão.” (Ellen G. White. Ciência do Bom Viver. p. 272). Eu tenho o hábito de me dobrar diante do computador. Nessa postura, é evidente que meu abdômen que sofre com multifocos de endometriose fique todo comprimido e não receba a oxigenação necessária para a saúde (Roupas apertadas provocam o mesmo efeito).

Embora eu já tenha melhorado muito, preciso estar mais atenta para esse tratamento simples: sentar-se com a postura correta, respirar adequadamente, levantar-se e alongar-se com frequência, além dos exercícios físicos diários. Se o simples ato de ficar sentado o dia todo tem provocado tantos casos de câncer, o simples fato de movimentar-se durante o dia todo pode nos ajudar a vencer doenças complexas. Essa não é apenas mais uma dica de saúde, entre tantas. É uma lei da saúde que precisa ser respeitada para se vencer a dor e a doença. Para superar a endometriose: desabotoe, estique-se, respire, levante-se.

PS.: Leia a notícia publicada na revista Época: Ficar tempo demais sentado pode causar câncer, diz estudo


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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ficar tempo demais sentado pode causar câncer, diz estudo

14 de dezembro de 2011

Uma pesquisa apresentada nos Estados Unidos sugere que muitas horas na frente do computador aumentam riscos de tumores no intestino, útero, mamas, pulmões e ovários

ALEXANDRE DE MELO

Trabalhos em que a pessoa fica horas e horas sentada em frente ao computador são cada vez mais comuns. Segundo estimativas americanas, passamos, em média,15 horas por dia sentados. Esse hábito pode ser mais prejudicial à saúde do que se imagina. Uma nova pesquisa sugere que o hábito é responsável pelo aparecimento de 173 mil novos casos de câncer a cada ano nos Estados Unidos.

O estudo foi apresentado pela epidemiologista americana Christine Friedenreich, durante a conferência do Instituto Americano para Pesquisa do Câncer (AICR), realizada no começo deste mês. Christine diz que passar muitas horas sentado, ainda que a pessoa faça exercícios físicos e seja ativa no restante do dia, aumenta os riscos do aparecimento de tumores no intestino, útero, nas mamas, pulmões e ovários.

A prática de exercícios físicos libera substâncias no corpo que evitam a inflamação das células – um processo que pode desencadear o aparecimento de tumores. Quando ficamos muito tempo sentados, o organismo reduz sua proteção contra processos inflamatórios. Também há indícios de que passar muito tempo sentado aumenta o riscos de ataque cardíaco.

Mesmo quem faz atividades físicas não está livre do risco oferecido pelas horas em que passa sentado em frente ao computador, dizem os especialistas. A prática diária de 30 minutos de exercícios, o mínimo recomendado pelos médicos, corresponde a apenas 3% do dia.

O Instituto Americano para Pesquisas de Câncer sugere algumas estratégias para melhorar a qualidade de vida no trabalho:

* programe um alerta no seu computador para lembrá-lo de hora em hora que é necessário levantar da mesa e dar uma caminhada pelo corredor. O seu programa de correio eletrônico pode lhe ajudar com o lembrete
* em vez de mandar mensagens eletrônicas para conversar com um colega de trabalho, faça uma caminhada até a mesa dele
* se possível, caminhe enquanto fala ao telefone

Fonte: h
ttp://revistaepoca.globo.com/Saude-e-bem-estar/noticia/2011/11/ficar-tempo-demais-sentado-pode-causar-cancer-diz-estudo.html

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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Um poderoso remédio para a endometriose e o combate à candidíase






29 de novembro de 2011


Semelhantemente a muitas mulheres com endometriose, eu sofri com a candidíase. Provocada por fungos, a candidíase está relacionada com corrimento branco espesso e coceira intensa na região genital. É uma micose que provoca infecção. A dor durante as relações sexuais também é sintoma comum. A doença é chata, causa desconforto e, frequentemente, está associada à endometriose (Veja artigos acadêmicos que relatam essa associação. Artigo 1, Artigo 2, Artigo 3).

Há muitas causas da candidíase. A mulher que usa antibióticos, anticoncepcionais ou corticóides está mais susceptível. Tudo aquilo que enfraquece o sistema imunológico predispõe o organismo à candidíase. Os médicos receitam antimicóticos para combatê-la. Mas em muitos casos, a infecção volta.Mesmo modificando minha alimentação e estilo de vida, a candidíase persistia, com período de melhoras e recaídas. Vi muitas indicações de banhos de assento, entre outros tratamentos. Embora sejam eficientes, nem sempre sobra tempo – e às vezes falta paciência – para fazer os banhos (mas ainda pretendo fazê-los, pois há constatações científicas de que melhoram a saúde da mulher). Então, finalmente encontrei uma resposta poderosa para a candidíase – o alho.

A partir de toda mudança que fiz para superar a endometriose (Veja aqui), passei a usar alho diariamente. Com o uso diário desse pequeno remédio, a candidíase se foi. Nada de coceiras intensas, nada de corrimentos. Que alívio! Como podem ver nos textos que indiquei, minha alimentação e meus hábitos mudaram bastante também. Um exemplo: não como açúcar, um forte desencadeador da infecção. Diminuí o consumo de massas, outro desencadeador da infecção. Portanto, alho sozinho talvez ajude, mas pode não resolver totalmente. 

Recentemente, comprei iogurte orgânico (uma delícia!). Não deu outra. Depois de alguns dias, a candidíase voltou, mesmo usando o alho. Parei com o iogurte. Depois de uma semana, o corrimento e a coceira sumiram. Sim, alho é um antimicótico poderoso, mas parece que é preciso mudar a alimentação ou, pelo menos, não usar alimentos que desencadeiam a micose, entre eles laticínios, açúcar e excesso de massas.

Na semana passada, folheei um livro de Sônia Hirsch sobre saúde da mulher, Só para mulheres. Ainda não tenho livros de sua autoria, mas pretendo adquiri-los. Conheço pouco do seu trabalho, mas o que li me surpreendeu positivamente. Li rapidamente sobre candidíase. Ela diz que alho é o remédio mais poderoso. Eu acredito, por experiência própria. Mas o alho não serve apenas para combater candidíase ou substituir antibióticos. O alho é também um poderoso remédio contra a endometriose. Fiz descobertas interessantes nesse sentido.

Recentemente, os resultados de meus exames de sangue apontaram uma leve diminuição de plaquetas e um aumento de imunoglobulina E (IgE). O aumento de IgE pode estar ligado a diversos fatores, entre eles alergias. O médico concluiu que não era nada preocupante. Mas eu nunca havia tido alterações como essas. Como coincidiu com o uso diário de alho, me interessei por pesquisar mais. 

Encontrei algumas informações bem interessantes:

1. O alho reduz a quantidade de trombina no sangue, responsável pela coagulação. Há uma alteração nas plaquetas.2. O IgE alto indica também uma diminuição de trombinas. De acordo com uma pesquisa publicada pela Scientific American, o IgE alto pode ser positivo, evitando, entre outras coisas, paradas cardíacas fulminantes. Com uma quantidade menor de trombina, a atividade de coagulação do sangue diminui. Por isso, a chance de uma parada cardíaca é menor (Veja a notícia).

Mas o que isso tem a ver com endometriose? Teria a trombina alguma relação com a endometriose também, já que a doença está relacionada ao sangue e a processos de coagulação? Fiz uma pesquisa em inglês que sempre fornece resultados muito interessantes. Encontrei um artigo acadêmico da Universidade de Tókio, no Japão. Veja o que os pesquisadores afirmam:Estas conclusões implicam que o sistema de trombina pode estar envolvido na fisiopatologia da endometriose, estimulando a resposta inflamatória de células de endometriose e sua atividade mitogênica. (These findings imply that the thrombin system might be involved in the pathophysiology of endometriosis, stimulating inflammatory responses of endometriotic cells and their mitogenic activity (Veja o artigo).Os autores afirmam que a endometriose está relacionada à inflamação. Essa inflamação, por sua vez, faz crescer os focos de endometriose e provoca muita dor. Os pesquisadores queriam saber se a trombina contribui com o aumento da endometriose, já que a trombina tem uma ação inflamatória, além de seu papel na coagulação sanguínea. Além disso, a trombina está naturalmente ligada à multiplicação das células do endométrio. Por isso tudo, pareceu aos pesquisadores que ela poderia estar relacionada à endometriose. Realmente, faz muito sentido. Para comprovar a suspeita, foram analisados tecidos de endometriose retirados de mulheres com a doença. Eles analisaram pedaços de endometriomas – os cistos de endometriose no ovário. 

Ao estudar atentamente a química da endometriose relacionada aos processos inflamatórios, concluíram, por meio de procedimentos analíticos, que a trombina está relacionada, sim, com o avanço da endometriose.É uma pesquisa complexa que nos aponta para uma solução simples – o alho. Sim, o alho diminui a concentração de trombina. Meus exames apontaram isso. Sim, o efeito é imediato. O que comemos interfere direta e rapidamente na saúde. Com o uso do alho, em menos de um mês, meus níveis de trombina diminuíram. Os exames demonstram, o corpo avisa. 

Portanto, ao diminuir a quantidade de trombina, o alho combate a inflamação, diminui a endometriose, reduz o inchaço abdominal e consiste num remédio poderoso contra a dor. O alho também é indicado para a endometriose porque reduz os níveis de açúcar no sangue. Outro grande resultado desse remédio natural. Desde que passei a fazer uso do alho, como aponto acima, o inchaço abdominal diminuiu muito.Com todos esses benefícios, o odor do alho é apenas um detalhe quase insignificante. No combate eficaz à endometriose, o aroma-alho é perfume curativo.

PS.: 1. Atenção: Quem vai se submeter a uma cirurgia deve suspender o uso do alho 15 dias antes. Ao diminuir a trombina, o alho também interfere no processo de coagulação.2. Os Riscos: De acordo com a American Academy of Family Physicians, os efeitos colaterais do alho são geralmente ligeiros e incomuns. Mas algumas pessoas podem desenvolver erupções alérgicas ou bolhas com o uso tópico (Fonte).3. No domingo passado, li num blog no New York Times um texto sobre pesquisas científicas que comprovam os benefícios do alho, inclusive para candidíase. O uso de alho para tratar fungos no pé se mostrou 100% eficiente, enquanto o remédio mais indicado para essa moléstia (lamisil) tem uma eficácia de 90%. A receita é simples: alho amassado com azeite aplicado diretamente nas lesões. Há outras dicas no artigo. Veja aqui.5. Escrevi outro texto sobre os benefícios do alho: Mais poderoso que o Zoladex? Mais eficiente que o Mirena? 
6. Site que indico sobre o tratamento natural da candidíase: 
http://candidiaseapraga.blogspot.com/ 
7. A coceira nas partes íntimas provocada pela candidíase pode desencadear lesões brancas perigosas. Para aliviar a coceira e também combater os fungos, passe o “gel” da folha de aloe vera ou babosa (sua parte interna) nas partes íntimas. A planta aloe arborescens tem um gel mais claro e mais fluído. Ideal.8. Nos cinco gráficos que apresentam a classificação dos efeitos de certos alimentos contra vários cânceres específicos (cólon, cérebro, pulmão, próstata e mama), o médico David Servan-Schreiber coloca o alho como o alimento mais poderoso e eficaz, numa lista de mais de 30 alimentos, entre eles, a cebola e o aspargo (Ver em Servan-Schreiber, David. Anticâncer. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.).

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A terra prometida

14 de novembro de 2011

Queremos ter uma terra. Um lugar em que não existam fumaças escuras nem poluição química que se movimenta no ar sem que ninguém se dê conta. Esse desejo tem a ver com minha infância vivida ao lado da roça. Minha casa era a última da cidadezinha. Nosso quintal se multiplicava infinitamente com a terra e mata a perder de vista, onde eu corria junto com um cão fila de pêlos cor de castanha que nunca soube morder ninguém – um cão de guarda desmoralizado, guardador de crianças, que adorava brincar de cabo de guerra. Com mandíbula boba, o cão podia até ameaçar atacar um desconhecido, mas jamais o feria. Um cão próprio para os ares pacíficos daqueles tempos. Vivíamos em paz. Ninguém perdia a vida ou sofria nas mãos dos maus. Sob o olhar do meu pai, pulávamos com o cão na mata, ouvindo aqui e ali um chocalho que diziam ser de cobra. Mas nunca vimos uma nos domínios do campo, embora meu pai, à época um sócio-gerente de empresa, tenha chegado a encontrar uma falsa coral no terraço de casa nos domínios do urbano. Mantendo-nos a distância, ele brincou com aquele filhote deslizante, tirou fotos e liberou a pequena em sua casa, no mundo ao lado. Havia sábados em que meus pais montavam a cesta de piquenique e seguíamos caminho de terra a dentro, ao lado de minas brotando pela terra pálida e fértil, povoada por pés de café e nichos generosos de mata intacta. Meus pais não moram mais naquela casa situada em uma das pontas da cidade, que oferecia o melhor da vida urbana no campo – a extensão verde e selvagem da minha infância nutrida por muitos dias de céu azul ou de chuva suave. A natureza era calma. Depois de tantos anos, aquela cidade enriquecida engoliu o campo. Só na memória não há cimentos nem fábricas. A necessidade de superação da endometriose trouxe de volta a imagem da criança com seu cão e a natureza. Imagem que por tanto tempo mantive quieta. Ao ler sobre a importância de uma vida desacelerada, sobre o valor da água e do ar puro, sobre o alimento cultivado de maneira a respeitar a terra, lembrei-me dos tempos idos. Saí de lá para ganhar o mundo. Morei em vários lugares, estudei em universidades, conheci meu marido e cheguei a esta cidade, com suas oportunidades e sentenças. Foi aqui que conheci a dor da endometriose. Precisamos voltar no tempo, parar o tempo. Encontrar um lugar onde os minutos não avançam o sinal da sanidade. Queremos ter uma terra. Conhecemos toda a área rural da região onde moramos. Nenhuma semelhança com minha antiga casa metade-cidade-campo. Toda vez que estávamos prestes a fazer um negócio, encantados pela oferta de vida bucólica, descobríamos as vilezas do lugar – chocalhos reais da violência que avança. Contaminação ambiental, assaltos, crimes, insegurança, brutalidades alimentadas pelo tráfico e uso de drogas. O crack se espalha por este país. Depois de muitas tentativas e desfechos frustrantes, pensamos em ir para um condomínio com terrenos mais amplos que preservassem um pouco da natureza. O marketing habitacional é hábil em identificar nosso DNA ancestral edênico ao nomear esses feudos de “Colinas...”, “Jardim...”, “Estrelas...” Meu sonho de infância pareceu reviver quando encontramos um condomínio no centro da cidade vizinha. Estar dentro da cidade e, ao mesmo tempo, no “campo”, com segurança, nos pareceu a solução perfeita. Mas como perfeição não existe, o condomínio está rodeado de antenas, tem como vizinho um cemitério centenário (que pode contaminar o lençol freático) e uma delegacia de polícia superlotada que fere a decência humana. No entanto, comparativamente ao que tínhamos visto, o lugar ainda parecia excelente pela beleza e aparente segurança – não havia registro de assalto ali, enquanto outros condomínios são alvos da invasão de bandidos armados. Pessoas compram chácaras e casas em condomínios sem saber que esses lugares têm se tornado muito perigosos, mesmo nas regiões mais interioranas e nos estados mais ricos do país. Fomos à delegacia para ver os boletins de ocorrência do local e acessamos dados da Secretaria de Segurança Pública. O lugar era realmente seguro. Mas antes de fechar negócio, fomos à prefeitura, conversamos com o engenheiro, fomos ao cartório e falamos com moradores. Decepção – os terrenos têm escritura, mas por um erro na documentação da empresa que construiu o condomínio, as casas não podem ser averbadas. Um funcionário público, sem saber disso, comprou o terreno, contratou uma construtora e adiantou os valores. Por causa dessa irregularidade, o fundo de garantia (FGTS) não pode ser liberado. A fim de pagar a construtora, vendeu sua casa por qualquer preço e entrou em dívidas. Agora, não consegue vender a casa construída, pois não pode ser financiada. Diante da situação, desesperou-se e acabou sofrendo um sério problema cardíaco. Levado pela promessa de uma vida de paz, pela aparência do lugar e pelos moradores ilustres, ele perdeu de vista informações essenciais. Há sonhos que cegam e cerram a vida. Mas sempre é possível se reconstruir. A despeito de nossos erros e acertos, somos a habitação mais importante. Depois desse quase-negócio, pausa. Estávamos cansados, embora gratos a Deus por não termos feito a escolha errada. Mas após algum tempo, retomamos a busca. Meu marido me levou para conhecer um condomínio que havia encontrado pela internet, ao lado de montanhas, distante 80 km de nossa casa. Com água de mina e paisagem de tirar o fôlego, a região também apresenta índices baixos de violência. Ao visitar o lugar, avistei chácaras mais distantes, entre montanhas. Fomos até lá após percorrer uma estrada de terra solta, apinhada de pedras pelas encostas. Encontramos um sítio de 22 mil metros, com nascente de água, um rio pequeno correndo entre a mata preservada – visão deslumbrante. Para saber a verdade do lugar é preciso conversar com muitas pessoas. No conjunto dessas falas, você se aproxima da realidade. Há muita gente que omite ou falsifica informações para não desvalorizar seu chão. Mas ainda há os que falam o que precisa ser falado. Foi uma experiência antropológica, uma reportagem extensa tendo como cenário aquele verde hipnotizante que a todo momento parecia me implorar majestosamente: compre de olhos vidrados... Resistindo ao ímpeto, continuamos a checar os fatos. A verdade não vem fácil, é uma conquista – precisamos desejar encontrá-la. Conversei com um técnico da Casa de Agricultura, o responsável pela Sabesp, uma geóloga com mestrado e doutorado em agronomia que dedica a sua vida a recuperar terras inférteis (a terra desse sítio é arenosa), um químico que analisa a toxicidade e potabilidade da água (embora a água seja de mina, pode estar naturalmente com excesso de fluoreto – um risco para a saúde), um geólogo, moradores... Além de tomar ciência da química da terra e da água, conhecemos pessoas maravilhosas. O mais reservado de todos nos convidou para ir até sua casa e nos ofereceu um copo de água. Após nos verem pela primeira vez, dois moradores nos acompanharam no reconhecimento da área. Um senhor de 70 anos e o marido de uma secretária aposentada de São Bernardo nos guiaram entre a mata preservada. Uma pequena floresta de cambarás verde água floridos compõe o pelotão de frente. Chegamos às minas de água e ao riozinho correndo entre pedras lisas e esverdeadas. Nenhuma cobra, poucos insetos e muitas folhas de árvores gigantescas a obstruir a visão do céu com sua copa desgrenhada. Os cipós se lançavam em apoio aos passos vacilantes. A raiz de uma grande árvore segurava a encosta solidificada, enquanto o senhor de 70 anos, que mora ali há dez, media a profundidade da piscina de rocha esculpida ao acaso e, ao mesmo tempo, dizia com generosidade surpreendente: “não comprem a metade do meu terreno que eu havia oferecido a vocês, comprem aqui. Esse lugar é incrível.” O último sítio, da última rua, sem saída. Nesse lugar último, encontramos nosso chão – a terra se fez nossa ao menos naqueles instantes. Fizemos a proposta de compra. Estamos esperando um retorno. No início, fiquei muito ansiosa. Mas agora, estou em paz. Entreguei nas mãos de Deus. Se for para o bem, tudo dará certo. Se não, o rio correrá em outra direção. “Por isso, quando a vida se desentende com o destino e descarrila em desgoverno no rumo do imprevisto, eu penso: talvez seja uma boa coisa... e eu acabe em lugares mais interessantes”, afirma a escritora-jornalista-literata... repórter Eliane Brum, no texto “A vida dos mortos”, que me emocionou profundamente (Veja aqui). No lugar de beleza rara, sonho em reunir mulheres que passam pelo que passei para contar, em meio à criação de Deus, como tenho superado a endometriose – um percurso de trilhas, diálogos, dificuldades, descobertas, ciências, preces e gratidão. Quem sabe ali, naquela terra arenosa candidata à fertilidade, eu conte a um filho (que, talvez, eu possa gerar ou que talvez eu receba de quem o gerou) o que Deus fez por ele. A promessa da terra prometida é para todas nós. PS.: Neste fim de semana, estive com meus pais. Sábado, eu e meu marido fotografamos a chácara onde eles moram e lugares da cidade onde nasci. Abaixo estão algumas fotos que meu marido fez. Para encontrar a cura, o caminho e a paz, leia sobre A importância da insistência Minha receita contra a endometriose, em linhas gerais: Um caminho, entre tantos Gramáticas da nossa vida

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Da endometriose ao câncer: a consciência do risco e o risco do desconhecimento




27 de outubro de 2011


Não sei seu nome, nem detalhes de sua história. Transformada em relato médico, eles a identificam como a “Paciente do sexo feminino com 45 anos de idade”. Uma mulher portadora de endometriose profunda, que era mãe de dois filhos e sofria com um histórico de dismenorreia intensa (cólica menstrual).

De acordo com os médicos pesquisadores, ela foi internada no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP) após sentir dores abdominais durante duas semanas sem melhoras com o uso de analgésicos (Veja a pesquisa acadêmica com esse relato
). Por meio do ultrassom transvaginal, constataram aumento do volume do útero (190 cm3). O CA-125, marcador tumoral também utilizado para compor o diagnóstico de endometriose, estava alto: superior a 200 U/mL. A hipótese diagnóstica foi adenomiose/endometriose pélvica. Os médicos a submeteram a uma histerectomia (retirada do útero) “para tratamento da dismenorreia”. O exame laboratorial não identificou endometriose no útero.

Após a cirurgia, voltou para casa. Mas retornou várias vezes ao hospital para ser atendida no Pronto Socorro. Estava emagrecendo. As dores abdominais não cessaram. Por meio de uma ressonância magnética do abdômen, encontraram uma massa de 6,0 x 5,0 x 3,0 cm no peritônio (uma membrana que envolve a camada abdominal). Era endometriose. Os médicos optaram por uma ooforectomia bilateral terapêutica. Foram retirados os dois ovários.

Sem útero e sem os ovários, era de se esperar, ao menos, o fim da dor. Mas as dores continuaram, acompanhadas de náuseas e vômitos. Havia mais focos de endometriose. Por meio do ultrassom, identificaram uma “massa cística”, próxima à aorta, ao tronco celíaco e aos vasos mesentéricos. A aorta é a artéria mais importante do sistema circulatório. O cisto encontrado estava no abdômen, próximo à aorta abdominal (aorta descendente). Ela foi subtemida a uma laparotomia. Retiraram parte do tumor. O exame revelou cisto “endometriótico com hemorragia”.

Um ano se passou. Ela foi submetida a uma nova tomografia computadorizada que revelou uma “lesão residual retroperitoneal”. Esse cisto no peritônio foi investigado por meio de uma punção. Os médicos acreditavam que era endometriose, mas não excluíram a possibilidade de outro diagnóstico, conforme relatam: “porém devido à presença de muita necrose no material, não se excluía a possibilidade de neoplasia epitelial bem diferenciada.” A neoplasia é um crescimento desordenado da célula que pode ser maligna ou benigna. Pelo que o paper relata, a paciente foi mantida sob tratamento para controle da dor. Mais um ano se passou até um novo exame. Vejam o relato:

Mantida sob tratamento clínico com controle parcial da dor e das náuseas. Exame de controle por RM [Ressonância Magnética], após um ano, mostrou aumento das dimensões da massa retroperitoneal, descrita como lesão expansiva complexa (...).
Desde a abordagem cirúrgica da massa no peritônico, quatro anos se passaram. Em meio a operações e remédios, ela emagreceu mais, a dor piorou. Até que foi encontrado um tumor de 15 cm em seu abdômen. Vejam o relato:

Após 4 anos da primeira abordagem cirúrgica da massa retroperitoneal, a paciente apresentava-se emagrecida (I.M.C. = 17) com piora da dor, apresentando náuseas, vômitos e inapetência. O exame físico evidenciou massa endurecida, em topografia de
epigástrio, aderida a planos profundos.

Os médicos fizeram uma tentativa de retirar o tumor. Na cirurgia, cortaram parte do estômago, do baço, do pâncreas. Devido às características do tumor, não puderam extraí-lo. Após 45 dias, essa mulher morreu, por choque séptico. Na autópsia, constataram o câncer: “adenocarcinoma caracterizado pela proliferação neoplásica de padrão glandular predominantemente endometrióide.” Para os médicos, a endometriose se transformara em câncer.

Essa história foi relatada em um trabalho acadêmico repleto de termos técnicos, aceito para publicação no dia 30 de maio deste ano. Apesar de sua objetividade científica, há muito sofrimento nesse relato. Escrevi este texto sob uma tensão crescente, tentando descrever os sintomas, os achados, os exames, os resultados, as idas e vindas dessa mulher, o olhar médico e sua interpretação. A mulher que não conheci sofreu muito. Viveu o calvário. Por que ler isso? Por que trazer à tona essa história? Por que escrever sobre dor extrema? Se precisamos de força, a encontraremos nesse desfecho? Ainda que seja incomparavelmente mais difícil saber dessa história do que conhecer histórias de dor marcadas pela superação, ainda sim, prefiro conhecer todas as implicações possíveis dessa doença, para não subestimá-la, para dizer: não a subestimem.

Há tempos, li um artigo na BBC sobre o risco da endometriose se transformar em câncer (Veja). O artigo afirma que muitas mulheres poderiam não querer ouvir sobre isso. Quem deseja ouvir o pior? Mary Lou Ballweg, da Endometriosis Association, disse: “Há um perigo de médicos sentirem que as mulheres não querem saber sobre o risco de câncer. Mas o que é pior, sentir um pouco de medo e estar atenta para os sintomas ou morrer?” “As mulheres precisam procurar um especialista para garantir que elas estão recebendo a melhor ajuda possível”, afirma Ballweg. De acordo com a médica Joanna Owens, diretora do Cancer Research UK's: “pesquisas [...] sugerem que a endometriose pode aumentar o risco de câncer e são necessários mais estudos para explicar essa conexão. Nosso conselho para todas as mulheres é que conheçam seu corpo, contatem o seu médico imediatamente se detectar quaisquer mudanças e participem de triagem, quando convidadas.” (Veja
)

Ao descrever o caso em um paper, enviado para publicação na revista Autopsy and Case Reports
, da USP, os médicos pesquisadores mantêm uma linha investigativa central: a relação entre câncer e endometriose, com enfoque nas discussões sobre diagnóstico. “Estudos têm documentado a progressão da endometriose, como doença benigna, para o câncer”, afirmam os autores. Eles enumeram algumas questões centrais, com base na análise de outras pesquisas: 1. O mecanismo de transformação da endometriose para o câncer ainda é desconhecido; 2. Não existe um método unificado para o diagnóstico da transformação da endometriose em câncer. Nos trabalhos publicados esse método é variado; 3. A taxa de incidência de câncer de ovário é nove vezes maior em mulheres com endometrioma. Em mulheres acima dos 50 anos, é 13 vezes maior; 4. Muitas mulheres que desenvolveram câncer a partir de focos de endometriose fora do ovário estavam na menopausa e faziam reposição hormonal; 5. As neoplasias de ovário relacionadas à endometriose parecem apresentar um prognóstico mais favorável, com melhores taxas de sobrevida.

Quero destacar mais duas conclusões dos autores (Veja
):

1. Por sua vez, a Ressonância Magnética (RM) é o método de imagem mais usado para
avaliação da endometriose pélvica profunda, podendo ter sensibilidade superior a 90% na capacidade de predição de lesões malignas.Nesses casos, as imagens sugestivas de acometimento neoplásico são a presença de massa unilateral cística com focos de hemorragia e nódulos murais com realce ao contraste.

2. A transformação carcinomatosa da endometriose é evento relativamente raro, pouco compreendido e de ainda difícil diagnóstico pelos métodos atuais. Não há até o momento orientação para seguimento ou rastreamento da transformação maligna nos focos de endometriose.

Quando li esse paper, me fiz várias perguntas. Primeiro, a qual tratamento medicamentoso essa mulher foi submetida? Já que retiraram o útero e os ovários, provavelmente ela não estava utilizando remédios para conter o avanço da endometriose. Mas seguia um tratamento medicamentoso, conforme relatam. Qual? Justamente devido às cirurgias, será que não estava fazendo reposição hormonal? Os médicos não dão informações sobre o tratamento farmacológico. Apenas mencionam o aumento de casos de câncer, a partir da endometriose, em situações em que a mulher faz reposição hormonal, embora não especifiquem o tipo de reposição.

Além disso, de acordo com os médicos a Ressonância Magnética é o melhor exame para diagnosticar a transformação de endometriose profunda em câncer. Nunca fiz ressonância. Nunca encontrei um médico que quisesse pedi-la. Provavelmente, os planos de saúde os induzem a isso. Mas, com esse paper em mãos, vou pedir que meu médico requisite o exame. Fica claro que a associação entre câncer e endometriose não é bem conhecida. Embora tais casos sejam raros – apenas uma pequena porcentagem de mulheres com endometriose desenvolve câncer –, precisamos estar atentas aos sinais, principalmente se nos enquadramos nos grupos de riscos citados: endometriose profunda, endometriose intestinal (meu médico faz pesquisas nessa área. Disse que o risco de malignização é muito maior no intestino do que no ovário), reposição hormonal, mulheres na menopausa ou acima dos 50 anos, obesidade, emagrecimento sem outra causa.

Esse artigo discute métodos diagnósticos. Parece importante para que a ciência avance. Mas a discussão central deve ser: como prevenir? Como impedir que a endometriose se transforme em câncer? Como evitar o medo e, ao mesmo tempo, tomar atitudes que nos protejam, nos fortaleçam (pois o medo apenas nos enfraquece)? Discutir as causas dessa transformação da doença é importante. Se as pesquisas médicas estão dizendo que reposição hormonal aumenta os riscos, devo fazê-la? O que mais aumentaria os riscos? No artigo publicado na BBC, a médica Anna-Sofia Melin, do Instituto Karolinska, na Suécia, afirma que a endometriose pode se transformar em câncer devido a defeitos no sistema imunológico das mulheres. Outra hipótese considerada por Melin é:

“Talvez o tratamento da endometriose possa influenciar o desenvolvimento do câncer. Nós não sabemos ainda.” (“Maybe the treatment of endometriosis can influence cancer development. We do not know yet.”) (Veja
).

Essa é uma afirmação corajosa e incomum, partindo de uma médica. Será que o tipo de tratamento que estamos fazendo está fortalecendo ou debilitando nosso sistema imunológico? Se está fortalecendo, você deve estar se sentindo melhor, com o organismo mais forte. É preciso olhar para o corpo e reconhecer os sinais. É preciso procurar bons tratamentos, bons médicos e fazer os exames corretos. Tomar as decisões necessárias.

Apesar de muito triste, o relato dessa mulher anônima fala a todas nós. Serve de um alerta. Não deve nos levar ao desespero nem à tristeza. Como disse, o índice de mulheres com câncer desenvolvido a partir da endometriose é pequeno. Por isso, com a mudança de estilo de vida, com um tratamento eficaz, podemos superar essa doença, ter qualidade de vida, tornar nosso organismo ainda mais forte, de modo que além de controlar/superar a endometriose sejamos capazes de evitar outras doenças, por conta da atenção e cuidado que temos com nós mesmas. A endometriose pode ser também um caminho para nos fortalecer ainda mais. De fato, com as mudanças que fiz por causa da endometriose, estou muito melhor. Sentia dores fortes, não sinto mais. A endometriose é profunda, mas os focos diminuíram de tamanho. Há mais vida em mim do que antes. Paradoxalmente, endometriose pode também significar isso – buscar vida, em sua plenitude.
Veja como superei a endometriose:



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